Há 31.792 casas concluídas no PRR. Só 12 mil são novas

Das 31.792 casas concluídas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência só cerca de 12 mil correspondem a novas casas no mercado, ou seja, 37,74% do total, de acordo com dados do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), referentes a agosto. Mais de metade das respostas habitacionais (53,4%) estão concentradas em Lisboa.
“Segundo dados do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), em agosto de 2026 estavam concluídas 31.792 habitações, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que foi reforçado com verbas do Orçamento do Estado”, avançou ao ECO fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e da Habitação. “Do total, cerca de 12.000 são novas soluções habitacionais, destinadas a famílias identificadas nas Estratégias Locais de Habitação”, acrescenta a mesma fonte, ou seja, um pouco mais de um terço do total.
Com concentração superior a 20% do total da oferta está apenas a capital com 53,4%, seguindo-se o Porto com menos de metade (14,6%). O terceiro lugar do pódio é ocupado por Setúbal com 7,1% das casas concluídas. No território continental o fundo da tabela é ocupado por Braga.

Os valores das casas concluídas é bastante díspar do valor dos projetos contratados ao nível da componente habitação (C02) do PRR. Os dados divulgados semanalmente pela Recuperar Portugal, que têm uma distribuição regional dos projetos, apenas elencam os 3.669 projetos contratados ao nível da habitação o que inclui o programa de apoio ao acesso à habitação e a bolsa nacional de alojamento urgente e temporário, sem detalhes sobre os mesmos. Lisboa lidera com 567 projetos contratados por 1,12 mil milhões de euros, seguida do Porto com 539 projetos por 552,39 milhões e de Braga com 394 projetos contratados por 203,66 milhões de euros. No fundo da tabela estão os 39 projetos de Beja por 31,8 milhões do PRR.
O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, Pedro Dominguinhos, queixou-se esta semana, no Parlamento, que já solicitou por duas vezes ao IHRU dados sobre a distribuição das casas novas, reabilitadas, aquisições pelo território. “A distinção entre casas novas, reabilitadas, aquisições, é algo que estamos a aguardar por informação do IHRU”, explicou Pedro Dominguinhos.
“Já fiz dois pedidos ao IHRU”, frisou. Alertando que precisa de “dados mais concretos”, Dominguinhos revelou que a “perceção” da CNA “é que a maior parte das casas concluídas são reabilitadas e não são novas casas”. Uma percepção confirmada pelos dados do IHRU enviados ao ECO.
O compromisso do PRR era de financiar 26 mil casas, mas as candidaturas apresentadas pelos municípios através das estratégias locais de habitação ultrapassaram as 59 mil, segundo o presidente do IHRU, Benjamin Pereira, envolto agora em grande polémica devido às declarações feitas sobre as acampadas e os jovens.
O Executivo optou por reforçar o financiamento em vez de limitar a resposta ao número inicialmente previsto, mobilizando o Banco Europeu de Investimento, o Orçamento de Estado e o Banco Português de Fomento. Segundo o presidente do IHRU, esta articulação de fontes de financiamento eleva para mais de 11 mil milhões de euros o valor atualmente investido em habitação.


