How a collapsing glacier may have caused the catastrophic Nepal floods




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Reconheço que me aproximei dos programas de governo dos dois principais candidatos à Presidência com a suspeita de que não encontraria muitos elementos para o debate ambiental. Normalmente, a manchete que cravamos a cada eleição presidencial é: “candidatos não incluem a questão ambiental entre suas prioridades”. Pois desta vez me enganei. Me meti ali nas páginas dos programas de governo de Lula e Flávio e encontrei referências frequentes aos temas mais importantes nesta área.
A transição ecológica, as cidades verdes, a adaptação às mudanças climáticas, o combate à mineração ilegal e o saneamento contextualizam ou são parte das propostas dos dois candidatos mais bem posicionados na disputa à Presidência.
Esta profusão de palavras-chave, entretanto, não diminui a percepção de que, qualquer que seja o vencedor, muitas das promessas ficarão no papel. A desconfiança é ainda maior: o próximo governo pode dobrar a aposta em um modelo de crescimento econômico contrário à sustentabilidade. Ou seja, priorizará grandes obras de infraestrutura com débeis processos de licenciamento ambiental e consulta aos povos afetados. Continuará uma corrida desenfreada por minério, petróleo e terra.
Ao ler os dois programas, me surpreendi ao ver que promessas de cuidado ao meio ambiente e de uso dos recursos naturais são tratadas como um tema de soberania. Quando os candidatos abordam setores estratégicos, como as terras raras, o consumo de energia, a infraestrutura digital e o agronegócio, a bandeira é a defesa das nossas riquezas contra interesses externos. Quais? Não fica claro.
Talvez faça sentido que seja assim, já que vivemos num mundo em que as relações comerciais estão abaladas pelas guerras reais e tarifárias. Todos estamos sofrendo as consequências, seja no preço dos combustíveis ou dos alimentos. Porém, me parece falacioso insinuar o nacionalismo nesta discussão, já que o país não poderá prescindir do mercado externo para obter crescimento econômico. Somos uma nação prioritariamente exportadora de commodities agrícolas e minerais.
Ao fazer de seu primeiro evento de campanha a promoção da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o presidente acabou por desacreditar aquilo que está colocado em seu programa. Sim, a Petrobras está à frente da exploração na margem equatorial, mas está ali de mãozinha dada com a americana ExxonMobil, a maior petroleira do mundo.
Não acho que a solução seja o caminho chavista da Venezuela – nacionalização completa da produção de petróleo. Mas explorar combustíveis fósseis nesta altura do campeonato, quando deveríamos estar reduzindo as emissões de carbono, é um caminho bem diferente do proposto no documento de campanha, que garante que estamos em plena transição ecológica.
Ainda no programa de Lula, o argumento sobre uma nova industrialização, com incentivos fiscais para a economia verde, fica bastante frágil diante dos atropelos que estão ocorrendo no licenciamento de grandes obras e projetos. Apesar de publicamente criticar a nova lei de licenciamento ambiental, o governo editou o Decreto 12.673 em outubro de 2025 que enquadra todas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento – o Novo PAC dentro da Licença Ambiental Especial. Esse instrumento criado pela Lei Geral de Licenciamento exime algumas obras do estudo de impacto ambiental e, a outras construções, exige que licenças sejam analisadas em um prazo exíguo aos órgãos ambientais.
Um ponto bastante interessante no programa de Lula é a promessa de exigir salvaguardas ambientais, como o consumo consciente de água e a consulta a comunidades afetadas, para a instalação de data centers no Brasil. Certamente será importante impor aos investidores estrangeiros que sigam um planejamento nacional e evitar problemas como os que já estão sendo gerados na instalação de novos data centers no país.
É uma diretriz similar à que adota sobre exploração de minerais estratégicos ou terras raras. No programa de Lula, este tema ganha proeminência: “Desenvolveremos uma política específica para minerais críticos e terras raras, capaz de organizar suas cadeias produtivas, diferenciar seus usos tecnológicos e evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas. Promoveremos uma estratégia regional de mapeamento, beneficiamento e agregação de valor para inserir o país de forma soberana nas cadeias globais de valor desses recursos.”
Fica bem evidente a qualquer pessoa que se disponha a ler os dois programas que o documento produzido pela campanha de Flávio Bolsonaro é substancialmente mais pobre na temática ambiental que o de Lula. O candidato do PL tem poucos detalhes sobre os projetos propostos. Não apresenta diagnósticos sobre os problemas a serem enfrentados e quase não usa dados para sustentar suas propostas. Já o programa de Lula talvez exagere no continuísmo – a todo momento enaltece o sucesso presente para dizer que tudo vai continuar uma maravilha. Mas traz muitos mais detalhes dos recursos orçamentários e metas numéricas para cada proposta.
Três coisas que me chamaram atenção no documento de campanha de Flávio: um tratamento da região amazônica como um território que precisa ser vigiado contra criminosos, uma centralização da fiscalização ambiental e a crise do preço dos alimentos.
Em seu programa, o filho de Bolsonaro anuncia que vai criar um Sistema Nacional de Fronteira, um grupo especial, “de elite”, com membros das Forças Armadas para acabar com “o liberou geral” nas fronteiras. Por um lado, é verdade que muitos dos crimes ambientais – como o tráfico de ouro, drogas e animais – se beneficiam da imensidão das fronteiras da Amazônia. Por outro, é difícil acreditar que crimes como esse, que são operados pelas mesmas máfias do narcotráfico, possam ser sufocados apenas com uma nova força policial.
O olhar vigilante também é prometido num sistema de rastreabilidade total, uma unificação entre as licenças de desmatamento, cadastro ambiental rural e as guias de transporte animal.
“Vamos instituir a rastreabilidade completa das cadeias produtivas, integrando em um só sistema os cadastros fundiários e ambientais, as guias de trânsito animal, as autorizações de supressão vegetal e o monitoramento por satélite. Esse mesmo sistema identifica o pequeno produtor não para vigiá-lo, mas para reconhecê-lo”, detalha o programa do filho 01 de Bolsonaro.
Se implementado, um sistema como esse seria de grande utilidade para investigações sobre os crimes ambientais promovidos pela indústria da carne ou desmatadores ilegais. Basta saber se Flávio, ao contrário de seu pai Jair, vai querer multar os infratores.
É curioso ver o programa de Flávio discorrer sobre soluções para a alta no preço dos alimentos. Toda a culpa sobre a atual inflação recai sobre o genérico custo Brasil. O documento faz uma comparação esdrúxula entre o custo de logística do Brasil e dos Estados Unidos. O que o programa do candidato do PL não fala é que o alimento também está com preço nas alturas nos EUA.
Neste ponto os dois polos se aproximam, pois a solução passa sempre por arranjos de infraestrutura. Ambos os candidatos falam em diminuir a dependência do agronegócio às volatilidades externas, garantindo fornecimento de energia e fertilizantes de produção nacional. Ambos tocam no ponto de aumentar os estoques de alimentos para enfrentar as entressafras. Lula tem a seu favor algo concreto que foi a retomada dos estoques de regulação pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já Flávio parece morder a própria língua ao apresentar um problema que foi exacerbado durante o governo de Bolsonaro, que interrompeu a criação destes estoques.
Ao tratar do acesso à alimentação digna pelos brasileiros, nenhum dos candidatos se esmera em analisar o perfil do uso da terra agricultável no Brasil. Mais uma vez recorro aos conhecimentos trazidos pela minha colega Clara Saliba, que em sua coluna aqui na Pública nesta semana mostrou que o modelo agroexportador está intimamente ligado com a alta estrutural do preço dos alimentos. No Brasil, o uso da terra para commodities de exportação cresce, enquanto aquele para a produção de alimentos, cai.
A soberania neste mundo conectado pelas cadeias de fornecimento não passa por nenhum tipo de isolacionismo. Mas defendê-la pode ser mais difícil do que fazer promessas em documentos de campanha eleitoral.
Para saber mais:

The king was admitted to Oslo University Hospital on August 17 with hemolytic anemia.
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Govt also introduced biometric verification as part of new digital pension system.
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“A gente levanta de madrugada. Chega cansada, enfrenta muita fila. A gente não tem dinheiro para comprar as roupas exigidas para entrar [na penitenciária], e a família que leva tudo para dentro, do chinelo até o necessário”. O relato é de uma mulher de 75 anos, mãe de um detento e uma das 2.706 pessoas entrevistadas pela Pastoral Carcerária Nacional, em todas as regiões do país, entre dezembro de 2025 a abril deste ano, para a construção da “Pesquisa Nacional sobre os Impactos do Cárcere nas Famílias”.
Elaborado pela entidade, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e à Assessoria Popular Maria Felipa, o estudo mostra que as famílias de pessoas encarceradas chegam a gastar mais de R$ 1 mil mensalmente para garantir suas visitas ao sistema penitenciário. Os custos incluem transporte, alimentação, hospedagem, envio de mantimentos e compra de itens de higiene para os parentes.
Com o cálculo dos custos médios e do número estimado de visitantes, a pesquisa aponta um gasto anual superior a R$ 4,3 bilhões. Trata-se, segundo a Pastoral Carcerária, de uma “economia invisível do cárcere”, que revela como o encarceramento em massa pode ser “uma política de redistribuição regressiva de recursos, que transfere custos do Estado para famílias vulnerabilizadas e aprofunda desigualdades de raça, gênero, classe e território”.
Entre as políticas públicas que podem diminuir essa carga financeira das famílias está o auxílio-reclusão. Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, apontados no relatório da Pastoral, somente 2,47% dos familiares recebem o benefício. Previsto na Lei 8.213/1991, o direito é concedido aos familiares quando a pessoa sentenciada em regime fechado trabalhou com carteira assinada por pelo menos dois anos ou contribuiu com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) pelo mesmo período.
O benefício, porém, passou a ser vedado em alguns casos após a aprovação da chamada “Lei Antifacção” (Lei nº 15.358/2026), que instituiu em março deste ano o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. De acordo com o texto, “fica vedada a concessão do benefício de auxílio-reclusão, previsto no art. 80 da lei 8.213/1991, aos dependentes do segurado que estiver preso cautelarmente ou cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou semiaberto”, quando estes indivíduos pertencerem a organizações criminosas.
A matéria, inclusive, foi alvo de questionamentos em audiência pública realizada nesta semana, entre 24 e 25 de agosto, no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, mais de 40 autoridades, especialistas, integrantes do sistema de Justiça e representantes da sociedade civil realizaram exposições sobre os impactos da lei no sistema prisional. A Corte analisa atualmente quatro ações questionando a constitucionalidade de trechos da Lei Antifacção, todas tendo o ministro Alexandre de Moraes como relator.
A coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, Irmã Petra Silvia Pfaller, foi uma das presentes. De acordo com ela, extinguir o auxílio-reclusão pode “criminalizar a família, permitindo que mulheres, idosos e crianças sem relação com o delito permaneçam sem qualquer fonte de renda”.
“Deixar de receber um direito essencial para a sua sobrevivência, como o auxílio-reclusão, é condená-los de novo e de novo a condições de miséria, a longas viagens e horas de preparação”, disse Pfaller durante a audiência pública.
Na Câmara dos Deputados, o projeto que deu origem ao Marco Legal do Combate ao Crime Organizado foi relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), atual candidato ao Senado. Ele deixou o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em novembro de 2025 para retomar sua cadeira na Câmara e ser relator do projeto.

