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Competição europeia de foguetes em Portugal distingue equipas de oito países. Saiba quem venceu


A equipa austríaca Aerospace Team Graz (ASTG) conquistou o EuRoC Award, atribuído à equipa com o melhor desempenho global na competição organizada pela Agência Espacial Portuguesa.Agência Espacial Portuguesa

A sétima edição do European Rocketry Challenge (EuRoC), competição universitária de foguetes organizada pela Agência Espacial Portuguesa, terminou com dez prémios atribuídos a equipas europeias, num ano marcado pela estreia de uma categoria para novos participantes e por um resultado inédito para Portugal. A equipa austríaca Aerospace Team Graz voltou a conquistar a principal distinção, enquanto a portuguesa da Universidade do Minho conseguiu lançar e recuperar um foguete na sua primeira participação.

A Aerospace Team Graz (ASTG) da Áustria conquistou o EuRoC Award, atribuído à equipa com o melhor desempenho global, considerando a conceção do foguete, a documentação técnica, o trabalho de equipa e os resultados em voo. A formação austríaca, que já tinha vencido em 2023 e 2025, arrecadou ainda o prémio de melhor voo na categoria de propulsão líquida para 9.000 metros.

“O EuRoC tornou-se uma referência europeia porque conseguimos criar um ambiente em que as novas gerações desenvolvem tecnologia em condições próximas da indústria. Muitos dos estudantes que passaram pelo EuRoC estão hoje a trabalhar em empresas do setor ou criaram os seus próprios negócios. É esse o impacto da competição: formar o talento de que a indústria espacial europeia precisa, tornando-a mais forte e mais autónoma”, destaca Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, citado em comunicado.

Outro dos destaques foi a grega White Noise, que conquistou dois prémios na sua estreia: o Rookie of the Year, que distingue a melhor equipa estreante, e o Payload Award, atribuído à melhor carga útil, tendo em conta a inovação, a fiabilidade e o potencial de aplicação da tecnologia desenvolvida.

A competição decorreu em Constância entre 15 e 21 de outubro e reuniu cerca de 700 estudantes de 13 universidades europeias, contando com o apoio da Câmara Municipal de Constância e do Exército Português.Agência Espacial Portuguesa

Portugal esteve representado na fase final da competição de foguetes por duas equipas universitárias, depois de sete formações nacionais terem sido selecionadas para competir.

A Minho Aerospace Students’ Team (MAST), da Universidade do Minho, levou o foguete Mirage ao objetivo de 3.000 metros de altitude. Fundada em 2024, a equipa tornou-se a primeira formação portuguesa a conseguir lançar e recuperar um foguete, numa edição da competição que marcou a sua estreia.

“Esta edição demonstrou que é possível abrir a competição a novas equipas sem comprometer a exigência técnica que caracteriza o EuRoC. Para estes estudantes, foi primeira oportunidade de transformar meses de desenvolvimento num projeto real, sujeito aos mesmos desafios técnicos e de segurança que encontram na indústria”, afirma Marta Gonçalves, gestora dos programas de Educação e Ciência da Agência Espacial Portuguesa, citada na nota de imprensa.

Já a Rocket Experiment Division (RED), do Instituto Superior Técnico, que participa na competição ininterruptamente desde 2021, não conseguiu realizar o lançamento devido a problemas técnicos que não foram resolvidos dentro do prazo da competição. A North Space, que reúne estudantes de várias faculdades da Universidade do Porto e da Universidade de Lisboa, também não chegou à fase final, apesar de ter sido selecionada, devido a contratempos no desenvolvimento do foguete.

A participação portuguesa surge num ano em que o país voltou a destacar-se pelo número de equipas interessadas na competição. Em maio, altura em que encerrou o período de candidaturas, Portugal tornou-se o país mais representado no EuRoC pelo segundo ano consecutivo, num contexto de recorde de inscrições.

A competição decorreu em Constância entre 15 e 21 de outubro e reuniu cerca de 700 estudantes de 13 universidades europeias. Ao longo de quatro dias de operações, 12 foguetes saíram das rampas de lançamento, numa edição que ficou marcada pela diversidade tecnológica dos projetos e pela estreia da categoria Rookie, destinada a equipas que participam pela primeira vez.

O EuRoC contou com o apoio da Câmara Municipal de Constância e do Exército Português, que disponibiliza o Campo Militar de Santa Margarida para os lançamentos. A competição contou ainda com a presença de empresas do setor, como a Neuraspace, a Tekever e a Momentum Aerospace, reforçando a ligação entre o ensino superior, a investigação e a indústria espacial.

Dez prémios para equipas de oito países

Além das distinções conquistadas pela equipa austríaca e pela formação grega, o EuRoC reconheceu projetos de equipas da Suíça, Itália, Hungria, Espanha e Chéquia.

Os dez prémios atribuídos na edição de 2026 ficaram distribuídos da seguinte forma:

  • EuRoC Award: Aerospace Team Graz (Áustria)
  • Technical Award: ARIS (Suíça)
  • Design Award: Skyward Experimental Rocketry (Itália)
  • Payload Award: White Noise (Grécia)
  • Team Award: BME Suborbitals (Hungria)
  • Flight Award Líquido 9K: Aerospace Team Graz (Áustria)
  • Flight Award Líquido 3K: Skyward Experimental Rocketry (Itália)
  • Flight Award Sólido 3K: LEEM-UPM (Espanha)
  • Flight Award Híbrido 3K: CTU Space Research (Chéquia)
  • Rookie of the Year: White Noise (Grécia)
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Vasco Pedro reage à insolvência da Unbabel: “Gerência atuou de boa-fé” e tentou “preservar valor”


O cofundador da Unbabel, Vasco Pedro, que liderava a startup quando foi decidida a venda da totalidade dos ativos ao grupo TransPerfect, garante que "a gerência atuou de boa-fé e procurou, ao longo de todo o processo, encontrar a solução que melhor salvaguardasse os interesses dos trabalhadores, dos credores e dos clientes". O empreendedor reage assim à notícia de que o tribunal vai decidir se a insolvência da Unbabel foi culposa ou fortuita.

Naquela que é também uma das primeiras reações públicas de Vasco Pedro ao desfecho da startup que fundou em 2013, o gestor afirma ao ECO que "foram desenvolvidos esforços documentados de investimento,…

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Beyond Vision levanta 28 milhões e expande na Trofa


A Beyond Vision levantou 28 milhões de euros para expandir capacidade de produção e reforçar nos mercados europeu, América do Norte (EUA e Canadá) e Brasil. A empresa comprou espaço na Trofa para a equipa a Norte.

