Asociación Mayangna alerta sobre violencia y despojo en territorios indígenas de Nicaragua


A ex-candidata à Presidência do Equador Luisa González foi presa, informou nesta quinta-feira (22) a líder do partido de esquerda Revolução Cidadã, Gabriela Rivadeneira.
González, aliada do ex-presidente Rafael Correa, está sendo investigada por supostas irregularidades no financiamento político e nos gastos de campanha.
Ela já havia afirmado que seu partido apresentou os gastos da campanha presidencial de 2023 ao órgão eleitoral e que a promotoria não possui provas para fundamentar suas acusações.
González perdeu a eleição antecipada para o presidente Daniel Noboa.
“Prenderam Luisa González. Basta!”, compartilhou Correa no X.
Em 2025, o presidente Daniel Noboa Azin, movimento Ação Democrática Nacional (ADN), foi reeleito após vencer no segundo turno um mandato que durará até o ano de 2029.
Noboa derrotou a candidata da oposição Luisa González, do partido Revolução Cidadã, que declarou em outra coletiva de imprensa que não reconheceria os resultados.
Noboa foi eleito presidente em 15 de outubro de 2023, após enfrentar González nas eleições antecipadas realizadas no Equador, depois que o então presidente Guillermo Lasso decretou a chamada “morte cruzada”, que renovou os Poderes Legislativo e Executivo.
Sem constar entre os favoritos e de maneira surpreendente, Noboa foi escolhido pelo voto popular no segundo turno para completar o mandato restante de Lasso, por um ano e meio, e aos 35 anos, tornou-se o presidente mais jovem a vencer a Presidência na história republicana do país.
A disputa eleitoral foi marcada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio, um incidente sangrento que remodelou o cenário eleitoral.

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, afirmou nesta quarta-feira (21) que cabe ao Vaticano a palavra final sobre a visita do papa Leão XIV ao país, que está prevista para novembro.
Espera-se que Leão XIV visite o Peru, incluindo sua antiga diocese de Chiclayo, entre os dias 11 e 16 de novembro, apesar de ter passado por uma cirurgia pulmonar em outubro.
O papa Leão não precisará de tratamentos adicionais após a cirurgia devido a um câncer de pulmão realizada na semana passada, informaram seus médicos nesta quarta-feira, indicando que o tumor não se espalhou.
O cirurgião-chefe do papa, Stefano Margaritora, declarou na semana passada que não havia “motivos clínicos” que impedissem o pontífice de viajar para a América do Sul.
Contudo, a Secretaria de Estado do Vaticano indicou que talvez seja necessário ajustar o ritmo da agenda do Papa para favorecer sua recuperação.
O pontífice, nascido nos Estados Unidos, tem uma viagem programada para o Uruguai, a Argentina e o Peru, entre os dias 6 e 17 de novembro.
Segundo a imprensa peruana, Fujimori inaugurou a primeira unidade industrial de processamento de pescado na região amazônica de Ucayali — um dos locais que constam no roteiro da visita de Leão ao Peru.
Papa Leão retira parte do pulmão e tem câncer confirmado, diz Vaticano

O Brasil continua sendo o principal alvo de ataques hackers na América Latina. Um relatório da NETSCOUT apontou que, no primeiro semestre deste ano, foram 1,1 milhão de tentativas de ataque DDoS na região. Desse número, quase metade (487 mil) foram direcionados ao Brasil.
Ataques DDoS (Distributed Denial of Service, ou Negação de Serviço Distribuída) são tentativas de derrubar um serviço online, site ou servidor por meio de tentativas excessivas de acesso ou solicitações. Isso causa uma sobrecarga no sistema.
Peru, Argentina, Chile e Equador também aparecem entre os cinco países mais visados da América Latina.
Segundo o “Relatório de Inteligência sobre Ameaças de Negação de Serviço Distribuída”, os ataques no Brasil no primeiro semestre de 2026 representaram um aumento de 3,56% em relação ao semestre anterior.
A duração média dos ataques no país foi de 59,31 minutos.
O levantamento analisou 209 países, nas regiões da AMérica Latina, Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio e África, e América do Norte. Foram mais de 9,1 milhões de ataques DDoS registrados no total no período.
No Brasil, o setor mais impactado foi o de operadores de telecomunicações sem fio (exceto via satélite), que registrou mais de 141 mil ataques no período.
Serviços de hospedagem/infraestrutura de computação vieram na sequência, com 50 mil ataques, seguido de operadores de telecomunicações com fio (28 mil).
A maior duração média de ataques foi no setor de lojas de brinquedos e jogos de hobby. Apesar de ter registrado apenas pouco mais de 2 mil casos, o tempo médio entre detecção e solução foi de 735 minutos.
