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Anea eleva estimativa para a safra de algodão do Brasil em 2026/27

A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) revisou para cima a ​safra de algodão do Brasil colhida ​neste ano e também elevou a projeção para a temporada 2026/27, citando uma possível janela favorável ao plantio no maior exportador global da pluma, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Grande parte do algodão cultivado no Brasil é plantado na segunda safra, notadamente em Mato Grosso, após a colheita da soja. Uma semeadura acelerada ⁠da oleaginosa no principal Estado ​produtor do país traz um cenário favorável.

A estimativa de produção ​em 2026/27 foi ampliada em 5,9% em relação à previsão de agosto, ⁠para 4,267 milhões de toneladas. O volume ⁠ficaria próximo das 4,271 milhões de toneladas do ciclo anterior, ​cuja ‌estimativa da Anea subiu 2,2% ante o volume previsto em agosto.

“A revisão (de ⁠2026/27) considera a janela favorável de plantio da soja e as indicações dos produtores sobre as projeções para o próximo ciclo”, disse o presidente da Anea, Dawid ‌Wajs, ⁠ponderando em nota ‌que a entidade acompanha os riscos climáticos, especialmente aqueles relacionados ao El Niño.

Com duas safras consecutivas em patamares recordes acima de 4,2 milhões de toneladas, o ⁠Brasil deverá manter volumes expressivos na exportação, ⁠já que a demanda está firme, disse Wajs.

“A gente acredita que ainda o Brasil deve ‌bater recorde de exportação no combinado de segundo semestre do ano 2026 com o primeiro semestre do ano 2027, porque temos safra consideravelmente grande e esse algodão tem que sair”, disse.

Os embarques no segundo semestre deste ano ‌são estimados em cerca de 1,6 milhão de toneladas, enquanto no primeiro semestre do ano que vem são vistos em 1,8 milhão de toneladas, ⁠segundo a Anea, que debateu os números em reunião do Comitê de Oferta e Demanda da entidade na terça-feira.

O presidente da Anea disse que o setor ​tem visto “crescimento muito relevante” no terceiro trimestre nas exportações de países como Índia, Bangladesh, ​Turquia e Vietnã.

Com a produção elevada, a Anea também revisou os estoques de passagem em dezembro de 2026 para 3,038 milhões de toneladas, ante 2,914 milhões na previsão anterior.

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Brasil quer ampliar exportação de filés congelados de tilápia

A piscicultura brasileira quer ampliar presença no mercado internacional com a expansão das exportações de filés congelados de tilápia.

O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de tilápia e ultrapassou, em 2025, a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, segundo dados citados pelo setor.

Apesar do avanço da produção, a participação brasileira nas exportações ainda é considerada pequena diante do potencial da atividade.

Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe-BR (Associação Brasileira da Piscicultura),o crescimento do consumo doméstico nos últimos anos levou a indústria a concentrar esforços no mercado interno, mas ao longo deste ano as empresas começaram a direcionar maior atenção às oportunidades no exterior.

Filés congelados ampliam possibilidades de mercado

Os Estados Unidos e o Canadá estão entre os principais destinos da tilápia brasileira, especialmente na forma de filé fresco. Nesse segmento, o país conquistou espaço com a qualidade do produto, a eficiência logística e os preços competitivos.

Agora, o setor pretende avançar no comércio internacional de filés congelados, formato que pode ampliar as possibilidades de distribuição e acesso a novos compradores.

“Estamos entrando em uma nova fase, voltada ao mercado internacional de filés congelados. Temos capacidade produtiva, tecnologia e escala, mas precisamos avançar na adequação dos protocolos de produção e processamento às exigências dos diferentes compradores”, afirma Medeiros.

Entre as vantagens competitivas do Brasil estão a disponibilidade de grãos utilizados na fabricação de rações, as condições climáticas favoráveis e a experiência do agronegócio nacional na produção de proteínas animais.

De acordo com Medeiros, o Brasil já conta com frigoríficos altamente automatizados e empresas que investem na modernização das operações. O desafio é converter essa estrutura em maior participação no comércio internacional.

Apesar do potencial de crescimento, o setor ainda enfrenta alguns obstáculos, como os custos logísticos, as exigências sanitárias e a necessidade de adequação dos processos industriais às regras dos países compradores.

Medeiros também aponta a complexidade do ambiente regulatório brasileiro e os custos associados ao licenciamento como fatores que dificultam o desenvolvimento da atividade.

“A piscicultura é uma atividade relativamente jovem no Brasil e ainda passa por um processo de amadurecimento”, afirma o executivo, ao destacar a necessidade de melhorar as condições para investimentos e ganhos de eficiência.

Para a entidade, a combinação entre capacidade produtiva, tecnologia e profissionalização cria condições para ampliar a presença brasileira no mercado global. “A expansão das vendas externas, porém, dependerá também de avanços regulatórios e da adaptação às exigências dos compradores internacionais, diz.

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Empresa estatal do Egito volta ao mercado e compra cargas de trigo

A Future of Egypt, ​empresa estatal egípcia responsável pela compra de grãos, adquiriu cerca de cinco cargas de trigo nesta semana, em uma de suas primeiras importações conhecidas nos últimos meses, segundo informaram seis fontes do setor à Reuters, à medida que as ⁠interrupções nas exportações do ​Mar Negro reduzem a oferta.

