O calendário de IPO (ofertas públicas iniciais de ações) do setor de tecnologia, que antes era bastante robusto, agora se resume apenas à Anthropic.
A companhia de inteligência artificial está seguindo em frente para realizar seu IPO em meados de novembro, após prever a divulgação do prospecto da operação no final deste mês, segundo fontes a par do assunto, que alertam que o plano e as datas estão sujeitos a alterações.
O IPO da Anthropic testará se sua posição no centro do próspero setor de IA, que alguns investidores acreditam ser digna de uma avaliação potencial de US$ 1,5 trilhão, será capaz de superar um ambiente de mercado que normalmente levaria banqueiros e advogados especializados em transações a aconselhar um adiamento.
O mercado espera que a Anthropic comece a negociar suas ações para investidores em potencial durante a semana de 9 de novembro, disse uma das fontes.
Outras empresas dos setores de infraestrutura de inteligência artificial e centrais de processamento de dados adiaram suas aberturas de capital, enfrentando um aumento nas taxas de juros que ajudou a alimentar uma onda de vendas maciças de ações e títulos de dívida de operadores de IA, como a CoreWeave, além de questionamentos mais amplos sobre a sustentabilidade dos gastos com a tecnologia.
Esse contraste ressalta o apelo da Anthropic aos investidores, mesmo com as preocupações sobre a concorrência de modelos de código aberto e a segurança da IA pesando sobre o setor.
A Anthropic se recusou a comentar.
Avaliação sob pressão
A retração do setor de IA segue uma série de adiamentos e cancelamentos de IPOs desde setembro, à medida que a volatilidade do mercado e o aumento das taxas de juros tornaram mais difícil para as empresas garantirem preços atraentes.
A Switch, operadora de data centers, e a Nscale, provedora de infraestrutura de IA, adiaram seus planos de IPO para o final deste ano, disseram fontes a par do assunto, embora tenham enfatizado que os planos permanecem em aberto e sujeitos a alterações.
A SB Energy, apoiada pela SoftBank, também adiou sua abertura de capital, conforme noticiado anteriormente pela Reuters.
A NScale se recusou a comentar. A Switch não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A Elice, startup sul-coreana de chips de IA, foi uma das últimas a arquivar seus planos de abertura de capital da noite para o dia. A AirTrunk REIT, apoiada pela Blackstone, e a Firmus, apoiada pela Nvidia, também retiraram ou suspenderam suas ofertas, segundo reportagem da Reuters.
O recente IPO da Oura aumentou a cautela entre os emissores em potencial.
A oferta atraiu pouca participação de investidores que operam apenas com posições compradas, disse uma fonte a par do assunto, levantando preocupações sobre o tamanho da demanda por parte de investidores institucionais, que normalmente fornecem uma base estável de acionistas para empresas recém-listadas.
Sites governamentais em toda a Europa ficaram fora do ar na quarta-feira (21) enquanto operadores corriam para corrigir duas vulnerabilidades críticas no PHP, uma das linguagens de programação mais utilizadas na web.
Serviços governamentais no Brasil também foram suspensos preventimente para a correção das falhas.
A linguagem de programação é responsável por cerca de 70% dos sites no mundo. Segundo cientistas que participaram da descoberta, a vulnerabilidade estava presente no software da empresa há anos, de forma oculta.
O que é PHP?
PHP é uma linguagem de programação que executa sites. Ela funciona nos bastidores: quando um usuário carrega uma página, o servidor que executa o PHP monta o conteúdo e envia a página finalizada para o navegador.
É gratuito, de código aberto e mantido por voluntários. Os proprietários do site raramente interagem diretamente com ele.
De acordo com a W3Techs, empresa que monitora tecnologias web, o PHP é a linguagem utilizada em quase 70% de todos os sites cuja linguagem de programação pode ser identificada. Ele funciona, por exemplo, no WordPress, que alimenta cerca de 40% de todos os sites, como blogs, páginas de pequenas empresas, portais governamentais, lojas online e sites de notícias.
Quais são os riscos das falhas?
As duas vulnerabilidades identificadas receberam uma classificação de 9,2 em 10 na escala de gravidade CVSS v4.0, um sistema de pontuação padrão do setor.
O CERT-EU, a equipe de resposta a incidentes de segurança cibernética da União Europeia, afirmou que essa classificação indica execução remota de código não autenticada, o que significa que um invasor pode executar comandos em um servidor vulnerável, pela internet, sem senha ou conta.
Uma única falha no PHP abre a mesma porta em milhões de servidores simultaneamente. Quem explora essa falha controla o site.
O provedor de hospedagem web GoDaddy disse que isso poderia significar roubo de dados, páginas adulteradas ou comprometimento total do sistema.
A maioria dos sites pequenos geralmente é administrada por proprietários sem equipe de segurança, frequentemente em hospedagens compartilhadas onde não gerenciam o servidor e podem não saber quem atualiza o PHP.
O Wordfence, um plugin de segurança para sites WordPress, alertou que as atualizações automáticas não incluirão essa correção. A recomendação do CERT-EU é tirar os sites afetados do ar em vez de deixá-los expostos.
Como a falha foi encontrada?
Pesquisadores da empresa de segurança Calif, em colaboração com a OpenAI, relataram a primeira falha no PHP em 11 de agosto. Ela foi encontrada usando o modelo GPT-5.6 Sol da OpenAI.
