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Wagner Moura e artistas do Oscar alertam sobre eleições

Em uma carta conjunta divulgada neste sábado (10) pela revista Variety, 58 membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, entre eles o ator Wagner Moura, os cineastas Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles e o produtor Rodrigo Teixeira, se dizem preocupados com os possíveis desdobramentos do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.

O texto cita propostas de Flávio Bolsonaro (PL) de reescrever a Constituição, o desmonte da cultura sob o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Aborda ainda o caso, revelado pela Folha, da criptomoeda B22, que oferecia tokens a quem divulgasse conteúdos que incentivassem o voto em Flávio e dizia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda.

Artistas temem retrocessos na cultura

“Sob a administração anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e as acusações de censura. Tememos um retorno a esse cenário”, diz o texto. “Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são inseparáveis da defesa da democracia.”

Menciona ainda os planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, noticiados pelo The Guardian, sob a acusação de que a corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil.

Carta pede atenção internacional às eleições

A carta, assinada também por nomes como Alice Braga, Anna Muylaert, Daniel Filho, Lais Bodanzky, Lucy Barreto, Sônia Braga e outros, pede maior atenção internacional ao pleito no país.

“Consideramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, depender não apenas do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também da vigilância e do engajamento da comunidade internacional.”

Veja a lista completa dos signatários

  • Adrian Teijido
  • Alê Abreu
  • Alice Braga
  • Andrea Barata Ribeiro
  • Anita Rocha da Silveira
  • Anna Muylaert
  • Anna Van Steen
  • Bernardo Uzeda
  • Carlos Segundo
  • Carolina Markowicz
  • Claudia Kopke
  • Daniel Filho
  • Daniel Rezende
  • Daniela Thomas
  • Eduardo Serrano
  • Eliza Capai
  • Emilie Lesclaux
  • Emilio Domingos
  • Fernando Meirelles
  • Flávia Amon
  • Flávia de Souza
  • Gabriel Domingues
  • Gabriel Mascaro
  • Helena Solberg
  • Heloisa Passos
  • Ilda Santiago
  • Jefferson De
  • Jorge Bodanzky
  • José Joffily
  • Juliana Rojas
  • Karen Akerman
  • Karen Harley
  • Karim Ainouz
  • Kleber Mendonça Filho
  • Lais Bodanzky
  • Lucy Barreto
  • Maeve Jinkings
  • Marcelo Caetano
  • Maria Augusta Ramos
  • Mariana Oliva
  • Matheus Farias
  • Miriam Biderman
  • Otto Guerra
  • Paula Barreto
  • Pedro Kos
  • Petra Costa
  • Plínio Profeta
  • Renata Almeida Magalhães
  • Rodrigo Teixeira
  • Sara Silveira
  • Sônia Braga
  • Tatiana Leite
  • Thales Junqueira
  • Vânia Catani
  • Vera Hamburger
  • Wagner Moura
  • Waldir Xavier
  • Wilssa Esser

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Vídeo da Eurocidade do Guadiana recebe prémio ‘Impacto Emocional’ nos ACES Video Awards 2026

A peça audiovisual, inserida na candidatura do território a Comunidade Europeia do Desporto 2026, foi premiada na 6.ª edição destes concursos internacionais, recebendo também uma das maiores ovações entre as produções desportivas exibidas no Teatro Lauro Rossi, em Macerata.

A Eurocidade do Guadiana soma, assim, um novo marco ao seu percurso desportivo e de integração transfronteiriça após ter conquistado o prémio de “Impacto Emocional” (Emotional Impact Award) na 6. ª edição dos ACES Video Awards 2026, realizada no âmbito do Festival Internacional de Cinema Overtime.

O concurso, organizado sob o lema “Sport & Society – The Values of Sport” (Desporto e Sociedade – Os Valores do Desporto), reconhece produções audiovisuais que se destacam pela sua capacidade de divulgar os valores do desporto, a sustentabilidade, a inclusão social e a identidade territorial. 

O audiovisual premiado integra-se no projeto com que Ayamonte, Vila Real de Santo António e Castro Marim promovem ao título de Comunidade Europeia do Desporto 2026, uma distinção atribuída pela Associação Europeia de Capitais e Cidades do Desporto (ACES Europe).