Em comparação, o menor tempo médio foi no setor de serviços de consultoria em distribuição e logística, com 2.500 casos e média de 13 minutos por ataque.
O relatório ainda apontou que ataques curtos, com duração de um minuto ou menos, quase dobraram sua participação desde o segundo semestre de 2023.
Segundo o levantamento, o método mais comum de ataque DDoS foi o de caminho direito (direct-path), com 64% dos casos. Nesse ataque, os cibercriminosos sobrecarregam o alvo com tráfego malicioso por meio de IPs reais de dispositivos comprometidos, criando um fluxo contínuo.
O carpet-bombing (bombardeio massivo) também foi destaque, com participação subindo 3,97% dos casos no semestre anterior para 4,54% no primeiro semestre deste ano. Nesse caso, em vez de focar em um único hospedeiro, o tráfego malicioso vai para um bloco inteiro de endereços IPs, como uma rede.
A conclusão do relatório é que equipes de defesa precisam continuar se preparando para uma intensidade de ataques cada vez maior.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos faz alertas públicos sobre crimes violentos em partes da América Latina. No entanto, em âmbito interno, a agência forneceu aos agentes que avaliam pedidos de asilo novas avaliações que argumentam que as condições em alguns desses mesmos países não são mais perigosas do que em certas cidades dos EUA, segundo documentos internos analisados com exclusividade pela CNN.
Os documentos aos quais a CNN teve acesso têm como foco México, Honduras, Guatemala e El Salvador.
Geralmente, avaliações do Departamento de Estado enfatizam problemas relacionados aos direitos humanos e à prevalência de sequestros e extorsões nesses países. Porém, os novos documentos comparam as taxas de crimes violentos nestas nações com as de cidades americanas como Baltimore, Houston e Memphis, sugerindo um cenário menos grave.
Essas novas avaliações fazem parte de um esforço mais amplo da administração de Donald Trump para reformular a forma como os pedidos de imigrantes são analisados pelos agentes de asilo — e para restringir quem tem o direito de permanecer nos Estados Unidos.
Os solicitantes de asilo precisam provar que não podem ou não querem retornar ao seu país de origem devido a um “temor fundamentado” de perseguição.
Ao minimizar as ameaças percebidas nesses países, as novas avaliações provavelmente terão um impacto direto sobre esses pedidos, inclusive na determinação de se os imigrantes poderiam, de forma segura, se realocar dentro de seu próprio país, em vez de buscar permanecer nos Estados Unidos.
“Houve uma simplificação excessiva dos perigos reais nesses países durante outras administrações, mas isso parece estar indo longe demais na direção oposta”, disse Andrew Selee, presidente do Migration Policy Institute, um centro de estudos apartidário.
O Departamento de Estado afirma que as avaliações foram elaboradas por funcionários com experiência regional e distribuídas para análise, inclusive para missões dos EUA no exterior.
Isso tem como objetivo “fornecer um embasamento para os responsáveis pela análise de pedidos de proteção”, diz um dos documentos.
O DHS (Departamento de Segurança Interna dos EUA), que gerencia os pedidos de asilo, encaminhou as perguntas da CNN sobre os relatórios ao Departamento de Estado.
Em um comunicado por escrito à CNN, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o órgão “pode fornecer informações sobre as condições em países estrangeiros ao USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA) e aos tribunais de imigração”.
“Tais informações visam oferecer um embasamento útil para a equipe do USCIS e para os juízes de imigração”, complementou o texto.
Os novos documentos foram distribuídos ao USCIS, uma agência vinculada ao DHS que processa benefícios imigratórios, e afirmam que a criminalidade violenta no México, em Honduras, na Guatemala e em El Salvador é menor do que em algumas grandes cidades dos Estados Unidos.
No México e em El Salvador, por exemplo, os documentos alegam que muitas áreas “apresentam taxas de criminalidade violenta pelo menos uma ordem de grandeza inferiores às de grandes cidades americanas”.
Os agentes responsáveis por processos de asilo geralmente recorrem ao relatório anual sobre direitos humanos do Departamento de Estado para avaliar as condições no país de origem do solicitante.
Esse relatório, que abrange o ano anterior e costuma ser divulgado em março ou abril, sofreu um atraso este ano. As novas avaliações, portanto, oferecem aos agentes informações mais recentes sobre as condições nos países, a serem consideradas durante a análise dos pedidos.
O número de pedidos de asilo negados já é elevado. Em junho, por exemplo, 94% dos casos de asilo foram indeferidos, segundo o Centro de Acesso a Registros Transacionais da Universidade de Syracuse.
