Uma operação da Guarda Nacional Republicana (GNR), realizada na zona de Moncarapacho, no concelho de Olhão, terminou com oito homens constituídos arguidos por suspeitas de auxílio ao tráfico de droga internacional e falsificação de documento. Durante a intervenção, os militares apreenderam uma viatura de matrícula espanhola, um bote insuflável, combustível, um motor e outros equipamentos associados à alegada atividade criminosa.
Os suspeitos, todos de nacionalidade estrangeira e com idades compreendidas entre os 17 e os 49 anos, foram intercetados pela Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF), através do Subdestacamento de Controlo Costeiro de Olhão.
De acordo com a GNR, a operação teve início após um alerta para a presença de vários indivíduos e de um bote insuflável transportado numa viatura, na zona de Moncarapacho.
Na sequência da informação recebida, os militares deslocaram-se ao local e realizaram buscas na área envolvente, tendo localizado sete homens.
Durante as diligências, foi identificado um oitavo suspeito, que se encontrava escondido numa zona de mato.
Viatura procurada pelas autoridades espanholas entre o material apreendido
No decurso da intervenção, os militares da GNR apuraram que a viatura utilizada pelos suspeitos, com matrícula espanhola, se encontrava sinalizada para apreensão pelas autoridades de Espanha.
A operação resultou na apreensão de uma viatura ligeira de mercadorias, dois jerricãs com aproximadamente 25 litros de combustível cada um, um bote insuflável desmontado e um motor de 40 HP.
Foram ainda apreendidas cinco bombas de enchimento, um depósito de combustível e cinco telemóveis.
Segundo a GNR, os oito homens foram constituídos arguidos, tendo os factos sido enquadrados nos crimes de auxílio ao tráfico internacional de estupefacientes e falsificação de documento.
A operação foi desenvolvida pelo Subdestacamento de Controlo Costeiro de Olhão, integrado na Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR.
A Guarda Nacional Republicana refere que mantém uma vigilância permanente da costa portuguesa, através de operações destinadas à prevenção e ao combate à criminalidade transfronteiriça, particularmente ao tráfico de estupefacientes e a outras atividades ilícitas relacionadas com a utilização da via marítima.
Uma história de amor impossível, passada no século VIII, durante a expansão do Império Omíada, está no centro do novo romance histórico de Renato Proença dos Santos, intitulado Sha’bãn – Amor ao Luar.A obra, publicada pela Arandis Editora, será apresentada a 31 de outubro, às 15:00, no Museu do Traje, em São Brás de Alportel, concelho onde o médico e escritor reside desde 1982.
O livro representa um regresso do autor a um dos temas que mais têm marcado a sua produção literária: a história da sociedade de al-Andalus durante o domínio islâmico.
A nova publicação combina elementos históricos, religiosos e mitológicos, desenvolvendo uma narrativa que acompanha diferentes personagens num contexto de conflitos e transformações políticas e culturais.
História de amor impossível decorre durante a expansão do Império Omíada
A ação do romance situa-se no início do século VIII, numa época em que o Império Omíada se estendia desde a Pérsia até às margens do Mediterrâneo, num período marcado pela expansão do Islão.
A narrativa acompanha a ambição do califa al-Walīd I de conquistar al-Andalus, território que constitui um dos principais cenários históricos da obra.
Neste contexto, o autor apresenta a história de Shirin, uma princesa persa raptada e vendida como escrava, e de Ahmad al-Qasri, emir dos exércitos do califa, cujos destinos se cruzam numa relação amorosa aparentemente impossível.
A intriga desenvolve-se num ambiente marcado pela guerra, pela devastação e pelas tensões entre diferentes culturas e crenças.
O romance introduz ainda personagens e elementos misteriosos, como Gadir, o Eremita, conhecedor do segredo das “Grandes Pedras”, e o enigmático “Monte da Lua”, cuja importância se revela ao longo da narrativa.
Através destas personagens, Renato Proença dos Santos constrói uma história em que o amor, a fidelidade e o sacrifício se entrelaçam com a religião, a mitologia e os acontecimentos históricos.
Autor reside em São Brás de Alportel desde 1982
Renato Edmundo Proença dos Santos nasceu em Lisboa, a 23 de outubro de 1952, e reside em São Brás de Alportel desde 1982, concelho onde desenvolveu grande parte do seu percurso profissional e da sua atividade cívica e cultural.
Licenciado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e especialista em Medicina Geral e Familiar, exerceu medicina no Algarve até à aposentação, em 2019.
Ao longo da carreira, desempenhou funções no Centro de Saúde de São Brás de Alportel e integrou diversas estruturas regionais e nacionais ligadas à saúde pública, à governação clínica e à utilização de medicamentos.
Entre as responsabilidades assumidas destacam-se a participação na Comissão de Ética para a Saúde da Administração Regional de Saúde do Algarve, no Programa Nacional de Controlo de Hemoglobinopatias e em estruturas dedicadas à prevenção de infeções e à farmacovigilância.
Foi também coordenador do Núcleo de Monitorização e Análise de Medicamentos e Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica da ARS Algarve, assessor do Conselho Diretivo daquela instituição, seu representante no Infarmed e presidente da respetiva Comissão de Farmácia e Terapêutica.
O seu percurso inclui igualmente a participação em congressos, encontros científicos e ações de formação, sendo autor e coautor de trabalhos de investigação publicados na imprensa médica.
Da medicina à investigação histórica e à literatura
Paralelamente à atividade profissional, Renato Proença dos Santos desenvolveu uma intervenção cívica e cultural em São Brás de Alportel.
Foi candidato à presidência da Câmara Municipal em 2001 e 2013 e integrou a Assembleia Municipal em 2005.
É membro fundador da Al-Portel – Associação de Defesa do Ambiente e do Património Cultural de São Brás de Alportel, instituição à qual também presidiu, mantendo ainda uma ligação ao Museu do Traje Algarvio.
O interesse pela história universal, pela arqueologia, pela antropologia e pela cultura árabe tem marcado o seu percurso enquanto investigador e escritor.
A sua bibliografia inclui Da Arábia ao Al-Andalus (2008), O Segredo da Fonte Santa (2009), O Luar de Sha’ban (2013), D. Dinis e O Segredo do Templário (2015) e Henrique O Navegador e os Aventureiros de al-Ushbûna (2021).
Nos anos seguintes, publicou Ibéria – As Sombras de Conistorgis (2022), O Filho de Al-Hakam (2024), Perfumes do Al-Andalus (2024) e O Livro de Aben Ammar (2025).
Com Sha’bãn – Amor ao Luar, o autor dá continuidade à sua produção literária dedicada à recriação de períodos históricos, com particular atenção à presença islâmica na Península Ibérica.
A apresentação do novo romance realiza-se no sábado, 31 de outubro, às 15:00, no Museu do Traje, em São Brás de Alportel.
A vila de São Brás de Alportel prepara-se para uma corrida noturna diferente, no próximo sábado, 24 de outubro, a partir das 19:00, com a realização da Glow Night Run, uma iniciativa que combina desporto, música e animação num ambiente marcado por luzes e adereços fluorescentes. Apesar de as inscrições já estarem encerradas, a organização vai disponibilizar mais 50 vagas no próprio dia.
Promovido pela Free Challenge, com o apoio da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, o evento convida pessoas de todas as idades a participar numa corrida ou caminhada, privilegiando o convívio e a prática de atividade física num ambiente descontraído.
A iniciativa pretende proporcionar uma experiência que vai além da vertente desportiva, associando o exercício físico ao entretenimento e incentivando a participação da comunidade.
Luzes fluorescentes, música e espetáculo antes da partida
A Glow Night Run São Brás de Alportel distingue-se pelo ambiente visual e musical, com os participantes convidados a percorrer o trajeto acompanhados por luzes, acessórios fluorescentes e animação musical em movimento.
Antes da partida, está prevista uma atuação do “Super Dog Show”, espetáculo que pretende proporcionar um momento de diversão aos participantes e ao público presente.
A organização aposta num conceito que combina corrida, caminhada e entretenimento, procurando tornar a atividade física acessível e apelativa a pessoas de diferentes idades.
Segundo a Free Challenge, a iniciativa pretende incentivar hábitos de vida saudáveis, promover o convívio e demonstrar que o desporto pode assumir uma dimensão recreativa e inclusiva.
Organização disponibiliza mais 50 vagas no dia do evento
Embora o período de inscrições já tenha terminado, a Free Challenge anunciou a disponibilização de mais 50 vagas no próprio dia, permitindo a participação de interessados que não conseguiram inscrever-se antecipadamente.
A Free Challenge destaca a importância desta colaboração para a realização de iniciativas desportivas que procuram envolver a população e proporcionar experiências diferentes das competições tradicionais.
A atividade está marcada para sábado, 24 de outubro, a partir das 19:00, em São Brás de Alportel, reunindo corrida, caminhada, música e animação numa iniciativa destinada a participantes de todas as idades.
O Algarve apresenta um retrato particularmente elucidativo da forma como os portugueses se relacionam com as instituições financeiras. Os dados do estudo da Nickel, realizado em parceria com a DATA E, revelam consumidores que valorizam opções digitais rápidas e gratuitas, mas que continuam a associar a escolha do banco à credibilidade da instituição e à possibilidade de realizar operações presenciais, como depósitos em numerário. Esta coexistência de prioridades demonstra que a inovação tecnológica não elimina automaticamente os hábitos mais enraizados, antes os obriga a conviver com novas formas de utilização dos serviços financeiros.
