Um vídeo que circula na rede social X mostra um homem a entrar em uma pequena igreja e a destruir diversos objetos que estavam no interior do templo, entre eles imagens de santos e santas. As cenas registram momentos de vandalismo contra os símbolos religiosos até que outros três homens intervêm e conseguem conter o responsável pela ação. As circunstâncias que motivaram o episódio, no entanto, ainda não foram esclarecidas.
Publicações nas redes sociais apontam Sobral, no Ceará, como possível cenário do caso. A informação, contudo, ainda não recebeu confirmação oficial, e os dados disponíveis até o momento não permitem estabelecer com segurança o município onde os fatos ocorreram. Também não há informações confirmadas sobre a identidade do homem, as razões para a destruição dos objetos religiosos ou eventuais providências adotadas após a intervenção das três pessoas.
A repercussão das imagens nas redes sociais ampliou a circulação de informações sobre o episódio, mas a localização e os demais detalhes permanecem sob apuração. A confirmação da ocorrência depende de informações verificadas que permitam determinar o local, esclarecer a sequência dos acontecimentos e identificar possíveis desdobramentos. Até que esses dados sejam confirmados, a associação do caso a Sobral deve ser tratada como uma informação preliminar, sem comprovação oficial.
O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, terá atividades para pacientes hospitalizados de 13 a 31 de outubro. Segundo a Secretaria da Saúde de Goiás, a programação do mês das crianças inclui teatro, cinema, oficinas, brincadeiras e interação com animais.
Na terça-feira (13/10), a Cavalaria da Polícia Militar de Goiás (PMGO) visitará a unidade a partir das 7h30. Os pacientes terão uma experiência de Terapia Assistida com Animais (TAA), com interação com os cavalos. Às 13h30, haverá apresentação teatral do Serviço Social do Comércio (Sesc).
O cineminha temático está previsto para 14 de outubro, às 13h30. No dia 15, também às 13h30, a agenda terá Cabelo Maluco e oficina, incluindo a proposta “O que é ser criança para você?”. Em 16 de outubro, às 13h30, haverá Cabelo Maluco e oficina de brincadeiras antigas. Os colaboradores participarão com penteados criativos durante a rotina de trabalho nos dias 15 e 16.
Em 31 de outubro, os Amigos da Márcia Chiquinha retornarão ao hospital para entregar brinquedos aos pacientes. A secretaria informou que as ações fazem parte das estratégias de humanização da unidade e buscam estimular a interação, a criatividade e as brincadeiras durante a internação.
Um homem e uma mulher foram baleados durante uma ocorrência na noite de sábado (10/10), no Parque Calixtópolis, em Anápolis. As vítimas foram socorridas com vida, encaminhadas ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana) e submetidas a cirurgias. Até a publicação, não havia informações atualizadas sobre o estado de saúde dos dois.
Uma moradora ouviu vários tiros e relatou ter visto um homem armado atrás de uma mulher. Ao acionar a Polícia Militar (PM), ela informou que havia uma pessoa ferida na rua. No local, os policiais encontraram moradores reunidos e as duas vítimas próximas a um caminhão branco.
O homem estava sentado em uma cadeira ao lado do caminhão, enquanto a mulher permanecia caída no chão, consciente e com ferimentos no tórax. Duas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram atendimento e transportaram ambos ao Heana, onde passaram por procedimentos cirúrgicos.
A Polícia Científica (PCI) realizou perícia na área, e a Polícia Civil (PC) recebeu a comunicação do caso para investigar a tentativa de homicídio. As autoridades ainda não divulgaram a identidade do suspeito nem a motivação do ataque. A apuração também esclareceu que os ferimentos ocorreram durante uma única ocorrência, embora os chamados iniciais tenham sido tratados como casos separados.
O gari Antônio José Júnior de Oliveira conquistou aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A história dele emociona pessoas em Goiás e ganhou repercussão nesta sexta-feira (09/10). Segundo o novo advogado, a mãe Ivani Vavier de Souza inspirou a continuidade dos estudos e a busca por uma vida melhor.
