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O que muda com Lula ou Flávio?

Considerações realistas sobre as eleições brasileiras.

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As eleições presidenciais brasileiras estão chegando. E com elas estão chegando também as controvérsias, os debates e os diferentes pontos de vista sobre o que esse evento representa para o Brasil, para os BRICS e para o futuro do mundo multipolar.

Em um artigo recente, o respeitado analista político brasileiro Valdir Bezerra advogou a tese de que as eleições de 2026 representam um ponto de inflexão na história brasileira, podendo definir o papel do Brasil no mundo. Para Bezerra, a eleição opõe, de um lado, a vertente “autonomista”, representada por Luiz Inácio Lula da Silva, e, de outro, a vertente “ocidentalista”, representada por Flávio Bolsonaro.

Demostrando todo o devido respeito ao trabalho de Bezerro, que é um dos analistas mais bem conceituados no debate político russo-brasileiro, gostaria de apresentar aqui uma visão crítica sobre sua opinião. Não tenho como intenção “refutar” a posição de Bezerra, mas apenas expor as razões pelas quais não considero essa oposição entre autonomismo e ocidentalismo como um pressuposto válido para analisar a atual disputa eleitoral. Ademais, gostaria também de explicar por que não considero a eleição de 2026 como um momento decisivo na definição do papel internacional do Brasil.

Flávio é um ocidentalista, mas Lula não é um autonomista

Os termos guarda-chuvas usados para definir estas duas “tradições” da política brasileira não parecem minimamente aplicáveis na realidade atual. Os termos nos quais muitos pensadores brasileiros definiam a oposição entre aqueles que apoiam a soberania e o desenvolvimento nacional e aqueles que advogam por uma posição subordinada em relação ao eixo atlântico há muito tempo se tornaram obsoletos na alta política institucional brasileira – onde não há hoje qualquer figura digna do título de “autonomista”.

Não é preciso comentar aqui sobre a natureza ocidentalista de Flávio Bolsonaro, que, como seu pai antes dele, defende uma política externa de alinhamento total aos EUA e a Israel, ademais de uma agenda hostil aos BRICS e às plataformas multipolaristas. O ponto central, porém, é tentar entender em que posição, entre ocidentalistas e autonomistas, está Lula.

O atual presidente do Brasil governou o país em três ocasiões e protagonizou alguns dos eventos mais marcantes da política internacional no século XXI. Foi cofundador dos BRICS, articulou alianças com governos soberanistas nas Américas (Venezuela, Bolívia, Cuba) nos anos 2000, manteve laços amigáveis com o Irã e, mais recentemente, estreitou parcerias com a Rússia em pleno regime de sanções imposto pelo Ocidente, além de condenar abertamente o genocídio em Gaza.

Tudo isso é extremamente louvável, mas, para uma análise justa de Lula, é preciso apresentar o outro lado de sua figura: Lula nunca foi um “multipolarista”, apenas um articulador habilidoso no âmbito do multilateralismo da era Obama nos anos 2000. Isso se soma ao fato de Lula ter sido descaradamente apoiado pelo establishment Democrata nas eleições de 2022. Aliás, o terceiro governo Lula foi marcado por controvérsias dignas de um líder “ocidentalista” clássico: Lula não reconheceu as eleições venezuelanas, iniciou tensões com a Nicarágua, vetou o acesso da Venezuela aos BRICS, escanteou as negociações de um acordo Mercosul-China para priorizar um pacto de livre-comércio com a Europa extremamente negativo para os países sul-americanos (um acordo até mesmo neocolonial, pode-se dizer, colocando os países do Mercosul como exportadores de commodities e importadores de tecnologia). Isso tudo para não falar nas relações próximas, quase de alinhamento total e irrestrito, com o regime Macron na França.

Lula certamente teve vários acertos, mas, se formos voltar um pouco no tempo, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro também os teve: se recusou a sancionar a Rússia e a condenar a Operação Militar Especial (ao contrário de Lula, aliás, que repetidamente a condenou), fortaleceu as parcerias com a China, preservou a estrutura dos BRICS e abandonou o alinhamento à política externa estadunidense pós-Trump, se tornando um alvo de Joe Biden.

