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Devido a um “lapso”, CGA vai corrigir 2.937 pensões e os afetados vão receber menos

Um “lapso” que levou os pensionistas a receberem mais do que estava previsto na lei, vai ser corrigido – informa a CGA.

A Caixa Geral de Aposentações (CGA) anunciou que vai corrigir 2.937 pensões atribuídas entre maio e agosto, devido a um “lapso” que levou esses pensionistas a receberem mais do que estava previsto na lei.
A notícia foi avançada pelo Público, segundo o Notícias ao Minuto, dando conta de que estes reformados vão receber, em média, menos 93 euros por mês do que lhes tinha sido comunicado inicialmente.

Foi também veiculada na mídia a informação de que os funcionários públicos reformados nesta situação terão sido já contactados pela Caixa, ao longo das últimas semanas, sendo que, foi confirmado um “lapso” no cálculo global da reforma.
Nessa mesma comunicação, a CGA deu 10 dias aos visados para efetuarem contestação e consultarem o processo.

Segundo veiculou o mesmo jornal, terá existido “um lapso na parametrização do sistema de informação” da CGA, o que levou a que fossem atribuídas, “entre maio e agosto de 2026, um total de 2.937 pensões de aposentação num valor superior ao que resulta da legislação em vigor“.

Importa referir, entretanto, que as pensões até 1.074 euros deverão ter um aumento acima da taxa de inflação em 2027, devido ao desempenho da economia portuguesa no segundo trimestre do ano, o que influencia a fórmula de atualização das reformas.

Isto porque o crescimento médio do produto interno bruto (PIB) nos dois últimos anos deverá ficar acima de 2%, garantindo que, pela fórmula de atualização automática em vigor, cerca de 90% das pensões terão aumento acima da inflação.

Vejamos: no caso das pensões até dois IAS, o aumento será superior à inflação se o crescimento médio da economia se situar entre 2% e 3%. Caso essa média fique abaixo dos 2%, as pensões terão apenas uma atualização equivalente à inflação.

Em causa está o aumento por via do mecanismo previsto na lei. Este prevê que as pensões são atualizadas em janeiro com base em dois indicadores: a média do crescimento do PIB dos últimos dois anos e a variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC) sem habitação disponível a 30 de novembro.

Antes da atualização, pensionistas vão receber bónus

Conforme noticiado anteriormente, o Presidente da República, António José Seguro, promulgou na terça-feira (06) o diploma do Governo que prevê a atribuição de um suplemento extraordinário para as pensões até 1.611,39 euros. Em causa está o bónus das pensões, que foi anunciado pelo Executivo de Luís Montenegro, decidido no Conselho de Ministros da passada semana.

Esse suplemento será pago aos pensionistas em dezembro, em conjunto com a pensão desse mês, e terá o valor de 200 euros para as pensões até 537,13 euros, de 150 euros para as pensões entre 537,13 euros e 1.074,26 euros e de 100 euros para todas as pensões entre 1.074,26 euros e 1.611,39 euros, conforme anunciado pelo Governo.

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Pagamentos do INSS de outubro começam em 26/10 e terminam em 9 de novembro

O INSS começa em 26 de outubro os pagamentos de aposentadorias, pensões e outros benefícios referentes a outubro, e eles seguem até 9 de novembro. Antes disso, o instituto conclui nesta quarta-feira (07/10) o calendário de setembro, que segue desde 24 de setembro. As datas constam da tabela oficial de 2026 do INSS.

Para quem recebe até um salário mínimo, o pagamento depende do final do número do benefício. O final 1 recebe em 26 de outubro, o 2 em 27, o 3 em 28, o 4 em 29 e o 5 em 30 de outubro. Os finais 6, 7, 8 e 9 recebem em 3, 4, 5 e 6 de novembro, respectivamente, e o final 0 em 9 de novembro.

Quem recebe acima de um salário mínimo segue outra sequência, em pares de finais. Os finais 1 e 6 recebem em 3 de novembro, os 2 e 7 em 4 de novembro, os 3 e 8 em 5 de novembro e os 4 e 9 em 6 de novembro. Os finais 5 e 0 fecham o calendário em 9 de novembro.