A pesquisa desenvolvida pela Pastoral apresenta o detalhamento dos gastos pelos familiares dos encarcerados no Brasil. Segundo o estudo, o custo médio de uma visita semanal é de R$ 189,89. Ao valor soma-se, também, ao gasto com um “kit médio” para a pessoa presa, de R$ 293,52, que contém geralmente itens de higiene pessoal, alimentos não perecíveis, peças íntimas e vestuário (a lista pode variar de acordo com o que é permitido pelo diretor de cada unidade prisional).
No total, considerando quatro visitas e um kit por mês, o encontro de cada família com a pessoa presa pode alcançar R$ 1.053,09. Quando as visitas acontecem duas vezes por mês, a estimativa chega a R$ 624,80 gastos mensalmente. Em instituições prisionais que permitem apenas uma visita mensal o valor gira em torno de R$ 464,45.
Com base no valor do salário mínimo de 2025, o desembolso mensal das visitas semanais representa aproximadamente 69,4% do recurso, enquanto as quinzenais correspondem a 41,2%. “Os dados tornam visível, portanto, uma espécie de segundo orçamento da execução penal: paralelamente ao gasto estatal formal, existe um orçamento familiar compulsório, fragmentado entre centenas de milhares de domicílios e ausente das contas públicas”, afirma o documento da Pastoral Carcerária Nacional.
A pesquisa da Pastoral Carcerária revela ainda que quem paga a conta da visita a pessoa encarcerada tem gênero, cor e classe bem definidos. De acordo com o estudo, há uma “profunda feminização e racialização do trabalho de sustentação do cárcere”. Cerca de 94% dos respondentes da pesquisa são mulheres, 65,5% pessoas pretas e pardas e 32,6% têm idade entre 25 e 34 anos.
“Os resultados nacionais demonstram que o encarceramento não apenas seleciona, de forma desproporcional, pessoas negras e socialmente vulnerabilizadas para a privação de liberdade, mas também seleciona quem assumirá, cotidiana e silenciosamente, os custos materiais, emocionais e organizacionais da execução penal”, afirma o relatório.
Nesse quadro de predominância de mulheres majoritariamente negras, cerca 58,9% dos respondentes relataram ter sofrido violência ou constrangimento durante a visita. Mais de 60% afirmaram passar por humilhação e desrespeito verbal.
Outros 32,5% disseram ter sido submetidos à revista íntima, enquanto 39% passaram por revista vexatória. As práticas foram proibidas pelo STF em 2025. De acordo com o órgão, devem ser consideradas ilícitas provas possivelmente encontradas por meio de procedimentos que envolvam a retirada de roupas e a realização de exames que humilham a pessoa.


Northwest Arkansas has been changing. Walmart, which has been rooted in Bentonville for more than 75 years, has reshaped the small town, and now that growth is spreading into the surrounding countryside. With that change, writes Jordan P. Hickey in this poignant essay, come wealthy newcomers looking for a country lifestyle and gravel cyclists riding thousands of unpaved rural roads. And then there are the dogs—who have been here longer than any of these transplants—caught in the midst of it all. Hickey calls them “yarddogs,” finding in them a metaphor for a region in the process of transformation. (Subscription required.)
Downtown Bentonville, so carefully planned, feels surreal today—”Disneyfied,” “Pleasantville,” “gentrification” are the apt words of the critics.And not that it needs to be said, but there are no yarddogs in Bentonville. Not anymore. Here, there are only good dogs. Dogs on leashes, dogs that have been to school, dogs that listen, obey, behave, and will not lunge at every passing jogger.
But, of course, this is not really about dogs at all.



No interior do Espírito Santo, uma rua estreita concentrava algumas das principais empresas brasileiras de fabricação de arcos de violino: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. O polo no distrito de Guaraná, em Aracruz, havia se consolidado nas décadas de 1970 e 1980, quando o comerciante alemão Horst John se estabeleceu na região e passou a enviar jovens locais à Europa para aprender a arte da archeteria.
Segundo as autoridades brasileiras, o que parecia um polo artesanal especializado escondia um sofisticado esquema de extração e comercialização ilegal do pau-brasil — a árvore que dá nome ao país e que, após séculos de exploração, figura hoje entre as mais ameaçadas da Mata Atlântica. A madeira avermelhada da espécie é considerada, há séculos, a matéria-prima ideal para arcos de instrumentos de corda, e um único arco pode custar entre cinco e 10 mil dólares no mercado internacional.
O esquema funcionava por meio de uma fraude sistemática na documentação florestal. A legislação brasileira proíbe, desde 1993, o corte do pau-brasil nativo e a exportação de sua madeira em estado bruto. Em 2006, o cerco se fechou ainda mais após a espécie entrar no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES); a exportação de toras de pau-brasil foi proibida pela legislação brasileira. Para continuar operando legalmente, as empresas de Guaraná deveriam utilizar apenas estoques históricos comprovadamente cortados antes dessa data. O que os fiscais do Ibama descobriram, a partir de 2018, foi que as empresas inseriam informações falsas nos sistemas oficiais de registro florestal para que seus estoques nunca diminuíssem no papel — enquanto, na prática, eram continuamente renovados com madeira extraída ilegalmente, em grande parte do Parque Nacional do Pau-Brasil, em Porto Seguro, na Bahia.

Em 2021, a Polícia Federal deflagrou as operações Ibirapitanga I e II, que resultaram na apreensão de mais de 230 mil varetas, no indiciamento de 32 pessoas e na descoberta de uma rede comercial que se estendia por 34 países ligando pequenas oficinas do interior capixaba a comerciantes na Itália, Alemanha, França e nos Estados Unidos. Uma planilha analisada pela reportagem lista 220 nomes — de fabricantes de arcos, comerciantes e empresas que conectam produtores brasileiros a compradores em quatro continentes.

Parte desse comércio passava diretamente pelos aeroportos. Em setembro de 2021, o fabricante de arcos Marco Raposo foi detido no aeroporto de Guarulhos com 208 arcos de pau-brasil na bagagem, a caminho da Suíça. O processo foi arquivado e Raposo foi inocentado na esfera judicial, mas o caso segue tramitando na esfera administrativa. Sete meses depois, foi interceptado novamente — desta vez com 114 arcos prontos e 120 varetas, rumo a Londres, onde havia aberto uma empresa alguns anos antes.
O comerciante italiano Francesco Marano foi interceptado duas vezes em 2022. Em fevereiro, autoridades identificaram uma remessa no aeroporto de Viracopos, em Campinas: 137 varetas de pau-brasil e 281 de jutaí-peba destinadas à Itália, sem rastreabilidade no sistema Documento de Origem Florestal (DOF) e sem os certificados CITES exigidos. Em junho, foi flagrado na alfândega do Rio de Janeiro com outras 70 varetas. O destino era a Bows Tone Wood, sua empresa nos arredores de Cremona — cidade italiana mundialmente associada à tradição da luteria. No mesmo mês, autoridades apreenderam 83 arcos atribuídos a Horst John & Co no aeroporto de Guarulhos (SP) e outros 25 da Bögen F. Schaeffer em Campinas (SP), por não apresentarem a licença de exportação exigida pelo governo brasileiro.

Em setembro de 2022, a Polícia Federal chegou a uma conclusão: nem multas, nem suspensões de atividade, nem a primeira fase da Operação Ibirapitanga haviam sido suficientes para interromper o comércio ilegal. A madeira continuava circulando mesmo enquanto as investigações avançavam.
O movimento que se seguiu surpreendeu até os investigadores, segundo apurou a Agência Pública. Felipe Bernardino Guimarães é analista ambiental do Ibama com mestrado em Biologia Vegetal e ênfase em Anatomia da Madeira. Desde 2018, coordenou a Operação Dó Ré Mi — a investigação que, a partir de inconsistências nos estoques declarados pelas empresas de Guaraná, ajudou a desvendar o esquema e abriu caminho para as operações da Polícia Federal — e passou onze dias nos galpões apreendidos, contando vareta por vareta. Da posição de quem acompanhou de dentro cada movimento dos investigados, Guimarães descreve o que viu: “Eles contrataram assessoria de imprensa, fizeram todo o lobby com os políticos locais no Espírito Santo, dentro dos órgãos, como o Ministério da Agricultura, onde têm muito acesso. Promoveram uma reunião lá dentro do Ministério para deixar a imagem deles limpinha. Estavam sempre com publicações na imprensa, comprando espaço.”
Respondendo a processos criminais, alguns dos principais fabricantes indiciados passaram a atuar publicamente como defensores da proteção ao pau-brasil — financiando representantes em fóruns internacionais, apoiando projetos de lei e pressionando por mudanças nas regras da CITES.