O trigo foi ​adquirido por meio de negociações privadas, e não por licitação. ⁠A origem das cargas ainda ⁠não está clara, mas quatro operadores afirmaram ​que ‌elas devem vir da Europa, incluindo França e Romênia.

A ⁠compra marca um retorno ao mercado para a empresa estatal egípcia, que permaneceu praticamente à margem nos últimos meses em meio ‌às ⁠interrupções no ‌abastecimento causadas pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

O Egito comprou uma quantidade recorde de trigo de produtores ⁠locais este ano, enquanto as ⁠autoridades afirmaram que as reservas estratégicas eram suficientes para cobrir as necessidades ‌domésticas por vários meses.

A Rússia e a Ucrânia atenderam mais de 82% das importações de trigo do Egito no primeiro semestre de 2026. Contudo, ataques recíprocos a portos, ‌terminais de exportação e navios comerciais forçaram os transportadores a adiar ou cancelar cargas, levando os importadores a ⁠buscar fontes alternativas de abastecimento.

A interrupção também forçou alguns exportadores russos a redirecionar cargas por portos do Báltico, embora ​os comerciantes afirmem que as rotas alternativas tenham capacidade muito ​menor do que a do Mar Negro.

Os comerciantes afirmaram que o comprador estatal tem se mostrado mais ativo recentemente na solicitação de indicações de ‌preços e ofertas.

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Soja acumula oito sessões de perdas em Chicago com avanço da safra nos EUA

O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou a sessão desta quarta-feira (21) com queda de 0,24% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 12,45 por bushel. Segundo a Granar, a oleaginosa completou o oitavo pregão consecutivo de perdas, pressionada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos.

As condições climáticas secas em grande parte do Meio-Oeste americano favorecem os trabalhos no campo, com previsão de continuidade desse cenário por pelo menos sete dias. O ritmo acelerado da colheita amplia a entrada da nova safra no mercado e contribui para pressionar os preços.

As cotações também não reagiram às novas vendas de soja americana da safra 2026/2027 confirmadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Nesta quarta-feira, o órgão informou negócios de 134 mil toneladas para a China e 165 mil toneladas para a Espanha.

As operações se somam às vendas anunciadas entre segunda e terça-feira, que totalizaram 726 mil toneladas para a China e 261 mil toneladas para destinos não identificados.

No Brasil, o plantio da safra de soja avança em ritmo relativamente normal, ligeiramente acima do registrado no ano passado e da média dos últimos cinco anos. De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a semeadura alcançou 30,1% da área prevista até terça-feira, ante 21,4% no mesmo período de 2025 e média histórica de 26,4%.

Apesar do avanço dos trabalhos, a necessidade de chuvas permanece concentrada em regiões do Centro-Oeste e do Sul do país, onde a disponibilidade de umidade é importante para o desenvolvimento das lavouras.

Milho 

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão com valorização de 0,27% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,63 por bushel.

Segundo a Granar, a alta interrompeu uma sequência de seis sessões consecutivas de perdas. O movimento foi favorecido por operações de hedge dos investidores, após a recente liquidação de contratos, e pela possibilidade de ampliação das exportações americanas para a União Europeia.

Apesar da recuperação, os ganhos foram limitados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que caminha para se tornar a segunda maior da história do país. As condições climáticas secas no cinturão produtor de milho e soja favorecem os trabalhos no campo e aceleram a entrada de novos grãos no mercado, ampliando a oferta e pressionando os preços.

Trigo

O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda de 2,33% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 6,25 por bushel.

Segundo a Granar, os preços do cereal voltaram a recuar nos mercados americanos, pressionados pela intensificação da liquidação de contratos por fundos de investimento. O movimento contribuiu para a sétima semana consecutiva de perdas para o trigo.

Entre os fatores que influenciam as cotações está o início da colheita no Hemisfério Sul, que deve ampliar a oferta global e abrir novas possibilidades de abastecimento para os importadores. A disponibilidade adicional pode favorecer compradores que buscam alternativas aos embarques prejudicados pela turbulência na região do Mar Negro.

A retomada das negociações diplomáticas em busca de uma solução para a guerra entre Rússia e Ucrânia também contribui para o movimento de baixa, diante das possíveis mudanças nas perspectivas de oferta e comercialização do cereal na região.

Restos de doces viram etanol: empresa cria alternativa à cana e milho

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Café arábica avança em Nova York com estoques próximos da mínima histórica

Os contratos futuros do café arábica fecharam em alta na sessão desta quarta-feira (21) bolsa de Nova York. O vencimento para dezembro avançou 1,56%, cotado a US$ 3,16 por libra-peso, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior.

Segundo a Barchart, a valorização reverteu grande parte da queda de 1,39% observada na terça-feira, quando o mercado foi pressionado pela informação de que quase 28 mil sacas de café arábica aguardavam classificação na bolsa internacional, o maior volume em mais de um mês.

Apesar desse aumento na fila de classificação, os estoques certificados de arábica na ICE recuaram para 234.901 sacas na terça-feira, o menor patamar em cinco semanas. O volume permanece próximo da mínima de 27 anos, de 217.646 sacas, registrada em 15 de setembro.

Cacau

O contrato futuro do cacau para entrega em dezembro encerrou o pregão com alta de 0,72%, cotado a US$ 5.843 por tonelada.

