A Soalheiro, produtora de Melgaço, lançou o novo Primeiras Vinhas 2025, um Alvarinho com origem na vinha fundadora da marca e numa seleção de vinhas antigas da sub-região de Monção e Melgaço, foi hoje divulgado.
A história do Soalheiro Primeiras Vinhas começa em 1974, numa parcela plantada por João António e Palmira Cerdeira – fundadores da Soalheiro -, que foi a primeira vinha contínua de Alvarinho em Melgaço. A sua exposição solar privilegiada esteve também na origem do nome Soalheiro.
Foto: Soalheiro
Mais de meio século depois, as uvas desta vinha continuam a fazer parte deste vinho. A elas juntam-se uvas de outras vinhas antigas de Monção e Melgaço, com mais de 30 anos, cuidadas por famílias do Clube de Viticultores do Soalheiro.
“O Soalheiro Primeiras Vinhas nasceu para preservar a memória da vinha que os meus pais plantaram em 1974. Hoje, essa história prolonga-se noutras vinhas antigas de Monção e Melgaço e nas famílias que continuam a cuidar delas. É esse património que queremos preservar e projetar no futuro”, afirma Maria João Cerdeira, segunda geração da família Cerdeira, citada em comunicado.
Foto: Soalheiro
A nova colheita nasce de um ano em que o ciclo vegetativo se adiantou cerca de duas semanas, exigindo um “acompanhamento próximo de cada parcela para definir o momento da vindima”.
As uvas que deram origem ao Soalheiro Primeiras Vinhas foram vindimadas manualmente entre 05 e 13 de setembro, parcela a parcela, de acordo com a evolução de cada vinha.
“Houve algo que me marcou: as vinhas velhas não tiveram a mesma pressa. Enquanto o ano avançava a correr, elas mantiveram o seu ritmo. Têm essa capacidade rara de atravessar anos extremos sem perder o equilíbrio”, explica Asun Carballo, enóloga do Soalheiro.
Foto: Soalheiro
Na adega, os vinhos das diferentes parcelas foram acompanhados separadamente até à definição do lote final. “Depois de uma decantação estática de 72 horas, a fermentação decorreu maioritariamente em inox, com 15% a 18% em madeira, seguindo-se o estágio sobre borras finas com bâtonnage”, explica a marca.
O Soalheiro Primeiras Vinhas 2025 apresenta cor amarelo-limão brilhante, com ligeiros reflexos dourados. No aroma, revela fruta madura, citrinos e notas delicadas de especiaria, com a madeira integrada. Na boca é envolvente, fresco e profundo, com textura, acidez viva e um final longo, elegante e persistente. Ainda jovem, apresenta um potencial de evolução em garrafa estimado entre oito e 15 anos.
Neste barco não há remos, nem os dias de névoa serão os mais indicados para marcar uma saída em grupo, apesar do cenário místico bastante sugestivo. Contudo, a paisagem e o barco de madeira – uma réplica de uma embarcação de 1500, já posterior à era viking, mas que conserva a inspiração nórdica na sua construção – são bastante reais e constituem agora uma nova forma de descer e subir o rio Minho.
A Associação Galega de Atividades Náuticas (AGAN+) realizou um primeiro teste ao itinerário turístico-fluvial entre Tui e Vila Nova de Cerveira, ao final da manhã do passado sábado, uma espécie de ‘Cruzeiro entre Fortalezas’, com duração superior a uma hora e meia que contempla paragens em Valença do Minho, Goián (Galiza) e até nas várias ilhas desertas do rio Minho.
A nova proposta de turismo náutico e cultural será comercializada pela empresa Rio Minho de Barco (VECAN) e integra o projeto RED CIFT – Rede de Cruzeiros Ibéricos Fluviais Transfronteiriços, financiado pelo programa europeu Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP), destinado a promover a cooperação entre os dois países.