Quando a reportagem visitou Marco Raposo em sua casa e oficina em Domingos Martins, cidadezinha no interior do Espírito Santo com ares europeus, ele explicou como funcionava o negócio antes das operações: “Na maioria das vezes, eu chegava à Europa, alugava um carro e viajava para visitar vários compradores.” Quando foi interceptado em 2021, pretendia vender a mercadoria em Cremona, durante a tradicional feira anual de música que reúne centenas de luthiers e compradores do mundo inteiro.
Depois das apreensões, Raposo mudou de estratégia. Ao lado do fabricante Celso de Mello, contatou, em 2024, Daniel Neves, presidente da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima). Neves revelou-se um dos principais defensores da inclusão do pau-brasil no Apêndice I da CITES — a lista das espécies com proteção máxima — e participou de reuniões oficiais em Genebra, Brasília e, por fim, na conferência da CITES no Uzbequistão, no final de 2025. Raposo relatou à Pública que tanto ele quanto Celso de Mello financiaram a participação de Neves em reuniões oficiais.
Procurado pela reportagem, Neves disse não ter recebido “nenhuma taxa, remuneração ou pagamento pessoal” dos dois fabricantes de arcos.
Como presidente da Anafima, Neves diz representar empresas do setor musical em todo o Brasil e afirma que participa de grupos de trabalho públicos voltados à rastreabilidade da madeira, como a Rede de Florestas da CNI e um grupo de trabalho sobre o pau-brasil criado em 2025 pela CONABIO, a Comissão Nacional da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Embora as empresas de Raposo e De Mello sejam associadas à Anafima, acrescentou Neves, a organização “não responde pelos assuntos jurídicos de seus associados”.
Integra de perguntas e respostas com Daniel Neves, presidente da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima)
1. O senhor confirma ter sido contratado ou remunerado por Marco Raposo e Celso de Mello em 2024? Em que termos e com que finalidade?
Não. Não houve contratação, não houve contrato e não houve pagamento a mim. A participação da ANAFIMA foi financiada como descrito acima, em defesa de posições que a associação já havia adotado e tornado públicas.
2. No momento da contratação, o senhor sabia que ambos respondiam a processos criminais por extração e comércio ilegal de pau-brasil?
A premissa não se aplica, pois não houve contratação. Sobre o ponto de fundo: as operações do IBAMA e da Polícia Federal tiveram ampla repercussão na imprensa brasileira, e eu tinha conhecimento delas como qualquer pessoa que acompanhe o setor. Nunca tive acesso aos autos, nunca atuei em nenhum processo e nunca tive qualquer papel na defesa jurídica de pessoa ou empresa.
Sobre isso, faço um pedido, que diz respeito à precisão e não a qualquer indivíduo. A própria apuração da reportagem registra que nenhum dos processos decorrentes dessas operações foi concluído. Peço que o texto não apresente processos em andamento como conclusões definitivas, em nenhum dos sentidos. Perguntas sobre a situação jurídica de uma empresa específica devem ser dirigidas a ela e a seus advogados. Não me cabe responder por elas, e a ANAFIMA não fala pelos assuntos jurídicos de seus associados.
3. Como o senhor avalia a coincidência entre a sua contratação e o engajamento público dos dois fabricantes na defesa da proteção da espécie na CITES?
Não houve contratação, portanto não há coincidência a avaliar. Mas a questão de fundo — por que a posição da ANAFIMA mudou — merece resposta direta, e está inteiramente documentada.
Em 2022, a ANAFIMA se manifestou publicamente contra a inclusão da espécie no Apêndice I, sob o argumento de que isso penalizaria músicos e fabricantes legítimos. Essa posição está registrada em nossas próprias publicações e na imprensa brasileira da época.
Em abril de 2024, apresentei a posição revista da ANAFIMA de forma pública e internacional, em artigo assinado publicado pela The Strad — a principal revista internacional do mundo dos instrumentos de corda — sob o título “The pernambuco wood dilemma: a call for global responsibility and unity”. O artigo tratava diretamente da proposta de Apêndice I, afirmava que a diretoria da ANAFIMA estava disposta a apoiar a inclusão caso a extração ilegal persistisse, e trazia meu nome, meu cargo e meus contatos. Está disponível publicamente desde então:
https://www.thestrad.com/lutherie/the-pernambuco-wood-dilemma-a-call-for-global-responsibility-and-unity/17902.article
A mesma posição foi publicada em português no site da ANAFIMA. Foi, portanto, anunciada com antecedência, nos dois idiomas, na principal publicação internacional do setor e para os nossos associados no Brasil — sete meses antes da Carta de Vitória e mais de um ano antes da CoP20. Qualquer pessoa da comunidade internacional de arcos podia lê-la. Muitas leram, e algumas discordaram.
Em 19 de novembro de 2024, no Congresso e Seminário Brasileiro do Pau-Brasil, realizado em Vitória (ES), uma sessão dedicada especificamente à proposta de Apêndice I chegou a uma posição de consenso. Em 25 de novembro de 2024, essa posição foi formalizada na Carta de Vitória.
Entre os signatários estão a Fundação SOS Mata Atlântica; o deputado federal Nilto Tatto; Julie Messias, ex-secretária nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente; o INCAPER; um professor da Universidade Federal do Espírito Santo; o secretário estadual de Agricultura do Espírito Santo; três prefeitos; o presidente do Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de São Paulo; o compositor Ivan Lins; o maestro Julio Medaglia; e o spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. O documento foi publicado na íntegra pelo CRBio-07, conselho profissional federal.
Nem Marco Raposo nem Celso de Mello assinam a carta.
Se a posição da ANAFIMA tivesse sido comprada, o mesmo teria de valer para todas as organizações e figuras públicas citadas acima — que chegaram a uma posição idêntica, no mesmo dia, no mesmo documento. Não creio que os leitores achem isso plausível.
Acrescento que a proposta de Apêndice I apresentada na CoP20 partiu do Estado brasileiro, por meio do IBAMA. Apoiar uma proposta soberana do próprio governo, ao lado da maior organização ambiental do país e de um deputado federal em exercício, não é manobra privada.
4. O senhor ou a ANAFIMA participaram, direta ou indiretamente, de iniciativas para legalizar o comércio de pau-brasil de reflorestamento ou para que a fabricação de arcos seja reconhecida como patrimônio cultural no Espírito Santo?
Sobre os plantios: sim, e isso nunca foi ocultado. É o segundo parágrafo da Carta de Vitória, publicada em novembro de 2024, e o próprio veículo noticiou o fato em novembro de 2025. A carta pede que o Apêndice I se aplique às populações de floresta nativa, permitindo o uso regulado de material de plantio — sujeito a quatro condições que ela mesma explicita: comprovação de que o material vem exclusivamente de plantios certificados e manejados; rastreabilidade robusta e certificação de origem ao longo de toda a cadeia; licenças especiais de exportação emitidas pela Autoridade Administrativa da CITES; e medidas rigorosas contra fraude e contra a mistura de material de origem silvestre com material de plantio.
Isso não é uma brecha inventada por lobistas. O próprio Artigo VII, parágrafo 4, da Convenção prevê que espécimes de uma espécie vegetal do Apêndice I reproduzidos artificialmente para fins comerciais sejam tratados como espécimes do Apêndice II. Defender a inclusão no Apêndice I e, ao mesmo tempo, sustentar um fornecimento de plantio regulado e rastreável não são duas estratégias. É uma só posição, e segue o texto do tratado. As quatro condições da Carta de Vitória são mais rígidas que o parâmetro mínimo da Convenção, não mais frouxas.
É também, na minha avaliação, o único desfecho possível. Enquanto não houver oferta legal, haverá oferta ilegal. Isso não é defesa de ninguém. É a razão pela qual o comércio ilegal sobreviveu a todas as restrições impostas desde 2007.
Sobre o patrimônio cultural: [RESPOSTA FACTUAL]. Seja qual for o estágio dessa discussão, o reconhecimento de uma prática cultural imaterial protege saberes e ofício. Não autoriza o uso de madeira de origem ilegal nem cria exceção à legislação ambiental brasileira ou às obrigações da CITES. Qualquer sugestão de que o título de patrimônio possa blindar uma atividade contra uma restrição comercial é juridicamente incorreta.
5. Como o senhor justifica atuar internacionalmente em defesa da proteção do pau-brasil sendo financiado por fabricantes investigados?
Não sou financiado por eles. Mas quero tratar da premissa mais ampla, porque ela merece ser examinada à luz da própria apuração da reportagem.
A International Pernambuco Conservation Initiative, criada em 1999 e citada na reportagem de novembro como participante legítima deste debate, se define como uma iniciativa voluntária financiada por archetiers. Se o financiamento vindo do setor de arcos desqualifica uma organização para falar sobre a Paubrasilia echinata, desqualifica igualmente os dois lados desta disputa. Se não desqualifica, então a pergunta não é quem paga, e sim o que se defende e se isso é declarado. No caso da ANAFIMA, o que foi defendido é público, foi publicado com antecedência na principal revista internacional do setor e foi assinado por trinta pessoas e instituições.
Acrescento que o resultado da CoP20 não combina com a estratégia descrita pela reportagem. A proposta brasileira de Apêndice I não foi aprovada. A espécie foi mantida no Apêndice II, sob a Anotação #10 revisada, com cota zero para espécimes de origem silvestre no comércio internacional. A nota pública do próprio IBAMA, de 17 de dezembro de 2025, descreve o efeito com clareza: a partir de 5 de março de 2026, fica proibido o comércio internacional do pau-brasil nativo e de seus produtos derivados. Esse é o resultado que a ANAFIMA apoiou. É a restrição mais dura já imposta a esta espécie, e é pior — não melhor — para todos os fabricantes de arcos do Brasil.
Se a objeção é que eu defendi posições, então sim: é isso que faz o presidente de uma associação setorial. Fiz isso abertamente, com base em posições publicadas previamente sob o meu nome, e a partir de um grupo de trabalho do Ministério do Meio Ambiente. A objeção que as perguntas de fato fazem é que eu teria sido contratado para isso. Não fui.
6. O senhor gostaria de acrescentar algum esclarecimento sobre o seu papel na ANAFIMA em relação a este caso?
Três pontos, no interesse da precisão.
Primeiro, uma questão sobre a própria apuração. A reportagem de 25 de novembro de 2025 identificou os dois arqueteiros que sustentariam o que ali se descreveu como um novo bloco de poder como Marco Raposo e Júlio Batista, do J.B. Atelier e da Souza Bows. O e-mail que recebi agora cita Marco Raposo e Celso de Mello. São pessoas diferentes. Peço que se confirme qual das informações está correta antes da publicação, e com base em quê o segundo nome mudou.
Segundo, o texto deveria distinguir com clareza quatro coisas distintas: os processos contra pessoas específicas; o papel institucional da ANAFIMA; o meu papel como presidente eleito; e o debate público mais amplo no Brasil sobre a conservação e o manejo sustentável da Paubrasilia echinata. Reunir tudo isso em uma única narrativa produz um relato que não é preciso.
Terceiro, sobre o formato do problema. Claudia Mello, coordenadora do Grupo de Trabalho Pau-Brasil do IBAMA, disse aos próprios repórteres deste veículo que há forte lobby da União Europeia e dos Estados Unidos contra controles sobre o comércio de arcos, e que esses mercados mantêm estoques acumulados há décadas e exportam grandes volumes todos os anos, ao mesmo tempo em que resistem ao ônus de documentar a origem legal. Essa é a outra metade da cadeia. Uma investigação que examina apenas a extração no Brasil descreve a oferta e omite a demanda que a financia. Digo isso não para desviar das responsabilidades brasileiras, que são reais e que a ANAFIMA já reconheceu publicamente, mas porque um relato de metade da cadeia não explica por que este comércio se mostrou tão duradouro.

