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Com protestos na rua, Seguro dá guarida aos partidos a Belém. Veja o rating da semana

António José Seguro, Presidente da República | A+

Com os protestos na rua, Seguro convoca os partidos, pela primeira vez desde que tomou posse, para uma reunião um dia após a aprovação do OE2027. Quer audiências individuais sobre coesão social, com Belém a liderar a busca de consensos sobre as fraturas sociais mais prementes. É magistratura de influência a exigir que a coesão social não fique na sombra do equilíbrio orçamental.

 

Tribunal de Justiça da UE | Coletivo de Juízes | A-

O TJUE decidiu que os bancos não podem recusar o reembolso de dinheiro retirado de uma conta sem autorização, mesmo quando suspeitam que o cliente foi pouco cuidadoso com os seus dados bancários. Terão agora de provar a negligência grave do cliente. Decisão surge numa altura em que aumentam as fraudes bancárias. Deverá ser respeitada pelos tribunais nacionais e o impacto estende-se a toda a UE.

 

Elon Musk, empresário | B+

Musk abriu a porta à união das duas empresas que lidera. Admite que a SpaceX e a Tesla estão a estudar uma possível fusão que juntaria empresas avaliadas em cerca de 3,5 biliões de dólares. A operação, ainda sem acordo, criaria uma das maiores empresas cotadas do mundo. Apenas atrás de gigantes como Nvidia, Apple, Alphabet e Microsoft. A concretizar-se, seria a maior fusão empresarial de sempre.

 

José Luís Carneiro, secretário-geral do PS | C-

Com o adensar dos protestos pelo direito à habitação, o líder do PS veio pedir fim dos vistos gold no âmbito de um conjunto de medidas para responder aos problemas do setor. Carneiro esquece-se que o regime, durante anos apontado como o culpado de serviço pela escalada de preços, acabou para o imobiliário em 2023. É caso para dizer: o papão foi-se e o problema ficou.

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O motim do ano e mais 70 mil milhões para a guerra. Veja o “Semanário” do JE

16 outubro: 70 mil milhões para a Ucrânia (contas por baixo)
Enquanto os Governos europeus fazem contas a quanto vão gastar para o próximo ano, Zelensky apresentou, no encerramento do Conselho Europeu, o orçamento para a guerra da Ucrânia para 2027, numa altura em que os EUA pressionam para que consiga o acordo. O presidente dos ucranianos fez as contas e estima que irá precisar de pelo menos 70 mil milhões de euros para impedir o avanço da Rússia. Na vertente energética, Portugal e Espanha pressionaram António Costa para que se acelere o financiamento e construção de interligações elétricas entre a Península Ibérica e o resto da Europa.
17 outubro: E o Motim do Ano vai para…
… Paris, Marselha e Limoges! França viveu uma das piores noites de protestos das últimas décadas. Às manifestações contra os custos de vida juntaram-se as greves estudantis: uma mistura explosiva que resultou em graves tumultos, incêndios e saques. No fim, os números impressionam: 550 mil manifestantes, 2400 detidos e mil polícias feridos. E se Paris parece cada vez mais distante de figurar nos prestigiados “World Travel Awards”, o Turismo de Portugal voltou a sair vencedor da gala europeia como “Melhor Destino da Europa”.
 
18 outubro: Agarrem-me se não eu chumbo a lei das rendas
Uma semana depois das principais praças de Lisboa e Porto serem invadidas por tendas, vigílias e protestos, face aos constrangimentos do mercado de habitação em Portugal, as primeiras brechas políticas começaram a fazer-se sentir. Apesar do Chega ter aprovado na generalidade a famosa lei das rendas, o diabo está na especialidade. Sempre sensível aos humores da opinião pública, o líder do Chega, André Ventura, avisou o Governo e ameaçou Luís Montenegro que poderia romper o acordo caso não houvesse cedências.
 
19 outubro: Norte-americanos não querem reis
Se por cá, a habitação marca o protesto, nos EUA ninguém quer reis. As eleições intercalares nos EUA estão marcadas para novembro mas milhares de norte-americanos saíram às ruas de várias cidades norte-americanas (com destaque para Washington e Los Angeles) para um protesto nacional denominado “Sem Reis” (numa alusão ao reinado de Donald Trump), que exige igualdade de direitos no que diz respeito ao contexto político que o país atravessa. Voto antecipado e o fim da agência de imigração ICE foram algumas das palavras de ordem nestas manifestações.
 