Antônio trabalhou na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) por 18 anos. Foram 13 anos na coleta orgânica, três na coleta seletiva e um ano e meio na varrição. Com apoio da companhia, ele conciliou a faculdade de Direito com o trabalho nas ruas.
Ele cursou a graduação com bolsa de estudos no Centro Universo Goiânia. As aulas ocorriam das 8h às 12h; o estágio, à tarde, por três horas em audiências; e o trabalho, das 16h às 22h. Antônio abdicava dos sábados, domingos e feriados para estudar.
O Centro Universo Goiânia informou que Antônio se formou em quatro anos e meio e foi juramentista do curso. Formado em julho, ele abriu o próprio escritório em agosto e atua na área trabalhista.
“O Direito do Trabalho traz justiça e pacifica a sociedade. Meu propósito: servir à sociedade, trazer paz e ajudar as pessoas a resolver seus problemas”, declarou Antônio.
Antônio concilia as atividades como advogado e o trabalho na Comurg. Ele assumiu a função de supervisor de abastecimento de combustível após concurso interno de meritocracia e trabalha no escritório na parte da tarde.
Uma mulher natural do Rio Grande do Sul foi presa após furtar um celular esquecido por um cliente em uma academia de Goiânia. O caso veio à tona após o sistema de vigilância do estabelecimento registrar a retirada do aparelho, fato que permitiu à polícia identificar a suspeita e iniciar as buscas.
As gravações de segurança tiveram papel decisivo na apuração. Após analisar as imagens e reunir informações sobre o caso, as equipes policiais localizaram a mulher em um hotel no Setor Marista, região nobre da capital. Segundo as informações divulgadas, ela estava em Goiânia a trabalho e permanecia temporariamente na cidade.
A abordagem ocorreu sem resistência. Após a localização da suspeita, os policiais recuperaram o celular e a encaminharam à delegacia para os procedimentos legais. O caso ficou sob responsabilidade da Polícia Civil, que dará continuidade à apuração da ocorrência.
O episódio evidenciou a importância das câmeras de segurança na identificação de suspeitos e na recuperação de objetos furtados. A vítima conseguiu reaver o aparelho após a ação policial, enquanto o caso seguiu para as providências previstas em lei.
O médico Carlos Umberto Inácio Novais, de 71 anos, foi preso preventivamente na quinta-feira (08/10), em Porangatu, no norte de Goiás, sob suspeita de cometer crimes sexuais contra pacientes. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) identificou, até o momento, 12 casos, todos associados à atuação profissional do investigado. Um dos episódios envolve contexto de violência doméstica.
Durante o cumprimento de mandados de busca, a Polícia Civil apreendeu seis armas de fogo na residência do médico, no consultório e em uma propriedade rural ligada a ele. As diligências integram a apuração conduzida pela Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deam) de Porangatu, após o advogado das vítimas encaminhar relatos ao Ministério Público.
Segundo o MP-GO, os casos investigados estão relacionados aos serviços prestados pelo médico em unidades públicas de Porangatu, entre elas o Hospital Municipal, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a policlínica. O profissional também exercia a função de perito na Polícia Científica de Goiás.
Após tomar conhecimento das denúncias, a Secretaria Municipal de Saúde determinou o afastamento temporário do médico e abriu procedimento administrativo disciplinar. A Polícia Científica encaminhou o caso à Corregedoria para análise. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) foi procurado, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.
Em nota, a defesa declarou confiar no andamento do processo e afirmou que a apuração demonstrará a inocência do investigado. Os advogados também destacaram a trajetória do profissional, descrito como respeitado pela comunidade por décadas de serviços prestados a Porangatu e à região. O Ministério Público solicita que possíveis outras vítimas procurem a Promotoria de Justiça pelo e-mail 3porangatu@mpgo.mp.br ou presencialmente.
O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, marido da apresentadora Patrícia Abravanel, apareceu em fotografias e mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, divulgadas pela revista Piauí no domingo (04/10). O material registra a presença de Faria em eventos de luxo realizados em Londres, na Inglaterra, durante viagens em março e abril de 2024.
Os registros mostram encontros em clubes privados e festas com convidados de destaque. Em uma das fotografias, Faria aparece ao lado de Vorcaro e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. As imagens integram o conteúdo encontrado no celular do empresário, apreendido pela Polícia Federal.
