Tentativa e erro

Lee Iacocca, gestor, antigo líder da Ford e da Chrysler, diz que votava democrata ou republicano, dependendo do objetivo. Votava nuns se achasse que era necessário mudar, noutros se fosse para manter a tendência.
Claro que as ideologias contam. Iacocca lembra, também, que só conseguiu salvar o terceiro maior construtor automóvel norte-americano com um empréstimo estatal porque eram os democratas que, nessa altura, estavam no poder. Teria sido impossível com os republicanos. Mesmo assim, a alternância no poder servia para mudar o rumo. Se a situação não tinha a dinâmica necessária, escolhia um lado, se era preciso continuar na mesma direção, porque estava a correr bem, preferia o outro.
Hoje, é mais difícil fazer uma escolha deste tipo. A ideologia pesa mais, as posições estão mais extremadas. Ou um lado ou outro. Mas a sensação que temos é de que, mesmo mudando de protagonistas, parece não acontecer nada de relevante. Escolhida a alternativa, não notamos diferença no dia a dia.
Nadim Habib, professor da Nova SBE, diz que nos esforçamos muito para manter tudo na mesma. Tentamos resolver problemas novos com as mesmas soluções que vêm de trás. Recusamos a transformação. Confundimos agitação com movimento. O horizonte de uma legislatura ou de um mandato também é redutor, não ajuda.
Olhando para a atual efervescência social, generalizada, estamos mesmo à procura de mudança. Mesmo não sabendo para onde. Renovam-se escolhas, opta-se por novidades para tentar encontrar alternativas, quando as procuramos. Acreditamos que vamos lá por tentativa e erro. Com o risco imenso de o fazer sem referências e, muitas vezes, sem perceber que as decisões têm custos. A mudança também pode ser para pior.