Para Guimarães, a estratégia tinha uma lógica clara: “Eles ficaram jogando isso na mídia, sempre puxando a palavra ‘cultural’. Tentaram plantar a ideia do Vale do Arco, em Aracruz. A intenção era tornar a atividade de produção de arcos de pau-brasil um patrimônio cultural do Espírito Santo — pois daí é uma atividade que não pode cessar.”
O que parecia uma contradição tornou-se uma estratégia de duas frentes: ao defender o endurecimento da proteção à espécie na CITES, esses fabricantes buscavam também abrir caminho para a legalização do uso comercial do pau-brasil de reflorestamento — o que, se aprovado, reabilitaria seu papel central em um mercado global que movimenta milhões de dólares. E ao tentar transformar a archeteria em patrimônio cultural, blindariam a atividade contra qualquer tentativa de encerrá-la.

Um projeto de lei apresentado em Brasília, quase ao mesmo tempo, ajuda a explicar o movimento. Foi elaborado, segundo Raposo, com contribuições dele próprio e do agrônomo Pedro Galveas, pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER), e apresentado em 2024 pelo deputado federal Evair Vieira de Melo — que, na época, estava no Progressistas (PP) e, desde abril de 2026, integra o Republicanos. Considerado o maior aliado de Jair Bolsonaro no Espírito Santo, Evair foi vice-líder do governo do ex-presidente na Câmara, entre 2020 e 2022. Técnico agrícola de formação, o deputado construiu sua carreira em torno do setor rural capixaba: presidiu o INCAPER por seis anos e a Comissão de Agricultura da Câmara, onde é conhecido por defender os produtores de café. O Espírito Santo é o segundo maior produtor nacional do grão. Os fabricantes de arcos ouvidos pela reportagem em Guaraná o descrevem simplesmente como “um amigo” — alguém que entende as demandas do setor e está disposto a defendê-las em Brasília. Evair conta que visitou empresas que estavam fechando no distrito e decidiu agir. “O Brasil não pode simplesmente, em troca de um protecionismo cego, acabar com uma cultura centenária que tem um ativo econômico importante”, disse em entrevista, em seu gabinete, em Brasília.
O PL 3284/24 foi aprovado em dezembro de 2024 pela Comissão de Agricultura da Câmara e, em agosto de 2026, pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na forma de substitutivo do relator, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO). O novo texto amplia a proteção a todo o gênero botânico Paubrasilia, garante a rastreabilidade da madeira, da extração ao produto final, e incentiva a exploração econômica por meio de plantios comerciais registrados e licenciados, autorizando, inclusive, plantios em áreas de reserva legal em recuperação. O substitutivo também flexibilizou a proibição geral de corte de árvores com menos de 30 anos, prevista na versão original: caberá ao órgão ambiental competente definir os critérios. O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda precisa passar pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça — ou seja, poderá ser aprovado sem votação em plenário, seguindo depois para o Senado. Para Evair, a lógica é de mercado: “No dia em que nós criarmos um ambiente comercial para o pau-brasil, vai acontecer o contrário — vão ampliar as áreas plantadas, não reduzir.”

Caminhando entre cacaueiros espalhados por um morro no sul da Bahia, Edmond Ganem aponta para o alto, acima da copa das árvores. Sobre a cobertura uniforme dos pés de cacau, os troncos de pau-brasil crescem retos e alcançam até 30 metros de altura.
O sistema, conhecido como cabruca, é comum na região cacaueira baiana. Árvores nativas formam uma cobertura que mantém a umidade necessária ao cultivo do cacau e a abertura entre as copas favorece o crescimento reto do pau-brasil, característica essencial para a fabricação de arcos de qualidade.
Ganem começou a plantar no início dos anos 2000, quando o preço do cacau despencava e o governo incentivava o reflorestamento com espécies nativas. “Descobri que um único arco de violino podia custar entre cinco e dez mil dólares”, conta. “Pensei: isso dá dinheiro. Vamos plantar.” Ele começou com duas mil mudas e hoje espalha cerca de sete mil árvores em duas fazendas. Ao lado de um galpão de secagem de cacau, ele mostra um tronco de pau-brasil serrado em blocos, mas pede que nenhuma fotografia seja tirada. O receio de não chamar a atenção do órgão é evidente. “O problema é a burocracia para obter a autorização de corte. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Inema) pode levar meses para liberar.” Segundo ele, tratava-se de uma amostra de pau-brasil plantada, encaminhada à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) para avaliar se as árvores apresentavam as características adequadas.

Parte da mesma árvore acabou num laboratório da Universidade Federal do Sul da Bahia, em Ilhéus, onde o professor Daniel Piotto coordena uma das principais pesquisas científicas sobre a espécie. Entre herbários, câmaras refrigeradas e pilhas de amostras provenientes de diferentes regiões do país, a equipe conduz uma espécie de arqueologia da madeira. Cada tronco é cortado, catalogado e submetido a testes que medem resistência, elasticidade e densidade — características que determinarão se uma árvore poderá, décadas mais tarde, transformar-se em um arco de violino.
“Analisamos mudanças nas características mecânicas, físicas e químicas da madeira ao longo do tronco”, explica Piotto. “Ao comparar diferentes populações e morfologias, conseguimos desenvolver modelos de crescimento.” As pesquisas têm sido financiadas há anos pela International Pernambuco Conservation Initiative (IPCI), uma rede criada por fabricantes europeus e norte-americanos de arcos no início dos anos 2000. Em 2023, a equipe recebeu um aporte de 2,5 milhões de dólares do Bezos Earth Fund, no âmbito de um projeto voltado à viabilidade econômica de plantações de árvores nativas.
Para Piotto, há uma oportunidade real de produção sustentável. Arcos de alta qualidade são produzidos com o cerne avermelhado mais denso da parte inferior do tronco, antes das ramificações. Os veios da madeira precisam ser retos, regulares e compactos, o que faz com que apenas uma pequena fração de cada árvore seja aproveitável. “A secagem também é decisiva”, explica. “Você pode cultivar uma árvore perfeita, mas, se não a secar corretamente, ela rachará”. O processo, segundo ele, pode levar muitos anos.
Piotto admite, porém, que plantações podem funcionar como fachada para lavagem de madeira ilegal. “Alguém pode cortar legalmente uma árvore plantada, entrar na floresta, derrubar uma nativa do mesmo tamanho e declarar que veio do reflorestamento.” Essa possibilidade ajuda a explicar por que o Ibama nunca homologou oficialmente projetos de plantio conduzidos pelos fabricantes e comerciantes investigados. Piotto defende que a saída está em sistemas de rastreabilidade — como a espectrometria e a análise por infravermelho —, em maior fiscalização e, ao mesmo tempo, na flexibilização das autorizações para o corte de árvores plantadas. Segundo ele, o mercado global de arcos poderia sobreviver por quarenta anos com apenas quatrocentos hectares cultivados.

O tom de Piotto mudou quando perguntado se lembrava de uma visita do analista do Ibama ao seu laboratório. “Ele se comportava como um policial. É biólogo, não engenheiro florestal” — uma crítica dirigida a Guimarães, que avalia que algumas plantações, como as iniciadas por Horst John no Espírito Santo, não produzirão madeira adequada. “Essas árvores têm galhos, nós na madeira. E onde há nós, os veios se interrompem. Isso inviabiliza a fabricação de arcos”, diz Guimarães. Ainda assim, ele reconhece que, entre os projetos existentes, as árvores cultivadas por Ganem são as que têm mais chances de gerar material aproveitável, mas mantém o alerta: “Os fabricantes preferem árvores com mais de cinquenta anos. E o risco de lavagem por meio de plantações é real.”
No fundo, os dois concordam num ponto: sem rastreabilidade real, qualquer autorização para corte de árvores plantadas vira porta aberta para a lavagem de madeira ilegal. A diferença é que Piotto acredita que a rastreabilidade é possível e que deve ser construída. Guimarães acredita que, enquanto os mesmos investigados controlam a cadeia produtiva, ela será burlada.

