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Banco de Portugal e Banco de Espanha lançam cooperação para acelerar transição para criptografia pós-quântica

23 October 2026 at 16:47

O Banco de Portugal e o Banco de Espanha assinaram um Memorando de Entendimento para desenvolver um programa de cooperação na área da criptografia pós-quântica, com o objetivo de reforçar a resposta aos riscos emergentes para a cibersegurança e a estabilidade financeira associados ao avanço da computação quântica.

O acordo foi formalizado no âmbito de uma reunião de alto nível realizada esta quinta e sexta-feira, em Lisboa, e reflete a preocupação dos dois bancos centrais com os potenciais impactos da computação quântica sobre os sistemas financeiros e as infraestruturas digitais.

Segundo as instituições, a ausência de uma migração coordenada para tecnologias criptográficas resistentes à computação quântica poderá criar riscos sistémicos, justificando uma estreita coordenação entre autoridades de supervisão e instituições financeiras. Os dois bancos centrais consideram ainda que os riscos associados a fornecedores comuns de serviços e infraestruturas de mercado, bem como às atuais dependências de interoperabilidade, poderão ser mitigados de forma mais eficaz através de uma ação conjunta.

O programa de cooperação poderá ser desenvolvido em três fases. Numa primeira etapa, está prevista a partilha de informação, boas práticas e metodologias. A segunda fase deverá centrar-se na análise das dependências partilhadas, do grau de preparação do ecossistema financeiro e das prioridades de migração. Numa terceira fase poderão ser realizados testes, avaliações de interoperabilidade e análises de tecnologias emergentes.

Para apoiar o avanço das duas últimas fases, os bancos centrais admitem criar um grupo de trabalho com participação da indústria.

Esta foi a terceira reunião conjunta realizada este ano entre o Banco de Portugal e o Banco de Espanha para reforçar a colaboração entre as duas instituições. Além da assinatura do acordo, decorreu um encontro com responsáveis de algumas das principais instituições financeiras dos dois países, durante o qual foi apresentado o programa de cooperação e debatidos temas relacionados com a competitividade do setor financeiro e os riscos e oportunidades decorrentes dos mais recentes desenvolvimentos da inteligência artificial.

As delegações dos dois bancos centrais realizaram ainda sessões bilaterais dedicadas a matérias macroprudenciais e de estabilidade financeira.

No decorrer da reunião foi também promovido um Seminário sobre a Integração Económica Ibérica, durante o qual foi apresentado o documento conjunto “Perspectives on Iberian Economic Integration”.

Pelo Banco de Portugal participaram, entre outros, o governador Álvaro Santos Pereira, a vice-governadora Clara Raposo e os administradores Rui Pinto e Luís Morais Sarmento. A delegação do Banco de Espanha incluiu o governador José Luis Escrivá e a vice-governadora Soledad Núñez, além de vários diretores-gerais das áreas de supervisão, economia, estabilidade financeira e relações institucionais.

Excedente externo da economia recua para 4.050 milhões até agosto

20 October 2026 at 14:50
créditos ao consumo Banco de Portugal garantia pública

A economia portuguesa registou um excedente externo de 4.050 milhões de euros até agosto, menos 26,8% que no mesmo período do ano passado, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

Em cadeia, são mais 69% face aos 2.397 milhões de euros acumulados até julho, mas o valor continua abaixo do verificado nos mesmos meses de 2025 (5.535 milhões de euros) e 2024 (8.260 milhões de euros).

Segundo o BdP, esta evolução refletiu, principalmente, o aumento de 2.700 milhões de euros do défice da balança de bens (importações aumentaram 6.000 milhões de euros e exportações subiram 3.300 milhões de euros).

A isto, juntou-se a redução do excedente da balança de rendimento secundário em 259 milhões de euros – devido, “em grande medida, ao aumento da contribuição financeira de Portugal para o orçamento da União Europeia” –, bem como o decréscimo de 120 milhões de euros do saldo da balança de serviços.

Já o excedente da balança de capital subiu 1.400 milhões de euros, sendo explicado “maioritariamente, pelo recebimento das compensações pagas por resseguradoras estrangeiras pelos prejuízos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal no início do ano” e pelo crescimento das atribuições de fundos classificados como ajuda o investimento.

O banco central assinala que a capacidade de financiamento da economia portuguesa até agosto resultou num saldo positivo da balança financeira de 2.678 milhões de euros, contra 1.072 milhões de euros em julho e 6.194 milhões de euros um ano antes.

“Os setores que mais contribuíram para este saldo positivo foram as seguradoras e os fundos de pensões, por via do investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes, e os particulares, pelo aumento do investimento em unidades de participação emitidas por fundos de investimento não residentes e de depósitos no exterior”, refere o BdP, numa nota.

Já as sociedades não financeiras e o banco central tiveram as maiores reduções de ativos líquidos, “devido ao crescimento dos passivos de capital e ao desinvestimento em títulos de dívida emitidos por não residentes, respetivamente”.

Apenas no mês de agosto, a economia portuguesa teve um excedente externo de cerca de 1.700 milhões de euros, contra 1.600 milhões de euros no mesmo mês de 2025.

De acordo com o BdP, a variação reflete o aumento de 147 milhões de euros do saldo da balança de capital, a subida de 26 milhões de euros do excedente da balança de rendimento secundário e o crescimento de 61 milhões de euros do défice da balança de rendimento primário.

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