O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quarta-feira, 21, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai protocolar uma resposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a derrubada de sigilos dos candidatos à Presidência e seus familiares. Afirmou que a campanha petista "não se opõe a absolutamente nada" do que Flávio colocou.
"O candidato adversário Flávio Bolsonaro protocolou no TSE, depois de três dias que Lula fez o desafio para que ele pudesse abrir o seu sistema bancário, uma série de condicionantes, uma tentativa de manobra em relação ao que o presidente colocou para mostrar claramente quem é o ladrão e quem não é o ladrão nesse país. E todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer ao candidato é que não se opõe a absolutamente nada do que ele estava falando", afirmou, em entrevista a jornalistas nesta quarta.
Camilo, no entanto, disse que a campanha de Lula "estranhou" a retirada de uma empresa na sugestão apresentada por Flávio na lista de pessoas jurídicas que teriam o sigilo derrubado. O nome dessa empresa é Alcazar, de propriedade do advogado Willer Tomaz amigo de Flávio. O senador é apontado em investigação da Polícia Federal como suposto "usuário master" da conta dessa empresa.
"A gente vê muita estranheza que ele tirar essa empresa. Então, que a imprensa possa cobrar dele porque é que ele está tirando essa empresa. Que ele cumpra o que foi pedido", afirmou o senador.
Camilo disse que Lula protocolará às 11h desta quinta-feira, 22, a resposta no TSE em relação à manifestação de Flávio Bolsonaro. O senador afirmou que Flávio teria até amanhã às 11h para aceitar os termos do acordo de derrubada dos sigilos ou não.
Uma leitura equivocada dos dados levou a Justiça Eleitoral a informar, no último sábado (17), que 4.352 seções eleitorais teriam mudado de local entre o primeiro e o segundo turno da eleição deste ano.
O presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), desembargador Carlos Roberto Silva, explicou nesta quarta-feira (21), à Agência Brasil, que os dados foram erradamente comparados com os da eleição de 2024. Segundo a assessoria de imprensa do TSE, houve uma falha dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ao alimentar o sistema da Justiça.
"Esse número de 4.352 seções alteradas é irreal. Não ocorreram alterações de locais em 4.352 seções do 1º para o 2º turno no Brasil inteiro. Foi uma verificação equivocada desse dado. Esse dado de 4,3 mil seções alteradas é de 2024 para 2026", afirmou o desembargador.
Número correto
A Justiça Eleitoral atualizou para 343 o número de seções eleitorais que tiveram seu local modificado entre o primeiro e o segundo turno das eleições, que ocorrerá no próximo domingo (25). Na terça-feira (20), o sistema registrava 441 seções que teriam mudado de local, quantidade que caiu novamente na atualização desta quarta.
O eleitor deve conferir o local de votação apenas nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, seja no botão “onde votar” do aplicativo e-Título, ou nos portais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos TREs. Um dos canais é por meio deste link, clicando no botão “Onde votar”.
Ao abrir a sessão plenária do TSE na terça-feira, o presidente do Tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, explicou que o sistema inicia a primeira semana após o primeiro turno com o mesmo número de mudanças ocorridas desde a eleição de 2024.
"Há uma necessidade de revisitação de toda a situação anterior ao primeiro turno. Então, ele [o número] vem, muito provavelmente, e é o que está acontecendo, caindo", disse.
Marques pontuou que, enquanto o sistema ELO, usado para sistematizar os dados estatísticos da Justiça Eleitoral, ainda indicava 38 locais de votação alterados em Minas Gerais, o TRE estadual calculava apenas 17 endereços modificados.
"No caso do Piauí, no sistema ELO, constam 18, mas o TRE já nos comunicou que apenas quatro locais de votação foram alterados", acrescentou.
As mudanças nos locais de votação são definidas pelos juízes de cada cartório eleitoral. Esse juiz informa ao TRE a necessidade de mudança, seja por problemas climáticos ou de estrutura dos prédios. Em seguida, o TRE repassa o dado ao TSE pelo sistema ELO.
Kássio Nunes Marques disse ainda que os dados atuais representam uma redução, em 2026, de 85% no número de urnas alteradas entre o primeiro e o segundo turnos, se comparado com a eleição de 2022.
Mudanças rotineiras
O presidente do TRE de Santa Catarina, Carlos Roberto Silva, explicou que mudanças em locais de votação fazem parte da rotina da Justiça Eleitoral, ocorrendo todos os anos.
"Os juízes eleitorais divulgam, por todos os meios de comunicação, quando isso acontece e colocam avisos nos locais antigos, onde houve a mudança. Há sempre uma faixa avisando o novo local. Não há prejuízo aos eleitores, não há nenhuma situação de insegurança, é rotina", afirmou.
O desembargador acrescentou que todos os meios de comunicação locais são avisados quando há uma mudança.
"Além de colocar os avisos, o rádio fica divulgando constantemente. É um aviso muito efetivo, de uma forma que não há notícias de que eleitores tenham deixado de votar porque houve, eventualmente, essa alteração, que, repito, é uma rotina em todas as eleições", completou o desembargador.
O presidente do TRE catarinense acrescentou que a tendência é que ocorra o mínimo de novas alterações de locais até o próximo domingo.
"Alterações [ainda] são possíveis. Imagine que, nos próximos dias, em algumas regiões do Brasil, ocorra uma chuva de granizo intensa que estrague o telhado de uma escola. É possível, mas em casos muito excepcionais", completou.
Nos últimos dias, têm circulado diversas mensagens em grupos de WhatsApp ou nas redes sociais com links não oficiais sobre locais de votação que não são confiáveis. O eleitor não deve consultar o local de votação em links que não sejam os oficiais da Justiça Eleitoral.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) informou nesta quarta-feira (21) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplie o alcance do levantamento de seus sigilos.
Para divulgar suas informações financeiras, o candidato do PL quer que Lula também divulgue os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente, os registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto, os sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, entre outras condições.
A manifestação de Flávio foi encaminhada ao TSE um dia após Lula autorizar a divulgação de seus dados pessoais, desde que seu adversário também faça o mesmo.
Segundo o candidato do PL, o pedido de Lula é uma "verdadeira aberração jurídica". Para Flávio, o candidato à reeleição poderia divulgar seus extratos sem enviar o caso ao TSE.
As petições de Flávio e Lula foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso.
Aliados de Flávio Bolsonaro desembarcaram nesta quarta-feira (21) no Recife com um objetivo claro, conquistar votos em Pernambuco a quatro dias do segundo turno. O ato da Caravana Muda Brasil reuniu representantes da agropecuária, da indústria, do comércio, dos serviços e do turismo, e teve como recado central que a eleição é acirrada, que nada está ganho e que cada voto conta até o último dia.
Promovida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), presidida pelo deputado federal Pedro Lupion, a caravana passa por cinco capitais entre 20 e 22 de outubro. No Recife, o encontro foi no Mar Hotel Conventions e teve a presença de parlamentares, ex-ministros e entidades como o Sindaçúcar e Fecomércio além de representantes do turismo e de agências de viagem.
Disputa acirrada
A escolha de Pernambuco tem uma razão eleitoral. O estado é a terra do presidente Lula, que teve 63,45% dos votos no primeiro turno, cerca de 3,5 milhões, contra 31,03% de Flávio, cerca de 1,7 milhão. É nessa diferença que os aliados do candidato querem mexer.
“Essa eleição é muito disputada, é voto a voto. Se a gente tiver 100 mil, 200 mil, 1 milhão, é ótimo. Ainda tem espaço, sim, nós temos quatro dias para as eleições. Tá na hora de chamar os indecisos, aqueles que estão um pouco sem vontade de votar, e virar uns votos ainda. Eu acho que o Flávio é o que vai virar a chave do Brasil. E vale o convencimento”, afirma a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da FPA no Senado, que aposta no eleitor indeciso e em quem pensa em ficar em casa.
A meta dela é encolher a vantagem do adversário. Ao lembrar que o outro lado teve 63% dos votos, a senadora pede aos pernambucanos que ajudem a “diminuir um pouquinho” esse número.
Lupion faz a mesma conta. O presidente da FPA lembra que o primeiro turno deixou “praticamente 1 milhão e 800 mil votos” de distância entre os dois candidatos e garante que, “aqui em Pernambuco, dá para diminuir a diferença”.
O deputado federal Mendonça Filho (PL-PE), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Pernambuco, abre o encontro da Caravana Muda Brasil - Ulisberg Alves/Divulgação
Já o deputado federal Mendonça Filho (PL-PE), coordenador da campanha de Flávio no estado, descreve uma reta final pesada, com ataques de lado a lado. “É uma campanha bastante dura, bastante acirrada, com jogo bem duro nessa reta final. Principalmente nas últimas semanas, a enxurrada de fake news, de mentiras que foram propagadas não foi pouca. O jogo que está sendo jogado é de um adversário que tenta vencer a eleição de todo jeito”, avalia.
