Guimarães Jazz. 35.ª edição com estreias e Kurt Elling

© MOHAMED MESSARA/EPA

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Cerca de 70 docentes, investigadores e trabalhadores da Universidade do Minho (UMinho) assinam um manifesto, hoje divulgado, de repúdio pela receção do embaixador de Israel em Portugal na Câmara de Guimarães, assumindo “perplexidade” perante a iniciativa.
“Um grupo de docentes, investigadores e trabalhadores não docentes e não investigadores da Universidade do Minho, com ligação à vida política, social e cultural do Município de Guimarães, subscreveu um manifesto de repúdio pela receção do Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, pelo Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, no passado dia 14 de setembro”, lê-se no manifesto, enviado à agência Lusa.
Aquando da receção, o município explicou que o encontro permitiu explorar novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território, como a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento.
“Mais tarde, em resposta à contestação cívica que o facto suscitou, o autarca respondeu, invocando a normalidade das relações diplomáticas e rejeitando que a receção do embaixador representasse uma tomada de posição sobre a política internacional daquele país. A nosso ver, porém, o facto é gravíssimo por objetivamente branquear um genocídio de dimensões terríveis que prossegue quotidianamente na Palestina”, frisam os signatários.
Um mês depois, estes 66 elementos da comunidade académica da UMinho, sediada em Braga e com um polo em Guimarães, “manifestam perplexidade” perante a iniciativa e os seus objetivos.
“Consideram que, perante a gravidade da situação vivida na Palestina, este encontro não pode ser entendido como um simples ato de normalidade diplomática, contribuindo, pelo contrário, para a normalização da atuação do Estado de Israel e para o branqueamento das graves violações dos direitos humanos denunciadas no manifesto”, sustentam os subscritores.
Os signatários lembram que “a atuação de Israel como potência ocupante da Palestina é reconhecida pela comunidade internacional, dos seus órgãos multilaterais aos cidadãos comuns, como profundamente criminosa e passível de condenação na justiça”.
“O Sr. Oren Rozenblat, recebido tão galhardamente na Câmara de Guimarães, é o representante desse crime no nosso país. E não por acaso tem assumido, em inúmeras ocasiões, com uma arrogância acintosa e insolente, a defesa dos atos hediondos praticados pelo governo, os militares e os colonos. Além disso, costuma acrescentar ameaças e comentários inaceitáveis em relação aos que no nosso país denunciam o genocídio em curso”, refere o manifesto.
Os signatários dizem não acreditar que o presidente da Câmara de Guimarães “concorde com o governo do estado sionista em que Israel terá adquirido um direito superior e absolutamente ilimitado de se defender, justificando, assim, a matança de dezenas de milhares de civis inocentes, como inevitavelmente o são as crianças, e classificando-os como danos colaterais”.
“Mas terá consciência de que o seu gesto, mesmo que reduzido a um mero ato formal, apenas contribui para obliterar tal situação? Não entenderá que manter uma atitude de ‘business as usual’ significa acatar este nível de violência como algo aceitável que, quer queiramos quer não, levaremos por diante em função dos nossos interesses mútuos? Achará mesmo que um genocídio pode ser apagado por um aperto de mão condescendente?”, questionam.
A receção do presidente da câmara de Guimarães, Ricardo Araújo (PSD/CDS-PP), ao embaixador de Israel em Portugal provocou também contestação política no concelho, com PS, BE, Livre e CDU a questionarem a estratégia seguida pelo município.
Também o compositor César Viana deixou a direção artística do Festival de Música Religiosa de Guimarães, motivada pelo “profundo desacordo com a aproximação institucional e comercial” entre este município e Israel, no atual contexto da situação em Gaza.
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O Guimarães Jazz vai cumprir a sua 35.ª edição em novembro com um cartaz composto por estreias no festival, com a “honrosa exceção” do cantor norte-americano Kurt Elling, acompanhado pela Orquestra Nacional de Jazz da Macedónia do Norte.