De acordo com o INSS, deve-se considerar o último algarismo antes do traço, sem contar o dígito verificador que aparece depois do hífen. Em um cartão com final "0104-7", por exemplo, vale o 4. O número do cartão pode ser consultado no Meu INSS ou pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.

No calendário de setembro, ainda faltam receber nesta quarta-feira quem tem benefício de até um salário mínimo com final 0 e quem recebe acima do piso com finais 5 e 0. O Seu Dinheiro publicou as mesmas datas de outubro em 2 de outubro.

Com informações de INSS e Seu Dinheiro.

Imagem: ilustração genérica gerada por IA no ateliê (Gemini), sem relação com o INSS

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Por que a proibição das Bets é tão importante

Na sexta-feira, dia 25 de setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições, o presidente Lula assinou a Medida Provisória (MP) 1394, que proíbe a atuação das bets no país. A MP é uma vitória, ainda que venha tarde.

É apenas o começo de uma batalha jurídica e regulatória que irá se desenrolar no próximo mandato eleitoral, com papel central tanto do presidente eleito quanto dos demais parlamentares. Afinal, deputados e senadores compõem as comissões mistas que analisam as medidas provisórias, e, para virar lei, uma MP também precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado. 

Aqui, quero enaltecer o papel fundamental que a cobertura jornalística da Agência Pública teve nessa decisão, e que minha colega Natália Viana detalha em sua coluna da semana passada.  

Que o vício em apostas – a ludopatia – tem um impacto grande na saúde da população, já está estabelecido, tanto em termos psicológicos quanto financeiros. Não são poucos os casos de pessoas que perdem bens materiais, se endividam e quebram relações familiares por causa das apostas.

O marido de uma amiga não tem celular desde o ano passado: foi a condição para que seguissem o relacionamento, depois de ele perder tudo o que tinham guardado e até vender o carro para seguir jogando. 

Rafael Borges Amaral, de 26 anos, perdeu a vida na batalha contra a ludopatia. A carta escrita por sua mãe, Vânia de Souza Borges, não foi ouvida pela CPI das Bets, mas alcançou o Brasil e ajudou a levantar a bandeira de muitas outras famílias pela proibição das apostas online.

A saúde das pessoas é muito mais importante do que qualquer impacto econômico. Antes de pensar no PIB ou na arrecadação tributária, é a vida que precisa ser colocada em primeiro plano. 

Então, mesmo se proibir as bets fosse ruim para a economia, seria a decisão acertada.

Mas este não é o caso. Para a economia do país, acabar com esses jogos é bastante benéfico.

Isso porque a renda que é absorvida pelas bets não retorna em mesmo volume para a economia do país. Ela é tirada de circulação, em grande parte apropriada pelas casas de aposta, muitas das quais nem no Brasil estão.

Então, além da renda que sai do bolso das famílias e prejudica suas contas diárias, a economia do país como um todo é afetada. 

Isso porque, quando alguém vai ao mercado e gasta dinheiro comprando um produto ou contratando um serviço, esse valor retorna em maior escala para a economia. É o que chamamos de efeito multiplicador. 

Por exemplo, se eu compro R$ 100 no mercadinho, estes R$ 100 viram a renda do comerciante. Ele, por sua vez, vai gastá-la, o que gera renda para outra pessoa, que também vai gastar, e assim por diante. No final, R$100 viram muito mais em atividade econômica. A roda da economia gira.  

Mas, se eu perco estes mesmos R$ 100 num cassino online, este dinheiro não comprou nada, não gerou demanda nenhuma. E a maior parte dele não vai retornar em prêmios, vai ser retida na casa de apostas.

Um estudo conduzido pelo professor Guilherme Klein para o Centro de Estudos de Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP) dimensionou o impacto das bets nesse movimento. 

A conta é a seguinte. O Centro Celso Furtado estimou que, em 2025, houve uma transferência bruta de R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas. Ou seja, somando tudo o que foi apostado e redistribuído em prêmios, as bets ficaram com mais de 60 bilhões para si. 

Com esse número, o professor estimou alguns cenários diferentes, com hipóteses mais ou menos otimistas sobre o papel econômico do setor de apostas, e chegou numa perda total para a economia brasileira de algo entre R$ 90,9 bi e R$ 141 bilhões de reais – ou de 0,7 a 1,1% do PIB do nosso país.