Setor produtivo
Os organizadores da caravana chamaram empresários do comércio, da indústria, dos transportes e dos serviços, e os veem como multiplicadores do voto entre funcionários, clientes e familiares.
“Não estamos falando só com o agro, não só dentro da nossa bolha, pelo contrário. A gente pediu para chamar o pessoal do comércio, da indústria, dos transportes, dos serviços, para mostrar a importância de cada um de vocês. Cada um que é formador de opinião, que gera emprego, que gera renda, que paga imposto, tem influência sobre as pessoas e pode convencer 1, 2, 3, 4, 5 votos”, explica Lupion.
Mendonça Filho também quis ampliar o alcance do ato. Ele aposta em um debate que contemple o ambiente do setor produtivo “como um todo”, sem se restringir a quem vive do campo.
“Entre as características dos governos petistas está a tradição de atrapalhar o ambiente de negócios. O governo atual, especialmente, dificultou muito e dificulta bastante a vida de quem produz e de quem trabalha. Um aumento continuado de impostos, quase nenhum investimento na área de infraestrutura”, critica o deputado.
O presidente do PL em Pernambuco, deputado federal Anderson Ferreira, vê na caravana um reforço para a militância e para o setor produtivo. Segundo ele, “estamos unidos para mudar o Brasil”, e a força vem de todo o país, mas “Pernambuco vai fazer a grande diferença dessa eleição”.
Mobilização final
Lupion conta que o grupo cruzou o país em dois dias, de Belo Horizonte a São Luís, até chegar ao Recife, sempre com o mesmo alerta de que ganhar o primeiro turno “não é vencer as eleições”. Para ele, é só a primeira etapa da corrida.
“Se convençam disso, tem só quatro dias para as eleições, é pouco. Vai buscar o avô, a tia, o amigo que está desestimulado, que não quer votar. Tem poucos indecisos, mas ainda tem”, orienta Tereza Cristina.
A senadora explica que a FPA decidiu não ficar nos estados onde Flávio venceu no primeiro turno, como Paraná, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Goiás, e resolveu “arregaçar a manga” fora de casa.
“Conversem, busquem o voto, mandem uma mensagem, entrem numa rede social, convençam as pessoas através de fatos, através de números. Para isso a gente precisa de dedicação, trabalho, suor, sola de sapato, saliva, muito celular”, convoca o presidente da FPA.
Tereza Cristina cobra ainda empenho dos pernambucanos e lamenta que o estado não tenha eleito Mendonça Filho para o Senado. Ela atribui o resultado a “um pouquinho” de falta de trabalho e de empenho de cada um.
Sobre o debate de sexta-feira, a senadora diz que Flávio a convidou por telefone na terça-feira (20), que ele se prepara e que ela acredita na presença dele.
Agenda final
A mobilização segue nas ruas até a sexta-feira, conforme a programação divulgada pela coordenação estadual da campanha. Na quinta-feira (22), o Bloquinho 22 sai às 19h22 da Pracinha de Boa Viagem, no Recife, em caminhada até o Parque Dona Lindu, com participação anunciada dos parlamentares Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).
Na sexta-feira (23), a campanha faz carreatas em Jaboatão dos Guararapes, com participação anunciada de Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, e também em Triunfo, no Sertão, e em Barreiros, na Mata Sul. Os horários e os trajetos não foram divulgados.
Pauta regional
Para conquistar o eleitor nordestino, os aliados de Flávio apostam em temas econômicos e em promessas de revisão de medidas do governo atual. A reforma tributária ganhou destaque, e Mendonça Filho foi quem mais se deteve no assunto.
“A reforma tributária foi tocada a toque de caixa, com uma discussão muito limitada. Ninguém é contra o IVA, mas tem que se considerar aspectos regionais e os incentivos que foram determinantes para o Nordeste gerar empregos em vários segmentos, principalmente na indústria”, sustenta o coordenador da campanha.
Ele projeta que a candidatura de Flávio representa uma “virada de chave” na segurança jurídica e no equilíbrio das contas públicas, o que atinge o setor produtivo e toda a sociedade. “A primeira grande missão do governo Flávio certamente será reequilibrar as contas públicas, refletindo diretamente no ambiente de negócios”, completa.
Lupion leva o debate para o custo do dinheiro. Com juros altos, inflação crescente e crédito escasso, descreve o deputado, “produzir fica praticamente impossível”.
Tereza Cristina afirma que Flávio assumiu o compromisso de rever o texto da reforma e que já existe equipe estudando o tema. Ela também defende menos burocracia e resume que “o Nordeste está pronto para crescer, só precisa ser priorizado”.
A estátua de Dona Lindu, mãe de Lula, no parque que leva o nome dela, no Recife, serviu de mote para o ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto tocar o eleitor local.
“Quantas Donas Lindus existem hoje aqui que têm que ir para São Paulo porque não têm oportunidade de emprego?”, indaga, sob aplausos.
“A eleição não tá ganha. Eu sou nordestino, eu sei o que é isso. Mas a gente tem uma grande oportunidade de recolocar o Brasil nos trilhos”, conclui Gilson Machado.
Parlamentares e representantes da agropecuária, da indústria, do comércio e do turismo participam da Caravana Muda Brasil, no Mar Hotel Conventions, no Recife
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas condicionou a divulgação dos dados a uma série de exigências envolvendo familiares, ex-assessores e empresas ligadas ao petista. A resposta foi formalizada em uma petição apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No documento, encaminhado ao ministro André Mendonça, a defesa de Flávio afirma que o senador está disposto a disponibilizar informações dos últimos 20 anos, período superior aos oito anos propostos por Lula. Em contrapartida, exige que o presidente amplie o alcance da medida para incluir dados de pessoas próximas, registros de visitantes de palácios presidenciais e despesas do cartão corporativo da Presidência.
Durante um encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, Flávio também comentou a resposta ao adversário.
"Não só vou aceitar o desafio como vou levar até as últimas consequências", declarou o senador, em evento organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A manifestação ocorre um dia depois de Lula protocolar no TSE uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares e de sua empresa. A divulgação, no entanto, foi condicionada à apresentação de autorização equivalente por Flávio Bolsonaro.
Flávio amplia exigências a Lula
Entre as condições apresentadas pelo candidato do PL está a abertura do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Flávio argumenta que o presidente não utiliza telefone celular e que parte de seus contatos telefônicos é intermediada por assessores próximos.
"Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola", afirmou o candidato durante o encontro em Guarulhos.
A petição também cobra informações sobre empresas ligadas aos filhos do presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de dados do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.
O documento faz ainda referências às investigações envolvendo o Banco Master e descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A defesa do senador pede a divulgação de informações sobre encontros entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, bem como registros de acesso ao Palácio do Planalto e dados relacionados à lobista Roberta Luchsinger.
Outra exigência envolve a divulgação das despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, além de agendas da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e registros de viagens realizadas em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Defesa critica proposta do petista
Na petição, os advogados de Flávio classificam a iniciativa de Lula como uma "promessa vazia" e argumentam que a simples divulgação das contas pessoais do presidente não seria suficiente para esclarecer eventuais irregularidades.
A defesa sustenta que seria necessário examinar também o patrimônio e as movimentações de pessoas e empresas próximas ao petista. Essas suspeitas, entretanto, são alegações da campanha do senador, e a apresentação da petição não comprova irregularidades.
O documento também pede que o TSE intime Lula a informar se aceita as novas condições. Caso o presidente não concorde, a defesa de Flávio solicita que a recusa seja registrada no processo.
O candidato do PL contestou, ainda, sua inclusão no pedido de Lula como suposto integrante da empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado Willer Tomaz. Segundo o senador, ele não é sócio, administrador ou beneficiário da companhia e, por isso, não possui acesso aos dados bancários e fiscais solicitados.
A empresa passou a ser mencionada na disputa após reportagens apontarem que Flávio havia sido cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária vinculada à companhia. O senador nega manter participação societária no negócio.
Desafio começou durante debate
A disputa em torno da abertura dos sigilos começou no debate presidencial realizado no último domingo (18), pela Band, quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas dele e de seus familiares.
Na terça-feira (20), o presidente formalizou a proposta ao TSE, oferecendo autorização para a divulgação dos próprios dados, dos da primeira-dama Janja e de seus cinco filhos, referentes aos últimos oito anos.
Em contrapartida, Lula exigiu que Flávio também autorizasse a divulgação dos dados dele, de integrantes da família Bolsonaro e de empresas apontadas pela campanha petista como vinculadas ao senador.
