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AIPAR de Faro chega às 20 famílias de acolhimento e quer alargar rede

18 October 2026 at 15:00

A Associação de Proteção à Rapariga e à Família (AIPAR), com sede em Faro, atingiu as 20 famílias de acolhimento certificadas e pretende aumentar este número para responder às diferentes necessidades das crianças e jovens. O marco foi assinalado a 11 de outubro, num encontro na Quinta do Meloal, na freguesia da Conceição de Faro.

A iniciativa reuniu famílias acompanhadas pela associação para uma manhã de convívio e partilha de experiências. Segundo a nota de imprensa enviada ao POSTAL, há outras famílias em processo de certificação.

“Sentimos uma enorme gratidão pelas vinte maravilhosas famílias que se juntaram à AIPAR e abraçaram a missão de ser famílias de acolhimento”, afirmou Filomena Rosa, presidente da direção. “Quero que saibam que nunca estarão sozinhas. A nossa equipa acompanha-as em cada passo e, a partir de agora, têm também umas às outras”, acrescentou.

Mais famílias para responder a diferentes necessidades

A AIPAR pretende certificar o maior número possível de famílias, tendo em conta que cada uma apresenta disponibilidades e condições próprias.

A associação explica que algumas famílias com filhos preferem acolher crianças de determinada idade ou género para facilitar a convivência, enquanto outras estão preparadas para receber grupos de irmãos ou crianças mais velhas.

O alargamento da rede permite, por isso, acompanhar mais situações e encontrar uma resposta familiar ajustada às necessidades de cada criança. “Cada família tem o acompanhamento da nossa equipa, mas há coisas que só outra família de acolhimento compreende. É necessário criar momentos como este”, salientou Filomena Rosa.

O encontro decorreu num espaço da própria associação e começou com uma sessão de ioga do riso, seguindo-se um brunch preparado pelo serviço de catering da AIPAR. Enquanto os adultos conversavam, as crianças participaram em atividades ao ar livre, acompanhadas por uma equipa da instituição. No final, cada família recebeu um certificado e um saquinho de lufas, esponjas vegetais cultivadas e secas na quinta.

Uma resposta temporária fora das instituições

O acolhimento familiar é uma medida de proteção temporária que permite a crianças e jovens retirados à família de origem viverem num ambiente familiar, em alternativa ao acolhimento residencial. Para contextualizar esta resposta, a AIPAR cita o relatório CASA 2024: das 6.349 crianças e jovens em acolhimento em Portugal, 361 viviam com famílias de acolhimento, cerca de 6% do total. A maioria permanecia em casas de acolhimento residencial.

A AIPAR atua como instituição de enquadramento do acolhimento familiar ao abrigo de um acordo de cooperação com o Instituto da Segurança Social, celebrado em novembro de 2022. De acordo com a associação, podem candidatar-se pessoas ou casais com mais de 25 anos e residência em Portugal. As famílias recebem formação, acompanhamento técnico permanente e apoio financeiro mensal.

Fundada em 1932 e reconhecida como Instituição Particular de Solidariedade Social desde 1988, a AIPAR trabalha na proteção de crianças, jovens e famílias, mantendo também respostas como a Casa de Acolhimento, o CAFAP, o Apartamento de Autonomização, o CACI e a Cantina Social.

Os interessados em conhecer o processo de candidatura podem contactar a associação através do telefone 966 683 137 ou do endereço protecao.acolhimentofamiliar@gmail.com.

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ZERO rejeita incineração e quer ampliar tratamento de resíduos no Algarve

18 October 2026 at 11:00

O Algarve deve responder à pressão sobre os aterros com a melhoria e ampliação das duas unidades de tratamento mecânico e biológico da Algar, em vez de apostar na incineração, defende a associação ambientalista ZERO.

Em declarações à Lusa em 6 de outubro, o engenheiro ambiental Rui Berkemeier explicou que as propostas tinham sido transmitidas à ministra do Ambiente numa reunião realizada na sexta-feira anterior.

Separar resíduos domésticos dos produzidos pelas empresas

“Propusemos, para já, um primeiro passo, separar os resíduos de origem doméstica dos de origem das atividades económicas, como os resíduos dos hotéis”, afirmou o ambientalista.

Segundo Rui Berkemeier, os produtores de mais de 1.100 litros diários de resíduos equiparados a urbanos devem ter um sistema próprio de gestão. O responsável considera que esta obrigação não está a ser inteiramente respeitada na região, contribuindo para o enchimento dos aterros.

Para os resíduos indiferenciados, a ZERO propõe aproveitar e reforçar as instalações existentes, “em vez da construção de novas instalações ou da aposta na incineração”. Berkemeier argumentou que procurar novas localizações traria dificuldades políticas acrescidas.

Matéria orgânica deve ser tratada antes de chegar ao aterro

O tratamento mecânico e biológico permite tratar a matéria orgânica, incluindo restos de comida, que está na origem de problemas como odores, produção de metano e águas residuais mais difíceis de tratar, explicou o engenheiro ambiental.

A associação considera insuficiente o Plano de Ação para os Resíduos Urbanos (PAPERSU) da Algar, gestora do sistema de resíduos no Algarve, sustentando que deixa cerca de 70 mil toneladas sem tratamento.

“Não podem receber resíduos orgânicos em bruto como estão a receber hoje”, afirmou Rui Berkemeier, defendendo que o tratamento da matéria orgânica “deve ser assegurado antes da deposição em aterro”.

Nova célula do aterro recebeu decisão ambiental condicionada

A ZERO aponta a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da nova Célula D do Aterro Sanitário do Sotavento, em Loulé, como um reforço dos seus argumentos. Emitida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, a decisão é favorável condicionada. Prevê uma capacidade de cerca de 875 mil toneladas, uma deposição anual de 150 mil toneladas e uma vida útil estimada entre cinco e oito anos.

O documento destaca os contributos da ZERO e da Almargem na consulta pública, nomeadamente os alertas para a deposição de resíduos orgânicos não tratados e para as insuficiências dos sistemas de recolha e triagem.

A DIA refere que a deposição de resíduos com fração orgânica não estabilizada “constitui uma ilegalidade” à luz do Regime Jurídico da Deposição de Resíduos em Aterro. Para Berkemeier, esta conclusão reforça a necessidade de alterar as práticas nos aterros existentes, evitando a deposição direta de resíduos indiferenciados com matéria biodegradável.

Estudo da APA deve avaliar alternativas já em funcionamento

A associação criticou ainda a ministra por destacar publicamente a incineração sem mencionar o tratamento mecânico e biológico. Segundo o ambientalista, a governante tinha afirmado na reunião que “todas as soluções estão em aberto”.

A ZERO defende que o estudo a realizar pela Agência Portuguesa do Ambiente avalie as soluções existentes no Algarve e alternativas em funcionamento noutras regiões do país, nomeadamente no Alentejo.

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Culatra vai testar hidrogénio para armazenar energia solar

18 October 2026 at 10:00

Uma comunidade de energia renovável na ilha da Culatra deverá aproveitar os excedentes de eletricidade solar para produzir e armazenar hidrogénio, que permitirá gerar novamente eletricidade quando a procura aumentar e a produção solar diminuir. A solução integra o projeto internacional H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora (UÉ).

Iniciado em 2024, com duração prevista até 2030 e um orçamento global de nove milhões de euros, o projeto reúne 29 parceiros de sete países, entre universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas.

Num comunicado divulgado em 13 de outubro e citado pela Lusa, a universidade explicou que a iniciativa pretende testar aplicações concretas no Algarve e no Alentejo, abrangendo a produção, o transporte, o armazenamento e a utilização de hidrogénio renovável.

Culatra combina armazenamento com redes inteligentes

Na Culatra, a demonstração prevê integrar o armazenamento de energia sob a forma de hidrogénio com redes inteligentes. O sistema utilizará a eletricidade excedente nas horas de maior produção solar, guardando esse recurso para responder a períodos de menor disponibilidade.

A vertente algarvia complementa as intervenções previstas no Alentejo, onde o projeto procura criar um “vale do hidrogénio”, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos.

O objetivo é “passar da investigação e planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, edifícios e sistemas energéticos locais”, refere a UÉ.

Sines terá unidade de produção com 15 megawatts

Em Sines, no distrito de Setúbal, está projetada uma unidade de eletrolisadores de 15 megawatts para produzir hidrogénio renovável, também conhecido como hidrogénio verde.

“O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injetado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo”, explicou a universidade.

No conjunto, o H2tALENT prevê produzir mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a aplicações na indústria, na mobilidade e nos edifícios.

Frotas municipais e piscina entre as aplicações previstas

Em Alandroal, no distrito de Évora, está previsto apoio à conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio.

Na cidade de Évora, o foco será o aquecimento de edifícios. Entre as demonstrações programadas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal.

Hugo Gonçalves Silva, professor de Física da UÉ e coordenador do H2tALENT, salientou que a iniciativa pretende “ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”.

O projeto, coordenado pela Universidade de Évora, é financiado pelo programa Horizon da Comissão Europeia, através da Clean Hydrogen Joint-Undertaking.

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Algarve tem 24 vagas para formação de médicos de família

18 October 2026 at 09:00

A formação especializada em Medicina Geral e Familiar conta com 24 vagas no Algarve no âmbito do Internato Médico 2026. O mapa nacional disponibiliza 2.338 lugares, distribuídos por especialidades e instituições de formação, segundo o aviso publicado em Diário da República, citado pela Lusa.

Aprovado por despacho do secretário de Estado da Gestão da Saúde, de 29 de setembro, o mapa servirá de base ao processo de escolhas dos médicos que ingressam na formação especializada. A oferta supera em oito lugares as 2.330 vagas do ano anterior.

A Medicina Geral e Familiar é a especialidade com maior oferta, reunindo 675 vagas para formação de médicos de família. Nesta área, Lisboa e Vale do Tejo concentra 237 lugares, seguindo-se o Norte, com 226, e o Centro, com 121.

O Alentejo dispõe de 41 vagas, o Algarve de 24, os Açores de 18 e a Madeira de oito.

No conjunto do mapa, as especialidades hospitalares somam 1.595 lugares. Há ainda 59 vagas para Saúde Pública e nove para Medicina Legal.

Entre as especialidades hospitalares, a Medicina Interna apresenta o maior número de vagas, com 216, seguida da Pediatria, com 110, e da Anestesiologia, com 102.

A Psiquiatria dispõe de 82 lugares, a Cirurgia Geral de 72, a Ginecologia/Obstetrícia de 71, a Ortopedia de 70 e a Medicina Intensiva de 69.

Seguem-se Patologia Clínica, com 59 vagas, Medicina Física e de Reabilitação, com 52, Oncologia Médica, com 50, Radiologia, com 47, Cardiologia, com 44, e Medicina de Urgência e Emergência, com 42.

Instituições públicas e privadas integram o mapa

No extremo oposto, Cardiologia Pediátrica e Medicina Desportiva têm uma vaga cada. A Cirurgia Torácica disponibiliza duas e a Cirurgia Cardíaca três.

As vagas estão distribuídas por centenas de instituições públicas e privadas do continente e das regiões autónomas.

Entre as instituições abrangidas encontram-se os hospitais de Santa Maria e de São José, as unidades locais de saúde (ULS) de Lisboa Ocidental, Amadora/Sintra, Almada/Seixal e Loures/Odivelas, o Instituto Português de Oncologia de Lisboa e várias unidades hospitalares privadas.