De um terço a metade do crescimento da economia brasileira em 2025. Até cinco vezes mais do que o impacto estimado para o tarifaço americano. 

A própria Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o varejo sozinho deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões em 2024, devido ao direcionamento de recursos das pessoas para as bets.

Mesmo quando consideramos o ganho de arrecadação que a regulamentação das apostas trouxe, regular sai mais caro para o país do que proibir. No Estudo do Made, o efeito final é de uma redução entre R$ 14,6 bilhões e R$ 35,6 bilhões na arrecadação de impostos.

Isso sem nem considerar a elevação dos gastos em saúde pública para tratamento do vício em apostas. Conforme o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), as bets geram um custo anual para o SUS de R$ 30,6 bilhões. 

No fim, a soma do jogo é clara. Com a proibição, ganham as pessoas, sua saúde mental e financeira, e a economia do país. Só perdem, mesmo, as casas de apostas – e os influenciadores que elas remuneram. 

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Silves: concurso aberto para exploração da Casa dos Vinhos

O Município de Silves abriu um concurso público para a concessão e exploração da Casa dos Vinhos e Produtos Autóctones, um espaço destinado a promover os produtores locais e o setor vitivinícola da região.

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Il termometro-Istat non ha colpe

Il deficit 2025 confermato dall’Istat al 3,1 per cento del Pil ha riacceso il dubbio che le prime stime sottovalutino l’economia. Ma le revisioni del Pil spostano il rapporto deficit/Pil di centesimi, non di decimi. E il problema non è chi fa i calcoli.

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Treinar o corpo, cuidar do carro e mobilar a casa: tudo no mesmo edifício em Portimão

Este edifício situado junto a uma das principais saídas de Portimão está a tornar-se um dos mais polivalentes da cidade.

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Festivos laborales 2026: el puente de 3 días que tendrán todos los trabajadores en España en las próximas semanas

En España, el calendario vacacional sigue teniendo un protagonista indiscutible. De acuerdo con el 17º Informe de Temporada de ObservaTUR de 2026, elaborado antes del verano, el 36% de los españoles que tenía previsto viajar eligió agosto para disfrutar de sus vacaciones, mientras que el 33% optó por julio y el 17% por septiembre. En conjunto, estos tres meses concentran el 86% de las preferencias, confirmando que el verano continúa siendo el gran momento del año para hacer las maletas y desconectar de la rutina. Para muchos trabajadores, además, estas fechas permiten coordinar el descanso con el de familiares y amigos, algo que explica en parte su enorme peso dentro del calendario de viajes.

Pero cuando septiembre queda atrás, todavía hay margen para una escapada. Octubre se presenta como una alternativa especialmente atractiva para quienes prefieren viajar con más calma y evitar la intensidad de los meses estivales. Hay menos aglomeraciones en muchos destinos, las temperaturas suelen ser más contenidas y agradables y los paisajes comienzan a mostrar una cara diferente, lo que convierte al décimo mes del año en una oportunidad para viajar sin el calor intenso del verano ni el frío propio de los meses posteriores.

Es también un momento interesante para quienes buscan disfrutar de una ciudad, hacer una ruta gastronómica o pasar unos días en contacto con la naturaleza sin encontrarse con la elevada afluencia del periodo estival. A este escenario se suma ahora una oportunidad marcada en rojo en el calendario. A mediados de octubre llega un puente de tres días que permitirá a los trabajadores de toda España disfrutar de un descanso adicional sin necesidad de esperar a las próximas vacaciones.

Puente de tres días para los trabajadores el 12 de octubre

Se trata del 12 de octubre, el Día de la Hispanidad, que en 2026 cae en lunes y permite encadenar la jornada festiva con el sábado y el domingo, una combinación que puede servir para hacer una escapada corta, visitar a familiares o simplemente recuperar fuerzas. Para quienes todavía no hayan viajado después del verano, puede convertirse en una última ocasión para organizar unos días de desconexión antes de que termine el año.

El 12 de octubre se celebra la Fiesta Nacional de España, una festividad establecida como tal por la Ley 18/1987, de 7 de octubre. Su carácter de fiesta nacional y su inclusión en el calendario laboral hacen que sea una jornada festiva de ámbito estatal y no sustituible por las comunidades autónomas.