“O objetivo é aumentar a capacidade industrial para responder à procura atual e ao pipeline em defesa. Na prática: mais área de produção, mais stock de componentes críticos e mais equipa. Estamos a expandir em várias frentes: Alverca (sede), Oeiras (obra arranca agora) e Trofa, onde adquirimos espaço próprio para a equipa do Norte”, adianta Dário Pedro, CEO da Beyond Vision, ao ECO/eRadar.

Em Alverca, em dezembro passado, a empresa estava a aumentar a área de produção com 2.000 metros quadrados, distribuídos por dois pisos, para 4.000 metros quadrados, num investimento de global de cinco milhões de euros. E em Oeiras é uma das empresas que integra o cluster de drones que está a ser criado no Oeiras Tech Valley, como adiantou na época o CEO da empresa fabricante de drones em entrevista ao ECO/eRadar.

O objetivo era este ano a companhia ganhar capacidade de produzir cerca de 500 VTOL (drones de asa em multirotor) e cerca de 800 multirotores.

O objetivo é aumentar a capacidade industrial para responder à procura atual e ao pipeline em defesa. Na prática: mais área de produção, mais stock de componentes críticos e mais equipa. Estamos a expandir em várias frentes: Alverca (sede), Oeiras (obra arranca agora) e Trofa, onde adquirimos espaço próprio para a equipa do Norte.

Dário Pedro

CEO da Beyond Vision

A ronda de capital foi coliderada por dois fundos de investimento nacionais, a Indico Capital Partners e Lince Capital, com reforço da ActiveCap, que já investe na fabricante de drone desde 2024.

“Em setores críticos como na defesa, na gestão de infraestruturas e na segurança, a dependência de tecnologia de ponta, fiável e soberana é hoje uma prioridade estratégica dos vários países. A Beyond Vision redefiniu este mercado ao combinar hardware de alta precisão com algoritmos avançados de inteligência artificial a um custo muito competitivo”, refere Stephan de Moraes.

“Este investimento dará à Beyond Vision a robustez financeira necessária para escalar a produção e competir mundialmente em importantes segmentos de veículos autónomos não tripulados”, acrescenta o presidente da Indico Capital Partners, citado em comunicado.

Dário Pedro, cofundador e CEO da Beyond Vision na unidade de produção em Alverca.Hugo Amaral/ECO

“O atual contexto geopolítico e o reforço do investimento europeu em defesa estão a criar novas oportunidades para empresas tecnológicas com capacidade de competir internacionalmente. Acreditamos que a Beyond Vision, pela sua capacidade tecnológica, experiência e ambição, está bem posicionada para aproveitar este momento e contribuir para o desenvolvimento de um ecossistema nacional mais forte em tecnologias de elevado valor acrescentado”, diz por seu turno, Tomás Lavin Peixe, head of venture capital da Lince Capital, citado em comunicado.

Expansão geográfica

A injeção de capital surge num momento de elevada procura global por sistemas de veículos não tripulados e visa dar capacidade financeira para reforçar produção e presença no mercado externo.

Com esta ronda, a empresa quer reforçar “na Europa, América do Norte (EUA e Canadá) e Brasil, sempre com foco em defesa, segurança e infraestruturas críticas“, adianta Dário Pedro.

A empresa tem vindo a expandir a sua presença. No Canadá, em junho, fechou uma parceria com a Arcanus Aerial Systems, empresa do setor de defesa com sede em Toronto, para a produção, comercialização e prestação de apoio às principais plataformas da fabricante nacional de drones nesse país da América do Norte, bem como “em vendas de exportação financiadas pelo Canadá”.

Com esta parceria, a empresa de Alverca reforçou a sua posição na América do Norte, depois de ter fechado um contrato de “pelo menos” 15 milhões de euros nos EUA para fornecer 300 drones de emergência até 2028. Nos planos do fabricante português está ainda a abertura, em dois anos, de uma fábrica no mercado norte-americano, num investimento de 50 milhões de euros.

Fábrica de drones da Beyond Vision, em AlvercaHugo Amaral/ECO

Em França, durante a Eurosatory 2026, uma das maiores feiras do setor de defesa e segurança, a fabricante de drones fechou ainda parcerias com duas empresas, a Gremsy — fabricante de soluções avançadas de imagem e câmaras para drones e robótica — e a espanhola Indef. Com esta última, o primeiro foco de colaboração irá incidir no desenvolvimento de uma plataforma de drones marítimos para aplicações de Operações Especiais, com o objetivo de apoiar atividades de teste e avaliação em missões NATO.

Já o acordo com a Gremsy era apontado como “estratégico” dado a “sua parceria com a FLIR [que desenvolve sistemas de imagem infravermelha de baixo custo para uso aéreo] e como fabricante de payloads NDAA compliant [ou seja que cumprem com os requisitos da National Defense Authorization Act] e produzidos nos EUA”, detalhava em junho o CEO da Beyond Vision ao ECO/eRadar.

Em julho, anunciou a entrada na Jordânia através de uma parceria com a Aero Voo Portugal (AVP) para sua representação comercial no país, mais um passo na estratégia de expansão internacional da empresa no Médio Oriente. A Jordânia tem vindo a investir na modernização das suas capacidades militares, na vigilância de fronteiras e na proteção de infraestruturas críticas, áreas onde a Beyond Vision pretende posicionar as suas soluções.

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Portugal vai entrar no novo fundo do BEI para financiar empresas tecnológicas


Portugal vai participar na European Tech Champions Initiative 2.0 (ETCI 2.0), promovida pelo Grupo Banco Europeu de Investimento, através de uma subscrição de capital até um máximo de 50 milhões de euros, pagos pelo Orçamento do Estado. A iniciativa, que funciona numa lógica de fundo de fundos, pretende melhorar o acesso ao financiamento das empresas tecnológicas e ajudar ao desenvolvimento do mercado de capital de risco.

“A Resolução do Conselho de Ministros não corresponde a um programa de apoios diretos do Estado português às empresas, nem a um mecanismo de financiamento gerido pelo Governo. Trata-se da participação de Portugal na European Tech Champions Initiative 2.0 (ETCI 2.0), uma iniciativa europeia promovida pelo Banco Europeu de Investimento (BEI/FEI) destinada a reforçar o financiamento de empresas tecnológicas europeias em fase de crescimento”, explicou ao ECO fonte do Ministério das Finanças.