A obra destacou-se entre as candidaturas internacionais pela sua sensibilidade ao retratar a união entre Espanha e Portugal através da atividade física, da saúde, da inclusão e da superação pessoal em torno do rio Guadiana. A produção e a realização do vídeo estiveram a cargo de Toño Méndez.

A categoria de Impacto Emocional premia expressamente as peças que conseguem conectar-se com o espectador através de histórias humanas de esforço e coesão comunitária.

Este reconhecimento coloca a Eurocidade do Guadiana num lugar de destaque no panorama desportivo europeu, consolidando o trabalho conjunto das administrações locais para posicionar a região como uma referência transfronteiriça no turismo desportivo, na integração e na qualidade de vida.

A peça audiovisual destaca as principais provas desportivas transfronteiriças, as modalidades desportivas de maior relevo e as instalações e recursos desportivos existentes na Eurocidade, ao mesmo tempo que retrata a paisagem e a diversidade natural do território. O vídeo conta com legendas bilingues em português e espanhol.

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Anitta declara voto em Lula e critica bolsonarismo

Anitta declarou nesta sexta-feira (9) que votará em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a cantora criticou o bolsonarismo, explicou os motivos de seu apoio ao presidente e admitiu que subestimou a força eleitoral do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu tava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno, por uma arrogância minha mesmo, de achar impossível em 2026 a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo, mas eu tava errada, né? É importante a gente reconhecer e descer do salto”, afirmou.

Lula enfrentará Flávio Bolsonaro (PL) na votação do dia 25. O senador recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, realizado no último domingo (4), enquanto o atual presidente teve 45,16%.

Anitta diferencia bolsonarismo da direita tradicional

A cantora também fez questão de diferenciar o bolsonarismo da direita tradicional. Para ela, o movimento transformou as disputas eleitorais em conflitos pessoais e religiosos, em vez de debates sobre propostas de governo.

“A direita sempre existiu e as coisas não eram assim. A direita e a esquerda de verdade apresentavam propostas reais de governo e aí o cidadão escolhia um lado ou outro lado”, disse.

Cantora critica mistura de religião e política

Anitta criticou especialmente o uso da religião como argumento político. “O pior mau caráter de todos, que para mim é o início do fim, é misturar religião com política”, afirmou. Segundo ela, não é aceitável apresentar uma eleição como uma escolha entre valores religiosos e comportamentos considerados imorais.

Artista justifica apoio a Lula

Anitta declara voto em Lula no segundo turno das eleições presidencial | Foto: Reprodução

Ao justificar o apoio a Lula, a artista reconheceu que o presidente pode ser alvo de críticas, mas defendeu que os resultados de seus programas sociais também sejam considerados.

“O fato de você enxergar as problemáticas políticas em torno do Lula, que não podem ser ignoradas, isso não pode apagar os benefícios que os projetos trouxeram e ainda trazem há anos para tantas pessoas necessitadas, tanta gente que saiu da miséria”, argumentou.

A cantora, que já havia apoiado Lula na eleição de 2022, afirmou ainda que perdeu milhões de seguidores por seus posicionamentos políticos. Desta vez, reforçou que não pretende deixar de se manifestar.

“Posicionamento não é um dia. Não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias”, declarou. (Isabela Faggiani/FOLHAPRESS)

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Deputados federais mais votados da direita gastam o dobro com anúncios que os da esquerda

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Em frente a um fundo branco, vestindo camiseta azul e o adesivo com o número da legenda do Partido Liberal (PL), o deputado federal cearense reeleito André Fernandes aparece em um vídeo que lista sete fatos curiosos sobre a sua atuação no Congresso. Apesar da simplicidade da produção, a publicação atingiu a marca de mais de 1 milhão de impressões nas redes sociais da Meta – Instagram e Facebook. O alcance, contudo, não foi fruto apenas da proposta audiovisual: o deputado pagou uma bagatela de R$ 100 mil a 125 mil para impulsionar o conteúdo. 

Segundo a Agência Pública apurou, Fernandes, que vai para o seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi o que mais gastou com impulsionamentos nas redes sociais da Meta nos últimos 90 dias – o que inclui o período de campanha eleitoral -, dentre os vinte deputados federais mais votados nestas eleições. 

O levantamento exclusivo da Pública mostra que, entre esses vinte políticos com mais votos, os dez mais votados de partidos de direita gastaram o dobro que os puxadores de voto à esquerda. Foram R$ 5,3 milhões de um lado contra R$ 2,6 milhões do outro.

