❌

Reading view

EUA emitem alerta de segurança para cidadãos na França antes de protestos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou na quinta-feira (22) um alerta de segurança para os americanos que estiverem na França, pedindo cuidado durante os protestos convocados para sábado (24) e domingo (25).

“Manifestações recentes foram violentas e envolveram pesada destruição de propriedades, saques descontrolados e ataques à polícia”, diz o comunicado.

France: Violence and rioting, tied to ongoing protests, have recently occurred in France and may continue. The French government has indicated they will take steps to curb “illegitimate” protests, while those organized by groups such as trade unions would be allowed to proceed. Given the heightened concerns, avoid demonstrations and areas of unrest. Stay away from areas with large crowds or significant police activity. Numerous groups submitted plans for protests on Saturday, October 24. Americans in Paris for the NFL game on Sunday, October 25 should also exercise caution and be aware of their surroundings. While permits may be filed for demonstration routes, last-minute changes can happen and protests can occur outside planned routes. Recent demonstrations were violent and involved heavy property destruction, uncontrolled looting, and attacks on police. Police responded with crowd control methods including tear gas. In Orléans, media report significant marches and protests planned for Saturday, October 24, and Sunday, October 25. Curfews in parts of France, including some neighborhoods in Paris and the vicinity, might continue. Curfew decisions are made locally, can be implemented with short notice, and restrict gatherings and free movement to some public landmarks. More at https://t.co/6boV7FQvAa

— TravelGov (@TravelGov) October 22, 2026

O governo americano destacou que as manifestações também devem acontecer em outras cidades além de Paris, como Orléans, e também citou os toques de recolher em vigor no país.

Novas manifestações

A França mobilizará 70 mil policiais e integrantes da Gendarmaria Nacional para o sábado, durante manifestações previstas em todo o país, anunciou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez.

A Gendarmaria é uma força de segurança de natureza militar que também exerce funções de polícia nas ruas.

Nuñez também prometeu rigor contra saques e atos de vandalismo.

Nesta semana, o presidente Emmanuel Macron anunciou a proibição de qualquer ato não sindical, alegando que o partido de esquerda França Insubmissa, de Jéan-Luc Mélenchon, teria planos de uma insurreição para derrubar o governo atual.

Diante dos numerosos incidentes registrados na semana passada, os prefeitos regionais estão examinando cuidadosamente as manifestações, sejam elas notificadas oficialmente ou não, e decidirão se serão autorizadas. Segundo Nuñez, a medida se deve ao “risco muito elevado de distúrbios da ordem pública.”

Onda de protestos

Uma nova onda de protestos foi planejada para este final de semana em toda a França após a mobilização que levou 500 mil pessoas às ruas no último sábado (17).

Os manifestantes dizem ser contra a proposta de cortes no orçamento público, o aumento no custo de vida e insatisfação geral com o panorama econômico e político do país.

Em confrontos com a polícia, mais de 2 mil pessoas foram presas devido a atos de vandalismo, e duas morreram.

O governo francês determinou toque de recolher parcial em diferentes pontos do território, incluindo nos bairros de Paris mais atingidos pelos estragos, como Les Halles e o entorno da Praça da República.

  •  

Escolas de educação especial em Cuba tentam se manter abertas durante crise

Yarnelys Bec Abalela chegou à Escola Especial Abel Santamaría, em Havana, aos três anos de idade; na época, uma catarata congênita já limitava gravemente sua visão.

Após concluir o nono ano no local, ela se formou como professora e retornou à mesma escola para lecionar a crianças com uma condição semelhante à sua.

“Graças ao que aprendi nesta escola, consegui me formar como professora”, conta Bec, que trabalha na instituição há 21 anos e, atualmente, atua como professora terapêutica para o quinto ano.

Sua trajetória reflete o esforço que Cuba tem dedicado, tradicionalmente, à preservação da educação especial — uma das áreas que o governo ainda busca priorizar, apesar da profunda crise econômica e energética que a ilha enfrenta desde o início do ano, quando a administração Trump impôs um bloqueio energético ao país.

Atualmente, manter as salas de aula abertas exige ajustes crescentes, improvisação e sacrifícios por parte dos profissionais e das famílias.