A divulgação das fotografias provocou comentários nas redes sociais sobre o casamento de Faria com Patrícia Abravanel. Entretanto, o material divulgado não comprova infidelidade, e a presença do ex-ministro nos eventos não constitui, isoladamente, evidência de traição.
A reportagem também detalhou os gastos atribuídos a Vorcaro nas viagens, ao incluirhospedagem em hotel cinco estrelas e uma degustação de uísque Macallan avaliada em aproximadamente R$ 3,3 milhões. Os valores ampliaram os questionamentos sobre o financiamento dos encontros e a proximidade do banqueiro com figuras influentes.
A divulgação do material reacendeu discussões sobre os vínculos entre Vorcaro e integrantes da política brasileira. As imagens documentam encontros e a participação de convidados nos eventos, mas não comprovam, por si só, a prática de irregularidades pelos políticos retratados.
Um capitão da Polícia Militar foi liberado após ser flagrado em vídeo a agredir duas mulheres em São Luís, capital do Maranhão. As imagens, que registraram a sequência de ataques, mostram o oficial a desferir socos e um chute no rosto de uma das vítimas, identificada pela roupa laranja. Com a força dos golpes, a mulher caiu no chão, enquanto a violência prosseguiu diante da câmera.
A segunda mulher, que vestia um vestido preto, tentou intervir para interromper as agressões contra a primeira vítima. A reação, porém, também foi alvo da violência do capitão, que sacou uma arma e passou a atingir a mulher com coronhadas. Além disso, o oficial desferiu novos golpes no rosto da vítima, conforme o registro em vídeo. A gravação documentou diferentes momentos das agressões contra as duas mulheres.
O caso está sob investigação da Delegacia Especializada da Mulher de São Luís, responsável pela apuração das circunstâncias das agressões. A ocorrência deverá ser esclarecida pelas autoridades competentes, que buscam reunir informações sobre o episódio e avaliar as medidas cabíveis em relação à conduta do policial militar. Até o momento, as informações disponíveis indicam que o capitão foi liberado após o caso.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que um carro atingiu o muro de uma residência na noite de quinta-feira (8), na Rua Mário Cerqueira Neto, no Bairro Estrela, em Catalão, no sudeste de Goiás.
As imagens mostram a colisão, mas não há informações confirmadas sobre as circunstâncias do acidente, as causas da batida ou se alguém ficou ferido.
Uma Renault Duster capotou após uma colisão com um Fiat Uno na GO-206, no perímetro urbano de Quirinópolis, na saída para Caçu, no final da manhã de quarta-feira (07/10). O impacto deixou três integrantes de uma mesma família feridos.
Uma mulher de 44 anos estava ao volante do Duster e viajava com os pais, de 68 e 77 anos. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo foi atingido pelo Uno e capotou após a batida.
As três pessoas ficaram dentro do Duster após o acidente e foram retiradas do veículo por populares antes da chegada do Corpo de Bombeiros. Depois do resgate, os familiares receberam encaminhamento para atendimento médico.
O condutor do Fiat Uno não sofreu ferimentos no acidente. Até o momento, as circunstâncias que provocaram a colisão entre os dois veículos não foram informadas.
Um fisioterapeuta foi preso em flagrante nesta quarta-feira (7) durante uma operação da Polícia Civil de Goiás que investiga o funcionamento irregular de uma clínica de estética em Goiânia. O estabelecimento, segundo a corporação, funcionava sem autorização sanitária.
A ação foi realizada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), que apura suspeitas de exercício ilegal da medicina, lesão corporal grave e crimes contra as relações de consumo. Ao todo, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital.
Durante uma das buscas, os policiais encontraram o estabelecimento investigado. No local, havia medicamentos vencidos, produtos de uso hospitalar, materiais e equipamentos cirúrgicos, além de receituários em branco e substâncias sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um carimbo pertencente a uma médica também foi localizado.
Vigilância Sanitária interditou o estabelecimento
A fiscalização contou com a participação da Vigilância Sanitária, que determinou a interdição da clínica. Entre as irregularidades encontradas estavam a ausência de alvará sanitário e de responsável técnico, além de problemas relacionados às condições de higiene do espaço.