Infográfico mostra os 10 deputados federais mais votados da esquerda e o gasto em anúncios na Meta
Infográfico mostra os 10 deputados federais mais votados da direita e o gasto em anúncios na Meta

Dentre os políticos da direita mais votados, os que mais gastaram no mesmo período são todos do PL – o partido recebeu a maior fatia das verbas do fundo eleitoral e teve o maior número de deputados federais eleitos. Após André Fernandes, que gastou cerca de R$ 1,8 milhão, estão Lucas Pavanato, com R$ 1,3 milhão, e o Delegado Caveira, com R$ 646 mil investidos em anúncios em suas redes. 

No campo da esquerda, os maiores gastos foram da professora Luciele Cavalcante, com R$ 628 mil, Fernanda Melchior, R$ 442 mil, e Guilherme Cortez, R$ 326 mil, todos filiados ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que conquistou 14 vagas na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. 

O professor Afonso Albuquerque, do curso de Estudos de Mídias da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que o segredo do engajamento não está somente no quanto os candidatos investem, mas também na forma como as plataformas entregam os conteúdos aos seus usuários. Segundo ele, as Big Techs estão alinhadas aos interesses políticos e ideológicos de Donald Trump. “Então, a extrema-direita brasileira se alinha, naturalmente, com interesses das plataformas”, defende. 

“Para mim, não é o caso da extrema direita usar melhor as mídias sociais. As mídias sociais usam a extrema direita […] A linguagem da extrema direita é mais apelativa que argumentativa, feita para produzir engajamento”, argumenta. 

Audiência de Nikolas Ferreira rivaliza com perfis muito maiores

O pacote de publicações impulsionadas com maior engajamento do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira – eleito com o maior número de votos do país – custou entre R$ 25 mil e 30 mil. Entre os conteúdos, um vídeo com mais de um milhão de impressões apresenta o deputado ao lado do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, que pede ao eleitorado mineiro que vote em Nikolas. A publicação atingiu, em sua maioria, homens e mulheres, entre 25 e 34 anos, em Minas Gerais. 

Entre os deputados federais de direita com mais votos, Nikolas fez o sexto maior investimento em anúncios nas redes sociais da Meta, com R$ 312,5 mil. Uma das suas contas alternativas no Instagram, com cerca de 5 milhões de seguidores, foi a escolhida para os impulsionamentos.

Nikolas é um caso que foge aos padrões: o perfil do Instagram do político com mais seguidores tem muito mais alcance que de outros políticos ou mesmo celebridades com têm mais seguidores que ele.

Donald Trump, por exemplo, presidente dos Estados Unidos, tem mais de 44 milhões de seguidores. Seus últimos dez vídeos têm uma média de 9,47 milhões de visualizações. Já os dez vídeos mais recentes do Instagram de Nikolas, que tem metade dos seguidores do presidente dos EUA, tem mais de quatro vezes mais alcance, com uma média de 41,76 milhões de visualizações.

A disparidade do alcance de Nikolas é surpreendente até quando se comparam ao alcance de celebridades, como Kylie Jenner. Mesmo o perfil mais seguido do Instagram no mundo, o do jogador de futebol português Cristiano Ronaldo, com seus impressionantes 680 milhões de seguidores. Enquanto o CR7 tem quase 30 vezes a quantidade de seguidores de Nikolas, seus últimos dez vídeos tem pouco mais de três vezes o alcance do deputado mineiro.

Dez vídeos mais recentes do Instagram de Nikolas têm mais alcance que os de Trump, que tem o dobro de seguidores
Dez vídeos mais recentes do Instagram de Nikolas têm mais alcance que os de Trump, que tem o dobro de seguidores

Zanatta x Hilton: duas estratégias e gastos diferentes com redes

Ela porta uma faca e uma melancia, dentro de uma cozinha, trajando um vestido azul sem decotes e uma cruz de prata. Nesse cenário, a deputada bolsonarista Julia Zanatta (PL-SC) criou o seu vídeo com o maior alcance pago em seus perfis de Instagram e Facebook. 

A melancia, segundo a parlamentar que foi a mais votada de Santa Catarina, simbolizava candidatos que se apresentam como de direita – pela casca verde –, mas que, por dentro, seriam de esquerda, em referência à cor vermelha do interior da fruta.