Aliás, cerca de 77% dos algarvios possuem duas ou mais contas, um dado que sugere uma gestão financeira mais estratégica e funcional. De facto, diferentes contas servem propósitos distintos, desde a separação das despesas ao acesso a serviços específicos. Ainda assim, esta multiplicidade não significa necessariamente uma relação instável com os bancos ou entidades financeiras. Pelo contrário, apenas 10% destes inquiridos ponderam mudar de banco nos próximos 12 meses, o valor mais baixo registado entre todas as regiões do país, de acordo com o mesmo estudo.
Não obstante, muitos algarvios consideram elevada a comissão de manutenção das suas contas, porém são simultaneamente os que menos têm em conta esse fator no momento de escolher uma conta à ordem. Em vez de colocarem o preço no centro da decisão, tendem a privilegiar a confiança na instituição e a utilidade prática dos serviços disponibilizados no dia a dia.
Por sua vez, a região destaca-se pela exigência em relação à experiência de utilização. Transferências gratuitas e imediatas, facilidade de gestão da conta online, simplicidade dos pagamentos e proximidade do balcão à casa ou ao local de trabalho surgem entre os aspetos mais valorizados. Esta preferência acompanha a evolução identificada pelo Relatório dos Sistemas de Pagamentos 2025 do Banco de Portugal, que aponta para um crescimento sustentado dos pagamentos eletrónicos e dos canais digitais, incluindo uma maior adoção das transferências imediatas.
No entanto, a adesão a soluções digitais não significa um afastamento dos pontos de contacto físicos. A importância atribuída à possibilidade de fazer depósitos em dinheiro ajuda a compreender esta dualidade. Num território fortemente marcado pelo turismo sazonal e pela restauração, o numerário continua a desempenhar um papel relevante em muitas transações. No que diz respeito aos principais métodos de pagamento utilizados no estrangeiro, de acordo com o mesmo estudo da Data E, 34,1% dos algarvios afirmam utilizar numerário. Esta percentagem é a segunda mais elevada a nível nacional, apenas superada pelo Alentejo, com cerca de 38%.
A mesma lógica de equilíbrio entre modernidade e prudência reflete-se no domínio da literacia financeira. Entre os inquiridos que afirmam não possuir conhecimentos avançados nesta área, os residentes no Algarve estão entre os que mais procuram aprofundar competências financeiras. Além disso, demonstram uma preferência por cursos pagos, presenciais ou online, em detrimento de recursos gratuitos disponíveis online.
Paralelamente, o mesmo estudo revela que a perceção da clareza das informações sobre produtos financeiros disponibilizadas pelas próprias instituições financeiras é avaliada de forma menos favorável face a outras regiões do país. Este dado pode indicar um elevado nível de exigência, reforçando a sua procura ativa por conhecimento.
Portanto, os dados apontam para um consumidor algarvio que não escolhe entre tradição e inovação. Procura a facilidade de depósitos em mão e a conveniência de uma app sempre acessível, além de ofertas ajustadas à realidade económica da região. Possivelmente, é esta combinação entre tecnologia e confiança humana que melhor explica o presente e antecipa o futuro da relação dos portugueses com o setor financeiro.
Houve um tempo em que acreditávamos que o telefone e a internet eram criaturas sem rugas, sem passado e, sobretudo, sem malícia. A tecnologia apresentava-se-nos com aquele ar asseado, próprio das coisas novas que ainda não passaram pelas mãos da experiência: prometia aproximar continentes, abolir distâncias, democratizar o conhecimento e, se não acabasse com a estupidez humana, era pelo menos de esperar que lhe diminuísse o campo de ação. Estávamos, pois, diante de uma dessas facetas do utopismo tecnológico, com a diferença de que, desta vez, o progresso vinha acompanhado de um ecrã táctil, um carregador e uma mensalidade.
Não nos ocorreu, nessa euforia relativamente ao avanço tecnológico, que a distância, além de separar os homens, também os protege. Entre o desejo de enganar e a possibilidade de o executar havia outrora um caminho, por vezes longo, que obrigava o vigarista a sair de casa, a escolher a vítima, a ensaiar a mentira e a suportar o risco de um encontro desagradável. A modernidade, sempre generosa para com quem não aprecia trabalhos desnecessários, suprimiu-lhe essas fadigas. Hoje, o patife pode ficar sentado, diante de um computador, e lançar a sua rede sobre milhares de incautos. A civilização poupou-lhe as pernas e a inteligência artificial o engenho.
E eis-nos chegados a uma situação em que atender o telefone tornou-se um ato absolutamente temerário. Abrir o correio eletrónico já exige, em certos dias, a preparação psicológica de quem vai depor perante um juiz. Antes de responder a uma chamada, o cidadão obriga-se a proceder a uma investigação preliminar, avaliando indícios, examinando suspeitos. Quem será? Que pretenderá? Por que razão me procura? E, sobretudo, que lucro espera obter com a minha desgraça?
A tecnologia aproximou-nos tanto que hoje podemos ser enganados por pessoas que nunca vimos, nunca veremos. É uma forma superior de intimidade: o desconhecido entra-nos em casa, conhece-nos a voz, sabe o nosso número e, se tiver os recursos adequados, pode até falar-nos com a voz de um filho. O progresso tem destas bizarrias.
O telefone toca. E nós, em vez de experimentarmos a natural curiosidade de saber quem nos chama, sentimos o sobressalto de quem ouve passos no corredor durante a noite. Será a filha, aflita, a precisar de dinheiro? Ou será um cavalheiro de identidade incerta, vocação duvidosa e escrúpulos em parte incerta, que descobriu na nossa afeição uma oportunidade de negócio?
A fraude moderna compreendeu uma coisa que escapou a muitos tratados sobre a natureza humana: o homem pode desconfiar de um estranho, mas hesita em desconfiar de quem ama. E é nessa hesitação, entre o afeto e o juízo, que o burlão se instala. Já não precisa de arrombar a porta; basta-lhe imitar a voz de quem tem a chave da casa.
Um familiar meu devolveu uma chamada perdida, movida por essa curiosidade elementar que ainda nos leva a querer saber quem nos procura. Pagou caro. A chamada era, afinal, uma armadilha com despesas de expediente. O episódio tem a simplicidade das pequenas tragédias domésticas: uma pessoa atende, ou devolve uma chamada, porque supõe que do outro lado existe alguém; do outro lado está lá, de facto, alguém que fez da ausência de escrúpulos um meio de subsistência.
A velha vigarice, que outrora carecia de um bilhete de identidade falso, de alguma lábia e de uma certa disposição para o risco, descobriu as virtudes da comunicação digital. Não se tornou mais inteligente, mas apenas mais cómoda. E a comodidade, como sabemos, é uma das grandes conquistas do género humano, sobretudo quando permite que uns vivam à custa dos outros sem terem de lhes olhar para a cara.
Na caixa de entrada, o espetáculo é ainda mais edificante. Surgem cobranças de dívidas que não contraímos, avisos judiciais de processos que desconhecíamos, ameaças de multas, notificações das Finanças, mensagens atribuídas à Polícia Judiciária, tudo envolto na solenidade de uma repartição pública e na caligrafia duvidosa de um falsificador com ambições administrativas. Os logótipos são copiados com zelo, os brasões reproduzidos com fervor patriótico, as ameaças redigidas numa linguagem que parece ter sido retirada de um regulamento e depois traduzida por alguém que nunca conheceu a língua escrita.
O burlão sabe que o cidadão, quando vê um selo, um emblema ou a palavra “tribunal”, fica diminuído na sua capacidade de raciocínio e aumenta o seu nível de submissão. O poder, mesmo que circunscrito a uma imagem mal recortada, conserva sobre nós uma autoridade quase hipnótica. A fraude não precisa de possuir a Justiça; basta-lhe vestir-lhe a toga. E, se o cidadão treme, tanto melhor: o medo é um funcionário diligente, não exige salário e é muito raro que peça esclarecimentos.
A Justiça, que deveria ser o lugar onde a verdade se distingue da impostura, é convocada para representar uma farsa. A polícia serve de máscara ao ladrão, o tribunal empresta o seu nome ao extorsionário e o Estado, que tantas vezes exige ao cidadão documentos de prova, vê a sua própria identidade reproduzida por quem não é ninguém. Há aqui uma ironia que mereceria a atenção de um moralista: para enganar o cidadão, o vigarista apropria-se das instituições em que o cidadão deveria poder confiar.
E o cidadão, esse, fica entregue a si mesmo. Aprende a desconfiar do tribunal, da polícia, das Finanças e, por fim, do próprio telefone. Talvez que o Estado já não se lhe configure a pessoa de bem que terá sido. A suspeita, que deveria ser uma precaução ocasional, transforma-se num hábito; o hábito, numa disposição de espírito; e a disposição de espírito, numa espécie de cidadania defensiva em que cada um vive atrás da sua pequena muralha eletrónica, receando que o próximo toque constitua uma tentativa de assalto.
Mas é ao olhamos para os grandes senhores da tecnologia que a comédia adquire proporções monumentais.