Segundo o Barchart, os preços da commodity avançaram pela terceira sessão consecutiva nesta sessão, diante de sinais de redução da oferta na Costa do Marfim. Dados do governo do país mostram que os produtores entregaram 78.212 toneladas de cacau aos portos entre 1º e 18 de outubro, volume 41% inferior às 133.209 toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

Os indicadores de demanda, por sua vez, apresentaram resultados distintos entre as principais regiões consumidoras. Na América do Norte, a moagem de cacau recuou 2,5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, para 109.978 toneladas, segundo a Associação Nacional de Confeiteiros.

Na Ásia, a moagem avançou 29% na comparação anual, para 233.767 toneladas, de acordo com a Associação de Cacau da Ásia. O crescimento superou a expectativa de alta de 15% e representou um recorde.

Já na Europa, a moagem aumentou 3,2% no terceiro trimestre, para 348.215 toneladas, conforme dados da Associação Europeia de Cacau. O resultado também surpreendeu o mercado, que esperava uma retração de 3,9% na comparação anual.

Açúcar

O contrato futuro do açúcar para entrega em março fechou o pregão com queda de 0,34% na bolsa de Nova York, cotado a 20,45 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o Barchart, os preços do açúcar recuaram pela quarta sessão consecutiva, pressionados pela liquidação de posições compradas após a commodity atingir a máxima do contrato na quarta-feira passada.

O movimento também reflete o posicionamento dos fundos de investimento. O relatório semanal Compromisso dos analistas, divulgado na última sexta-feira, mostrou que os fundos ampliaram em 16.184 contratos suas posições compradas em açúcar na Bolsa de Nova York na semana encerrada em 13 de outubro. Com isso, a posição líquida comprada chegou a 228.743 contratos, o maior nível em mais de cinco anos, o que aumenta a pressão para realização de lucros.

Além disso, os preços foram pressionados pela decisão do governo da Índia de determinar que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a produção de açúcar, ampliando a oferta do adoçante no mercado.

Suco de Laranja

O contrato futuro do suco de laranja para entrega em janeiro encerrou o pregão na Bolsa de Nova York com queda de 2,42%, cotado a US$ 1,45 por libra-peso.

Algodão

O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou o pregão com valorização de 1,17%, cotado a 81,83 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o Barchart, o mercado Seam registrou a venda de 2.550 fardos na terça-feira (20), a um preço médio de 76,22 centavos de dólar por libra-peso. No mesmo dia, o índice Cotlook A avançou 20 pontos, para 91,15.

Os estoques de algodão certificados pela ICE aumentaram em 2.000 fardos em 20 de outubro, totalizando 18.618 fardos. Já o preço mundial ajustado subiu 80 pontos na semana passada, alcançando 64,61 centavos de dólar por libra-peso.

Consórcio de máquinas agrícolas recua 13,4% no 1º bimestre

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Newcastle: Malásia suspende importações brasileiras e Arábia Saudita de SC

A Malásia se juntou ao México e anunciou a suspensão da importação de carnes, produtos cárneos e miúdos de aves de todo o país, após o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) confirmar um caso da doença de Newcastle em uma granja em Santa Catarina nesta segunda-feira (19).

Segundo a pasta, a Arábia Saudita também notificou o Brasil sobre a suspensão da importação de carne e produtos cárneos de aves provenientes de Santa Catarina.

O ministério reforçou que mantém diálogo com outros parceiros comerciais para assegurar a transparência das informações e avançar em tratativas para a adequação das exportações.

“O Mapa mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas. A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado”, destacou o ministério em nota.

“A situação dos demais mercados segue em monitoramento pelo Ministério, que divulgará novas informações à medida que houver atualizações confirmadas”, complementou.

Outras suspensões

Nesta semana, o México já havia anunciado a suspensão da importação, de todo o território nacional, de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia.

Na mesma data, China e Chile também comunicaram ao ministério a suspensão de produtos provenientes de Santa Catarina.

O país asiático, principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, restringiu os embarques de carne e produtos cárneos de aves.

Já o Chile anunciou que vai suspender a compra de ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves.

Doença de Newcastle

O caso de Newcastle foi identificado durante um programa de vigilância ativa da defesa agropecuária. De acordo com o ministro da Agricultura, André de Paula, a coleta de amostras ocorreu em 21 de setembro. Em 14 de outubro, os resultados indicaram a possibilidade de infecção, o que levou à suspensão das atividades da granja e à realização de novos testes. A confirmação ocorreu em 18 de outubro.

O Ministério da Agricultura iniciou as operações para eliminar o foco da doença. Na propriedade, as autoridades vão sacrificar as aves e realizar a limpeza e a desinfecção das instalações. A retomada da produção dependerá do cumprimento dos protocolos sanitários e da ausência de novos casos.

As medidas de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e outros três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.

As autoridades vão acompanhar a situação durante o período de incubação da doença, estimado em 21 dias. O protocolo prevê dois períodos de 21 dias, totalizando 42 dias de acompanhamento.

O Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso.

 * Sob supervisão de Gabriella Weiss

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CNA defende negociação da regionalização de embargos após caso de Newcastle

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) defendeu a regionalização de embargos como método de contenção e amenização de impactos a cadeia produtiva e reforçou a confiança no sistema de defesa sanitária brasileiro após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina.