A Wiz, empresa de segurança pertencente ao Google, também investigou o problema e descobriu as falhas de forma independente. A organização relatou uma segunda detecção em 24 de agosto, também usando modelos de IA.
A Wiz afirmou que as descobertas “estão entre as vulnerabilidades mais graves já encontradas no PHP e, possivelmente, na história do software”. Segundo a empresa, as falhas subjacentes estavam presentes há décadas, mas provar que eram exploráveis exigia uma série de etapas “no limite do que pesquisadores humanos poderiam realizar na prática”.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar “monitorando e coordenando com agências federais e os principais laboratórios de inteligência artificial para agilizar a divulgação da correção”. A descoberta foi apresentada como prova de que a “superinteligência” americana fortalece a segurança nacional.
As ações da Meta Platforms caíam mais de 5% nesta quinta-feira, com investidores contrabalançando os benefícios do negócio de agentes de IA (inteligência artificial), que cresce rapidamente, com os custos crescentes para financiar a ambiciosa expansão da companhia nessa área.
Até o fechamento de quarta-feira, o papel acumulava alta superior a 5% no ano. Se a queda dos primeiros negócios for mantida, a Meta poderá perder cerca de US$85 bilhões em valor de mercado.
A reação negativa ocorre apesar de a Meta ter divulgado na véspera uma receita trimestral acima do esperado, projetado vendas para o quarto trimestre acima das estimativas de Wall Street e destacado a rápida adoção de seu novo aplicativo de agente de IA, o Muse.
O balanço foi divulgado poucas horas depois de um juiz do Novo México determinar que a empresa pague uma multa de US$ 5 bilhões em um caso relacionado à privacidade de dados envolvendo a Cambridge Analytica. A Meta informou que pretende recorrer da decisão.
A controladora do Instagram está gastando pesadamente para sustentar seus planos de IA, com uma previsão de investimentos (capex) anuais entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões.
A empresa também reportou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no terceiro trimestre, ante fluxo de caixa livre positivo um ano antes.
O analista Benjamin Black, do Deutsche Bank, afirmou que os investimentos da Meta em IA estão gerando melhor desempenho publicitário e maior engajamento, criando uma visão cada vez mais favorável para a ação, à medida que investidores passam a enxergar a infraestrutura computacional como um ativo gerador de receita, e não apenas como um centro de custos.
A Meta também anunciou planos para criar uma nova classe de ações Classe C sem direito a voto, dando à empresa maior flexibilidade para aquisições e remuneração de funcionários, ao mesmo tempo em que preserva o controle decisório do presidente-executivo, Mark Zuckerberg.
Pelo menos 13 corretoras elevaram seus preços-alvo para a ação após os resultados, segundo dados compilados pela LSEG.
As preocupações com a dimensão dos investimentos da Meta em IA também chegaram ao mercado de crédito, onde o custo para segurar a dívida da empresa contra inadimplência avançou para um nível recorde.
O Spotify previu nesta quinta-feira (22) um lucro no quarto trimestre acima das estimativas de Wall Street, já que a empresa sueca de streaming de música aposta em seus recursos baseados em IA para impulsionar o crescimento do número de usuários na importante temporada de festas de fim de ano.
Os investidores têm acompanhado de perto a lucratividade da empresa, no momento em que ela investe em IA para melhorar a descoberta de músicas e o engajamento, a fim de atrair mais usuários e se defender de rivais emergentes da geração musical, como Suno e Udio.
O Spotify espera um lucro operacional de 820 milhões de euros (US$ 920,53 milhões), em comparação com a estimativa média dos analistas de 813,4 milhões de euros, de acordo com dados compilados pela LSEG.
Os recursos da empresa baseados em IA incluem o AI DJ, que seleciona mixagens musicais personalizadas com comentários falados, e playlists baseadas em requisições do usuário que permitem aos usuários descrever um estado de espírito ou preferência musical para gerar seleções sob medida.
“Construímos um negócio sólido que continua a crescer exponencialmente; investimos quando vemos um caminho para o crescimento, nossos custos estão se moderando e há mais espaço para avançar”, disse o co-CEO Alex Norstrom em um comunicado.
No terceiro trimestre, o lucro operacional do Spotify, de 672 milhões de euros, ficou em linha com a estimativa média dos analistas compilada pela Visible Alpha, de 671,8 milhões de euros.
A empresa registrou receita de 4,97 bilhões de euros nos três meses encerrados em 30 de setembro, em comparação com uma estimativa compilada pela LSEG de 4,98 bilhões de euros. O lucro por ação foi de 2,48 euros, contra estimativas de 2,80 euros.
A previsão da Spotify de 818 milhões de usuários ativos mensais para o quarto trimestre ficou ligeiramente abaixo das estimativas da Visible Alpha, de 819 milhões, enquanto sua projeção de um aumento de cerca de 10 milhões de assinantes premium, para 316 milhões, ficou acima das expectativas de 314,7 milhões.
Seus usuários ativos mensais cresceram 1% em relação ao trimestre anterior no terceiro trimestre, atingindo 788 milhões.
No início desta semana, o Spotify anunciou um acordo de licenciamento com a distribuidora musical Believe para sua futura ferramenta paga destinada a covers e remixes criados por fãs com inteligência artificial.
