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As contradições de Lula finalmente cobram o preço

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade.

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A perspectiva sobre as eleições brasileiras após o 1º turno é unânime: Lula e o Partido dos Trabalhadores foram varridos e humilhados, e as perspectivas de uma virada nas eleições presidenciais é mínima.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu 56 milhões de votos, ou aprox. 47% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões de votos, ou aprox. 45% dos votos válidos – o resultado leva ao 2º turno, a ser realizado no dia 28 de outubro. O problema para Lula é que o eleitorado dos candidatos que ficaram em 3º, 4º e 5º têm uma maior tendência para votar em Flávio Bolsonaro do que no próprio Lula.

Lula só tem como puxar votos tentando converter os que não foram votar, ou os que votaram nulo. São 30 milhões de eleitores nessas condições, portanto não é pouca gente. Mas historicamente, a tendência é que essa fatia do eleitorado aumente do 1º para o 2º turno, em vez de diminuir.

O revés de Lula, porém, não é apenas em sua própria disputa com Bolsonaro.

Em número de governadores estaduais, o seu partido, o PT, cai de 4 para 3 governadores. E o partido até conseguiu preservar seus assentos no Senado e somar 1 deputado federal a mais na Câmara, mas os seus rivais bolsonaristas do PL ganharam mais 13 cadeiras no Senado e 21 cadeiras na Câmara. Em outras palavras, mesmo que Lula ganhasse, não conseguiria governar.

A reação do partido de Lula e de seus militantes é a pior possível: responsabilizam o povo por “não saber votar” ou por “ser fascista”, os candidatos de micropartidos de esquerda por não terem desistido de suas candidaturas, alegam narrativas fantasiosas de “manipulação” por parte dos EUA e das redes sociais – tudo, menos admitir que o governo de Lula padecia de problemas sérios e foi incapaz de dialogar com a população e entender as suas demandas.

Pior: abraçam uma ilusão na qual o governo de Lula teria sido, na verdade, excepcional e no qual todos os índices econômicos seriam maravilhosos, e “os pobres” deveriam agradecer a Lula de joelhos e votar nele para sempre.

A realidade, porém, é que excetuando na região nordeste, onde Lula nasceu, o PT virou o partido da classe média progressista e dos centros urbanos, enquanto as cidades pequenas e médias e uma parte significativa dos setores populares abraçou o bolsonarismo. E por que?

No que concerne a economia, a percepção de melhora é falsa. O governo Lula criou ou aumentou mais de 30 impostos e taxas de todos os tipos, voltados em sua maioria contra a classe média e trabalhadora. Para piorar, apertou a regulamentação dos microempreendedores, dificultando a sua vida no que concerne questões tributárias.

Os empregos criados foram principalmente no setor de serviços e no extrativismo, para não falar nos trabalhos autônomos e precários. Em contrapartida, o governo multiplicou ao infinito os “benefícios sociais”, concedidos principalmente para a camada lúmpem da sociedade, parasitária e odiada pelos setores positivos. Aliás, apenas os setores mais ricos ligados às finanças receberam tantos benefícios quanto o lumpemproletariado no governo Lula. E não casualmente, as classes de apoio ao PT foram a classe A e a classe E, as duas pontas do sistema parasitário e improdutivo, que esmagam as classes produtivas (B, C e D) por cima (através da usura) e por baixo (através da criminalidade).

Não se pode subestimar ademais, o problema da segurança pública, para o qual temos alertado há muito tempo. O discurso de Lula sobre soberania é vazio quando ¼ da população brasileira (segundo estudo da Cambridge University Press) vive em território controlado por organizações narcotraficantes. A tolerância do brasileiro por essa situação acabou.

Mas a leniência do governo não. Ao contrário, o Brasil vive a situação esquizofrênica de ser suave com criminosos perigosos e extremamente repressivo contra quem diz coisas politicamente incorretas na internet. Tornou-se corriqueiro no Brasil que pessoas comuns seja presas e condenados por “crime de ódio” ao recusarem a entrada de alguma pessoa “trans” num banheiro feminino.

E num erro de julgamento crasso, o PT decidiu associar a própria sorte ao STF, exatamente o núcleo de poder liberal que garante a implementação de todas as pautas globalistas no Brasil e que opera um aparato draconiano de repressão e silenciamento. Lula se esqueceu de que ele próprio foi perseguido e preso pelo Judiciário brasileiro, e decidiu se aliar a este setor para tentar impor a mesma sina a Bolsonaro.