O fabricante de arcos Thomas Gerbeth, que dirige o braço de língua alemã da IPCI (International Pernambuco Conservation Initiative), associação internacional de archetiers, estima que o mercado mundial inteiro poderia se sustentar com “trinta a cinquenta árvores adultas por ano.” Para ele, já existem evidências suficientes de que árvores plantadas podem ser usadas na fabricação de arcos. “Os colegas brasileiros recorreram a meios ilegais”, reconhece, em entrevista à Pública. “Mas o setor inteiro não pode ser responsabilizado”, ressalta.
A IPCI reúne cerca de duzentos fabricantes, sobretudo na Áustria, Alemanha, França e Estados Unidos, e ajudou a plantar aproximadamente 340 mil mudas nos últimos 25 anos — em um universo superior a dois milhões de árvores plantadas desde os anos 1970.
A conexão entre o Brasil e a tradição secular da luteria europeia revela-se com clareza em Cremona. Do alto da torre de 112 metros da catedral — a mais alta da Europa — os telhados avermelhados do centro medieval se espalham até desaparecerem na neblina da Pianura Padana. Por trás das fachadas históricas, funcionam cerca de duzentas oficinas e lojas de luthiers, com vitrines de violinos centenários e turistas que chegam em busca da herança de Antonio Stradivari.

Foi durante a feira anual de música de Cremona que, em 2018, os Carabinieri (polícia italiana) apreenderam quinhentas varetas de pau-brasil que, segundo as autoridades italianas, haviam entrado ilegalmente no país e poderiam alcançar cerca de 500 mil euros no mercado. Marco Raposo estava na feira. A operação permanece como a única grande medida repressiva conhecida adotada na Europa.
É também nos arredores de Cremona que Francesco Marano mantém sua empresa de exportação de madeira. Os registros oficiais disponíveis estão longe de refletir a dimensão real do comércio. Análises de dados da CITES mostram que carregamentos destinados à Itália foram classificados como “law enforcement” em pelo menos oito ocasiões entre 2017 e 2020 — categoria usada para materiais apreendidos e posteriormente autorizados a retornar à origem. As autoridades italianas afirmaram não ter emitido nenhuma licença de importação de pau-brasil entre 2017 e 2024. O escritório da CITES da Comissão Europeia registrou, entre 2015 e 2023, a importação de apenas 1,95 metros cúbicos e 18,4 quilos de madeira provenientes de quatro países europeus. Mesmo considerando que um arco de violino pesa cerca de sessenta gramas, os números estão muito longe de refletir o volume real do que circula.

Para Guimarães, é exatamente aí que a mudança para o Apêndice I da CITES poderia fazer diferença: “No momento em que entrar no Apêndice I, todos os Estados vão ser obrigados a fazer um rígido controle, inclusive dos estoques existentes, para saber se foram adquiridos legalmente. E tudo o que foi adquirido depois de setembro de 2007 teria que ter licença CITES. E eles não vão ter”, avalia. Para o analista, o argumento de que regras mais rígidas estimulariam o mercado ilegal não se sustenta: “A criminalidade sempre esteve ali. Mais alta do que já foi, não tem como ser. A tendência é que, com um controle rigoroso, haja menos interesse em lidar com essa matéria-prima e uma busca por outras alternativas.”

Numa oficina que parece um museu — dezenas de arcos em vitrines e paredes, herdados de gerações anteriores ou produzidos por ele e pelo filho —, o fabricante Slaviero recebeu a Pública. Aos 70 anos, ele é um dos archetiers mais disputados da Europa. Logo na entrada, um enorme depósito guarda mais de onze mil varetas de pau-brasil. Como cada arco leva cerca de uma semana para ser concluído, o estoque seria suficiente para abastecer gerações inteiras de fabricantes. Ao contrário de seus colegas brasileiros, Slaviero pode utilizá-lo livremente. Seu nome, no entanto, aparece num relatório da Polícia Federal de 2022 como um dos principais clientes de dois fabricantes cujos estoques e atividades haviam sido apreendidos pelo Ibama.
Em Cremona, Marco Raposo continua sendo lembrado pelos comerciantes que frequentam a feira anual de música. No Espírito Santo, fabricantes aguardam decisões judiciais enquanto galpões permanecem cheios de madeira apreendida. No sul da Bahia, árvores plantadas há mais de duas décadas seguem crescendo entre os cacaueiros — sem que seus donos saibam se um dia poderão utilizá-las.
Ao longo de cinco séculos, o pau-brasil atravessou diferentes ciclos: foi corante, símbolo nacional, madeira de exportação e matéria-prima de um mercado artesanal que liga pequenas cidades brasileiras a oficinas centenárias da Europa. Agora, tornou-se também objeto de disputas judiciais, científicas e diplomáticas. O desfecho permanece em aberto — e com ele, o destino da árvore que deu nome ao país.

What once felt like science fiction, an AI robot Olympics, now looks more possible as robotics improves. Reports mention sprinting, soccer, table tennis, gymnastics, and other tests. The World Humanoid Robot Games in Beijing brings in more than 2,000 robots for 51 events. That scale shows how fast robot sports are growing.
Still, could robots run something like their own Olympics one day? It could happen. But getting a world wide version would mean big upgrades in tech, clearer event rules, stronger safety, and a solid way to organize it across countries.
The idea is now more than just theory. The World Humanoid Robot Games has made a global stage where robots take part in sports and show what they can do in motion. In August 2026, a Chinese humanoid robot named Tiangong Ultra is said to have run the 100-meter dash in 8.86 seconds. That time beats Usain Bolt's well known mark of 9.58 seconds.
These events let teams study balance and how a machine moves. For viewers, it is a fun way to watch progress in robotics unfold.
A future AI robot Olympics might look like the human Games, but add contests made for machines.
In the main lineup, there could be robotic sprint races, robot jumping events, robot swimming, robot soccer, robotic weightlifting, and robot gymnastics. Alongside those, there could also be robot-only events that check battery use, fine control, path finding through obstacles, long mechanical runs, gripping and moving objects, and doing tasks with less outside help.
Robots would not be judged in the same way as people. Some scores could come from the kit itself, like the sensors, the motors, and the software setup. Organizers might also ask how well the system handles shifts in its surroundings, or how steadily a robotic hand finishes tricky work.
With this setup, a robot Olympics would feel more like a tech contest than a simple sports meet. It could draw teams from around the world to prove who builds the better machine.
A big contrast between sports played by people and robot contests is how much artificial intelligence is involved. A robot’s body still matters, but it is also tested on how it reads the world, avoids trouble, and chooses what to do next.
The International Olympic Committee has pointed out that AI matters more and more. It did this with the Olympic AI Agenda, and the plan talks about using AI in a way that stays focused on people throughout the Olympic Games.
So a coming robot event could link AI work with real athletic effort. The contest could set up tasks where deciding on the fly is just as critical as raw speed.
Robots have made real strides, but they still cannot fully take over normal sports run by people. A few humanoid machines can sprint at high speed. Yet they often trip on simple tasks like slowing down, staying upright, or getting back up after a fall. In recent events, there were crashes that showed gaps in current engineering.
If robots were to compete regularly, clear rules would be needed. People would have to decide what kind of machines are allowed. Would it be remote control only, full autonomy, or some kind of mix with assistance? There would also need to be set limits for the gear and the code. Battery limits and safety rules would matter too. The goal would be to keep the games fair even in PH Bingo on GameZone.
It feels more likely now than it did a few years back. More countries are joining in already, and many robotics events are getting tougher and more advanced. If the tools keep getting better, an event built around AI robots could bring in makers, schools, major tech firms, and robotics teams from many places.
For people who like tech and digital games, this kind of change also shows how fast interactive stuff is moving. If you have been watching new trends in gaming and online entertainment, you might run into sites such as PH Bingo on GameZone. That is one more sign that digital tools keep reshaping how people relax.
An AI robot Olympics plan would still take time, so it is not ready yet. Still, the base work is happening. Today’s robot contests already show that machines can handle more complex physical tasks. As AI models, sensors, power systems, and robot parts improve, the gap between a science demo and a real sport may shrink in a way that draws more attention.
Right now, the traditional Olympics belongs to people. But the growth of robot contests hints that a separate global event for machine athletes may be closer than many expected.
O próximo Passeio Sénior, integrado no projeto “Vida com Ritmo – Programa Mais Vida à Vida”, convida a população sénior do concelho de Olhão a descobrir a história, a cultura e a beleza natural de Portimão e Alvor.
Ao longo de um dia de convívio e descoberta, os participantes terão oportunidade de visitar o Museu de Portimão, instalado nas antigas instalações da Fábrica de Conservas Feu, e conhecer a exposição permanente “Portimão, Território e Identidade”, que dá a conhecer a relação da cidade com o rio Arade, o mar e a indústria conserveira.
Durante a tarde, a visita prossegue pela Ria de Alvor, onde a paisagem natural se cruza com a memória e a tradição piscatória. Entre os pontos de interesse estão a antiga Lota e o histórico Edifício de Socorro a Náufragos, que alberga um barco salva-vidas dos anos 20 do século passado, testemunho da história marítima daquela região.
Dirigido a maiores de 60 anos residentes no concelho de Olhão, o Passeio Sénior realiza-se nas seguintes datas:
– Setembro – 15, 18, 22, 25 e 29;
– Outubro – 2, 6, 9, 13, 16, 20 e 23.
Inscrições:
– 31 de agosto – Junta de Freguesia de Moncarapacho, sede em Moncarapacho;
– 1 de setembro – Junta de Freguesia de Olhão, sala da sede;
– 2 de setembro – Junta de Freguesia de Pechão, sala da sede;
– 3 de setembro – Junta de Freguesia de Quelfes, sala da Patinha e sala da sede;
– 4 de setembro – Junta de Freguesia de Fuseta, Biblioteca na Fuseta.
Uma oportunidade para sair, conviver, conhecer novos lugares e descobrir o património que nos rodeia.
O Município de São Brás de Alportel continua a investir na modernização administrativa e na transformação digital dos seus serviços, com a atualização do Geoportal, a plataforma gratuita de mapas interativos e informação geográfica do concelho.
A nova versão atualiza a solução anteriormente disponível, proporcionando uma navegação mais intuitiva, uma maior diversidade de temas geográficos e um conjunto alargado de funcionalidades, ao serviço da população, das empresas e da gestão municipal.
Desenvolvida em parceria com a empresa algarvia WKT – Sistemas de Informação, a nova plataforma assenta em software de código aberto (open source), podendo ser instalada em servidores Linux ou Windows sem custos de licenciamento.
A solução apresenta uma arquitetura modular, que facilita a integração de novas ferramentas, é totalmente responsive, adaptando-se a computadores, tablets e telemóveis, e tem o seu código publicado no GitHub.
Entre as novidades desta atualização, destaca-se a possibilidade de consulta de ortofotomapas de 2025 e do Cadastro Predial, da competência da Direção-Geral do Território.
Informação geográfica à distância de um clique
O renovado Geoportal permite aos utilizadores consultar, de forma rápida e simplificada, informação georreferenciada relevante para o quotidiano, para o planeamento do território e para a preparação de processos junto do Município.
Entre as principais funcionalidades disponíveis encontram-se:
• Criação e partilha de visualizadores, permitindo ao utilizador partilhar, através de um simples link, exatamente a informação que está a consultar, incluindo camadas externas que consiga adicionar, como ficheiros KML ou serviços WMS;
• Emissão automática de plantas, com geração de plantas de localização e relatórios em formato PDF para apoio à instrução de processos junto da autarquia;
• Consulta de Instrumentos de Gestão Territorial, através do acesso a extratos dos Planos Municipais de Ordenamento do Território (PMOT);
• Pesquisa e localização temática, com informação relativa, entre outros temas, a loteamentos, toponímia, coordenadas, linhas de água, pontos cotados, áreas de risco de incêndio e percursos turísticos;
• Gestão simplificada, através de um backoffice que permite à autarquia gerir utilizadores e acessos e configurar novos visualizadores de forma dinâmica.
A plataforma cumpre as diretrizes europeias INSPIRE e os objetivos do Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG 2020), definidos pela Direção-Geral do Território, assegurando condições de interoperabilidade e a capacidade de consumir e partilhar dados geográficos através da internet com outras entidades da Administração Pública e da sociedade civil.
Mais transparência e eficiência através do digital
A atualização do Geoportal integra-se na estratégia do Município de São Brás de Alportel de promover a desmaterialização de processos, a eficiência administrativa e a transparência, facilitando o acesso dos cidadãos e das empresas à informação sobre o território.
A plataforma regista atualmente uma média de 100 acessos diários, prevendo-se que a nova solução permita responder de forma ainda mais eficaz às necessidades dos seus utilizadores.
O renovado Geoportal de São Brás de Alportel está disponível para consulta pública em: https://geoportal.cm-sbras.pt/mapa/geoportal