A empresa também assinou acordos de licenciamento com a Universal Music Group, Merlin e Kobalt para a ferramenta.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou nesta quarta-feira que confirmou a primeira detecção da mosca-da-bicheira do Novo Mundo, parasita que se alimenta de tecido vivo, em um animal silvestre nos EUA: um alce no condado de Pecos, no Texas.
O alce foi encontrado em uma fazenda de caça e foi relatado após ter sido abatido por um caçador, informou o USDA em um comunicado.
A Comissão de Saúde Animal do Texas modificará uma zona infestada previamente estabelecida, e o USDA e o Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas estão realizando vigilância adicional da vida selvagem na área, informou o órgão.
Erradicada dos EUA há décadas, a praga avançou para o norte a partir da América Central, passando pelo México, o que levou Washington a impor uma proibição de mais de um ano às importações de gado mexicano.
Os EUA suspenderam as importações de gado do México no ano passado para impedir a entrada da mosca-da-bicheira, mas retomaram o comércio em agosto em um porto do Arizona como parte de um plano de reabertura gradual.
A suspensão contribuiu para reduzir a oferta de gado nos EUA e elevar os preços da carne bovina a níveis recordes para os consumidores norte-americanos.
A Blackstone, a maior gestora de ativos alternativos do mundo, divulgou nesta quinta-feira uma queda nos lucros do terceiro trimestre, já que o ambiente turbulento do mercado prejudicou sua capacidade de obter retorno sobre os investimentos.
Os mercados globais têm sido abalados pelo aumento dos rendimentos dos títulos, pelas expectativas de taxas de juros mais altas por mais tempo e pela elevada volatilidade do mercado decorrente da guerra no Irã.
Como resultado, muitos negócios em potencial estão sendo suspensos, levando a uma desaceleração nas transações e nas IPOs (ofertas públicas iniciais) no primeiro semestre do ano.
A atividade global de fusões e aquisições (M&A) caiu 41% em relação ao trimestre anterior no terceiro trimestre, de acordo com dados da LSEG.
As realizações líquidas da Blackstone, que acompanham os recursos provenientes da saída de investimentos, caíram 34%, para cerca de US$332 milhões, prejudicadas por uma queda de quase 50% em seus negócios de private equity.
O lucro distribuível, ou lucro disponível para os acionistas, caiu 13%, para US$ 1,32 por ação. Analistas esperavam em média US$ 1,26, de acordo com dados compilados pela LSEG.
Os resultados da Blackstone, no entanto, foram amenizados por entradas líquidas de mais de US$ 63 bilhões, elevando os ativos sob gestão para US$ 1,37 trilhão e impulsionando os lucros relacionados a comissões em 6%.
Seus negócios de crédito e seguros representaram a maior parcela dos novos influxos, gerando quase US$ 36 bilhões, seguidos pelo private equity, com US$12,6 bilhões.
Os lucros relacionados a comissões provenientes da gestão de investimentos em seus fundos de private equity saltaram 26%, para US$ 619 milhões.
As gestoras de ativos alternativos estão enfrentando uma queda nos preços de suas ações este ano, à medida que os investidores se tornaram cautelosos diante das perspectivas de um crescimento futuro mais lento e de possíveis perturbações causadas pelos avanços da IA nas empresas de suas carteiras.
O crédito privado, em particular, tem sido alvo do nervosismo dos investidores, com grandes gestoras relatando um aumento nos pedidos de resgate nos últimos trimestres.
A Blackstone informou no mês passado que os pedidos em seu fundo BCRED permaneceram elevados no terceiro trimestre, mas afirmou que os fundamentos da carteira continuam sólidos.
Suas ações despencaram quase 30% este ano, em linha com o desempenho de outras gestoras de ativos, em comparação com um ganho de 13% no mercado como um todo e de cerca de 2% no índice S&P 500 Financials.
Os principais índices de Wall Street abriram em queda nesta quinta-feira (22), com as ações de crescimento sofrendo novas pressões depois que os resultados financeiros das megacapitalizadas Tesla e Meta pouco contribuíram para dissipar as dúvidas sobre as perspectivas da IA, enquanto uma recuperação nos preços do petróleo aumentava o nervosismo do mercado.
O Índice Dow Jones Industrial Average caiu 0,13%, para 52.788,41 pontos na abertura. O S&P 500 recuou 0,81%, para 7.694,62 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,48%, para 26.308,407 pontos.
Os preços do petróleo Brent subiram nesta quinta-feira (22) ao maior nível desde maio, depois que novos ataques dos houthis na Arábia Saudita aumentaram as preocupações com uma escalada do conflito no Oriente Médio e novas interrupções no fornecimento de petróleo bruto da principal região exportadora mundial.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançavam US$ 3,19, ou 2,9%, para US$ 112,01 por barril. Mais cedo, chegaram a US$ 112,68 por barril, o maior valor desde 18 de maio.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), dos Estados Unidos, subia US$ 2,41, ou 2,5%, para US$ 99,56 por barril, após atingir US$ 100,09 mais cedo.
“Relatos de que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio superaram os níveis anteriores ao conflito são mais do que compensados pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz e pelos ataques dos houthis à Arábia Saudita e à sua infraestrutura petrolífera”, afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil.
“Não se espera uma redução das tensões até as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o que deve manter os preços do petróleo elevados.”
