
© SHAHZAIB AKBER/EPA

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O levantamento mostra ainda que apesar de ser direito garantido na Constituição Federal, nem todas as pessoas têm acesso igual à cultura. Enquanto 63% dos brasileiros das classes A e B foram ao cinema nos últimos 12 meses, apenas 18% das classes D e E fizeram isso.
"Como é possível observar por meio dos dados, o acesso à cultura realmente ainda é bastante desigual, sobretudo quando observamos pela perspectiva socioeconômica ou até mesmo de níveis de escolaridade entre os brasileiros", diz a coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso.
"Apesar das disparidades, tais dados não significam que pessoas das classes sociais mais baixas ou com menor escolaridade deem menor valor à cultura; ao contrário, o que a pesquisa mostra é que existem barreiras que vão além da subjetividade individual ou mesmo do gosto pessoal que interferem diretamente nesse acesso", acrescenta.
Nesse cenário, a demanda por mais acesso gratuito aparece como a principal. A pesquisa revela que um terço da população (32%) quer a criação de mais equipamentos ou instituições públicas de cultura, como museus, teatros e cinemas.
São citados ainda, por 28% dos entrevistados, a melhoria, reforma, ampliação ou modernização dos equipamentos existentes, além do financiamento e incentivo à produção cultural independente, por 26%.
Pouco mais de um a cada cinco participantes (22%) pedem o apoio a iniciativas culturais em favelas, periferias e comunidades tradicionais e a valorização e formação de artistas e profissionais da cultura (21%).
"Os dados indicam que existem caminhos para avançar, tanto no que se refere à importância de fortalecer e ampliar a oferta de atividades culturais gratuitas, quanto na própria expectativa e entendimento da população sobre o direito cultural, uma vez que 32% da população dizem não saber que o acesso à cultura está garantido na Constituição e 27% afirmam não saber o que significa ter direito à cultura", ressalta Cardoso.
O acesso à cultura é direito de toda a população brasileira, garantido na Constituição Federal. Os resultados da pesquisa mostram que a maioria das pessoas (68%) sabe disso.
Apesar de garantido, esse acesso é desigual - 97% dos entrevistados das classes A e B participaram de alguma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses, como ir a shows, a museus, teatros, cinema, entre outros.
Já entre as pessoas das classes D e E, esse percentual caiu para 82%.
Em algumas das atividades pesquisadas, essa diferença cai ainda mais. Segundo o levantamento, por exemplo, 63% dos brasileiros das classes A e B foram ao cinema nos últimos 12 meses e apenas 18% das classes D e E fizeram isso, uma diferença de 45 pontos percentuais.
Um terço dos entrevistados (33%) disse que sequer há a opção de equipamentos culturais na região onde moram.
O preço, tanto com deslocamento, quanto com ingresso, é o principal fator que desmotiva as pessoas a participarem de atividades culturais presencialmente. Esse fator foi apontado por 35% dos entrevistados.
Entre os que declararam ter gastos com atividades culturais presenciais, 46% dizem gastar mensalmente até R$ 100 com cultura.
Outros 14% gastam entre R$ 101 e R$ 150; 15% desembolsam entre R$ 151 e R$ 200; e 8% declaram desembolso superior a R$ 400.
De acordo com o levantamento, a insegurança e a violência aparecem em segundo lugar (30%) como fatores que desmotivam ou desanimam os entrevistados a realizar atividades culturais presenciais, seguida por disponibilidade de horário (23%), cansaço e desânimo (21%), distância dos eventos (19%), lotação (19%) e falta de transporte (16%).
O medo de assaltos ou furtos na região dos eventos culturais é apontado por 47% dos entrevistados. Falta de policiamento nas proximidades dos espaços culturais é mencionada por 43%. Riscos de furtos ou assaltos no trajeto foram mencionados por 29%.
A violência contra as mulheres ou assédio nos espaços culturais é outro fator relevante. A questão foi apontada por 27%. O índice avançou 6 pontos percentuais frente aos 21% verificados no levantamento anterior. A preocupação é manifestada por 38% das mulheres e por 14% dos homens.
A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais foi feita pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. Participaram homens e mulheres de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E, residentes em todas as regiões brasileiras. Foram realizadas 2.448 entrevistas presenciais e individuais em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho de 2026.

Os manifestantes saíram de frente da Biblioteca Nacional, onde, principalmente jovens subiram em um trio elétrico, pedindo apoio ao fim da escala 6x1 (em trâmite no Senado), aos programas sociais do governo, à educação gratuita e ao Sistema Único de Saúde, e também contra privatizações.
Durante o ato, iniciado no final da tarde, os estudantes e apoiadores cantaram o tempo inteiro e destacaram como os programas do governo do atual presidente foram importantes para eles.
Nas mãos das pessoas, cartazes de agradecimento ao atual presidente. Eles destacavam que seria impossível chegar ao ensino superior não fosse o Prouni.
"Hoje eu curso enfermagem graças a essa iniciativa. Sou uma jovem da periferia aqui de Sobradinho, a primeira da minha família na faculdade", disse Ana Luiza Moraes, de 20 anos, moradora de Sobradinho.
Ao lado dela, a amiga Natiele Rodrigues, de 19, que mora na mesma região, afirmou que era necessário que os jovens se manifestem mais para lutar por programas como o Prouni (Programa Universidade para Todos) e pela democracia.
Próximo ao grupo, a comerciante autônoma Michele Andrade, de 22 anos, moradora de Ceilândia, vendia água e refrigerante, e estava entusiasmada com o ato.
"Não consegui chegar a uma faculdade, mas sei que nós mulheres precisamos nos defender. O presidente falou coisas importantes na defesa da gente "
Outra jovem que caminhou na manifestação, a estudante de psicologia Ana Clara Queiroz, de 19, acredita que as mulheres, as pessoas LGBT e os pobres estão mais interessados na reeleição de Lula por acreditar que existam mais políticas públicas voltadas a esses grupos.
"Eu, como mulher, negra e LGBT, tenho medo de direitos serem retirados", disse a universitária.
Ao lado dela, a amiga Isabela Rodrigues, de 20, que faz cursinho para tentar ingressar em medicina veterinária, entende que os jovens despertaram para a importância de votar neste ano. "Chegamos com mais ânimo agora. Principalmente nós que somos pobres."