O tiro, porém, saiu pela culatra. A disputa de Lula é com Flávio Bolsonaro. Mas quem venceu essa eleição, estando condenado, preso, adoecido e censurado é Jair Bolsonaro.

Especulações sobre “interferência estrangeira” nas eleições são fúteis e pueris posto que desnecessárias. Todas as causas da derrota de Lula estão em seu próprio governo.

Nem na política externa – área mais elogiada pelos colegas estrangeiros – escapamos das contradições: condenação da Nicarágua no Conselho de Direitos Humanos da ONU, veto ao ingresso da Venezuela nos BRICS e deslegitimação da reeleição de Nicolás Maduro, aliança tácita com a França de Macron, Acordo UE-Mercosul, colaboração da ABIN com as inteligências da França e da Alemanha, pressão para tentar desacelerar o crescimento dos BRICS, e poderíamos continuar longamente.

É por isso que dentro do Brasil, o elemento da política externa não pode ser visto, nessas eleições, da maneira “dualista” como ele é visto de fora para dentro (em que se tem o mito de um “Lula multipolarista” e um “Bolsonaro atlantista”). Na verdade, tanto Lula quanto Bolsonaro jogam com os dois lados do campo geopolítico, são apenas seus discursos que são levemente divergentes. Naturalmente, os propagandistas de ambos os lados jurarão que não é assim, mas é o que a análise fria dos fatos aponta.

No fim das contas, estamos às portas do “fim da Era Lula”, e dos momentos finais de uma carreira política que marcou a história do Brasil, que teve seus altos e baixos, seus pontos positivos e negativos, mas que termina de um modo agridoce, pela ausência de um projeto de nação e pela obsessão oportunista de se perpetuar no poder a qualquer preço – inclusive ao preço de trair os princípios da época da fundação do Partido dos Trabalhadores.

Lula deixará o PT órfão. Não houve preocupação com formar um sucessor à altura de Lula. Pior: a práxis do PT o levou a esmagar os partidos de esquerda menores e a absorver seus principais quadros para podá-los e controlá-los antes que eles pudessem se tornar maiores que Lula.

Nesse sentido, com o fim da carreira política de Lula morre a esquerda. Ou pelo menos UMA esquerda. A esquerda liberal-progressista da Sexta República e da Constituição de 88. Resta saber se o que triunfará na inevitável disputa por seu legado é uma esquerda ainda mais radicalmente progressista, ou se retornará uma esquerda nacionalista, tal como já existiu no Brasil em outras épocas.

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade. Não só da esquerda, mas também do Brasil.

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O que muda com Lula ou Flávio?

Considerações realistas sobre as eleições brasileiras.

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As eleições presidenciais brasileiras estão chegando. E com elas estão chegando também as controvérsias, os debates e os diferentes pontos de vista sobre o que esse evento representa para o Brasil, para os BRICS e para o futuro do mundo multipolar.

Em um artigo recente, o respeitado analista político brasileiro Valdir Bezerra advogou a tese de que as eleições de 2026 representam um ponto de inflexão na história brasileira, podendo definir o papel do Brasil no mundo. Para Bezerra, a eleição opõe, de um lado, a vertente “autonomista”, representada por Luiz Inácio Lula da Silva, e, de outro, a vertente “ocidentalista”, representada por Flávio Bolsonaro.

Demostrando todo o devido respeito ao trabalho de Bezerro, que é um dos analistas mais bem conceituados no debate político russo-brasileiro, gostaria de apresentar aqui uma visão crítica sobre sua opinião. Não tenho como intenção “refutar” a posição de Bezerra, mas apenas expor as razões pelas quais não considero essa oposição entre autonomismo e ocidentalismo como um pressuposto válido para analisar a atual disputa eleitoral. Ademais, gostaria também de explicar por que não considero a eleição de 2026 como um momento decisivo na definição do papel internacional do Brasil.

Flávio é um ocidentalista, mas Lula não é um autonomista

Os termos guarda-chuvas usados para definir estas duas “tradições” da política brasileira não parecem minimamente aplicáveis na realidade atual. Os termos nos quais muitos pensadores brasileiros definiam a oposição entre aqueles que apoiam a soberania e o desenvolvimento nacional e aqueles que advogam por uma posição subordinada em relação ao eixo atlântico há muito tempo se tornaram obsoletos na alta política institucional brasileira – onde não há hoje qualquer figura digna do título de “autonomista”.