Analistas do Morgan Stanley estimaram, em relatório, que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio ficaram em cerca de 17 milhões de barris por dia na semana passada.
O Departamento de Estado dos EUA ordenou que alguns diplomatas e familiares deixassem suas missões na Arábia Saudita e planeja retirar familiares de diversas outras representações americanas no Oriente Médio, disseram autoridades dos Estados Unidos à Reuters.
Duas pessoas também morreram em um ataque com drones contra um campo petrolífero saudita.
Explosões também foram ouvidas em Sirik, no sul do Irã, informou a imprensa iraniana na quarta-feira, acrescentando que a natureza e a origem das detonações eram desconhecidas.
As interrupções no fornecimento continuaram afetando os estoques globais.
A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou nesta quinta-feira que quatro embarcações envolvidas em transferências ilegais de petróleo no norte do Golfo foram atingidas simultaneamente e pegaram fogo após serem rastreadas por suas forças na quarta-feira.
A Guarda Revolucionária acrescentou que outras três embarcações colidiram com minas a oeste do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, uma válvula de um oleoduto que liga os campos petrolíferos de Hamada e Tahara, na Líbia, ao porto de Zawiya foi fechada, reduzindo a produção nos dois campos, disse à Reuters o presidente da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia.
Em uma tentativa de conter os preços, que dispararam em meio à escassez de diesel provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, o governo Trump está oferecendo emprestar quase um terço das reservas emergenciais americanas de óleo para aquecimento, que totalizam 1 milhão de barris.
O Parlamento Europeu também votou a favor de adiar por três anos a aplicação das regras da União Europeia sobre emissões de metano para importações de petróleo e gás, após pressão de governos como os da França e dos Estados Unidos.
O Conselho Nacional de Esportes (CSD, na sigla em espanhol) encaminhou Javier Tebas, presidente de LaLiga, ao tribunal esportivo da Espanha após o dirigente comparar a estratégia de comunicação do Real Madrid à propaganda nazista.
O CSD pediu que o tribunal avalie se as declarações de Tebas podem ter violado as normas que protegem a dignidade e o decoro no esporte.
Tebas fez os comentários na sexta-feira (16), nas redes sociais. Em resposta, o Real Madrid publicou um comunicado exigindo a renúncia imediata do dirigente, de 64 anos.
O presidente de LaLiga afirmou que não estava comparando a ideologia do Real Madrid ou de sua torcida à do Partido Nazista, mas apenas as técnicas de propaganda utilizadas pelo clube. Na quinta-feira (22), o CSD informou que havia encaminhado o caso ao tribunal esportivo.
CSD avalia possível infração de Javier Tebas
O CSD solicitou ao tribunal esportivo que avalie se as declarações de Tebas configuram uma “possível violação do artigo 76.4.b da Lei 10/1990, do Esporte”, que classifica como infrações graves os “atos notórios e públicos que atentem contra a dignidade ou o decoro esportivo”.
As sanções previstas para esse tipo de infração incluem advertências, multas ou até mesmo suspensão. Procurada para comentar o caso, LaLiga não respondeu imediatamente ao pedido de manifestação.
O Barclays anunciou que cortará cerca de 5.000 empregos, ou 5% de sua força de trabalho, este ano, à medida que utiliza tecnologias como a inteligência artificial para reduzir custos fixos e melhorar a rentabilidade geral.
Os cortes de pessoal foram apresentados quando o Barclays divulgou lucro no terceiro trimestre de 2,3 bilhões de libras (3,08 bilhões de dólares), acima do registrado no ano anterior, mas abaixo das previsões dos analistas, devido ao desempenho abaixo do esperado do negócio de negociação de renda fixa.
O banco informou ter realizado mais 201 milhões de libras em “medidas de redução de custos estruturais” no terceiro trimestre, como parte de seu plano de longo prazo para reduzir despesas, como custos com pessoal, por meio de maior uso de tecnologia.
Cerca de 60% do total de cortes de pessoal afetará funcionários em funções de apoio, como desenvolvedores, disse a diretora financeira Anna Cross aos repórteres, em um dos sinais mais claros até agora, vindo de um grande banco, de como a IA está permitindo que as empresas reduzam o quadro de funcionários nessas funções.
Cross disse que 1.000 cargos já foram eliminados, com o restante a ser cortado até o final do ano.
As ações do Barclays caíam 2,5% no início do pregão, apresentando desempenho inferior ao de outras instituições financeiras.
As ações do banco caíram 14% neste ano, em linha com os pares europeus, que sofreram correção após anos de alta, à medida que as taxas de juros mais elevadas impulsionaram os lucros.
A Shore Capital afirmou em uma nota que os resultados ficaram abaixo do esperado devido ao desempenho decepcionante do banco de investimentos.
O banco de investimentos do Barclays registrou receita total no terceiro trimestre de 3,1 bilhões de libras, abaixo das previsões de 3,3 bilhões de libras.
Os resultados do terceiro trimestre dos concorrentes do Barclays em Wall Street, divulgados no início deste mês, mostraram a natureza cíclica da receita dos bancos de investimento, à medida que as negociações desaceleraram e as mesas de renda fixa apresentaram desempenho abaixo do esperado, com apenas a negociação de ações mantendo o forte ímpeto observado no primeiro semestre do ano.