20 outubro: PSP desmonta tendas em Lisboa e Porto
Lisboa e Porto viveram horas intensas com o fim da designada “acampada”. A PSP retirou as tendas e em Lisboa, a intervenção policial resultou em 55 detidos. A poucos minutos das seis da manhã, a Polícia de Segurança Pública cercou os locais de protesto com escudos e cães e deu ordem para que fossem retiradas as tendas. Seguiram-se fortes momentos de tensão com várias acusações de violência policial.
 
21 outubro: Patrões criticam falta de ambição do OE
O JE e a EY encheram o CCB para dissecar o Orçamento do Estado para 2027 e Miranda Sarmento levou uma novidade: “Em 2028, teremos de olhar para as derramas estaduais”, destacando ainda que “a redução do IRC é bastante importante” e que irá prosseguir no trajeto já conhecido. Já os patrões (presidentes da CIP, CAP e AICCOPN) elogiaram o equilíbrio do OE mas criticaram a falta de ambição. Pedem mais medidas para aumentar a competitividade e que, com o fim do PRR, incentivem os privados a investir.
 
22 outubro: IVA da restauração: redução volta ao menu
Um “erro crasso” e uma medida “populista”: foi desta forma que o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, criticou a redução do IVA da restauração para 13%. Já o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, admitiu que o Governo pode voltar a discutir esta medida ainda durante a atual legislatura. “Acho que é uma discussão que podemos e devemos ter”, realçou o governante no congresso da AHRESP que decorreu no Algarve no final da semana.
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Almirante Reis no radar dos investidores imobiliários

Ao longo de 2.800 metros, a Avenida Almirante Reis reúne mundos distintos. Os novos condomínios em construção e os hotéis boutique partilham a paisagem com as pequenas mercearias portuguesas e asiáticas. É nesta diversidade, entre a tradição do comércio de bairro e a renovação da oferta urbana, que surgem novas oportunidades de negócio. O número 79 da Avenida Almirante Reis, um edifício que permaneceu durante anos à espera de uma solução, vai ser transformado num empreendimento residencial, um investimento de 11 milhões de euros. A responsável pelo projeto é a Flipstone, uma promotora imobiliária criada em 2024 por um grupo de investidores portugueses e internacionais, que encontrou neste imóvel a oportunidade para avançar com o maior projeto do seu portefólio: 27 unidades residenciais e um espaço comercial, numa das principais artérias de Lisboa.
A localização, junto a uma estação de metro, é um dos trunfos do empreendimento, pensado para quem procura viver no centro da cidade, mas também para investidores interessados no mercado de arrendamento. A operação reflete a estratégia da Flipstone de procurar edifícios devolutos ou com problemas por resolver. “O nosso foco é encontrar oportunidades, desenvolvê-las e promovê-las”, explica Hugo Rosa, managing partner da empresa, ao Jornal Económico.

O empreendimento vai disponibilizar sobretudo apartamentos de tipologias T0 e T1, além de um T3 e de uma loja ao nível da rua. Os preços previstos situam-se entre os 350 mil e os 550 mil euros, com o T3 a apresentar um valor superior. A promotora pretende chegar a diferentes perfis de clientes, desde investidores interessados no arrendamento a compradores que procuram habitação própria numa localização central. “A Almirante Reis ainda é uma zona que tem procura por estudantes e estamos também focados num perfil de casais jovens, de classe média e média-alta, que querem continuar a viver no centro de Lisboa”, afirma Hugo Rosa.

A proximidade do metro é outro dos argumentos centrais do projeto. A estação fica à porta do edifício, uma característica que a Flipstone considera particularmente relevante para quem privilegia a mobilidade e quer reduzir a dependência do automóvel nas deslocações quotidianas. A empresa identifica ainda potenciais compradores estrangeiros, nomeadamente britânicos e norte-americanos, que procuram habitação nova em zonas centrais da capital. “Há sempre aqui também um target de alguns expatriados que possa interessar. Muitas vezes, procuram construção nova no centro da cidade”, explica Hugo Rosa, que destaca a escassez deste tipo de oferta em localizações centrais.