Además, el artículo 37.2 del Estatuto de los Trabajadores establece que las fiestas laborales tendrán carácter retribuido y no recuperable, con un máximo de catorce al año, dos de ellas de carácter local. La fecha tiene por tanto una doble dimensión, institucional por su significado como Fiesta Nacional y práctica para los trabajadores que pueden disfrutar de una jornada de descanso.

¿Qué festivos autónomicos y nacionales quedan en 2026?

Después del 12 de octubre, el calendario de 2026 todavía reserva varias fechas festivas, aunque su aplicación puede variar según la comunidad autónoma. El 2 de noviembre será festivo en varias comunidades como Andalucía, Aragón, Asturias, Canarias, Castilla La Mancha, Castilla y León, Extremadura, Madrid y Navarra, mientras que el 7 de diciembre será festivo en varias autonomías y el 8 de diciembre, Día de la Inmaculada Concepción, tendrá carácter nacional.

Entre las fiestas autonómicas que quedan desde octubre destaca el 9 de octubre, Día de la Comunidad Valenciana, mientras que en diciembre se mantiene el 26 de diciembre, San Esteban, como festivo autonómico en Baleares y Cataluña, con la particularidad de que en Arán se sustituyó por el 17 de junio. Por último, y como bien es sabido, el calendario concluye con la festividad nacional del 25 de diciembre.

© E. P.

La Región de Murcia publica el calendario laboral para 2024

© Afp

Cómo llegar al desfile del 12 de octubre en Madrid 2026: metro, autobús y restricciones para coches y patinetes

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La fine della secolarizzazione in Francia ed in Europa nel segno di Fatima: verso il crollo delle repubbliche liberali?

di Cesare Sacchetti In Francia, alcuni sono ancora piacevolmente sbigottiti. Dopo la visita del Santo Padre, Papa Leone XIV, i cattolici francesi affermano che nel Paese inizia a respirarsi, seppur temporaneamente, un’aria diversa, più leggera da quella opprimente che il laicismo massonico aveva imposto nel Paese. Altri invece sono letteralmente terrorizzati. E’ il caso, ad […]

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Duas novas lojas em grande espaço comercial do Algarve 

O Designer Outlet Algarve, situado no concelho de Loulé, anunciou a expansão da sua oferta comercial com a abertura de duas novas lojas de marcas internacionais de referência.

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Ir às compras este mês pode dar-lhe 1.000 euros e uma viatura

O Intermarché vai oferecer 60 mil euros em Cartão Poupança e uma pickup Foton Tunland G7, numa nova campanha que arranca esta quinta-feira, 1 de outubro, e se prolonga até 4 de novembro.

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Tecnologia e Saúde pagam os melhores salários num mercado com elevada procura por perfis especializados

Onde estão as melhores oportunidades de emprego e os salários mais altos em Portugal? A resposta está nos setores das Tecnologias de Informação (TI) e das Ciências da Vida (Life Sciences). As conclusões são da 3.ª edição do Estudo de Tendências Salariais 2026/2027, lançado pela Randstad Research. O novo relatório cruza a base de dados […]
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Esquerda, direita e centro concordam mais sobre a economia do que a eleição faz parecer

Em todo o período eleitoral, a economia invade a conversa do dia a dia de boa parte das pessoas. Seja no almoço de domingo, no ponto de ônibus, na fila da padaria ou no grupo de WhatsApp da família. E é aí, longe do palanque, que uma pesquisa revela algo que o discurso da polarização insiste em esconder: brasileiros e brasileiras de todos os espectros concordam bem mais sobre economia do que a lógica do “nós contra eles” sugere.

O estudo Percepções da Economia Brasileira, encomendado pelo Fundo Global para uma Nova Economia (GFNE) e conduzido pela Ipsos, em parceria com os think tanks Transforma e Cipó, ouviu, de forma online, brasileiros maiores de 18 anos das classes A, B e C, entre junho e julho de 2026. E o resultado é revelador para este momento pré-eleitoral: o que eles defendem em termos de projeto econômico tem pouco a ver com a sua identificação política e ideológica.

