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Exposição em Barcelos mostra a faceta de ceramista do ilustrador de “Uma Aventura”

O Museu de Olaria de Barcelos inaugura, no sábado, às 15:30, a exposição “Arlindo Fagundes – Uma Aventura no Barro”.

O Município adiantou que se trata de uma homenagem ao artista e ceramista português, falecido em 2025 e conhecido pelas ilustrações da coleção “Uma Aventura”, que reúne trabalhos representativos de um percurso marcado pela cerâmica, desenho, ilustração, banda desenhada, pintura e escultura. A exposição estará patente na Sala da Capela até 08 de janeiro de 2027.

Nascido em Ovar, em 1945, Arlindo Fagundes desenvolveu uma carreira ligada a diferentes áreas artísticas. Depois de estudar Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e cinema em Paris, regressou a Portugal após o 25 de Abril e, em 1975, fixou-se em Braga, reativando, na Vila de Prado, a Olaria Ágata, onde iniciou uma importante etapa do seu percurso como ceramista.

Foi na cerâmica que aproximou a sua formação como pintor e desenhador da tradição popular minhota. As figuras que criou, marcadas pelo desenho, pelo humor e pela caricatura, contribuíram para a renovação da cerâmica figurativa portuguesa. A ligação a Barcelos fez-se também através da formação: em 1987, dirigiu a oficina de cerâmica tradicional da Conferência Europeia do Artesanato, promovida pelo World Craft Council, em Barcelos.

Perito em Ilustração

Arlindo Fagundes ficou igualmente ligado ao imaginário de várias gerações de leitores portugueses através da ilustração. Em 1982, iniciou a colaboração com Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada na coleção infantojuvenil “Uma Aventura”, dando identidade visual às suas personagens. Uma colaboração que se prolongou durante mais de quatro décadas e por mais de 60 títulos, até “Uma Aventura na Torre do Tesouro”, publicada em 2024.

A exposição “Arlindo Fagundes – Uma Aventura no Barro” apresenta uma seleção representativa da sua obra e evidencia a diversidade de um percurso artístico no qual a cerâmica ocupa um lugar particularmente relevante.

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Gisela João doa medula ao irmão

A fadista barcelense Gisela João vai doar a medula óssea a um dos irmãos que se encontra a lutar contra uma doença oncológica e apela à dádiva. A cantora deu conta do início de processo de doação da medula numa publicação nas redes sociais.

A partilha surge algumas semanas depois de ter anunciado uma pausa no trabalho para acompanhar o irmão neste processo.

“Eu sou a dadora compatível, e vou parar uns tempinhos para tomar conta do meu irmão”, afirmou no programa da Antena 1, “Fala com Ela”, a 30 de setembro, citada pelo Jornal de Notícias.

Na publicação partilhada no Instagram, Gisela João relata: “Dia zero. A derradeira notícia chegou-nos no início de agosto e, a partir daí, a minha vida mudou. Vou falar da minha vida, porque não quero expor a privacidade do meu irmão. Mas posso falar de tudo o que mudou em mim. A minha sensação de missão nesta vida ficou muito clara: ajudar os outros. Neste caso, ajudar o meu irmão. Desde o primeiro dia, não tive dúvidas de que faria tudo o que estivesse ao meu alcance. Até cortar um braço, se fosse preciso, para o ter ao meu lado durante muitos anos e continuar a azucrinar-lhe a cabeça”.

A fadista conta que entrar no IPO do Porto a fez “lembrar a entrada num shopping”, com “tanta gente, tantos corredores, tantos pisos, possibilidades, tantos sorrisos e tantos bons dias”.

“Por momentos, quase me esquecia de onde estava: um lugar de onde todos queremos estar bem longe e onde, ainda assim, há tanta vida a acontecer”, descreve.

“Passei o dia com lágrimas nos olhos a ver médicos, enfermeiros e auxiliares a trabalhar, a explicar, a receber e a cuidar. Não quero falar de guerreiras ou guerreiros, nem de frases que me irritam. Quero falar de pessoas que fazem um trabalho extraordinário num lugar onde a fragilidade humana está em todo o lado. Naquelas pessoas vejo esperança. Muita esperança. Saí de lá com uma energia enorme. Não porque tenha deixado de ter medo, mas porque percebi que há tanta gente a fazer tudo o que pode para que a vida continue”, acrescenta.

De seguida, Gisela João faz um apelo à dádiva: “Quero começar a falar convosco sobre a dádiva de medula óssea. Sobre o que significa ser dador, como funciona o processo e a importância de nos inscrevermos como potenciais dadores. Porque podemos vir a ser compatíveis com alguém que precisa de nós para ter uma oportunidade de continuar a viver. Falar-vos da Liga, da Acreditar que me emocionam
Ainda tenho muito para aprender, mas quero usar a minha voz para partilhar este caminho, esclarecer dúvidas e dar visibilidade a quem merece ser visto”.

“Às vezes, ajudar alguém começa antes de sabermos quem essa pessoa é. Está na disponibilidade para estarmos lá. Ontem foi o dia zero. O primeiro passo de um caminho que vou fazer abraçada ao meu irmão, e a chatear-lhe a cabeça durante muitos anos”, conclui.

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