Foto: João Martinho / O MINHO
As viagens a bordo da embarcação tradicional de madeira contam com um guia que explicará, em português, espanhol ou inglês, conforme o grupo, a história da fronteira entre Portugal e Espanha, com destaque para as fortalezas de Tui, Valença do Minho, Goián e Vila Nova de Cerveira, as incursões vikings no território, o Caminho Português de Santiago, o contrabando e a pesca tradicional da lampreia nas pesqueiras do rio.
“Trabalhamos com diferentes operadores náuticos”
Foto: João Martinho / O MINHO
Em declarações a O MINHO no final desta viagem de teste, Elena Fernández, técnica de projetos europeus da Asociación Galega de Actividades Náuticas (AGAN+), explica a matriz do projeto e do roteiro, assim como as limitações dos principais pontões de acostagem, nomeadamente o de Vila Nova de Cerveira, onde a ausência de um ponto de carregamento elétrico impede que outro tipo de embarcações possa realizar uma rota mais extensa, desde A Guarda até Valença do Minho ou Tui.
“Trabalhamos com diferentes operadores náuticos que existem no território e o que queremos é dar a conhecer as atividades que eles fazem. A nossa associação tem uma embarcação elétrica que está em Camposancos (A Guarda, Galiza), onde criámos um produto novo, que vai até Vila Nova de Cerveira, para dar a conhecer toda esta zona, com uma navegação de cerca de uma hora e meia”, explica.
Foto: João Martinho / O MINHO
Resolvida a questão da oferta turística nas águas do rio Minho mais próximas da foz, impunha-se uma solução que permitisse subir o troço internacional do rio, até onde as embarcações de maior dimensão conseguem navegar.
“Este produto, desde Tui até Cerveira com o barco tradicional, uma réplica de um barco de 1500, é o que queremos propor como experiência para o período de inverno, com um percurso mais longo. Estamos em outubro e está um dia lindíssimo de sol e de calor, temos navegado em novembro e até em dezembro com muito bom tempo, aqui no Minho. Portanto, não nos assusta a questão da meteorologia”, nota Elena Fernández.
Foto: João Martinho / O MINHO
Para este outono/inverno, a proposta da AGAN+, a operacionalizar pelas empresas parceiras, é uma viagem neste invulgar barco tradicional de inspiração histórica que, apesar da aparência frágil e do espaço aparentemente exíguo para acomodar até 20 pessoas, se revela bastante estável e suficientemente robusto para navegar nas águas do rio Minho, mesmo nos períodos de maior caudal.
Na viagem de teste, o barco realizou o percurso entre Tui e Vila Nova de Cerveira sem paragens intermédias, mas a técnica de projetos europeus da AGAN+ adianta que esta rota pode contemplar até quatro paragens para recolher ou deixar passageiros nos principais pontos turísticos, nomeadamente em Valença e Goián.
“O barco que sai de Tui tem autorização para poder fazer paragens tanto em Valença como em Goián, ou seja, pode até fazer quatro paragens. Por enquanto, o percurso regular que nos propomos fazer é de Tui a Cerveira, mas poderíamos fazer algumas escalas intermédias sem problemas”.
Foto: João Martinho / O MINHO
Enquanto associação promotora das atividades turísticas no rio Minho, a AGAN+ mantém contacto com cerca de 14 operadores que desenvolvem atividades tendo o rio como principal atrativo, desde o rafting ao caiaque e ao hydrospeed, sobretudo nas zonas onde as embarcações de maior dimensão não conseguem navegar.
“De Tui ou Valença para cima, a navegação não é tão fácil. Há uma zona com muito pouca profundidade de água. Dá para embarcações mais pequenas ou para fazer em caiaque, mas para esta barca [tradicional, ou de inspiração ‘viking’] se calhar não é recomendável. Talvez até Caldelas de Tui, mas não muito mais acima”, explica Elena Fernández.
Contudo, existe já uma alternativa elétrica, a operar com bons resultados entre A Guarda e Vila Nova de Cerveira, que poderia estender-se até Tui ou Valença do Minho, caso o concelho português previsto como primeira paragem dispusesse de um ponto de carregamento para reforçar a autonomia das baterias.