Não é preciso comentar aqui sobre a natureza ocidentalista de Flávio Bolsonaro, que, como seu pai antes dele, defende uma política externa de alinhamento total aos EUA e a Israel, ademais de uma agenda hostil aos BRICS e às plataformas multipolaristas. O ponto central, porém, é tentar entender em que posição, entre ocidentalistas e autonomistas, está Lula.

O atual presidente do Brasil governou o país em três ocasiões e protagonizou alguns dos eventos mais marcantes da política internacional no século XXI. Foi cofundador dos BRICS, articulou alianças com governos soberanistas nas Américas (Venezuela, Bolívia, Cuba) nos anos 2000, manteve laços amigáveis com o Irã e, mais recentemente, estreitou parcerias com a Rússia em pleno regime de sanções imposto pelo Ocidente, além de condenar abertamente o genocídio em Gaza.

Tudo isso é extremamente louvável, mas, para uma análise justa de Lula, é preciso apresentar o outro lado de sua figura: Lula nunca foi um “multipolarista”, apenas um articulador habilidoso no âmbito do multilateralismo da era Obama nos anos 2000. Isso se soma ao fato de Lula ter sido descaradamente apoiado pelo establishment Democrata nas eleições de 2022. Aliás, o terceiro governo Lula foi marcado por controvérsias dignas de um líder “ocidentalista” clássico: Lula não reconheceu as eleições venezuelanas, iniciou tensões com a Nicarágua, vetou o acesso da Venezuela aos BRICS, escanteou as negociações de um acordo Mercosul-China para priorizar um pacto de livre-comércio com a Europa extremamente negativo para os países sul-americanos (um acordo até mesmo neocolonial, pode-se dizer, colocando os países do Mercosul como exportadores de commodities e importadores de tecnologia). Isso tudo para não falar nas relações próximas, quase de alinhamento total e irrestrito, com o regime Macron na França.

Lula certamente teve vários acertos, mas, se formos voltar um pouco no tempo, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro também os teve: se recusou a sancionar a Rússia e a condenar a Operação Militar Especial (ao contrário de Lula, aliás, que repetidamente a condenou), fortaleceu as parcerias com a China, preservou a estrutura dos BRICS e abandonou o alinhamento à política externa estadunidense pós-Trump, se tornando um alvo de Joe Biden.

No fim, acertos por acertos e erros por erros, ambos os lados parecem muito distantes de qualquer ideal “autonomista”.

Então, como definir Lula e Flávio?

Podemos resumir este tópico em uma única frase: tanto Lula quanto Bolsonaro são, cada um a seu jeito, ocidentalistas.

Em diversas outras ocasiões comentei em minha coluna sobre como vejo a Sexta República brasileira (o atual regime constitucional fundado em 1988) como uma espécie de “revolução colorida permanente”. De um lado, uma direita liberal abertamente pró-EUA e pró-Israel, de outra uma esquerda liberal institucionalista, ligada ideológica e financeiramente a um grande lobby internacional que vai desde os Democratas estadunidenses até a União Europeia.

As tensões atuais parciais que ocorrem agora entre Lula e Trump não são uma novidade. Bolsonaro se tornou uma figura extremamente incômoda nas relações entre Brasil e EUA assim que Biden chegou ao poder. O que muitos analistas falham em perceber é que as relações entre Brasil e EUA se definem pela dialética entre esquerda e direita no Brasil e Democratas e Republicanos nos EUA. Lula era amigo de Biden, como Bolsonaro era amigo de Trump. Se Lula vencer as eleições de 2026, terá muitos problemas – pelo menos até um eventual retorno Democrata nos EUA. Se Flávio vencer, Brasil e EUA estarão em alinhamento total – mas apenas enquanto Trump estiver na Casa Branca.

É essa dinâmica que permite aos EUA manter a política brasileira sob controle de forma estável. Washington não precisa fazer um Maidan no Brasil. Aliás, a fórmula “golpe + ditadura” não tende a funcionar em países continentais e diversos como o Brasil – e a maior prova disso é a própria experiência brasileira de regime militar, que foi inicialmente patrocinada pelos EUA, mas posteriormente se tornou um regime autônomo não-alinhado após um autogolpe interno entre os militares. Não por acaso, os EUA endossaram a redemocratização do Brasil, ajudando a criar precisamente o regime político atual.