Em comunicado técnico divulgado nesta terça-feira (20), a entidade destacou que a identificação ocorreu durante uma investigação epidemiológica e defendeu a adoção de medidas para conter a doença e reduzir os impactos sobre as exportações de produtos avícolas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou o caso em 18 de outubro, após análises de amostras coletadas na propriedade no fim de setembro. A investigação foi conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, e a confirmação laboratorial foi realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido como referência pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal).

Desde a suspeita, a granja está interditada, com a movimentação de animais suspensa. Após a confirmação, as aves serão sacrificadas, e as instalações e os equipamentos passarão por procedimentos de limpeza e desinfecção.

Em 19 de outubro, o Ministério da Agricultura também publicou a Portaria nº 962/2026, que declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, em Santa Catarina.

Exportações de carne de aves

A ocorrência pode afetar o comércio internacional de produtos avícolas brasileiros. Segundo a CNA, o Brasil suspendeu preventivamente as exportações de carne de aves e seus produtos, em um mecanismo de autoembargo previsto nos requisitos sanitários internacionais.

As restrições variam conforme os acordos entre o Brasil e os países importadores. As suspensões podem abranger todo o território nacional, limitar-se ao estado onde o foco foi identificado ou atingir uma área delimitada ao redor da propriedade afetada.

A entidade afirma que o objetivo é demonstrar que o caso é isolado e negociar com os mercados compradores a adoção da regionalização das restrições, para minimizar os efeitos sobre os embarques brasileiros.

Santa Catarina tem peso relevante no comércio exterior do setor. Em 2025, o estado exportou 29,5 mil toneladas de carne de peru, o equivalente a 44,8% do volume total embarcado pelo Brasil. Na carne de frango, ocupou a segunda posição entre os estados exportadores, com 1,20 milhão de toneladas, ou 23,3% do total nacional.

A receita catarinense com as exportações de carne de aves somou US$ 2,1 bilhões em 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados no comunicado.

Vigilância sanitária

A CNA destacou que a identificação do foco por meio da vigilância ativa reforça a capacidade de detecção precoce de doenças em aves domésticas e silvestres.

Foram realizadas 324 investigações de suspeitas de síndrome respiratória desde o início de 2026, tendo como alvos a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Desde 2022, o número acumulado chegou a 5.444 investigações.

As autoridades sanitárias acompanharão o caso durante o período de incubação da doença, de 21 dias. Caso não sejam identificados novos focos, o Brasil poderá recuperar o status de país livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras da OMSA.

Os últimos registros brasileiros citados pela CNA ocorreram em 2006, em aves de subsistência no Amazonas, em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, e em 2024, em uma granja comercial de frangos de corte no Rio Grande do Sul.

Consumo e prevenção

A doença de Newcastle é causada pelo paramixovírus aviário sorotipo 1 e pode afetar diferentes espécies de aves. Entre os sinais clínicos estão sintomas respiratórios, inchaço da cabeça e da face, fraqueza, alterações neurológicas e mortalidade elevada.

Embora seja uma zoonose, a infecção pode causar conjuntivite transitória em humanos. A CNA ressalta, porém, que o consumo de carne, ovos e outros produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial continua seguro e sem contraindicações.

A entidade também orienta os produtores a reforçar as medidas de biosseguridade nas granjas, com controle de visitantes, uso de roupas e calçados exclusivos, limpeza e desinfecção de instalações, equipamentos e veículos, manutenção das telas dos aviários e controle de pragas.

Suspeitas que envolvam sinais respiratórios ou neurológicos, assim como mortalidade elevada e súbita, devem ser comunicadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

A CNA afirmou que o episódio é uma questão de sanidade animal e reiterou a confiança nas autoridades sanitárias, além de destacar o compromisso dos produtores rurais e da agroindústria com a biosseguridade.

Produção e exportações recordes redefinem a pecuária brasileira

 

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Federarroz alerta para risco de apropriação de grãos em contratos

A Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul) alertou para o risco de apropriação de grãos por instituições financeiras em contratos de crédito rural que utilizam a alienação fiduciária da safra como garantia. A entidade orienta os produtores a revisar as condições dos financiamentos antes da assinatura dos documentos.

Em nota, a Federação manifestou preocupação com a substituição da tradicional Cédula Rural Pignoratícia pela Cédula de Crédito Bancário com alienação fiduciária da safra. Segundo o Departamento Jurídico da entidade, a mudança já foi identificada em diversos casos e altera a posição jurídica do agricultor na relação com o agente financeiro.

A principal diferença entre as modalidades, de acordo com a Federarroz, está na garantia oferecida à instituição credora. No modelo tradicional, a produção é vinculada ao financiamento por meio do penhor rural. Já na alienação fiduciária, há transferência da propriedade dos grãos dados em garantia, conforme a interpretação apresentada pela entidade.

A entidade alerta que, em caso de inadimplência, o credor poderá consolidar a propriedade dos grãos em seu nome sem a necessidade de uma ação judicial. O procedimento, segundo a nota, pode ser realizado por meio de registro em Cartório de Títulos e Documentos.

Após a consolidação da propriedade, a instituição financeira poderá vender a produção a terceiros, sem a realização de leilão ou avaliação prévia, conforme a interpretação jurídica exposta pela entidade.

Diante desse cenário, a Federarroz recomenda que os produtores examinem cuidadosamente os contratos de financiamento, sobretudo as cláusulas relativas às garantias e às consequências do eventual descumprimento das obrigações.