“O Grupo BEI irá investir em grandes fundos de capital de risco e private equity, e serão os gestores desses fundos que depois escolhem empresas tecnológicas a apoiar”, explicou a mesma fonte, sublinhando que “o modelo ETCI funciona numa lógica de fundo de fundos”.

A Resolução do Conselho de Ministros, aprovada a semana passada, foi publicada esta quarta-feira em Diário da República e detalha que os pagamentos relativos à subscrição de capital até 50 milhões de euros serão efetuados em função das chamadas de capital, sendo assegurados por verbas a inscrever no capítulo 60 do Orçamento do Estado.

“Os encargos decorrentes desta participação serão suportados por verbas a inscrever no Orçamento do Estado, constituindo despesa não efetiva, com impacto nas necessidades de financiamento da República, mas sem impacto no saldo orçamental”, segundo a Resolução.

“A participação portuguesa na ETCI 2.0 visa alargar as oportunidades de financiamento das empresas tecnológicas nacionais, favorecendo o seu crescimento e a sua internacionalização. Permitirá também assegurar a representação da República Portuguesa nos mecanismos de governação da iniciativa e reforçar a cooperação com o Grupo BEI no financiamento da inovação”, lê-se no diploma.

A primeira versão da European Tech Champions Initiative foi lançada em 2023, mobilizou cerca de 3,9 mil milhões de euros, apoiou 15 mega fundos de investimento especializados em tecnologia e contribuiu para o desenvolvimento de 12 unicórnios sediados na UE (empresas em expansão avaliadas em mais de mil milhões de euros).

Agora, a segunda edição, lançada em julho, pretende captar até 15 mil milhões de euros, através de contribuições dos Estados-membros, do Grupo BEI e de investidores institucionais privados. O objetivo é mobilizar, com esses recursos, até 80 mil milhões de euros de investimento total para assim apoiar mais de 100 fundos de capital de risco e cerca de 1.500 empresas tecnológicas europeias, de acordo com as estimativas do Grupo BEI.

Mas, o montante do ETCI 2.0 será determinado no segundo semestre deste ano, quando as contribuições de todas as partes participantes forem finalizadas, naquele que é designado como first closing. O Grupo BEI investirá até 1,25 mil milhões de euros no fundo.

Pela primeira vez, além de apoiar mega fundos, serão apoiados fundos de média dimensão (de mais de 300 milhões de euros). A expectativa é que, entre os mais de 100 fundos que deverão ser criados, 45 serão megafundos que irão investir em empresas em fase de expansão, com um valor médio de investimento de 200 milhões de euros por empresa.

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Unbabel foi vendida por 5,7 milhões de dólares. Poucos meses antes, ‘valia’ 44 vezes mais


A TransPerfect pagou 5,7 milhões de dólares (5,1 milhões de euros) pela "totalidade dos ativos da Unbabel" em agosto de 2025. Meses antes, a Unbabel negociou uma fusão com outra empresa por uma avaliação de 250 milhões de dólares (222,8 milhões de euros), 44 vezes mais, mas a operação não se chegou a concretizar, apurou o ECO.

Aqui quantificado pela primeira vez, o colapso da avaliação da Unbabel num curto espaço de tempo ilustra bem a queda vertiginosa desta startup tecnológica que chegou a ser vista como uma das…

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Perdão de dívidas e Pix de R$ 5 mil: Veja tudo sobre o pacote para MEIs

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sanciona nesta quarta-feira (21) o novo pacote dos MEIs (Microempreendedores Individuais), que inclui não só o aumento de teto de faturamento como também o perdão sobre as dívidas da categoria.

O Projeto de Lei Complementar nº 186/2026 foi aprovado pelas Câmara dos Deputados e Senado Federal há poucos dias e, no total, contempla seis medidas:

  1. perdão de dívidas tributárias;
  2. compra de dívidas bancárias;
  3. Pix MEI;
  4. aumento do faturamento dos MEIs;
  5. fim da obrigatoriedade da emissão de nota fiscal para pessoa física;
  6. compras públicas.

A primeira delas poderá beneficiar cerca de 3,6 milhões de microempreendedores, com débitos que somam R$ 15,5 bilhões. A avaliação técnica da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é de que essas dívidas são irrecuperáveis.

A dívida média desses microempreendedores está em R$ 3,4 mil.

De acordo com a equipe econômica, a proposta tem como objetivo eliminar as pendências com a União, retirar as ações judiciais de cobrança e permitir que os empreendedores obtenham certidão negativa de débitos.

Segundo anunciado pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, a anistia zera o valor original da contribuição previdenciária em atraso e perdoa todas as multas, juros acumulados e encargos de cobrança.

O benefício entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2027 e o perdão exige que o empreendedor mantenha suas guias mensais do DAS pagas em dia durante os seis meses seguintes à vigência da lei.

Desenrola 3.0 – compra de dívidas bancárias

Além do perdão de dívidas, a partir de novembro o Ministério da Fazenda vai realizar leilões com bancos privados e deve comprar cerca de R$ 6 bilhões de dívidas ativas dos microempreendedores individuais.

As instituições financeiras, por sua vez, devem aplicar um desconto mínimo de 90% sobre o saldo devedor. Quanto o maior desconto ofertado pelo banco, maior a prioridade de sua venda no leilão.

A intermediação será feita diretamente entre o Ministério da Fazenda e o setor privado. Com essa medida, 1,6 milhão de MEIs inadimplentes devem ser beneficiados.

Pix MEI, teto de faturamento, emissão de nota fiscal e compras públicas

O pacote aprovado pelo Congresso também prevê o lançamento do Pix MEI, uma transferência de renda para estruturação da atividade econômica dos microempreendedores.

O governo concederá, entre 2027 e 2030, o governo concederá um capital semente de R$ 5 mil para que os MEIs investiam no próprio negócio. Ao todo, serão distribuídos aproximadamente R$ 5 bilhões.

A medida priorizará mulheres empreendedoras e MEIs com faturamento de até R$ 40,5 mil.

A iniciativa também prevê assistência aos empreendedores, com apoio de parceiros como o Sebrae, para ajudar na estruturação dos negócios, e exige que o dinheiro seja aplicado em aquisição de bens que gerem desenvolvimento produtivo.

