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Força Aérea quer C-130 a combater fogos em 2027


Mais de 56 missões, mais de 200 horas de voo e 900 descargas em 32 teatros de operações é o balanço da participação direta da Força Aérea Portuguesa no combate aos fogos rurais com os Black Hawk UH 60. No próximo ano aguarda-se a chegada de dois C-130 já equipados com kits de combate aos incêndios e poderão, já nesse ano, entrar no rol de equipamentos para combate.

O balanço foi feito durante a cerimónia de execução do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) no âmbito da aquisição das aeronaves UH-60 Black Hawk e AW119 Koala, no heliporto do Estado-Maior da Força Aérea, em Alfragide.

Este ano, a Força Aérea participou pela primeira vez, com dois Black Hawk, no combate direto aos incêndios no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), adicionando capacidade de combate permitindo o acesso a locais muitas vezes inacessíveis aos bombeiros. No âmbito do PRR, Portugal comprou um total de 13 helicópteros Black Hawk, nove para o combate a incêndios rurais e mais quatro para apoio à emergência médica.

Portugal passou a deter uma capacidade própria e permanente” no combate a incêndios, desenvolvida “praticamente de raiz”, definindo-o como “um verdadeiro projeto de Estado”, apontou o general Sérgio Pereira, Chefe de Estado Maior da Força Aérea, resultando em mais de 200 horas de voo e 56 missões da Esquadra 551 Pantera, localizada na Base 8, em Ovar.

“O dispositivo [de combate aos incêndios] deixou de estar apenas centrado na resposta ao incêndio para reforçar a capacidade de o procurar, o detetar e o combater desde os primeiros momentos. E os resultados do momento mais crítico da campanha são encorajadores”, destacou Rui Rocha.

O secretário de Estado da Proteção Civil avança com números. “Entre julho e setembro, alcançamos uma taxa de sucesso de 94% no ataque inicial, acima dos 93,1% registados em 2025. No mesmo período reduzimos em 34% as ocorrências com duração a 90 minutos, foram 264 contra 414 no ano anterior; E considerando o período de janeiro a setembro, registamos uma redução de 29 para 12 incêndios com duração superior a 24 horas”, elenca.

“Comparativamente com 2025 tivemos mais de 5,4% em número de incêndios, e mesmo assim, até ao dia de ontem, estamos com 72,4% a menos de área ardida quando comparativamente a 2025”, referiu ainda.

No próximo ano, a expectativa é que aos helis no combate aos incêndios juntem-se os C-130, já equipados com os dois kits de combate a incêndios, um investimento de cerca de 16 milhões de euros. Em 2027, as aeronaves já “estão no terreno, em treino, como aconteceu com estes helicópteros. Se houver uma possibilidade, durante o treino, acontecer um caso real, nós atuaremos”, afiançou o Chefe de Estado Maior da Força Aérea.

A estes meios deverão juntar-se, em 2029 e 2030, os bombardeiros pesados Canadair. “Está decidida, aprovada em resolução do Conselho de Ministros, com produção no Canadá a entrega das duas aeronaves com data prevista uma em 2029 e outra em 2030. Pudessem as aeronaves ser produzidas mais rapidamente, mais cedo seriam entregues, ou seja, no primeiro momento possível serão entregues”, referiu ainda Nuno Melo, ministro da Defesa.

Força Aérea a incorporar helis para emergência médica

A Força Aérea já está a incorporar os quatro novos helis adquiridos para emergência médica. “A emergência médica já acontece na Força Aérea, apenas está a alargar esta capacidade com outros meios. Para que, complementarmente, se consigam salvar mais vidas”, referiu Nuno Melo.

“Isto é uma melhoria da qualidade de serviço aos cidadãos na proteção do transporte aeromédico, com uma qualidade excelente a bordo, do qual os doentes e os feridos vão beneficiar muitíssimo pelo ambiente a bordo que é visível”, destacou o general Sérgio Pereira.