No Norte, a oferta inclui as ULS São João, Santo António, Braga, Gaia/Espinho e Matosinhos, bem como o Instituto Português de Oncologia do Porto.

Na região Centro, estão contempladas, entre outras, as ULS Coimbra, Região de Aveiro, Região de Leiria e Viseu Dão-Lafões. Nos Açores, o mapa prevê vagas em Medicina Geral e Familiar, Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Pediatria e Psiquiatria, entre outras áreas.

Na Madeira, o Hospital Nélio Mendonça recebe lugares em diversas especialidades. A formação em Medicina Geral e Familiar abrange vários centros de saúde da região.

O mapa publicado pela ACSS integra o procedimento concursal de ingresso no Internato Médico 2026, definindo a distribuição dos lugares por área de especialização e instituição.

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Águas do Algarve desafia instituições a transformar chapéus de chuva em arte

18 October 2026 at 08:00

Um chapéu de chuva é o ponto de partida para as obras de arte do concurso “A Água e o Mar para Mim”, promovido pela Águas do Algarve. A quinta edição tem inscrições abertas até 30 de novembro de 2026 e dirige-se a instituições da região que acompanham crianças, jovens, pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros públicos de respostas sociais.

A iniciativa decorre em 2026/2027, sob o mote “A Obra conta uma história”, e desafia os participantes a trabalhar em conjunto, reutilizando materiais e tomando a água e o mar como inspiração. O lançamento foi assinalado a 1 de outubro, Dia Nacional da Água.

Reutilizar materiais e partilhar histórias de vida

Além da sensibilização ambiental, a organização pretende criar oportunidades de convívio, aprendizagem e participação, valorizando as capacidades e as experiências de vida dos participantes. “Mais do que criar obras de arte, pretende-se criar oportunidades”, lê-se na nota de imprensa enviada ao POSTAL.

A proposta procura envolver pessoas que nem sempre encontram espaços para dar a conhecer os seus conhecimentos, memórias e formas de olhar para o mundo.

A preservação dos recursos hídricos, a biodiversidade marinha, a poluição dos oceanos e as alterações climáticas estão entre os temas sugeridos. As memórias associadas à água e a relação pessoal com o mar também podem orientar os trabalhos.

As obras integrarão posteriormente exposições itinerantes em vários municípios algarvios, permitindo apresentar as criações fora das instituições e dar visibilidade aos seus autores. O cartaz anuncia ainda o registo em filme da história das instituições participantes.

Edição anterior reuniu 55 projetos

Segundo a Águas do Algarve, a quarta edição, realizada em 2025/2026, registou 44 candidaturas e 55 projetos, o maior número de sempre.

A cerimónia de entrega de prémios, na Fundação Pedro Ruivo, em Faro, reuniu cerca de 300 participantes de vários municípios da região.

O projeto recebeu também, em 2025, o primeiro prémio na categoria de Responsabilidade Social e Ambiental dos Prémios Essência do Ambiente.

A empresa enquadra o concurso na sua estratégia de educação ambiental e responsabilidade social, procurando aproximar a proteção da água de públicos nem sempre abrangidos pelas iniciativas tradicionais.

Regulamento disponível para as instituições interessadas

As condições de participação, os procedimentos e os prazos podem ser consultados no regulamento disponibilizado em www.aguasdoalgarve.pt. Os pedidos de informação devem ser dirigidos à Área de Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, através do endereço comunicacao.ada@adp.pt.

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Arménio Aleluia: a grandeza de não esquecer | Editorial de Henrique Dias Freire

18 October 2026 at 07:30

Uma roda de ferro, feita por um ferreiro para um menino brincar, pode parecer um episódio pequeno. Nas palavras de Arménio Aleluia Martins, torna-se memória de uma pessoa, de um ofício e de uma terra. O menino era ele; o ferreiro, José Martins.

Talvez esteja aqui uma das qualidades mais bonitas do seu percurso: reconhecer grandeza onde outros poderiam ver apenas uma história sem importância. Aos 86 anos, o jornalista e escritor publica Cidadãos que Conheci em Paderne, o seu 13.º livro. Reúne 63 biografias, cruzando recordações com fotografias, documentos e testemunhos. Mas faz mais do que guardar o passado: devolve presença às pessoas que ajudaram a construir a comunidade.

A entrevista publicada nesta edição mostra um homem para quem o afeto não dispensa o rigor. A gratidão, explica, não autoriza a acrescentar qualidades ou acontecimentos. É uma lição de jornalismo e também de respeito: homenagear alguém exige conhecer a sua vida, não inventar-lhe uma grandeza conveniente.

Esse compromisso atravessa um percurso que merece reconhecimento. Dirigiu A Avezinha, Hora de Albufeira e Diário do Algarve, trabalhou na rádio e nas agências noticiosas e fundou a Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha. Ao jornalismo juntou o associativismo, o teatro, a música e o desporto. Não se limitou a contar a vida da sua terra: participou nela.

Ao recordar Maria da Conceição Elói e Maria Feliciana Marim Marques, entre as fundadoras de A Avezinha, dá também lugar às mulheres que escreveram e fizeram a história local.

Paderne pode orgulhar-se deste trabalho. E o Algarve deve reconhecer ne-le uma forma de serviço público: preservar aquilo que nenhuma estatística consegue substituir, a experiência concreta das pessoas. Uma região também se conhece pela atenção que dedica a quem a construiu, longe da notoriedade.

Esta homenagem não pretende encerrar um percurso. Pretende agradecer uma presença e acompanhar o trabalho que continua. Quem dedicou tantas páginas aos outros merece encontrar, nestas páginas, o reconhecimento da comunidade.

A roda do ferreiro sobreviveu na memória do menino. Arménio transforma agora essa memória numa herança partilhada.

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“Criou uma união muito gira entre nós”: Cristina e Alexandre transformaram uma casa em Olhão num alojamento onde até se sentam à mesa com os hóspedes

17 October 2026 at 18:10

No final do verão de 2019, quando os irmãos Cristina e Alexandre Palma inauguraram a Casa Grande, no centro histórico de Olhão, não imaginavam o desafio que teriam pela frente menos de um ano depois: a pandemia. Para Alexandre, “foi como se a época baixa tivesse durado vários anos”.

O projeto que nas palavras de Cristina “começou devagarinho, só com dois quartos”, teve de ficar em suspenso no início de 2020 e a palavra “desistir” até chegou a estar em mente, mas nunca passou à realidade. Mais de seis anos depois, e a partir do escritório que montaram na Casa Grande para tratar das burocracias do alojamento, Cristina e Alexandre contam ao POSTAL que o negócio está a ser um “sucesso”.

Quarto da Casa Grande | DR

Ambos conciliam a gestão da Casa Grande com outros desafios profissionais

A alegria dos dois irmãos estende-se também à mãe. “Ela tinha gosto que houvesse um negócio familiar”, partilha Cristina. Foi pela mãe que se aventuraram no projeto e hoje continuam, mais pelas ligações familiares que fortaleceram do que pelo rendimento extra que recebem no final do mês. “Um dos pontos positivos acho que foi mesmo nós enquanto família termos que lidar ainda mais uns com os outros”, revela Cristina, acrescentando ainda que o projeto “criou uma união muito gira entre nós que é muito bonita de se ver”.

Tanto um, como o outro, conciliam a atividade na Casa Grande com outros empregos nas suas áreas de formação. Enquanto Cristina está ligada às artes, Alexandre dedica-se às tecnologias. Também no alojamento cada um tem as suas tarefas. Alexandre prefere as limpezas. Cristina, por sua vez, foca-se no atendimento. Ainda assim, há sempre espaço para assumirem outras funções. “Apesar de termos áreas designadas que se foram estabelecendo mais ou menos naturalmente, nós acabamos sempre por trocar de papéis”,  assumem.

Quarto de banho da Casa Grande | DR

Mãe de Cristina e Alexandre participa ativamente no negócio

Na retaguarda está sempre a mãe, que segundo os dois filhos, “gosta genuinamente das pessoas, dá imensa ajuda, é muito ativa e é aquela pessoa que está sempre a querer saber se os hóspedes estão bem”. Também a presença da mãe no projeto tem um valor maior para Alexandre do que a ajuda direta que dá na Casa Grande. “Isto veio estreitar os laços familiares de sangue que nós já tínhamos, inclusive com a nossa mãe, que já tem uma certa idade e isto permite-nos estar com ela quase todos os dias”, destaca.

Quando questionados sobre planos para o futuro da Casa Grande, os proprietários adiantaram que as “fichas” estão apontadas para o terraço, um dos cartões de visita do espaço que é muito elogiado pelos hóspedes. “Dali consegue-se ver a parte antiga de Olhão com as várias açoteias, vê-se um pouco do mar, a ilha do Farol e a igreja”, salienta Alexandre. 

Terraço da Casa Grande | DR

Há uma vontade grande de verem os hóspedes felizes

Para além das melhorias no terraço, os irmãos olhanenses prometem no futuro continuar a acolher todos os hóspedes com o mesmo cuidado com que receberam a primeira família no final do verão de 2019. “Foi uma colega nossa que tinha um alojamento na Costa Vicentina e que veio com dois filhos”, recorda Cristina. “Na altura nós só tínhamos duas camas naquele quarto e nós fomos a correr comprar uma cama pequena, porque pensámos, a primeira cliente tem de ser super acarinhada e bem tratada”, conclui.

O que é certo é que, à medida que o tempo passa, com mais ou menos dificuldades, Cristina e Alexandre vão continuar sempre a lutar para que o fator humano na Casa Grande seja mais valioso do que o económico. Vão continuar a acompanhar as pessoas mesmo antes de fazerem o check-in e até a sentar-se à mesa com os hóspedes, se possível também na companhia da mãe. No fim, serão as memórias como a que Cristina guarda do dia em que entrou “de mão dada com a avó pela porta lateral do Mercado do Peixe de Olhão” que vão escrever a verdadeira história da Casa Grande, a história de uma família feliz, que procura fazer outras famílias igualmente felizes.

Leia também: Escreve-se “Fuseta” ou “Fuzeta”? Saiba qual é a designação administrativa oficial

Entrevista a Arménio Aleluia Martins: “a história de Paderne escrita nas vidas dos seus cidadãos”

17 October 2026 at 16:00

Preservar a memória de quem ajudou a construir Paderne é o propósito de Cidadãos que Conheci em Paderne, o 13.º livro de Arménio Aleluia Martins. Publicada pela Arandis Editora, a obra reúne 63 biografias de pessoas que o jornalista e escritor conheceu, cruzando recordações pessoais com fotografias e testemunhos de familiares e amigos. Das oficinas às associações, da poesia à imprensa, estes percursos ajudam a compreender a história da freguesia e a transmiti-la às novas gerações.

Das recordações pessoais à memória coletiva

Em Cidadãos que Conheci em Paderne, reúne 63 biografias de pessoas com quem conviveu. O que tornou necessário transformar essas relações pessoais numa memória partilhada da terra?

Foi a vontade de preservar a memória de pessoas que deram muito a Paderne, cada uma à sua maneira. Conheci-as, convivi com elas e guardei episódios que não dizem respeito apenas à minha vida. Através dessas pessoas, também podemos conhecer melhor a terra: o trabalho, as atividades culturais, as associações, as relações familiares e os gestos de solidariedade.

Quando comecei a escrever estas crónicas, estava longe de imaginar que um dia formariam um livro. O trabalho foi aproximando recordações e testemunhos, permitindo reunir histórias que fazem parte da identidade da nossa freguesia. Como escrevi na nota de abertura, foi, acima de tudo, um exercício de gratidão.