Para vender-nos um produto, a tecnologia possui uma memória admirável: sabe o que procurámos, aquilo em que parámos o olhar, os lugares que visitámos e até as pequenas inclinações que julgávamos guardar em segredo. É um empregado de quarto de uma dedicação extraordinária. Quando chega, porém, a hora de proteger-nos, o prodigioso empregado parece sofrer uma indisposição. A inteligência recolhe-se, os algoritmos ficam meditativos e a máquina, que há instantes nos conhecia os desejos, mostra-se incapaz de reconhecer a fraude que ameaça a nossa conta bancária. Para vender, a memória é infalível; para defender, padece de amnésia. É como se o progresso tivesse sido dotado para localizar clientes e de uma miopia incurável para detetar vigaristas.
Dir-se-á, com razão, que os criminosos também aprendem, adaptam-se e encontram maneiras de contornar as defesas. Não se exige à tecnologia a omnipotência, atributo que nem os seus departamentos de marketing parecem ainda ter coragem de anunciar em letras garrafais. Exige-se, isso sim, que a segurança não seja tratada como um luxo suplementar, que o cidadão tem de contratar depois de comprar o aparelho.
Se os dispositivos e as plataformas se tornaram indispensáveis à vida quotidiana, a proteção dos seus utilizadores não pode ser considerada uma extravagância opcional. Não basta vender a velocidade como progresso, a conveniência como liberdade e a conectividade como uma espécie de redenção universal, deixando depois o cidadão entregue a si próprio na tarefa de distinguir, entre dezenas de mensagens, a comunicação legítima da armadilha. Seria como vender automóveis sem travões e oferecer, por uma módica quantia adicional, um curso de sobrevivência rodoviária.
O que está em causa não é apenas uma falha técnica. É uma curiosa distribuição de responsabilidades, muito característica do nosso tempo. Quando a inovação produz lucros, há empresas, conferências, prémios e discursos sobre o futuro. Quando os seus riscos atingem o cidadão, surgem os avisos, as condições gerais, os regulamentos e as letras miúdas. O mérito tem sempre um proprietário; a culpa, quando aparece, prefere o anonimato.
O utilizador, que não desenhou os sistemas nem conhece os seus mecanismos, recebe a incumbência de os vigiar. Deve desconfiar dos números desconhecidos, verificar os endereços eletrónicos, confirmar a identidade de quem telefona, suspeitar dos anexos, não carregar nas ligações, não divulgar códigos, não acreditar em urgências e, se possível, não acreditar em nada. A modernidade entrega-lhe uma ferramenta extraordinária e, com a outra mão, um manual de instruções para evitar que a ferramenta o destrua.
É admirável esta conceção de progresso, segundo a qual as empresas ficam com a inovação e o cidadão com a ansiedade. Como se o grande destino da humanidade fosse transformar cada reformado num perito em cibersegurança e cada trabalhador num inspetor de mensagens suspeitas.
Há, aliás, uma pergunta que deveria inquietar os entusiastas do progresso: por que razão as instituições públicas, que nos convocam por carta, nos notificam por escrito e nos exigem uma exatidão quase litúrgica no cumprimento dos seus procedimentos, parecem tantas vezes tão difíceis de alcançar quando somos nós a precisar de falar com elas? Será que a suspeita generalizada também serve de pretexto para o silêncio administrativo? Ou teremos chegado à situação, verdadeiramente sublime, em que a tecnologia consegue enviar-nos uma cobrança, mas não consegue assegurar que um cidadão fale com uma pessoa quando disso necessita?
Não se trata de afirmar que todas as repartições públicas recusam o atendimento telefónico, nem de ignorar as diferenças entre serviços. Trata-se de reconhecer o absurdo de um mundo em que a comunicação é celebrada como uma conquista universal, mas o contacto humano se torna, em tantas circunstâncias, um privilégio difícil de obter.
Entretanto, o medo vai fazendo o seu trabalho, sem necessidade de concurso público nem de nomeação oficial. No outro dia, por receio de uma burla, não atendi uma chamada legítima destinada a uma consulta. Do outro lado não estava um criminoso a preparar uma extorsão, mas alguém que procurava estabelecer um contacto necessário. Eu, que desejava apenas evitar uma fraude, acabei por fechar a porta a uma comunicação desejada.
O episódio não será digno de um drama. Não houve perseguições, tribunais nem fortunas perdidas. Mas a vida quotidiana é feita destas pequenas ocorrências, e é nelas que por vezes se revela o verdadeiro custo das coisas. A fraude não me levou dinheiro, mas a disponibilidade para responder. Fez-me hesitar perante uma chamada que poderia ser importante. Transformou a prudência em obstáculo e a defesa em impedimento.
É aqui que a questão se torna mais séria. O dano causado pelos burlões não se mede apenas pelo dinheiro que conseguem retirar das contas bancárias. Mede-se também pelo que conseguem retirar das relações humanas: a espontaneidade, a confiança, a liberdade de responder sem receio. Mesmo quando falham o roubo, alcançam uma vitória mais discreta. Deixam-nos desconfiados do médico, do amigo, do filho, de quem quer que apareça no ecrã com a pretensão de comunicar connosco.
A suspeita começa por ser sensata. Ninguém deseja ser enganado duas vezes, e a ingenuidade não é uma obrigação moral. Mas, quando a suspeita se instala em permanência, acaba por se tornar uma espécie de polícia interior, revistando todos os que se aproximam, incluindo aqueles que nada têm a esconder. A fraude consegue assim um prodígio: mesmo quando não nos rouba, modifica-nos. O criminoso pode desaparecer, mas deixa o medo instalado em nós com a familiaridade de um parente incómodo que nunca anuncia a visita e nunca mais se vai embora.
Não seria sensato, evidentemente, regressar à ingenuidade de outros tempos, como se o passado tivesse sido uma idade de ouro povoada de pessoas honestas. Sempre houve impostores, vigaristas e vendedores de ilusões. O que mudou foi a escala, a velocidade e a sua capacidade de reprodução. A fraude deixou de depender tanto da presença física e passou a beneficiar de instrumentos que multiplicam o seu alcance. A costumeira vigarice, que precisava de voz, rosto e alguma habilidade de representação, encontrou uma indústria capaz de lhe fabricar milhares de rostos e de vozes.
A inteligência artificial, que tanto poderia servir para proteger, esclarecer e facilitar a vida, afinal também pode ser usada para o aperfeiçoamento da impostura. O problema não reside na máquina, mas nos interesses humanos que a orientam e nas responsabilidades que se preferem deixar por assumir. A técnica, só por si, não absolve ninguém; pelo contrário, quanto maior é o poder de transformar a realidade, maior deveria ser o dever de responder pelas consequências dessa transformação.
Talvez o progresso merecesse, por isso, uma pequena revisão dos seus critérios de avaliação. Em vez de nos perguntarmos apenas quantas operações uma máquina consegue executar por segundo, talvez questionar quantas fraudes consegue impedir, quantas pessoas consegue proteger e quanta confiança ajuda a conservar. Em vez de medir a modernidade pela velocidade com que uma mensagem chega ao destinatário, talvez devêssemos medi-la também pela tranquilidade com que esse destinatário a pode receber.
Porque de pouco serve comunicar instantaneamente se a comunicação chega envolta em suspeita. De pouco serve encurtar as distâncias se, no fim, o cidadão tem medo de atravessá-las. E de pouco serve celebrar uma inteligência cada vez mais poderosa se a vida quotidiana exige de nós uma vigilância cada vez mais exaustiva.
Sempre que o telefone toca, somos obrigados a convocar uma pequena comissão de inquérito dentro da nossa cabeça.
E assim, depois de tantos séculos civilizacionais, de tantas descobertas e eloquentes promessas de futuro, regressámos a uma forma rudimentar de vida: desconfiamos de quem bate à porta, mesmo quando a porta é apenas um telefone.
E o telefone, que nasceu para nos aproximar, tornou-se um pequeno objeto de suspeição, onde cada chamada traz consigo uma pergunta e cada silêncio pode ser uma defesa, um modo de sobrevivência às conquistas civilizacionais.
Uma operação de combate ao tráfico de droga, realizada ao final da tarde de 21 de outubro, no centro de Portimão, terminou com a detenção de dois homens, de 26 e 33 anos, depois de um agente da PSP, que se encontrava de folga, ter detetado movimentações suspeitas e alertado os colegas que estavam de serviço.
Segundo o Comando Distrital da PSP de Faro, a intervenção foi desencadeada após o polícia ter observado comportamentos que indiciavam a prática de tráfico de estupefacientes, levando à mobilização de meios policiais para o local.
Quando se aperceberam da chegada dos agentes, três suspeitos tentaram escapar a pé, seguindo em diferentes direções para evitar a abordagem. A intervenção dos polícias permitiu, contudo, localizar e intercetar os três indivíduos.
Agente da PSP estava de folga quando detetou movimentações suspeitas
De acordo com a PSP, as detenções ocorreram no âmbito das operações de prevenção e combate ao tráfico e consumo de estupefacientes que a polícia desenvolve regularmente no centro da cidade de Portimão.
A atuação teve início com a informação transmitida por um agente que, apesar de não se encontrar em serviço, identificou movimentações suspeitas e comunicou a situação aos colegas.
Na sequência do alerta, foram mobilizados meios policiais para o local, tendo os três indivíduos tentado fugir em diferentes direções ao aperceberem-se da presença dos agentes.