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Vodafone, Orange, Telefónica e Deutsche Telekom unidas para disponibilizar net por satélite nos telemóveis


A Deutsche Telekom, a Orange, a Telefónica e a Vodafone assinaram uma carta de intenções para estudar a possibilidade de apresentar uma proposta no futuro processo de atribuição de espetro para serviços móveis por satélite (MSS) na Europa, ou seja, serviços que ligam comunicações satélite diretamente para os dispositivos móveis (direct-to-device). A iniciativa vai ao encontro do objetivo de reforço da soberania europeia ao nível das infraestruturas críticas de conectividade.

“A iniciativa apoia a ambição da Comissão Europeia de reforçar a soberania, a segurança e a resiliência da Europa no domínio das infraestruturas críticas de conectividade. Permitirá assegurar uma governação europeia responsável das principais infraestruturas espaciais”, pode ler-se em comunicado conjunto das quatro operadoras de telecomunicações europeias.

Visa ainda garantir a “todos os operadores de redes móveis um acesso aberto e não discriminatório para disponibilizarem serviços de comunicação direta entre satélites e dispositivos (Direct-to-Device — D2D) aos seus clientes”. Os mesmos “serão prestados através de um modelo concebido para promover a concorrência, reduzir a fragmentação do mercado e alargar as opções disponíveis para os consumidores em toda a Europa”.

Nesse âmbito, os quatro operadores tencionam criar na Europa “infraestruturas essenciais para as redes terrestres, bem como funções críticas de coordenação e monitorização, sem investirem diretamente numa constelação de satélites“, refere comunicado.

A constelação será assegurada por um parceiro do setor dos satélites, ainda não selecionado.

O anúncio dos operadores de telecomunicações surge pouco mais de um mês depois de na Cimeira do Espaço, em Paris, Macron ter instado as empresas europeias do setor a avançar com uma aliança para a oferta de tecnologia direct-to-device — no continente até 2030. Uma “nova infraestrutura essencial”, defendeu

“Daqui a dez anos, quero que os europeus disponham diretamente nos seus dispositivos e a partir do espaço de uma qualidade de ligação comparável à 5G em todo o lado. E isso é possível. Poderá chegar até aos centros de dados em órbita. Se esta tecnologia for dominada e disponibilizada a um custo razoável, este mercado será enorme e a Europa tem de participar nesta corrida por razões de soberania e de oportunidades económicas. Temos, a este respeito, de lançar uma aliança europeia para a tecnologia direct-to-device“, defendeu.

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Marco Rubio nega pausa na partilha de informações dos EUA com a Ucrânia

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By: Lusa

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos (EUA), Marco Rubio, afirmou hoje que não houve “nenhuma pausa” na partilha de informações de inteligência com Kiev e instou a Ucrânia a “terminar a guerra”.

No domingo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou que os EUA voltaram a partilhar informações com Kiev ao fim de “três dias”, agradecendo a Washington o fim do bloqueio, que dificultou a resposta da Ucrânia aos ataques russos.

Numa entrevista ao canal norte-americano NBC, Zelensky disse que a partilha de informações “esteve bloqueada durante algum tempo e, depois, foi desbloqueada pelo lado norte-americano”, referiu. “Estamos gratos por isso. Agora está a funcionar”, afirmou, acrescentando que a ausência durou “três dias, durante os ataques balísticos” de Moscovo.

“Não sei onde é que ele vai buscar tudo isto ou porque é que partilha isto com a imprensa. Deviam perguntar-lhe. Não houve qualquer pausa”, declarou o secretário de Estado norte-americano. “Onde ele se deve concentrar (…) é em acabar com a guerra”, enfatizou Marco Rubio, durante uma visita a Samarcanda, no Uzbequistão.

Os EUA e a Ucrânia viveram nos últimos dias um momento de grande tensão, com os ucranianos a denunciarem que Washington limitou a transmissão de informações de segurança, o que causou constrangimentos na utilização do sistema de satélites Starlink, propriedade do milionário Elon Musk, dono da SpaceX.

