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Deputada da Austrália tem pernas amputadas após ser atropelada

21 October 2026 at 20:36

A deputada australiana Helen Haines, que foi atropelada por um veículo em um suposto ataque deliberado, teve as duas pernas amputadas, segundo anunciou o marido dela, Phil Haines, nesta quarta-feira (21).

Haines, que é deputada federal independente, permanece em estado estável no hospital após o caso, que ocorreu na segunda-feira (20), no meio da tarde, em uma via principal nas proximidades de seu escritório eleitoral em Wangaratta, no nordeste de Victoria.

“A perna esquerda de Helen foi amputada na segunda-feira. Tínhamos a esperança de que a direita pudesse ser salva, mas… os cirurgiões também tiveram de amputá-la”, declarou Phil Haines, marido da deputada há quase 40 anos, em uma coletiva de imprensa no hospital Alfred, em Melbourne.

“Tanto seu coração quanto sua mente estão em bom estado”, acrescentou.

Na segunda, a parlamentar, de 65 anos, estava retirando objetos do porta-malas do carro dela quando um homem passou por ela, antes de, supostamente, dar meia-volta e prensá-la contra o próprio veículo. Não se sabe o motivo do ocorrido.

Enquanto pessoas que estavam na rua corriam para ajudá-la, um barbeiro da região retirou o motorista do carro e o conteve até a chegada da polícia. Haines foi levada imediatamente de helicóptero para Melbourne, onde passaria por uma cirurgia.

Política popular e respeitada em Canberra, ela representa sua comunidade como deputada independente desde 2019.

Em declarações feitas após as de Phil Haines na mesma coletiva de imprensa, a governadora-geral Sam Mostyn disse que mantinha o rei Charles III informado sobre os acontecimentos.

A governadora-geral é nomeada pelo rei como chefe de Estado formal da Austrália, embora o país seja governado por um primeiro-ministro sob um sistema parlamentarista.

“A Austrália ainda está chocada e consternada com este ataque terrível. Sei que aqui, em Victoria em particular, as pessoas estão simplesmente atônitas e têm muita dificuldade em compreender a magnitude desta tragédia”, disse Mostyn.

Enquanto a pilha de buquês de flores crescia em frente ao escritório eleitoral de Haines, seu marido pediu às pessoas que considerassem fazer doações em vez disso.

“Ela adora flores, mas é um pouco difícil cuidar de tantos buquês”, pontuou Phil.

“Pedimos àqueles que desejam apoiar Helen financeiramente que façam uma doação ao Fundo Save the Children”, adicionou.

Suspeito comparece a tribunal na Austrália

O suposto agressor, Brendan Nugent, de 43 anos, compareceu a um tribunal nesta quarta-feira, acusado de direção perigosa resultando em lesões graves, de causar intencionalmente lesões graves e de causar danos a uma funcionária pública da Commonwealth.

Na audiência judicial, que foi bastante breve, o advogado de Nugent afirmou que ele sofria de uma condição neurológica rara e que, no momento, não estava sob medicação.

Não foi apresentado nenhum pedido de liberdade sob fiança, e a próxima audiência está marcada para o dia 4 de fevereiro.

Sessões informativas sobre segurança

Embora a polícia ainda precise determinar se o caso teve motivações políticas, o suposto ataque chocou o país e colocou em foco a segurança de seus líderes políticos.

Os integrantes do Parlamento receberam, nesta quarta-feira, em Canberra, sessões informativas detalhadas sobre segurança, enquanto a comissária da Polícia Federal Australiana apontava para o aumento das denúncias de assédio e ameaças contra parlamentares federais.

As autoridades observavam “uma crescente polarização política e um sentimento antigovernamental, bem como comportamentos impulsionados por teorias da conspiração e ressentimentos”, declarou a comissária Krissy Barrett em uma coletiva de imprensa.

“Indivíduos agindo sozinhos, motivados por uma combinação de ressentimentos pessoais, vulnerabilidades de saúde mental e preocupações ideológicas”, estavam contribuindo para essa tendência de alta, acrescentou.

O comissário-chefe da Polícia de Victoria, Mike Bush, disse que a polícia não dispunha de informações de inteligência sobre o suposto agressor de Haines que indicassem um risco iminente.

Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas

7 October 2026 at 23:26

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O primeiro turno da campanha eleitoral de 2026 durou 50 dias e registrou 134 episódios de violência política contra candidatos e candidatas, além de agentes políticos.Um aumento de 11% em relação aos 121 casos registrados no mesmo período da eleição municipal de 2022.

Os 134 episódios representam um caso de violência política a cada nove horas de campanha. E apesar das mulheres serem apenas 35% do total de candidatos, elas foram a maioria (52%) das vítimas do primeiro turno, segundo o levantamento.

Os dados integram a 4ª edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global, que pesquisa o tema desde 2016. O levantamento foi divulgado nesta quarta, dia 7 de outubro.

A porcentagem de vítimas mulheres aumenta mais ainda quando a pesquisa separa apenas os casos envolvendo candidatas e candidatos. Dos 134 episódios de violência política durante o primeiro turno, 102 foram dirigidos a pessoas que disputavam o pleito. Desse total, 60 eram mulheres, quase 59% do total.

Para a coordenadora do Setor de Incidência da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, “os dados trazem importantes achados para identificar os ambientes em que agentes políticos estão mais vulneráveis e pensar medidas de proteção. Quando eleitas, essas pessoas passam a ser vítimas de violências nos seus locais de atuação, seja no Parlamento ou no Executivo”, afirma.

Machismo e misoginia se misturam nos casos de violência política

A pesquisa mostra que a violência política é marcada pela discriminação de gênero e raça. Quando se considera o universo completo de 70 casos de violência política contra mulheres, 45 casos envolveram machismo ou misoginia, nove envolveram racismo e cinco envolveram transfobia. Mulheres pretas foram vítimas de 25% dos casos de violência política medidos nesse primeiro turno.

A ameaça foi o tipo de violência política mais recorrente no período, com 64 casos registrados. Na sequência, aparecem 33 episódios de ofensa e 19 de agressão física. Também foram registrados 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos.

Mais da metade dos casos (71 ocorrências) aconteceu nas ruas, durante atividades públicas de campanha. O ambiente virtual concentrou 31,3% dos episódios.

Além disso, apenas candidatas sofreram ameaças de violência sexual. Em todos os sete casos, as vítimas eram mulheres.

“Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira”, afirmou em nota Glaucia Marinho, diretora-executiva da Justiça Global.

Policiais e outros agentes públicos foram a maioria dos autores

Em quase 20% dos casos o autor identificado da violência política era um agente público, incluindo parlamentares e forças de segurança. Até o encerramento da coleta de dados pelas organizações autoras da pesquisa, nenhum dos 134 episódios havia resultado em alguma punição efetiva, limitando-se a medidas cautelares de urgência determinadas pela Justiça Eleitoral.

A região Nordeste liderou o número de casos (48), seguido pelo Sudeste (38). Entre os estados, São Paulo lidera com 16 casos, seguido por Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).

A presença de policiais entre os autores de violência política já havia sido detectada também em levantamento realizado pela Agência Pública durante o primeiro turno.

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