No fim, acertos por acertos e erros por erros, ambos os lados parecem muito distantes de qualquer ideal “autonomista”.

Então, como definir Lula e Flávio?

Podemos resumir este tópico em uma única frase: tanto Lula quanto Bolsonaro são, cada um a seu jeito, ocidentalistas.

Em diversas outras ocasiões comentei em minha coluna sobre como vejo a Sexta República brasileira (o atual regime constitucional fundado em 1988) como uma espécie de “revolução colorida permanente”. De um lado, uma direita liberal abertamente pró-EUA e pró-Israel, de outra uma esquerda liberal institucionalista, ligada ideológica e financeiramente a um grande lobby internacional que vai desde os Democratas estadunidenses até a União Europeia.

As tensões atuais parciais que ocorrem agora entre Lula e Trump não são uma novidade. Bolsonaro se tornou uma figura extremamente incômoda nas relações entre Brasil e EUA assim que Biden chegou ao poder. O que muitos analistas falham em perceber é que as relações entre Brasil e EUA se definem pela dialética entre esquerda e direita no Brasil e Democratas e Republicanos nos EUA. Lula era amigo de Biden, como Bolsonaro era amigo de Trump. Se Lula vencer as eleições de 2026, terá muitos problemas – pelo menos até um eventual retorno Democrata nos EUA. Se Flávio vencer, Brasil e EUA estarão em alinhamento total – mas apenas enquanto Trump estiver na Casa Branca.

É essa dinâmica que permite aos EUA manter a política brasileira sob controle de forma estável. Washington não precisa fazer um Maidan no Brasil. Aliás, a fórmula “golpe + ditadura” não tende a funcionar em países continentais e diversos como o Brasil – e a maior prova disso é a própria experiência brasileira de regime militar, que foi inicialmente patrocinada pelos EUA, mas posteriormente se tornou um regime autônomo não-alinhado após um autogolpe interno entre os militares. Não por acaso, os EUA endossaram a redemocratização do Brasil, ajudando a criar precisamente o regime político atual.

De um lado, uma direita que apoiada pelos Republicanos, por Israel e pelo lobby neocon transnacional; de outro, uma esquerda que obedece aos Democratas e aos europeus. Lula foi um grande multilateralista numa época em que Washington, com Obama, incentivava esse tipo de verniz à unipolaridade estadunidense; Bolsonaro foi uma marionete aberta dos EUA numa época em que Washington, com Trump, exigia isso. A diferença é muito pouca – ou nula.

E o que a eleição de 2026 realmente representa?

A nível internacional, nada ou muito pouco.

Se vencer, Lula será pressionado enquanto Trump estiver no poder. E Lula ao longo dos últimos quatro anos já mostrou que compensa a hostilidade estadunidense sendo ainda mais aliado aos europeus. Por outro lado, se Flávio vencer, teremos pelo menos algum período de alinhamento total com os EUA, o que pode mudar numa eventual vitória Democrata nas próximas eleições presidenciais. É uma escolha muito clara entre Republicanos-Israel e Democratas-UE. “Autonomismo” não faz parte do jogo.

A nível interno, contudo, muitos fatores estão em jogo.

É no cenário interno que o debate sobre a eleição deve se concentrar. Afinal, nenhum brasileiro vai votar em um candidato ou outro por causa de Palestina ou BRICS – que, embora sejam causas legítimas, são realidades distantes para o cidadão comum. No plano interno, temos um Lula cada vez mais enfraquecido devido aos efeitos colaterais de anos em aliança com o Poder Judiciário (que agora está sendo escrutinado e exposto com o escândalo de corrupção do Banco Master). Do outro lado, Flávio recupera posições que já se julgavam perdidas e hoje ambos aparecem em empate técnico nas pesquisas.