A proposta prevê que as informações sejam disponibilizadas em uma plataforma de acesso público, permitindo a consulta pelos eleitores antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) discutiu uma proposta para suspender canais de conteúdo político-eleitoral no WhatsApp com mais de 200 mil seguidores durante as 48 horas anteriores e as 24 horas posteriores ao segundo turno presidencial, marcado para domingo (25). A medida foi elaborada pelo vice-presidente da Corte, ministro André Mendonça, mas encontrou resistência entre os magistrados e foi descartada pelo presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques.
A proposta foi debatida em duas reuniões, realizadas na última sexta-feira (16) e na terça-feira (20), e previa estender aos grandes canais de mensagens as restrições que já se aplicam à propaganda eleitoral impulsionada na internet. A minuta, no entanto, não chegou a ser aprovada pelo plenário.
Nesta quarta-feira (21), Nunes Marques afirmou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, que não pretende submeter o texto à votação antes do segundo turno.
"Não haverá alteração alguma. Não marquei reunião para discutir o assunto nem vou marcar", declarou.
O presidente do TSE também afirmou ser contrário a alterações nas regras eleitorais às vésperas da votação. Segundo ele, o tema não será incluído na pauta da última sessão da Corte antes do pleito, nem haverá reunião extraordinária para deliberar sobre a proposta.
O que previa a proposta
A minuta elaborada por André Mendonça pretendia equiparar canais de transmissão de conteúdo político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores às regras já estabelecidas para o impulsionamento pago de propaganda na internet.
Pela legislação eleitoral, a circulação de propaganda impulsionada é proibida desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, mesmo quando a contratação do serviço ocorre anteriormente ao período de restrição.
O texto em discussão ampliaria essa vedação aos grandes canais políticos, incluindo grupos, comunidades e listas de transmissão em aplicativos de mensagens, desde que enquadrados nos critérios estabelecidos.
A justificativa apresentada na minuta era de que as horas que antecedem e sucedem a votação representam um período de maior risco de disseminação de conteúdos ilícitos, diante da dificuldade de resposta ou intervenção da Justiça Eleitoral em tempo hábil.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, o gabinete de André Mendonça afirmou que a elaboração da proposta não partiu de uma iniciativa individual do ministro, mas de discussões realizadas entre os integrantes do Tribunal.
Segundo o comunicado, houve consenso sobre a necessidade de discutir o assunto, e Mendonça ficou responsável pela redação da minuta, que dependeria de aprovação colegiada.
O gabinete ressaltou ainda que os critérios analisados seriam aplicados indistintamente aos canais político-eleitorais de grande alcance, independentemente do candidato, partido ou orientação política.
Canais de Lula e Flávio seriam atingidos
Caso fosse aprovada, a medida atingiria canais utilizados por apoiadores dos dois candidatos à Presidência da República.
Entre eles está o "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reúne mais de 7 milhões de seguidores no WhatsApp. O canal "Tropa do Flávio", voltado à mobilização de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), também seria afetado, já que possui mais de 2 milhões de inscritos.
A possibilidade de suspensão provocou reação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe jurídica do petista questionou a proposta na Justiça Eleitoral, enquanto integrantes da campanha criticaram a possibilidade de alteração das regras a poucos dias da votação.
O canal administrado por Janones já havia sido alvo de uma disputa judicial após a campanha de Flávio Bolsonaro solicitar sua suspensão, sob alegação de divulgação de informações falsas.
Nunes Marques chegou a determinar a retirada do canal do ar, mas a medida foi contestada pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que não identificou elementos suficientes para justificar a suspensão.
Posteriormente, o presidente do TSE condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral. A exigência foi cumprida pela campanha de Lula, permitindo a retomada das atividades.
Na última sexta-feira (16), o TSE também aprovou, por unanimidade, uma resolução que estabeleceu critérios para identificar canais de mensagens vinculados oficialmente às campanhas eleitorais. A norma prevê a necessidade de registro quando houver apoio financeiro ou técnico das candidaturas, mas não considera o compartilhamento espontâneo de conteúdos suficiente para caracterizar esse vínculo.
A atuação do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) nas redes sociais, por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, tem contribuído para impulsionar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A avaliação é de Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, em entrevista ao UOL News, do Canal UOL.
Ao analisar a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21), que aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, Russo destacou o papel das mobilizações digitais e presenciais na retomada do fôlego da campanha petista.
O levantamento também registrou crescimento no número de eleitores indecisos e indicou um cenário de empate técnico.
“O que o Janones está fazendo não tem precedente no Brasil, especialmente vindo da esquerda. Então, a gente tem que reconhecer esse trabalho, porque ele está sim mudando a campanha em algumas frentes. Vamos lembrar que a primeira pesquisa logo após o primeiro turno mostrou o Flávio Bolsonaro bastante à frente. E o que a gente viu nas últimas duas semanas, uma mobilização da esquerda muito forte, muito grande, uma animação, que está sendo muito bem feita nas redes sociais, mas também nas manifestações de rua, na mobilização, em conversas”.
Pesquisas apontam recuperação do presidente
Na avaliação do diretor da Quaest, os levantamentos realizados desde o início do segundo turno mostram uma trajetória favorável a Lula. Apesar de o presidente ainda estar numericamente atrás de Flávio Bolsonaro, a evolução dos resultados indica uma redução da distância entre os dois candidatos.
“A tendência, a série de pesquisas ao longo do segundo turno foi quase todas no sentido de melhorar os números para o Lula. Ele ainda está numericamente atrás, mas a tendência foi essa. É muito importante essa mobilização que está acontecendo em favor do presidente Lula, é que hoje a gente está no cenário de empate técnico”.
Durante a entrevista, a colunista Janaína Figueiredo perguntou a Russo sobre publicações de Janones nas redes sociais nas quais o deputado demonstra confiança em uma virada eleitoral de Lula.
Russo ponderou que declarações desse tipo fazem parte da estratégia das campanhas para manter os apoiadores mobilizados. Ele também ressaltou que os indicadores do presidente apresentaram melhora, com avanço na aprovação do governo e redução de seis pontos percentuais na rejeição a Lula.
“Isso é justamente para animar o seu eleitor a continuar fazendo campanha. Enfim, isso é natural que as campanhas façam isso”.
Engajamento digital também cresceu
Além das manifestações e da mobilização de apoiadores, Russo apontou avanços nos indicadores de presença digital de Lula. Segundo ele, tanto as métricas de popularidade nas redes sociais quanto o volume de pesquisas pelo nome do presidente no Google registraram crescimento.
O diretor da Quaest avaliou que esses resultados ajudam a explicar o discurso otimista adotado por Janones, embora ainda não seja possível considerar a disputa definida.
“Os números de redes sociais foram muito fortes. A gente tem o índice de popularidade digital, mas também buscas no Google, todos melhoraram muito para o presidente Lula. A esquerda está conseguindo competir, engajamento e passando em muitos aspectos”.
Outro ponto destacado pelo diretor foi o aumento de eleitores indecisos na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem receber uma lista de candidatos. O movimento foi mais expressivo entre eleitores independentes e parte do eleitorado feminino.
Russo relacionou essa mudança, em parte, ao tom do debate presidencial promovido pela Band e à intensificação dos ataques entre os candidatos na reta final da disputa.
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Especialistas das Organizações das Nações Unidas (ONU) assinaram uma carta em que apontam restrições à liberdade de expressão em plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, todas da empresa Meta, nas eleições brasileiras em 2026.
Eles disseram que os observadores internacionais que participaram das eleições detectaram tratamento desigual das plataformas em relação aos conteúdos das campanhas, apontando que as contas ligadas a um dos candidatos foi prejudicada.
Entre os episódios registrados estão interrupções temporárias de contas de campanha e engajamento e alcance de publicações políticas de um dos candidatos severamente menor.
Eles também citaram que milhares de contas e perfis de influenciadores, jornalistas e criadores de conteúdo foram suspensos, quase todos do mesmo lado político.
NetLab
Um carta do NetLab também questiona a derrubada de um perfil do candidato Luiz Inácio Lula da Silva sob a alegação de controle contra notícias falsas ligadas à políticas públicas pela Meta, enquanto a empresa mantém perfis com publicações com fake news.
O documento também diz que o laboratório identificou falhas da empresa de tecnologia, que teria permitido “propaganda eleitoral paga no exterior e vendido e veiculado durante o resguardo eleitoral”.
O NetLab é um laboratório de pesquisas sobre internet e redes sociais ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Caso do WhatsApp
Na semana passada, a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) depois que usuários do WhatsApp relataram que a inteligência artificial do aplicativo se recusava a produzir imagens com a palavra “Lula” e o número “13”, mas produzia conteúdo normalmente com a palavra “Flávio” e o número ”22”.
