Gás para Todos: veja o que realmente faz você perder o benefício do botijão


Com a segunda maior reserva mundial de terras raras e escala para receber grandes infraestruturas de inteligência artificial, o Brasil é, de certa forma, disputado por duas potências concorrentes: os Estados Unidos e a China. A segunda volta das presidenciais, entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, também será uma votação sobre quem define as regras de acesso a esses recursos
Os especialistas apontaram excesso de ataques na noite de domingo e pouca discussão sobre propostas capazes de ajudar quem ainda procura uma razão para escolher um dos candidatos nas urnas no próximo domingo.

O mar em frente a uma favela em Salvador foi o cenário da última foto de Vilma Alves de Oliveira com seu filho, João Vitor, assassinado em 2023, aos 20 anos.
“Nenhuma mãe está preparada para perder um filho, muito menos dessa forma. Meu filho teve a vida ceifada pela polícia, o braço armado do Estado”, afirma, no complexo do Nordeste de Amaralina, essa mulher negra, de 49 anos, que há três anos busca justiça.

Esse bairro de ruas íngremes é um dos epicentros da violência policial no estado da Bahia, onde em 2025 houve 1.570 mortes em operações das forças da lei contra o crime, o número mais alto do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Praticamente nenhuma foi levada à Justiça.
O pizzaiolo João Vitor tinha saído para tomar uma cerveja com um amigo quando, segundo testemunhas, a polícia chegou atirando. As imagens das câmeras de segurança desapareceram, as testemunhas desistiram de depor por medo e nunca foi realizada a perícia balística, relata Alves de Oliveira, hoje desempregada.
“É a minha palavra contra a deles. Mas eu vou continuar lutando pela verdade e por justiça pelo que fizeram com meu filho”, afirma a uma jornalista da Agence France-Presse (AFP) essa mulher de voz firme, que até hoje não consegue passar pela rua onde o filho morreu.
A insegurança é uma das principais preocupações dos brasileiros diante do segundo turno presidencial de 25 de outubro, entre o candidato à reeleição, o esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, e seu rival, o conservador Flávio Bolsonaro.

Cerca de 80 mil pessoas vivem no Nordeste de Amaralina, de maioria negra e cujo domínio é disputado por facções criminosas.
A violência policial é atravessada pelo “racismo estrutural” no Brasil, diz à AFP a advogada Bianca Souza, do Instituto Odara, que presta assessoria às famílias. “O jovem negro e da periferia é alvo histórico” das operações policiais, afirma.
Mais de 80% dos mortos em operações em 2025 no país eram negros, em sua maioria homens entre 15 e 29 anos, segundo o Anuário.
Nesta favela, a luta contra a letalidade policial é liderada por mulheres, que se apoiam mutuamente. Rita Cássia Souza dos Santos, empregada doméstica de 59 anos, espera há treze anos o julgamento de três policiais acusados de matar seu único filho, Carlos Alberto, em 2013, quando ele tinha 21 anos.
“A polícia tentou sujar o nome do meu filho e ligá-lo ao tráfico para justificar a morte dele”, afirma, e denuncia que elas também são atacadas pelos próprios agentes. “Eles nos insultam, nos ofendem, dizem que somos ‘mulheres de bandidos'”, diz.
Consultada pela AFP, a Polícia Militar da Bahia não respondeu.