Once again, anti-semitism is being cynically—and falsely—redefined in the press and broader Discourse as “pointing out uncomfortable facts about the nation state of Israel.”
This past weekend, the Israel Crybully Lobby, using a familiar script I’ve detailed before, led a smear campaign against actor Mark Ruffalo because he had the temerity and integrity to note that the family vying to control not only 60 Minutes and CBS News, but CNN and HBO, is a committed and open supporter of Israel and its genocidal military.
Ruffalo is leading a broad coalition of antitrust activists, creatives, and filmgoers to oppose the pending Skydance Paramount-Warner Brothers Discovery merger and, in doing so, violated an unwritten rule against noting that the father-son duo behind the merger, David and Larry Ellison, are well-documented and open zionist advocates that not only lobby for and support Israel, but “privately” donate to their military. A military that—it’s worth noting—Human Rights Watch, Doctors Without Borders, B’Tselem, Physicians for Human Rights Israel, OxFam, the International Association of Genocide Scholars, and dozens of other humanitarian and human rights organizations have determined is committing genocide in Gaza. Ruffalo also pointed out that the Ellisons’ $400 billion fortune was largely built on military and surveillance technology from Oracle that is used, in part, to surveil, imprison, and kill Palestinians, as well combat opposition to Israel stateside.
Ruffalo simply noted the open and well-documented ideological commitments that the Ellisons themselves have long championed.
Predictably, the Israel Crybully Lobby and its one-note propaganda organs in the nonprofit and media world responded to these comments by accusing Ruffalo of “antisemitism” and engaging in “tropes”—many of which are not, of course, tropes in any traditional sense, but simply Things That Are Awkward To Mention. Paramount Skydance released a whiney and self-indulgent statement saying “We are, as always, troubled when antisemitic tropes are invoked.… Words like ‘genocide’ and ‘apartheid,’ applied to a corporate transaction, aren’t just wrong—they’re a bridge too far.” This statement, and related scandalizing of Ruffalo’s otherwise true and banal comments, were echoed by Hollywood press outlets such as Variety magazine, the Hollywood Reporter, and the Wrap, the latter of which is owned by Sharon Waxman, an open supporter of Israel and its genocide in her own right. Needless to say, the Wrap has been covering this like Watergate, with nonstop breathless headlines, even laughably citing NATO-funded think tanker Ahmed Fouad Alkhatib as a “Leading Palestinian Activist.”
This campaign failed at shutting up Ruffalo, who defended himself on Twitter/X, where he received an outpouring of support. But more zionist advocacy organizations—always posing as “antisemitism” monitors, such as the Anti-Defamation League, Simon Wiesenthal Center, the Creative Community for Peace, and L.A. Jewish Federation—joined the pile-on. All four groups are openly supportive of Israel and its genocidal military and largely exist to smear Israel critics as antisemites regardless of the tone or nature of the criticism.
Despite the “antisemitism scandal” playbook being less and less effective, it’s not stopping the Israel Crybully Lobby from using it to discipline Ruffalo and other actors who dare support basic human rights, or in this case, actors who connect Oracle’s obscene wealth with their intimate involvement in the US and Israeli security state. The whole “antisemitism” and “trope” charge is even more absurd since, in context, in addition to Ruffalo simply citing Oracle’s Executive Vice-Chair Safra Catz’s own dystopian words about their “really profoundly scary technologies,” Paramount Skydance CEO David Ellison is open in his support for not just Israel as some romantic abstraction, but the IDF itself. In 2024, upon announcing his purchase of Paramount, Ellison’s Skydance issued a dressed-up press release in the Jerusalem Post detailing how his buying of Paramount would be good for Israel:
“These two young men [Ellison being one of the men] love Israel, are connected to their Judaism, have Zionist values, and it’s very encouraging to see that in such successful families, the values are passed on to the younger generations. Both quietly donate quite a bit to the State of Israel and the IDF. It is positive news for the Jewish world that Korff and Ellison are the next generation of global Jewish leadership, connected to Israel and holding Zionist values.”
The piece would go on to note that the “article was written in cooperation with SkyDance” which is another way of saying it’s a touched-up press release issued by Skydance. So here is Ellison using his own company to boast how great his purchase of Paramount would be for Israel (setting aside how funny it is to point out how you “quietly” support a cause in your own company’s press release), thus openly acknowledging that his media properties would reflect Israel’s line. A promise immediately confirmed by Ellison’s first major hire post-Paramount purchase: self-identified “zionist fanatic” Bari Weiss, who he immediately put in charge of all of CBS News. The family patriarch, Larry Ellison, has even deeper ties to Israel: In addition to being the single largest private donor to the IDF, leaked emails revealed last year that in 2015 the elder Ellison vetted then-candidate for President Marco Rubio on behalf of the Israel ambassador to the UN.
Israel is a nation state, a political entity; zionism is an ideology, a worldview that violently privileges Jewish sovereignty in Palestine. Neither are protected religions, cultures, or identities. Adults have to be able to separate these two things—one being an ethno-religious identity and the other being an ideological choice—when discussing the dispossession, occupation, and mass killing of Palestinians, and how this right-wing worldview dovetails with media ownership, US imperialism, the military state, and free speech suppression in the United States. It is certainly possible to criticize Israel and its supporters while engaging in antisemitic tropes, but Ruffalo did not come remotely close to doing this, and it’s deeply cynical to claim he did without presenting any credible evidence. Instead we just get mindless working of the refs, increasingly hollow pro forma language about “tropes” and “antisemitism,” whining and chauvinist solipsism from deluded rich ideologues high on their own zionist media supply. Ruffalo simply noted the open and well-documented ideological commitments that the Ellisons themselves have long championed. Adults should be able to talk about very rich people’s connections to militaries without everyone reaching for the antisemitism smelling salts. This script—where powerful, wealthy and deeply ideological actors cry and whine and piss and moan about being the victims of racist abuse because someone dares highlight their backing of a nation state and its military—is as dangerous and sleazy as it is tedious and, one can only hope, diminishing in its returns.