De um lado, uma direita que apoiada pelos Republicanos, por Israel e pelo lobby neocon transnacional; de outro, uma esquerda que obedece aos Democratas e aos europeus. Lula foi um grande multilateralista numa época em que Washington, com Obama, incentivava esse tipo de verniz à unipolaridade estadunidense; Bolsonaro foi uma marionete aberta dos EUA numa época em que Washington, com Trump, exigia isso. A diferença é muito pouca – ou nula.

E o que a eleição de 2026 realmente representa?

A nível internacional, nada ou muito pouco.

Se vencer, Lula será pressionado enquanto Trump estiver no poder. E Lula ao longo dos últimos quatro anos já mostrou que compensa a hostilidade estadunidense sendo ainda mais aliado aos europeus. Por outro lado, se Flávio vencer, teremos pelo menos algum período de alinhamento total com os EUA, o que pode mudar numa eventual vitória Democrata nas próximas eleições presidenciais. É uma escolha muito clara entre Republicanos-Israel e Democratas-UE. “Autonomismo” não faz parte do jogo.

A nível interno, contudo, muitos fatores estão em jogo.

É no cenário interno que o debate sobre a eleição deve se concentrar. Afinal, nenhum brasileiro vai votar em um candidato ou outro por causa de Palestina ou BRICS – que, embora sejam causas legítimas, são realidades distantes para o cidadão comum. No plano interno, temos um Lula cada vez mais enfraquecido devido aos efeitos colaterais de anos em aliança com o Poder Judiciário (que agora está sendo escrutinado e exposto com o escândalo de corrupção do Banco Master). Do outro lado, Flávio recupera posições que já se julgavam perdidas e hoje ambos aparecem em empate técnico nas pesquisas.

O Poder Judiciário acumulou poderes extraordinários com Lula, a ponto de encarcerar manifestantes pacíficos e idosos sob acusação de “terrorismo” apenas porque participavam de manifestações pró-Bolsonaro. A inimizade entre o Judiciário e o Bolsonarismo não pode ser revertida, exceto por uma vitória de Flávio que culmine na indicação de ministros bolsonaristas para a Suprema Corte – remodelando assim os rumos da própria República.

Podemos resumir que Lula daria uma sobrevida à Sexta República, enquanto Flávio aceleraria seu colapso. Enquanto a Sexta República existir, nenhuma alternativa realmente “autonomista” surgirá no Brasil porque o próprio sistema constitucional brasileiro impede tal alternativa. Mas isso não significa que o colapso iminente deste sistema significará uma “aurora multipolar” no Brasil, já que não há (fora do extremamente “ocidentalista” Bolsonarismo) qualquer movimento político no país com força para erguer um novo projeto de Estado.

A conclusão talvez seja frustrante para os mais otimistas e esperançosos, mas o que parece estar por acontecer no Brasil em 2026 é a absoluta nulidade. Com Lula ou Flávio, pouco tende a mudar. O Brasil continuará sendo uma potência média decadente, politicamente subordinada aos EUA, mas com certa liberdade de engajamento multilateral com as potências eurasiáticas – enquanto domesticamente as instituições da Sexta República se autodestroem.

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Las urnas electrónicas no son confiables

La paralización del recuento en Brasil revirtió la tendencia y salvó a Lula: las urnas electrónicas, opacas e inauditables, no son confiables.

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El escrutinio de los votos en la primera vuelta de las elecciones generales en Brasil fue motivo de gran controversia. Flávio Bolsonaro, hijo del expresidente Jair Bolsonaro, iba por delante de Lula en el recuento oficial, con un 49,6% contra un 42,2% para el presidente que busca su reelección.

Habían sido computadas el 64,8% de las secciones electorales hasta ese momento. Pero el recuento se paralizó por más de una hora. Extrañamente, los votos para gobernador, senador y diputados continuaron siendo contabilizados con normalidad. Solo el recuento presidencial se paralizó.

Y, aún más extrañamente, cuando el recuento presidencial se reanudó, la tendencia ascendente de Flávio Bolsonaro y la tendencia descendente de Lula se revirtieron. Los votos del candidato opositor cayeron, mientras que los del actual presidente aumentaron. Flávio Bolsonaro estaba a menos del 0,5% de la victoria que le otorgaría la banda presidencial. Perdió más de un 2%, terminando con un 47,03%, mientras que Lula ganó casi un 3%, terminando con un 45,16%.