No vídeo, Zanatta esfaqueia a parte vermelha da melancia e come pedaços da fruta, enquanto dialoga com o eleitor, tecendo críticas aos seus adversários e se colocando como a candidata que nunca abandonou a direita bolsonarista. 

A publicação gerou mais de um milhão de interações em suas redes, mas o alcance não foi apenas orgânico: a política pagou entre R$ 20 mil e 25 mil para impulsionar a publicação. 

Julia Zanatta gastou R$ 616 mil para impulsionar conteúdos na Meta nos últimos 90 dias
Julia Zanatta gastou R$ 616 mil para impulsionar conteúdos na Meta nos últimos 90 dias

No outro campo da representatividade política de deputadas mulheres, um corredor de uma casa foi o cenário escolhido por Erika Hilton para gravar o seu conteúdo pago de maior alcance, publicado em 1 de outubro, a poucos dias do primeiro turno das eleições. Na gravação, ela desmente uma suposta fake news de que a extrema direita estaria anunciando que a então candidata do PSOL não precisava de votos, porque “já estaria eleita”. 

A gravação, cujo alcance foi entre 700 mil e 800 mil interações, custou à campanha cerca de R$ 7 mil. A audiência foi, em sua maioria, mulheres entre 25 e 34 anos e moradoras do estado de São Paulo. 

Erika não foi a candidata com maior gastos com redes sociais entre os deputados federais da esquerda mais bem votados. O investimento da campanha foi pouco mais de R$ 160 mil. 

Erika Hilton gastou R$ 161 mil com anúncios nas redes da Meta no período
Erika Hilton gastou R$ 161 mil com anúncios nas redes da Meta no período

O retorno do pagamento com anúncio nas redes

Maurício Marcon, do PL do Rio Grande do Sul, figura entre os dez deputados federais de partidos de direita mais votados nestas eleições. Apesar disso, ele não gastou um centavo com impulsionamento de conteúdos na Meta – ao menos segundo as informações passadas para a plataforma da empresa. Ainda assim, 379 mil eleitores digitaram o seu número na urna. A página do Facebook do político gaúcho tem mais de 1,1 milhões de seguidores, o perfil de Instagram, 857 mil . 

Em contrapartida, André Fernandes, do mesmo partido, gastou R$ 1,8 milhões nas mesmas plataformas e obteve 684 mil votos. Feita a conta, é como se o político tivesse investido R$ 2,63 em impulsionamento para cada voto recebido, a conta mais cara entre os 20 nomes analisados. 

Um dado é curioso: enquanto os dez deputados federais mais votados da direita gastaram R$ 5,3 milhões com impulsionamento, os dez da esquerda pagaram R$ 2,6 milhões. No entanto, a direita obteve mais votos, cerca de 9,9 milhões, contra 4,8 milhões na esquerda. Dividindo os gastos pelos votos adquiridos, o resultado é que a média entre gasto com impulsionamento e os votos da direita e esquerda são quase iguais: R$ 0,53 contra R$ 0,55.

A simetria se repete quando analisamos os políticos do topo da tabela de cada uma das vertentes políticas. Nikolas Ferreira foi o deputado federal mais votado da direita, com 3,1 milhões, e gastou R$ 312 mil reais em anúncios. Feita a divisão, é como se cada eleitor custasse para Nikolas R$ 0,10. Já Erika Hilton, a deputada federal votada da esquerda com 1,6 milhões de votos, gastou R$ 160,8 mil. No caso dela, cada voto teria lhe custado também R$ 0,10. Adversários políticos, os dois pagaram o mesmo preço, sendo um dos mais baixos da lista. 

A conta costuma pesar mais para quem tem menos público e precisa contar ainda mais com as publicações impulsionadas. Lucilene Cavalcante (PSOL-SP) fez o maior gasto dentre os dez deputados federais mais votados da esquerda, com R$ 624,6 mil, mas teve a menor votação do grupo com, 253,7 mil votos. Então, cada voto teria custado cerca de R$ 2,5.

No outro extremo, Ana Elisa, do Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais, gastou R$ 24,6 mil e obteve a segunda maior votação entre os mineiros: 524,2 mil votos. Cada voto, portanto, teria lhe custado R$ 0,05. A média mais barata no grupo.