Também reconheço que ficaram pessoas por biografar. O tempo não permitiu registar todas as vidas que mereciam estar nestas páginas. Por isso, não apresento este livro como uma história completa de Paderne. É um contributo para que algumas dessas vidas continuem a ser conhecidas e para que outras possam ainda ser contadas.

“Escrever este livro foi, acima de tudo, um exercício de gratidão.”

Arménio Aleluia Martins. Fotos DR

Define este livro como um “exercício de gratidão”. Como conciliou o afeto pelos biografados com o rigor do jornalista, sobretudo ao cruzar as suas recordações com os testemunhos das famílias?

O afeto é uma razão para escrever, mas não deve substituir a informação. Conhecer uma pessoa permite recordar um gesto ou uma conversa; não significa conhecer todos os momentos da sua vida. Neste trabalho, a minha memória juntou-se à colaboração dos familiares e amigos dos biografados.

Essas pessoas facultaram-me informações, documentos e fotografias que foram fundamentais para construir os retratos. Não são apenas elementos que acompanham o texto: ajudam a situar as pessoas nas suas famílias, nas suas atividades e na comunidade. A disponibilidade e a confiança de quem colaborou deram uma dimensão mais ampla às recordações que eu tinha guardado.

Entendo a gratidão como o reconhecimento do que alguém fez, e não como uma licença para lhe acrescentar qualidades ou acontecimentos. O respeito por estas pessoas pede que a homenagem permaneça ligada às suas vidas concretas. Foi esse património humano que procurei preservar, com a ajuda de quem também o conheceu.

O valor dos gestos e das vozes menos ouvidas

No retrato do ferreiro José Martins, recorda uma roda que ele lhe fez para brincar. O que torna alguém digno de figurar na história de uma terra, para além dos cargos ou da notoriedade?

A marca que deixa na vida dos outros. No caso de José Martins, guardo a recordação de um homem que, na sua oficina, transformou um pedaço de ferro numa roda com a qual percorri as ruas da aldeia. É um episódio simples, mas permite recordar uma pessoa através das suas mãos, do seu ofício e da relação que estabeleceu comigo.

Um cargo pode ajudar a compreender um percurso, mas não o resume. Uma terra também se constrói com o trabalho de quem mantém uma oficina, ensina, toca numa banda, escreve versos ou participa numa associação. É importante olhar para essas contribuições sem medir todas as vidas pela mesma forma de reconhecimento.

No retrato de José Martins, acompanho também a família e o percurso das filhas, ligadas ao ensino, à poesia, à economia, ao teatro e à solidariedade. Essa continuidade ajuda a perceber que uma biografia não termina na atividade profissional de uma pessoa: prolonga-se nas relações que criou e na vida da comunidade.

Conta que Amélia da Silva Júdice rasgava os próprios poemas por receio de não serem aceites. Que dificuldades encontrou ao recuperar o contributo das mulheres para a vida cultural de Paderne?

A história de Amélia mostra logo uma dificuldade: uma parte da criação não chegou a conservar-se. Os poemas que rasgou deixaram de poder ser lidos. Ficou, porém, o testemunho desse receio e ficou a obra que mais tarde partilhou. Depois da morte do marido, começou a escrever com maior frequência e a publicar em A Avezinha. Os filhos promoveram depois, no Brasil, a edição dos seus livros.

É importante não confundir a falta de oportunidade ou de reconhecimento com a ausência de talento. No livro, refiro as limitações que Amélia encontrou no acesso aos estudos. Outro percurso é o de Albertina Coelho Rodrigues, que não frequentou a escola e cuja poesia guardada na memória encontrou ajuda para chegar à escrita. São experiências diferentes, mas ambas mostram quanto dependia de alguém escutar, incentivar e conservar.

Quero, neste contexto, dar especial relevo a Maria da Conceição Elói. Apesar de não ter prosseguido os estudos depois da escola primária, continuou a aprender através da leitura dos clássicos e do contacto com pessoas que lhe proporcionaram conhecimentos de francês e de piano. Ao longo de cerca de setenta anos, escreveu poesia, contos, novelas e crónicas jornalísticas. A sua atividade literária esteve também ligada à vontade de ajudar os mais desfavorecidos, preocupação que esteve na origem do jornal manuscrito A Avezinha, em 1921.

Quero igualmente destacar Maria Feliciana Marim Marques, uma das quatro fundadoras do jornal, que assinava com o pseudónimo “Violeta”, enquanto Maria da Conceição Elói usava “Madressilva”. Recordá-las é reconhecer que as mulheres não foram apenas tema das páginas da imprensa local: estiveram também na sua origem, tomando a iniciativa de escrever e de comunicar com a comunidade.

Ao recuperar estas vidas, interessa-me que as mulheres sejam conhecidas pelo que criaram e fizeram, e não apenas pelas suas relações familiares. O que sobreviveu merece ser lido; o que se perdeu deve lembrar-nos a importância de dar atenção às vozes que ainda podemos ouvir.

“Cada conversa foi uma descoberta; cada memória partilhada, uma peça indispensável
do património humano de Paderne.”

Trabalho, mudança e imprensa regional

A história de José Cordeiro Bispo e da sua família passa da cerâmica ao turismo. Como ajudam estes percursos a compreender as mudanças de Paderne e do Algarve para além da imagem de destino de férias?

Ajudam a perceber que, por detrás de uma transformação económica, existem pessoas, decisões, trabalho e relações familiares. José Cordeiro Bispo chegou a Paderne em 1960, com António Simões Vicente, para negociar uma pequena fábrica de tijolos e telhas em Mem Moniz. A atividade começou em arrendamento e passou depois à propriedade. Naquele espaço, onde tinham existido um lagar e uma moagem, desenvolveu-se o trabalho da cerâmica.

O seu percurso estendeu-se a outros investimentos, e a família deu continuidade aos projetos turísticos em Albufeira. Essa continuidade é importante: não se trata apenas da história de um empresário, mas de um caminho prosseguido por diferentes gerações.

Quando acompanhamos estas vidas, encontramos um Algarve de agricultores, oficinas, fábricas, comércio e associações, e percebemos como essas atividades se relacionaram com o turismo. A região não pode ser compreendida apenas através daquilo que oferece a quem a visita. É também o lugar onde as pessoas trabalham, constituem família e constroem o seu futuro. As biografias permitem dar nomes e percursos a essa história.

A imprensa regional e a memória das suas fundadoras

Recorda a oferta de décadas de exemplares de A Avezinha por uma assinante. Que parte da história de Paderne e do Algarve ficaria por contar sem o trabalho da imprensa regional?

Ficaria muito mais difícil conhecer a vida quotidiana das comunidades. A imprensa regional dá espaço a pessoas, iniciativas e acontecimentos que, muitas vezes, não encontram lugar noutros jornais. E aquilo que parece pequeno quando é publicado pode tornar-se indispensável para compreender uma época.

A oferta foi feita por D. Paula Trindade Anacleto, uma assinante dedicada de A Avezinha, quando o jornal regressou à publicação. Entregou-me exemplares desde a fundação até 19 de dezembro de 1949. No livro, recordo essa documentação, guardada na Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha e integrada no Arquivo Municipal de Albufeira. Foi um gesto de preservação com valor para toda a comunidade.

Preservar o jornal é também preservar a memória de quem lhe deu vida. Por isso, faço questão de lembrar Maria da Conceição Elói e Maria Feliciana Marim Marques entre as suas fundadoras. Quando A Avezinha retomou a publicação, em maio de 1977, Maria da Conceição Elói assumiu a direção. Havia nessa continuidade uma ligação entre a origem do jornal e a vontade de o devolver aos leitores de Paderne.

A ligação à poetisa teve ainda outra expressão importante: depois da sua morte, A Avezinha promoveu a publicação dos seus versos em livro, concretizando um desejo que ela não realizara em vida. Com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, Ecos da Minha Voz saiu em janeiro de 1983, com o título que a própria autora escolhera. É um exemplo concreto de como um jornal pode ajudar a preservar e a divulgar a criação literária de uma comunidade.

O próprio livro mostra também o papel do jornal na divulgação da poesia de Amélia da Silva Júdice e de Maria de Lurdes, filha do ferreiro José Martins. A imprensa não guardou apenas notícias: ajudou a tornar visível uma criação que podia ter permanecido nas gavetas. É essa ligação entre informação, cultura e proximidade que considero tão importante conservar.

“Porque uma terra vive das suas paisagens, mas perdura sobretudo pela memória
das suas gentes.”

Uma herança para continuar

Escreve que uma terra perdura pela memória das suas gentes. O que gostaria que um jovem de Paderne fizesse com este livro, para que ele não se limitasse a guardar o passado?

Gostaria que o usasse como ponto de partida para fazer perguntas. Que procurasse saber quem foram as pessoas cujos nomes encontra nas ruas, nas associações ou nas conversas da família. Que olhasse para uma fotografia antiga e tivesse vontade de identificar os rostos, o lugar e a ocasião.

Não lhe pediria que vivesse voltado para trás, nem que repetisse o caminho destas pessoas. Cada geração tem a sua vida para construir. Mas conhecer o que outros fizeram pode ajudar a perceber melhor aquilo que recebemos e a responsabilidade de lhe dar continuidade.

Há também histórias que não couberam neste livro. Um jovem pode encontrar, na sua própria família ou entre os vizinhos, testemunhos que acrescentem outras páginas à memória de Paderne. Gostaria que a leitura despertasse essa curiosidade e esse cuidado.

Se este trabalho levar alguém a ouvir uma pessoa mais velha, a conservar um documento ou a contar uma história que ainda não foi registada, já estará a fazer mais do que guardar o passado. Estará a preparar aquilo que as gerações seguintes poderão conhecer de nós.

Arménio Aleluia Martins: uma vida entre a imprensa, a cultura e Paderne

O jornalismo, a música, o teatro, o desporto e o associativismo cruzam-se no percurso de Arménio Aleluia Martins. Aos 86 anos, o escritor padernense publica Cidadãos que Conheci em Paderne, o seu 13.º livro, dando continuidade a uma atividade em que a informação, a criação cultural e a memória da comunidade ocupam lugares centrais.

A sua formação passou pelos cursos de Guia-Intérprete, pelo SNI, e de Direito do Trabalho, pelo ITE, a que se juntou o curso de Jornalismo e Gestão do Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. Em França, estagiou no diário Le Progrès, em Lyon, antes de regressar a Portugal e desenvolver uma carreira ligada a jornais, rádios e agências noticiosas.

Dos jornais à rádio

Arménio Aleluia Martins dirigiu os jornais regionais A Avezinha, Hora de Albufeira e Diário do Algarve. Na rádio, foi diretor de informação da Rádio Albufeira e da Rádio Barrocal e colaborou com a RDP.

Foi também correspondente do Diário de Notícias e delegado no Algarve da agência noticiosa ANOP e do jornal O País. A estas funções somam-se colaborações com outros jornais e estações de rádio, regionais e nacionais. A ligação à preservação documental tem expressão na Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha, em Paderne, de que é fundador. O novo livro prolonga esse interesse pela memória: reúne biografias acompanhadas de fotografias, num trabalho que contou com informações e documentos facultados pelas famílias.

Uma presença nas associações e na vida cultural

No movimento associativo, presidiu à Associação de Imprensa Regionalista do Algarve, ao Clube de Golfe da Comunicação Social, ao Padernense Clube, à Sociedade Musical e Recreio Popular de Paderne e ao Imortal Basket Club.