Os advogados da campanha afirmaram que a Meta praticou “seletividade algorítmica” para beneficiar Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
Outro lado
Sobre a nota da ONU, a Meta respondeu que as pessoas podem se expressar livremente em seus aplicativos, sem tratamento preferencial a qualquer posicionamento político. “Incidentes técnicos podem ocorrer em uma plataforma da nossa escala, mas não representam direcionamento político. Cumprimos a legislação eleitoral brasileira e agimos rapidamente para corrigir erros quando identificados, garantindo condições de igualdade para todos que utilizam nossos serviços", disse a empresa
Em relação à nota do NetLab, respondeu que não permite conteúdos que explorem programas públicos para fraudar pessoas, removendo-os sempre que identificados.
Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.
Candidatos nas eleições deste ano estão usando uma estratégia em comum: além das contas oficiais nas redes sociais com milhões de seguidores que foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), muitos têm uma rede paralela de perfis de apoio que copiam parte do conteúdo das páginas dos políticos. Esse “exército alternativo” turbina o alcance, com menções cruzadas e postagens iguais feitas quase ao mesmo tempo.
Segundo a Agência Pública apurou, Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência, tem ao menos sete perfis de apoio não declarados ao TSE com mais de 100 mil seguidores cada. Juntos eles reúnem mais de 2,5 milhões de seguidores. Para se ter uma comparação, o principal perfil oficial de Flávio declarado ao TSE tem 14,8 milhões.
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Além de fazerem propaganda com o número de urna do candidato, essa rede de perfis de apoio divulga links para grupos oficiais de Bolsonaro e o @ oficial de Flávio.
Algumas delas postam o mesmo conteúdo com minutos de diferença. Isso aconteceu no último final de semana, quando uma conta de apoio com mais de 770 mil seguidores publicou o mesmo corte da entrevista de Flávio para a Rede Globo com minutos de diferença, indicando o perfil oficial.
O mesmo corte da entrevista à Globo foi divulgado pelo perfil oficial de Flávio e uma das páginas de apoio com minutos de diferença. A única diferença foi a inclusão de letterings
Os perfis de Flávio não são recentes. A maioria deles foi criada em 2022 ou fim de 2023, quando Lula tomou posse. Do outro lado da disputa, André Janones, deputado federal (Rede-MG) e a principal cabeça por trás da estratégia digital de Lula (PT) no segundo turno, também tem uma página de apoio no Instagram que não foi declarada ao TSE nem por Lula, nem pelo deputado. Nesse caso, o perfil de Janones foi criado em 6 de outubro deste ano, quando o político afirmou que a sua conta oficial estava sendo alvo de perseguição por grupos bolsonaristas e corria risco de ser derrubada. No vídeo, ele assume a criação da página.
O perfil de apoio de Janones traz um link tanto para o @ oficial do político, quanto para o de Lula. Com 1,6 milhão de seguidores, a página também divulga o canal de WhatsApp do “Exército de Lula”, onde são compartilhadas as diretrizes para engajar a favor do candidato.
A Pública apurou com especialistas em direito eleitoral que explicam que ter uma conta de apoio não configura um crime, porém, há limites para o que essas contas podem fazer – e que ficam mais difíceis de serem fiscalizados pela falta de transparência das plataformas.
Como a Pública já mostrou, a Meta deixou anúncios pagos com dinheiro estrangeiro circularem sem rótulo de conteúdo político nestas eleições, o que impede saber quem pagou pelos anúncios e quais postagens foram impulsionadas. A Pública também revelou que a plataforma não tem sido transparente nos critérios que usa para ampliar ou derrubar o alcance de contas.
A advogada Caroline Lacerda, doutora em Direito Eleitoral pela Universidade de Brasília, explica que as campanhas exploram essas contas paralelas de forma estratégica. Um dos motivos é contornar a regra do Tribunal Superior Eleitoral que impede as plataformas de recomendarem os perfis oficiais dos candidatos políticos para os usuários. As páginas de apoio não estão sujeitas a essa limitação.
“A regra de não recomendação cria um incentivo evidente para que as campanhas terceirizem o alcance em perfis paralelos”, explica ela. “As páginas de apoio funcionam, na prática, como caminho alternativo para furar o bloqueio de recomendação dos perfis oficiais. Isso é lícito quando a página é espontânea e sem dinheiro por trás.”
O advogado Fernando Neisser reforça que as publicações em contas de apoio não podem ser impulsionadas através de pagamento. “Por não serem contas oficiais da campanha, elas não precisam ser informadas ao TSE. Por outro lado, essas contas não podem fazer impulsionamento pago de absolutamente nenhum conteúdo eleitoral”, diz.
É aí que a falta de transparência da Meta dificulta a fiscalização. Só é possível saber se houve algum pagamento não declarado através de uma investigação – como o procedimento aberto a pedido da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) contra a empresa – ou se a própria Meta identificar alguma irregularidade, e decidir combatê-la.
Com base na decisão do TSE de que pessoas físicas não podem pagar para promover conteúdos eleitorais, a Meta decidiu, por exemplo, remover três publicações de conteúdo eleitoral de uma página no Facebook em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro com 13,7 mil seguidores. Os posts, que circularam nos meses de agosto e outubro deste ano, receberam pagamento para ampliar seu alcance – o que é uma conduta proibida e está sujeita à multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil.
“Perfis de apoio devem ter identificação de seus autores, e devem ser de pessoas físicas. Qualquer outra forma de propaganda eleitoral pode ser caracterizada como irregular, sujeita à remoção do conteúdo eleitoral e até da conta inteira. Se for um caso reiterado, consistente e articulado, poderá configurar abuso de poder midiático”, afirma Luiz Scarpino, especialista em Direito Eleitoral.
A reportagem questionou o TSE sobre os achados da apuração, que respondeu que “não se manifesta sobre casos concretos, que podem vir a ser objeto de análise pela Justiça Eleitoral”.
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A Pública procurou as assessorias de Flávio e Janones e dos demais políticos citados na matéria. O espaço segue aberto para respostas.
Campopiano e Pavanato também mobilizam rede de apoio paralela
Além de Flávio e Janones, dois campeões de voto do PL em São Paulo também têm perfis que parecem operar em rede: o segundo deputado federal mais votado do país, Lucas Pavanato, e a deputada estadual que teve mais votos no Brasil, Eduarda Campopiano.
Campopiano tem ao menos sete contas de apoio, além do perfil que foi informado ao TSE. Juntos, esses perfis têm cerca de 1,8 milhão de seguidores, mais da metade dos 3,2 milhões que ela tem no perfil oficial atualmente. Essa rede de perfis que se declaram “de apoio” à política atuam em rede, um marcando o outro, e muitos divulgam na bio o número de urna de Campopiano, além de divulgar links que direcionam para o instagram oficial e para a comunidade oficial da candidata.
Lacerda explica que esse comportamento é considerado válido desde que essa seja uma iniciativa orgânica e espontânea vinda dos próprios usuários. “Se a campanha pede para alguém criar a página, dirige o conteúdo ou paga por ela, a iniciativa é da campanha, não da pessoa”, ressalta.
A falta de transparência nas plataformas também dificulta saber quem é o verdadeiro dono de um perfil. “O que prova a existência de uma conta fantasma oficial da campanha é, se houver suspeita suficiente, entrar com ação, obter a quebra dos metadados de acesso daquela conta e identificar que aquele login está sendo feito pela equipe oficial da campanha”, explica Neisser. Fora isso, o que resta é observar o padrão de atividade dos perfis para identificar indícios de irregularidade.
No maior perfil de apoio a Campopiano, com 847 mil seguidores, há publicações feitas em collab – isto é, em conjunto – com a conta oficial do chefe de gabinete e coordenador de campanha de Campopiano, David Itiúba. Como explica Scarpino, ao envolver o núcleo operativo da campanha, esse tipo de relação corre o risco de ser considerada irregular.
“Pode ser que esses perfis nasçam independentes, mas se tais páginas de apoio venham, em algum momento, a tangenciar o núcleo da campanha, passariam a merecer o mesmo tipo de restrição como comunicação à Justiça Eleitoral, tal como ocorreu no canal do Janones”, explica ele.
O canal Exército do Lula, organizado pelo deputado federal André Janones, foi suspenso por decisão do TSE e só voltou ao ar no dia 14 de outubro, após o político registrá-lo no TSE, conforme determinação do presidente da corte, Kassio Nunes Marques.
Já Lucas Pavanato tem ao menos cinco contas dedicadas à sua campanha, diferentes da principal declarada ao TSE. Segundo o levantamento, esses perfis juntos têm mais de 230 mil seguidores.