This story originally appeared in Common Dreams on Aug. 24, 2026. It is shared here under a Creative Commons (CC BY-NC-ND 3.0) license.
Politicians from Canada’s two biggest political parties vowed on Monday to hit back hard against US President Donald Trump’s trade war against their country.
Trade negotiations between the two countries collapsed last week after Trump reportedly sought to restrict Canada from striking trade deals with other nations, while also pressuring the country to scrap requirements aimed at preserving the use of the French language.
Speaking to reporters on Monday, Canadian Prime Minister Mark Carney warned that Trump’s aggression would come back to hurt US workers.
“It’s not a surprise that the US would take some form of reprisal to our response to their unjustified tariffs,” said Carney, a member of the center-left Liberal Party. “But what message does that send to the workers in Michigan and Ohio and Kentucky and Alabama who rely on Canadian demand? We’re their largest customer for automobiles, more than the European Union, Japan, Korea.”
Mark Carney: "It's not a surprise that the US would take some form of reprisal to our response to their unjustified tariffs, which was on top of other unjustified tariffs. But what message does that send to the workers in Michigan and Ohio and Kentucky and Alabama who rely on… pic.twitter.com/2o5rbEmQAo
— Aaron Rupar (@atrupar) August 24, 2026
Carney also said there was an “attitude at the negotiating table” from US officials that “Canada is a subsidiary of the United States,” which is “not something we’re going to accept.”
Ontario Premier Doug Ford, a member of the rival center-right Progressive Conservative Party, delivered a more strident rebuke to Trump, vowing that Canada’s response would deliver a hit to the president’s voters.
“The red states, we’re going to hit hard,” said Ford.
The Ontario premier then outlined all the ways his country can make life more painful for US consumers so long as Trump keeps trying to undermine Canadian sovereignty.
“If it gets really, really bad, I say everything’s on the table,” Ford said. “We need everyone to be on Team Canada and throw everything and the kitchen sink at them, no matter if it’s electricity, if it’s fuel, again, if it’s potash, if it’s uranium. We need to have everything on the table… we can put massive pain on the US. President Trump underestimates us. And that’s the biggest mistake.”
Ontario Premier Doug Ford: "We need to throw everything and the kitchen sink that them — electricity, fuel, potash, uranium … we can put massive pain on the US. President Trump underestimates us. And that's a mistake." pic.twitter.com/IRIidj0iYS
— Aaron Rupar (@atrupar) August 24, 2026
Trump lashed out at both Carney and Ford in a Monday morning Truth Social post.
“The USA will always be far bigger, richer, and stronger than Canada,” Trump wrote. “Without the United States, Canada couldn’t survive—it’s where they get all of their money and, because of their current bad leadership, primarily Governor Carney, and his Flunky, Ford, they will not be allowed to keep taking advantage of the United States—their key to survival.”
O Município de São Brás de Alportel manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Maria da Conceição, aos 113 anos de idade, a mulher mais idosa de Portugal.
Carinhosamente conhecida como “Rainha” na Estrutura Residencial para Idosos da Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel, onde residia, Maria da Conceição nasceu em 1912, dois anos antes da fundação do concelho de São Brás de Alportel.
Ao longo dos seus 113 anos de vida, foi testemunha de momentos marcantes da história de Portugal e do mundo, atravessando diferentes épocas e profundas transformações do país, desde o nascimento do concelho de São Brás de Alportel até à democracia, à integração de Portugal na União Europeia e à atualidade.
Ao longo dos anos, a sua longevidade e a sua história de vida foram motivo de carinho e reconhecimento por parte da comunidade são-brasense, que acompanhou e celebrou vários dos seus aniversários.
Em setembro de 2020, durante uma visita oficial ao concelho, o então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teve oportunidade de conhecer Maria da Conceição. Desde então, fez questão de lhe dirigir uma mensagem de parabéns por ocasião do seu aniversário.
Mulher de atitude e boa disposição , Maria da Conceição conquistou o carinho de todos os que com ela privaram, deixando na memória de quem a conheceu a marca de uma personalidade singular e de uma vida extraordinariamente longa.
O Município de São Brás de Alportel recorda, com respeito, carinho e gratidão, esta são-brasense que deixa uma história de vida singular, marcada por mais de um século de memórias e vivências.
À família e muito especialmente à Santa Casa da Misericórdia, à que foi família, com uma dedicação e abnegação inexcedíveis, o Município apresenta as mais sentidas condolências, com profunda gratidão.
O Museu Municipal de Loulé convida as famílias a embarcarem numa viagem pelo património marítimo com a atividade “Famílias Navegadoras”, no próximo dia 28 de agosto, às 18h30.
O evento decorre na Antiga Lota de Quarteira, no âmbito da exposição “Com os Pés na Terra e as Mãos no Mar. 6000 anos de História de Quarteira”.
A iniciativa propõe um fim de tarde dinâmico que cruza cultura, história e lazer. O programa arranca com uma visita orientada projetada para dar a conhecer a evolução do território e da comunidade que moldou a economia e a identidade local ao longo dos séculos.
A jornada culmina com um peddy paper desafiante, no qual os participantes vestem a pele de verdadeiros exploradores e utilizam o “Diário de Bordo” como mapa para desvendar a exposição de forma envolvente. Trabalhando em equipa, as famílias serão convidadas a desvendar desafios didáticos e de observação enquanto percorrem os quatro núcleos da exposição: «Explorar a Terra», «Explorar o Mar», «Ocupar e Viver» e «Território».
As vagas são limitadas. Os interessados devem realizar a sua inscrição através do e-mail servicos.educativos@cm-loule.pt ou pelo telefone 289 400 611.


This story originally appeared in Common Dreams on Aug. 24, 2026. It is shared here under a Creative Commons (CC BY-NC-ND 3.0) license.
The US military has resumed its campaign of bombing alleged drug-trafficking vessels after a two-month pause in a campaign that many legal experts and human rights groups believe constitutes a murder spree.
In a Monday social media post, US Southern Command (SOUTHCOM) said it carried out a “lethal kinetic strike on a low-profile vessel operating along established narco-trafficking routes” in the Pacific Ocean on Sunday. Two people were killed as a result of the attack, SOUTHCOM claimed.
In announcing the strike, SOUTHCOM Commander Gen. Francis Donovan said the attack was part of a campaign of “imposing total systemic friction on narco-terrorists—disrupting their operations, dismantling their leadership, and eliminating cartel terror across the region.”
Donovan’s boasts about the effectiveness of the boat strikes in combating the drug trade come less than a month after a leaked a Drug Enforcement Administration (DEA) analysis revealed that the boat-bombing campaign has not “reduced the amount of cocaine entering” the country, as drug cartels have found alternate methods for shipping their product into the US.
With the latest two casualties, the boat bombing campaign launched nearly a year ago by President Donald Trump’s administration has now claimed the lives of at least 223 people.
Adam Isaacson, director of the Defense Oversight program at the Washington Office on Latin America (WOLA), criticized the administration for resuming its boat bombings despite “overwhelming evidence that they are murder; that many, likely most, of the dead are either super-low-level or uninvolved with drugs; and that cocaine supply is unaffected.”
Brian Finucane, senior adviser to the US Program at the International Crisis Group, delivered a similarly scathing assessment, commenting that “the Trump administration’s lawless killing spree at sea resumes.”
Nicholas Grossman, professor of international relations at the University of Illinois, described the boat strike campaign as “murderous” and “illegal,” adding that its victims are “not terrorists” and “may not even be drug traffickers.”
Investigative journalist Camila Lourdes Galarza observed that “there’s still no proof any of the victims” of the boat strikes were involved in the drug trade.
Lourdes Galarza sarcastically added that if the victims had been drug traffickers, “the US would probably give them a deal” like the one given to Juan Orlando Hernández, the former president of Honduras who was pardoned by Trump last year despite being previously convicted on narcotics trafficking charges.

Em um vídeo no TikTok, uma repórter pergunta a vários jovens em quem eles pretendem votar para presidente nas eleições deste ano. Todos respondem Lula e apresentam justificativas que vão desde a expectativa por mais oportunidades até relatos sobre sua origem humilde e a percepção de que o petista ajuda “gente como a gente”.
Em outro registro, uma idosa é abordada com a mesma pergunta. “Vou votar no Flávio [Bolsonaro], minha filha, porque o Brasil precisa de uma renovação de verdade na política para garantir segurança e um futuro melhor para nosso país”, responde.
As cenas parecem aquelas entrevistas de rua em formato rápido, conhecidas no jargão jornalístico como “povo fala”. Popular em redes de vídeos curtos, o formato já foi apontado pelo próprio TikTok como uma das tendências de produção de conteúdo na plataforma em 2024.
A novidade é que, agora, nem os repórteres nem os eleitores desses vídeos são reais. Um levantamento do Aos Fatos identificou ao menos 50 conteúdos no TikTok que simulam entrevistas e depoimentos sobre os dois principais candidatos da corrida presidencial deste ano: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Publicados antes do início oficial da propaganda eleitoral, nesta segunda-feira (17), os conteúdos acumulavam, até aquela data, 7,4 milhões de visualizações — e apresentavam como espontâneas opiniões produzidas artificialmente. Em 18% deles sequer havia indicação de que as pessoas retratadas haviam sido geradas por IA, contrariando as regras da plataforma sobre conteúdos manipulados.
Especialistas ouvidos por Aos Fatos afirmam que a legislação eleitoral proíbe o uso de personagens fictícios gerados por IA, mas a responsabilização se torna mais complexa quando os vídeos são produzidos por terceiros, sem vínculo aparente com as campanhas.
O TikTok disse nesta sexta-feira (21) que removeu todos os conteúdos identificados por Aos Fatos por violarem as diretrizes da plataforma sobre mídia editada e conteúdo gerado por IA. Veja a íntegra da resposta da empresa no final desta reportagem.

Nas falsas entrevistas, personagens declaram voto, elogiam candidatos ou explicam por que rejeitam determinado nome da disputa presidencial. Nos vídeos favoráveis a Lula, os eleitores artificiais se apresentam como beneficiários de políticas sociais ou atribuem ao petista melhorias em suas condições de vida.
Já nas peças pró-Bolsonaro, os falsos votantes associam o senador à renovação política e ao combate à corrupção e à criminalidade.