Diante do material apreendido e das circunstâncias verificadas durante a operação, o fisioterapeuta recebeu voz de prisão em flagrante. Conforme a Polícia Civil, ele foi autuado por suspeita de exercício ilegal da medicina, crime contra as relações de consumo e venda ou exposição à venda de mercadorias em condições impróprias para o consumo.
A investigação continua e também busca esclarecer uma suspeita de lesão corporal grave que teria relação com os procedimentos realizados no estabelecimento.
A médica Maize Oliveira, de 34 anos, recebeu alta hospitalar após passar por sete cirurgias em decorrência das queimaduras sofridas durante um incêndio em uma lancha no Lago Paranoá, no Distrito Federal. Ela teve cerca de 50% do corpo queimado e agora continuará a recuperação em casa.
A família comemorou a alta e agradeceu pelas mensagens de apoio recebidas durante o período de internação. Apesar da evolução, Maize ainda terá um longo processo de recuperação e precisará manter os cuidados médicos.
Em um vídeo gravado ainda no hospital e compartilhado pela família, a médica aparece usando uma máscara especial para pacientes com queimaduras, além de faixas nas mãos e nos pés. Ela caminha pelos corredores até a entrada da unidade de saúde, onde levanta os braços e faz o sinal da cruz.
Após sete cirurgias, Maize Oliveira recebe alta e celebra a nova etapa da recuperação em casa | Vídeo: Reprodução/instagram
“Pessoal, quero agradecer imensamente todas as ações de vocês. Falar que deu certo, graças a Deus estou curada, as lesões já melhoraram 99%”, afirmou Maize na gravação.
Ao celebrar a alta, a médica também destacou a dificuldade enfrentada durante o tratamento e agradeceu às pessoas que acompanharam sua recuperação.
“Foram dias de luta, dias de glória, foram difíceis, mas eu consigo vencer. E tudo isso primeiro graças ao Senhor e depois a vocês. Obrigada por tudo”, disse.
Relembre o caso
O acidente aconteceu no dia 20 de setembro, quando a lancha em que Maize estava pegou fogo e explodiu no Lago Paranoá, em Brasília. A médica estava entre as 15 pessoas que estavam na embarcação no momento da ocorrência.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), 11 pessoas ficaram feridas ou sofreram queimaduras. Maize teve 50% do corpo queimado e foi transferida para Goiânia, onde permaneceu internada e passou por sete cirurgias durante o tratamento.
Um vídeo gravado por testemunhas registrou o momento em que a embarcação foi tomada pelas chamas, enquanto algumas pessoas tentavam conter o fogo com água.
Faltam 28 minutos pro domingo virar segunda e o vagão só esvazia na estação Guilhermina-Esperança. O ambulante me cumprimenta com a cabeça, senta e acomoda a sacola preta entre as pernas. Estico o pescoço e vejo, lá dentro, algumas cocadas.
Parece que o dia foi bom, mesmo assim quero perguntar das vendas. Daria, com muito prazer, um pouco do meu tempo, do meu sono e até parte do que tenho na carteira para saber não só das cocadas. Quero conhecer, um tiquinho que seja, este trabalhador. Quem vende cocadas até o último trem do domingo tem muito pra contar.
Dou sorte. Mesmo tendo falado o dia inteiro de suas cocadas, que são gostosas, que desfazem na boca, que são baratas, que são mineiras e que vêm direto do Vale do Jequitinhonha, ele ainda quer falar.
Ajeita o boné, pigarreia.
— Meu nome é Getúlio. Getúlio Pereira da Silva. G. P. S. Nunca me perco. Entendeu? (rimos os dois) Mas sou conhecido como Raimundo. Eu explico: Pro ambulante, o marketing é tudo. Entro no vagão e anuncio: “Chegou a melhor cocada do mundo, a cocada do Raimundo”. Eu experimentei essa publicidade porque a rima é boa e eu sempre adorei o nome Raimundo. Tem passageiro que comenta. “Olha aí o Raimundo”. Então, deixa ficar. Virei Raimundo. Quer provar uma? É de graça que hoje esvaziei a sacola três vezes.