Foto: João Martinho / O MINHO
“O barco [elétrico] poderia navegar mais. O problema é que não temos pontos de carregamento nos diferentes pontões para garantir bateria suficiente para voltar até Camposancos [A Guarda]. Se tivéssemos, o barco não tem problema em navegar mais para norte”, frisa a responsável.
“O ideal seria poder carregar em Cerveira durante um par de horas, depois seguir até Valença ou Tui e poder carregar mais um pouco. Os painéis solares que o barco tem vão fornecendo carga. Fizemos um teste no dia 25 de setembro, em modo elétrico entre Camposancos – Cerveira e Cerveira – Camposancos e nas baterias ainda restava 80% de energia. Ou seja, com 20% fizemos o trajeto de ida e volta. Claro que aproveitamos a força das correntes na descida, como se fazia antigamente, e poupou muito a bateria. Mas temos a certeza de que, com um ponto de carregamento intermédio, poderíamos fazer um percurso mais longo”, adiantou Elena Fernández.
“São milhares de peregrinos que atravessam”
Com a CIM Alto Minho a concentrar a sua atenção nas atividades do rio Lima, onde o lado galego não dispõe de uma oferta equivalente, cabe aos operadores portugueses e galegos que têm o rio Minho como atrativo saber captar os turistas e os peregrinos do Caminho Português de Santiago, que atravessam o rio ou o percorrem numa vertente diferente da sua jornada.
“São milhares de peregrinos que atravessam. Só no serviço da Xacobeo Transfer que asseguramos a partir da Galiza, estamos a falar de cerca de 20 000, só de um lado da margem. Do lado português há mais uns cinco ou seis operadores e cada um faz a sua parte das travessias. Estamos a falar de milhares de peregrinos que estão a conhecer o rio, a atravessá-lo e que podem interessar-se por conhecer mais”, notou ainda.
Foto: João Martinho / O MINHO
O trabalho da AGAN+, apoiado por fundos europeus, permite desenvolver e testar novos produtos turísticos em colaboração com os operadores, para posteriormente os promover através de um catálogo digital e de uma plataforma que reúna as experiências disponíveis, facilitando também a sua comercialização por agências de viagens nacionais e internacionais.
“O próprio projeto europeu, que é um projeto com fundos de cooperação entre Espanha e Portugal de [POCTEP, por confirmar na transcrição], são fundos Interreg que financiam 75% da despesa do projeto com fundos FEDER. Este tipo de projetos ajuda muito a trabalhar com os operadores, a criar produtos, a testá-los, a depois promovê-los num catálogo digital, a depois promovê-los num sítio Web onde se reúnam todas estas experiências que resultem dos cinco grandes rios e que as pessoas possam contratar. Que possamos também chegar a esses operadores, agências de viagens nacionais ou internacionais que possam vender estes produtos.”
“Este projeto não pretende ser mais uma atividade que transfere as pessoas de um lugar para outro, queremos que as pessoas consumam no território: nos nossos restaurantes, nos nossos hotéis, que visitem os nossos museus, a nossa natureza, que desfrutem e que deixem dinheiro na zona, que isso para nós é muito importante”, ressalvou Elena Fernández.
Nesta primeira fase, e para que o trajeto entre Tui e Vila Nova de Cerveira no barco tradicional possa implementar-se e realizar-se com maior frequência durante o inverno, está a ser avaliada a possibilidade de estabelecer datas fixas para inscrições.
Existe também a possibilidade de pequenos grupos, com um mínimo de 12 e um máximo de 20 pessoas, contratarem esta experiência através do operador, cuja oferta pode ser consultada em https://riominoenbarco.com/.
A viagem poderá ainda incluir propostas que a tornem mais atrativa e original, desde provas de vinhos a miniconcertos, tendo, durante mais de uma hora, as águas e as margens do rio Minho como moldura natural.