A PSP conseguiu intercetar os suspeitos, tendo a operação resultado na detenção de dois homens, de 26 e 33 anos.
Durante a intervenção policial, foram apreendidas 24 doses individuais de haxixe, 100 euros em numerário, dois telemóveis e uma balaclava.
Detidos obrigados a apresentações semanais perante a polícia
Os dois homens detidos foram presentes esta quinta-feira, 22 de outubro, ao Tribunal de Portimão, para serem sujeitos a primeiro interrogatório judicial.
Na sequência da apresentação ao tribunal, foi-lhes aplicada a medida de coação de apresentações semanais perante a autoridade policial.
O Comando Distrital da PSP de Faro refere que continuará a realizar operações regulares de prevenção e combate ao tráfico e consumo de estupefacientes, com o objetivo de contrariar esta atividade criminal e os seus efeitos na segurança das populações.
A intervenção em Portimão insere-se, assim, nas ações de fiscalização e prevenção desenvolvidas pela PSP para combater a criminalidade relacionada com estupefacientes no centro da cidade.
A travessia da Ponte Internacional do Guadiana volta a ser um dos momentos centrais das X Milhas do Guadiana, uma corrida de 16,09 quilómetros que liga Vila Real de Santo António, no Algarve, a Ayamonte, em Espanha. A 31.ª edição realiza-se a 8 de novembro, com partida às 10:00, e está limitada a mil atletas, numa iniciativa que pretende reforçar a cooperação desportiva entre os dois países.
A competição regressa este ano ao formato “Praça a Praça”, com início na Praça Marquês de Pombal, em Vila Real de Santo António, e chegada à Plaza de la Ribera, em Ayamonte, num percurso que atravessa a fronteira entre Portugal e Espanha.
Promovida no âmbito da cooperação entre os municípios de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Ayamonte, a prova integra o calendário desportivo da Eurocidade do Guadiana, território distinguido como Comunidade Europeia do Desporto 2026.
Corrida atravessa Ponte Internacional do Guadiana e inclui prova para crianças
O percurso oficial tem uma extensão de 10 milhas terrestres, equivalentes a 16,09 quilómetros, e inclui a passagem pela Ponte Internacional do Guadiana, um dos momentos mais característicos da competição.
A ligação entre os dois países está presente na história da prova desde a sua criação, em 1992, ano em que a primeira edição assinalou a construção daquela infraestrutura rodoviária.
A partida da corrida principal está marcada para as 10:00, hora portuguesa, estando a participação aberta a atletas federados e populares nascidos em 2008 ou em anos anteriores.
O programa inclui também uma iniciativa destinada aos mais jovens, denominada X Milhas Kids, com início previsto para as 10:15.
Esta prova destina-se a crianças nascidas entre 2016 e 2021, procurando incentivar o contacto das gerações mais novas com a prática desportiva.
Na competição principal, estarão previstas classificações individuais masculinas e femininas, por escalões etários e por equipas.
A organização atribuirá troféus aos três primeiros classificados das gerais masculina e feminina, aos três melhores atletas de cada categoria e às cinco primeiras equipas.
Ao longo do percurso, os participantes terão acesso a postos de abastecimento de líquidos aos quilómetros 5, 10 e 13, além de um ponto adicional na zona de chegada.
Estará igualmente assegurada assistência médica na partida, durante o trajeto e na meta.
Inscrições custam 10 euros e terminam a 5 de novembro
As inscrições para as X Milhas do Guadiana têm um custo de 10 euros por atleta e devem ser realizadas exclusivamente através do site oficial da competição.
O prazo termina às 23:59 do dia 5 de novembro, estando a participação limitada a mil atletas.
As vagas serão atribuídas por ordem de inscrição, não sendo aceites candidaturas depois do prazo estabelecido nem no próprio dia da corrida.
Em Portugal, o levantamento dos dorsais poderá ser efetuado a 7 de novembro, entre as 15:00 e as 18:00, na sede do Grupo Desportivo Pic-Nic.
No dia da competição, a entrega dos dorsais decorrerá entre as 8:30 e as 9:30, na Praça Marquês de Pombal, em Vila Real de Santo António, local de partida da prova.
Eurocidade do Guadiana reforça cooperação desportiva entre os dois países
A organização das X Milhas do Guadiana está a cargo da Comissão Desportiva Conjunta de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Ayamonte, que reúne os três municípios, o Grupo Desportivo Pic-Nic e o Patronato Municipal de Desporto de Ayamonte.
A competição integra a dinâmica de cooperação transfronteiriça da Eurocidade do Guadiana, constituída pelos municípios portugueses de Vila Real de Santo António e Castro Marim e pelo município espanhol de Ayamonte.
A edição deste ano ganha particular significado por decorrer no âmbito das iniciativas associadas ao reconhecimento da Eurocidade do Guadiana como Comunidade Europeia do Desporto 2026.
Segundo o Município de Vila Real de Santo António, esta distinção reflete o compromisso conjunto das três autarquias com a promoção da atividade física, da inclusão e de uma cultura desportiva partilhada.
A realização das X Milhas do Guadiana procura, assim, dar continuidade a uma competição com mais de três décadas de história, que utiliza o desporto como forma de aproximação entre as comunidades dos dois lados da fronteira.
Com partida no Algarve e chegada à Andaluzia, a prova volta a reunir atletas portugueses e espanhóis num percurso que simboliza a ligação entre os territórios e a cooperação desportiva transfronteiriça.
A crise da habitação deixou de ser apenas um problema económico. É um drama social que ameaça a estabilidade das famílias, o futuro dos jovens e a sustentabilidade das comunidades algarvias.
Encontrar uma casa no Algarve tornou-se, para muitas pessoas, um desafio cada vez mais difícil. Jovens que adiam a sua autonomia, famílias que destinam uma parte excessiva do rendimento ao pagamento da renda e trabalhadores que não conseguem residir perto do local de trabalho são expressões de uma realidade que exige respostas políticas estruturais.
O Algarve é uma região de enorme riqueza natural, cultural e económica. Contudo, o seu desenvolvimento não pode ser avaliado apenas pelo número de turistas, pelo investimento imobiliário ou pela valorização dos imóveis. Deve também ser avaliado pela capacidade de garantir condições de vida dignas a quem aqui nasce, estuda, trabalha e escolhe construir o seu futuro.
Quando um professor, um enfermeiro ou um trabalhador do comércio não consegue encontrar uma habitação compatível com o seu salário, toda a comunidade sofre as consequências. Quando os jovens são obrigados a adiar os seus projetos de vida, perdemos dinamismo, coesão social e perspetivas de futuro.
Não podemos normalizar uma realidade em que ter emprego já não é suficiente para conseguir ter casa.
Mais do que apoios temporários, precisamos de soluções estruturais
O Volt Portugal defende uma política de habitação que combine o aumento da oferta pública e acessível, a mobilização de imóveis devolutos, o incentivo às cooperativas de habitação e a utilização mais eficiente do património existente.
A nossa visão passa por aumentar o parque habitacional público para 10% até 2029 e reforçar a componente pública e cooperativa nas zonas de maior pressão habitacional. Defendemos também melhores mecanismos de apoio ao arrendamento e uma regulação do Alojamento Local que tenha em conta as necessidades e a realidade de cada município.
No Algarve, estas medidas devem ser acompanhadas por políticas adaptadas às especificidades de cada concelho.
Nas autárquicas de 2025, o programa apresentado para Loulé incluiu uma proposta de construção modular, com um plano estimado de 5.000 apartamentos ao longo de dez anos. A proposta procurava explorar métodos de construção mais rápidos e económicos, com diferentes tipologias e preços acessíveis.
Independentemente dos estudos de viabilidade, do financiamento e da concretização que qualquer projeto desta dimensão exige, importa destacar a ambição de procurar soluções que respondam à escala do problema. Precisamos de passar do diagnóstico à execução, com metas claras, planeamento rigoroso e transparência na utilização dos recursos públicos.
Também Faro deve reforçar a sua capacidade de garantir habitação acessível, reabilitar património existente e promover uma cidade onde viver não seja um privilégio condicionado pelo rendimento.
Habitação também é mobilidade, emprego e qualidade de vida
A resposta à crise não termina na construção de casas. É necessário aproximar a habitação dos transportes públicos, dos serviços, das escolas e dos locais de trabalho. Uma casa aparentemente mais barata pode tornar-se incomportável quando obriga a despesas elevadas de transporte e a longas deslocações diárias.
Precisamos, por isso, de um planeamento territorial sustentável, que articule habitação, mobilidade e ordenamento do território. Precisamos também de criar condições para que os profissionais deslocados encontrem alternativas dignas e para que os estudantes da Universidade do Algarve possam prosseguir os seus estudos sem que o custo da habitação se torne um obstáculo.
Os municípios têm um papel fundamental neste processo: conhecer as necessidades reais da população, identificar imóveis disponíveis, acelerar procedimentos administrativos e trabalhar em articulação com o Estado, as cooperativas e outras entidades.
O direito à habitação tem de sair do papel.
A crise habitacional não se resolve com uma única medida, nem com promessas que ficam por cumprir. Exige investimento, cooperação entre diferentes níveis de governação, avaliação de resultados e capacidade de adaptar as políticas às necessidades de cada território.