Aceito e me delicio com a doce mistura de coco e rapadura.
— Cremosa, né?
— Maravilhosa, Raimundo. Respondo com a boca ainda cheia e uma lasca de coco entre os dentes.
— Tem uns que reclamam da confusão. A gente grita mesmo. O jogador não pede a bola? O motoboy não buzina? O feirante não zoa? Por que a gente não pode? Ninguém é obrigado a saber da vida dos outros, mas será que eles sabem que, por trás de uma cocada, tem uma criança com fome, às vezes doente? Que tem aluguel, um monte de boletos, agiota te ameaçando?
— Quantos filhos você tem?
— Três. Olha aqui no celular. Anderson, Henrique e a caçula, a Marcela.
— Eu não peço nada, eu ofereço. Quem quer, quer. Quem não quer, não quer.
— Muita gente compra?
— Compra. E sabe por quê?
— Por quê?
— Porque o produto é bom e barato. E tem mais (ele sussurra): pobre não tem medo de gastar. Ele me vê e pensa: amanhã eu posso tá desempregado, posso ter que trabalhar como camelô. Então, eu ajudo agora e, se depois eu tiver no sufoco, alguém vai dar uma força.
— Mas dizem que é barato porque é clandestino.
— Mentira. É barato porque não tem intermediário; no supermercado o preço é maior porque eles têm muito mais despesas e também querem mais lucro. Aqui é diferente, vou no depósito e pago à vista.
— Então, por que é proibido?
— Porque é fácil mexer com o pobre. Eu garanto pro senhor. Meu produto não deve nada ao do supermercado. Eu ando de metrô e de trem todo dia e pago a passagem, viu? Eu sou camelô e passageiro ao mesmo tempo e garanto: a gente não atrapalha ninguém. Sabe o que atrapalha?
— O quê?
— O atraso e a superlotação. Tem que botar mais trens para circular. Só que a empresa ou o governo não quer gastar. É simples: com o trem cheio ganham mais. Agora, com a privatização, o que já era ruim ficou pior. Os vigilantes vêm pra cima como se o camelô fosse um bandido. Eu não sou bandido, sou empreendedor.
— Você manda bem, Raimundo. Já tinha falado de marketing, publicidade, agora empreendedor.
— Estudei um pouco. Empreendedor, eu ouvi essa no tempo que tinha passeata, sindicato. Durante um protesto, um cara subiu no caminhão e disse bem assim: Camelô é empreendedor e empreendedor é quem faz o Brasil crescer, nunca esqueci.
— Já tomaram sua mercadoria?
— Já, mas não desanimo. Toda profissão tem risco e eu adoro esse meu trabalho. Só que as autoridades não dão valor. Eles podiam cadastrar a gente.
— Como seria?
— Um número certo de ambulantes em cada trem, todo mundo com crachá, uniforme. Trabalho organizado.
Última estação. Getúlio levanta e me olha.
— Ué, não vai descer?
— Vou voltar. Vim até aqui para te ouvir.
A porta fecha e a gente acena um pro outro.
A voz feminina se impõe.
— Diamante Negro na promoção: é 3 por 5, que eu não brinco.
Acredito que a vida adulta te coloca algumas provações inusitadas, como descobrir que detergente virou bebida de maluco negacionista e que o papel higiênico não se desenrola sozinho — a não ser quando seu gato faz picadinho dele numa madrugada qualquer.
Existem outras, claro, tão banais, como ir à lavanderia. Eu estou nessa prática há pouco tempo e percebi como esse ecossistema úmido é repleto de armadilhas sociológicas.
A lavanderia é um lugar onde a intimidade alheia se expõe, rodopiando a mil rotações por minuto, atrás de um vidro embaçado. Foi numa dessas incursões, armado com um cesto de roupas sujas e a ingenuidade de um novato, que o destino me pregou uma peça.
Recolhi minhas roupas da secadora e dobrei tudo com a pressa de quem quer voltar ao sofá. Ao organizar as gavetas, notei uma intrusa. Uma cueca vermelha. Não um vermelho discreto. Era um vermelho vibrante, quase radioativo, um vermelho que gritava “eu não tenho medo de desbotar na lavagem”.