Ao todo, o levantamento encontrou outros políticos que também têm contas ativas de apoio não declaradas à Justiça Eleitoral. A maioria, 66%, foi de políticos do PL, seguidas de 22% de partidos como o MDB, PSD, PSDB, União, Podemos e 11% de candidatos diretamente ligados ao governo, de partidos como o próprio PT, o PSOL, PSB, PDT, dentre outros.
De óculos e chapéu de couro marrons, camisa e calça pretas e cordão de ouro no pescoço, o cantor sertanejo Gusttavo Lima recebeu em sua residência o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), a quem declarou apoio ao lado de duas dúzias de estrelas do gênero, todos homens, nesta terça-feira (20). Em vídeo publicado nas redes sociais, o Embaixador, como é conhecido, falou sobre o momento difícil para o povo brasileiro que não teria poder de compra e reclamou como hoje “com R$ 100, você não faz nem um churrasco”, “porque está tudo tão desonesto, uma taxa de juros desonesta”, sintetizou, gravando ao lado do seu candidato, no andar de cima da residência em frente a uma janela de vidro que revelava, de fundo, um jatinho executivo à disposição da dupla.
Gusttavo Lima e Flávio Bolsonaro posam para foto com jatinho ao fundo
“Quando eu era criança, eu só tive oportunidade de estudar porque eu tive Bolsa-escola, Bolsa Família…”, afirma o embaixador sertanejo, ao que o filho 01 de Jair Bolsonaro responde “vai ser tudo mantido, tá garantido”, atribuindo o discurso de risco de corte de investimento em educação ou programas sociais, como houve no governo de seu pai, a “fake news”.
Além de Lima, que tradicionalmente se dizia da direita não extrema, mas apoiou os Bolsonaros nas últimas eleições, estiveram na fazenda do senador Wilder Morais (PL) para a reunião em apoio ao presidenciável nomes como Amado Batista, Murilo Huff, Zezé Di Camargo, Rodolffo, da dupla com Israel, Marrone, da dupla com Bruno, Jorge, da dupla com Mateus, e Hugo, da dupla com Guilherme.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF), obtidas pela Agência Pública, revelam que o hoje Embaixador quase foi “Gusttavo Lima, da dupla com Vorcaro”, protagonista em um dos maiores escândalos de corrupção e fraudes financeiras da história recente do Brasil.
Flávio Bolsonaro durante encontro com cantores sertanejos
O diálogo do dia 6 de novembro de 2024 inclui uma proposta de movimentação de R$ 23 bilhões em um ano por parte do “Embaixador” para o empresário, preso por suspeita de fraude financeira desde março na Operação Compliance Zero. As mensagens compreendem o período de julho de 2024 a novembro de 2025.
A “oportunidade” se referia ao fornecimento de maquininhas de cartão de crédito. Vorcaro não tinha sociedade pública ou formal com empresas do setor; porém, investigações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) apontam para a suspeita de que ele usaria marcas de fintech, pertencentes ao Grupo Entre, para movimentar recursos e lavar dinheiro.
Às 9h49 da manhã, Gusttavo Lima envia a Daniel Vorcaro: “vamos falar sobre o meio de pagamento? Operação Super BH”. O Super BH em questão é uma rede de mais de 300 supermercados em 90 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo que pertence ao bilionário Pedro Lourenço, amigo pessoal e padrinho de casamento do cantor. A rede Super BH não retornou aos pedidos de comentários por parte da reportagem.
Os amigos Lourenço e Lima já fizeram outros acordos financeiros no passado. Em 2016, o dono da rede de supermercados chegou a emprestar R$ 6 milhões ao cantor para financiar a gravação de um DVD, conforme relato do próprio artista em entrevista ao podcast André Piunti, em outubro de 2025.
A fortuna de Lourenço é diversificada em vários empreendimentos. Em abril de 2025, ele se tornou sócio majoritário do clube de futebol Cruzeiro, adquirido por ele por cerca de R$ 600 milhões. O antigo dono era o ex-jogador Ronaldo “Fenômeno”, que também tinha ligações com Vorcaro e, em 2024, captou R$ 25 milhões em capital de giro por meio do Fundo Victória, que pertencia ao Banco Master, como revelou a Veja. A Pública procurou Lourenço para comentar sobre o negócio, mas, até o momento, não obteve resposta. Em caso de manifestação, este espaço será atualizado.
O Embaixador dá continuidade ao diálogo e adverte: “temos que andar rápido ou perdemos”. Vorcaro responde “vamos”. Posteriormente, os dois entram em uma chamada de voz durante 2 minutos e 28 segundos e o cantor envia dois arquivos nomeados como “Pedro – taxas atualizadas” e complementa: “Vamos distribuir as maquininhas em cada loja física. 23 bi ano que vem é o movimento”.
A projeção é bem dimensionada. Naquele ano, o faturamento, segundo dados publicados pela própria rede, foi de R$ 21 bilhões. No ano seguinte, R$ 25,72 bilhões. Vorcaro, no entanto, passa 12 dias em silêncio. Àquela altura, o Master já havia adquirido o Will Bank e estava a quatro meses de ser comprado pelo Banco de Brasília (BRB), mas, nos bastidores, as operações de rendimentos ofertadas pela empresa já estavam sob escrutínio.
Em 18 de novembro, Gusttavo Lima insiste com outro arquivo “Pedro – taxas atualizadas”. “Vamos trabalhar, bb. Pelo amor de Deus. Focar”. O ex-banqueiro responde: “Bora. Amanhã alinhamos”. Em áudio, o Embaixador pressiona: “Irmão, essas são as taxas do Super BH. Falei com o pessoal lá e ‘ó, se conseguir cobrir o que for, seja 1%, tá fechado com a gente’. Deve passar uns 20 bi no próximo ano e a gente tem que definir pra ontem”. O Embaixador volta a cobrar no dia seguinte: “meio [de] pagamento. Bora explodir ele. Super BH”.
Lima e Vorcaro trocaram mensagens até uma semana antes do banqueiro ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025. Nas mensagens, não há confirmação de que o acordo tenha avançado e saído do papel.
Mesmo se definindo como neutro, Gusttavo Lima é alinhado a políticos de extrema direita. Em 2018, defendeu publicamente a posse e o porte de armas de fogo para cidadãos e ainda frisou ser a favor da revogação do estatuto do desarmamento. Em outubro de 2022, durante um show em Miami (EUA), declarou apoio à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. O cantor também declarou ter entre seus ídolos o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em 22 de agosto deste ano.
Nikolas Ferreira encontrou Gusttavo Lima nos bastidores da Festa do Peão de Barretos
Ficha Limpa*
Os diálogos entre Daniel Vorcaro e Gusttavo Lima, mantidos entre os anos de 2024 e 2025, não explicitam qual seria a sua parcela de ganhos na negociação, nem o nome da empresa de máquinas de cartão de crédito envolvida na transação. Todavia, as investigações da PF e do BC associam Daniel Vorcaro à fintech Entrepay, liquidada extrajudicialmente pelo BC junto às empresas Acqio e Octa, todas do Grupo Entre, em 27 de março de 2026 – mostrou o Estadão em reportagem publicada no mesmo dia da liquidação.
A PF segue o rastro dos pagamentos do Grupo Entre, que, segundo os investigadores, teria sido o responsável por repassar parte dos R$ 61 milhões solicitados a Vorcaro pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para o financiamento do filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, ainda não lançada. A informação foi publicada pelo Intercept, em 9 de junho deste ano.
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do conglomerado, bem como por infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco seus credores”, anunciou o BC à época.
Segundo o Estadão, em março deste ano, o fundador do Grupo Entre, Antônio Carlos Freixo Júnior, seria como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado Entre em benefício de Daniel Vorcaro. Conhecido como “Mineiro”, Freixo foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master numa teia relacional com empresários e agentes públicos. Procurado, o Grupo Entre não respondeu aos questionamentos da Pública.
Antônio Carlos Freixo assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-geral da República (PGR) em 8 de agosto deste ano, revelou o G1. A reportagem, publicada em 3 de setembro, revela que “Mineiro” afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão para o ex-banqueiro, entre 2020 e 2025. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, homologou a delação em 9 de setembro e o processo está sob sigilo.
Os diálogos entre o cantor e o ex-dono do Master também mostram que, entre julho de 2024 e março de 2025, Gusttavo Lima tentou negociações com Vorcaro envolvendo o Will Bank, controlado pelo Master e que teve a liquidação decretada em 21 de janeiro de 2026. As operações ilegais, no entanto, já eram apontadas pela Justiça Brasileira meses antes da tentativa de negócio, segundo reportagem do ICL Notícias. Entre as práticas fraudulentas identificadas pela PF, o banco digital teria usado o dinheiro depositado pelos clientes para adquirir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) dentro da própria estrutura financeira, sem a autorização dos clientes, para inflar artificialmente os números da instituição.