Já o teto de faturamento da categoria foi alterada para R$ 110 mil a partir de 1º de janeiro de 2027. Um ano após esse primeiro salto, em 1º de janeiro de 2028, o limite será aumentado novamente, para R$ 140 mil. Atualmente, o teto de faturamento anual é de R$ 81 mil.

Além disso, os MEIs poderão contar com até dois empregados formalizados, o dobro do limite atual.

O presidente Lula também assinou um decreto que afasta a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal pelos MEIs nas vendas de produtos e na prestação de serviços a pessoas físicas.

O decreto também contempla os nanoempreendedores, enquadramento destinado a quem fatura até R$ 40,5 mil por ano. A norma estabelece que esse público ficará dispensado de abrir CNPJ e emitir nota fiscal nas vendas a pessoas físicas.

Por fim, os congressistas atualizaram os limites da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), ampliando a participação dos MEIs no orçamento de compras do governo. A partir de 2027, os microempreendedores individuais poderão fazer parte de contratações de até R$ 32.746,06 por serviço.

*Com informações de Vitória Queiroz, da CNN Brasil

Veja o raio-x dos MEIs no Brasil

 

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Maratona tecnológica europeia de defesa em Leiria tem vencedores. Saiba quem são


A UB Robotics conquistou o primeiro lugar na edição de Leiria do EUDIS Defence Hackathon 2026 com uma plataforma de autonomia robótica que permite coordenar diferentes tipos de robôs sem depender de GPS, internet ou redes convencionais, a UBR Brain. A Nautilo e a UBIAT viram também as suas soluções serem reconhecidas na maratona tecnológica de defesa.

A competição decorreu entre 15 e 17 de outubro, em Leiria, no âmbito do programa europeu EU Defence Innovation Scheme (EUDIS), apoiado pelo Fundo Europeu de Defesa. Sob o tema “Autonomia no Campo de Batalha”, o hackathon reuniu 62 participantes de 12 nacionalidades para desenvolver soluções tecnológicas destinadas a operar em ambientes onde os sistemas de navegação por satélite podem estar indisponíveis ou ser perturbados.

Esta foi a terceira maratona tecnológica do EUDIS realizada em Portugal, mas desta vez com a Startup Leiria como organizadora do evento. O desafio incluiu a navegação sem GPS, a coordenação de enxames de drones e o desenvolvimento de plataformas capazes de lançar, coordenar e recolher diferentes sistemas não tripulados.

A maratona de Leiria decorreu em simultâneo com a de Itália, Chipre, Suécia, Irlanda, Áustria, Letónia e Noruega que acolheram a edição de outono do programa EUDIS, integrado no Fundo Europeu de Defesa da Comissão Europeia para impulsionar a inovação no setor da defesa até 2030.

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Quais os projetos vencedores?

A equipa UB Robotics venceu com o projeto UBR Brain, desenvolvido para responder ao desafio GNSS-Denied Navigation, centrado na operação de sistemas autónomos em ambientes sem acesso fiável a sinais de posicionamento por satélite.

A solução consiste numa plataforma de software de autonomia robótica que permite a um único operador coordenar diferentes tipos de máquinas, incluindo veículos terrestres não tripulados (UGV), veículos aéreos não tripulados (UAV) e robôs humanoides. O sistema recorre a sensores instalados nos próprios equipamentos e a comunicações rádio ponto a ponto, para permitir a navegação e a partilha de informação sem depender de GPS, ligação à internet ou infraestruturas de rede convencionais.

A equipa vencedora é composta por Filipe Martins, Francisco Leal, Pedro Oliveira, Rodrigo Capeleiro e Ruben Dinis.

A vitória na edição portuguesa permite à equipa avançar para a fase seguinte do programa europeu. Segundo a organização do hackathon, os vencedores nacionais beneficiam de dois meses de mentoria europeia e têm oportunidade de apresentar as soluções a representantes dos Estados-membros. As melhores propostas poderão ainda chegar a um evento tecnológico internacional.

A Nautilo conquistou o segundo lugar com uma plataforma naval autónoma concebida para patrulhar a Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa durante várias semanas. “Alimentada por energias renováveis e equipada com sistemas de baixa manutenção, a plataforma funcionaria como uma base móvel para prolongar o alcance operacional de sistemas não tripulados mais pequenos, permitindo uma monitorização marítima contínua e persistente”, refere a Startup Leiria.

Já o terceiro lugar foi para o sistema autónomo de combate a drones da UBIAT. Concebida para responder a ameaças como os drones de ataque Shahed, a solução combina uma “plataforma aérea principal com pequenos drones intercetores, que podem ser lançados para neutralizar ameaças identificadas através de câmaras térmicas e visuais”, refere a Startup Leiria.

“Através de uma rede de comunicação entre os drones e de um sistema de coordenação supervisionado por um operador humano, a plataforma permite distribuir alvos, acompanhar a situação e reajustar as missões em tempo real”, refere ainda.

Trata-se de uma solução de uso dual, já que a “arquitetura proposta poderá também ter aplicações civis, nomeadamente na deteção de incêndios florestais e em operações de busca e salvamento”.

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Portugal não pode ficar apenas a fabricar a defesa dos outros


A discussão sobre o reforço da defesa europeia concentra-se nos grandes contratos, nas empresas estabelecidas e nos montantes anunciados. Segundo o relatório The State of Defence Tech 2026, da Dealroom e da Resilience Media, as startups europeias de defesa tinham captado o equivalente a cerca de 6,5 mil milhões de euros em capital de risco até setembro de 2026. Mas há outra pergunta, determinante para Portugal: quantas das nossas empresas poderão passar de fornecedoras de componentes a criadoras de produtos e tecnologias que respondam a novas necessidades? Temos exemplos em Portugal, de empresas tecnológicas que conquistaram mercados exigentes – o desafio é alargar essa capacidade a uma indústria que investiu, durante décadas, em conhecimento, equipamentos e competitividade internacional.

Podemos desperdiçar esta oportunidade se ficarmos apenas a produzir segundo especificações definidas por outros, longe de quem concebe os sistemas, detém a propriedade intelectual e conhece o cliente final. A subcontratação é essencial às cadeias de fornecimento, mas não deve ser o nosso limite de ambição. Precisamos de participar também nas decisões tecnológicas, no desenvolvimento e na comercialização, se quisermos colher os frutos do que semeamos.