No domingo, o Presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, de “não querer pôr fim” à guerra com a Rússia.

O líder norte-americano defendeu a decisão de não aplicar novas sanções contra a Rússia, bem como o acordo entre Washington e Moscovo, anunciado dias antes, permitindo aos Estados Unidos importar petróleo russo.

Trump argumentou ainda que se assinasse neste momento a chamada Lei Graham, relativa a novas sanções contra a Rússia, faria com que Moscovo se retirasse das negociações.

O republicano associou os ataques ucranianos contra as refinarias de petróleo russas à subida dos preços dos combustíveis a nível mundial, agudizada com a guerra no Médio Oriente desencadeada com os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. Marco Rubio reafirmou que as isenções de 60 dias visam ganhar tempo, “para ver se as discussões podem levar a algo positivo”.

Questionado a propósito de uma notícia do jornal norte-americano Wall Street Journal, segundo a qual o Presidente russo, Vladimir Putin, terá proposto a Trump e ao homólogo chinês, Xi Jinping, um encontro em novembro para discutir o fim do conflito — excluindo, portanto, a Ucrânia — o secretário de Estado foi evasivo. “Não sei se isso foi concretizado”, disse Rubio. Mas o presidente norte-americano “foi claro: deseja que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia chegue ao fim”.

“Quanto à nossa relação [com a Ucrânia], o nosso objetivo é acabar com a guerra”, um conflito que “ninguém está a ganhar”, acrescentou Rubio, sublinhando, mais uma vez, os riscos de o conflito se espalhar pela Europa.

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Marinha com OK de 47 milhões para revisão do submarino Arpão


Guarnição do submarino ArpãoMarinha Portuguesa

A Marinha Portuguesa obteve autorização até 47 milhões de euros para realizar uma revisão com docagem do submarino NRP Arpão, entre 2026 e 2028. A operação tem financiamento da Lei de Programação Militar.

A revisão planeada do NRP Arpão — um dos dois submarinos da classe Tridente Marinha Portuguesa — é uma “intervenção obrigatória no ciclo de sustentação dos submarinos, visando assegurar a segurança, fiabilidade, disponibilidade e desempenho operacional do navio, integrando ainda ações de inspeção estrutural, verificação de integridade do casco resistente, revisão de sistemas de propulsão, energia, navegação, combate, sensores e equipamentos de segurança, bem como substituição de componentes cuja vida útil se encontra no limite do ciclo técnico definido pelo sistema de manutenção planeada”, lê-se num despacho publicado na sexta-feira no Diário da República.

Esta uma revisão “imperativa para garantir a continuidade operacional do NRP Arpão, prevenindo a degradação de sistemas essenciais, mitigando riscos de falha em operação subaquática e assegurando o cumprimento dos requisitos de segurança associados à operação de submarinos convencionais”, pode ler-se no despacho do Ministério da Defesa. “A sua não realização acarretaria riscos significativos para a integridade do navio, para a segurança da guarnição e para a capacidade da Marinha em cumprir missões de soberania, vigilância, dissuasão e cooperação internacional”, refere ainda.

Embarque no submarino ArpãoMarinha Portuguesa

Assim, a Defesa autorizou a Marinha Portuguesa a realizar despesa com a contratação da “Pequena Revisão com Docagem – PR011+D011 – do NRP Arpão, até ao montante global máximo de 47.000.000,00 EUR (quarenta e sete milhões de euros), que não inclui o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), a financiar pelas verbas da Lei de Programação Militar, com inscrição no orçamento Marinha, na capacidade ‘Submarina'”, informa.

Os encargos orçamentais não podem exceder, em cada ano económico, os montantes 14,1 milhões de euros (2026); 23,5 milhões (2027) e, 9,4 milhões em 2028. Os montantes (que não incluem IVA) fixados para os anos de 2027 e 2028, “podem ser acrescidos do saldo apurado no ano que lhes antecede”.