A nota biográfica fornecida ao POSTAL identifica-o ainda como presidente da direção do Grupo de Amigos de Paderne e das assembleias da Casa do Povo de Paderne, da Casa do Benfica em Albufeira e da Associação Prime Skills, além de dirigente da Associação de Pesquisa e Estudo da Oralidade.

A participação cultural não se limitou às funções diretivas. Foi ator e diretor de grupos de teatro, músico na banda da Sociedade Musical de Paderne e monitor de cursos de teatro e jornalismo. É autor e coordenador editorial de livros e revistas, tendo também proferido palestras e apresentado trabalhos em congressos.

Reconhecimento pelo trabalho desenvolvido

Entre as distinções recebidas encontram-se a Medalha de Honra Municipal de Grau Ouro, atribuída pela Câmara Municipal de Albufeira, e o Louvor de Mérito Jornalístico da Comunicação Social Regional e Local, atribuído pelo Secretário de Estado do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

Foi igualmente homenageado pelo Governo Civil de Faro e distinguido como Profissional do Ano pelo Rotary Club de Albufeira.

Com Cidadãos que Conheci em Paderne, publicado pela Arandis Editora, com prefácio de Nuno Campos Inácio e apoio da Junta de Freguesia de Paderne, volta a centrar a escrita nas pessoas da sua terra. As 63 biografias recuperam percursos que conheceu e acompanhou, acrescentando ao registo dos nomes as atividades, as relações e as histórias que os ligaram à comunidade.

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Cana e casca de ostra do Algarve dão origem a novos produtos

17 October 2026 at 11:00

Produtos desenvolvidos com cana, casca de ostra, barro e taipa do Algarve vão ser apresentados a 22 de outubro, no auditório da CCDR Algarve, em Faro, numa sessão dedicada ao seu potencial de aplicação na arquitetura, no design e na construção sustentável.

O encontro “Matéria Adentro: Novos caminhos para os materiais do território” decorrerá entre as 14:30 e as 18:00. Promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), a iniciativa inclui a apresentação dos resultados de residências criativas, uma exposição de peças e um debate sobre as condições necessárias para levar estas soluções ao mercado.

Experimentação junta artesãos, empresas e investigadores

De acordo com a nota enviada ao POSTAL, o trabalho reuniu unidades produtivas, designers, arquitetos e investigadores, que exploraram novas utilizações para os quatro materiais através da criação conjunta e da experimentação.

O projeto combina o levantamento de recursos e agentes locais com residências criativas que envolvem também artesãos e empresas. A proposta associa saberes e técnicas tradicionais à inovação, integrando princípios de economia circular e de utilização responsável dos recursos.

Inspirado nos valores da Dieta Mediterrânica, o programa procura valorizar económica e culturalmente os materiais da região, contribuir para a diversificação da economia algarvia e dar continuidade às atividades artesanais.

Viabilidade comercial e contratação pública em debate

A receção dos participantes está marcada para as 14:15, seguindo-se a abertura institucional às 14:30. A partir das 15:00, as equipas apresentarão os projetos, explicando o processo de desenvolvimento, os desafios encontrados e as possibilidades de aplicação dos produtos.

Às 16:15, uma pausa interativa permitirá conhecer as peças em exposição e conversar com os profissionais envolvidos.

A mesa-redonda “Caminhos Práticos para os Materiais do Território”, às 17:00, centrará a discussão na passagem da experimentação para o mercado.

Entre os temas previstos estão a viabilidade comercial dos produtos, a integração de materiais regionais na contratação pública, a valorização de resíduos como matéria-prima e as oportunidades na arquitetura sustentável. O momento de encerramento está agendado para as 17:45.

A sessão é aberta a todos os interessados, mediante inscrição até 19 de outubro, através do formulário disponibilizado pela organização. A participação é gratuita e a lotação máxima é de 90 lugares.

A iniciativa integra o “Programa de Desenvolvimento de Novos Produtos baseados em Materiais Endógenos Inspirados na Dieta Mediterrânica”, promovido pela Unidade de Desenvolvimento e Planeamento Regional da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.

O programa enquadra-se no INOVA ALGARVE 3.0 – Promoção da Qualificação e Inovação na Região do Algarve, é dinamizado pela Proactivetur e cofinanciado pelo Programa Regional Algarve 2030.

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Aeroporto de Faro movimenta 7,6 milhões de passageiros até agosto

17 October 2026 at 10:10

O aeroporto de Faro registou 7,6 milhões de passageiros entre janeiro e agosto de 2026, num período em que os aeroportos nacionais somaram 51,01 milhões, mais 2,4% do que nos primeiros oito meses de 2025.

De acordo com os dados divulgados em 14 de outubro pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pela Lusa, Lisboa concentrou 47,7% do movimento nacional, com 24,3 milhões de passageiros. O aeroporto do Porto contabilizou 12,1 milhões.

Neste período, o Reino Unido “manteve-se o principal país de origem e de destino dos voos co passageiros”, refere o INE. Seguiram-se Espanha, França, Alemanha e Itália.

Agosto soma 7,9 milhões de passageiros

Considerando apenas agosto, os aeroportos portugueses movimentaram 7,9 milhões de passageiros, um crescimento de 2% face ao mesmo mês de 2025. Desembarcaram, em média, 124,9 mil passageiros por dia, mais 2,1% do que um ano antes.

O mês registou também 26,7 mil aterragens de aeronaves em voos comerciais, correspondentes a uma subida homóloga de 1,4%, após o aumento de 1,3% observado em julho.

Tráfego internacional representa mais de 80% das chegadas e partidas

Os voos internacionais representaram 81,4% dos passageiros desembarcados em agosto, num total de 3,2 milhões, mais 3,1% do que no período homólogo.

A Europa foi a principal origem, com 66,4% do total de passageiros desembarcados, seguida do continente americano, com 9,8%. Nas partidas, o tráfego internacional correspondeu a 82,3% dos passageiros embarcados, o equivalente a 3,3 milhões, registando um crescimento de 3%. Os destinos europeus representaram 68,1% do total de embarques e o continente americano 9,6%.

Carga e correio crescem 7,2% em agosto

O movimento de carga e correio atingiu 22 mil toneladas em agosto, aumentando 7,2% face ao mesmo mês de 2025. A subida acelerou em relação aos 4,4% registados em julho.

No acumulado dos primeiros oito meses, o movimento de carga cresceu 1,7%. O aeroporto de Lis-

boa concentrou 77,3% do total e apresentou um aumento homólogo de 0,8%, enquanto os restantes aeroportos registaram, em conjunto, uma subida de 5,2%.

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Via do Infante recorre à arbitragem por diferendo de 700 mil euros em juros

17 October 2026 at 09:00

A concessionária da Via do Infante avançou com uma ação arbitral para resolver um diferendo sobre juros avaliados em cerca de 700 mil euros, segundo o relatório da proposta do Orçamento do Estado para 2027, apresentada na quinta-feira, dia 8 de outubro.

Em causa está, segundo o documento, o “cálculo dos juros devidos pelo atraso no pagamento da partilha de benefícios referentes aos anos de 2015 a 2022”.

No Algarve, o relatório regista ainda um pagamento provisório de 15,2 milhões de euros no âmbito do processo da Rotas do Algarve Litoral. Este foi um dos pagamentos que atenuaram o aumento global dos riscos e contingências.

Pedidos nas concessões rodoviárias atingem 2.388 milhões

No conjunto das parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias, os pedidos de reposição do equilíbrio financeiro e os montantes reclamados nos litígios em curso ascendem a 2.388,2 milhões de euros. São mais cerca de 1.140 milhões do que no relatório do orçamento anterior.

A principal contribuição para esta subida vem da Brisa, que quantificou parte dos pedidos e matérias em negociação em aproximadamente 1.122,5 milhões de euros. Também aumentou o valor reclamado pela concessionária do Douro Litoral, de cerca de 124 milhões para 137,2 milhões de euros, num processo relacionado com os efeitos da pandemia. Na concessão Oeste, o montante passou de 89,9 milhões para 127,5 milhões de euros.

O litígio assenta nos alegados impactos negativos da introdução de portagens nas concessões Costa de Prata e Beira Litoral/Beira Alta. No setor ferroviário, os litígios totalizam 199,6 milhões de euros. Nas PPP da saúde, as contingências somam 68,5 milhões, menos 33,2 milhões do que no orçamento anterior.

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PSD Algarve pede legislação de exceção para desbloquear obras da EN125

17 October 2026 at 08:00

A Assembleia Distrital do PSD/Algarve aprovou por unanimidade uma moção do antigo deputado e diplomata da União Europeia José Mendes Bota que pede ao Governo uma solução legislativa de exceção para desbloquear obras da EN125, retirando da subconcessão intervenções cuja realização seja justificada por razões de segurança e interesse público.

O documento, aprovado em Faro a 12 de outubro e enviado ao POSTAL, considera “insustentável” o impasse jurídico que, segundo os subscritores, impede há mais de oito anos o avanço de obras de construção e requalificação. A proposta aponta a Variante de Olhão como exemplo de uma intervenção que foi retirada do contrato e executada sob responsabilidade direta da Infraestruturas de Portugal (IP).

Troço entre Olhão e Vila Real de Santo António no centro das críticas

A moção descreve um Algarve dividido entre duas realidades: os troços requalificados, sobretudo no Barlavento, e o segmento entre Olhão e Vila Real de Santo António, que classifica como “abandonado”.

Os sociais-democratas associam o bloqueio das intervenções a prejuízos para a região e para a população. O quadro anexo ao documento inclui, entre as vias não construídas ou requalificadas, as variantes de Luz de Tavira e de Odiáxere, além de intervenções nas ligações de São Brás de Alportel e de Faro à A22. Para ultrapassar o impasse, a Assembleia Distrital insta o Governo a escolher obras que possam ser retiradas do contrato “por via legislativa de exceção”, invocando “imperiosas razões de segurança e de superior interesse público”.

Variante de Olhão apontada como precedente

A solução defendida inspira-se no acordo que, segundo a moção, a IP e a Rotas do Algarve Litoral (RAL) celebraram em 10 de outubro de 2023 para retirar a Variante de Olhão do âmbito da subconcessão. A intervenção passou a ser tratada como obra pública direta, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sob responsabilidade da IP. O documento refere que a variante foi executada e inaugurada a 12 de maio de 2026.

Sete anos de arbitragem e um pedido de 445 milhões de euros

No centro da contestação está o processo arbitral iniciado pela RAL contra a IP em 4 de setembro de 2019. Segundo a cronologia apresentada, a subconcessionária alegou incumprimento da empresa pública e inviabilidade do modelo, reclamando uma indemnização global de 445 milhões de euros.

A moção ressalva que o valor efetivo depende integralmente da decisão final do Tribunal Arbitral, que, à data da aprovação do documento, continuava por proferir. Os 445 milhões correspondem, portanto, ao montante reclamado, não a uma indemnização fixada.

A Assembleia Distrital considera “inadmissível” que tenham decorrido sete anos sem uma decisão definitiva, quando, segundo sustenta, o contrato de subconcessão estipula um prazo de seis meses. Critica ainda o ritmo do processo e considera que este contraria o objetivo de maior rapidez associado à arbitragem.