Os têxteis técnicos, os polímeros, os compósitos, os moldes, a metalomecânica, os componentes automóveis e a eletrónica são bons exemplos. Quem domina materiais de elevada resistência pode contribuir para proteção individual ou equipamentos de emergência. Um fabricante habituado a reduzir peso e assegurar repetibilidade na produção pode adaptar processos a estruturas para plataformas especializadas. Isto não significa que qualquer componente civil passe a ser um produto de defesa. O Dual-use implica identificar uma necessidade concreta, adaptar a tecnologia, demonstrar desempenho e responder a exigências muito específicas.

Algumas oportunidades poderão ser exploradas dentro da empresa existente. Outras justificarão uma estrutura autónoma. Uma PME industrial com uma aplicação promissora pode criar uma spin-off, com equipa, capital e estratégia comercial próprios, mantendo uma ligação à empresa de origem através de participação, licenciamento ou produção. Evita subordinar o novo negócio às prioridades dos mercados tradicionais e ganha condições para atrair parceiros e investimento. Acima de tudo, pode capturar valor para além da venda de horas de engenharia ou peças fabricadas.

Uma spin-off, porém, não deve nascer apenas porque existe financiamento disponível. É indispensável definir quem detém a tecnologia, quem suporta a industrialização, como se partilha o risco, que problema o produto resolve e quem o poderá comprar. Transferir uma tecnologia para outra sociedade não significa, por si só, criar um negócio.

Portugal não precisa de apostar em todos os segmentos. Pode diferenciar-se onde já possui competências: proteção humana, materiais multifuncionais, estruturas leves, sensores, monitorização, dispositivos médicos, apoio a emergências e resiliência. A proximidade entre engenharia e ciências da saúde abre possibilidades especialmente interessantes. Soluções úteis em ambientes operacionais exigentes podem também servir bombeiros, proteção civil ou profissionais de saúde.

Há também o caminho inverso: uma startup que nasce da investigação, de uma ideia ou de uma necessidade identificada no terreno. A prova de conceito e o financiamento são passos importantes, mas a distância até ao produto comercial continua a ser enorme. Quem valida a solução com utilizadores? Quem fabrica as primeiras unidades? Quem garante qualidade, manutenção e integração num sistema maior? Muitas startups não precisam apenas de capital – precisam de acesso à indústria e aos primeiros clientes no seu caminho. E muitas empresas industriais precisam da capacidade de experimentação e da agilidade das startups. É nesta complementaridade que podemos ganhar escala, desde que a propriedade intelectual e a partilha de valor, e risco, sejam discutidas desde o início.

Esta ligação exige também financiamento adequado à passagem do protótipo à produção. Equipamentos, primeiras séries e fundo de maneio têm necessidades distintas das da investigação, pelo que o capital para desenvolver tecnologia deve ser acompanhado por instrumentos que permitam fabricar e cumprir as primeiras encomendas.

Há obstáculos que não desaparecem com um bom protótipo. A defesa tem exigências de fiabilidade, rastreabilidade, segurança e certificação. Consoante a tecnologia e a atividade, podem aplicar-se licenças, regras de transferência e exportação ou restrições no acesso a ambientes de ensaio. São requisitos legítimos, mas precisam de ser conhecidos cedo. Descobrir as condições de teste e comercialização quando o produto está quase pronto pode consumir os recursos de uma startup antes da primeira encomenda.

Os instrumentos europeus de financiamento abrem oportunidades, mas uma candidatura aprovada não comprova que existe mercado. Um demonstrador concluído também não garante capacidade de fornecimento. Temos de avaliar em conjunto a maturidade tecnológica, industrial, regulamentar e comercial. E integrar utilizadores, compradores e empresas capazes de industrializar e distribuir as soluções enquanto ainda há margem para as adaptar.

O Estado pode também assumir um papel mais ativo como primeiro comprador. Pode criar oportunidades de ensaio com utilizadores, projetos-piloto pagos e percursos claros entre a validação e a aquisição, com critérios de desempenho definidos desde o início. Uma primeira aquisição pode dar à empresa uma referência operacional, reduzir a incerteza para investidores e abrir portas a outros clientes. Para uma startup, compreender o caminho até à contratação é tão importante como conhecer os instrumentos que financiam o desenvolvimento.

Nem todas as empresas portuguesas terão tecnologia, vocação ou dimensão para desenvolver produtos de proteção e defesa. Nem é desejável que todas o tentem. Mas seria um desperdício que empresas com capacidade não chegassem a explorar esta possibilidade por falta de informação, parceiros ou acesso ao mercado.

Portugal não precisa de apostar em todos os segmentos. Pode diferenciar-se onde já possui competências: proteção humana, materiais multifuncionais, estruturas leves, sensores, monitorização, dispositivos médicos, apoio a emergências e resiliência. A proximidade entre engenharia e ciências da saúde abre possibilidades especialmente interessantes. Soluções úteis em ambientes operacionais exigentes podem também servir bombeiros, proteção civil ou profissionais de saúde. A dupla utilização é uma forma de diversificar mercados, não apenas uma categoria tecnológica.

É com esta perspetiva que estamos a consolidar o Hub de Proteção e Defesa, envolvendo a Fibrenamics, outros Grupos e Centros de Tecnologia e Inovação do ecossistema da Universidade do Minho. Queremos acrescentar capacidade concreta: aproximar necessidades operacionais de competências industriais, apoiar desenvolvimento e ensaios, estruturar novos veículos empresariais e criar ligações a integradores, investimento e clientes. O resultado deve medir-se por produtos vendidos, contratos firmados, fornecedores qualificados e empresas que crescem, e nunca somente pelo número de iniciativas lançadas.

Nem todas as empresas portuguesas terão tecnologia, vocação ou dimensão para desenvolver produtos de proteção e defesa. Nem é desejável que todas o tentem. Mas seria um desperdício que empresas com capacidade não chegassem a explorar esta possibilidade por falta de informação, parceiros ou acesso ao mercado. O objetivo é criar condições para que mais empresas transformem competências existentes em produtos próprios e mais startups ultrapassem a distância entre a ideia e a primeira encomenda. Não apenas para responder à procura nacional, mas para disputar oportunidades e integrar cadeias de valor à escala europeia.