Cantor sertanejo anunciou a vontade de se candidatar à Presidência da República em janeiro de 2025
Apelido Carinhoso*
Em 4 de janeiro de 2025, Gusttavo Lima enviou a Vorcaro o print de uma enquete online com a participação de mais de 52 mil internautas. Nela, 52% dos participantes responderam que votariam no artista numa possível candidatura ao Planalto. Dois dias antes, o cantor sertanejo anunciou a vontade de se candidatar à Presidência da República.
“Você é foda. Que loucura. Vou ser seu ministro da Fazenda rsrs”, reagiu com empolgação o banqueiro com quem o cantor manteve contato até uma semana antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025.
Os planos de presidência foram deixados de lado em 19 de março de 2025, quando Lima recuou e anunciou, por meio das redes sociais, ter desistido da corrida eleitoral. “Peço a todos que respeitem a minha opinião, minha posição e a minha imparcialidade”, resumiu, preferindo se manter apenas como “Embaixador”.
A proximidade entre os dois é expressa nas mensagens de 28 de outubro de 2024, quando o empresário destacou: “Saudades de ti. Vamos [nos] encontrar para avançar nos temas”. O cantor, por sua vez, respondeu com um áudio de 9 segundos: “Uai, urgente, bebê. Cheguei, tô no Brasil, cheguei hoje. Saudades, cara. Tá doido?! Vai me matar de saudade”.
A parceria entre os dois também se traduz em apoios que não ficam explícitos no conteúdo revelado pelos diálogos de WhatsApp. Em 9 de setembro de 2024, uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, mostrou que a Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões, além do sequestro de imóveis e embarcações, da empresa Balada Eventos, pertencente a Gusttavo Lima. O empreendimento era investigado pela Polícia Civil de Pernambuco por suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro proveniente de jogos de azar.
No dia seguinte, Lima buscou contato com Vorcaro: “mano, tá ae ?!”. O ex-banqueiro respondeu: “fala, irmão”. Em seguida, Gusttavo Lima agradece: “obrigado pelo apoio”. A conversa se encerra com Vorcaro reforçando a cumplicidade: “estamos juntos sempre! Bora pra guerra”.
A Pública procurou a defesa de Daniel Vorcaro para entender por qual empresa ele pretenderia assumir o contrato proposto por Gusttavo Lima e a natureza da relação dos dois, mas até o momento, não obteve resposta. Se houver manifestação, este espaço será atualizado.
Gusttavo Lima e você*
O cantor Gusttavo Lima foi procurado antes mesmo de fazer sua declaração de apoio pública a Flávio Bolsonaro, por email, por meio de sua assessoria de imprensa, mas preferiu não se manifestar sobre sua relação com Daniel Vorcaro até a publicação desta reportagem. Este espaço será atualizado tão logo o artista deseje se manifestar.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (21) que o Estado Democrático de Direito exige “lealdade às regras do jogo, inclusive por parte de quem perde”.
O ministro discursou na abertura de um seminário realizado no STF sobre o papel dos tribunais constitucionais. Em sua fala, Fachin acrescentou que a democracia depende do respeito às decisões judiciais bem fundamentadas, embora com frequência, em tempos de polarização política, elas sejam “reduzidas e instrumentalizadas por slogans”.
Fachin deu as declarações a quatro dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo (25).
Ele destacou que as democracias contemporâneas raramente são desfeitas por golpes abruptos, mas são corroídas por dentro, muitas vezes com aparência de legalidade: “pela captura gradual das instituições, pelo enfraquecimento dos controles, pela erosão da confiança pública”.
O presidente do STF disse ainda que “a consolidação democrática nunca é um ponto de chegada que, uma vez ultrapassado, está definitivamente conquistado; é uma tarefa permanente, que depende de instituições capazes de resistir e de uma cidadania disposta a defendê-las”.
O discurso do ministro foi proferido em meio a uma crise institucional sem precedentes no STF, com embates e acusações entre ministros envolvendo o caso do Banco Master, em que se apura fraudes financeiras bilionárias e a corrupção de agentes públicos.
A crise no STF acabou entrando na pauta das campanhas presidenciais, levando os principais candidatos a proporem reformas no Poder Judiciário.
Com o discurso de que é preciso mudar o Brasil para mudar o Nordeste, a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, fez nesta quarta-feira (21), no Recife, um chamado direto pelo voto em Flávio Bolsonaro. O apelo veio na passagem da Caravana Muda Brasil pela capital pernambucana, a quatro dias do segundo turno.
“A gente precisa mudar o Brasil para a gente mudar o Nordeste. Tá na hora dessa virada. Vamos eleger Flávio Bolsonaro”, convoca a senadora.
Organizado pela FPA no Mar Hotel Conventions, o encontro reuniu lideranças políticas e representantes dos setores produtivos em apoio à candidatura de Flávio à Presidência da República.
Participaram do ato os deputados Clarissa Tércio, Anderson Ferreira, André Ferreira, Renato Antunes, Gilson Machado Filho, Coronel Meira e Alberto Feitosa, os ex-ministros do Turismo Carlos Brito e Gilson Machado Neto e o ex-candidato ao Senado Carlos Sant’Anna, além de representantes do Sindaçúcar e dos setores de turismo e agências de viagem.
Agenda econômica
No campo econômico, Tereza Cristina defende a redução da burocracia e a melhoria do ambiente de negócios como caminho para estimular investimentos e a produção. Ela propõe ainda rever a reforma tributária depois das eleições e avisa que o texto não deve entrar em vigor como está.
A senadora cobra mais qualidade no gasto público e regras que favoreçam quem empreende. Ela aponta as reservas de minerais críticos e a fruticultura nordestina como apostas de expansão para a produção regional.
“O Nordeste tá pronto para crescer, só precisa ser priorizado”, diz.
Contas públicas
Presidente da FPA, o deputado federal Pedro Lupion alerta para os efeitos do desequilíbrio das contas públicas sobre a economia, com reflexos nos juros, no crédito e na capacidade de produção.
“Os juros estão altos, a inflação crescente, o dinheiro tá caro, o crédito não existe, produzir fica praticamente impossível”, afirma o parlamentar.
Lupion destaca ainda a importância do agronegócio para a geração de empregos e para a balança comercial brasileira, e aponta as dificuldades de acesso ao crédito e ao seguro rural. O segundo turno acontece no domingo (25).
A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, chama de bravata eleitoreira o desafio de Lula a Flávio Bolsonaro para que o candidato abra o sigilo bancário e do celular. A crítica foi feita nesta quarta-feira (21), no Recife, durante a Caravana Muda Brasil, que reúne aliados de Flávio na reta final da campanha.
Promovida pela FPA, presidida pelo deputado Pedro Lupion, a caravana passa por cinco capitais entre os dias 20 e 22 de outubro. Além do Recife, a programação inclui Belo Horizonte, São Luís, Porto Alegre e São Paulo. O convite é dirigido a produtores rurais, empresários, industriais, comerciantes e a toda a sociedade civil.
Sigilo bancário
A senadora avalia que a provocação do presidente Lula faz parte de uma estratégia de comunicação de última hora, que enxerga uma guerra de informação e de narrativas numa eleição muito acirrada.
"Eu acho que é um desafio eleitoreiro, marqueteiro, como tudo que ele (Lula) tem feito. É desespero de última hora. Olha só as fake news que estão colocando, que as pessoas não vão ter Bolsa Família. Isso é uma mentira deslavada. Então, é uma guerra de informação, de narrativas, porque é uma eleição muito acirrada. É o se colar colou, joga tudo aí, engana o povo. O sigilo é aberto pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, então isso é uma bravata do presidente Lula. É igual a ele pedir que eu entregue o celular, se ele não tem celular. E outra coisa, dinheiro de propina não está na conta, dinheiro de propina vem por fora. Por isso, é uma bravata eleitoreira novamente”, critica Tereza Cristina.
Em entrevista à imprensa após o evento, a senadora rebateu as informações de que os beneficiários perderiam o Bolsa Família, que classifica como mentira deslavada.
Escala 6x1
Tereza Cristina também considera eleitoreiras as PECs defendidas pelo governo Lula, por causa do momento em que foram votadas. Ela votou a favor do fim da escala 6x1, mas critica a forma como a proposta foi conduzida.