A entidade avalia que a adoção da alienação fiduciária modifica de forma significativa os direitos do agricultor sobre a safra vinculada à operação de crédito e reforça a necessidade de atenção às condições estabelecidas pelas instituições financeiras.

A Federação afirma que está à disposição dos produtores para esclarecer dúvidas sobre as modalidades de financiamento e suas implicações jurídicas.

Clima e degradação redesenham o lucro no agro e impulsionam integração

 

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Importação de máquinas agrícolas sobe 42%; vendas internas caem 16%

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil recuaram 15,8% em unidades de janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A retração chega a 39,4% no segmento de colheitadeiras, enquanto as importações de máquinas agrícolas cresceram 42% de janeiro a setembro, ampliando a pressão competitiva sobre os fabricantes instalados no país.

Os números reforçam um quadro de retração já identificado pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Em levantamento divulgado no início de outubro, a entidade apontou que o faturamento das vendas de máquinas e equipamentos agrícolas somou R$ 36,3 bilhões entre janeiro e agosto, queda de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025. Em junho, a Abimaq já havia registrado recuo de 21,3% no faturamento do primeiro semestre, para R$ 26,64 bilhões.

Os indicadores das duas associações medem aspectos diferentes do mercado: a Anfavea apresenta o volume de máquinas vendidas, enquanto a Abimaq acompanha a receita do segmento. Em conjunto, os dados mostram que a fraqueza não está restrita a uma categoria de equipamento ou a um único indicador.

Colheitadeiras têm a maior retração

Entre janeiro e agosto, as vendas de tratores de rodas recuaram 14,1%, para 25,5 mil unidades, ante 29,7 mil no mesmo intervalo de 2025. Já as vendas de colheitadeiras caíram de 2,3 mil para 1,4 mil unidades, segundo a Anfavea.

A queda ocorre em um ambiente de crédito caro e rentabilidade pressionada para os produtores rurais. Na avaliação da entidade, o endividamento elevado e a menor capacidade de geração de caixa desestimulam a compra de equipamentos novos. No caso das colheitadeiras, o custo mais alto do investimento torna a decisão especialmente sensível às condições de financiamento.

A Abimaq já havia apontado o endividamento dos agricultores e os efeitos do câmbio sobre os preços das commodities como fatores que limitam a capacidade de investimento e adiam a renovação do parque de máquinas.

Importações crescem, com destaque para China e Índia

Enquanto as vendas internas recuam, as importações de máquinas agrícolas avançaram 42% de janeiro a setembro, na comparação anual, segundo os dados de comércio exterior apresentados pela Anfavea. As exportações brasileiras cresceram 9% no mesmo período.

China e Índia lideram o fornecimento externo de tratores agrícolas. Até setembro, foram importadas 5.249 unidades de cada país. As compras de tratores chineses aumentaram 117% em um ano, enquanto as de origem indiana cresceram 11%.

O avanço chinês se concentra principalmente nos equipamentos de menor potência. Cerca de 90% dos tratores importados até setembro tinham até 100 cavalos. A faixa entre 50 e 100 cavalos somou 6.412 unidades, alta de 56% em relação ao mesmo período de 2025.

Os números indicam que os fornecedores asiáticos ampliam sua presença em categorias importantes do mercado brasileiro em um momento de retração das vendas domésticas. A Anfavea também chama a atenção para a participação de máquinas chinesas nas compras públicas.

Máquinas chinesas ganham espaço em licitações

Em 2025, equipamentos de origem chinesa representaram 33,5% das unidades de máquinas autopropulsadas licitadas no país e 26% do valor total das compras, segundo levantamento apresentado pela Anfavea com base em dados do Portal Nacional de Contratações Públicas. O conjunto analisado reuniu 10.603 produtos, com valor de R$ 3,7 bilhões.

Os tratores agrícolas concentraram 3.318 unidades licitadas, das quais 65% eram importadas. Em outras categorias, a participação da produção local foi maior: 84% nas retroescavadeiras e 86% nas escavadeiras hidráulicas.

A presença de equipamentos importados, portanto, varia conforme o tipo de máquina, mas é particularmente expressiva nos tratores agrícolas, segmento em que os fornecedores asiáticos vêm ampliando sua participação.

Custos também pressionam a indústria

Além da demanda mais fraca e da concorrência externa, a Anfavea aponta aumento dos custos de componentes plásticos utilizados na fabricação de máquinas. A entidade estima que a manutenção da alíquota de importação de 20% sobre resinas plásticas e polímeros, somada a medidas antidumping, pode elevar entre 4% e 7% o custo desses componentes.

A pressão sobre os insumos ocorre simultaneamente à retração do mercado interno e ao avanço das importações, combinação que amplia o desafio de competitividade para os fabricantes nacionais.

O cenário, porém, não é uniforme entre os segmentos de máquinas autopropulsadas. As vendas internas de máquinas rodoviárias somaram 27 mil unidades de janeiro a agosto, alta de 13,1% na comparação anual. Segundo a Anfavea, o desempenho é sustentado pela atividade da construção civil e por investimentos em infraestrutura, que favorecem a demanda por escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras.

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Brasil colhe maior safra de maçã da história e quadruplica exportações

O Brasil colheu a maior produção de maçã da sua da história em 2025/26, com 1,6 milhão de toneladas de fruta, segundo a ABPM (Associação Brasileira de Produtores de Maçã). O volume é quase o dobro das 850 mil toneladas registradas nas duas temporadas anteriores e supera o recorde de 1,3 milhão de toneladas alcançado em 2017.