Há uma história que ilustra bem o risco. Um filho chega a casa entusiasmado e diz ao pai: «Pai, pão com queijo é que é bom!» O pai pergunta: «Mas comeste?» E o filho responde: «Não, vi comer.» O entusiasmo com as oportunidades da defesa europeia merece a mesma pergunta. Precisamos de criar condições para que mais empresas portuguesas desenvolvam produtos próprios, conquistem clientes e façam crescer os seus negócios. Quando dissermos que esta oportunidade é boa, devemos poder dizê-lo porque a soubemos aproveitar e criar algo estruturante.

O sucesso não estará em ter todas as empresas na defesa, mas em permitir que mais empresas portuguesas tenham condições reais para competir nesse mercado.

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Portugal ainda atrai investidores internacionais?


A recente alteração à Lei da Nacionalidade voltou a colocar Portugal no centro do debate sobre a sua atratividade para o investimento internacional. O ponto crítico não é o conteúdo da lei, mas a forma como o mercado interpreta a consistência do enquadramento ao longo do tempo.

Portugal continua a oferecer atributos muito valorizados por quem investe: qualidade de vida, segurança, integração europeia, um regime de residência ainda competitivo e flexível em várias dimensões. Nada disto desapareceu. O que mudou foi a forma como o investidor pesa estes fatores na decisão. Hoje, já não basta o país ser atrativo. Tem de ser previsível.

No investimento internacional, a ordem dos critérios conta. Antes da rentabilidade, vem a perceção de risco. Antes da projeção de ganhos, vem a análise do ambiente regulatório. E antes de qualquer comparação entre setores ou ativos, o investidor quer perceber se o país lhe oferece regras do jogo minimamente estáveis.

É aqui que entra o efeito acumulado das mudanças legislativas. Nos últimos anos, o enquadramento tem sofrido várias alterações, e esse padrão acaba por produzir um impacto que vai além de cada revisão em particular – a incerteza. Num mercado global competitivo, o capital reage a sinais. E o sinal mais importante, muitas vezes, não é a rentabilidade, mas a estabilidade.

Há dois perfis de investidores a olhar para Portugal: os que investem pelo retorno financeiro e os que, além disso, valorizam os benefícios associados à residência. É neste segundo grupo que a perceção de risco tende a ser mais sensível, porque a decisão não depende só do ativo, mas também da confiança no enquadramento legal que o acompanha.

No investimento internacional, a ordem dos critérios conta. Antes da rentabilidade, vem a perceção de risco. Antes da projeção de ganhos, vem a análise do ambiente regulatório. E antes de qualquer comparação entre setores ou ativos, o investidor quer perceber se o país lhe oferece regras do jogo minimamente estáveis.

Portugal continua a ter argumentos sólidos para captar capital. Contudo não basta ter argumentos; é preciso sustentá-los no tempo, o que exige estabilidade legislativa, clareza nos mecanismos de transição e capacidade de execução administrativa. Sem esses elementos, qualquer vantagem legal perde a sua força prática.

Há ainda um ponto que o debate público tende a subestimar. A confiança constrói-se mais depressa do que se recupera. Um investidor internacional não precisa de muitas alterações para começar a hesitar, precisa de sinais suficientes para passar da curiosidade à prudência.

Portugal continua a ter argumentos sólidos para captar capital. Contudo não basta ter argumentos; é preciso sustentá-los no tempo, o que exige estabilidade legislativa, clareza nos mecanismos de transição e capacidade de execução administrativa. Sem esses elementos, qualquer vantagem legal perde a sua força prática.

É nesse plano que Portugal tem hoje o maior desafio. Não se trata de voltar atrás nem de congelar o sistema, mas sim de assumir que a atratividade de um país não vive só pela sua oferta inicial. Vive da forma como protege essa oferta ao longo do tempo. Neste momento, o que o país precisa de demonstrar não é capacidade para mudar outra vez, mas capacidade para estabilizar e cumprir o que promete.

Ainda que Portugal se tenha mantido atrativo, deixou de ser uma escolha óbvia. E, num mercado em que o capital procura segurança antes de procurar retorno, isso basta para que o país continue a ser analisado com atenção, e com mais exigência do que antes.

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Jovens são 1 em cada 5 clientes do Crediamigo e Pernambuco reúne 37,4 mil empreendedores entre 18 e 29 anos no programa

Pernambuco tem 37,4 mil empreendedores entre 18 e 29 anos com negócios financiados pelo Crediamigo, programa de microcrédito do Banco do Nordeste (BNB). Em toda a área de atuação do programa, os jovens já representam 21% dos clientes, o equivalente a cerca de 455 mil pessoas, ou 1 em cada 5 negócios atendidos.

Os números refletem uma mudança na forma como a nova geração enxerga o trabalho. Ter o próprio negócio deixou de ser apenas uma saída diante da falta de vagas no mercado formal e passou a ser, para muitos jovens, uma escolha de carreira, ligada à busca por autonomia, flexibilidade e independência financeira.

Tendência nacional

O movimento acompanha o que acontece no resto do País. O número de jovens donos de negócio no Brasil cresceu cerca de 20% nos últimos 12 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do IBGE. Hoje, são 4,9 milhões de empreendedores entre 18 e 29 anos, o que corresponde a 16% de todos os donos de negócio do País.

Especialistas associam esse avanço a mudanças de comportamento da chamada Geração Z, que tem demonstrado mais interesse por atividades com protagonismo profissional, uso de tecnologia e trajetórias próprias. As redes sociais e os canais digitais também abriram espaço para novos modelos de negócio e reduziram as barreiras para quem quer começar.

No Nordeste, a taxa de jovens donos de negócio é de 8,9%, o que coloca a região entre as mais dinâmicas no empreendedorismo de base popular. Comércio, alimentação, beleza, serviços e atividades ligadas ao ambiente digital estão entre os segmentos que mais atraem os jovens da região.

Crédito orientado

Para quem está começando, conseguir dinheiro para abrir ou ampliar a atividade costuma ser o primeiro obstáculo. O microcrédito tem ocupado esse espaço, mas o BNB defende que o jovem precisa, além do recurso, de acompanhamento para que o negócio se sustente.

“Os jovens de hoje enxergam o empreendedorismo cada vez mais como um projeto de vida. No Crediamigo, acompanhamos diariamente histórias de clientes que transformam criatividade, talento e disposição para empreender em atividades capazes de gerar renda, fortalecer suas famílias e movimentar a economia local. Nesse processo, o acesso ao crédito faz diferença, mas o que realmente potencializa os resultados é o modelo de microcrédito produtivo orientado, que alia financiamento ao acompanhamento e orientação. Mais do que oferecer recursos, ajudamos esses jovens a desenvolver seus negócios de forma sustentável”, avalia o superintendente do Crediamigo, Helton Mendes.