A farmacêutica suíça Roche superou as expectativas de vendas do terceiro trimestre nesta quinta-feira, impulsionada pela demanda constante por medicamentos-chave, como o Ocrevus, para ganhar tempo enquanto busca no exterior reabastecer seu pipeline diante de expirações iminentes de patentes.
A receita do grupo cresceu 7% a taxas de câmbio constantes, atingindo 16,13 bilhões de francos suíços (US$19,61 bilhões), superando a previsão consensual elaborada pela empresa, de 15,75 bilhões de francos (US$19,15 bilhões).
No entanto, o trimestre trouxe um sinal precoce de pressão competitiva — as vendas do medicamento Xolair ficaram abaixo das previsões do mercado após o lançamento do primeiro genérico mais barato, gerando vendas de 848 milhões de francos (US$ 1,03 bilhão) contra expectativas de 925 milhões de francos (US$1,12 bilhão).
As ações caíam 1,1% no pregão da manhã.
Com vários medicamentos de grande sucesso mais antigos se aproximando do vencimento das patentes, a Roche aposta em seus principais produtos para impulsionar o crescimento no curto prazo, ao mesmo tempo em que intensifica as negociações externas para tratamentos de última geração.
A empresa fechou um acordo no valor de mais de US$ 15 bilhões com a chinesa Hansoh Pharma, segundo notícia divulgada na segunda-feira.
Com foco no ecossistema de biotecnologia da Europa, o presidente-executivo Thomas Schinecker afirmou na quinta-feira que cerca de 50% dos acordos de licenciamento externos do grupo nos últimos quatro anos foram firmados nos EUA e os outros 50% na China e na Ásia.
“Isso mostra um pouco a situação em que a Europa se encontra em termos de inovação”, disse Schinecker.
A administração também observou que o impacto negativo das reformas nos preços dos serviços de saúde na China estava diminuindo, apesar das quedas de dois dígitos no país, com a divisão de diagnósticos — que cresceu 5%, para 3,54 bilhões de francos — devendo retornar a um crescimento “normal” na faixa de um dígito médio a alto no próximo ano.
A Roche também se beneficiou da estabilização do dólar em relação ao franco suíço, aliviando o impacto prolongado das taxas de câmbio no mercado norte-americano, que responde por quase metade da receita do grupo.
Os medicamentos mais vendidos impulsionaram a unidade farmacêutica, liderada pela injeção para esclerose múltipla Ocrevus, cuja receita cresceu 9% em moedas constantes, atingindo 1,84 bilhão de francos.
A Nestlé divulgou nesta quinta-feira (22) um crescimento orgânico das vendas no terceiro trimestre acima do esperado e informou que excluiu sua unidade russa das demonstrações financeiras consolidadas após Moscou ter confiscado o negócio.
A diretora financeira da Nestlé, Anna Manz, disse que o negócio na Rússia, que contribuía com cerca de 2% das vendas do grupo, não estava mais sendo consolidado nos resultados financeiros a partir do final de setembro, sem impacto nas vendas orgânicas, nos volumes e nos preços.
No entanto, a medida afeta as vendas reportadas, o lucro operacional subjacente e o fluxo de caixa livre a partir do quarto trimestre, disse Manz, observando que o desreconhecimento dos ativos líquidos teria um impacto negativo na dívida líquida de aproximadamente 900 milhões de francos suíços (US$ 1,09 bilhão) para 2026.
A Nestlé informou que estava desreconhecendo ativos na Rússia no valor de 1,6 bilhão de francos e reconhecendo um encargo não monetário de cerca de 1,4 bilhão de francos referente a ajustes cumulativos de conversão cambial.
As ações da Nestlé registraram alta de 1,3% nas negociações pré-mercado.
Crescimento do volume impulsiona vendas orgânicas
A fabricante dos cubos de caldo Maggi e do café Nescafé manteve sua perspectiva de vendas orgânicas para o ano inteiro de 2026 em um crescimento de 3% a 4% e registrou um aumento de 4% nas vendas orgânicas trimestrais, acima das expectativas dos analistas, que apontavam para um aumento de 3,4%.
Os aumentos de preço de 1,1% da Nestlé ficaram abaixo da estimativa média dos analistas, de 1,9%. O crescimento interno real (RIG) — ou volume de vendas — foi de 2,8%, superando as expectativas de um aumento de 1,5%.
O RIG, um indicador-chave na estratégia da Nestlé, tem melhorado constantemente desde que Philipp Navratil assumiu o cargo de presidente-executivo em setembro de 2025.
“Estou contente com o nosso progresso”, disse Navratil. “Mas não estou satisfeito. Ainda há muito mais a ser feito para concretizar o potencial do negócio.”
Em menos de uma vida, cerca de seis décadas e meia, as ondas de calor evoluíram de episódios esporádicos e isolados para eventos climáticos massivos e interligados, capazes de cobrir vastas áreas do planeta por meses ou até anos consecutivos.
A maior onda de calor da década de 1960 atingiu cerca de 6% do planeta enquanto se deslocava, durante 46 dias, sobre o Oceano Atlântico, partes da América Latina e da África Ocidental.
A maior onda de calor desta década percorreu quase 85% do globo ao longo de seus 367 dias de duração, alcançando as latitudes polares e afetando praticamente todos os seres humanos na Terra.