Parecía que Flávio Bolsonaro destronaría a Lula ya en la primera vuelta. Pero, tras más de una hora de paralización en los recuentos, Lula logró recuperarse y la disputa se decidirá recién en la segunda vuelta.

El recuento se paralizó a las 19h06 (hora de Brasilia), con el 64,8% de las urnas escrutadas. Recién a las 20h08 se presentaron los nuevos resultados, ya con el 85% de las urnas escrutadas.

La justificación oficial fue dada por el presidente del Tribunal Superior Electoral (TSE), Kassio Nunes Marques, quien también es ministro del Supremo Tribunal Federal (STF). «Lo que ocurrió fue una congestión de datos. En cada elección, nos vemos sorprendidos por alguna contingencia, lo cual es natural para quien lida con sistemas complejos y tan variados», dijo. «A priori, no se sabe si esto fue derivado de otro problema. Lo que nuestra tecnología de la información constató fue un flujo [de datos] superior a lo normal, y esa congestión generó un atraso», completó.

Existe una propaganda violenta en Brasil, encabezada por la Justicia Electoral, para presentar a los ciudadanos que las elecciones son 100% limpias. El principal foco de esa propaganda son justamente las urnas electrónicas. Las instituciones judiciales y los medios de comunicación dan gran difusión a las palabras de la Justicia Electoral sobre la total confiabilidad de las urnas electrónicas, destacando, incluso, que son sometidas a pruebas antes del plebiscito y luego selladas para que nadie pueda acceder a ellas.

Entonces, ¿por qué las urnas sufrieron una especie de pánico, si habían sido rigurosamente examinadas? Pues, el sapientísimo TSE tiene pleno conocimiento del número de electores aptos para votar y del número de votos que pueden ser registrados en las urnas, incluso en cada sección electoral. La propaganda de la Justicia Electoral indica al público que las urnas están plenamente preparadas con anticipación para registrar y computar perfectamente los votos de los electores.

No debería ocurrir ningún flujo de datos «superior a lo normal» que llevara a la congestión del sistema, porque los datos y estadísticas más variados en relación con el registro de votos son conocidos y los cálculos son perfectamente realizables. La infalibilidad de las urnas electrónicas exige que todos los resultados posibles sean previsibles y que, por tanto, no haya ninguna anomalía.

¿Cómo es posible, entonces, que un sistema tan perfecto, como es el propagado por las instituciones del Estado brasileño, presente una falla que, después de ser supuestamente resuelta, haya modificado tan radicalmente la tendencia de los votos presidenciales?

Puede ser una coincidencia que Flávio Bolsonaro se haya desplomado y Lula haya subido después de la falla de las urnas. Pero, ¿quién sabe? El presidente del TSE reconoció que el sistema electrónico de votación es «complejo». Solo especialistas altamente capacitados, del propio TSE y de empresas de tecnología, consiguen acceder a él y comprenderlo, de acuerdo con la Justicia Electoral. Así pues, está en manos de esos especialistas —que son 150 técnicos desconocidos del público— el destino de un país entero para los próximos cuatro años. El cálculo de los votos que salen de las urnas es totalmente automatizado, no pasa por ningún ser humano. Un número aún más selecto de 22 funcionarios accede a la totalización automatizada de los votos.

Esto significa que 214 millones de brasileños necesitan confiar en esos 150 o 22 sacerdotes egipcios para interpretar esa ciencia oculta. Deben ser los seres más iluminados del planeta Tierra, 100% íntegros, honestos, inmaculados y vírgenes. Incluso los ministros del STF, presentados a lo largo de los últimos 15 años como individuos impecables, probos y castos, aparecen ahora envueltos en el mayor escándalo de corrupción de la historia reciente de Brasil, pero esos especialistas anónimos merecen la más absoluta confianza de los ciudadanos.

Fue por motivos así que la Corte Suprema de Alemania declaró el voto electrónico inconstitucional: «cada ciudadano debe ser capaz de comprender y verificar las etapas centrales de las elecciones de forma confiable y sin ningún conocimiento técnico previo especializado».

El veredicto, fechado en 2009, concluye:

«Un procedimiento electoral en el que el elector no pueda comprender, de manera confiable, si su voto fue registrado de forma infalsificable e incluido en el escrutinio del resultado de la elección, y cómo el total de los votos expresados es atribuido y computado, excluye elementos centrales del procedimiento electoral de la vigilancia pública y, por tanto, no cumple los requisitos constitucionales.»