O Volt Portugal – Distrital de Faro manifesta a sua solidariedade com todas as pessoas afetadas por esta realidade. Consideramos que a habitação deve ser tratada como uma prioridade social, económica e territorial, e não apenas como um ativo de investimento.
O Algarve não pode continuar a depender de trabalhadores que não conseguem viver na região onde trabalham. Não pode afastar os seus jovens, fragilizar as suas famílias ou comprometer os serviços essenciais por falta de habitação acessível.
Uma região verdadeiramente desenvolvida é aquela onde as pessoas conseguem viver com dignidade, perto das suas comunidades, com perspetivas de futuro.
É tempo de colocar as pessoas no centro das políticas de habitação. Porque o Algarve não pode ser apenas um destino para visitar. Tem de continuar a ser um lugar onde é possível viver.
Uma fuga de motociclo, seguida de uma perseguição a pé, terminou com a detenção de um jovem de 20 anos, suspeito de tráfico de droga, no concelho de Albufeira, no dia 20 de outubro. A operação da GNR permitiu apreender 2.889 doses de haxixe, além de cocaína, liamba, ketamina e material associado à atividade ilícita. O suspeito ficou em prisão preventiva.
A detenção foi efetuada pelo Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Albufeira, pertencente ao Comando Territorial de Faro da Guarda Nacional Republicana, na sequência de uma ação de fiscalização durante a qual os militares presenciaram uma transação de produto estupefaciente.
De acordo com a GNR, quando os militares avançaram para a abordagem policial, o suspeito tentou escapar num motociclo, mas acabou por se despistar. Apesar da queda, prosseguiu a fuga a pé, até ser intercetado e detido.
Durante a intervenção, os militares encontraram produto estupefaciente na mochila que o jovem transportava, dando continuidade às diligências de investigação.
Buscas permitiram apreender haxixe, cocaína, liamba e ketamina
Na sequência da detenção, a GNR realizou uma busca domiciliária no concelho de Albufeira, durante a qual foi encontrado mais produto estupefaciente e material relacionado com a alegada atividade de tráfico.
Segundo o Comando Territorial de Faro, foram apreendidas 2.889 doses de haxixe, seis doses de cocaína, duas doses de liamba e 1,29 gramas de ketamina.
Os militares apreenderam ainda uma balança de precisão, uma arma branca, diversos sacos herméticos utilizados para acondicionamento, dois cadernos de apontamentos e 100 euros em numerário.
O suspeito foi posteriormente presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal Judicial de Portimão, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva.
A operação foi desenvolvida pelo Núcleo de Investigação Criminal de Albufeira e contou com o apoio do Subdestacamento Territorial de Albufeira.
A Praça do Mar, em Quarteira, vai transformar-se numa “Praça Assombrada” no próximo dia 31 de outubro, entre as 18:00 e as 23:00, para uma festa de Halloween que inclui animação de rua, música, dança, pinturas faciais e um concurso de disfarces com prémios para os melhores participantes.
Organizada pela Junta de Freguesia de Quarteira, a iniciativa pretende reunir crianças, jovens e adultos numa celebração aberta à comunidade, com um programa de atividades inspirado no imaginário do Dia das Bruxas.
De acordo com a organização, o espaço contará com atuações de grupos de dança locais, animação de rua e um DJ Set, proporcionando diferentes momentos de entretenimento ao longo da noite. Estarão também disponíveis tasquinhas de comes e bebes.
Concurso de disfarces atribui prémios em três escalões
Um dos principais momentos da festa será o concurso de disfarces, que desafia os participantes a apresentar propostas criativas e originais inspiradas no Halloween.
A competição estará organizada em três escalões etários: infantil, juvenil e adulto, permitindo a participação de pessoas de diferentes idades.
Segundo a Junta de Freguesia de Quarteira, serão atribuídos prémios aos três primeiros classificados de cada categoria.
As inscrições deverão ser efetuadas presencialmente, no próprio dia do evento, entre as 19:00 e as 21:00, no recinto da festa.
A organização pretende incentivar a criatividade e a participação da comunidade, proporcionando uma oportunidade para famílias e grupos de amigos se juntarem às comemorações.
Música, dança e animação com entrada gratuita
A festa de Halloween decorre entre as 18:00 e as 23:00, na Praça do Mar, com acesso gratuito a todos os visitantes.
Além do concurso de disfarces, o programa contempla pinturas faciais, atuações de grupos de dança locais, animação de rua e música assegurada por um DJ Set.
A iniciativa é promovida pela Junta de Freguesia de Quarteira, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e a colaboração do Centro de Apoio à Criança de Quarteira, do Colégio Origami, da Fundação António Aleixo e da Associação Talentos Unidos.
A poetisa residente no Algarve Cristina Calvino vai estar representada no MOON — Festival Internacional de Videopoesia com Poeira do Medo, uma criação que combina poesia, performance e música, realizada por Rui António e com banda sonora de Carlos Zíngaro. A obra será exibida a 8 de novembro, às 15:00, no Templo da Poesia, em Oeiras, numa iniciativa de entrada livre.
O festival decorre nos dias 7 e 8 de novembro, reunindo propostas artísticas que exploram as possibilidades expressivas da poesia através da imagem em movimento.
A seleção de Poeira do Medo permite dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por Cristina Calvino, cujo percurso artístico se tem distinguido pela experimentação de diferentes formas de expressão, conjugando a palavra, a música, a voz e o movimento corporal.
Cristina Calvino cruza poesia, jazz e performance no seu percurso artístico
Residente no Algarve, Cristina Calvino tem desenvolvido um trabalho artístico centrado na relação entre a poesia e outras linguagens, particularmente o jazz e a performance improvisada.
A sua atividade explora as possibilidades de interação entre a voz, o corpo e a palavra, procurando estabelecer novas formas de comunicação artística através da interpretação poética.
Neste contexto, a artista tem colaborado com o músico e contrabaixista Zé Eduardo, numa abordagem que valoriza o diálogo entre a improvisação musical e a expressão poética.
O seu percurso inclui igualmente a coordenação do coro LerALto e a responsabilidade pela programação cultural e artística da Cooperativa DevagarQueTenhoPressa, sediada em Alcantarilha, no concelho de Silves.
Em Poeira do Medo, Cristina Calvino é responsável pelo poema, pela performance e pela voz, elementos que constituem a base da criação audiovisual.
A obra procura explorar a relação entre o texto poético, a presença performativa e a composição sonora, utilizando o vídeo como espaço de experimentação e de encontro entre diferentes expressões artísticas.
Rui António assina realização e Carlos Zíngaro compõe banda sonora
A realização do vídeo-poema é da responsabilidade de Rui António, professor, artista de média-arte digital e investigador, cuja atividade se desenvolve na interseção entre a arte digital, o cinema interativo e a narrativa algorítmica.
O seu percurso artístico abrange diferentes formatos e linguagens, incluindo instalações interativas, videoarte e realização cinematográfica e promocional.
A componente musical de Poeira do Medo é assinada por Carlos Zíngaro, responsável pela banda sonora que acompanha a interpretação poética de Cristina Calvino.
A conjugação destas três componentes – poesia e performance, realização audiovisual e composição musical – dá origem a uma criação que explora as possibilidades expressivas do vídeo enquanto suporte artístico.
A apresentação de Poeira do Medo está marcada para domingo, 8 de novembro, às 15:00, no Templo da Poesia, em Oeiras, integrada na programação do MOON – Festival Internacional de Videopoesia, que decorre durante dois dias, com entrada gratuita.
A conquista do sexto lugar no Campeonato do Mundo de Show e Precisão de patinagem artística, realizado no Paraguai, colocou o Algarve Show Team entre as equipas em destaque na competição internacional. O grupo, que reúne atletas de clubes de Olhão e Albufeira, representou Portugal num evento que constituiu também uma oportunidade de aprendizagem e evolução desportiva.
Fundado em 2018, o Algarve Show Team resulta atualmente de uma parceria entre o Clube Desportivo “Os Olhanenses” e a Associação Recreativa de Patinagem Artística Paderne-Albufeira, desenvolvendo um projeto competitivo assente na preparação técnica, na expressão artística e no trabalho coletivo.
O sexto lugar alcançado no Paraguai representa mais uma etapa no percurso internacional da equipa algarvia, que tem procurado consolidar a sua presença nas competições de Show e Precisão.
Treinadores destacam evolução das atletas e importância do trabalho em equipa
A fundadora do projeto e treinadora-coordenadora, Célia Busatori, considera que a participação no Campeonato do Mundo constitui um motivo de orgulho, não apenas pela classificação obtida, mas também pelo percurso de desenvolvimento das atletas.
A responsável destaca o empenho demonstrado pelo grupo e a importância de valores como a formação humana, o espírito de equipa e a capacidade de superar desafios ao longo da preparação e da competição.
Também Bruno Teodósio, treinador e coreógrafo do Algarve Show Team, faz um balanço positivo da participação, salientando o crescimento da equipa e o compromisso demonstrado pelas atletas durante a época desportiva.
Para os dois responsáveis, o resultado alcançado reflete o trabalho desenvolvido pelo grupo, mas a experiência internacional assumiu igualmente uma dimensão formativa, permitindo aprofundar conhecimentos e reforçar competências técnicas e artísticas.
