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La vida de los Baigorri con la enfermedad de Steinert, la Ley de Murphy hecha patología: "Es una lotería siniestra"

María y su padre Javier tienen distrofia miotónica tipo 1, una patología que afecta de muy distintas formas a los pacientes debido a la mutación de un gen. Mientras él ha llevado una vida normal y fue diagnosticado a partir de la sospecha en su hija, ella tiene un 75% de discapacidad Leer

María y su padre Javier tienen distrofia miotónica tipo 1, una patología que afecta de muy distintas formas a los pacientes debido a la mutación de un gen. Mientras él ha llevado una vida normal y fue diagnosticado a partir de la sospecha en su hija, ella tiene un 75% de discapacidad
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O segredo oculto na neurociência: como construções antigas enganam nosso cérebro para reduzir o estresse — e por que prédios modernos fazem o oposto

Quem já entrou numa igreja barroca em Ouro Preto, caminhou pelo Pelourinho, em Salvador, ou passou uma tarde num casarão convertido em museu costuma descrever uma sensação parecida: o ritmo desacelera, a respiração fica mais longa e o cansaço parece ceder.

De volta ao próprio apartamento, a experiência pode ser a oposta. Mesmo sem uma causa evidente, algumas pessoas podem sentir que, ao chegar em casa, se sentem mais drenadas do que descansadas. A percepção, tratada por muito tempo como questão de gosto, virou objeto de estudo de uma área que cruza arquitetura, neurociência e psicologia ambiental.

O corpo avalia o espaço antes da consciência

A neuroarquitetura investiga como luz, altura do teto, formas, texturas, cores e ruído alteram respostas fisiológicas, como frequência cardíaca, condutância da pele e níveis de cortisol, o hormônio associado ao estresse. O campo ganhou estrutura institucional nos anos 2000, com a criação da Academia de Neurociência para a Arquitetura (ANFA), nos Estados Unidos, e hoje reúne laboratórios em universidades da América do Norte e da Europa.

Para a arquiteta Andréa de Paiva, mestre em arquitetura com foco em neurociência pela Middlesex University, de Londres, e fundadora do NeuroAU, núcleo brasileiro dedicado à neuroarquitetura, a principal dificuldade está em perceber esses efeitos no dia a dia. “Muitos dos efeitos do ambiente decorrem daquilo que a gente não percebe”, afirma.

Ainda segundo a pesquisadora, a análise não parte do gosto pessoal, mas de reações que o corpo produz sem passar pela avaliação consciente, como a sensação de insegurança diante de estímulos visuais ou sonoros em excesso.

Construções antigas repetem padrões encontrados na natureza

Uma das explicações mais citadas para o conforto em construções antigas está na geometria. Fachadas com ornamentos, cornijas, frisos, azulejos e esquadrias trabalhadas costumam repetir detalhes em diferentes escalas, numa lógica semelhante à de galhos de árvores, nuvens e linhas costeiras. Esses padrões são chamados de fractais.

O físico Richard Taylor, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, estuda há cerca de duas décadas a reação do organismo a essas formas. Em experimentos com rastreamento ocular e eletroencefalograma, sua equipe identificou que fractais de complexidade intermediária, parecidos com os encontrados na natureza, podem reduzir indicadores de estresse fisiológico em até 60%.

Pela interpretação do grupo, o sistema visual humano evoluiu cercado por esses padrões e os processa com pouco esforço. “As pessoas realmente precisam de ambientes estéticos para se manterem saudáveis”, disse o pesquisador.

A mesma linha de pesquisa aponta um limite: padrões muito simples tendem a ser percebidos como monótonos, e os excessivamente complexos podem gerar desconforto. Boa parte das edificações contemporâneas, com superfícies lisas e ângulos retos repetidos, fica no extremo da baixa complexidade.

Pé-direito alto amplia a sensação de liberdade

Outro traço comum em prédios históricos é a altura. Casarões coloniais, estações ferroviárias e igrejas antigas frequentemente têm pé-direito acima de 3,5 metros, enquanto apartamentos novos no Brasil costumam ficar entre 2,50 e 2,70 metros.

Em 2015, um grupo liderado pelo psicólogo Oshin Vartanian, pesquisador da Universidade de Toronto, no Canadá, usou ressonância magnética funcional para observar a atividade cerebral de voluntários diante de imagens de interiores. Ambientes com teto alto foram julgados mais bonitos com maior frequência, e salas percebidas como fechadas levaram os participantes a optar mais vezes por sair delas. “Esses ambientes estimulam a exploração visuoespacial”. Ainda segundo o pesquisador, os cômodos mais altos ativavam regiões do cérebro ligadas à atenção espacial.