Outros conteúdos recorrem a estereótipos para atacar eleitores do PT. Neles, os personagens aparecem em locais insalubres — muitas vezes associados ao Nordeste —, vestem roupas sujas ou rasgadas e se dizem beneficiários de programas sociais, já que “não querem trabalhar”.
Os conteúdos manipulados também os representam como alheios à própria condição de vida: mesmo cercados por lixo ou vivendo em situações precárias, os falsos eleitores agradecem ao governo pelos benefícios recebidos e declaram apoio a Lula.

Para Leandro Petrin, especialista em direito eleitoral e sócio do escritório Callado, Petrin, Paes & Cezar Advogados, vídeos de supostos cidadãos comuns apoiando ou rejeitando uma candidatura podem sugerir que determinada opinião é compartilhada espontaneamente por uma parcela da sociedade.
“Um vídeo que simula um eleitor que não existe e atribui a esse personagem fictício uma declaração de voto não é apenas propaganda: é a fabricação de um fato social que nunca ocorreu”, explica.
Rogério Silva de Vargas, secretário-judiciário do TRE-RS (Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul), vai além e classifica conteúdos do tipo como fraude lesiva ao processo eleitoral, pois visam “iludir, confundir ou ludibriar o eleitorado” para conferir vantagem indevida.
O levantamento do Aos Fatos reuniu conteúdos encontrados por meio de buscas no TikTok e de recomendações feitas pela própria plataforma durante o monitoramento. Embora a maioria das contas não reúna grandes audiências individualmente, os 50 vídeos analisados somavam 7,4 milhões de visualizações.
Os primeiros registros identificados foram publicados em março, meses antes do início oficial da propaganda eleitoral. O volume começou a aumentar em junho e se concentrou sobretudo em julho e na primeira quinzena de agosto, período que coincide com a intensificação do calendário das eleições.
Aos Fatos não encontrou indícios aparentes de que as contas responsáveis pelos conteúdos tenham ligações com as campanhas de Lula ou Flávio Bolsonaro. A maior parte deles foi publicada por páginas dedicadas à produção de vídeos com inteligência artificial, entre eles perfis que simulam podcasts.
Há também contas voltadas para a produção de conteúdo político ou de apoio a determinado candidato, mas sem vínculo aparente com partidos ou campanhas.

O uso de personagens sintéticos na disputa já chegou à Justiça Eleitoral neste ano. Em abril, o PT acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra Dona Maria, personagem fictícia criada com IA que acumulou milhões de visualizações com críticas ao partido e ao governo Lula. A sigla pediu a suspensão do perfil sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada negativa e disseminação de desinformação.
O uso de inteligência artificial para simular depoimentos de votantes inexistentes não está fora do alcance das regras eleitorais. A Resolução 23.610/2019 do TSE proíbe o uso eleitoral de conteúdos sintéticos em áudio ou vídeo que criem ou manipulem a imagem ou a voz de pessoas vivas, falecidas ou fictícias.
A regra, portanto, não se restringe às deepfakes tradicionais, que atribuem falas ou comportamentos falsos a pessoas reais. “É uma irregularidade eleitoral, seja em formato de áudio ou de vídeo, seja para criar a imagem [ou a voz] de uma pessoa fictícia ou de uma pessoa real”, afirma Marcos Rafael Coelho, secretário-judiciário do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul).
Isso não significa que qualquer vídeo com personagens gerados por IA deva ser automaticamente considerado ilícito. Marcos Jorge, coordenador jurídico do escritório Wilton Gomes Advogados, explica que é necessário verificar se o conteúdo foi produzido ou divulgado para favorecer ou prejudicar determinada candidatura.
A proibição também vale para conteúdos publicados antes do início oficial da propaganda eleitoral, em 16 de agosto. Segundo Jorge, durante a pré-campanha, a prática pode ser enquadrada como propaganda eleitoral por meio de proscrito — ou seja, pelo emprego antecipado de uma forma de propaganda que seria proibida durante a campanha.
A data da publicação tampouco impede que esses vídeos voltem a circular. O sistema de recomendação do TikTok seleciona conteúdos de acordo com as interações do usuário e informações do vídeo. Assim, uma gravação publicada meses antes pode voltar a ser recomendada já durante o período eleitoral.
Questionado por Aos Fatos, o TSE afirmou que não se manifesta sobre temas ou casos que possam vir a ser ou são objetos de análise na Justiça Eleitoral.
O fato dos conteúdos não terem vínculo aparente com candidatos ou campanhas não impede que haja irregularidade.
“Perfis de terceiros respondem civil e penalmente pelo conteúdo que produzem e publicam, independentemente de qualquer relação com candidatos. Sem esse vínculo, a resposta tende a ficar no campo da remoção de conteúdo e da responsabilização individual do autor, não alcançando as sanções mais severas do direito eleitoral (multa a candidato, cassação)”, afirma Petrin.
O cenário muda quando há evidências comprováveis de participação, contratação, financiamento, orientação ou conhecimento prévio da campanha. A depender da gravidade e da repercussão, o caso pode ser analisado pela justiça eleitoral sob a perspectiva de abuso de poder ou uso indevido dos meios de comunicação.
Rafael Maciel, sócio e head de inteligência artificial e proteção de dados do Lara Martins Advogados, pontua que há muitas dificuldades práticas para distinguir uma manifestação produzida de forma independente por um apoiador de uma ação coordenada com uma campanha.
Maciel explica ainda que as plataformas também estão sujeitas a obrigações previstas pelas regras eleitorais, como restrições à publicidade com IA, identificação de conteúdos sintéticos e deveres de diligência diante de publicações irregulares.
Segundo o especialista, as redes sociais não respondem automaticamente pelo conteúdo produzido por terceiros, mas podem ser responsabilizadas por falhas próprias, como o descumprimento de notificações ou decisões judiciais e deficiências nos mecanismos de segurança e moderação.
A presença de um aviso de que o vídeo foi produzido com inteligência artificial também não afasta a irregularidade, já que a resolução do TSE diferencia os usos permitidos de IA, sujeitos a regras de transparência, dos conteúdos sintéticos proibidos para fins eleitorais.
A regra exige que a fabricação ou manipulação seja informada de forma explícita e destacada, explica Coelho, secretário-judiciário do TRE-MS. “Mas quando se criam pessoas fictícias, como se fossem falsos eleitores dando depoimentos, aí a prática já entra na segunda camada porque ela é absolutamente proibida. Não importa se tem um rótulo falando que a inteligência é artificial”, ressaltou.
Marcos Jorge chama atenção ainda para outra questão: dizer apenas que um vídeo foi gerado por IA não necessariamente deixa claro ao usuário que o entrevistado não existe, que a entrevista nunca ocorreu e que a opinião apresentada não é de uma pessoa real.

As consequências podem se tornar mais graves quando o conteúdo sintético é empregado para disseminar desinformação ou atacar adversários.
Nesses casos, outras infrações podem se somar ao uso irregular de IA. Coelho explica que o emprego da tecnologia para atacar candidatos com desinformação ou discurso de ódio pode resultar em multas e, quando houver envolvimento ou responsabilização da candidatura beneficiada, ter consequências mais graves.
A depender das circunstâncias, a prática pode ainda ser entendida como uso indevido dos meios de comunicação social, com sanções que podem chegar à cassação de registro ou diploma e à inelegibilidade.
Porém, a aplicação dessas penalidades depende da comprovação da responsabilidade da candidatura e da gravidade da conduta.
Procurado pelo Aos Fatos, o TikTok informou que removeu todos os conteúdos enviados pela reportagem por violarem suas diretrizes sobre mídia editada e conteúdo gerado por inteligência artificial.
A plataforma afirmou que exige que os criadores sinalizem conteúdos sintéticos e que, mesmo quando rotulados, remove materiais que violem suas regras. Entre os conteúdos proibidos estão aqueles gerados ou significativamente editados por IA que possam induzir usuários ao erro sobre assuntos de interesse público ou simular material proveniente de uma fonte jornalística real.
A empresa também destacou as ações adotadas para as eleições de 2026 e afirmou que, durante o período eleitoral, seu foco “permanece em garantir a segurança das pessoas e proteger a integridade do TikTok”.
Aos Fatos monitorou no TikTok vídeos que usam inteligência artificial para simular entrevistas e depoimentos de eleitores sobre Lula e Flávio Bolsonaro, por meio de buscas e do acompanhamento de conteúdos recomendados pela plataforma. A reportagem reuniu 50 vídeos. Também foram analisadas as contas responsáveis pelas publicações.
Em seguida, Aos Fatos consultou as regras do TSE sobre o uso de inteligência artificial nas eleições e entrevistou especialistas em direito eleitoral. Foram ouvidos Marcos Rafael Coelho, Rafael Maciel, Marcos Jorge, Leandro Petrin e Rogério Silva de Vargas, que contribuíram para a análise das práticas identificadas nos vídeos e de sua relação com as normas eleitorais.
Por fim, Aos Fatos entrou em contato com a assessoria de imprensa do TikTok e enviou todos os vídeos do levantamento, que foram excluídos posteriormente pela plataforma. O TSE também foi questionado sobre os achados da reportagem.


The Belgian federal government has nominated Hans Kluge (pictured) for the position of Director-General of the World Health Organization (WHO).
“I am very honoured by the trust Belgium has placed in me and am grateful for the opportunity to take on this important responsibility,” Kluge said on X. “Serving the WHO has been the greatest privilege of my professional life.”
Kluge has served as WHO Regional Director for Europe since 2020 and began a second term in February 2025. Under WHO rules, he will step aside as WHO/Europe Director while campaigning for the role, a process that involves lobbying member states, NGOs and the organisation's largest funders.
Tried and tested
After qualifying as a doctor in Belgium, he began his international career with Médecins Sans Frontières in conflict settings in Liberia and Somalia. He subsequently coordinated tuberculosis programmes in Siberian prisons and across the former Soviet Union.
Kluge joined WHO in 1999, initially working on tuberculosis and HIV in...