A participação no Mundial proporcionou ainda o contacto direto com algumas das melhores equipas internacionais, permitindo observar diferentes abordagens à modalidade e conhecer novos níveis de exigência competitiva.
Segundo os treinadores, esta experiência trouxe referências importantes para a preparação futura, contribuindo para o aperfeiçoamento das atletas e para a evolução do projeto.
Sexto lugar mundial reforça ambições do projeto algarvio
A presença no Campeonato do Mundo de Show e Precisão permitiu ao Algarve Show Team avaliar o seu desempenho num contexto de elevada exigência e recolher experiências que poderão ser aplicadas no trabalho desenvolvido nos clubes de origem.
A equipa considera que a competição constituiu uma oportunidade para consolidar competências, reforçar a motivação das atletas e aprofundar o conhecimento sobre a evolução internacional da disciplina.
Célia Busatori e Bruno Teodósio manifestaram satisfação com o percurso realizado e agradeceram o apoio das atletas, das famílias, dos clubes e das entidades que contribuíram para viabilizar a participação no Mundial.
A classificação alcançada no Paraguai representa um novo resultado internacional para o projeto criado em 2018, que mantém como objetivos a formação de atletas, o aperfeiçoamento técnico e artístico e a participação em competições de elevado nível.
Com o sexto lugar mundial, o Algarve Show Team reforça o percurso competitivo construído através da colaboração entre os clubes de Olhão e Albufeira, procurando continuar a desenvolver a patinagem artística e a representar o Algarve e Portugal nas principais competições da modalidade.
A primeira edição da INCULTA – Iniciativa Cultural Álvaro de Campos, realizada entre 15 e 17 de outubro, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em Tavira, terminou com um balanço positivo por parte da organização, depois de três dias de atividades que aproximaram a literatura, as artes e a comunidade educativa, através de exposições, oficinas criativas, debates e espetáculos.
Organizada pela Casa Álvaro de Campos, em parceria com o Município de Tavira e os Agrupamentos de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia e D. Manuel I, a iniciativa procurou valorizar a palavra enquanto instrumento de criação artística, conhecimento e participação cultural.
O envolvimento de alunos e professores foi um dos aspetos destacados pela organização, que sublinhou a importância da colaboração das escolas na concretização das atividades e na aproximação dos jovens à literatura e a diferentes formas de expressão artística.
Alunos deram nova vida à poesia de Álvaro de Campos através do hip-hop e das artes visuais
A programação começou a 15 de outubro com a inauguração da exposição “Os Campos de Álvaro de Campos”, que reuniu trabalhos plásticos desenvolvidos por alunos a partir de interpretações pessoais da obra do poeta e de outros criadores.
As propostas apresentadas exploraram diferentes linguagens visuais, permitindo aos jovens estabelecer uma relação entre a criação artística contemporânea e o património literário.
Outro dos momentos da iniciativa foi a oficina “Ritmo e Poesia – Do Beat ao Videoclipe”, na qual os participantes trabalharam versos da “Ode Triunfal”, de Álvaro de Campos, através do hip-hop e da produção videográfica.
Desta experiência resultou a criação “Rap Triunfal”, que procurou aproximar a poesia de novas sonoridades e formas de comunicação artística.
A programação incluiu ainda a performance “O menino de sua mãe”, integrada no projeto CriarLab, dirigido à comunidade educativa e destinado a incentivar o contacto com os processos de criação e interpretação artística.
Segundo a Casa Álvaro de Campos, os trabalhos desenvolvidos revelaram qualidade artística, tendo o empenho dos professores desempenhado um papel determinante na integração das artes no percurso educativo dos alunos.
Lídia Jorge participou em debates sobre literatura, identidade e cultura
A primeira edição da INCULTA contou também com os “Diálogos INCULTA”, que reuniram escritores e investigadores para refletir sobre a obra de Álvaro de Campos e a sua relação com diferentes dimensões culturais e sociais.
Entre os convidados estiveram Manuel Moya, Ana Cristina Matias, Adriana Nogueira, Pedro Prista e a escritora algarvia Lídia Jorge.
As intervenções abordaram temas como a palavra, a cultura, a identidade, o território, a alteridade e a lusofonia, promovendo diferentes perspetivas sobre a criação literária e a sua ligação à sociedade.
A organização destacou a profundidade e a originalidade das reflexões apresentadas, considerando que os encontros abriram caminho a novos debates sobre estas matérias.
A participação de autores e investigadores permitiu, assim, alargar a programação para além das atividades artísticas, criando oportunidades de partilha de conhecimento e discussão em torno do património literário.
Espetáculo final recuperou vozes de escritoras algarvias pouco conhecidas
O encerramento da iniciativa ficou marcado pelo espetáculo “Mulheres que escreveram e não li”, uma proposta artística dedicada à valorização de autoras algarvias pouco conhecidas.
A apresentação cruzou poesia, performance e música, procurando recuperar e divulgar obras e percursos literários que permanecem pouco presentes no conhecimento público.
Através desta abordagem, o espetáculo chamou a atenção para a importância de preservar e divulgar o património literário feminino da região, proporcionando ao público o contacto com diferentes vozes e expressões artísticas.
No balanço da primeira edição, a Casa Álvaro de Campos considera que a INCULTA conseguiu estabelecer uma ligação entre a comunidade educativa, os criadores e o público, através de uma programação diversificada e participativa.
A organização pretende dar continuidade à iniciativa, aprofundando o trabalho desenvolvido e criando novas oportunidades de encontro entre a literatura, as artes e a comunidade.
Com esta primeira edição, a INCULTA procurou reforçar a presença da criação literária e artística na vida cultural de Tavira, valorizando simultaneamente o património associado a Álvaro de Campos e as possibilidades de diálogo com as expressões culturais contemporâneas.
A inauguração do novo relvado sintético do Campo Municipal, um concerto dos Al Mouraria e o lançamento de um jornal mensal estão entre os destaques das comemorações do 27.º aniversário da elevação da Mexilhoeira Grande à categoria de vila, no concelho de Portimão. O programa realiza-se a 1 de novembro e inclui ainda uma sessão solene, homenagens a personalidades locais, futebol, um magusto e um baile.
As celebrações pretendem assinalar a história e a identidade da localidade, reunindo iniciativas nas áreas do desporto, da cultura, da promoção turística e da valorização dos produtos locais.
Organizado pela Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, o programa começa às 10:00, com o tradicional hastear da bandeira, e prolonga-se até à noite, envolvendo diferentes espaços da vila.
Novo relvado sintético inaugurado com jogo entre Mexilhoeira Grande e Lagoa
As comemorações arrancam na sede da Junta de Freguesia, às 10:00, com a cerimónia de hastear da bandeira, acompanhada pelo Hino Nacional, interpretado pela Banda da Sociedade Filarmónica Portimonense.
Às 10:20, será inaugurado o novo relvado sintético do Campo Municipal da Mexilhoeira Grande, numa cerimónia que contará também com a participação da banda filarmónica, prevista para as 10:40.
O novo equipamento será palco, às 11:00, de um encontro de futebol entre o Mexilhoeira Grande FC e o Grupo Desportivo de Lagoa, a contar para o Campeonato Distrital de Iniciados da Associação de Futebol do Algarve.
O presidente da Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, Ricardo Sobral, considera que a inauguração representa um investimento importante nas condições para a prática desportiva, particularmente entre os mais jovens.
“Contamos também com a inauguração do novo relvado sintético, que demonstra a forte aposta da Junta de Freguesia e do Município de Portimão no desporto e, sobretudo, na formação das camadas mais novas, mas também do lançamento de um novo vídeo promocional para promover a freguesia da Mexilhoeira Grande enquanto destino rico em património natural, cultural e desportivo”, afirma o autarca.
Sessão solene inclui homenagens e lançamento de jornal mensal
A programação prossegue às 15:00, na Igreja Matriz da Mexilhoeira Grande, com a sessão solene comemorativa do 27.º aniversário da elevação à categoria de vila.
A cerimónia terá início com intervenções institucionais, seguindo-se uma homenagem a personalidades da comunidade que se distinguiram pelo seu contributo para o desenvolvimento da freguesia.
Outro dos momentos previstos é a apresentação do vídeo promocional “Mexilhoeira Grande – Um Algarve por Descobrir”, concebido para divulgar o património e os atrativos da freguesia enquanto destino turístico.
A sessão ficará ainda marcada pelo lançamento do jornal mensal “Ecos da Nossa Terra”, uma nova publicação dedicada à atividade da Junta de Freguesia e aos projetos desenvolvidos em diferentes áreas.
Segundo a autarquia, o jornal pretende reforçar a proximidade com a população e divulgar as iniciativas e parcerias realizadas em articulação com a Câmara Municipal de Portimão, dando particular atenção à identidade local, ao património, à cultura e às tradições.
Ricardo Sobral destaca a diversidade da programação e o significado das celebrações para a comunidade.
“Será um dia em que pretendemos destacar a dinâmica da nossa vila, mostrar a riqueza do nosso território e enaltecer o percurso de personalidades da nossa terra que, em muito têm contribuído para dar outra dimensão à freguesia”, sublinha o presidente da Junta.
Al Mouraria, produtos locais e magusto encerram comemorações
A partir das 16:30, o programa desloca-se para o adro da Igreja Matriz, onde estará instalado um recinto com expositores de produtos locais e espaços de comes e bebes.