O Poder Judiciário acumulou poderes extraordinários com Lula, a ponto de encarcerar manifestantes pacíficos e idosos sob acusação de “terrorismo” apenas porque participavam de manifestações pró-Bolsonaro. A inimizade entre o Judiciário e o Bolsonarismo não pode ser revertida, exceto por uma vitória de Flávio que culmine na indicação de ministros bolsonaristas para a Suprema Corte – remodelando assim os rumos da própria República.

Podemos resumir que Lula daria uma sobrevida à Sexta República, enquanto Flávio aceleraria seu colapso. Enquanto a Sexta República existir, nenhuma alternativa realmente “autonomista” surgirá no Brasil porque o próprio sistema constitucional brasileiro impede tal alternativa. Mas isso não significa que o colapso iminente deste sistema significará uma “aurora multipolar” no Brasil, já que não há (fora do extremamente “ocidentalista” Bolsonarismo) qualquer movimento político no país com força para erguer um novo projeto de Estado.

A conclusão talvez seja frustrante para os mais otimistas e esperançosos, mas o que parece estar por acontecer no Brasil em 2026 é a absoluta nulidade. Com Lula ou Flávio, pouco tende a mudar. O Brasil continuará sendo uma potência média decadente, politicamente subordinada aos EUA, mas com certa liberdade de engajamento multilateral com as potências eurasiáticas – enquanto domesticamente as instituições da Sexta República se autodestroem.

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Las urnas electrónicas no son confiables

La paralización del recuento en Brasil revirtió la tendencia y salvó a Lula: las urnas electrónicas, opacas e inauditables, no son confiables.

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El escrutinio de los votos en la primera vuelta de las elecciones generales en Brasil fue motivo de gran controversia. Flávio Bolsonaro, hijo del expresidente Jair Bolsonaro, iba por delante de Lula en el recuento oficial, con un 49,6% contra un 42,2% para el presidente que busca su reelección.

Habían sido computadas el 64,8% de las secciones electorales hasta ese momento. Pero el recuento se paralizó por más de una hora. Extrañamente, los votos para gobernador, senador y diputados continuaron siendo contabilizados con normalidad. Solo el recuento presidencial se paralizó.

Y, aún más extrañamente, cuando el recuento presidencial se reanudó, la tendencia ascendente de Flávio Bolsonaro y la tendencia descendente de Lula se revirtieron. Los votos del candidato opositor cayeron, mientras que los del actual presidente aumentaron. Flávio Bolsonaro estaba a menos del 0,5% de la victoria que le otorgaría la banda presidencial. Perdió más de un 2%, terminando con un 47,03%, mientras que Lula ganó casi un 3%, terminando con un 45,16%.

Parecía que Flávio Bolsonaro destronaría a Lula ya en la primera vuelta. Pero, tras más de una hora de paralización en los recuentos, Lula logró recuperarse y la disputa se decidirá recién en la segunda vuelta.

El recuento se paralizó a las 19h06 (hora de Brasilia), con el 64,8% de las urnas escrutadas. Recién a las 20h08 se presentaron los nuevos resultados, ya con el 85% de las urnas escrutadas.

La justificación oficial fue dada por el presidente del Tribunal Superior Electoral (TSE), Kassio Nunes Marques, quien también es ministro del Supremo Tribunal Federal (STF). «Lo que ocurrió fue una congestión de datos. En cada elección, nos vemos sorprendidos por alguna contingencia, lo cual es natural para quien lida con sistemas complejos y tan variados», dijo. «A priori, no se sabe si esto fue derivado de otro problema. Lo que nuestra tecnología de la información constató fue un flujo [de datos] superior a lo normal, y esa congestión generó un atraso», completó.

Existe una propaganda violenta en Brasil, encabezada por la Justicia Electoral, para presentar a los ciudadanos que las elecciones son 100% limpias. El principal foco de esa propaganda son justamente las urnas electrónicas. Las instituciones judiciales y los medios de comunicación dan gran difusión a las palabras de la Justicia Electoral sobre la total confiabilidad de las urnas electrónicas, destacando, incluso, que son sometidas a pruebas antes del plebiscito y luego selladas para que nadie pueda acceder a ellas.