Entretanto, o documento refere que decisões parciais e providências cautelares determinaram pagamentos da IP, incluindo cerca de 30 milhões de euros, já liquidados, por trabalhos que a RAL alegou ter executado. Acrescenta que a empresa pública paga mensalmente 1,2 milhões de euros para custos de operação e manutenção.

Contrato de 2009, renegociação e recusa do Tribunal de Contas

A moção recua a 20 de abril de 2009, data da assinatura do contrato original, que abrangia 244 quilómetros de traçados existentes e 29,5 quilómetros de novas vias. O conjunto de intervenções incluía novas variantes, reabilitação de pavimentos, 75 rotundas, 29 nós de ligação e 193 passagens hidráulicas e pontes. Segundo o documento, os compromissos assumidos pelo Governo de José Sócrates no Memorando de Entendimento com a Troika, assinado em 17 de maio de 2011, levaram à renegociação do contrato para reduzir os encargos públicos.

Um acordo preliminar de modificação, de agosto de 2015, antecedeu a assinatura do contrato alterado, em 23 de outubro de 2017. Este previa manter na subconcessão a rede já intervencionada e transferir para a gestão direta da IP as obras ainda por executar.

O Tribunal de Contas recusou o visto ao contrato alterado em 20 de junho de 2018, através do Acórdão n.º 29/2018. Na descrição apresentada pela moção, a recusa esteve relacionada com compensações financeiras consideradas ilegais, que teriam sido ocultadas ao tribunal em 2010. O texto sustenta que o contrato alterado não entrou em vigor e que a rede prevista no acordo inicial permaneceu sob responsabilidade da RAL.

Ação dos bancos suscita crítica a “Estado contra Estado”

O documento refere também uma ação indemnizatória apresentada no final de julho de 2019 pelo consórcio bancário composto por BPI, Caixa Geral de Depósitos, Santander e SG, contra a IP, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada. Os bancos reclamaram 43 milhões de euros, alegando o cancelamento indevido das garantias bancárias das operações de financiamento da subconcessão, na sequência da recusa do Tribunal de Contas. Trata-se de uma ação distinta do processo arbitral movido pela RAL.

A Assembleia Distrital estranha a participação da Caixa Geral de Depósitos numa ação contra outra empresa de capitais públicos, descrevendo-a como uma situação de “Estado contra Estado”, com cada instituição a defender os seus interesses. Na mensagem enviada ao POSTAL, José Mendes Bota classifica o bloqueio como uma “situação escandalosa” que prejudica o Algarve. “Há que agitar as águas, há que romper. Isto é inadmissível, acho eu…”, afirma.

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Tempus fugit (o tempo foge): As filhas do Bispo | Por Óscar Caeiro Pinto

17 October 2026 at 07:30

No Mosteiro Cisterciense de Nossa Senhora da Piedade de Tavira, vulgarmente conhecido por Mosteiro das Bernardas, existiu na igreja, junto à grade do coro, uma sepultura com a seguinte inscrição: «Aqui jaz D. Branca Coutinha e D. Maria da Silva, ambas irmãs, primeiras abadessas que foram deste convento. 1574.» Por cima da lápide encontrava-se o respetivo escudo de armas, esculpido em meio-relevo. D. Branca Coutinho da Silva foi a primeira abadessa do mosteiro, governando a comunidade entre 1527 e 1553. Sucedeu-lhe a sua irmã, D. Maria da Silva, que exerceu o cargo até 1574.

Pelo título deste artigo, o leitor já terá deduzido que estas religiosas, que tiveram o privilégio de integrar a primeira comunidade do convento, eram filhas de um bispo. Num manuscrito genealógico conservado na secção de Reservados da Biblioteca Nacional encontra-se a seguinte referência: «Dom Fernando Coutinho, filho de João da Silva o Velho e irmão do Regedor Aires da Silva, foi Bispo de Lamego e do Algarve (…) e tem filhas bastardas, dona Isabel, mulher de Rui Pereira (…), e outras que são freiras no mosteiro da Ordem de São Bernardo da cidade de Tavira (…) que ele fez.»

Manuscrito da Biblioteca Nacional que refere as filhas do Bispo. Crédito: Óscar Caeiro Pinto

D. Fernão Coutinho nasceu provavelmente em Montemor-o-Velho, onde o seu pai, João da Silva, senhor de Vagos, exercia o cargo de alcaide do castelo. Era descendente de importantes linhagens históricas, sendo filho de João da Silva e de D. Branca Coutinho.

Estudou em Coimbra e em Itália, onde se formou em Direito Canónico. Regressado a Portugal foi nomeado, em 1488, prior da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães. Ascendeu a Bispo de Lamego e integrou a embaixada portuguesa que negociou junto do Papa Alexandre VI os termos do Tratado de Tordesilhas. Cerca de 1501 trocou a Sé de Lamego pela de Silves, passando a residir no Algarve. Homem extremamente poderoso, acumulava a dignidade episcopal com o cargo de Regedor das Justiças da Casa da Suplicação nos reinados de D. João II e D. Manuel I. Contudo, a sua carreira sofreu um sério abalo em 1504, quando D. Manuel o obrigou a renunciar ao cargo, após um escândalo denunciado por Duarte de Morais, natural de Silves. Segundo o seu depoimento, o bispo teria ordenado aos seus escudeiros o rapto de uma jovem de Lagoa, prometida em casamento. À medida que as denúncias se multiplicaram, em 1524 foi apresentada ao rei D. João III uma extensa participação contendo quarenta e duas acusações contra este prelado. O documento traça um retrato devastador da sua atuação, entre outras coisas, consta que não respeitava as festas principais do ano, nem domingos e dias santos, não ouvia missa e, quando rezava, rezava mal. Usava as toalhas dos altares da Sé como toalhas de refeição dos seus criados e os bancos do templo eram utilizados para neles se cortar a carne. Havia dez anos que tinha levado da Sé os castiçais de prata que lá tinham sido deixados pelo falecido rei, assim como uma vestimenta e um cálice, pelo que a Sé deixou de os ter para dizer a missa. Nas endoenças organizava caçadas e nas festas principais mandava trabalhar os seus escravos e criados.

Placa toponímica em Tavira. Crédito: Óscar Caeiro Pinto

O documento refere que era mais mercador e negociante do que prelado, pois comprava cereais para dar a troco de fazendas e pelo mais alto preço, impedindo a entrada de navios carregados de víveres com um preço mais baixo, que eram deitados fora para não os dar de comer. Comprara muitas terras e fazendas por um preço mais baixo, por saber que os donos estavam com necessidades económicas, e depois não as pagava. Deu benefícios a troco de herdades, tornou-se proprietário de terras que pertenciam à Sé e recusava-se a pagar os dízimos das duas propriedades. Espancava os clérigos e tratava-os como se fossem seus escravos. Tinha em sua casa um homem casado com duas mulheres, ambas recebidas por palavras de presente e mandara matar e dar cutiladas no rosto a muitas pessoas. Deu abrigo a um mouro que recebeu na tomada de Azamor, o qual matou o sobrinho de um cónego. Relacionou-se com uma moça de Monchique e depois casou-a com um seu criado, que nomeou meirinho do bispado. Relacionou-se com quatro filhas de um João Vaz, de Aljezur, e teve um relacionamento com uma Inês Vaz, moradora no sítio dos Casais, em Monchique, com quem terá tido uma filha, e depois relacionou-se com a filha, sobrinhas e primas dessa mesma Inês Vaz. Contratou com Estêvão Correia a compra de uma grande quantidade de pedras de ara para as igrejas, tendo recebido em troca a filha do canteiro. Mandou um Bartolomeu Cortes difamar a filha de Heitor Soares, de Silves, tendo posteriormente dormido com a irmã do dito Bartolomeu, que tinha ficado órfã, desamparada e pobre. Mandou prender na cadeia de Lagos um chantre da Sé de Silves, por este ter dito que o Bispo dormia com uma escrava sua, obrigando-o a pagar duzentos cruzados de indemnização. Teve por manceba uma escrava moura, de quem teve quatro filhos, tendo alguns morrido sem batismo e mandou quatro ou cinco beneficiados da Sé irem armados à cadeia de Portimão libertar um preso que era seu servidor, depois de ferirem a mulher do carcereiro. Mandou demolir a casa de Simão Correia, pela inimizade que tinha com ele. Outra acusação grave é que era Bispo de Silves havia 22 ou 23 anos e apenas tinha celebrado uma missa no Algarve. D. Fernão Coutinho faleceu em Ferragudo a 16 de maio de 1538, sendo sepultado na capela-mor da Sé de Silves, junto do túmulo de D. João II.

A vida amorosa deste bispo daria facilmente matéria para um romance, uma série televisiva ou mesmo um filme. Figura simultaneamente poderosa e escandalosa, deixou uma marca profunda no Algarve quinhentista. Apesar da longa lista de acusações que o acompanharam em vida, foi também um importante patrocinador de instituições religiosas, entre as quais o Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade de Tavira, entregue às monjas cistercienses. Foi nesse mosteiro que duas das suas filhas, D. Branca Coutinho da Silva e D. Maria da Silva, encontraram lugar de destaque na história, tornando-se as primeiras abadessas da comunidade fundada sob a proteção do seu controverso pai.

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Entrevista a Cláudio Pereira: Tavira deu a Kelad uma canção de amor e gratidão – Ouça aqui a música

16 October 2026 at 11:50

Cláudio Pereira, conhecido artisticamente como Kelad, encontrou em Tavira a inspiração para uma canção de amor e gratidão. “Menina de Tavira”, com lançamento para esta sexta-feira, dia 16 de outubro, e acompanhada de um videoclipe, nasceu de uma paixão vivida durante os quase seis meses em que trabalhou e residiu na cidade. Aos 26 anos, o músico natural de Castro Daire cruza bossa nova, fado, pop e R&B e conta ao POSTAL o caminho das gravações caseiras ao estúdio, entre a vontade de criar uma identidade própria e os custos de fazer música.

A confiança recuperada nos palcos

Cresceu numa família ligada à música, mas a mudança de voz afastou-o do canto. O que o ajudou a recuperar a confiança para voltar a cantar?

Foram sobretudo os meus amigos e conhecidos que me incentivaram a voltar a cantar, a fazer covers e a participar em pequenos eventos da minha vila, como o festival da canção, as galas de Natal e as festas locais. Voltar a pisar palcos ajudou-me a recuperar a confiança. Ver os meus irmãos a fazer música também me deu vontade de me lançar aos leões. Não encaro isto como uma competição, gostava de alcançar o patamar da minha irmã, que já teve algumas músicas com bastante sucesso. Quem sabe, um dia, não façamos os três uma colaboração musical?

Gravou a voz do primeiro original dentro de um armário. Qual foi o maior desafio para passar dessas gravações caseiras a um trabalho em estúdio com vários músicos?

Penso que o maior desafio foi a nível monetário. Gravar em estúdio é caro porque é preciso pagar a captação, a mistura e a masterização. Quando envolve vários músicos e uma música ainda pouco trabalhada, as sessões podem demorar mais e os custos aumentam. Também senti alguma dificuldade em trabalhar com outros músicos por ter ideias muito fixas. Nem sempre estávamos em sintonia, o que tornou o processo de construção musical mais desafiante. Ainda assim, foi uma experiência importante para aprender a trabalhar em conjunto.

“Voltar a pisar palcos ajudou-me a recuperar a confiança”

Fotografia tirada durante a Gala do Gapafit, em 2023. Crédito: Manuel Oliveira Fotografia

Uma paixão que mudou o olhar sobre Tavira

Viveu e trabalhou quase seis meses em Tavira. Que momento desse período melhor explica a ligação que criou com a cidade?