El sistema judicial brasileño está sumido en su mayor crisis histórica y vive un verdadero western, con peleas partidistas interfiriendo en el funcionamiento de los trabajos. El partidismo, de hecho, contaminó a la mayor parte del poder judicial, incluido el TSE. En la recta final de estas elecciones, decisiones de la Justicia Electoral, apoyadas por el ala dominante en el STF, favorecieron a Lula.

Es evidente que esa ala dominante (representada por los ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes y Flávio Dino) no quiere la victoria del bolsonarismo, pues este es su enemigo político declarado. Esos ministros actuaron, en los últimos años, como verdaderos justicieros contra el bolsonarismo. Ahora que ellos mismos fueron sorprendidos en relaciones extremamente promiscuas con un banquero que corrompió a incontables altos funcionarios del Estado, su carrera burocrática está amenazada. La continuidad de Lula es una esperanza de salvación para estos señores, pues el presidente está comprometido con ellos y no puede romper ese compromiso sin arriesgar la propia cabeza, dado el nivel de dependencia que Lula contrajo en relación con los mandamases del STF. Ya una elección de Flávio Bolsonaro tendería a conducir a un choque con los cabezas de esas instituciones, aunque el propio candidato opositor no ha demostrado gran disposición a enfrentarlos, porque los que controlan las elecciones en Brasil (el capital financiero internacional) exigen moderación y pacificación; de lo contrario, dificultarán la vida de cualquiera que se elija presidente.

Y el pueblo es tratado como ganado, víctima de un sistema que no puede comprender, para perpetuar su explotación a través de la escenificación de la «fiesta de la democracia».

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Brazil on the brink: Why Lula is down against Bolsonaro Jr

With the Brazilian presidential election headed to a runoff, Luiz Inácio Lula da Silva is down 47% to 45% and faces a massive fight ahead. I wanted to give a quick analysis of what happened and where things are going next. Lula could still win if he can consolidate support from third parties Lula lost […]

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The far right wins the first round in Brazil, but Lula isn’t done yet

On October 4, over 150 million Brazilians were called to the polls to elect their president, deputies, and governors, and to replace the majority of senators. The elections, for many, brought a major surprise. Although polls indicated a lead for the incumbent president, progressive Luiz Inácio “Lula” da Silva, far-right Senator Flávio Bolsonaro clinched first place. Flávio is the son of former President Jair Bolsonaro who is currently serving a 27-year sentence for his involvement in an attempted coup against Lula in 2022.

According to the final tally, Bolsonaro received 47.03% of the vote (56 million votes) while Lula received 45.16%, nearly 54 million votes. Thus, Bolsonaro’s lead amounts to just over 2 million votes. In third place is Augusto Cury, with 2.89%. He is followed by Renan Santos and Ronaldo Caiado, with 2.24% and 2.18%, respectively. The remaining candidates received less than 0.3%.

A look at how the different regions of the country voted, a clear political divide between the north and the south of the country becomes apparent. The north (including states such as Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, and Rio Grande do Norte) supported the continued presence of the state and the welfare policies proposed by Lula.

For its part, including the northern state of Roraima, the south of the country clearly backed Bolsonaro’s neoliberal and pro-Trump agenda: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, and Rio Grande do Sul voted for Bolsonaro.

On his X account, the far-right senator from the Liberal Party (PL) said: “Together, we’re going to build a new Brazil. A Brazil of prosperity! Tomorrow, you’ll stand before the ballot box and choose the future of our country, the future of our children, of this generation and the next. Change is in your hands. Brazil is going to win!”

For his part, the president and candidate of the Workers’ Party (PT) said: “The result is often unexpected. You never get everything you want.” Yet, Lula, who has fought dozens of political battles, said: “[The runoff] is the time to show the true picture of Brazil today and of the Brazil we want.”

To secure victory, Bolsonaro hopes to win over the votes of the candidates who finished behind the finalists – the majority of whom undoubtedly hold right-wing ideologies. Lula, however, can still turn the situation around if he manages to form the right alliances and win over voters who cast invalid ballots (about 3%), as well as those who abstained, who account for 21.08% of the total electorate.