Às 18:00, realiza-se um concerto dos Al Mouraria, grupo musical cujas origens remontam a um projeto iniciado em 2002 e que combina sonoridades tradicionais do fado com uma abordagem contemporânea ao género.
A atuação integra a componente cultural das comemorações, proporcionando um momento musical à população e aos visitantes.
O encerramento está marcado para as 19:30, com a realização de um magusto tradicional, acompanhado por um baile animado pelo artista Humberto Silva.
A Junta de Freguesia pretende que o conjunto de atividades contribua para valorizar o património, promover a economia local e proporcionar momentos de encontro entre diferentes gerações.
As comemorações do 27.º aniversário da elevação da Mexilhoeira Grande à categoria de vila procuram, assim, assinalar o percurso da localidade e dar visibilidade às iniciativas que têm contribuído para o seu desenvolvimento cultural, social e desportivo.
Vestígios de uma escrita com cerca de 2.500 anos, encontrados em antigas necrópoles da Fonte Velha, em Bensafrim, no concelho de Lagos, estão no centro de um projeto de valorização do património arqueológico e rural. A iniciativa Rotas Rurais pretende dar a conhecer a importância histórica deste território, onde foram descobertas várias estelas com inscrições que continuam por decifrar.
Entre os achados arqueológicos destacam-se uma estela de grandes dimensões e um disco de ouro associado à Idade do Ferro, atualmente conservados no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz. Os objetos testemunham a presença de comunidades que utilizaram aquele território como espaço funerário durante a Idade do Ferro e a época romana.
A estela foi recolhida no final do século XIX, durante escavações arqueológicas realizadas no Algarve sob a direção de António dos Santos Rocha e Estácio da Veiga. Natural da Figueira da Foz e fundador da Sociedade Arqueológica naquela cidade, Santos Rocha levou a peça para a sua terra natal, onde permanece integrada no acervo museológico.
“Há 2.500 anos, nós sabíamos escrever como poucos na Europa. Éramos dos mais inovadores neste território, que abrange o Baixo Alentejo e a Serra do Algarve”, afirma o arqueólogo Pedro Barros, consultor científico do projeto Rotas Rurais, desenvolvido para promover o património arqueológico, rural e agrícola de Bensafrim, Barão de São João e Odiáxere.
Estelas com inscrições continuam a desafiar os investigadores
Só em Bensafrim foram identificadas seis estelas, entre as quais a peça de maiores dimensões, com 1,35 metros de altura, que se encontra exposta na Figueira da Foz.
Os investigadores admitem que estas estruturas de pedra estariam associadas a práticas funerárias e poderiam também funcionar como marcos territoriais. Contudo, o significado das inscrições permanece desconhecido, uma vez que a escrita do Sudoeste ainda não foi decifrada.
“Como tem influência Fenícia, proveniente do Mediterrâneo oriental, escreve-se de forma contrária à nossa, ou seja, de baixo para cima e da direita para a esquerda”, explica Pedro Barros, acrescentando que os caracteres surgem organizados em espiral, sem separação entre palavras ou sinais de pontuação.
Localização da antiga necrópole permanece desconhecida
A necrópole da Idade do Ferro da Fonte Velha é considerada pelo arqueólogo uma das maiores do sul de Portugal, tendo em conta a sua dimensão, o conjunto de estelas descobertas e as características dos enterramentos descritos nos registos antigos.
Apesar das tentativas realizadas no final da década de 1990 e em 2014, a localização exata do sítio arqueológico continua por identificar.
“Apesar deste esforço, não se conseguiu voltar a localizar a necrópole da Fonte Velha de Bensafrim”, reconhece Pedro Barros.
O investigador sublinha também que continuam por identificar os locais onde habitavam as comunidades responsáveis pelos enterramentos: “Das escavações antigas conhecemos os espaços da morte, mas nunca foi identificado o sítio onde as pessoas viviam”.
Os registos arqueológicos do século XIX descrevem enterramentos em cistas, estruturas construídas com lajes de pedra colocadas verticalmente, embora os métodos utilizados na época obriguem a alguma prudência na interpretação dos vestígios.
Rotas Rurais pretende valorizar património arqueológico e agrícola de Lagos
A Vicentina – Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste está a desenvolver um trabalho de divulgação deste património, em colaboração com a Associação para a Proteção e Promoção do Património Rural.
Entre as iniciativas encontra-se o Centro de Interpretação do Património Arqueológico Rural de Bensafrim, inaugurado em outubro na sede da Vicentina, que disponibiliza um quiosque multimédia com informações sobre as descobertas e os artefactos identificados.
“O nosso objetivo era criar informação que fosse passível de ser entendida, porque, de facto, o sítio da Fonte Velha não é visitável do ponto de vista arqueológico”, explica Sónia Felicidade, coordenadora-geral do projeto.
O Rotas Rurais integra ainda uma rota arqueológica e cinco quintas agrícolas privadas onde existem menires com cerca de 6.500 anos, testemunhos de uma fase antiga do megalitismo europeu.
Estes espaços procuram organizar a sua atividade para receber visitantes, estabelecendo uma ligação entre o património arqueológico, a paisagem rural e a atividade agrícola.
Segundo Pedro Barros, uma investigação desenvolvida por Marta Diaz-Guardamino, da Universidade de Durham, em colaboração com os municípios de Lagos e Vila do Bispo, aponta para a possibilidade de as populações locais terem reerguido intencionalmente alguns menires no final da Idade do Ferro, depois de estes terem tombado ao longo do tempo.
A futura dessalinizadora do Algarve recebeu, no dia 17 de outubro, uma visita de mais de 50 participantes da Delegação Distrital de Faro da Ordem dos Engenheiros, provenientes de diferentes regiões do país, numa iniciativa destinada a dar a conhecer o projeto de transformação de água do mar em água para consumo humano e o seu contributo para a segurança do abastecimento na região.
A visita à Estação de Dessalinização de Água do Mar (EDAM) do Algarve foi acompanhada por responsáveis da empresa Águas do Algarve, técnicos especializados e representantes do consórcio responsável pela obra, proporcionando aos participantes um contacto direto com uma das soluções previstas para diversificar as origens de abastecimento de água.
De acordo com a Águas do Algarve, a iniciativa permitiu promover a partilha de conhecimentos técnicos e aprofundar a discussão sobre os desafios da gestão dos recursos hídricos numa região particularmente vulnerável à escassez de água.
Engenheiros conheceram projeto destinado a reforçar a segurança hídrica do Algarve
A comitiva foi recebida pela presidente do Conselho de Administração da Águas do Algarve, Helena Lucas, e pelos técnicos especializados Teresa Fernandes, Pedro Ramos e Ricardo Estigarribia.
A visita contou igualmente com a participação de responsáveis do consórcio responsável pela execução da obra, entre os quais Numo Maia, num encontro dedicado à apresentação do projeto e à troca de conhecimentos sobre as soluções técnicas em desenvolvimento.
Segundo a Águas do Algarve, a estação de dessalinização constitui uma das respostas estruturantes previstas para reforçar a segurança do abastecimento de água na região, permitindo diversificar as fontes utilizadas para satisfazer as necessidades de consumo humano.
A empresa considera que o projeto representa uma nova etapa na gestão dos recursos hídricos algarvios, ao introduzir a possibilidade de recorrer à água do mar como origem complementar de abastecimento.
A iniciativa teve também como objetivo aproximar a comunidade técnica das soluções que estão a ser desenvolvidas, promovendo uma maior compreensão dos desafios associados à implementação deste tipo de infraestrutura.
Dessalinização integra estratégia de adaptação às alterações climáticas
A Águas do Algarve enquadra a construção da estação de dessalinização numa estratégia mais abrangente de resposta à escassez hídrica e de adaptação às alterações climáticas.
Num território particularmente exposto à falta de água, a empresa considera que a diversificação das origens de abastecimento constitui uma medida relevante para reforçar a capacidade de resposta da região perante períodos de menor disponibilidade dos recursos hídricos.
A dessalinização surge, contudo, como uma solução complementar a outras medidas consideradas essenciais para uma gestão mais eficiente da água, nomeadamente a redução de perdas nas redes de abastecimento, a promoção da eficiência no consumo e a reutilização de água para utilizações compatíveis.
A empresa destaca igualmente a importância do conhecimento técnico e da participação dos profissionais de engenharia na concretização de projetos destinados a responder aos desafios ambientais e às necessidades futuras do Algarve.
“Não temos dúvidas que a engenharia tem um papel decisivo nesta transformação”, sublinha a Águas do Algarve, defendendo a importância de envolver os profissionais especializados na discussão sobre as soluções de abastecimento.
A entidade considera ainda que dar a conhecer o projeto e promover o contacto entre especialistas contribui para uma reflexão mais informada sobre a gestão da água e as respostas necessárias para aumentar a resiliência hídrica da região.
A visita dos mais de 50 participantes da Ordem dos Engenheiros constituiu, assim, uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a futura estação de dessalinização e o papel que esta infraestrutura poderá desempenhar na diversificação das origens de abastecimento de água ao Algarve.
O Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, recebe a cantora Raquel Tavares no próximo dia 31 de outubro, às 21:30, para um concerto que marca o seu regresso ao fado, após um período de afastamento da carreira musical durante o qual se dedicou a projetos nas áreas da comunicação e da representação.