Diria que foi quando comecei a desenvolver sentimentos pela Menina de Tavira e vivemos um romance que parecia saído de um conto de fadas. Estávamos felizes e tudo parecia perfeito. Quando ela regressou à sua cidade natal, comecei a sentir saudades, mas de uma forma boa, porque ficava feliz por ter vivido aqueles momentos. Ao mesmo tempo, muitos lugares de Tavira passaram a ter um significado especial para mim: as ruas por onde passeávamos, a ponte romana e até os pequenos pormenores da cidade ficaram associados a essas memórias. Foi assim que Tavira se tornou muito mais do que uma cidade bonita.

“A saudade existia, mas vinha acompanhada de gratidão”

“Menina de Tavira” nasceu de uma paixão real. Como transformou a saudade dessa pessoa na primeira canção assumidamente feliz do seu repertório?

Acho que surgiu de forma bastante natural. Há uma frase de que gosto muito e que resume bem o sentimento da música: “Como sou sortudo por ter algo que torna tão difícil dizer adeus.”

Antes de ir para Tavira, já tinha um rascunho, mas estava pouco desenvolvido e ainda não tinha nome. Quando cheguei à cidade e comecei a passear pelas ruas, ganhei inspiração e pensei: “Vou escrever uma música chamada ‘Menina de Tavira’.” Depois, acabei por conhecer a Menina de Tavira e o resto foi história.

Lembro-me de passar por um cartaz com o nome verdadeiro dela e pensar logo: “Fogo, ela está mesmo em todo o lado!” Quando cheguei a casa, peguei na guitarra e comecei a compor o resto da canção. Ao contrário das músicas anteriores, mais ligadas à dor e à confusão de relações que terminaram, esta nasceu da felicidade de ter vivido algo especial. A saudade existia, mas vinha acompanhada de gratidão.

Da bossa nova às imagens de uma cidade

Neste single, cruza bossa nova, fado, pop e R&B. Como encontrou, entre estas influências, o som que melhor conta esta história?

“Menina de Tavira” é inspirada em “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, mas quis dar-lhe uma identidade portuguesa. Inspirei-me também em artistas como António Zambujo, Miguel Araújo e Slow J, que mistura a guitarra portuguesa com sonoridades de hip-hop e R&B.

Queria criar algo romântico e melódico, com a bossa nova como ponto de partida, mas que soasse genuinamente português. A guitarra portuguesa ajudou a dar-lhe essa identidade e permitiu criar uma parte que se aproxima bastante do fado. O objetivo era juntar influências diferentes sem perder a essência da história que queria contar.

“O maior obstáculo será o dinheiro, porque produzir músicas e videoclipes de qualidade implica investir em estúdios e profissionais”

Imaginou o videoclipe como uma curta-metragem romântica. Que lugares de Tavira eram indispensáveis para contar essa história e porquê?

A ideia original era fazer uma curta-metragem. Gosto muito de cinema e sempre quis escrever e realizar o meu próprio filme. Escolhi os locais a dedo e pesquisei no terreno para filmar nos sítios mais bonitos de Tavira e, sempre que possível, em lugares por onde eu e a Menina de Tavira passámos.

Dois locais que queria usar não estavam disponíveis, mas encontrámos alternativas igualmente bonitas. Para mim, o mais importante era que os lugares tivessem significado: as ruas floridas lembravam-me os vestidos que ela usava; as casas piscatórias e os azulejos eram coisas de que ela gostava; e a ponte romana era onde passeávamos à noite. Quis ainda filmar num restaurante onde jantámos, porque aquele onde tivemos o primeiro encontro estava fechado. O videoclipe é também uma homenagem à cidade que marcou esta fase da minha vida.

Um álbum entre a ambição e os custos

Está a preparar um álbum. Que futuro deseja para Kelad e qual é hoje o maior obstáculo para o alcançar?

Estou a preparar um álbum que deverá chamar-se Unidos pelo Trauma, Separados pelo Amor, inspirado nas minhas experiências de vida e numa relação que vivi intensamente com alguém que partilhava vivências semelhantes às minhas. Apesar da ligação que criámos, a relação acabou por terminar porque percebemos que era o melhor para ambos.

Gostava de chegar a mais pessoas, criar uma identidade própria e construir um público que se identifique com as minhas músicas. Ao Kelad do futuro, desejo boa sorte, disciplina e motivação. Quero não ir abaixo se as músicas não tiverem o alcance esperado e investir mais no marketing, correndo atrás dos meus sonhos mesmo que tenha de sair da minha zona de conforto.

O maior obstáculo será o dinheiro, porque produzir músicas e videoclipes de qualidade implica investir em estúdios e profissionais. A falta de motivação e disciplina também são desafios que procuro trabalhar diariamente.

Cláudio Pereira (Kelad). Foto DR
Do armário de casa às ruas de Tavira: a viagem musical de Kelad

Um armário de casa foi a solução que Cláudio Pereira encontrou para gravar a voz do seu primeiro original e reduzir o eco. Sem grandes meios, contou com o amigo Daniel Tejo para a mistura e a masterização. “Quero Voltar”, lançado em 2021, marcou o início de um percurso que chega agora a “Menina de Tavira”, uma canção construída de raiz e gravada com vários músicos.

Natural de Castro Daire, Kelad tem 26 anos e cresceu numa família ligada à música: o pai foi DJ e os dois irmãos também cantam.

Na primeira comunhão, ouviu elogios à sua “voz de anjo”. Hoje, revê esse registo com humor e alguma distância em relação ao entusiasmo de quem o escutou. A mudança de voz afastou-o temporariamente do canto, mas não da música. Chegou a sonhar em ser DJ e tentou aprender piano, oferecido pelas tias, sem conseguir manter a disciplina.

O incentivo do melhor amigo, Bernardo Vicente, ajudou-o a regressar. Festivais escolares, festas de aldeia, galas de Natal e iniciativas solidárias deram-lhe oportunidades para voltar a cantar diante de um público.

Aprender entre canções e pausas

A vontade de escrever originais ganhou força durante a pandemia. Depois de “Quero Voltar”, entre o R&B e a pop, lançou “Quem Diria”, em 2022, cruzando hip-hop e pop numa história de amor não correspondido. No ano seguinte, “Saudade Interlúdio” levou-o pela primeira vez a um estúdio: gravou na Produsom, em Viseu, com a participação do saxofonista Sr. José.

Entretanto, concluiu a licenciatura em Turismo e Lazer e começou a trabalhar nessa área. A música perdeu algum espaço no quotidiano. Continuava a escrever, mas algumas ideias ficavam por terminar. “Preciso de sentir que tenho alguma coisa para dizer”, explica na nota biográfica enviada ao POSTAL.

Em 2024, comprou uma guitarra e começou a aprender sozinho. Surgiu então o primeiro esboço de “Menina de Tavira”, que ganhou forma durante a temporada em que trabalhou e viveu na cidade algarvia. Uma paixão ajudou a desbloquear a escrita: o tema desenvolveu-se em cerca de mês e meio.

Ao contrário das canções anteriores, marcadas por relações terminadas e sentimentos difíceis de compreender, esta guarda a felicidade de uma experiência vivida. Kelad descreve-a como a primeira canção assumidamente feliz do seu repertório.

Uma cidade transformada em música e imagens

“Menina de Tavira” foi gravada nos Satori Studios, em Viseu. O músico escreveu a letra, interpretou o tema e participou no arranjo musical. Aos instrumentais encontrados na Internet, que serviram de base aos três singles anteriores, sucedeu agora um arranjo instrumental original.

Bernardo Vicente colaborou na guitarra clássica; Pedro Bento, no baixo e nas guitarras clássica e elétrica; Francisco Henriques, na guitarra portuguesa; e Daniel Tejo e Pedro Bento, na bateria. Pedro Bento assegurou também a mistura e a masterização.

A realização do videoclipe ficou a cargo de Kelad, com Bernardo Vicente como correalizador e a colaboração do videógrafo Kurt. O músico imaginou um rapaz pobre e uma rapariga rica que percorrem Tavira, quase se encontram e acabam por se conhecer. Entre as referências cinematográficas que identifica estão “La La Land” e “Before Sunrise”.

As ruas floridas, as casas piscatórias e os azulejos tornaram-se parte dessa narrativa. Mostrar Tavira foi também uma forma de agradecer à cidade que o recebeu durante quase seis meses. Enquanto prepara um álbum, Kelad procura continuar a transformar experiências reais em canções: guardar o que viveu e encontrar quem se reconheça nessas histórias

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Plano de drenagem de Albufeira será retomado com investimento de 46 milhões

4 October 2026 at 17:30

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai assumir a condução do plano de drenagem de Albufeira, lançado pela autarquia em 2016, com um investimento de 46 milhões de euros para responder ao risco de cheias. A principal intervenção será um túnel para desviar diretamente para o mar o caudal da ribeira que atravessa a cidade.

O anúncio foi feito pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, em 30 de setembro, durante uma conferência de imprensa em Quarteira, no concelho de Loulé, segundo a Lusa.

O plano “é feito em colaboração com a autarquia, mas está a ser dirigido pela Agência Portuguesa do Ambiente”, explicou a governante. O financiamento será assegurado pelo Sustentável 2030, programa dedicado à ação climática e à sustentabilidade, financiado pelo Fundo de Coesão.

Túnel custa mais do dobro do valor previsto em 2016

O presidente da APA, José Pimenta Machado, adiantou que o túnel representa um investimento de 33 milhões de euros, mais do dobro dos 15 milhões estimados há dez anos.

Com uma extensão de 1,5 quilómetros, a infraestrutura permitirá desviar o caudal da ribeira de Albufeira, aliviando as zonas baixas e encaminhando a água para o oceano. Esta solução foi explicada em 2016 por José Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico que desenvolveu o plano.

“Era um plano que já estava previsto. A boa notícia é que já tem maturidade, já há um projeto, que terá de ser sujeito à avaliação de impacte ambiental”, afirmou José Pimenta Machado.

Plano responde às cheias

Maria da Graça Carvalho classificou a intervenção como “um grande projeto”, comparando a sua dimensão à do plano de drenagem de Lisboa, embora reconhecendo que este é maior. A ministra sustentou que a obra permitirá resolver o problema de uma das zonas algarvias mais expostas a cheias.

O Plano Geral de Drenagem de Albufeira foi apresentado em 2016, na sequência da intempérie de 1 de novembro de 2015. Na baixa da cidade, a água chegou a atingir 1,80 metros de altura, causando danos na via pública e prejuízos de milhares de euros a comerciantes e empresários.

Embora o túnel nunca tenha avançado, algumas intervenções previstas no plano foram concretizadas. Entre elas estão a estação elevatória da Praça dos Pescadores e o coletor de meia encosta poente, destinado à drenagem pluvial na zona do Cerro Grande.

Além do túnel, permanece por construir outro coletor a nascente. Na mesma conferência de imprensa, a ministra anunciou um investimento total previsto de 120 milhões de euros até 2028 na gestão inteligente da água no Algarve.

Os projetos terão financiamento de 40% pelo Fundo Ambiental, cabendo a restante parcela ao programa operacional Algarve 2030. O objetivo é reduzir as perdas nas redes de abastecimento público de 20% para 15%.

A agenda da visita incluía ainda, nessa tarde, em Faro, o ato de assinatura da primeira tranche de pagamento do Fundo Ambiental, no valor de 3,7 milhões de euros, destinada a estes investimentos.