Senate, house of representatives, and governors

And while Lula has expressed optimism about the possibility of turning the tide in the presidential runoff to be held on October 25, the political reality in Brazil has changed. Bolsonaro’s PL party has managed to double its number of senators: it won 19 of the 54 seats up for election out of a total of 81 senators. Among them, immediate family members of the former president, such as Michelle Bolsonaro and Carlos Bolsonaro, won seats. In total, the PL will hold more than a third of the Senate, while Lula’s PT will hold 9.

This institution is particularly important because it approves or rejects the judges of the Federal Supreme Court (the country’s highest court) who are nominated by the president. This gives Bolsonaro significant ideological leverage, as he claims his father is being held in custody due to a conspiracy between political powers and a biased judicial system.

In the elections for the Chamber of Deputies, which has 513 seats, the Bolsonaro camp also secured a significant victory. With 100% of the votes counted, the PL won 121 seats, while the Brazil of Hope Federation coalition (which includes Lula’s PT, the Green Party, and the Communist Party) won 88 seats.

However, due to the method of seat allocation, Brazil favors a Chamber of Deputies with representation from many political forces. This is how the Progressive Union secured 87 seats, the Social Democratic Party 43, the Republicans 41, the Brazilian Democratic Movement 36, Podemos 27, the PSOL 15, as well as the Brazilian Socialist Party, among others.

Thus, while the right has the numbers to secure a numerical advantage in the Chamber of Deputies, it will have to contend with deep-seated and historic internal contradictions that could complicate a potential Bolsonaro presidency. Similarly, if Lula manages to prevail in the runoff, he will face a highly complex Senate and Chamber of Deputies that could potentially oppose him.

In the gubernatorial elections, the PL is also the biggest winner. Of 27 states, the Liberal Party has won six so far, while the PT, the Social Democratic Party, the PP, and the Republicans have each won three. Other states will have to elect their governors in a runoff election.

The most talked-about result is the decisive victory in São Paulo by Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro’s former Minister of Infrastructure, who defeated Fernando Haddad, Lula’s right-hand man. São Paulo is Brazil’s most populous state (46 million people) and home to the South American country’s most powerful economic hubs.

A political future in doubt

It has been repeatedly emphasized that, due to its economic and geopolitical importance, the elections in Brazil are of enormous significance for the future of Latin America. It is no coincidence that former US Secretary of State Henry Kissinger (who promoted a series of dictatorships in the region) said: “Whichever way Brazil leans, Latin America will lean that way.”

The South American far right, which has enjoyed unprecedented electoral success in recent years, knows that without Brazil, its poker hand will always be incomplete. Uruguay indeed remains the only country in the region that does not share the views of Milei in Argentina, Kast in Chile, or De la Espriella in Colombia, but Brazil alone accounts for more than 50% of the region’s total GDP.

Similarly, the left and the center know that a potential victory for Lula would be one of the last battles to be fought against the formidable advance of a right wing aligned with the foreign policies of Trump and Israel, with the most orthodox neoliberalism, and with the economic interests of capital magnates, including the big tech companies. And if Lula manages to recover from this defeat, it would mark a major shift in course for the legendary union leader – not only for Brazil but for the entire region.

As Lula said, “now a different kind of campaign begins.” Both candidates will pull out all the stops to win control of South America’s most populous and powerful country. It certainly won’t be a “clean” campaign, but if one pays attention to the finalists’ statements, every means at their disposal will be used to achieve the coveted goal.

US influence on the elections

Political analysts have expressed concerns about alleged foreign interference in the elections. In July 2025, Trump had imposed 50% tariffs on Brazil over what he considered an unfair ruling against Jair Bolsonaro – whom the US president calls “his friend”.

In August 2026, the United States revoked the visa of Brazil’s ambassador to Washington, a move denounced by Brasília as a violation of international law. 

Just last week, US Secretary of State Marco Rubio ordered the closure of the US embassy in Brazil during the elections due to alleged “threats,” a move viewed by some political commentators as a tactic to create tension during the elections.

During the first round of the presidential campaign, Trump did not make any direct statements of support for Flávio Bolsonaro. However, once the results were known, the US president told the press: “It’s a great victory – a close one, but a very, very great, incredible victory.”

In this regard, it remains to be seen whether Trump will make some kind of direct statement in support of Bolsonaro’s candidacy – as he has done in past elections in Colombia, Argentina, Honduras, and elsewhere – in favor of far-right candidates who support his agenda. Or, even more importantly, whether he will make any kind of promise to the Brazilian people if Bolsonaro wins – or, worse yet, threaten them if they vote for Lula.

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