A Escola Abel Santamaría atende, hoje, 44 alunos cegos ou com baixa visão, provenientes de diferentes municípios de Havana. Quatro ônibus escolares continuam a realizar o transporte, mas a escassez de combustível obrigou a escola a reduzir as aulas presenciais para quatro dias por semana.

Às sextas-feiras, os alunos realizam, de casa, exercícios propostos pelos professores.

“Não é a mesma coisa ter aulas presenciais, com professores capacitados, e ter aulas com o auxílio de um familiar”, afirmou a diretora da escola, Suramis Rodriguez Haberroff.

Ela acrescentou que a redução também forçou a instituição a cortar conteúdos e horas de ensino em determinadas disciplinas.

Cortes de energia

As interrupções no fornecimento de energia elétrica, que frequentemente ultrapassam 12 horas por dia na capital, representam um desafio adicional em uma escola onde a iluminação é fundamental para alunos com baixa visão.

Quando não há eletricidade, os professores aproximam as crianças das janelas ou transferem as atividades para pátios e corredores, a fim de aproveitar a luz natural.

Além da escassez de lupas, óculos e papel para Braille, a escola lida com equipamentos de escrita especializados que estão obsoletos.

Segundo Beatriz Lopez Morales, diretora nacional de Educação Especial, Cuba conta com impressoras Braille em apenas três centros regionais, embora exista uma escola para alunos com deficiência visual em cada província.

Os professores confeccionam suportes para livros usando papelão e cola, aproximando o material de leitura dos alunos; eles também criam guias de leitura que auxiliam aqueles com baixa visão a acompanhar as linhas de texto.

Cuba mantém 330 escolas de educação especial. Segundo um relatório governamental, os prejuízos ao setor educacional no último ano ultrapassaram 70 milhões de dólares — valor que Havana atribui às sanções dos Estados Unidos, embora a Casa Branca insista que o embargo visa pressionar o regime comunista e seus líderes, e não o povo cubano.

Na escola Abel Santamaría, no entanto, os professores continuam adaptando recursos e horários.

“É extremamente importante que essas escolas permaneçam abertas, pois oferecemos aos alunos a oportunidade de estudar, preparar-se e desenvolver as habilidades de que precisam para a vida”, acrescentou Bec Abalela.

Apagão e bloqueio de petróleo: O que está acontecendo em Cuba?

  •  

Jovem com leucemia terminal pede lei de eutanásia pelo TikTok na Bolívia

Um jovem boliviano com leucemia terminal se tornou o rosto de um debate nacional controverso sobre a eutanásia, após usar o TikTok para apelar aos legisladores por uma tramitação acelerada de uma lei que lhe permitiria morrer com assistência médica.

Aldrin Ichuta, de 20 anos, internado em El Alto, segunda maior cidade da Bolívia, foi diagnosticado com leucemia em 2023, durante seu último ano do ensino médio — fato que transformou uma vida antes dedicada aos estudos e aos esportes em uma longa batalha pela sobrevivência.

No final de agosto, com a deterioração de seu quadro de saúde, Ichuta publicou um vídeo solicitando aos legisladores que agilizassem a tramitação de um projeto de lei sobre a eutanásia, apresentado pelo deputado Diego Branez.

Ele afirmou desejar que seu sofrimento tenha algum propósito, ao abrir caminho para outros pacientes em estado terminal.

O projeto de lei do deputado concentra-se, principalmente, na ampliação do acesso a cuidados paliativos gratuitos e, adicionalmente, em procedimentos de eutanásia, estabelecendo salvaguardas rigorosas que restringem o acesso a cidadãos adultos com doenças irreversíveis que mantenham a capacidade de tomar decisões.

A Igreja Católica opõe-se à medida; a assessora jurídica Dra. Susana Inch argumenta que a Bolívia deveria priorizar a correção de seu sistema de saúde, que se encontra em situação precária, antes de cogitar a eutanásia.

O deputado Branez contrapõe que forçar pacientes a suportar um sofrimento indesejado equivale a um tratamento cruel, observando que o projeto de lei poderá tramitar em regime de urgência nas próximas semanas — um cronograma que pode ser decisivo para Ichuta, visto que sua doença está chegando à fase final.

A eutanásia e o suicídio assistido por médicos, aos quais a maioria das religiões se opõe, geram grande controvérsia ao redor do mundo; apenas um pequeno número de países permite a prática, e alguns chegam a equipará-la ao homicídio.

 

  •  
❌