A escolha do imóvel resultou, por sua vez, da possibilidade de ultrapassar constrangimentos que tinham dificultado o avanço do projeto. Segundo o responsável, o Almirante Reis 79 esteve no mercado durante mais de três anos sem que se concretizasse uma solução. A existência de inquilinos comerciais e a complexidade da operação terão contribuído para afastar outros interessados.
“Percebemos que havia uma oportunidade de aumentar os metros quadrados de construção, o que, como é óbvio, daria também um excelente projeto a nível financeiro”, afirma. Para a Flipstone, o empreendimento representa um salto de escala numa atividade ainda recente. “Estamos sempre à procura de projetos em Lisboa e, claro, na Almirante Reis também”, conclui Hugo Rosa.
De acordo com os Censos de 2021, a Avenida Almirante Reis totalizava uma população de 42.132 habitantes (aumentou 4% desde 2011), mas o número de prédios residenciais não cresceu ao mesmo ritmo. E o preço das casas disparou. Hoje em dia, os valores de venda na zona superam os seis mil euros por metro quadrado. Em 2016, o valor rondava os 2200 euros por metro quadrado.

Um dos moradores da Avenida Almirante Reis contou ao Jornal Económico que comprou há 15 anos um apartamento por 110 mil euros. Explicou que, apesar de viver numa zona próxima, decidiu mudar-se para aquele local por o prédio dispor de elevador. O imóvel tem dois quartos, duas casas de banho, cozinha, despensa e duas varandas. Segundo fontes de mercado, este apartamento valerá agora mais de 500 mil euros. “Há investidores que andam à procura de casas para remodelar e depois vender mais caro ou alugar. Mas, especificamente, nesta avenida, é muito difícil encontrar espaços disponíveis”, explica um consultor imobiliário.

O facto de ser uma das avenidas mais dinâmicas de Lisboa tem levado ao aparecimento de novos projetos imobiliários. De entre os projetos que a Dils tem em comercialização é percetível que as tipologias mais pequenas de T0 a T2 são predominantes e apresentam a recuperação de edificado pré-existente como o Almirante Reis 67 com T1 a T3, Praça do Chile 16 com T0 e T1. São normalmente edifícios de pequena escala, com um número reduzido de apartamentos, mas que contribuem para a regeneração e revitalização da área. “A Avenida Almirante Reis apresenta uma proposta de investimento diferenciadora no contexto de Lisboa, combinando centralidade, excelente acessibilidade, potencial de reabilitação imobiliária e um processo de reposicionamento urbano ainda em curso. O principal argumento de investimento reside na transformação progressiva de um eixo tradicionalmente marcado por uma forte componente residencial e comercial, multiculturalidade e alguma heterogeneidade urbana, num conjunto de bairros com identidades próprias e crescente atratividade para novos perfis de residentes”, sublinha Patrícia Barão, partner residential da Dils Portugal, ao Jornal Económico.

De acordo com a especialista da Dils Portugal, as principais mais-valias para investidores podem ser sintetizadas em dois pontos principais. “O potencial de reabilitação e reposicionamento, através da coexistência de edifícios históricos, imóveis por modernizar e projetos de reabilitação bem conseguidos. E a diversidade da procura, com a combinação entre centralidade, transportes públicos, comércio de proximidade e diferentes ambientes residenciais que permite direcionar o investimento imobiliário para uma amplitude diversificada da procura (jovens profissionais, estudantes, famílias e residentes internacionais) quer para venda como para arrendamento”, explica Patrícia Barão.

Nova fase
A requalificação, orçada em 20 milhões de euros, é outros dos pontos fortes para atrair mais residentes. A nova Almirante Reis, que atravessa três freguesias – Areeiro, Arroios e Santa Maria Maior, vai ter mais árvores, mais estacionamento e ciclovias. “O projeto de requalificação da Avenida Almirante Reis encontra-se a ser desenvolvido, dentro dos trâmites normais. Prevê-se que já em 2027 haja lugar ao lançamento do concurso de empreitada de obra pública”, diz fonte da Câmara Municipal de Lisboa ao Jornal Económico.

A autarquia acrescenta ainda que o projeto “constitui-se como uma solução de conciliação entre diversas formas de mobilidade – com a coexistência da circulação viária, ciclável e pedonal -, a par de outros pressupostos indicados no processo participativo prévio, como o foram a arborização dos passeios nas laterais, ou a maior aproximação entre o canal ciclável e os espaços comerciais e residenciais”. “De forma geral, mantêm-se os pressupostos da proposta já apresentada, sendo que até à conclusão da revisão do projeto de execução para requalificação da Avenida, poderão existir ajustes de pormenor ao projeto, designadamente na conciliação com os projetos de arquitetura desenvolvidos para a requalificação da Praça do Martim Moniz, situada a jusante e que é, também ela, um projeto absolutamente estratégico do atual mandato autárquico; ou mais a norte desta fase um, na articulação com a Praça do Chile e com as artérias transversais”, sublinha fonte da Câmara Municipal de Lisboa.
A procura por experiências mais autênticas também se reflete na oferta hoteleira da zona, que atrai visitantes estrangeiros interessados em descobrir uma Lisboa fora dos circuitos turísticos mais tradicionais. Num dos hotéis da área, a taxa de ocupação ronda os 90%, com hóspedes europeus e americanos. “As pessoas procuram uma experiência mais autêntica”, resume um responsável pela receção. A Almirante Reis prepara-se para uma nova fase, marcada pela chegada de investimento e pela transformação do espaço urbano.