Entonces, ¿por qué las urnas sufrieron una especie de pánico, si habían sido rigurosamente examinadas? Pues, el sapientísimo TSE tiene pleno conocimiento del número de electores aptos para votar y del número de votos que pueden ser registrados en las urnas, incluso en cada sección electoral. La propaganda de la Justicia Electoral indica al público que las urnas están plenamente preparadas con anticipación para registrar y computar perfectamente los votos de los electores.

No debería ocurrir ningún flujo de datos «superior a lo normal» que llevara a la congestión del sistema, porque los datos y estadísticas más variados en relación con el registro de votos son conocidos y los cálculos son perfectamente realizables. La infalibilidad de las urnas electrónicas exige que todos los resultados posibles sean previsibles y que, por tanto, no haya ninguna anomalía.

¿Cómo es posible, entonces, que un sistema tan perfecto, como es el propagado por las instituciones del Estado brasileño, presente una falla que, después de ser supuestamente resuelta, haya modificado tan radicalmente la tendencia de los votos presidenciales?

Puede ser una coincidencia que Flávio Bolsonaro se haya desplomado y Lula haya subido después de la falla de las urnas. Pero, ¿quién sabe? El presidente del TSE reconoció que el sistema electrónico de votación es «complejo». Solo especialistas altamente capacitados, del propio TSE y de empresas de tecnología, consiguen acceder a él y comprenderlo, de acuerdo con la Justicia Electoral. Así pues, está en manos de esos especialistas —que son 150 técnicos desconocidos del público— el destino de un país entero para los próximos cuatro años. El cálculo de los votos que salen de las urnas es totalmente automatizado, no pasa por ningún ser humano. Un número aún más selecto de 22 funcionarios accede a la totalización automatizada de los votos.

Esto significa que 214 millones de brasileños necesitan confiar en esos 150 o 22 sacerdotes egipcios para interpretar esa ciencia oculta. Deben ser los seres más iluminados del planeta Tierra, 100% íntegros, honestos, inmaculados y vírgenes. Incluso los ministros del STF, presentados a lo largo de los últimos 15 años como individuos impecables, probos y castos, aparecen ahora envueltos en el mayor escándalo de corrupción de la historia reciente de Brasil, pero esos especialistas anónimos merecen la más absoluta confianza de los ciudadanos.

Fue por motivos así que la Corte Suprema de Alemania declaró el voto electrónico inconstitucional: «cada ciudadano debe ser capaz de comprender y verificar las etapas centrales de las elecciones de forma confiable y sin ningún conocimiento técnico previo especializado».

El veredicto, fechado en 2009, concluye:

«Un procedimiento electoral en el que el elector no pueda comprender, de manera confiable, si su voto fue registrado de forma infalsificable e incluido en el escrutinio del resultado de la elección, y cómo el total de los votos expresados es atribuido y computado, excluye elementos centrales del procedimiento electoral de la vigilancia pública y, por tanto, no cumple los requisitos constitucionales.»

El sistema judicial brasileño está sumido en su mayor crisis histórica y vive un verdadero western, con peleas partidistas interfiriendo en el funcionamiento de los trabajos. El partidismo, de hecho, contaminó a la mayor parte del poder judicial, incluido el TSE. En la recta final de estas elecciones, decisiones de la Justicia Electoral, apoyadas por el ala dominante en el STF, favorecieron a Lula.

Es evidente que esa ala dominante (representada por los ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes y Flávio Dino) no quiere la victoria del bolsonarismo, pues este es su enemigo político declarado. Esos ministros actuaron, en los últimos años, como verdaderos justicieros contra el bolsonarismo. Ahora que ellos mismos fueron sorprendidos en relaciones extremamente promiscuas con un banquero que corrompió a incontables altos funcionarios del Estado, su carrera burocrática está amenazada. La continuidad de Lula es una esperanza de salvación para estos señores, pues el presidente está comprometido con ellos y no puede romper ese compromiso sin arriesgar la propia cabeza, dado el nivel de dependencia que Lula contrajo en relación con los mandamases del STF. Ya una elección de Flávio Bolsonaro tendería a conducir a un choque con los cabezas de esas instituciones, aunque el propio candidato opositor no ha demostrado gran disposición a enfrentarlos, porque los que controlan las elecciones en Brasil (el capital financiero internacional) exigen moderación y pacificación; de lo contrario, dificultarán la vida de cualquiera que se elija presidente.