Continuar chamando fenômenos tão abrangentes de “ondas de calor” seria como chamar uma monção de chuva passageira. Para compreender a nova realidade dessas imensas extensões de calor, a Reuters consultou duas dezenas de meteorologistas e pesquisadores do clima e analisou as temperaturas de cada hora de cada dia desde 1960 em mais de um milhão de células de uma grade que cobre todo o planeta. A partir desses resultados, foi desenvolvido um novo conceito: a “tempestade de calor”.
Em termos simples, tempestades de calor são ondas de calor de proporções gigantescas. A Reuters utiliza um critério conservador para definir uma onda de calor comum: cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente elevadas. Em seguida, classificamos as maiores ondas de calor — aquelas que, em seu auge, cobrem pelo menos 1% do globo, uma área equivalente a aproximadamente metade do Canadá — como tempestades de calor.
Ao aplicar essa definição, a Reuters identificou uma transformação surpreendente. As tempestades de calor eram raras na década de 1960, quando havia, em média, cerca de cinco eventos ativos por ano. Nesta década, elas se espalharam pelo planeta, com uma média de aproximadamente 102 por ano.
Uma delas provocou o calor mortal registrado neste verão europeu, estabelecendo as maiores temperaturas de junho já registradas em Bordeaux, Budapeste e Bilbao. Nesta última cidade, os termômetros chegaram a 42,7°C. Ao castigar a Europa durante a maior parte de junho e julho, a tempestade de calor deformou trilhos de aço de ferrovias, provocou o que governos europeus estimaram serem mais de 10 mil mortes adicionais em uma única semana e levou cuidadores de zoológicos belgas a refrescar seus tigres oferecendo carne crua envolta em gelo.
A maior tempestade de calor já registrada — aquela que durou 367 dias, entre 2023 e 2024, e atingiu quase 85% do globo — elevou as temperaturas em partes das Filipinas a até 38 °C, tornando insuportáveis as condições para estudantes nas escolas do país, em sua maioria sem ar-condicionado. Em Manila, o professor de matemática Joel Arrojado recordou o caso de um aluno que estava com o rosto voltado para a carteira, chorando. Quando Arrojado convenceu o menino a levantar a cabeça, viu que seu rosto e peito estavam cobertos de sangue. Segundo o professor, a criança havia sofrido um sangramento nasal espontâneo, um problema comum em condições de calor extremo. À medida que o sangue continuava a escorrer pelas narinas, recordou Arrojado, o menino implorou que ele ligasse para sua mãe.
Enquanto a mesma tempestade de calor envolvia o sul da Louisiana por meses, ela agravou uma seca histórica. O estado foi consumido pelas chamas e sofreu o que o governador chamou de “o pior incêndio florestal que vimos desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial”, além de quase 600 outros incêndios registrados somente em agosto. Dois meses depois, a fumaça de um incêndio em uma área pantanosa, que ainda ardia, transformou-se em uma “superneblina” tão densa que provocou um engavetamento em uma rodovia envolvendo pelo menos 158 carros e matou sete pessoas.
A mesma tempestade de calor também contribuiu para intensificar um ciclone no Mediterrâneo em 2023, que provocou chuvas torrenciais na Líbia. Durante a madrugada, duas barragens se romperam perto da cidade costeira de Derna, arrastando bairros inteiros. Uma semana depois, de joelhos e apoiada nas mãos, Sabreen Blil cavava com as próprias mãos os escombros da casa de seu irmão, na esperança de encontrar os mortos. Enquanto chorava, recitava os nomes deles. “Taym, Yazan, Luqman, Salmah, Tumador, Hakim e a esposa dele. Meu Deus. Minha família, onde vocês estão?”, lamentava. “Ó Deus. Nem que seja apenas um — meu Deus — deixe-me encontrar pelo menos um corpo.”
Durante a peregrinação anual do Hajj, na Arábia Saudita, a tempestade de calor elevou a temperatura na Grande Mesquita de Meca a 51,8 °C, provocando a morte de mais de 1.300 peregrinos. Corpos ficaram espalhados pelas ruas. Enquanto isso, o maior incêndio já registrado na Europa se alastrava pela Grécia durante o mesmo período da tempestade de calor. As chamas mataram migrantes que atravessavam a densa floresta de Dadia. Seus corpos permaneceram na mata por dias; até mesmo os abutres que poderiam ter se alimentado deles haviam fugido do fogo.
Todas essas catástrofes, ocorridas em lugares distantes e aparentemente sem relação entre si, tinham uma conexão em comum: uma única tempestade de calor.
Após as tempestades de calor que atingiram a Bolívia em outubro de 2023, o Lago Titicaca, um dos maiores lagos da América do Sul, aproximou-se de níveis historicamente baixos. • REUTERS/Claudia Morales
As tempestades de calor provocam “uma grande ruptura na civilização global”, afirmou James Renwick, professor de geografia física da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia. “O calor é o maior responsável pelas mortes decorrentes das mudanças climáticas”, disse ele, observando que pode levar à “fome, à escassez de alimentos, à morte e a conflitos por recursos”.
As tempestades de calor representam uma nova maneira de compreender como o clima da Terra está mudando à medida que a humanidade lança gases de efeito estufa na atmosfera.