“São as mulheres, em sua maioria mulheres negras, que cobrem os corpos de seus familiares, vítimas da letalidade policial, e são elas que se organizam em busca de verdade, justiça, reparação e mudanças nas políticas”, afirma Bianca Souza.
Seu ativismo contribuiu para que esteja em tramitação na Bahia o projeto de lei Ana Luiza, que prevê assistência médica, econômica e psicológica para as vítimas de operações policiais. Leva o nome de uma jovem de 19 anos assassinada durante uma operação em Salvador.
Elisângela Souza Santos, de 37 anos, fala com a voz baixa. Seu olhar reflete indignação ao recordar que estava grávida quando policiais invadiram sua casa e mataram seu marido, Marivaldo, de 29 anos, há seis anos. “Tenho mais medo da polícia do que dos traficantes”, diz.
O presidente Lula, cujo Partido dos Trabalhadores governa a Bahia há 20 anos, promete criar um Ministério da Segurança Pública e enfraquecer as facções criminosas atacando sua base econômica.
Flávio Bolsonaro, inspirado no presidente salvadorenho Nayib Bukele, defende uma política de mão de ferro e a classificação das grandes facções Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas.
“Não confio em nenhum político. Mas, se Flávio Bolsonaro for eleito presidente, nossa situação vai piorar muito. Já vimos como foi com o pai. Ruim com Lula, muito pior sem Lula”, diz Elisângela.
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou sobre um plano para implementar 1.300 câmeras corporais para controlar a atuação policial. Confirmou que não oferece assistência social às vítimas da letalidade dos agentes. (Amanda COTRIM/AFP)

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A Polícia Federal (PF) prendeu nesta segunda-feira (19), Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como rapper Oruam. Eles também são, respectivamente, mulher e filho de Marcinho VP - apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho. Até o momento, 19 pessoas foram presas pela PF.
A Operação Backbone mira um grupo criminoso que atua na exploração e domínio armado do serviço de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro. O Estadão tenta localizar a defesa dos suspeitos presos.
De acordo com a PF, a facção criminosa impõe o monopólio do fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense, por meio do uso de armas e ameaças, e utiliza empresas provedoras para lavar os recursos obtidos com a atividade.
Os policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu (RJ), São João de Meriti (RJ), Teresópolis (RJ), Maricá (RJ) e Magé (RJ).
Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas alvos da operação, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.
Segundo a PF, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por tais empresas, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.
De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada "internet do tráfico". Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma "tarifa" pelo direito de operar no território.
Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
Segundo a PF, a exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes ativos e uma nova fonte de receita para a facção.
As apurações revelaram, ainda, que Marcinho VP, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, "continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção".
Segundo as investigações, os lucros chegavam à família de Marcinho VP "por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão - pagos em dinheiro vivo - e criptoativos".


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Consulado-geral do Brasil em Lisboa explica que os títulos emitidos até 2006 que não tiveram movimentação foram excluídos do cadastro eleitoral. Por isso, mesmo que o eleitor ainda tenha o documento físico, ele pode não corresponder a uma inscrição eleitoral ativa.

© Andre Coelho/EPA
O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) foi detido após um disparo de arma de fogo durante uma confusão na boate Santo Cupido, no Itaim Bibi, em São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (19). O episódio deixou ferido o jornalista e apresentador Fred Bruno, atingido de raspão no pé. Ele passa bem e, conforme o relato, optou por não registrar queixa contra o responsável pelo disparo.
Informações do boletim de ocorrência apontam que o desentendimento teria começado após o parlamentar importunar mulheres que estavam na casa noturna. Outros frequentadores teriam reagido à conduta e repreendido Aguiar, dando início à confusão.
O documento policial também descreve o deputado como estando em “estado de exaltação” e registra que ele representava risco à própria integridade física ou à de outras pessoas.
À polícia, foram apresentadas duas versões para o disparo. Uma delas aponta que o deputado teria sacado a arma durante o desentendimento. A outra versão indica que ele teria caído e, com isso, provocado um disparo acidental. A dinâmica do ocorrido ainda deverá ser esclarecida.
Após o episódio, Aguiar foi encaminhado ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, onde a ocorrência foi registrada. Embora tenha sido detido em flagrante, ele deixou a delegacia ainda durante a madrugada. A imunidade parlamentar foi apontada como motivo para que ele não permanecesse preso.
A arma utilizada no episódio foi apreendida e passará por perícia. Um carro que seria do deputado também foi recolhido para análise. O veículo estava com uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Antes de comparecer à boate, Marcelo Aguiar havia participado de uma manifestação convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, também na capital paulista.
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