A fadista, que está atualmente a preparar um novo álbum, apresenta em Tavira o seu mais recente trabalho artístico, dando continuidade ao regresso aos palcos iniciado em 2023 e consolidado com uma nova temporada de concertos em Portugal e no estrangeiro.
O espetáculo assinala uma nova etapa no percurso de uma intérprete distinguida com o Prémio Amália Rodrigues e um Globo de Ouro, cuja carreira inclui vários discos e atuações internacionais.
Regresso ao fado depois de uma pausa na carreira musical
Raquel Tavares começou a cantar aos sete anos e construiu um percurso artístico marcado pela ligação ao fado, género musical que voltou a assumir um papel central na sua atividade.
Em 2006, lançou o álbum de estreia, intitulado Raquel Tavares, que lhe valeu o Prémio Amália Rodrigues na categoria de “Revelação Feminina”.
Dois anos depois, editou Bairro (2008), um trabalho que recebeu uma receção positiva por parte da crítica e do público.
Em 2016, apresentou o álbum Raquel, do qual faz parte o tema “Meu Amor de Longe”, que ultrapassou os 14 milhões de visualizações no YouTube.
No ano seguinte, lançou Roberto Carlos por Raquel Tavares, um disco dedicado ao repertório do cantor brasileiro, que alcançou o galardão de platina poucos meses depois da edição.
Este trabalho valeu-lhe também um Globo de Ouro na categoria de “Melhor Intérprete”, em 2017.
Cantora retomou os palcos internacionais em 2023
Depois de uma pausa na carreira musical, durante a qual explorou novas experiências profissionais na comunicação e na representação, Raquel Tavares decidiu regressar à música.
O reencontro com os palcos aconteceu em 2023, quando aceitou participar no Festival Internacional de Fado, apresentando-se em Madrid, Barcelona e Sevilha.
A intérprete já tinha participado em edições anteriores deste festival, ao lado de nomes como Carlos do Carmo e Camané, entre outros artistas ligados ao fado.
Em 2025, retomou um ritmo mais regular de concertos, realizando espetáculos em Portugal e uma digressão pela América Latina.
Atualmente, a cantora encontra-se a preparar um novo álbum, num regresso à expressão musical que marcou grande parte do seu percurso artístico.
Bilhetes disponíveis para concerto em Tavira
O concerto de Raquel Tavares está marcado para sábado, 31 de outubro, às 21:30, no Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira.
Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do teatro e através da plataforma BOL.
A programação completa do Teatro Municipal António Pinheiro pode ser consultada aqui.
Viajar de autocarro por Portugal vai custar apenas 2,50 euros com a disponibilização de 100 mil bilhetes promocionais pela Rede Expressos, numa iniciativa lançada esta quinta-feira, 22 de outubro, que pretende incentivar a utilização dos transportes coletivos e oferecer uma alternativa mais económica às deslocações de automóvel. Os bilhetes podem ser adquiridos até 12 de novembro, para viagens a realizar até 30 de novembro de 2026.
Denominada “Poucochinho”, a campanha abrange a rede nacional da transportadora, que assegura ligações a centenas de destinos, procurando responder ao aumento dos custos das deslocações, nomeadamente devido à subida dos preços dos combustíveis.
A iniciativa pretende também incentivar os passageiros a optar pelo autocarro em detrimento do transporte individual, contribuindo para reduzir o impacto ambiental das deslocações.
Bilhetes a 2,50 euros disponíveis no site e na aplicação da Rede Expressos
Os 100 mil bilhetes promocionais já se encontram disponíveis nos canais digitais da transportadora, podendo ser adquiridos através do site oficial da Rede Expressos ou da aplicação para dispositivos móveis.
A campanha contempla compras efetuadas até 12 de novembro de 2026, sendo possível realizar as viagens até 30 de novembro.
A empresa pretende, desta forma, facilitar o acesso ao transporte rodoviário de passageiros numa altura em que os custos associados à utilização do automóvel representam uma preocupação para muitos consumidores.
Segundo a Rede Expressos, a iniciativa procura demonstrar que a subida dos combustíveis não tem necessariamente de se refletir num agravamento dos preços pagos pelos passageiros.
Empresa quer incentivar o transporte coletivo e reforçar ligações ao Interior
A campanha insere-se numa estratégia de promoção da mobilidade coletiva e de reforço das oportunidades de deslocação entre diferentes regiões do país.
Além das ligações entre os principais centros urbanos, a Rede Expressos pretende alargar as possibilidades de mobilidade no Centro e no Interior, procurando adequar a oferta à procura e às necessidades das populações.
A transportadora considera que o aumento da utilização do autocarro pode contribuir para melhorar a eficiência da operação e permitir a manutenção de preços mais competitivos.
“Quando o preço dos combustíveis sobe, a pressão sente-se em toda a cadeia, incluindo na operação dos autocarros. Ainda assim, queremos demonstrar que esse aumento não tem de se traduzir inevitavelmente em viagens mais caras. Ao incentivar mais pessoas a escolher o transporte coletivo, conseguimos ganhar eficiência, reforçar a rede e continuar a oferecer viagens a preços mais competitivos”, afirma Nelson Silva, diretor-geral da Rede Expressos.
A empresa associa ainda a iniciativa ao objetivo de promover uma maior coesão territorial, através de soluções de transporte que facilitem as deslocações entre diferentes localidades.
As compras podem ser realizadas até 12 de novembro, através do site e da aplicação da Rede Expressos, para viagens a efetuar até ao final desse mês.
O atual presidente da Direção-Geral da Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUAlg), Tomás Soares Silva, de 21 anos, anunciou a sua recandidatura ao cargo nas eleições marcadas para 5 de novembro, apresentando como principais prioridades a reorganização interna da estrutura, o reforço da sua intervenção nacional e a defesa dos interesses dos estudantes.
Natural de Faro e estudante de Gestão na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo, Tomás Silva exerce a presidência da Direção-Geral da AAUAlg desde 5 de dezembro de 2025. A decisão de voltar a candidatar-se foi anunciada a 21 de outubro, através das suas redes sociais, depois de um período de reflexão sobre o trabalho desenvolvido e os projetos que pretende concretizar.
O estudante justifica a recandidatura com a existência de iniciativas ainda por concluir, propostas que pretende colocar em prática e compromissos assumidos durante o atual mandato.
Reestruturação interna e representação dos estudantes entre as prioridades
Sob o lema “Acreditar na essência, ser Académica”, a candidatura de Tomás Silva assenta em três eixos fundamentais, centrados no funcionamento da associação e na sua capacidade de intervenção em defesa da comunidade estudantil.
A primeira prioridade é a reestruturação interna da AAUAlg, que o candidato considera necessária para preparar o futuro da organização e melhorar a sua capacidade de resposta.
O segundo objetivo passa por reforçar o posicionamento da Associação Académica da Universidade do Algarve nas discussões nacionais sobre o ensino superior, procurando assegurar uma participação mais ativa nos debates que envolvem os estudantes.
O terceiro eixo pretende recuperar aquilo que Tomás Silva identifica como a missão essencial da estrutura: a representação dos estudantes, tanto no interior da universidade como junto das entidades externas.
Na apresentação da candidatura, o atual presidente defende que “Ser Associação Académica é compreender a dimensão daquilo que representamos, é reconhecer o impacto que podemos ter na vida daqueles que frequentam a nossa academia e é perceber que existe sempre mais por fazer.”
Tomás Silva considera que a experiência adquirida durante o mandato lhe permitiu conhecer melhor o funcionamento da instituição e identificar áreas que necessitam de mudanças.
“Apresento hoje a minha recandidatura, por isso mesmo: por conhecer melhor a casa que represento, por acreditar no seu potencial e por saber que há trabalho pela frente”, afirma o candidato.
Na declaração de candidatura, Tomás Silva sustenta ainda que o último ano permitiu reforçar as bases da organização, restabelecer o equilíbrio institucional e renovar a confiança na estrutura, defendendo agora uma reflexão sobre a forma como a associação se organiza.
Perante as mudanças no ensino superior, considera igualmente necessário reforçar a intervenção da AAUAlg na defesa dos direitos e interesses da comunidade estudantil.
“Caros colegas, acredito numa Associação Académica que tenha orgulho naquilo que é, que tenha confiança naquilo que faz e acima de tudo, que tenha ambição para alcançar mais objetivos”, conclui Tomás Soares Silva.
Eleições para a Associação Académica marcadas para 5 de novembro
O calendário eleitoral para os órgãos sociais da Associação Académica da Universidade do Algarve foi aprovado pelos estudantes em Assembleia Magna, realizada a 16 de outubro.
O prazo para entrega das listas candidatas termina a 23 de outubro, seguindo-se a campanha eleitoral, que decorrerá entre 26 de outubro e 3 de novembro.
O ato eleitoral está marcado para 5 de novembro, estando a divulgação dos resultados prevista para o dia seguinte, 6 de novembro.
A recandidatura de Tomás Silva surge, assim, num processo eleitoral em que o atual presidente procura renovar o mandato à frente da Direção-Geral da AAUAlg, apresentando como objetivos a reorganização da associação, o reforço da sua presença no debate nacional sobre o ensino superior e uma maior capacidade de representação dos estudantes.