O caso mais curioso é do deputado Lucas Pavanato (PL-SP). Seus R$ 1,3 milhões o tornaram o segundo maior anunciante dos deputados federais mais votados. Junto com André Fernandes, eles respondem por mais da metade dos gastos da direita. Os dois, sozinhos, gastaram mais do que os dez nomes da esquerda somados. Contudo, com 3 milhões de votos, o custo hipotético do voto de Pavanato ficou em R$ 0,43, mais caro que o de muitos de seus adversários. 

Na visão do professor da UFF, os altos investimentos em anúncios nas plataformas digitais não devem ser o único meio de transformar investimentos em votos. Para ele, é preciso estabelecer uma relação com o usuário que só acontece com o tempo. 

“Capital social de plataforma, ele é construído na relação com os usuários. E você pode gastar um milhão, e esse um milhão vai aumentar a sua exposição aos usuários, mas não vai aumentar a sua relação com eles, que é construída através do tempo”, avalia Albuquerque. 

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Publicidade: O fornecimento de energia será interrompido nos dias horas e locais abaixo indicados – anúncio 103 – 2026

       A Empresa de Electricidade da Madeira, SA informa que, por motivo de trabalhos de conservação/remodelação na rede de distribuição, o fornecimento de energia será interrompido, nos dias, horas e locais abaixo indicados: CAMPANÃ�RIO – Ribeira Brava Dia 13/10/2026 das 09:00 às 10:00 horas Dia 14/10/2026 das 15:00 às 16:00 horas – Sítio da Eira […]
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Terror das feministas: radicais, deputadas conservadoras disputam poder na extrema direita

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

O terror das feministas. É como se autointitulam Ana Caroline Campagnolo e Eduarda Campopiano, as deputadas estaduais mais votadas em Santa Catarina e São Paulo. Ambas do Partido Liberal (PL), elas se apresentam como amigas em posts nas redes sociais e se dizem admiradoras  de Olavo de Carvalho. Juntas, as duas somaram mais de 2,3 milhões de votos na eleição de 2026. Ao lado delas, ocupando o posto de deputada estadual mais votada do Estado, está Índia Armelau, também do PL, que conquistou 248.504 votos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

São mulheres que se unem ao clã de Michelle Bolsonaro (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Bia Kicis (PL-DF) e Celina Leão (PP-DF) pela pauta anti-identitária e antiaborto, mas que, segundo especialistas ouvidas pela Agência Pública, não pertencem ao mesmo grupo de suas antecessoras, inclusive considerando a construção de narrativas para o eleitorado. 

Na visão de Lívia Reis, coordenadora de Religião e Política no Instituto de Estudos da Religião (ISER), a extrema-direita conquistou uma pluralidade de candidaturas femininas nesta eleição, o que pode criar uma disputa pelo poder de influência entre as próprias eleitas. 

“O Valdemar [Costa Neto, presidente do PL] não está preocupado com o alinhamento ideológico de uma influenciadora, ele quer que ela seja eleita e vote com ele”, argumenta a antropóloga em referência a eleição de Eduarda Campopiano, atualmente com mais de 2,5 milhões de seguidores do Instagram. “Vejo que talvez isso seja também um dos atritos que a própria Michelle vai ter com ele, porque ela quer centralizar o PL Mulheres e as candidaturas femininas, mas o próprio PL vai apostar em quem quiser”, explica Reis. 

Vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, Eduarda Campopiano foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo como uma espécie de discípula de Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado da história do país, com mais de 22 milhões de seguidores no Instagram. Outro aliado é o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), que detém mais de 5 milhões de seguidores na rede social da Meta e foi eleito para deputado federal com mais de 3 milhões de votos. 

“O PL sabe o poder das redes sociais. Todas as candidaturas se forjam ali, eles estão elegendo influenciadores há muito tempo e agora chegaram ao ápice dos candidatos mais votados serem os influenciadores. Por isso, eu diria que a Eduarda chega [ao partido] com tanto poder quanto a Michelle. E vai disputar isso”, explica Reis. 

A esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, protagonizou em junho deste ano o seu primeiro embate público com o Partido. Após a rejeição da sigla ao nome indicado por ela ao Senado pelo Ceará, o da deputada Priscila Costa (PL-CE), Michelle publicou um vídeo contando que Flávio Bolsonaro a havia desrespeitado durante a formação dos arranjos partidários nos estados. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou a ex-primeira dama.