O NRP Arpão foi construído no estaleiro alemão Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW), em Kiel, com a construção a ser iniciada em 2005. Foi entregue a Marinha Portuguesa em 22 de dezembro de 2010 chegou pela primeira vez a Base Naval de Lisboa em 30 de abril de 2011.

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Seis ataques em 10 dias: drones levam a guerra do Mar Negro cada vez mais perto da NATO

Em dez dias, seis navios foram atacados no Mar Negro. Em semana e meia morreram mais marinheiros do que militares norte-americanos em toda a guerra do Irão. A atenção do mundo estava no estreito de Ormuz, mas é aqui, às portas da NATO, que navegar se tornou mais perigoso. O primeiro ataque desta série deu-se na madrugada de 6 de outubro, nota o The Guardian. A tripulação do ferry búlgaro Dioscuria ouviu uma explosão ao largo de Byala e, ao aproximar-se, encontrou um bote salva-vidas virado e coletes na água. Do Alfa Watan, o navio de carga turco atingido por

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Zelensky sugere que Trump está a tentar forçar capitulação de Kiev perante Moscovo

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By: Lusa

O Presidente da Ucrânia afirmou no domingo que “parece que” o seu homólogo norte-americano tenta forçar uma capitulação da Ucrânia perante a Rússia com medidas como o acordo para comprar gasóleo russo ou restrições à ajuda militar a Kiev.

“Penso que foram dados passos no sentido de convencer a Ucrânia a capitular. Não estou a dizer que este seja o objetivo dos nossos aliados. Não quero pensar que os nossos aliados norte-americanos possam querer pôr fim ao conflito mais cedo à custa da Ucrânia. Mas é isso que parece”, disse Volodymyr Zelensky, numa entrevista à agência de notícias Bloomberg publicada no domingo.

O Presidente ucraniano tem criticado, nos últimos dias, as limitações que o sistema de comunicação por satélite norte-americano Starlink parece ter para a sua utilização para fins militares em território russo, bem como o abrandamento dos envios de mísseis de interceção Patriot.

Na mesma entrevista, Zelensky afirmou que os Estados Unidos liderados pelo republicano Donald Trump enviam apenas 12 mísseis Patriot por mês para a Ucrânia, um quarto do que o anterior presidente, o democrata Joe Biden, enviava. “Pagámos por essas armas”, argumentou. “Parte das entregas já está autorizada, mas o resto não, e não se trata de uma questão técnica”, sublinhou.

Zelensky sugeriu a Washington que Kiev poderia deixar de atacar as refinarias russas, tal como pretendem os Estados Unidos, se acelerassem a entrega dos mísseis Patriot para proteger as infraestruturas ucranianas. “Mas eles só querem que deixemos de atacar o gasóleo e, se atacarmos, cortam-nos o acesso a alguma coisa”, afirmou o líder ucraniano.

O Presidente norte-americano defendeu no domingo a sua decisão de não aplicar novas sanções contra a Rússia, bem como o acordo entre Washington e Moscovo, anunciado dias antes, permitindo aos Estados Unidos importar petróleo russo. Trump argumentou ainda que se assinasse neste momento a chamada Lei Graham, relativa a novas sanções contra a Rússia, faria com que a Rússia se retirasse das negociações. E apontou outro argumento: “A Rússia está a fazer muito pouco para ajudar a República Islâmica do Irão comparado com o que poderia estar a fazer”. Por fim, insistiu no “grave dano” que os ataques ucranianos contra as refinarias russas estão na sua visão a causar, “também nos Estados Unidos”.

Ainda na entrevista à Bloomberg, o líder ucraniano alertou que estes são “dias perigosos antes das eleições”, referindo-se às eleições intercalares nos Estados Unidos, marcadas para 03 de novembro e nas quais os republicanos de Trump tentam manter o controlo do Congresso.

“Mas depois das eleições a vida continua e acredito que ficará mais tranquila”, afirmou.