Cinco concelhos com obras

Para o litoral algarvio, estão previstos cerca de 32 milhões de euros de investimento nos concelhos de Loulé, Faro, Portimão, Lagos e Albufeira.

Segundo José Pimenta Machado, as intervenções abrangem a reposição dos areais, a reabilitação de arribas e a reestruturação dos molhes de Quarteira, procurando diminuir o impacto da erosão costeira.

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Quando o Oriente bate à nossa porta | Por Miguel Freitas

4 October 2026 at 15:00

Vi por estes dias um documentário sobre a presença de Portugal em Goa. Mais do que revisitar a presença portuguesa no Oriente, fiquei a pensar numa coisa bastante mais próxima: o que fazemos hoje com o mundo que, durante séculos, fomos ajudar a construir?

Em Goa, o passado português não desapareceu em 1961. Ficaram palavras, nomes, igrejas, música, arquitetura, costumes, formas de organização social e jurídica. Ficou uma língua. Ficaram famílias, tradições e memórias. Ficou, em muitos goeses, o orgulho de uma herança portuguesa que o tempo não apagou. A História, afinal, deixa marcas que nenhuma mudança de soberania consegue simplesmente apagar.

É talvez essa a primeira lição: a história comum não termina quando se troca uma bandeira.

Portugal foi pequeno em território, mas extraordinariamente grande na sua capacidade de atravessar o mundo. Chegámos à Índia, à China, ao Japão, ao Brasil e a África. Levámos connosco a língua, a religião, o direito, os costumes e as instituições — mas também trouxemos palavras, alimentos, conhecimentos, pessoas e formas de ver o mundo. A nossa identidade nunca foi apenas europeia. Foi também construída no contacto com o outro mundo.

Por isso é curioso que, hoje, perante a chegada de pessoas vindas desse outro lado do mundo, uma parte do discurso português pareça descobrir de repente que existe um “nós” e um “eles”. Mas o Oriente não está a chegar a Portugal. Portugal está presente no Oriente.

Não se trata de transformar o passado colonial numa epopeia, nem de negar a violência, as desigualdades e as contradições desse passado. Trata-se de reconhecer uma evidência histórica: Portugal foi, durante séculos, um país de circulação. E a circulação deixou marcas dos dois lados.

Talvez devêssemos olhar para a imigração a partir dessa memória — não para exigir gratidão a quem chega, nem para romantizar a presença portuguesa no mundo, mas para perceber que as sociedades se transformam precisamente quando pessoas, culturas e ideias atravessam fronteiras.

Há uma ironia particularmente portuguesa nisto tudo. Fomos um país que inventou novas fronteiras para si próprio e hoje discutimos como se a fronteira pudesse ser apenas uma linha no chão. Pode ser também uma ideia. E talvez estejamos a construir hoje uma ideia de fronteira muito mais estreita do que aquela que Portugal alguma vez teve.

Portugal não precisa de deixar de ser Portugal para ser um país aberto. Aliás, olhando para a nossa própria história, talvez seja difícil sustentar que alguma vez fomos outra coisa senão um país moldado pelo encontro. Portugal é pequeno quando se reduz à sua geografia. É grande quando se afirma universalista. Goa lembra-nos isso de uma forma particularmente desconcertante.

O mundo que Portugal ajudou a ligar tornou-se agora o mundo que bate à nossa porta. E talvez seja essa a verdadeira mudança de perspetiva que precisamos: deixar de olhar para a presença de asiáticos em Portugal apenas como um fenómeno migratório e começar a vê-la também como parte de uma história muito mais longa — a história das relações entre o Ocidente e o Oriente, na qual Portugal não foi apenas espectador.

Goa talvez nos devolva, por isso, uma pergunta incómoda: se durante séculos quisemos que o mundo conhecesse Portugal, estaremos agora preparados para conhecer o mundo que chega a Portugal? Portugal passou séculos a procurar o que estava para lá da fronteira. Seria uma estranha forma de honrar essa história se agora decidíssemos que a fronteira serve precisamente para impedir que o mundo chegue até nós.

Um país que fez do mundo a sua fronteira não pode agora fazer da fronteira o seu mundo.

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Entrevista a Helder Gonçalves: “O ativo principal das organizações são as pessoas”

4 October 2026 at 12:00

Ouvir as equipas, melhorar a comunicação interna e adaptar as empresas à transformação digital são prioridades defendidas por Helder Gonçalves. Ao assinalar os cinco anos da Coaching 5, num percurso de 16 anos como coach, explica ao POSTAL os desafios que identifica no tecido empresarial algarvio e a importância de uma liderança mais participativa. Da gestão do tempo ao bem-estar dos trabalhadores, defende que o sucesso das organizações não deve ser avaliado apenas pelos resultados financeiros.

Transformação digital e comunicação nas empresas

Ao assinalar cinco anos da Coaching 5, num percurso de 16 anos como coach, que transformação mais profunda reconhece nas empresas algarvias e que fragilidade de liderança permanece por resolver?

Tanto nas empresas algarvias como nas outras, a transformação mais profunda é, sem dúvida, a tecnológica e digital. Os empresários estão a viver tempos de mudanças substanciais na adaptação aos novos tempos e às novas ferramentas que não existiam. A IA está para ficar e evoluir ainda mais! E os gestores de micro e pequenas empresas têm o desafio de integrar, ao mesmo tempo, essas ferramentas, assim como as empresas de maior dimensão. Outra transformação é ao nível dos Recursos Humanos e da empregabilidade não só no setor turístico como em outros setores da nossa economia regional. A fusão intercultural de outras nacionalidades traz igualmente a transformação e adaptação mais uma vez à nossa forma de estar como empresários! A procura de soluções e a integração no tecido empresarial algarvio.

As maiores fragilidades ao nível da liderança que observo são a transposição da estrutura hierárquica de um organograma para uma liderança cada vez mais participativa e auscultativa! Só dessa forma a “Caixa de sugestões” da empresa evolui! Todos os departamentos que integram uma empresa são um todo, e a opinião dos colaboradores é um valor acrescentado que deve estar em cima da mesa da empresa, quer ao nível das lideranças ou chefias intermédias, quer ao nível dos restantes recursos humanos. A comunicação interna, interdepartamental, é uma solução prática! Daí a Coaching 5 ter desenvolvido um programa chamado Comunica PRO, exclusivamente para esse fim.

“A comunicação integrada e transversal nas organizações é um fator-chave para o sucesso das empresas hoje em dia!”

Depois de passar por associações empresariais, formação e pela ActionCOACH, o que o levou a criar uma metodologia própria e a traçar a fronteira entre coaching, consultoria e motivação?

A metodologia própria da Coaching 5 baseia-se num conjunto de círculos essenciais que se interligam entre si, passando pela (re)educação de líderes, equipas ou ainda pelo desenvolvimento de círculos internos diferenciados e adaptados aos objetivos e metas a atingir. A comunicação integrada e transversal nas organizações é um fator-chave para o sucesso das empresas hoje em dia! A transformação de comportamentos empresariais para e com as Equipas de Trabalho, representa algo que deve ser observado, como um conjunto de indicadores que podem remodelar as competências e a estrutura da empresa. É aí que a Coaching 5 centra o coaching que constrói no mercado de trabalho!

O coaching empresarial não é mais do que o desenrolar de treino(s) muito específico(s) e adaptado(s) às verdadeiras necessidades das organizações, dos seus líderes e das suas equipas de trabalho, com base em perguntas orientativas e foco na direção a tomar. Por outro lado, a consultoria é um serviço um pouco mais estanque, que visa abranger um departamento em concreto, ou algo que se pretende efetuar somente numa área específica, como, por exemplo, o marketing digital.

A motivação é um incentivo para agir, algo que a psicologia facilita na sua intervenção. E que atualmente é procurada como uma ferramenta das organizações para levarem os seus colaboradores a executar as suas tarefas!

Resumindo, o coaching serve-se de um conjunto de várias ferramentas para desenvolver uma atividade de forma mais funcional, abrangendo um leque maior de opções integrativas e duradouras.

Gerir o tempo e manter o foco

Defende que o foco exige escolher uma prioridade estratégica de cada vez. Qual é hoje a forma de dispersão mais prejudicial para uma PME algarvia e como pode ser corrigida?

A dispersão mais prejudicial para qualquer empresa é a não correta utilização dos seus tempos individuais e coletivos e a aplicação de sistemas menos funcionais e fluidos!

A forma e o “como” são as grandes chaves-mestras que resolvem os desafios internos nas empresas. Muitas vezes acontece que o foco e o “momentum” (estar verdadeiramente presente e focado, na altura certa) podem contrapor-se ao correto uso desse tempo. Por exemplo, reuniões sem objetivos ou excessivamente longas podem danificar o planeamento e a sua execução.

E também a ausência de sistemas internos de funcionamento nas empresas ou deficitários acarreta a aplicação de ações de forma diferente em diferentes períodos de tempo. É mais fácil a execução de qualquer tarefa, se houver um guia específico de “como fazer” e se for aplicado sempre da mesma maneira.

Algumas empresas algarvias com que trabalhei, solicitaram os serviços de coaching empresarial, precisamente para resolverem estas situações! Isto implica que existam comportamentos que vão ser alterados. O planeamento com uma estrutura mais funcional e com metas previsíveis em termos temporais vai facilitar o trabalho interno, quer dos líderes, quer das suas equipas. Mas é algo que não se faz do dia para a noite! A consistência também é um dos segredos!

“Por exemplo, reuniões sem objetivos ou excessivamente longas podem danificar o planeamento e a sua execução.”

Uma liderança centrada nas pessoas

Quando os resultados financeiros, o bem-estar das equipas e a responsabilidade perante a comunidade entram em conflito, o que exige, na prática, uma liderança verdadeiramente humanizada?

A liderança humanizada chega quando se reconhece que o ativo principal das organizações são as pessoas! E se trabalha com o foco igualmente nos recursos humanos, privilegiando o bem-estar organizacional e a flexibilização da hierarquia em termos de comunicação e ação. A tal liderança auscultativa, de que falei atrás, é uma ferramenta que pode elevar a estrutura da empresa ao nível do departamento de RH!

Os famosos KPIs (Key Performance Indicators), indicadores-chave de desempenho, que, para além dos financeiros, possam medir de igual modo a parte qualitativa das relações humanas laborais, são um fator complementar do sucesso interno das organizações.

“A liderança humanizada chega quando se reconhece que o ativo principal das organizações são as pessoas!”

O legado constrói-se com consistência

Daqui a cinco anos, que mudança concreta gostaria de encontrar nas empresas e no tecido empresarial português para considerar que a Coaching 5 deixou um legado duradouro?

O mais importante ao nível do legado da Coaching 5 e do Coach Helder Gonçalves é o aumento do nível de consciência dos líderes e dos gestores das empresas “tocadas” pelas ações conjuntas que falaram mais alto!

Estou a completar testemunhos de clientes que trabalharam comigo há mais de 15 anos, e estamos a verificar o seu percurso no mercado!

Alegra-me dizer que encontrei empresas que tinham 2 colaboradores na altura e atualmente têm 22, tornando-se PME Excelência.

Não é só o trabalho do coach ou do coaching! É o interesse e o continuar a fazer desses empresários que atingiram, além do nível de consciência empresarial elevado, a consistência das suas ações ao longo do tempo.