"Elas foram eleitoreiras, pelo momento em que foram votadas. A escala 6×1 acabei votando a favor porque não sou contra. O que está errado é a forma e o açodamento para votar, porque nós temos um Brasil enorme, um continente, nós temos os mais diversos segmentos produtivos que trabalham com escalas diferentes. Como é que a gente coloca isso na Constituição?", diz.
"Ninguém é contra dar o descanso merecido para o trabalhador, agora tem segmentos e segmentos. A lei tem que ser boa para todos ou a melhor para a grande maioria da população. Aliás, quero dizer que o relator da lei, o senador Omar Aziz, que está concorrendo ao governo do Amazonas, acabou de ler o relatório dele, quando veio a aprovação e ele falou: ‘Mas agora nós temos que correr nos próximos 60 dias para poder fazer os ajustes de regulamentação para os setores que ficarão prejudicados’. Então, para que votar a lei, se a gente sabe que ela não atendeu a tudo?”, complementa a senadora.
A Caravana Muda Brasil segue nesta quinta-feira (22) para São Paulo, às 10h, onde encerra a programação.
A rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, caiu seis pontos percentuais em uma semana, de 53% para 47%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). O senador Flávio Bolsonaro (PL) continua com o maior índice de rejeição entre os dois candidatos ao segundo turno presidencial, com 52% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de jeito nenhum.
Na pesquisa anterior, divulgada em 14 de outubro, Flávio registrava rejeição de 54%, um ponto acima dos 53% de Lula. Com o novo levantamento, a diferença numérica entre os dois candidatos aumentou para cinco pontos percentuais, já que o índice do senador oscilou dois pontos para baixo, enquanto o do presidente recuou seis.
Os resultados mostram ainda que Lula passou a registrar rejeição inferior à metade dos entrevistados, enquanto Flávio permanece acima dos 50%. Na semana passada, ambos superavam esse patamar.
A rejeição é um dos indicadores utilizados pelas pesquisas eleitorais para medir a resistência dos entrevistados aos candidatos. Diferentemente da intenção de voto, o índice identifica a parcela do eleitorado que declara não votar em determinado nome, independentemente de sua preferência na disputa.
Apesar da diferença entre os índices de rejeição, Lula e Flávio Bolsonaro continuam tecnicamente empatados nas intenções de voto para o segundo turno, marcado para o próximo domingo (25).
Na pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio aparece com 45%, enquanto Lula registra 44%. Em relação à semana passada, o senador oscilou um ponto para baixo, e o presidente permaneceu com o mesmo percentual.
Outros 9% afirmam que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas, enquanto 2% se declaram indecisos.
A Quaest também investigou o grau de definição do voto dos entrevistados. Segundo o levantamento, 90% afirmam que sua escolha para o segundo turno é definitiva, enquanto 10% admitem que ainda podem mudar de candidato.
Entre os eleitores de Lula, 90% consideram a decisão definitiva e 9% dizem que podem mudar. No eleitorado de Flávio Bolsonaro, os percentuais são de 93% e 7%, respectivamente.
Encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, o levantamento Quaest ouviu 2.154 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de outubro.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08535/2026.
O levantamento é o primeiro divulgado pela Quaest após o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro realizado pela Band no último domingo (18).
A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 46%, enquanto a desaprovação ficou em 47%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). Os dois indicadores estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em comparação com a rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, a aprovação oscilou um ponto percentual para cima, passando de 45% para 46%. Já a desaprovação registrou movimento inverso, de 48% para 47%.
O percentual de entrevistados que não souberam ou não quiseram responder permaneceu em 7%.
O levantamento foi realizado durante a reta final do segundo turno presidencial, marcado para o próximo domingo (25), quando Lula disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na mesma pesquisa, o presidente aparece com 44% das intenções de voto, contra 45% do adversário. A diferença de um ponto percentual configura empate técnico.
A Quaest entrevistou 2.154 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de outubro. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08535/2026.
Entre os eleitores que afirmam não ter comparecido às urnas ou ter votado em branco ou nulo no primeiro turno da eleição presidencial, 40% declaram intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo domingo (25), enquanto 36% pretendem escolher o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os dados são da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21).
A diferença entre os candidatos nesse segmento é de quatro pontos percentuais, inferior à margem de erro de seis pontos percentuais do recorte, para mais ou para menos.
Na comparação com o levantamento anterior, divulgado em 14 de outubro, a intenção de voto em Lula passou de 43% para 40%, enquanto a de Flávio Bolsonaro foi de 38% para 36%.
Ao mesmo tempo, aumentou a parcela de entrevistados que pretendem repetir o comportamento do primeiro turno. O percentual dos que declaram que não irão votar ou escolherão branco ou nulo subiu de 17% para 21%. Os indecisos passaram de 2% para 3%.
A disputa por esse segmento ganha relevância diante do número de brasileiros que deixaram de participar da primeira etapa da eleição. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no dia 4 de outubro, o equivalente a 21,08% do eleitorado.
Além disso, foram registrados cerca de 2,3 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos na disputa presidencial.
Encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa ouviu 2.154 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro na Justiça Eleitoral é BR-08535/2026.
O medo do retorno da família Bolsonaro ao poder superou numericamente o temor à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela primeira vez desde agosto, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). O levantamento mostra que 44% dos entrevistados dizem temer mais a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto 42% apontam a permanência de Lula na Presidência como maior receio.
Os percentuais estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Na rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, os dois indicadores estavam empatados numericamente, com 43% cada um. O novo levantamento mostra, portanto, uma oscilação de um ponto para cima no receio da volta dos Bolsonaro e de um ponto para baixo no temor à reeleição de Lula.
A última vez que o medo de um novo governo bolsonarista havia aparecido numericamente à frente foi em 14 de agosto, quando o indicador registrou 45%, contra 41% de entrevistados que temiam mais a permanência de Lula no Palácio do Planalto.
Diferença entre beneficiários do Bolsa Família
O levantamento também identificou diferenças na percepção dos entrevistados de acordo com o recebimento do Bolsa Família.
Entre os beneficiários do programa social, 63% afirmam ter mais medo do retorno da família Bolsonaro ao poder, cinco pontos percentuais acima do registrado na semana passada, quando o índice era de 58%.
Nesse mesmo grupo, o percentual de entrevistados que temem mais a reeleição de Lula caiu de 29% para 23%.
Entre os não beneficiários, o cenário é inverso. O temor à permanência do presidente no cargo atinge 46%, enquanto 39% afirmam ter mais medo da eleição de Flávio Bolsonaro.
O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo. Foram entrevistados 2.154 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Nos recortes por grupos, a margem de erro é maior.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08535/2026.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou, nesta quarta-feira (21), que deseja disputar a presidência do Senado Federale que, caso seja eleita para comandar a Casa, não terá receio de abrir investigações contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, a ex-ministra da Agricultura também criticou o engavetamento de pedidos de impeachment de magistrados e defendeu mudanças no funcionamento do Senado.
“Eu tenho um sonho, todo mundo tem o direito de sonhar, de ser presidente do Senado”, declarou a parlamentar, ao ser questionada sobre as articulações para a escolha do próximo presidente da Casa, prevista para fevereiro de 2027. Tereza afirmou que gostaria de se tornar a primeira mulher a ocupar o posto, mas reconheceu que uma eventual candidatura depende de negociações entre os partidos.
Investigações contra ministros do STF
Questionada sobre a possibilidade de pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, Tereza Cristina defendeu que o Senado cumpra seu papel constitucional de analisar as representações apresentadas contra integrantes da Corte.
“Eu acho que o impeachment é uma consequência. Agora, você abrir uma investigação é um dever do Senado Federal. Isso é uma missão que está posta na Constituição para os senadores”, afirmou.
A senadora criticou a falta de andamento de pedidos de impeachment que chegam à presidência do Senado. Segundo ela, a existência de representações contra integrantes do Supremo exige que a Casa examine as denúncias, sem que isso signifique necessariamente a destituição dos magistrados.
“Eu não terei medo de fazer o que é preciso fazer”, disse. Tereza ressaltou, no entanto, que a atuação do Senado não deve se limitar às discussões sobre o STF e que uma eventual decisão sobre impeachment precisa ser submetida à votação dos parlamentares.
“Não dá é para fazer como nós estamos fazendo, abre o pedido de impeachment, tem o número de assinaturas e isso não sai da gaveta da mesa diretora. Este é o problema que eu sinto que o Senado tem hoje”, criticou.
A parlamentar também defendeu uma revisão do Regimento Interno do Senado, por considerar excessiva a concentração de atribuições nas mãos do presidente da Casa.
“O presidente hoje tem muito poder. E isso eu acho que é ruim para a Casa e é ruim para a democracia, é ruim para os três Poderes, que precisam cada um voltar a atuar dentro daquilo que é sua missão”, avaliou.