A produção elevada ampliou a oferta da fruta no mercado interno e contribuiu para a redução dos preços ao consumidor. Ao mesmo tempo, aumentou a necessidade de escoar parte do excedente para o exterior, em um ano em que as exportações cresceram, mas ficaram abaixo da expectativa do setor.

Exportações

Os embarques brasileiros somaram 48,6 mil toneladas em 2026, ante 13 mil toneladas em 2025, segundo a ABPM. O avanço foi de 274%, e a receita chegou a US$ 49,6 milhões. A associação projetava exportações de 100 mil toneladas para o ciclo, mais que o dobro do volume efetivamente embarcado.

De acordo com a entidade, o conflito no Oriente Médio prejudicou as vendas para a região, provocou excesso de oferta em outros mercados e dificultou a logística internacional. A Índia foi o principal destino da maçã brasileira, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil toneladas. Ao todo, a fruta chegou a mais de 25 países.

O Rio Grande do Sul liderou os embarques, com 38,7 mil toneladas, seguido por Santa Catarina, com 9,6 mil toneladas, e Paraná, com 56 toneladas.

Sul concentra a produção

Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem pela maior parte da produção nacional. Santa Catarina colheu aproximadamente 830 mil toneladas, enquanto o Rio Grande do Sul produziu cerca de 710 mil toneladas. Juntos, os dois estados somaram 1,54 milhão de toneladas, praticamente toda a safra brasileira.

O Paraná produziu aproximadamente 50 mil toneladas, e São Paulo e Minas Gerais responderam pelo restante.

Para a ABPM, o volume recorde reflete a capacidade produtiva e tecnológica da cadeia brasileira. A entidade também defende a abertura de novos mercados, como México e Malásia, para diversificar os destinos das exportações e reduzir a pressão da oferta sobre o mercado doméstico.

Próxima safra ainda depende do clima

Para a safra 2026/27, a associação avalia que as condições iniciais são positivas, após um inverno considerado favorável e uma florada abundante. Ainda assim, a entidade afirma que é cedo para estimar o volume da próxima colheita, prevista para começar no início de 2027, com as variedades Gala e Fuji.

O resultado dependerá da evolução das próximas etapas do ciclo produtivo e das condições climáticas até a colheita.

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Chuvas agravam déficit de trigo para panificação no Paraná

O excesso de chuvas durante a colheita e a ocorrência de doenças nas lavouras agravaram as perspectivas para a safra de trigo do Paraná e reduziram a oferta esperada de grãos de qualidade adequada à panificação. Segundo o Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná), a estimativa inicial de déficit de 1,6 milhão de toneladas entre a produção estadual e o volume processado pelos moinhos subiu para cerca de 1,7 milhão de toneladas.

Em setembro, o Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná) reduziu em 10% a estimativa de produção estadual, para 2,13 milhões de toneladas. Um novo levantamento, previsto para 29 de outubro, deve trazer uma avaliação atualizada da safra, com expectativa de nova redução na produção.

No boletim conjuntural divulgado em 15 de outubro, o Deral informou que a avaliação das lavouras pendentes de colheita voltou a piorar. Dos 182 mil hectares ainda por colher, 12% foram classificados como ruins, 42% como médios e 46% como bons. Na estimativa de setembro, quando ainda havia 392 mil hectares pendentes, os percentuais eram de 7%, 29% e 64%, respectivamente.

O órgão também apontou que as chuvas frequentes durante o avanço da colheita comprometeram a qualidade dos grãos, inclusive em lavouras com potencial produtivo médio e alto. A previsão meteorológica indicava a continuidade das precipitações no estado, o que poderia dificultar a conclusão dos trabalhos em condições adequadas.

O cenário ocorre em um estado que responde por cerca de 30% da produção nacional de farinha de trigo, com moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra.

A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, afirma que a disponibilidade de trigo adequado à panificação é uma das principais preocupações do setor. No Norte do Paraná, a produção estimada para esta safra é de aproximadamente 750 mil toneladas, das quais apenas 400 mil devem ser de trigo Tipo 1, utilizado na fabricação de produtos de panificação.

No ano passado, a região produziu cerca de 900 mil toneladas, a maior parte classificada como Tipo 1. Segundo Venturelli, os números das regiões de Guarapuava e dos Campos Gerais ainda estão em apuração e serão importantes para dimensionar a oferta estadual de trigo de melhor qualidade.

“Para uma indústria formada, em grande parte, por moinhos de panificação, esse volume de 400 mil toneladas é muito baixo”, afirmou.

Importações e custos para os moinhos

A indústria já projetava um déficit de abastecimento nesta safra em razão da redução da área plantada com trigo. Com a piora da qualidade e da produtividade, o setor prevê maior dependência de importações, principalmente da Argentina, para atender à demanda dos moinhos paranaenses.

“Veja que essa piora de um cenário que já era muito ruim é realmente alarmante. Um quadro como esse coloca o Paraná numa dependência muito grande de trigo importado e aumenta a pressão sobre as margens dos moinhos, que vão precisar repassar o aumento de custos aos preços da farinha”, disse Venturelli.

Além da disponibilidade do cereal no mercado internacional, o sindicato aponta desafios logísticos para receber o volume importado. A operação nos portos e o transporte do trigo até as diferentes regiões do Paraná, onde estão instalados os moinhos, exigirão atenção do setor.