Y el pueblo es tratado como ganado, víctima de un sistema que no puede comprender, para perpetuar su explotación a través de la escenificación de la «fiesta de la democracia».

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Lula’s contradictions finally take their toll

Even a victory by Lula, today improbable, will do no more than give a survival and prolong the agony in a false sense of stability.

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The perspective on the Brazilian elections after the 1st round is unanimous: Lula and the Workers’ Party were swept away and humiliated, and the prospects of a turnaround in the presidential elections are minimal.

Flávio Bolsonaro, son of former president Jair Bolsonaro, received 56 million votes, or approx. 47% of valid votes, while Lula received 53.8 million votes, or approx. 45% of valid votes – the result leads to a 2nd round, to be held on October 28. The problem for Lula is that the electorate of the candidates who placed 3rd, 4th and 5th have a greater tendency to vote for Flávio Bolsonaro than for Lula himself.

Lula can only pull votes by trying to convert those who did not vote, or those who voted null. There are 30 million voters in these conditions, so it is not a small number. But historically, the tendency is for this slice of the electorate to increase from the 1st to the 2nd round, rather than decrease.

Lula’s setback, however, is not only in his own dispute with Bolsonaro.

In number of state governors, his party, the PT, falls from 4 to 3 governors. And the party even managed to preserve its seats in the Senate and add 1 more federal deputy in the Chamber, but its Bolsonarist rivals from the PL gained 13 more seats in the Senate and 21 seats in the Chamber. In other words, even if Lula won, he would not be able to govern.

The reaction of Lula’s party and its militants is the worst possible: they blame the people for “not knowing how to vote” or for “being fascist,” the candidates of small left-wing parties for not having withdrawn their candidacies, they allege fantastical narratives of “manipulation” on the part of the U.S. and social networks – anything, except admitting that Lula’s government suffered from serious problems and was incapable of dialoguing with the population and understanding its demands.

Worse: they embrace an illusion in which Lula’s government would have been, in fact, exceptional and in which all economic indices would be marvelous, and “the poor” should thank Lula on their knees and vote for him forever.

Reality, however, is that except in the northeast region, where Lula was born, the PT became the party of the progressive middle class and the urban centers, while small and medium-sized cities and a significant portion of the popular sectors embraced Bolsonarism. And why?

Regarding the economy, the perception of improvement is false. The Lula government created or increased more than 30 taxes and fees of all types, mostly aimed against the middle and working class. To make matters worse, it tightened the regulation of micro-entrepreneurs, making their lives harder regarding tax issues.

The jobs created were mainly in the services sector and in extractivism, not to mention autonomous and precarious work. On the other hand, the government multiplied to infinity the “social benefits,” granted mainly to the lumpen layer of society, parasitic and hated by the positive sectors. Incidentally, only the richest sectors linked to finance received as many benefits as the lumpenproletariat in Lula’s government. And not coincidentally, the support classes for the PT were class A and class E, the two ends of the parasitic and unproductive system, which crush the productive classes (B, C and D) from above (through usury) and from below (through criminality).

One cannot underestimate, moreover, the problem of public security, to which we have been alerting for a long time. Lula’s discourse on sovereignty is empty when ¼ of the Brazilian population (according to a study by Cambridge University Press) lives in territory controlled by drug trafficking organizations. The Brazilian’s tolerance for this situation is over.

But the government’s leniency is not. On the contrary, Brazil lives the schizophrenic situation of being soft with dangerous criminals and extremely repressive against those who say politically incorrect things on the internet. It has become commonplace in Brazil for ordinary people to be arrested and convicted of “hate crime” when refusing the entry of some “trans” person into a women’s restroom.