Em 2026, o programa já atendeu mais de 2 milhões de clientes, e mais de 215 mil empreendedores fizeram sua primeira operação neste ano. De janeiro a agosto, foram mais de 2,7 milhões de contratações, que somaram R$ 9,1 bilhões injetados na economia dos estados do Nordeste e de parte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Maioria feminina

O perfil dos jovens atendidos pelo Crediamigo foge do padrão nacional. No Brasil, os homens são maioria entre os jovens donos de negócio, com 63,5% do total. No programa do BNB, a proporção se inverte.

Dos 454.963 clientes jovens do Crediamigo, 62% são mulheres e 38% são homens. Em números absolutos, são cerca de 282 mil jovens empreendedoras com crédito no programa. O resultado indica que o microcrédito tem ampliado o acesso feminino a oportunidades de geração de renda.

A predominância feminina também é reflexo de ações do Crediamigo voltadas às empreendedoras, como a criação de produtos específicos para esse público e a ampliação do acesso ao crédito e a instrumentos que ajudam pequenos negócios a crescer.

© GUGA MATOS / ACERVO JC IMAGEM

Empreendedorismo no Morro da Conceição, Ana Júlia - trancista e nail designer.
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Organizações promovem ação de empregabilidade para refugiados

Logo Agência Brasil

O casal Victor Arce, 65 anos de idade, e Morelba Margarida Aquilar, 64 anos, vivem no Brasil há um ano com sua filha. Vindos da Venezuela, eles hoje buscam uma maneira de encontrar um emprego.

Na Venezuela, ele era marceneiro profissional, mas teve que vir para o Brasil por causa de um problema de saúde de sua esposa. E enquanto a oportunidade de emprego não aparece, eles vão vendendo artesanato. 

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“Esse país é muito bom e encantador, tanto de pessoas quanto de material científico e educativo. Minha esposa tem um problema de saúde e o tratamento venezuelano era muito custoso. E aqui, em dois meses, ela conseguiu atendimento e resolveram o problema”, disse.

Para buscar uma oportunidade melhor de vida no Brasil, na manhã deste sábado (17) eles participaram de uma ação que oferece cursos, apoio e vagas de emprego para refugiados e migrantes. 

São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Refugiados e migrantes de 23 nacionalidades participam, no centro de São Paulo, da ação Conexões que Transformam - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Chamada de Conexões que Transformam, o evento foi promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation, e ocorreu durante todo o dia na Aliança Brasil Cidadã, no centro da capital paulista.

Assim como Victor e Morelba, outros 136 migrantes e refugiados, de 23 países, se inscreveram para participar da atividade, com workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisões de currículos com tradução para o português, apoio a documentações e vagas de emprego.

“Estou buscando maneiras de empreender, de abrir uma microempresa”, disse Victor, que foi até o local para buscar ajuda com ideias e dicas sobre como ele poderia montar um negócio no Brasil. 

“Aqui se encontra muito apoio ao imigrante, a imigrantes de todos os países do mundo. Essa é uma ideia muito boa e que poucos países têm”, acrescentou.

Em entrevista à Agência Brasil, a líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, Maria Helena Santuche, informou que 70% dos refugiados e migrantes que participaram da ação promovida neste sábado estavam desempregados. E mais da metade deles têm o desejo de empreender no Brasil. 

“A maior parte dessas pessoas quer empreender, mas elas não têm muita ideia ainda [em como fazer isso], porque justamente esse é um empreendedorismo por necessidade, não por oportunidade”, explicou.

“Um dos objetivos principais [da ação] é possibilitar que esses refugiados que estão no nosso país trabalhem ou façam as adequações necessárias da sua documentação e para que estejam com seus currículos preparados e atualizados”, ressaltou Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil. 

“Estamos realizando palestras também sobre mercado de trabalho para orientar essas pessoas sobre como nosso mercado de trabalho funciona e como elas vão ter sucesso na busca de emprego e, lógico, trazendo também oportunidades de emprego. Além disso, conseguimos doações e vamos doar cestas básicas e brinquedos para as crianças”, disse.

São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo para imigrantes e refugiados - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Segundo Eliane Franco Figueiredo, co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil e líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes, os refugiados e migrantes que se inscreveram para a ação são principalmente da Venezuela, Congo e Haiti. 

“A gente tem médicos aqui, por exemplo, que não podem exercer sua profissão aqui [no Brasil] porque a validação de diploma demora muito. Então, [nesse local] estamos fazendo todo esse tipo de ação para a empregabilidade e de capacitação para o trabalho”.

Refugiados

Segundo Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de um milhão de pessoas refugiadas ou em situação de necessidade de proteção internacional vivem no Brasil atualmente.

“Elas vêm de mais de 160 nacionalidades, mas as principais são Venezuela, Cuba e Haiti. E tem um número relevante, principalmente aqui em São Paulo, de pessoas que têm vindo, por exemplo, do Afeganistão, Irã, Síria e Palestina, devido aos conflitos dos últimos anos”, disse. 

“Essas pessoas muitas vezes trazem muitas experiências. Muitos têm formação e muita experiência no seu país de origem, mas chegam aqui e precisam se reinventar”, disse à Agência Brasil.

Quando chegam ao Brasil, essas pessoas têm acesso garantido a políticas públicas como educação e saúde. Mas, segundo Vivian, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados por elas. 

“O idioma é a primeira barreira para todas essas pessoas porque pouquíssimos países falam português. E, depois, existe uma urgência para trabalhar. Eles não têm uma rede de apoio, não têm moradia, então existem vários desafios. Muitas vezes as pessoas têm diploma de nível superior, mas acabam trabalhando no emprego que aparece, naquilo que elas conseguem [encontrar aqui no Brasil]”.

Uma outra dificuldade encontrada por esses refugiados é com relação à documentação. 

“A pessoa que sai do seu país com urgência, fugindo de uma perseguição ou de uma guerra, nem sempre tem tempo de se organizar, de organizar todos os seus documentos ou de traduzir esses documentos. Esse também é um grande desafio”, destacou.

Por isso, reforçou Vivian, ações como essa que estão sendo realizadas em São Paulo são importantes para ajudar na empregabilidade desses refugiados. 