De acordo com a informação disponível no ‘site’ do festival, que tem o seu coração no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), entre as estreias de destaque no evento contam-se o trompetista Peter Evans, o guitarrista Kurt Rosenwinkel e o “supergrupo” ARTEMIS, “composto por cinco instrumentistas de excelência – Ingrid Jensen, Nicole Glover, Noriko Ueda, Allison Miller e Renee Rosnes”.
O festival – que na sexta-feira lança um livro para assinalar as mais de três décadas de trabalho – começa no dia 12 de novembro com o quarteto do brasileiro Toninho Horta com a Orquestra de Guimarães, num dia em que há ‘jam sessions’ com o quintento de Lex Korten e a inauguração da exposição “Corpo e Alma – O jazz e os seus divulgadores em Portugal”.
Até ao encerramento, no dia 21 de novembro, com Kurt Elling e a Orquestra Nacional de Jazz da Macedónia do Norte, vai haver ainda atuações de conjuntos com o trio composto por Dave Rempis, Jason Adasiewicz e Chris Corsano, o quinteto de João Tavares e apresentações resultantes das várias parcerias do festival com projetos como a Sonoscopia, a Porta-Jazz, a Orquestra de Jazz da Escola Superior de Músicas e Artes do Espetáculo, entre outros.
“Não obstante esta celebração, a perspetiva do Guimarães Jazz foi sempre baseada no princípio de que o mais importante é o que está para acontecer e não o que já foi feito, pelo que é no presente que nos devemos centrar”, pode ler-se na página do festival.
Ao longo das décadas, o Guimarães Jazz tem recebido vários dos principais nomes mundiais do jazz naquele concelho do distrito de Braga.
Em declarações à Lusa em 2025 sobre a edição desse ano, o programador Ivo Martins afirmou que o festival “tem feito mais ou menos um percurso através do tempo e tenta congregar no mesmo conjunto de concertos diversas fórmulas, diversas formações, que apresentam o mais possível jazz diferente, nas suas diversas abordagens”.
O objetivo do programa é criar “espaços de abertura, respeitando a singularidade dos músicos”, e tentar “estabelecer uma visão articulada da realidade” daquele género musical.
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Entre janeiro e final de setembro de 2026, Braga é o terceiro distrito com maior número de empresas com novos processos de insolvência, a seguir ao Porto e Lisboa. E Guimarães é a cidade com mais falências, revela o Barómetro da Informa D&B.
Segundo a análise, entre janeiro e setembro de 2026, registaram-se 203 novas insolvências no distrito de Braga, com a indústria têxtil e moda a representar um terço das insolvências do distrito, refletindo a exposição do tecido empresarial do distrito às dificuldades enfrentadas por estas indústrias.
As insolvências no distrito concentram-se fortemente em quatro concelhos: Guimarães (45), Vila Nova de Famalicão (41), Braga (38) e Barcelos (31). Em conjunto, estes concelhos representam cerca de 76% do total registado no distrito entre janeiro e setembro de 2026, salienta o Barómetro.
Por seu turno, o distrito de Braga é também o terceiro com maior número de empresas ativas no país.
Apesar de manter o 3.º lugar entre os distritos com mais novos processos de insolvência, os números de 2026 registam um recuo de 7,3% face ao mesmo período de 2025, correspondendo a menos 16 empresas insolventes. A nível dos concelhos, Guimarães registou menos 12 insolvências e Vila Nova de Famalicão menos 6. Barcelos e Braga aumentaram as insolvências, respetivamente mais três e mais uma.
A descida no distrito de Braga foi impulsionada sobretudo pela indústria. Este setor, que continua a ser o que tem maior expressão nas insolvências do país, registou menos nove insolvências no distrito, totalizando 87 novas insolvências no acumulado de 2026, o que corresponde a 43% do total de insolvências do distrito durante este período.
No total do país, desde início do ano até final de setembro, registaram-se 1.503 empresas com novos processos de insolvência, menos 0,2% (-3 insolvências) do que no mesmo período do ano anterior.
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