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ADS fecha contrato de drones com Exército e tem na mira veículos terrestres não tripulados


A Autonomous Defense Systems (ADS) fechou um contrato de cerca de 134 mil euros com o Exército Português para o fornecimento de 45 drones para os batalhões de Infantaria estacionados na zona militar da Madeira e dos Açores. Depois dos drones e sistema anti-drones, a empresa de Palmela já está trabalhar na entrada num novo segmento, o dos veículos terrestres não tripulados de uso dual. Com “vocação exportadora”, a companhia tem a Ucrânia e Brasil como mercados prioritários.

A empresa foi a vencedora do concurso lançado em junho pelo Exército Português para a compra de drones para dois Batalhões de Infantaria (BI) da Zona Militar dos Açores (ZMA) e o BI da Zona Militar da Madeira (ZMM), abrindo-se assim a primeira oportunidade para a empresa, constituída em julho do ano passado, trabalhar com o ramo das Forças Armadas.

“A oportunidade surgiu por concurso público lançado pelo Exército Português, ao qual a ADS apresentou proposta e que lhe foi adjudicado. São três tipos de sistemas: 30 drones FPV táticos de 7 polegadas, nove quadricópteros de vigilância e reconhecimento (ISR) e seis drones de treino. Demos-lhes nomes de aves das Regiões Autónomas que vão servir — Fura-bardos, Açor e Garajau — e são projetados e montados com orgulho em Portugal”, adianta Nelson Bensabat, cofundador e diretor-geral da ADS, ao ECO/eRadar.

Além do Exército, temos sido consultados por outras entidades da Defesa e da Segurança nacionais e internacionais, designadamente no domínio da vigilância costeira, e acompanhamos de perto a atividade da Marinha nesta área. São processos em curso, sobre os quais não podemos, nesta fase, adiantar detalhes.

Nelson Bensabat

Cofundador e diretor-geral da ADS

“Neste momento não temos outros contratos em curso ou fechados com este ramo. Contudo, vamos continuar a trabalhar para vencer outros concursos públicos no futuro, contribuindo assim para a capacitação do Exército Português, e simultaneamente estreitar num futuro próximo a relação com este ramo, desenvolvendo parcerias orientadas para tecnologias de duplo uso”, refere o gestor quando questionado sobre eventuais novos concursos com este ramo das Forças Armadas.

Mas Bensabat admite que há processos em curso com outras entidades do setor de defesa nacionais, mas não só. “Além do Exército, temos sido consultados por outras entidades da Defesa e da Segurança nacionais e internacionais, designadamente no domínio da vigilância costeira, e acompanhamos de perto a atividade da Marinha nesta área. São processos em curso, sobre os quais não podemos, nesta fase, adiantar detalhes”, afirma.

O mercado internacional é algo que a empresa tem na sua mira. Afinal, diz, a “vocação” da ADS é exportadora. “É no mercado externo que esperamos vir a ter o maior peso da faturação. Os mercados prioritários são os países da NATO, a Ucrânia e o Brasil”, diz. “Na Ucrânia, a ADS passou o processo de verificação da agência de aquisições de defesa e integra a sua lista de parceiros verificados“, refere ainda.

Para corporizar essa vocação exportadora, a empresa está a “acompanhar concursos em vários países europeus da NATO e a preparar candidaturas a programas europeus de financiamento da Defesa, em consórcio com parceiros de outros Estados-Membros”, revela, embora sem mais detalhes.

“A ADS tem código NCAGE [NATO Commercial and Government Entity, código obrigatório para qualquer empresa que queira participar em concursos públicos, fornecer bens ou prestar serviços à NATO e às forças de defesa dos países aliados] e produtos catalogados no sistema NATO, o que facilita a entrada nesses mercados”, destaca.

Na mira: veículos autónomos terrestres de duplo uso

Desde o seu arranque, o foco da empresa tem sido os sistemas não tripulados. Mas não apenas para vigilância. “A gama vai dos quadricópteros de vigilância e reconhecimento (ISR) e dos FPV táticos, incluindo configurações de ataque, até aeronaves de asa fixa e VTOL de maior alcance e autonomia”, descreve o diretor-geral da ADS.