“Aqui elas podem melhorar o seu currículo ou adequá-lo ao formato que é exigido aqui no Brasil. Elas também podem fazer entrevistas e ter acesso a empregos. E também podem fazer algumas capacitações ou aprender algumas ferramentas que possam ser importantes para elas acessarem o mercado de trabalho ou serem empreendedoras”.

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São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ajuda

Os migrantes ou refugiados que vivem no Brasil e que não conseguiram participar da ação de empregabilidade neste sábado em São Paulo podem buscar outras formas de se colocar no mercado de trabalho. 

A Acnur, por exemplo, disponibiliza a plataforma Help para ajudar a essas pessoas a atualizarem sua documentação ou buscarem informações sobre trabalho e renda. 

“Nessa plataforma elas podem fazer uma seleção por estado e município e ver quais são as organizações que podem atendê-la”, explicou Vivian.

Outra possibilidade é procurar a Aliança Brasil Cidadã, onde são oferecidos cursos de capacitação. 

“Nós temos um Instagram bem robusto e os próprios migrantes refugiados trocam informações por lá”, sugeriu Sidnea Evangelista, vice-presidente da Aliança Brasil Cidadã. 

“E aqui nós temos cursos abertos o ano todo como de informática, inteligência artificial e manicure. Eles podem se inscrever gratuitamente para fazer esses cursos”.

Também é possível buscar informações por meio das redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil ou pelo e-mail refugiados@grupomulheresdobrasil.org.br ou por meio das redes sociais da Konecta Brasil.

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Exército integra rede de centros de experimentação de defesa NATO DIANA


O Exército Português, através do Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx), passou a integrar a rede de Centros de Testes afiliados da NATO DIANA, acelerador de inovação de defesa e segurança da Aliança Atlântico. Integração na rede “reforça o contributo de Portugal para o desenvolvimento de soluções inovadoras ao serviço da segurança e defesa coletiva da NATO”.

O CEMTEx fechou um acordo com o NATO DIANA passando a integrar a rede de centros de teste e experimentação tecnológica da Aliança Atlântica.

“Esta integração constitui um passo relevante para o posicionamento de Portugal no ecossistema internacional de inovação para a Defesa, permitindo colocar as capacidades de experimentação do Exército ao serviço do desenvolvimento, ensaio e validação de tecnologias emergentes com aplicações civis e militares”, refere o porta-voz do Exército Português ao ECO/eRadar.

Criada em 2021, o NATO DIANA é uma iniciativa da Aliança Atlântica visando acelerar o desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de startups ou PME no setor da defesa, ou outras entidades, aproximando as soluções criadas das necessidades operacionais das Forças Armadas. Para isso, foi criada uma rede de aceleradores e centros de testes. Este ano Portugal passou a acolher um desses aceleradores, instalado no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, em parceria com a idD Portugal Defence, entidade que agrega as participações do Estado português nas empresas de defesa.

Sistemas autónomos e não tripulados, a Inteligência Artificial, as comunicações seguras, a cibersegurança, as tecnologias quânticas, a energia, o espaço e a resiliência das infraestruturas críticas são algumas das áreas foco desta rede.

Portugal reforça capacidade de participar em projetos desenvolvidos no contexto NATO

O CEMTex junta-se agora ao projeto passando a integrar a rede de Centros de Testes afiliados “disponibilizando infraestruturas, conhecimento técnico especializado e ambientes de experimentação operacional”.

“Estas capacidades permitirão que empresas e entidades inovadoras selecionadas no âmbito dos programas da DIANA possam testar, avaliar, verificar e validar as suas soluções tecnológicas em condições próximas das operações militares reais”, aponta porta-voz do Exército Português.

“O objetivo é contribuir para reduzir o intervalo entre o desenvolvimento de uma tecnologia e a sua potencial aplicação operacional, permitindo identificar a sua utilidade, maturidade e adequação às necessidades concretas das forças militares”, destaca.

Ao integrar uma rede internacional de experimentação, Portugal reforça a sua capacidade de participação em projetos tecnológicos desenvolvidos no contexto da Aliança Atlântica, criando condições favoráveis à atração de iniciativas internacionais e à valorização das competências nacionais.

Porta-voz

Exército Português

Esta integração representa também uma “oportunidade para reforçar a ligação entre o Exército, a indústria, a academia e os centros de investigação”, refere o porta-voz do ramo da Armada. Com impactos positivos em todo o ecossistema tecnológico nacional.

“Ao integrar uma rede internacional de experimentação, Portugal reforça a sua capacidade de participação em projetos tecnológicos desenvolvidos no contexto da Aliança Atlântica, criando condições favoráveis à atração de iniciativas internacionais e à valorização das competências nacionais”, refere.

“Esta ligação poderá proporcionar maior visibilidade internacional ao ecossistema tecnológico português, facilitar a cooperação entre empresas e utilizadores militares e promover a transferência de conhecimento e a evolução tecnológica”, reforça.

A integração na rede constitui “um reconhecimento das capacidades nacionais de experimentação tecnológica e reforça o contributo de Portugal para o desenvolvimento de soluções inovadoras ao serviço da segurança e defesa coletiva da NATO”.

A participação do Exército na NATO DIANA enquadra-se na “estratégia de modernização tecnológica da Força Terrestre e no reforço da experimentação operacional enquanto instrumento de desenvolvimento de novas capacidades militares”, aponta o porta-voz do ramo da Armada.

“Mais do que proporcionar instalações de teste, pretende-se criar condições para aproximar os inovadores das necessidades operacionais, promovendo a avaliação de soluções em ambientes representativos da realidade militar”, refere ainda.

O ramo tem estado apostado em criar condições para a testagem em ambiente operacional de soluções que possam vir a adicionar capacidades às Forças Armadas, como é o caso do ARTEX, exercício anual que este ano testou mais de 110 soluções, de 70 entidades — entre as quais mais de 40 portuguesas — e mais de 900 participantes no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância. O exercício decorreu, pela primeira vez, com o OPEX da Agência de Defesa Europeia.

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Livro sobre IA e criação de startups reúne mais de 50 pessoas no UAlg Tec Campus

A obra de Joaquim Nascimento e Joaquim Costa propõe um método de 30 dias para criar uma empresa, com ações, indicadores e decisões para cada fase.

O conteúdo Livro sobre IA e criação de startups reúne mais de 50 pessoas no UAlg Tec Campus aparece primeiro em Barlavento.

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