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ECO da Semana: Crescimento da China, ‘earnings season’ e notação de França


A semana em 30 segundos

  • A semana arranca com os dados do crescimento da segunda maior economia do mundo – a chinesa – que deverá ter registado uma expansão de 4,4% no terceiro trimestre, alicerçada pela procura global por semicondutores, tecnologias limpas e outros produtos manufaturados.
  • A época de resultados prossegue, com números da Netflix, Tesla e Meta entre outras em Wall Street, enquanto deste lado do Atlântico, no índice PSI é a fabricante de pasta e papel The Navigator Company a dar arranque à season.
  • Os investidores vão estar atentos à primeira leitura dos PMI de outubro para avaliar a atividade económica nas várias regiões esta sexta-feira, no mesmo dia em que a muito fustigada dívida soberana francesa enfrenta novo teste – desta vez uma avaliação (e provável corte) da notação pela Moody’s.

Segunda-feira, 19 de outubro

China divulga PIB do terceiro trimestre (04h00)

“A China dá início à semana na segunda-feira e prevê-se que o crescimento da produção industrial aumente para 5,3% em setembro, face aos 5,2% anteriormente, e que o crescimento das vendas a retalho passou de 0,4% para 0,5%”, sinalizou Stefan Rondorf, estrategista sénior de investimento na Allianz Global Investors.

Quanto ao PIB do terceiro trimestre, a média das projeções dos 50 economistas consultados pela Reuters aponta para um crescimento de 4,4%, uma ligeira aceleração face aos 4,3% do segundo trimestre. A forte procura global por semicondutores, tecnologias limpas e outros produtos manufaturados tem mantido a economia chinesa em movimento, mesmo com a procura interna a permanecer irregular e os custos mais elevados da energia a fazerem-se sentir. As exportações têm-se mantido estáveis, apesar do delicado equilíbrio comercial da China com os EUA e a UE.

Leitura relacionada:

China Q3 growth set to pick up on stimulus, keeping 2026 goal within reach (Reuters, em inglês)

Terça-feira, 20 de outubro

Foto: UnsplashUnsplash

Netflix apresenta contas do terceiro trimestre

  • Porque é importante e o que esperar:

A época de resultados em Wall Street continua e, segundo dados da LSEG, prevê-se agora que os lucros das empresas do índice S&P 500 tenham registado um aumento homólogo de 30,7% no terceiro trimestre, acima dos 30,6% previstos na semana anterior.

A Netflix apresenta resultados depois de na semana passada ter sido noticiado que a empresa está a despedir 6% da sua força de trabalho, ou seja, cerca de mil funcionários, na sua maior onda de despedimentos desde 2022, de acordo com um memorando interno a que a Reuters teve acesso, numa altura em que a pioneira do streaming enfrenta forte concorrência por parte de rivais tradicionais e do YouTube na conquista de espetadores.

Em julho, as ações da Netflix tombaram mais de 10% depois de ter previsto mais um trimestre de crescimento mais lento das receitas e ter revisto em baixa os dados relativos à audiência, alimentando receios de que o crescimento, superior ao da indústria, possa ter atingido o pico.

Leitura relacionada:

Netflix to cut 1000 jobs as growth concerns mount (FT, acesso pago, em inglês)

Quarta-feira, 21 de outubro

Euribor; casas; habitação; rendasLusa

INE divulga taxas de juro implícitas no crédito à habitação (11h00)

  • Porque é importante e o que esperar:

Numa altura em que se aguarda mais um aumento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu até ao final do ano e em que crescem as manifestações pelo direito à habitação, o INE apresenta os dados de quanto custou o crédito para casa em setembro.

Em agosto, a taxa de juro implícita no crédito à habitação subiu para 3,162%, mais 2,7 pontos base do que em julho, tratando-se do quarto mês consecutivo de subida. Nos contratos celebrados nos três meses anteriores (entre maio e julho), a taxa manteve-se em 2,910%, o mesmo valor apurado em julho.

Leitura relacionada:

Taxa de juro no crédito à habitação sobe pelo quarto mês seguido para 3,162%

Portugal teve o maior aumento do preço das casas na UE no segundo trimestre

Quinta-feira, 22 de outubro

Navigator inaugura época de resultados no PSI (após o fecho da bolsa)

Se nos EUA prevê-se um crescimento dos lucros de perto de 30 % em relação ao ano anterior, na Europa é de cerca 21%. “Fora do contexto de recuperação económica após uma recessão, estes são valores excecionalmente elevados“, realçou Stefan Rondorf, da Allianz GI.