O Deral informou que os preços do trigo subiram 5% em setembro, em reação à menor disponibilidade interna, e ficaram estáveis na primeira quinzena de outubro. Embora o câmbio e a queda das cotações internacionais exerçam pressão de baixa, a escassez de trigo de alta qualidade continua sustentando os preços no curto prazo.

Incentivo ao plantio

A preocupação do Sinditrigo-PR também envolve o próximo ciclo agrícola. Segundo a entidade, a combinação de perdas de qualidade, redução de produtividade e dificuldades enfrentadas pelos produtores pode desestimular novos plantios e ampliar a diminuição da área cultivada com trigo no estado.

O sindicato pretende levar ao próximo governo propostas para ampliar o espaço da cultura na política agrícola. Entre as medidas defendidas estão a criação de um Plano Safra específico para o trigo e de um programa de seguro rural que incentive o plantio e ajude a tornar a atividade economicamente viável para os produtores.

A entidade argumenta que políticas de incentivo à produção são importantes para reduzir a vulnerabilidade do abastecimento interno e a dependência do mercado externo.

“A gente precisa falar de segurança de abastecimento, porque é o pãozinho nosso de cada dia”, afirmou Venturelli.

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Com investimento de R$ 80 milhões, Paraná receberá fábrica de mandioca

A Amafil Alimentos iniciou as obras de uma nova unidade industrial em Umuarama, no Paraná. O projeto prevê investimento inicial de cerca de R$ 80 milhões na estrutura destinada ao processamento de mandioca e poderá, em uma segunda etapa, integrar também a industrialização de milho.

“A nova unidade amplia nossa capacidade produtiva com faturamento previsto de R$ 65 milhões por ano, e nos aproxima ainda mais das regiões produtoras de mandioca, fortalecendo a logística e a relação com os produtores,” disse Sandra Auzenir da Silva Tabachini, CEO e diretora ddministrativa do grupo, em nota.

Ela também ressaltou que a indústria terá capacidade de processar 800 toneladas de mandioca por dia.”Um faturamento dessa dimensão representa recursos circulando na economia regional e mais arrecadação para o município, que retorna em investimentos para a população,” sinalizou Sandra.

O empreendimento tende a reforçar principalmente a cadeia da mandioca, uma das atividades agrícolas mais importantes da região. “Umuarama oferece localização estratégica, mão de obra qualificada e uma comunidade com a qual compartilhamos valores de trabalho e desenvolvimento regional. A Amafil vai gerar inicialmente 80 empregos diretos, o que significa 80 famílias com renda, estabilidade e perspectiva de crescimento profissional, frisou Sandra Tabachini.

De acordo com o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, os R$ 80 milhões anunciados até agora estão concentrados na estrutura voltada à mandioca. O processamento de milho faz parte do planejamento para uma etapa futura e deverá elevar o volume total de investimentos.

“Os diretores da Amafil já compraram o terreno ao lado com o objetivo de no futuro construir a segunda unidade de milho da Amafil. A primeira fica em Terra Boa, salientou Sandra Tabachini.

A cerimônia de início das obras contou com a presença dos sócios-proprietários da Amafil, Manuel Antonio da Silva e Luiz Antonio da Silva, além de integrantes da diretoria da companhia.

A fábrica será construída às margens da PR-468, no sentido de Mariluz, a aproximadamente cinco quilômetros do entroncamento com a PR-323.

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Carga de castanha vinda da Itália é interceptada com praga em SP

A equipe da Vigilância Agropecuária Internacional, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), interceptou a praga quarentenária ausente Cydia splendana em uma carga de 900 quilos de castanha portuguesa proveniente da Itália. A carga chegou ao Brasil em 7 de outubro.

Após a identificação da suspeita, amostras da larva foram encaminhadas a um laboratório de referência em diagnóstico fitossanitário, credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para análise.

Conhecida como bichado-da-castanha, traça-da-castanha ou mariposa-da-castanha, a espécie ataca principalmente os frutos do castanheiro (Castanea sativa) e pode causar perdas significativas na produção. Os frutos infestados podem cair antes do período normal de colheita, comprometendo o rendimento e a qualidade da produção.

As larvas de Cydia splendana perfuram a casca e se alimentam do interior das castanhas durante a maturação dos frutos, provocando danos qualitativos e quantitativos. A espécie também pode atacar frutos de carvalhos, avelaneiras e nogueiras.

De acordo com a Portaria SDA/Mapa nº 1.679/2026, a praga é considerada ausente do Brasil. Sua introdução no território nacional poderia representar riscos à produção agrícola, com redução da produtividade, prejuízos econômicos aos produtores e aumento dos custos de controle, especialmente em razão da possível ausência de inimigos naturais e de métodos de manejo adaptados às condições brasileiras.

A presença da praga também poderia resultar em restrições comerciais, com impactos sobre a exportação de produtos agrícolas caso outros países adotassem medidas sanitárias para proteger seus territórios. Além disso, a introdução de um organismo exótico pode afetar os ecossistemas locais e comprometer a biodiversidade.

Medidas fitossanitárias

Como medida emergencial depois de detecção da praga. o ministério determinou a fumigação da carga com brometo de metila, realizada em 16 de outubro. Na sequência, será solicitada a devolução ou a destruição da mercadoria, conforme os procedimentos aplicáveis ao caso.