A pesquisa fez um experimento simples e eficaz: apresentou plataformas de governo hipotéticas a dois grupos distintos de eleitores, sempre contrastando uma proposta identificada com a “direita genérica” – redução generalizada de impostos, privatizações, combate à corrupção, penas mais duras para crimes graves – a uma alternativa de esquerda.

No primeiro cenário, a alternativa foi a “centro-esquerda tradicional”: elevação do salário-mínimo, combate à pobreza por auxílios sociais, Estado mais presente na economia. Resultado: 46% dos eleitores preferem essa plataforma, contra 39% pela direita. Esse resultado, em si, já diz bastante. Mesmo uma parte de quem desaprova (23%) o governo atual ou não soube avaliá-lo (41%) se identifica mais com uma alternativa ao neoliberalismo.

Mas, no segundo cenário, a proposta de esquerda mudou de figura e o resultado disparou. A plataforma chamada de “nova economia” mantém a defesa do papel do Estado, mas troca o enfoque: combate a preços abusivos, reconhecimento do trabalho de cuidado, ampliação de direitos trabalhistas e taxação de grandes fortunas. Neste caso, a adesão à direita cai para 27%, enquanto a “nova economia” é escolhida pela maioria, por 59% dos entrevistados. Aqui, vale esclarecer: essa nova economia é definida pelo próprio GFNE como uma plataforma econômica que seja inclusiva, equânime e sustentável. Bastante do que venho defendendo nessa coluna, e do que também é promovido pela NoVE, Novas Vozes Econômicas, a rede de economistas progressistas da qual faço parte. 

A diferença entre os dois cenários não é sutil: são 20 pontos percentuais de distância entre duas versões de esquerda: uma tradicional, outra com propostas mais atreladas ao cotidiano dos entrevistados.

Isso diz algo que interessa a qualquer estrategista de campanha: não basta ser de esquerda, é preciso falar da economia que pesa no bolso das pessoas todos os dias.

E quem está migrando de opinião? Sobretudo dois grupos que a política costuma dar como perdidos para qualquer agenda progressista: os “inconsistentes”. Trata-se de eleitores sem padrão fixo de voto nas duas últimas eleições, categoria que reúne desde quem alternou o voto entre PT e Bolsonarismo até quem não votou ou nem se lembra em quem votou. Isso inclui uma fatia relevante de quem hoje desaprova o governo Lula.

Entre os inconsistentes (os eleitores sem padrão fixo), a adesão à esquerda salta de 49% para 63% quando a proposta é a “nova economia”. Entre os opositores ao PT, o salto é de 17 pontos percentuais, chegando a 40%, ou seja, quase a metade de quem hoje reprova Lula prefere uma agenda que taxa fortunas e amplia direitos trabalhistas a uma agenda neoliberal.

Se há um consenso por trás desses números, é que quem sente na pele o custo de vida quer soluções concretas, independente de quem as ofereça. A prova disso é o apoio a medidas específicas, que atravessa o espectro político inteiro.

Diante de um cenário internacional instável, 59% defendem maior controle estatal sobre empresas estratégicas; 66% apoiam a atuação do governo sobre o preço dos combustíveis. Metade do país defende relações diplomáticas pragmáticas, independentemente de alinhamento político, desde que haja vantagem comercial para o Brasil.

Mas o ponto de maior acordo da pesquisa – o maior de todos – não é sobre impostos, nem sobre o papel do Estado. É sobre tempo. Quase três em cada quatro brasileiros (73%) querem o fim da escala 6×1. E mesmo entre quem desaprova o governo Lula, esse apoio continua alto: 60%. Raramente uma pauta econômica reúne tanta gente ao redor da mesma mesa.

A isso soma-se a percepção de que o jogo está desequilibrado: 58% dos entrevistados acham que o sistema econômico atual beneficia principalmente ricos e poderosos, e mais da metade (53%) apoia taxar grandes fortunas para corrigir a rota.

Em síntese, o que a pesquisa da GFNE mostra é que grande parte do eleitorado concorda com novas políticas econômicas, voltadas ao desenvolvimento do país e à redução das desigualdades.

O eleitorado brasileiro, de direita, esquerda e centro, já sabe o que quer. Até outubro, falta saber qual candidato vai ser capaz de nomear essa economia com a clareza que ela merece.

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