A constatação dos climatologistas de que a temperatura média global em 2025 ficou 1,47 °C acima do nível pré-industrial é útil para cientistas e formuladores de políticas públicas, mas, para muitas pessoas, esse dado é tão abstrato que não tem significado prático. O que as pessoas entendem são as ondas de calor — em espanhol, ola de calor; em árabe, mawjat hararia; em mandarim, rè làng.
Ainda assim, não existe uma definição universal de onda de calor. As autoridades, por exemplo, divergem quanto à duração: o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos define uma onda de calor como um período de clima “anormalmente quente e desconfortável”, que normalmente dura “dois ou mais dias”, enquanto os órgãos meteorológicos da Austrália, França, Espanha e Reino Unido estabelecem um limite de três dias. Alguns desses países também adotam critérios diferentes para determinar quais temperaturas caracterizam uma onda de calor.
Além disso, o que seria considerado uma onda de calor em Anchorage, no Alasca, não seria classificado da mesma forma na Cidade do Kuwait. O clima desses lugares é muito diferente, e uma onda de calor corresponde a um período de temperaturas elevadas incomum para determinada região.
Tempestades de calor intensificam incêndios florestais. Aqui, uma árvore queima em Mandra, Grécia, em julho de 2023, quando tempestades de calor atingiram a região durante a maior parte daquele mês. • REUTERS/Louiza VradiVoluntários deram água a uma ovelha resgatada de uma fazenda em chamas durante um incêndio florestal na vila de Hasia, perto de Atenas, em agosto de 2023. • REUTERS/Alkis KonstantinidisUm homem caminhava sobre o solo rachado de um reservatório que estava secando durante a seca extrema na Catalunha, Espanha, em 2023. • REUTERS/Nacho Doce
Essas definições divergentes tornavam praticamente impossível avaliar se as ondas de calor se tornaram mais frequentes no mundo em comparação com o passado. O sistema desenvolvido pela Reuters, no entanto, oferece a precisão necessária para fazer essa análise.
Começamos determinando a faixa histórica de temperaturas para cada dia do ano, entre 1961 e 1990, em cada uma das 1,04 milhão de células de uma grade que cobre o planeta. Os dados de temperatura são provenientes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, e nossa metodologia detalhada está disponível aqui. Uma onda de calor ocorre quando a temperatura máxima diária de qualquer local atinge pelo menos o percentil 90 de sua faixa histórica — ou seja, fica entre os 10% de temperaturas mais altas — durante cinco dias consecutivos.
Assim, uma onda de calor em julho em Istambul corresponde a cinco ou mais dias consecutivos com temperaturas de pelo menos 25,6 °C, enquanto, em Phoenix, no Arizona, é necessário atingir 40,3 °C.
As tempestades de calor representam uma nova maneira de compreender como o clima da Terra está mudando.
Na definição da Reuters, uma onda de calor pode ocorrer em qualquer estação do ano. Portanto, em Istambul, uma onda de calor em janeiro corresponderia a cinco dias consecutivos com temperaturas de pelo menos 11,2 °C. Em Phoenix, o limite seria de 20,8 °C.
Para medir a extensão geográfica das ondas de calor, mapeamos células vizinhas que registram ondas de calor e formam uma área contínua. Como as ondas de calor muito extensas exercem um efeito de expansão sobre o aumento das temperaturas do planeta, a Reuters criou uma definição adicional: se, em algum momento, uma onda de calor cobrir 1% do planeta, ela será classificada como uma tempestade de calor e receberá um nome, assim como ocorre com tempestades tropicais e furacões.
Dar nomes a esses eventos é “uma maneira poderosa de fazer as pessoas entenderem que algo está acontecendo”, disse à Reuters Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade Yale. No entanto, “atualmente não fazemos isso com as ondas de calor”, afirmou, embora se estime que o calor provoque quase meio milhão de mortes por ano. Definir e nomear as tempestades de calor é uma inovação importante, acrescentou, e pode ajudar as pessoas a acompanhar seus impactos e consequências.
À medida que se multiplicaram ao longo das décadas, as tempestades de calor e as ondas de calor comuns não provocaram apenas catástrofes isoladas. Elas também contribuíram para efeitos sistêmicos e duradouros.
Esses fenômenos agravam as secas e intensificam os incêndios — do Chile à Europa, os maiores incêndios já registrados ocorreram durante tempestades de calor. Além disso, estudos constataram que mulheres expostas a esses eventos durante a gravidez têm maior probabilidade de sofrer consequências que vão desde a morte fetal até a pré-eclâmpsia, uma das principais causas de morte entre mulheres grávidas e no período pós-parto.
O aumento das temperaturas também pode trazer benefícios, ao menos para algumas regiões. Atualmente, a Sibéria produz quase tanto trigo quanto a região tradicionalmente conhecida como celeiro da Rússia, próxima ao Mar Negro. Isso ocorre, em parte, porque o aumento das tempestades de calor e das ondas de calor ajudou a tornar as latitudes mais setentrionais, no extremo norte, adequadas à agricultura. Ao mesmo tempo, esses fenômenos contribuem para as secas na região do Mar Negro, reduzindo a produção agrícola ali.
Dezenas de milhares de ondas de calor comuns surgem e desaparecem todos os anos. Assim como as tempestades de calor, elas também se tornaram mais numerosas, mais do que dobrando entre a década de 1960 e esta década. A grande maioria, porém, é pequena e sequer chega a cobrir 0,01% do planeta — uma área equivalente a um quadrado que poderia ser atravessado de carro em menos de duas horas e meia. Apenas uma fração minúscula das ondas de calor cresce o suficiente para se transformar em tempestades de calor, que atualmente somam cerca de 102 por ano.