A companhia tem ainda soluções anti-drone, como é o caso do sistema Sentinel360 — deteção, seguimento, identificação e mitigação —, o comando e controlo e a autonomia e inteligência artificial. “Projetamos e construímos à medida dos requisitos de cada cliente e conseguimos ter um protótipo a voar em quatro a seis semanas”, refere.

Nos veículos terrestres, temos em fase de conceção, com parceiros nacionais, um veículo não tripulado de duplo uso, de classe média e propulsão elétrica, com módulos para logística, evacuação de feridos e reconhecimento.

Nelson Bensabat

Cofundador e diretor-geral da ADS

E, na sua maioria, são equipamentos para uso civil e militar. “As mesmas plataformas que servem as Forças Armadas servem também missões civis, como o combate a incêndios, a proteção civil, a agricultura, o apoio logístico e a evacuação de feridos. É uma vertente que consideramos estratégica, tanto pela dimensão do mercado civil como pelo contributo para a resiliência nacional”, justifica.

Mas a ADS não está apenas focada nos veículos autónomos aéreos. Nelson Bensabat revela quais os próximos projetos em fase de desenvolvimento. “Nos veículos terrestres, temos em fase de conceção, com parceiros nacionais, um veículo não tripulado de duplo uso, de classe média e propulsão elétrica, com módulos para logística, evacuação de feridos e reconhecimento”, adianta.

No domínio marítimo, a atuação passa, para já, por sistemas aéreos de vigilância costeira, sendo que “os veículos de superfície não estão no nosso roteiro imediato”.

Produção em Palmela

Com seis pessoas, dois sócios-gerentes e quatro técnicos — a empresa é ainda “reforçada por parceiros industriais nacionais”, tendo ainda “uma forte componente de I&D, assegurada por recursos internos e por parcerias externas, nomeadamente com a academia” —, a ADS tem a sua produção em Palmela, “em instalações de 400 metros quadrados com áreas de montagem mecânica e eletrónica, impressão 3D, soldadura e I&D, áreas logísticas de receção de matéria-prima e expedição de produto acabado, e uma área de controlo de qualidade com zona de testes finais”, descreve.

“Basta que se concretize uma parte dos pedidos em carteira para termos de expandir a capacidade produtiva, e essa expansão vai acontecer. Falta decidir se será em Palmela ou noutro ponto do país — uma hipótese real —, decisão que tomaremos até ao final do ano, com base na solução que melhor garanta um crescimento sustentado.

Nelson Bensabat

Cofundador e diretor-geral da ADS

“Recorremos ainda a parceiros industriais nacionais para estruturas e subconjuntos mecânicos. Estamos a implementar um sistema de gestão da qualidade ISO 9001, com certificação prevista para o primeiro trimestre de 2027”, acrescenta.

Mas há planos para expandir a capacidade de entrega. “Basta que se concretize uma parte dos pedidos em carteira para termos de expandir a capacidade produtiva, e essa expansão vai acontecer. Falta decidir se será em Palmela ou noutro ponto do país — uma hipótese real —, decisão que tomaremos até ao final do ano, com base na solução que melhor garanta um crescimento sustentado”, adianta Bensabat.

O responsável não adianta no entanto que valor de investimento essa expansão de área de produção poderá implicar. O montante dependerá se a expansão for em Palmela ou noutra zona do país. “É uma dor de crescimento, mas uma boa dor.”

Nelson Bensabat também não revela valores de faturação. “Tratando-se de uma empresa em início de atividade, o valor é naturalmente, ainda um valor modesto, e o contrato com o Exército representa a nossa primeira referência de dimensão relevante”, diz.

Nesta fase, “o fundamental é consolidarmos o nosso crescimento e sermos reconhecidos no mercado como um player de referência, capaz de criar, para os nossos parceiros, soluções que respondam às suas necessidades operacionais”.

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