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Portugal abre portas na China ao ensino e ciência

Fernando Alexandre quer Portugal no mapa das redes internacionais de investigação de excelência. Em 2025, renovou as parcerias com as universidades americanas, definindo áreas prioritárias para a cooperação. Agora, o ministro da Educação, Ciência e Inovação e Helena Canhão, a sua secretária de Estado para o sector, abrem portas na China.

“Num contexto em que os Estados Unidos e a China lideram várias áreas científicas e tecnológicas, Portugal deve reforçar a sua capacidade de participar nas redes internacionais de investigação de excelência, envolvendo instituições desses países, com vista a desenvolver competências próprias e a criar condições para que as suas instituições e empresas integrem cadeias de valor de maior intensidade tecnológica”, afirma Fernando Alexandre ao JE.

O ministro explica que a “capacidade de Portugal competir na economia do conhecimento depende, em grande medida, da qualidade da sua ciência, da capacidade de atrair e formar talento e da transformação do conhecimento em inovação e em valor económico”.

A República Popular da China, segunda economia do mundo, tem hoje instituições científicas e tecnológicas de referência, alcançando a excelência em várias áreas. “Para Portugal é uma prioridade estabelecer relações com as suas instituições e criar oportunidades de colaboração que resultem em benefícios científicos, académicos, com impacto social e económico”.

Fernando Alexandre lembra que “o alinhamento das prioridades nacionais com as prioridades da UE” é um dos princípios orientadores da avaliação da estratégia em curso para a ciência e a inovação. E que um dos objetivos estratégicos da política é “tornar as instituições portuguesas cada vez mais relevantes” na procura de soluções para os grandes desafios da Europa.
“A relevância das nossas universidades também se mede pela sua capacidade de estabelecerem relações e desenvolverem projetos conjuntos com as melhores instituições internacionais, europeias, norte-americanas ou chinesas. Ou seja, o enquadramento nas políticas da União Europeia não impede a cooperação internacional”.

D acordo com a Declaração Conjunta assinada por Fernando Alexandre e o homólogo Yin Hejun, a cooperação com a China será aprofundada em cinco áreas prioritárias. A saber: oceano e economia azul; energia, clima, baterias e hidrogénio; agricultura, bioeconomia e alimentação; saúde, envelhecimento saudável e tecnologias médicas; e conservação do património cultural através da ciência.

A cooperação poderá incluir projetos com mecanismos de financiamento conjuntos, mobilidade de investigadores, apoio à colaboração tecnológica entre instituições e empresas, e redes de laboratórios conjuntos ou consórcios de investigação. As formas serão definidas em reuniões técnicas a realizar em 2027.

Na área do Ensino Superior, sai desta visita a retoma já no próximo ano das negociações com vista a um novo acordo de reconhecimento mútuo de graus e diplomas entre Portugal e China, que substituirá o documento de 2005.
O ensino e a formação vocacional não foram esquecidas. Também no próximo ano arrancam consultas técnicas com vista “à elaboração de instrumentos de cooperação bilateral”. Nesta área, o foco aponta ao intercâmbio de boas práticas, desenvolvimento curricular, formação de professores e de formadores e parcerias institucionais.

O périplo incluiu Tianjin, Pequim e Xangai e durou uma semana. Fernando Alexandre e Helena Canhão foram acompanhados por reitores e investigadores de cerca de 15 instituições portuguesas, que procuraram eles próprios aprofundar a cooperação que mantêm no país ou abrir novas portas.

Ficou definido que Portugal participará, como “País de Honra”, na Conferência Anual e Exposição da China sobre Educação Internacional e na Exposição de Educação da China em 2027.

A visita oficial é tudo menos simbólica. “Representa uma aposta na cooperação científica, tecnológica e académica, com resultados que terão de ser avaliados no médio e no longo prazo”, diz Fernando Alexandre ao JE.

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