 

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Chile também suspendeu compra de produtos avícolas de Santa Catarina

O Chile juntou-se à China e suspendeu as importações de produtos avícolas de Santa Catarina, após o caso de Newcastle localizado em uma grande de Nova Itaberaba. A restrição atinge ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves), segundo o anuncio do Ministério da Agricultura. 

A Pasta afirma que mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas. “A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado.”

Além desses dois países, o México optou por embargar as compras de todo o Brasil.

O caso de Newcastle foi identificado durante um programa de vigilância ativa da defesa agropecuária. De acordo com o ministro da Agricultura, André de Paula, a coleta de amostras ocorreu em 21 de setembro. Em 14 de outubro, os resultados indicaram a possibilidade de infecção, o que levou à suspensão das atividades da granja e à realização de novos testes. A confirmação ocorreu em 18 de outubro.

Medidas sanitárias

O Ministério da Agricultura iniciou as operações para eliminar o foco da doença. Na propriedade, as autoridades vão sacrificar as aves e realizar a limpeza e a desinfecção das instalações. Segundo Allan Alvarenga, secretário substituto de Defesa Agropecuária,  o ministério conduz estudos para iniciar o procedimento o mais rápido possível. A retomada da produção dependerá do cumprimento dos protocolos sanitários e da ausência de novos casos.

Nas propriedades próximas, as equipes coletam amostras para verificar a presença do vírus. Os técnicos também investigam sinais clínicos e respiratórios nas aves. Caso não encontrem sintomas, as amostras serão encaminhadas para análise da doença de Newcastle no laboratório do ministério.

As medidas de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e outros três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério. Uma portaria para declarar emergência sanitária nesses quatro municípios deve ser publicada nesta segunda-feira (19), e o governo não considera, por enquanto, a necessidade de ampliar o orçamento para enfrentar a ocorrência.

As autoridades vão acompanhar a situação durante o período de incubação da doença, estimado em 21 dias. O protocolo prevê dois períodos de 21 dias, totalizando 42 dias de acompanhamento.

O Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso, informou Alvarenga. O secretário afirmou que o governo já solicitou à OMSA a redução desse prazo, mas a atualização ainda não foi implementada.

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Dívidas rurais: o que Flávio Bolsonaro e Lula propõem para o agro

A renegociação das dívidas rurais será um dos desafios do próximo presidente da República. Com juros elevados, custos de produção pressionados e perdas provocadas por eventos climáticos, produtores enfrentam dificuldades para cumprir compromissos financeiros e manter recursos para o plantio da safra seguinte.

Os programas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentam abordagens distintas para o tema. Flávio prevê reorganizar as dívidas do setor por meio da securitização, mas não detalha as condições da medida. Lula, por sua vez, não apresenta uma proposta específica para renovar ou ampliar um programa de renegociação de dívidas rurais no próximo mandato. Veja mais:

FLÁVIO BOLSONARO

Securitização para reorganizar as dívidas

O programa de Flávio Bolsonaro prevê reorganizar as dívidas dos produtores rurais por meio da securitização. A proposta integra uma agenda de mudanças nas condições financeiras do agronegócio, que também inclui a ampliação do seguro rural.

Em linhas gerais, a securitização permite estruturar recebíveis ou obrigações financeiras em instrumentos que podem ser negociados no mercado de capitais. A aplicação desse mecanismo ao endividamento rural, porém, depende do desenho da operação, das garantias envolvidas, das condições de pagamento e dos participantes elegíveis.

O programa não detalha como a proposta seria implementada, quais dívidas poderiam ser incluídas ou quais produtores teriam direito a participar. Também não estabelece taxas de juros, prazos de pagamento, critérios de adesão ou estimativas do volume de obrigações que poderiam ser reorganizadas.

O documento também não informa se a iniciativa contaria com recursos públicos, garantias do governo ou participação de instituições financeiras privadas.

LULA

Sem proposta específica para a renegociação rural

O programa de Lula não apresenta uma proposta específica de renegociação de dívidas rurais como parte da agenda de crédito para o próximo mandato.

O documento prevê ampliar o financiamento agropecuário, assegurar juros compatíveis com a rentabilidade da atividade e simplificar o acesso ao crédito. Também propõe diversificar as fontes de financiamento, com estímulo ao mercado de capitais e aos títulos do agronegócio.

O programa cita o Novo Desenrola Brasil 2026, iniciativa que teve um bloco destinado ao agronegócio. A referência, entretanto, não equivale a um compromisso de renovar ou ampliar uma política específica de renegociação de dívidas rurais no próximo governo.

O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O SETOR

A renegociação das dívidas é uma das demandas do agronegócio diante do aumento dos custos financeiros e das dificuldades de acesso a recursos para financiar a produção.

Em julho, uma medida provisória instituiu linhas para renegociação de dívidas rurais. A implementação, porém, ainda enfrenta entraves, segundo o cenário apresentado pelo setor.

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) discutiu o tema em setembro, incluindo obstáculos para ampliar o acesso dos produtores às medidas. Entre os pontos em debate estão os critérios de enquadramento, a comprovação das perdas e a efetiva liberação dos recursos.

Aviso ao leitor: Esta reportagem faz parte de uma série da CNN Brasil sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o agronegócio. Os textos abordam diferentes temas relacionados ao setor.

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