Em Portugal, é a Navigator que dá o tiro de partida aos resultados das cotadas do índice PSI. No O último conjunto de resultados da produtora de pasta e papel não foi, no entanto, de boa memória, pois a empresa encerrou o primeiro semestre do ano com um resultado líquido de 49,1 milhões de euros, o que representa uma quebra de 42,3% face aos 85 milhões reportados no período homólogo de 2025.

Numa primeira metade do ano marcada por tempestades em Portugal e pela guerra no Médio Oriente, as contas da papeleira portuguesa foram afetadas pela “escalada dos custos de matérias-primas, energia e logística”. Um novo programa de corte de custos variáveis vai ajudar empresa a compensar metade do agravamento dos preços, este ano, e vai ter impacto positivo anual de 28 milhões a partir de 2027.

Leitura relacionada:

Strategists See European Stocks Posting a Bumper Earnings Season (Bloomberg, acesso pago, em inglês)

Escalada dos preços devido à guerra encolhe lucros da Navigator

Banco de Portugal divulga dados sobre Certificados (11h00)

  • Porque é importante e o que esperar:

A poupança nos certificados do Estado tem continuado a aumentar, com as famílias a manterem um forte interesse em Certificados de Aforro, num momento em que juros continuam a subir, acompanhando a Euribor.

O Banco de Portugal divulga os dados de setembro, depois de no mês anterior os Certificados de Aforro terem captado 753 milhões de euros , elevando para 44,6 mil milhões o valor investido pelas famílias nestes produtos. No entanto, em sentido contrário, os Certificados do Tesouro registaram mais um mês negativo em agosto, elevando para 1,3 mil milhões o volume de saídas registadas nos primeiros oito meses do ano.

Leitura relacionada:

Certificados de Aforro captam mais de 750 milhões em agosto e batem novo recorde

Certificados de Aforro voltam a pagar taxa máxima em outubro

Sexta-feira, 23 de outubro:

EPA/DAVID HECKEREPA/DAVID HECKER

‘Flash’ PMI medem pulso da atividade global em outubro

  • Porque é importante e o que esperar:

“Os PMI deverão ser os dados económicos mais importantes da semana“, identificou Stefan Rondorf, da Allianz GI. Na Zona Euro, “A questão fundamental é saber se os preços da energia persistentemente elevados ou a incerteza política em França e na Alemanha terão pesado sobre o clima empresarial, que tem vindo a melhorar nos últimos meses, ou se outros motores de crescimento poderão compensar esta situação.

Os Purchasing Managers’ Indices, ou Índices dos Gestores de Compras, são publicados mensalmente em relação a mais de 40 economias. Os dados são obtidos através de sondagens a executivos séniores do setor privado, com questões sobre o PIB, inflação, exportações, utilização de capacidade, emprego e inventários. Os painéis são escolhidos por setor para produzir, entre outros, índices sobre os setores da manufatura, serviços, construção ou o setor privado como um todo. Os índices variam entre 0 e 100, com uma leitura acima de 50 a indicar um aumento geral em comparação com o mês anterior e abaixo de 50 uma diminuição geral.

Na estimativa rápida para outubro, os analistas do Lloyds Bank prevêem para a Zona Euro que “o impacto das condições financeiras mais restritivas e do recente novo aumento dos preços globais da energia se reflitam numa queda do PMI composto preliminar de outubro para 52,8, face ao valor de 53,1 registado em setembro”. Para o PMI composto dos EUA esperam “que se mantenha em linha com um crescimento forte, embora com uma moderação em relação ao
máximo de cinco anos de 58,4 registado em setembro”.

Leitura relacionada:

Eurozone growth hits highest since April 2023 according to flash PMI (S&P Global, em inglês)

Moody’s avalia notação da dívida francesa

Sob intensa pressão no mercado secundário, a dívida soberana francesa enfrenta novo teste, desta vez à notação financeira. A Moody’s deverá atualizar a sua notação Aa3 e atualmente a perspetiva é negativa, o que significa que é mais provável que a próxima decisão seja um rebaixamento dessa classificação.

A agência alertou no início de outubro que as perspetivas de a França aprovar o seu orçamento para 2027 são altamente incertas, uma vez que se aproximam as eleições presidenciais e a provável fragmentação política que se seguirá não facilitará a consolidação orçamental.

Leitura relacionada:

Mercados vão continuar a “estrangular” França até às eleições de abril e nem o BCE poderá vir ajudar

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