Janelas amplas, típicas de construções anteriores à popularização do ar-condicionado e da luz elétrica, reforçam o efeito ao aumentar a entrada de luz natural e a circulação de ar. Paredes grossas de pedra, adobe ou taipa também amortecem ruídos externos e variações de temperatura, o que reduz estímulos que o corpo precisaria processar.

Fachadas monótonas deixam marca fisiológica

A comparação não se limita ao interior dos prédios. O neurocientista Colin Ellard, professor de psicologia da Universidade de Waterloo, no Canadá, conduziu caminhadas guiadas com cerca de 100 voluntários em Londres e Toronto, monitorando a condutância da pele, medida usada para avaliar o nível de excitação do sistema nervoso, diante de fachadas com diferentes graus de complexidade. “Edifícios de baixa complexidade foram percebidos como muito entediantes e pouco atraentes”, afirmou o pesquisador.

Segundo Collin, o efeito não se restringe à estética. Fachadas extensas e homogêneas produzem sinais fisiológicos associados ao tédio mesmo em exposições curtas.

A observação se soma aos registros do urbanista dinamarquês Jan Gehl, que notou que pedestres tendem a acelerar o passo diante de paredes cegas e a desacelerar em ruas com vitrines, portas e variação de fachada.

Por que a própria casa pode se tornar exaustiva

Se o problema fosse apenas arquitetônico, bastaria morar num casarão para resolvê-lo. A pesquisa sobre ambientes domésticos, porém, mostra que o esgotamento em casa também depende do que o espaço representa.

Estimativas da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) indicam que as pessoas passam cerca de 90% do tempo em ambientes fechados, e a casa concentra boa parte dessas horas, sobretudo depois da expansão do trabalho remoto. O mesmo cômodo passou a funcionar como escritório, sala de aula, academia e área de descanso.

Um estudo conduzido na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e publicado em 2010 analisou como 30 casais descreviam as próprias casas em visitas guiadas gravadas. Mulheres que usavam mais palavras associadas a bagunça e a tarefas inacabadas apresentaram uma curva de cortisol mais achatada ao longo do dia, padrão associado a desfechos negativos de saúde, além de piora do humor com o passar das horas. As que descreviam a casa como repousante mostraram o efeito oposto.

“A bagunça está nos olhos de quem vê”, afirmou a autora principal do estudo, Darby Saxbe, hoje professora de psicologia da Universidade do Sul da Califórnia (USC). Para a pesquisadora, a casa deixa de funcionar como refúgio quando se transforma em uma lista permanente de pendências, e quem se sente responsável por elas tende a sentir o peso fisiológico com mais intensidade.

Essa diferença ajuda a explicar a assimetria: em uma igreja ou em um museu, o visitante não tem louça para lavar nem contas sobre a mesa. A atenção pode repousar sobre os detalhes sem exigir nenhuma ação, processo que os psicólogos Rachel e Stephen Kaplan, da Universidade de Michigan, descreveram como restauração da atenção. Em casa, cada objeto fora do lugar funciona como um lembrete de tarefa.

Limites da ciência e ajustes possíveis dentro de casa

Os próprios pesquisadores alertam para o risco de transformar essas descobertas em regras universais. Parte da sensação positiva em construções antigas também vem do contexto.

Elas costumam ser visitadas em momentos de lazer, carregam memória afetiva e passaram por uma espécie de seleção histórica, já que os prédios que resistiram por séculos tendem a ser justamente os mais bem construídos ou os mais valorizados. “A ciência ainda não consegue definir um edifício ideal”, pondera Cleo Valentine, pesquisadora da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, especializada em neurofisiologia aplicada à arquitetura.

Isso não significa que nada possa ser feito em apartamentos compactos. As linhas de pesquisa apontam caminhos acessíveis, como priorizar a luz natural durante o dia e usar iluminação mais quente à noite, introduzir plantas, madeira e texturas naturais, reduzir o excesso de objetos à vista e separar, mesmo que de forma simbólica, os espaços de trabalho e de descanso. A reforma ajuda, mas mudar a relação com aquilo que a casa exige de quem vive nela pode ter efeito tão relevante quanto a altura do teto.

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