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A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de compartilhar informações sigilosas de processos com o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato eletrônico e violação de sigilo funcional.
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Pradera deixou o cargo na sexta-feira (16), após a abertura de um procedimento interno no STJ. A suspeita é de que ele tenha antecipado decisões judiciais e repassado documentos ainda não publicados ao advogado. A investigação ganhou força depois que a PF analisou dados extraídos do celular de Willer Tomaz e identificou comunicações entre os dois.
Um dos elementos reunidos pelos investigadores é uma fotografia enviada por Pradera que mostra um documento jurídico aberto na tela de um computador. Segundo a apuração, o material ainda não havia sido assinado nem divulgado oficialmente. As mensagens também indicariam que o então servidor compartilhava informações sobre assuntos internos do tribunal.
Investigação alcança relações financeiras de Flávio Bolsonaro
A apuração sobre o suposto vazamento se conecta a uma investigação mais ampla sobre movimentações financeiras de Willer Tomaz e sua relação com Flávio Bolsonaro. A PF encontrou e-mails que apontariam o senador como usuário master de uma conta bancária vinculada a uma empresa ligada ao advogado.
O relatório policial também menciona encontros, festas e reuniões entre os dois, além do custeio de viagens do senador. Para os investigadores, a movimentação financeira atribuída a Willer é incompatível com as atividades econômicas declaradas pelo advogado.
O caso teve origem em uma investigação da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, que apurava inicialmente suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao uso de plataformas de apostas. A análise dos dados do celular de Willer levou a PF a identificar outros elementos e a aprofundar a apuração sobre suas relações com o senador.
Como Flávio Bolsonaro tem foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado ao STF e distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A busca contra Pradera é a primeira medida autorizada por Moraes para aprofundar os fatos relacionados ao advogado nesse procedimento. A diligência teve como alvo o ex-servidor do STJ, e não o senador.
Flávio também é investigado em outro inquérito no Supremo, relacionado a suspeitas de financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
STJ abre procedimento e investigados contestam suspeitas
Em nota, o Superior Tribunal de Justiça informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e vazamento de informações. A Corte também abriu procedimentos administrativos para apurar possíveis infrações. As medidas criminais seguem sob sigilo.
Willer Tomaz negou ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal. O advogado também rejeitou a acusação de interferência em manifestações do órgão.
A defesa afirmou desconhecer o relatório da PF citado nas notícias e criticou a divulgação seletiva de informações durante a campanha eleitoral, com referências a terceiros que, segundo os advogados, não teriam relação com os fatos investigados.
A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que o vínculo entre o senador e Willer Tomaz é de amizade. Segundo a nota, qualquer tentativa de associar essa relação a irregularidades seria uma ilação sem fundamento nos fatos.
Os advogados também negaram que Flávio tenha mantido conta bancária na qual Willer Tomaz ou empresas dele figurassem como usuário master.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam, por si só, comprovação de prática criminosa.
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A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz.
O inquérito chegou ao STF há pelo menos uma semana e foi distribuído por meio de sorteio. O relator sorteado foi o ministro Alexandre de Moraes. Procuradas, as defesas ainda não se manifestaram.
Com isso, Flávio passou a ser investigado em dois inquéritos atualmente em tramitação no STF. O primeiro envolve o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse e tramita sob relatoria de André Mendonça.
Essa nova investigação surgiu a partir de provas colhidas em um inquérito da PF que tramitava no Rio Grande do Sul na primeira instância e apurava suspeitas envolvendo plataformas de pagamento digital e o setor de apostas.
Ao longo da investigação, a PF diz ter identificado "elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto", primeira bet a obter autorização estadual no governo do Rio de Janeiro para explorar apostas esportivas. A PF diz que os dois sócios formais da Rede Loto possuem vínculos com o advogado. Por causa disso, ele passou a ser investigado.
Após análise da quebra de sigilo da nuvem do celular de Willer, os investigadores identificaram vínculos entre o advogado e o senador Flávio Bolsonaro, que tem foro privilegiado. Por isso, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal.
"Registra-se, por fim, que o material analisado contém referências a autoridades detentora de foro por prerrogativa de função, notadamente parlamentar federal", escreveu a PF.
"A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, servidores públicos, integrantes do Ministério Público e pessoas vinculadas ao Poder Judiciário (...). Entre os vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados", diz a PF.
O advogado também já havia sido alvo de busca e apreensão em agosto, autorizada pelo ministro André Mendonça na Operação Sem Desconto, por suspeita de ter realizado operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos para o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Nesse caso, Flávio Bolsonaro não foi alvo da apuração.
A nova investigação menciona registros de festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio, pagamentos de viagens ao parlamentar e também vínculo em uma conta bancária em nome da empresa Alcazar Holding, na qual Flávio era mencionado como "usuário master". O vínculo de Flávio com a conta foi revelado pelo portal UOL e confirmado pelo Estadão. "Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro. Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer", diz a PF.
A PF menciona que uma das contas bancárias do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões em um período de março a maio de 2025 e aponta que seria necessário aprofundar a origem e destinação dos recursos.


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