Disputa pela presidência do Senado
Ao comentar a sucessão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Tereza Cristina reconheceu que o cenário para a eleição interna dependerá também do resultado do segundo turno presidencial, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A senadora mencionou o nome de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio e também apontado como possível candidato ao comando do Senado, além do próprio Alcolumbre, que poderá buscar um novo mandato à frente da Casa.
“Eu acho que isso é uma construção, nós vamos conversar daqui para frente”, afirmou. Segundo Tereza, a chegada de uma bancada mais à direita ao Senado deve influenciar as negociações e ampliar a pressão por uma atuação mais incisiva em relação ao Supremo.
“Essa é uma discussão que vai acontecer agora, depois da eleição. Se ganhar Flávio é uma situação, se ganhar Lula é outra situação, mas que vai ser discutido”, declarou.
Tereza também afirmou que pretende encerrar a carreira política ao final de seu atual mandato, em 2031, e apontou a possibilidade de presidir o Senado como uma realização pessoal antes de deixar a vida pública.
Fim da reeleição
Na entrevista, Tereza Cristina também defendeu o fim da reeleição para cargos do Poder Executivo e afirmou que, caso assuma a presidência do Senado, pretende dar andamento às propostas que tratam do tema.
“Eu sou contra a reeleição, mas contra mesmo. Acho que a reeleição foi o grande mal desse país”, declarou.
Na avaliação da senadora, a possibilidade de disputar um segundo mandato faz com que presidentes, governadores e prefeitos passem a orientar decisões administrativas pela perspectiva eleitoral, prejudicando a continuidade das políticas públicas.
Tereza defendeu a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada por Flávio Bolsonaro que busca impedir a reeleição consecutiva para a Presidência da República. A PEC 4/2026, da qual a própria senadora é uma das signatárias, tramita no Senado e aguarda despacho desde março.
A parlamentar afirmou que o Congresso precisa chegar a um consenso sobre o tema, inclusive em relação à duração dos mandatos e à possibilidade de unificação das datas das eleições. Para ela, o fim da reeleição poderia avançar inicialmente apenas para os cargos do Executivo, caso não haja acordo sobre mudanças mais amplas no sistema político.
“Eu acho que precisa ter um consenso e eu vejo isso, tudo, você tem que lembrar que tem um amadurecimento. Eu acho que esse tema amadureceu no Congresso”, avaliou.
Tereza também defendeu que o Congresso discuta a proposta antes da posse do próximo presidente, para que as novas regras possam valer já para o governo eleito em 2026. Segundo a senadora, a mudança evitaria que o ocupante do cargo passe parte de seu mandato preocupado com a disputa eleitoral seguinte.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 45% das intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma 44%. Os dados são de uma pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), que aponta uma disputa tecnicamente empatada entre os dois candidatos.
A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre os entrevistados, 5% disseram que pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 2% ainda estão indecisos.
Na comparação com a pesquisa anterior do instituto, divulgada em 14 de outubro, Flávio Bolsonaro apresentou uma oscilação de um ponto percentual para baixo. Na ocasião, o senador registrava 46% das intenções de voto. Lula, por sua vez, permaneceu com os mesmos 44% identificados no levantamento anterior.
Levantamento foi realizado após debate na TV Band
A pesquisa divulgada nesta quarta-feira é a primeira da Quaest sobre a disputa de segundo turno após o debate entre Flávio Bolsonaro e Lula, realizado pela TV Band no domingo (18). O levantamento permite observar o cenário eleitoral após o encontro entre os dois candidatos.
Encomendado pelo Grupo Globo, o estudo ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de outubro. As entrevistas foram realizadas presencialmente nos domicílios dos participantes.
O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.
Na paisagem rural da comunidade maranhense de Ludovico, cidade de Lago do Junco a 300 quilômetros de São Luís, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, caminhou 600 metros para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
Para conscientizar outras idosas sobre a importância de votar, no entanto, ela percorre distâncias bem maiores. Na prática, ela faz uma busca ativa para que outras trabalhadoras e avós, como ela, não deixem de exercer o direito ao voto.
O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, o que corresponde a 10,6% dos eleitores. Essa população tem voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988 e histórico de alta abstenção.
Na comunidade em que Maria Alaídes vive, são 150 famílias, mas ela se preocupa com outras cinco comunidades da região: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.
“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.
Como liderança de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela defende que é pela participação popular que se conquistam direitos e políticas públicas.
A quebradeira de coco Maria Alaídes participa do movimento Voto 70+ - Maria Alaídes Alvas de Souza/ Arquivo pessoal
“O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”.
Entre as prioridades dela está o enfrentamento das mudanças climáticas, que impactam diretamente as atividades das quebradeiras.
A estimativa é de que existam mais de 300 mil trabalhadoras nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Participação popular
Mulheres entusiasmadas com as eleições como Maria Alaídes, mesmo em uma faixa etária em que o voto não é obrigatório, fazem jus à histórica luta pelo sufrágio feminino.
A abstenção de pessoas com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo levantamento do Movimento Voto 70+.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.
No intuito de que essa abstenção caia ainda mais no próximo domingo (25), o movimento apartidário promove a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições.
Uma das mensagens é que, mesmo que a pessoa não tenha votado no primeiro turno, pode participar no segundo, sem nenhuma restrição.
Agora, eu vou
Na cidade de Orizona, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque achou difícil ir às urnas com tantos números para anotar ou lembrar. No último dia 4, o eleitor escolheu deputados, senadores, governadores e presidente.
“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”
Maria Albino Costa não votou no primeiro turno, mas vai comparecer às urnas no próximo domingo (25) - Maria Albino Costa/ Arquivo Pessoal
A aposentada já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica, e diz que não gosta de faltar na eleição porque passou muito tempo sem votar durante a ditadura (1964-1985). Ela também quer ser exemplo para os sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.
A filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família a cursar o ensino superior, e conta que sente muito orgulho da trajetória da mãe. Tanto que costuma citá-la em suas aulas na área rural e na região urbana onde já ouviu manifestações machistas de alunos contra o voto feminino:
“Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço”.
Tive medo
A professora aposentada Maria José Cantarelli já baixou o e-título - Maria José/ Arquivo Pessoal
A professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, que mora em Olinda (PE), também não votou no primeiro turno. Aliás, há 12 anos deixou de participar das eleições.
No entanto, ela conversou em casa com os filhos e com a neta, e chegou à conclusão de que o momento exige abrir uma exceção. Ela se ressente do clima de acirramento emocional nas ruas.
“Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”, lembra.
Ela guardou o título eleitoral no armário e não encontrou mais. No entanto, já baixou o aplicativo e-título para votar no dia 25.
Maria José disse que guardou, durante toda a vida, os comprovantes eleitorais e que vai voltar a tê-los na carteira. A neta, que também é Maria, tem 19 anos e ficou feliz com a decisão da avó.
Voto por direitos
Inspirações para essas avós não faltam, como na casa de Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, que hoje mora na cidade maranhense de Nova Iorque (a 560 quilômetros de São Luís-MA).
Ela diz que o direito à cidadania possibilitou que ela lutasse para que os 10 filhos frequentassem a escola.
“Eu sempre dizia ao meu esposo que eles iam estudar. Eu não estudei porque não tive oportunidade. Mas meus filhos, sim. Por isso é muito importante votar”.
Ela espera que a eleição garanta representantes que não deixem faltar remédio ou alimentos para crianças ou idosos.
Dificuldades
No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, espera que não passe pela dor de cabeça que teve no primeiro turno, quando enfrentou filas longas: “demorou um tempo para começarem a chamar os mais idosos”.
Também não foi fácil para a aposentada paulista Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo. Ela precisou subir escadas em seu local de votação.
Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que pessoas idosas tenham atendimento prioritário nos locais de votação, sem necessidade de aguardar na fila comum.
Beatriz contou com a ajuda do filho para chegar à sala de aula e à urna. Para escolher seus candidatos, levou em conta a postura em relação aos temas de saúde e educação.
"Não adianta ser eleito e ficar sentado lá. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população".
Memórias
Suely Mendonça tem orgulho em participar das eleições - Fernando Frazão/Agência Brasil
No dia 25, as pessoas idosas também levarão a memória da importância de votar. Inclusive porque não puderam escolher o presidente por mais de duas décadas.
A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, diz que se emociona ao caminhar até a seção de votação:
“É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.
Ela recorda que os professores não podiam mencionar as letras de música e que os filmes e as peças de teatro eram censuradas.
“Eu participei das Diretas Já, o pontapé inicial da redemocratização. Eu nunca associei meu voto a um partido. Eu escolhia o candidato pelos compromissos assumidos com a gente e os que tinha lutado contra o regime ditatorial”.