Banco de Portugal e Banco de Espanha lançam cooperação para acelerar transição para criptografia pós-quântica
O Banco de Portugal e o Banco de Espanha assinaram um Memorando de Entendimento para desenvolver um programa de cooperação na área da criptografia pós-quântica, com o objetivo de reforçar a resposta aos riscos emergentes para a cibersegurança e a estabilidade financeira associados ao avanço da computação quântica.
O acordo foi formalizado no âmbito de uma reunião de alto nível realizada esta quinta e sexta-feira, em Lisboa, e reflete a preocupação dos dois bancos centrais com os potenciais impactos da computação quântica sobre os sistemas financeiros e as infraestruturas digitais.
Segundo as instituições, a ausência de uma migração coordenada para tecnologias criptográficas resistentes à computação quântica poderá criar riscos sistémicos, justificando uma estreita coordenação entre autoridades de supervisão e instituições financeiras. Os dois bancos centrais consideram ainda que os riscos associados a fornecedores comuns de serviços e infraestruturas de mercado, bem como às atuais dependências de interoperabilidade, poderão ser mitigados de forma mais eficaz através de uma ação conjunta.
O programa de cooperação poderá ser desenvolvido em três fases. Numa primeira etapa, está prevista a partilha de informação, boas práticas e metodologias. A segunda fase deverá centrar-se na análise das dependências partilhadas, do grau de preparação do ecossistema financeiro e das prioridades de migração. Numa terceira fase poderão ser realizados testes, avaliações de interoperabilidade e análises de tecnologias emergentes.
Para apoiar o avanço das duas últimas fases, os bancos centrais admitem criar um grupo de trabalho com participação da indústria.
Esta foi a terceira reunião conjunta realizada este ano entre o Banco de Portugal e o Banco de Espanha para reforçar a colaboração entre as duas instituições. Além da assinatura do acordo, decorreu um encontro com responsáveis de algumas das principais instituições financeiras dos dois países, durante o qual foi apresentado o programa de cooperação e debatidos temas relacionados com a competitividade do setor financeiro e os riscos e oportunidades decorrentes dos mais recentes desenvolvimentos da inteligência artificial.
As delegações dos dois bancos centrais realizaram ainda sessões bilaterais dedicadas a matérias macroprudenciais e de estabilidade financeira.
No decorrer da reunião foi também promovido um Seminário sobre a Integração Económica Ibérica, durante o qual foi apresentado o documento conjunto “Perspectives on Iberian Economic Integration”.
Pelo Banco de Portugal participaram, entre outros, o governador Álvaro Santos Pereira, a vice-governadora Clara Raposo e os administradores Rui Pinto e Luís Morais Sarmento. A delegação do Banco de Espanha incluiu o governador José Luis Escrivá e a vice-governadora Soledad Núñez, além de vários diretores-gerais das áreas de supervisão, economia, estabilidade financeira e relações institucionais.