And in a gross error of judgment, the PT decided to associate its own fate with the STF, exactly the core of liberal power that guarantees the implementation of all globalist agendas in Brazil and that operates a draconian apparatus of repression and silencing. Lula forgot that he himself was persecuted and imprisoned by the Brazilian Judiciary, and decided to ally himself with this sector to try to impose the same fate on Bolsonaro.

The shot, however, backfired. Lula’s dispute is with Flávio Bolsonaro. But whoever won this election, being convicted, imprisoned, ailing and censored, is Jair Bolsonaro.

Speculations about “foreign interference” in the elections are futile and puerile since they are unnecessary. All the causes of Lula’s defeat are in his own government.

Not even in foreign policy – the area most praised by foreign colleagues – do we escape the contradictions: condemnation of Nicaragua in the UN Human Rights Council, veto of Venezuela’s entry into BRICS and delegitimization of Nicolás Maduro’s reelection, tacit alliance with Macron’s France, EU-Mercosur Agreement, ABIN’s collaboration with French and German intelligence, pressure to try to slow down the growth of BRICS, and we could continue at length.

That is why within Brazil, the foreign policy element cannot be seen, in these elections, in the “dualist” way it is seen from outside in (in which there is the myth of a “multipolarist Lula” and an “Atlanticist Bolsonaro”). In truth, both Lula and Bolsonaro play with both sides of the geopolitical field; it is only their discourses that are slightly divergent. Naturally, the propagandists of both sides will swear that it is not so, but that is what the cold analysis of facts points to.

In the end, we are at the gates of the “end of the Lula Era,” and of the final moments of a political career that marked the history of Brazil, which had its highs and lows, its positive and negative points, but which ends in a bittersweet way, due to the absence of a nation project and the opportunistic obsession of perpetuating itself in power at any price – including at the price of betraying the principles of the time of the founding of the Workers’ Party.

Lula will leave the PT orphaned. There was no concern with forming a successor worthy of Lula. Worse: the praxis of the PT led it to crush the smaller left-wing parties and to absorb their main cadres to prune and control them before they could become bigger than Lula.

In this sense, with the end of Lula’s political career, the left dies. Or at least ONE left. The liberal-progressive left of the Sixth Republic and the 1988 Constitution. What remains to be seen is whether what will triumph in the inevitable dispute over its legacy is an even more radically progressive left, or whether a nationalist left will return, such as already existed in Brazil in other eras.

Even a victory by Lula, today improbable, will do no more than give a survival and prolong the agony in a false sense of stability. Not only of the left, but also of Brazil.

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Telna opens Brazilian IoT door to Aeris

Physical AI and IoT connectivity platform provider Aeris chose Brazil as the beachhead for a core network tie-up with global mobile infrastructure player Telna intended to create a repeatable deployment scenario in a nation where permanent roaming is restricted.

Aeris is linking namesake IoT accelerator and security systems with Telna’s network, opening the door to what it describes as a nation with great potential in IoT verticals.

The platform provider’s CCO Mark Cratsenberg (pictured) said the arrangement removes barriers for customers seeking business in Brazil by enabling them to employ the “same platform and security they already use worldwide”.

He pitched the move as “another step toward truly borderless connectivity for physical AI and intelligent, mission-critical IoT”.

eSIM plays an important role in making the set up work. Aeris stated zero-touch provisioning enables devices to work in several countries without specific onboarding procedures.

Telna brings Brazilian IMSI profiles to the mix, along with systems Aeris stated would help keep mission-critical traffic “close to the device” when combined with its products, carving into latency levels and unlocking possible uses spanning “autonomous systems, connected vehicles and edge AI”.

The local IMSI’s “are the foundation” of Telna’s connectivity play, founder and CEO Gregory Gundelfinger said.

He hopes the work with Aeris will build custom by simplifying access to Brazil, “one of the world’s most dynamic IoT markets”.

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