No vídeo, ela exaltou sua atuação à frente do PL Mulher, ala de mulheres conservadoras do partido: “[em 2024] elegemos 45,8% mais mulheres que em 2020. Foram 1.005 mulheres eleitas”, disse. Com a instauração da crise, que abalou a campanha à presidência de Flávio Bolsonaro, e após se reunir com Costa Neto, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. 

Na visão de parlamentares próximos ao PL, Campopiano representa um discurso mais radical da extrema-direita, capitaneado por Olavo de Carvalho, conhecido como o “guru” do bolsonarismo. “Eu acho que ela [Eduarda] vem muito daquela linha do Olavo de Carvalho, que é essa juventude conservadora formada. Mas creio que com a maturidade ela vai entender que a pauta feminina não é uma pauta feminista. A gente vai ter ainda um tempo para fazer esse convencimento”, disse à Pública a senadora Damares Alves, que também afirmou que irá dialogar nesse sentido com a deputada Índia Armelau.   

A pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) Jacqueline Teixeira aponta que o discurso de Campopiano pode ser entendido a partir dos efeitos produzidos por políticas que começaram, entre 2014 a 2016, a proibir gênero nos parâmetros curriculares. Segundo a antropóloga, que realiza pesquisas na área de gênero, raça, sexualidade e religião, trata-se de uma geração jovem que cresceu em uma “escuta mais próxima do antifeminismo” e que, portanto, se apresenta como “mais refratária” às conquistas do movimento. 

“Estamos falando de coisas que aconteceram no cenário político e que produziram efeitos direto nas escolas nos últimos 12 anos. Então, é a chegada desse grupo muito jovem no cenário democrático, com uma série de entendimentos, sem necessariamente terem conseguido produzir um repertório de várias dessas heranças e da importância delas. Eles acabam se engajando mais numa proposta disruptiva de política, que vai, consequentemente, levar a um lugar mais conservador para pensar as políticas públicas”, analisa Teixeira. 

Uma das professoras de Campopiano nesse aspecto é a deputada estadual Ana Carolina Campagnolo, eleita, pela segunda vez, como a mais votada no estado de Santa Catarina. Em sua biografia no Instagram, a parlamentar se classifica como “conservadora, cristã e antifeminista”, e frequentemente se refere a Olavo de Carvalho para basear suas propostas e conteúdos publicados na rede social. Ela é autora do livro “Feminismo: perversão e subversão”. 

“Em São Paulo, a sua deputada estadual é Eduarda Campopiano, que eu tenho orgulho em dizer que é minha amiga, minha leitora (…) Se você quer ter a sua deputada que parece com a Ana Campagnolo aí em São Paulo, tenho certeza que essa pessoa é a Eduarda Campopiano”, afirma Campagnolo em vídeo no Instagram ao lado de Eduarda. “Ana, a nossa intenção é barrar os avanços da extrema esquerda no estado de São Paulo assim como você consegue fazer tão bem”, completa Campopiano na publicação. 

Defensora da pauta anti-identitária e do homeschooling, Campagnolo chegou a pedir em maio deste ano apoio na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ao Projeto de Lei 2.577/2026 apresentado na Câmara dos Deputados, que “concede anistia a pais ou responsáveis que tenham sido investigados, processados, condenados ou penalizados administrativa, civil ou criminalmente pela prática de educação domiciliar”. 

A proposta é de autoria da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), eleita agora para o Senado com 2.694.918 votos. Também é dela o PL 4.213/2020, que altera a Lei nº 9.504/97 para extinguir a reserva mínima de 30% das vagas para mulheres nas candidaturas para mandatos eletivos preenchidos pelo sistema proporcional (deputadas federais, estaduais e vereadores).

Ao lado delas, está a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), reeleita com 560.223 votos. Em comemoração, no último domingo, 4 de outubro, a parlamentar caminhou entre seu apartamento e o comitê de campanha, em Florianópolis, dando chicotadas na rua. Uma de suas principais referências também é Olavo de Carvalho, de quem foi aluna e até visitou em Virgínia, nos Estados Unidos. Em 2024, Zanatta apresentou na Câmara o PL 3.338/2024, que “assegura aos pais e responsáveis o direito de vedar a participação de seus filhos em atividades pedagógicas de gênero em âmbito nacional”. 