Trata-se de um aumento drástico em relação a dois anos atrás, quando a taxa de indeferimento de pedidos de asilo girava em torno de 50%.
Os documentos revelam como a administração Trump utiliza comparações com os Estados Unidos para avaliar dois pontos que podem ser decisivos para um pedido de asilo:
“Quando um relatório governamental diverge tanto de relatórios anteriores, isso acende um sinal de alerta, especialmente se as condições locais não tiverem sofrido mudanças significativas que justifiquem tal alteração”, afirmou Selee, presidente do centro de estudos Migration Policy Institute.
“Certas mudanças são aceitáveis. É possível ajustar a ênfase dada em relatórios anteriores, mas, neste caso, parece haver uma mudança radical na realidade local”, adiciona o especialista.
O Departamento de Estado dos EUA desaconselha viagens a Honduras, citando crimes violentos e terrorismo, segundo um alerta em seu site. O órgão menciona especificamente o departamento de Gracias a Dios, uma região de Honduras, devido à criminalidade local.
O alerta público de viagem do Departamento de Estado menciona a criminalidade na região, mas documentos internos indicam que as taxas de crimes violentos no local — bem como em outras cidades hondurenhas — “comparam-se favoravelmente às taxas de crimes violentos em partes dos Estados Unidos”, incluindo Baltimore, Houston e Memphis.
“É claro que esses números não representam a totalidade dos Estados Unidos”, afirma o documento em um trecho.
“Na verdade, eles demonstram que, mesmo em países desenvolvidos, as condições variam. Além disso, mostram por que não é possível fazer uma avaliação geral sobre as condições de um país com base na situação de áreas específicas”, adiciona.
Os documentos também afirmam que a polícia em Honduras está “disposta e apta a responder a pedidos de assistência dos moradores, sendo as principais limitações a escassez de veículos, os desafios quanto ao tempo de resposta e as dificuldades de acesso em áreas rurais”.
O documento ressalta que situações como essa também podem ocorrer nos Estados Unidos.
Contudo, a realidade no local é mais complexa, pontuou Selee.
“Isso subestima claramente o grau em que as forças policiais estão em conluio com grupos do crime organizado”, disse.
“A diferença em relação aos Estados Unidos é que, muitas vezes, as pessoas enfrentam a violência, mas não contam com instituições confiáveis que possam protegê-las”, prossegue,
Os novos documentos afirmam que as pessoas podem se deslocar livremente dentro de cada um desses países — inclusive vítimas de abusos e extorsão.
Embora especialistas reconheçam que isso possa ser verdade, eles ressaltam que alguns grupos do crime organizado representam uma ameaça em nível nacional; portanto, mesmo mudando de localidade, as pessoas continuam em potencial perigo.
“A realidade é que há pessoas que entram em conflito com grupos criminosos e não conseguem estar seguras em lugar nenhum do país”, afirmou Selee.
Ex-funcionários do USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA) relataram que verificar se uma pessoa tem condições de se mudar para outra parte do próprio país tem feito parte das perguntas habituais feitas pelos agentes responsáveis pela análise de pedidos de asilo.
“A questão de saber se é possível se mudar para outra região dentro do próprio país sempre foi algo que um agente pode — e deve — levar em consideração”, garantiu à CNN um ex-funcionário do USCIS.
Representantes do governo Trump afirmaram, em diversas ocasiões, que os alertas de viagem — que são distintos dos relatórios sobre direitos humanos do Departamento de Estado — destinam-se a cidadãos americanos, e não aos nacionais do país em questão.
Em junho, Markwayne Mullin, secretário de Segurança Interna dos EUA, em conversa com Jake Tapper, da CNN, defendeu as políticas da administração ao ser questionado sobre a segurança no Haiti, país que também é alvo de um alerta de viagem.
“Temos recomendações de ‘não viajar’ ou outros tipos de avisos para locais no México. Na verdade, se você consultar o site do Departamento de Estado, verá que existem alertas para muitos destinos de férias; emitimos esses avisos por causa dos riscos reais para os americanos”, explicou Mullin.
“Isso não significa que haja risco para as pessoas que vivem nesses locais”, acrescentou.



A perceção de insegurança está a contribuir para redesenhar as cidades latino-americanas. Bairros, casas, complexos empresariais ou centros comerciais fecham-se entre muros, grades, câmaras de vigilância e seguranças à porta, isolando quem os frequenta. Esta lógica de segregação leva os cidadãos a sentirem-se estrangeiros nas suas cidades. E dá às organizações criminosas uma oportunidade para se mostrarem úteis, cobrando por proteção contra o medo que ajudaram a criar