Eu não tenho cuecas vermelhas. Minhas gavetas são um monótono degradê de cinza, preto e azul-marinho, o uniforme padrão da melancolia masculina urbana. Aquela peça rubra era um alienígena no meu guarda-roupa. Fiquei imaginando quem seria o dono e o que aquela cueca teria vivido.
Pensei em levar de volta. “Amanhã eu desço e deixo no balcão”, prometi. Mas o amanhã não chegou. A cueca vermelha ficou ali, no cesto de roupa suja, me encarando com toda a sua ousadia escarlate toda vez que eu me aproximava.
Semanas se passaram e a cueca foi soterrada por outras peças. Chegou o dia de lavar roupa novamente. No piloto automático, peguei tudo no cesto, desci, lavei, sequei, subi. Quando fui guardar… lá estava ela. Eu a havia lavado de novo. Avisei a Alexa para anotar o recado e me lembrar no dia seguinte. “Devolver a cueca”.
Por um momento, eu não só a tinha sequestrado, como também a mantinha num regime bizarro de cativeiro com pensão completa. Ela tinha dono e não era eu. Senti um misto de culpa e absurdo. E, por algum motivo besta, tinha nojinho dela.
Decidi que daria um fim naquilo. Um assassinato de algodão. Mas hesitei. Vai que o cara é apegado? A cueca já tinha ganhado status de entidade na minha casa.
Na vez seguinte em que desci à lavanderia, a maldita estava na minha sacola, pronta para ser devolvida. Enquanto a máquina girava, sentei-me e abri um livro, tentando fingir que não carregava a roupa íntima de um estranho no bolso. Fiquei sem jeito de colocar a danada na bancada porque havia mais gente.
Não é qualquer gente, é dessas que puxam assunto na lavanderia. Elas existem. Foi quando um rapaz deu início ao papo. Falamos do tempo, do síndico, da inflação do sabão. Amenidades. A conversa fluiu para o futebol. Ele suspirou pesado e, com a naturalidade de quem confessa um pecado, soltou:
— Pra piorar, perdi minha cueca da sorte aqui faz um mês. Sou flamenguista. Tinha uma cueca vermelha que eu só usava no dia de clássico. Sumiu na secadora. Sem ela, o Mengão perdeu o último jogo.
Eu, são-paulino desde o berço, congelei. A mão, que instintivamente tinha ido ao bolso, parou no meio do caminho. O tecido vermelho pareceu queimar meus dedos.
Olhei para o rapaz. Ele tinha um olhar triste, de quem acreditava que o time dependia daquela peça íntima. Pensei no meu Tricolor lutando no campeonato e nas minhas próprias mandingas de torcedor. Pensei no Flamengo. Pensei na cueca vermelha, limpinha, amaciada com lavanda, refém no meu bolso esquerdo.
Fiz o que qualquer homem ético e apaixonado por futebol faria naquela situação.
Fiquei em absoluto silêncio.
— Puxa, cara… que chato — lamentei, com a voz embargada por uma solidariedade falsa. — A máquina sempre come alguma coisa — consolei.
Ele assentiu, resignado. Recolheu suas roupas e saiu com sua sacola, levando consigo a esperança do seu time. E eu fiquei ali, com a cueca no bolso. Já sozinho, a depositei no balcão, olhando para os lados, e resolvi escrever um bilhete de improviso.
— Pertence a um flamenguista. Favor respeitar. Ele voltará.
Voltei para o apartamento satisfeito. Tirei as roupas da sacola, dobrei com cuidado e guardei. Para minha surpresa, e revolta, agora havia uma meia. Apenas o pé direito, daquelas estampadas com capivaras usando óculos escuros.
— “Não é possível”, pensei.
Levantei a meia contra a luz para observar melhor a capivara com seus óculos de lacração tug life. Se o Flamengo perdeu o jogo por causa da cueca, o que será que estava em jogo com aquela meia de capivara? Pelo sim, pelo não, passei a calçar a meia para ver os jogos do São Paulo. Passado um tempo, a conclusão: se o universo estava tentando me dar uma vantagem, definitivamente não funcionou.