Já em 2025, a parlamentar apresentou um projeto de lei para alterar a Lei Maria da Penha, para prever punições a mulheres que fizerem falsas acusações de violência ou utilizarem de maneira “indevida” as medidas protetivas de violência doméstica. Zanatta também é contra o PL da Misoginia. 

Negação do feminicídio

Em uma das postagens de Campopiano mais republicadas nas redes sociais, a vereadora afirma que “feminicídio não existe”. A questão, no entanto, é reconhecida por parlamentares que buscam encabeçar o movimento de mulheres da direita na política, caso da própria senadora Damares e de Celina Leão, também amiga de Michelle Bolsonaro, e atual candidata ao governo do Distrito Federal. 

“Eu acho um erro isso [a ideia de que feminicídio não existe], é um erro, é um reforço. Como é que a gente saberia quantas mulheres são assassinadas se você não tivesse a tipificação desse crime?”, afirmou Celina Leão à Pública. À frente do governo Distrito Federal, após o então governador Ibaneis Rocha renunciar ao cargo em março de 2026, Celina disputa no segundo turno, à reeleição, contra o candidato Leandro Grass, do PT.  

Ela terminou o pleito com 825.530 votos, o que representa 49,93% do total de votos válidos. Fortemente apoiada por Michelle, que adotou a estratégia do voto casado ao Senado para ela e Bia Kicis, Celina disse a jornalistas na última terça-feira,  6 de outubro, que acredita não ter sido eleita no primeiro turno devido à “confusão” dos eleitores ao escolherem o número na urna. No domingo, mais de 26 mil pessoas no Distrito Federal digitaram 22, o número do PL, ao votarem para governador, apesar de não haver um candidato ao posto com essa identificação. 

“Claro que existe uma concentração de coisas mais à direita, mas essas mulheres acabam sendo levadas a defender pautas e determinadas políticas públicas que as puxam mais para o centro do que para a extrema-direita. Pode acontecer com a Damares, por exemplo, no Senado. Você vê que a Damares ali é bem mais centro-direita do que era, por exemplo, quando ela estava no governo Bolsonaro”, avalia Jacqueline Teixeira. 

Questionada pela reportagem sobre a expectativa em relação às pautas que serão tratadas por Michelle no Senado, Damares afirmou, inclusive, que não haverá “retrocesso de direitos”, uma das principais críticas de eleitoras contrárias ao movimento de mulheres conservadoras na política. 

“A Michelle é uma mulher conservadora, mas de um coração voltado para o social. Então está todo mundo preocupado ‘vai ter retrocesso de direitos’. Não vai, nós teremos sentinelas aqui dentro”, afirmou Alves. Sem detalhar possíveis ações da ex-primeira dama, a senadora afirmou que Michelle vai se dedicar a pautas ligadas à proteção de mães atípicas e das crianças. “Nenhum retrocesso, nenhum direito a menos, e nada sobre nós sem nós, com a presença deles o tempo todo aqui dentro”, disse a senadora. 

Na visão de Lívia Reis, do ISER, o que une essa heterogeneidade de candidaturas de mulheres da extrema-direita é, sobretudo, a agenda anti-identitária, mobilizada por elas mesmas. “Quando a Michelle fala naquele vídeo, de crítica ao Flávio, que estava sofrendo violência de gênero, ela está nomeando a violência que ela sofre a partir de uma identidade. Isso é histórico na direita, eles mobilizam pautas identitárias, acusando o outro de identitários, mas eles nunca deixaram de mobilizar suas identidades para atuar politicamente, e não está sendo diferente agora”, conclui. 

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Por que as pessoas estão votando em Flávio Bolsonaro?

Vários fatores ajudam a explicar a perda de votos de Lula e o crescimento de Flávio Bolsonaro nas urnas. A repórter Amanda Audi ouviu especialistas em política e explica os principais: a ausência de debates entre os dois candidatos, a apropriação do discurso antissistema pela extrema direita, o impacto dos escândalos, as dificuldades do governo Lula diante de um Congresso hostil, a força da direita nas redes e o voto útil já no primeiro turno.

Assista o vídeo e entenda por que Flávio Bolsonaro ganhou espaço entre os eleitores.

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