O maior propósito deste trabalho é a transformação que fazemos ao nível profissional, mas também pessoal, das pessoas que acreditam em nós!

Obrigado, Henrique Dias, por esta entrevista e também por acreditar na Coaching 5 e neste Coach.

Da comunicação ao coaching empresarial no Algarve

Helder Gonçalves nasceu em 1970, em Santiago do Cacém, onde viveu até concluir o 11.º ano. Mudou-se depois para Lisboa, terminou o ensino secundário e licenciou-se em Relações Públicas e Publicidade no Instituto Superior de Novas Profissões. Especializou-se em Gestão de Marketing.

Em 2003, foi convidado a assumir a vice-presidência de duas associações empresariais orientadas para as pequenas e médias empresas, com responsabilidades estratégicas nas áreas de marketing e comunicação institucional. Dá formação a empresários há mais de 20 anos, em matérias como vendas, marketing, gestão e comunicação empresarial.

Em 2010, obteve uma certificação internacional como coach em Las Vegas e abriu um escritório da ActionCOACH no Algarve, em Portimão, dando início à sua atividade de coaching empresarial na região.Desde 2021, desenvolve a atividade sob a marca Coaching 5, com uma metodologia própria dirigida a líderes e equipas.

Entre as iniciativas que criou encontra-se o Comunica PRO, lançado em 2024 e dedicado à estruturação de planos de comunicação para equipas e departamentos.Reside em Alvor e tem nos desportos náuticos e no contacto com a natureza dois dos seus interesses pessoais.

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Algarve entre regiões que mais preocupam federação de dadores de sangue

4 October 2026 at 11:00

O Algarve e Lisboa e Vale do Tejo são as regiões onde as reservas de sangue mais preocupam a Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES), devido aos consumos elevados e à menor capacidade de recolha.

O alerta foi feito pelo presidente da federação, Alberto Mota, em declarações à Lusa esta quarta-feira. O responsável destacou a situação do Hospital Distrital de Santarém, que considera estar próximo de ter de cancelar intervenções cirúrgicas e tratamentos por falta de reservas.

“Há hospitais, inclusive o de Santarém, com uma falta de sangue muito grande, mesmo no limiar de já estar a pensar em cancelar intervenções cirúrgicas que possam estar marcadas para os próximos dias”, afirmou.

Hospital admite ajustes pontuais na atividade programada

Contactada pela Lusa, a Unidade Local de Saúde da Lezíria confirmou atravessar um período de maior pressão sobre as reservas, num contexto que descreveu como “transversal à rede hospitalar nacional”.

A instituição assegurou estar a gerir rigorosamente os componentes sanguíneos disponíveis para garantir resposta aos casos prioritários e urgentes. Admitiu, contudo, que, “pontualmente”, poderá ser necessário ajustar a atividade transfusional programada.

A ULS recordou que integra a Rede Estratégica Nacional de Sangue e mantém articulação permanente com outros hospitais “para assegurar a resposta às necessidades assistenciais”.

Deixou também um apelo aos cidadãos elegíveis para a dádiva de sangue, para que contribuam para a manutenção das reservas nacionais.

Dádivas diminuíram em 2024 e 2025

Segundo Alberto Mota, a redução das reservas não é pontual e acompanha uma quebra continuada das dádivas.

“O relatório da atividade transfusional e do sistema de hemovigilância, divulgado este ano, deu conta de que tivemos menos dádivas em 2025 do que em 2024. Já em 2024 tínhamos descido e em 2025 voltámos a descer. Os números que temos das associações indicam que em 2026 a situação se está a manter”, declarou.

A federação estima que o consumo nacional ronde as 1.000 a 1.100 unidades de sangue por dia. Nos últimos tempos, admite, nem sempre tem sido possível recolher volumes suficientes para responder às necessidades.

“Todos sabemos que sem sangue não se podem fazer intervenções cirúrgicas e há muitos doentes que são tratados diariamente com componentes sanguíneos”, sublinhou.

O presidente da FEPODABES atribuiu a diminuição das dádivas a vários fatores, incluindo o cancelamento de recolhas por falta de profissionais de saúde, a escassez de unidades hospitalares autorizadas a efetuar colheitas e o fim de alguns incentivos aos dadores.

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Miguel Nascimento recorda salto do Algarve para o desporto profissional

4 October 2026 at 10:00

Foi no Centro de Alto Rendimento (CAR) de Rio Maior que Miguel Nascimento encontrou as condições para se tornar profissional do desporto, depois de crescer no Algarve, onde o clube em que treinava dispunha de menos recursos. O nadador olímpico destacou a importância destas estruturas na preparação de atletas de alta competição.

“Aqui tornei-me profissional do desporto”, afirmou no Encontro Nacional do Alto Rendimento, realizado em 22 de setembro, em Rio Maior, segundo a Lusa.

Com 66 títulos nacionais e 122 pódios na carreira, Miguel Nascimento começou a treinar naquele centro em setembro de 2014. Recordou que, no Algarve, “o clube onde treinava não tinha tantas condições” e que foi o CAR de Natação que lhe permitiu “dar o pulo”.

Piscina e escola a dois minutos a pé

O atleta salientou as vantagens de residir num espaço que reunia as condições necessárias para conciliar treino, estudos e recuperação.

“Um CAR é um ‘cluster’ de atletas que estão vocacionados para o mesmo objetivo”, explicou, destacando o acesso a “uma piscina e uma escola a dois minutos a pé”. Essa proximidade proporcionava o “repouso” que considera crucial para o alto rendimento.

No mesmo painel, dedicado ao impacto destes centros na preparação e no sucesso desportivo nacional, participou o selecionador nacional de futsal, Jorge Braz.

Comparando as estruturas portuguesas com as de outros países, o treinador considerou que existem “coisas melhores e coisas piores”. Entendeu essa realidade como uma vantagem para atletas que, na sua perspetiva, “não podem exigir sempre serviços de alto nível”.

Formação deve responder às necessidades dos clubes

Noutro painel, sobre a capacitação e qualificação dos CAR, o diretor da academia de formação da Federação Portuguesa de Futebol, André Seabra, defendeu uma mudança na oferta formativa do desporto.

“Temos que ser capazes de resolver os problemas dos clubes”, afirmou, considerando que a formação “está ultrapassada” e deve ser pensada “em função da realidade dos clubes e dos atletas”.

O responsável propôs a criação de “ambientes de simulação”, nos quais equipas interdisciplinares possam estudar soluções para os problemas encontrados na formação.

Também Tiago Barbosa, da European Aquatics, e Pedro Sequeira, da Confederação de Treinadores de Portugal, defenderam a interdisciplinaridade. Os dois intervenientes destacaram o envolvimento da academia, da indústria e dos municípios no “apoio à inovação no desporto”.

Fórum europeu trouxe debate internacional a Rio Maior

O encontro marcou o arranque do Fórum Europeu da ASPC — Association of Sport Performance Centres, ou Associação de Centros de Alto Rendimento —, com programação até 25 de setembro, em Rio Maior, no distrito de Santarém.

Realizado pela primeira vez em Portugal, o fórum reuniu mais de 100 participantes de mais de 16 países e de três continentes. Estiveram representados cerca de 40 Centros de Alto Rendimento, organizações olímpicas e paralímpicas, federações, investigadores, treinadores, atletas e especialistas.

A agenda incluiu investigação, inovação e desenvolvimento nos CAR, desporto paralímpico e inclusão, governação, gestão e certificação destas estruturas, liderança e desempenho sustentável.

A conciliação entre a carreira desportiva e outros percursos dos atletas, bem como o papel dos Comités Olímpicos Nacionais e dos CAR na preparação para grandes eventos, integraram igualmente os temas previstos.

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Albufeira acolhe apresentação do SIPRS, projeto de António Nóbrega para prevenção e resposta a sismos

4 October 2026 at 08:00

O urbanista António Nóbrega vai apresentar o SIPRS — Sistema Integrado de Prevenção e Reação a Sismos — nos dias 22 e 23 de outubro, no Hotel Alísios, em Albufeira, numa conferência que pretende reunir várias entidades ligadas à prevenção, emergência, saúde, infraestruturas e território.

A iniciativa surge da preocupação do urbanista com o risco sísmico em Portugal e, em particular, no Algarve, procurando criar um modelo capaz de articular diferentes áreas envolvidas na prevenção e na resposta a catástrofes.

A conferência decorrerá entre as 9:30 e as 16:00 e servirá para apresentar uma proposta que António Nóbrega pretende que seja transversal a municípios, hospitais, escolas, infraestruturas críticas, comunicações, seguros e redes de emergência.

Sismos recentes reforçaram preocupação

O comunicado enquadra a criação do sistema numa sequência de sismos de forte intensidade que refere terem ocorrido nos últimos meses em vários pontos do mundo, nomeadamente nas Filipinas, Indonésia, Venezuela, Colômbia e Japão, com magnitudes indicadas entre 6,8 e 7,8.

António Nóbrega considera que estes episódios voltaram a chamar a atenção para a necessidade de reforçar os mecanismos nacionais de prevenção e reação perante fenómenos sísmicos.

O urbanista aponta igualmente o apagão ocorrido em 2025 e a tempestade Kristin como exemplos que, na sua perspetiva, expuseram fragilidades na resposta a situações de emergência, nomeadamente ao nível das redes de energia, comunicações e funcionamento de infraestruturas críticas.

No documento que sustenta a iniciativa, são ainda referidas notícias sobre pedidos de avaliação sísmica dos hospitais e apelos de especialistas na área da sismologia dirigidos ao Governo, apresentados pelo promotor como sinais da necessidade de acelerar medidas de preparação.

Municípios, saúde, comunicações e seguros entre as áreas envolvidas

Entre as entidades convidadas a participar na conferência encontram-se a Confederação dos Industriais da Construção Civil, a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Geógrafos, a Cruz Vermelha Portuguesa, Médicos Sem Fronteiras e a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

A lista inclui ainda a ANACOM, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, a Direção-Geral do Território, especialistas nacionais em Inteligência Artificial aplicada ao território, municípios localizados em zonas consideradas sensíveis e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.

O objetivo, segundo António Nóbrega, passa por recolher contributos de entidades com intervenção em situações de catástrofe, identificar possibilidades de melhoria e reforçar a prevenção, a resposta e a capacidade de recuperação.

O SIPRS pretende abranger áreas que vão desde a cartografia de risco à atuação de hospitais e serviços de emergência, passando pelas comunicações, infraestruturas críticas, seguros e eventual recurso a mecanismos internacionais de financiamento durante processos de recuperação.

António Nóbrega apresenta o sistema como uma estrutura que poderá também ser aplicada a catástrofes de outra natureza, uma vez que muitas das necessidades de resposta — desde os meios de socorro às comunicações e ao funcionamento de serviços essenciais — são comuns a diferentes situações de emergência.

Conferência sem fins lucrativos

A iniciativa não tem fins lucrativos, segundo o promotor, que sustenta que o trabalho desenvolvido terá valido a pena se a sua implementação contribuir para salvar uma vida.

António Nóbrega manifesta ainda preocupação com alterações introduzidas no regime urbanístico, que entraram em vigor a 1 de outubro, questionando os efeitos que poderão ter na fiscalização das normas de segurança pelas autarquias.

“Vamos transformar a prevenção e a reação a fenómenos sísmicos, numa política estruturada e contínua, não num documento esquecido numa gaveta”, afirma António Nóbrega.

O Postal do Algarve e o DiariOnline Região Sul são os media partners da iniciativa.

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