Ainda assim, as tempestades de calor agora respondem pela maior parte dos dias excepcionalmente quentes da Terra, ou seja, aqueles que estão entre os 10% mais quentes da faixa histórica. Na década de 1960, as tempestades de calor representavam, em média, 3% desses dias em qualquer ponto do planeta. O restante correspondia a ondas de calor comuns e a períodos curtos de calor que não duravam o suficiente para serem classificados como ondas de calor.
Nesta década, as tempestades de calor passaram a representar quase 43% desses dias.
À medida que as emissões de gases de efeito estufa aumentaram, também cresceram as tempestades de calor e as ondas de calor comuns. Da década de 1960 até esta década, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera aumentou mais de 30%. Nesse período, a proporção média do planeta que provavelmente fica coberta por tempestades de calor e ondas de calor aumentou mais de 12 vezes. O El Niño — fenômeno periódico caracterizado por águas excepcionalmente quentes no Oceano Pacífico, que influencia os principais padrões climáticos — atuou como um acelerador, intensificando as tempestades de calor e as ondas de calor.
A Reuters também examinou o fenômeno oposto às ondas e tempestades de calor: as ondas e tempestades de frio. Elas diminuíram. Da década de 1960 até esta década, a área total atingida por uma onda ou tempestade de frio em um dia médio de inverno encolheu quase 80%.
Apesar de sua dimensão gigantesca, o fenômeno das tempestades de calor permaneceu praticamente invisível para o público. Até as últimas décadas, esses eventos eram mais raros e menores, o que tornava mais fácil ignorá-los.
Mas talvez tão importante quanto isso seja o fato de que eles não haviam sido definidos e nomeados de maneira precisa, como acontece com tufões e furacões. Sim, moradores de Montreal, Perth e Hong Kong sabiam que enfrentavam uma sequência de dias escaldantes, mas não sabiam que todos estavam vivenciando uma única e mesma tempestade de calor.
Como parte desta série sobre as tempestades de calor e seus efeitos, a Reuters incorporou um rastreador on-line de tempestades de calor à sua cobertura meteorológica habitual. Com essa ferramenta, as pessoas podem enxergar o que antes passava despercebido e, com esse conhecimento, contabilizar os impactos das tempestades de calor enquanto elas avançam por diferentes regiões.
A rápida evolução dos fenômenos de calor não apenas tornou cada tempestade individual maior. Agora, em contraste marcante com o que ocorria até mesmo há 20 anos, grandes tempestades de calor frequentemente se encontram, se fundem e se separam umas das outras. Tornaram-se comuns as tempestades que ocorrem em sequência, simultaneamente ou das duas formas — fenômeno que chamamos de cascatas de tempestades de calor.
A duração dessas cascatas aumentou de uma média de aproximadamente dois meses, na década de 1960, para nove meses no início dos anos 2000. Então, em 6 de julho de 2008, uma cascata começou — e não parou mais. Por mais de 18 anos consecutivos, ao longo de 6.681 dias, pelo menos uma tempestade de calor tem assolado o planeta, e frequentemente mais de uma ao mesmo tempo.
Muitas dessas tempestades foram colossais. No período de quase meio século entre 1960 e o início da atual cascata de 18 anos, apenas cinco tempestades de calor haviam atingido, em seu auge, uma área superior a um décimo do planeta, equivalente à área combinada da Europa e da Ásia. A cascata em andamento já incluiu 56 dessas megatempestades de calor.
A maior delas foi batizada de Tempestade de Calor Vera: a tempestade que matou peregrinos durante o Hajj, intensificou os incêndios florestais na Louisiana e atingiu quase 85% do planeta ao longo de seus 367 dias de duração.
O Walmart apresentou nesta quarta-feira (21) novas ferramentas que permitirão que agentes de inteligência artificial façam compras e concluam transações para os clientes.
A iniciativa ressalta o empenho do Walmart em promover compras com tecnologia de IA (Inteligência Artificial) e contrasta com a Amazon, que tem buscado limitar o acesso de agentes de compras de IA de terceiros à sua plataforma.
A rede de varejo informou que lançará os “Perfis de Agentes” no próximo mês, permitindo que os consumidores autorizem agentes de IA individualmente, acompanhem suas compras separadamente e definam limites de gastos ou exijam aprovação para cada transação.
O Walmart afirmou que os clientes poderão monitorar as compras feitas por agentes de IA separadamente de seus próprios pedidos e revogar o acesso dos agentes a qualquer momento.
A empresa também lançou o “Walmart Agent Gateway”, uma plataforma que permite que assistentes de IA, como o ChatGPT da OpenAI, o Gemini do Google e o Muse da Meta, se conectem diretamente aos sistemas do Walmart e do Sam’s Club para pesquisar produtos e concluir compras.
O Walmart afirmou que os clientes manterão o controle sobre as compras, enquanto os agentes de IA não terão acesso aos dados dos cartões de pagamento e poderão ser bloqueados por violarem as regras da empresa.
A empresa informou que as ferramentas estarão disponíveis para todos os titulares de contas do Walmart.