La Seu: a única obra de Gaudí sem "total liberdade"

© LightRocket via Getty Images

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A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, I.P. (CCDR Algarve) promove, no dia 22 de outubro de 2026, no Auditório da CCDR, em Faro, a sessão «Matéria Adentro: Novos caminhos para os materiais do território». O encontro decorrerá entre as 14h30 e as 18h00 e será dedicado à apresentação pública de novos produtos desenvolvidos a partir de recursos endógenos do Algarve.
A iniciativa dará a conhecer os resultados de residências criativas que reuniram unidades produtivas, designers, arquitetos e investigadores em torno de quatro materiais: cana, casca de ostra, barro (telheiros) e taipa. O trabalho de cocriação e experimentação procurou explorar novas aplicações destes recursos na arquitetura, no design e na construção sustentável.
A receção dos participantes terá início às 14h15, seguindo-se a abertura institucional às 14h30. A apresentação dos projetos e resultados começa às 15h00, com uma abordagem ao processo de desenvolvimento, aos desafios encontrados e ao potencial de aplicação dos produtos. Às 16h15, uma pausa interativa permitirá conhecer as peças em exposição e trocar ideias com as equipas envolvidas.
Às 17h00, a mesa-redonda «Caminhos Práticos para os Materiais do Território» abrirá o debate sobre as condições necessárias para levar estas soluções ao mercado. Serão abordados temas como a viabilidade comercial dos produtos, a integração de materiais endógenos na contratação pública, a valorização de resíduos como matéria-prima e as oportunidades na arquitetura sustentável. O encerramento está previsto para as 17h45.
A participação é gratuita e aberta a todos os interessados, com lotação máxima de 90 lugares. As inscrições decorrem até 19 de outubro, através do formulário de inscrição clicando aqui.
A sessão integra o «Programa de Desenvolvimento de Novos Produtos baseados em Materiais Endógenos Inspirados na Dieta Mediterrânica», promovido pela Unidade de Desenvolvimento e Planeamento Regional da CCDR Algarve, no âmbito do INOVA ALGARVE 3.0 | Promoção da Qualificação e Inovação na Região do Algarve, dinamizado pela Proactivetur e cofinanciado pelo Programa Regional Algarve2030.
Sobre o projeto
O programa tem como objetivo estimular a criação de novos produtos a partir dos materiais endógenos do Algarve, promovendo a sua valorização económica e cultural. Inspirado nos valores da Dieta Mediterrânica, associa os saberes e as técnicas tradicionais à inovação, procurando contribuir para a diversificação da economia regional e para a continuidade das atividades artesanais.
O projeto articula um plano de desenvolvimento, assente no mapeamento de recursos e agentes locais, com residências criativas que reúnem artesãos, empresas, designers, arquitetos e investigadores. Através da cocriação e da experimentação com a cana, a casca de ostra, o barro e a taipa, procura desenvolver produtos com potencial de aplicação no design, na arquitetura e na construção sustentável, integrando princípios de economia circular e de utilização responsável dos recursos.
A arquiteta Inês Carneiro, de Ponte da Barca, é a vencedora da 22.ª edição do Prémio Fernando Távora, com a proposta “Arquiteturas do Cosmos: Interface com a Física”, anunciou, na segunda-feira à noite, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitetos.
O prémio, que atribui uma bolsa de seis mil euros a uma proposta de viagem, recebeu nesta edição 28 candidaturas, tendo o júri analisado quatro propostas sobre o tema da Habitação que, “apesar da sua atualidade, ficaram aquém das expectativas que a relevância do tema exige”.
“A proposta [vencedora] tem uma dimensão humanista/filosófica, vendo os observatórios astronómicos como instrumentos científicos e megalómanas arquiteturas, mas também filosóficos e políticos. Eles são a prova do despertar do Homem que persistentemente observa o cosmos — a ordem (kósmos) do universo e da matéria — em busca de respostas sobre a nossa origem e posição no mundo, ligando o passado (luz das estrelas) e o futuro”, considerou o júri, citado em comunicado.
No mesmo texto é explicado que a proposta de viagem se concentra numa “travessia pelo deserto, debaixo do território celeste, para documentar, essencialmente, o ALMA – Atacama Large Millimeter Array, o Complexo Solar Cerro Dominador, o ESO Paranal VLT, o ESO La Silla e ainda a Reserva de Céus Escuros de Valle Del Elqui”.
“Espera-se que esta aproximação ao universo se traduza em reflexões ‘in loco’ sobre a nossa posição no mundo, porque mais do que cidadãos da polis, somos cidadãos do cosmos”, acrescentou o mesmo documento.
Citada no comunicado, Inês Carneiro lembra que “no Deserto do Atacama, no Chile, erguem-se, de forma solitária, megalómanas arquiteturas destinadas à observação do cosmos: os observatórios astronómicos”.
“Estes edifícios albergam alguns dos mais avançados futurismos tecnológicos, integrando telescópios de ótica de ponta, sistemas sofisticados de tecnologia e domótica, e afirmando-se como verdadeiras interfaces entre a arquitetura e a física. A relação entre estas duas disciplinas manifesta-se não apenas na missão de compreender as leis do universo, mas também no rigor geométrico e construtivo destas estruturas, na funcionalidade dos seus espaços e na escolha criteriosa da sua localização remota”, acrescentou a vencedora.
Nascida no Porto em 1994, Inês Carneiro viveu entre a cidade e a vila de Ponte da Barca. Ingressou em 2013 no curso de Arquitetura da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e concluiu os estudos em 2020 com a dissertação de Mestrado Pela “Casa do Espaço” – Projecto do Observatório Astronómico Fernando Lanhas, com a classificação final de 20 valores.
Nesse mesmo ano começou a colaborar com o professor João Paulo Loureiro, no atelier JPL Arquitecto, onde permaneceu até 2022, altura em que iniciou funções no escritório Ventura + Partners, dirigido por Manuel Ventura.
Em paralelo, desenvolve vários projetos ligados ao associativismo e à produção de eventos musicais. Preside desde 2018 à Associação Juvenil do Lima, associação cultural barquense, e dirige o Festival Ecos do Lima. Integra ainda equipas de festivais de maior dimensão, como o Primavera Sound Porto e o Vodafone Paredes de Coura, onde coordena o recinto, aplicando a experiência da sua formação à implantação de estruturas e infraestruturas, bem como à logística e gestão de projeto.
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© MANUEL ARAÚJO/LUSA
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Os “Passeios na História de Tavira” regressam, no próximo dia 17 de outubro, pelas 10h30, com um percurso dedicado à arquitetura modernista na cidade, orientado por Ricardo Costa Agarez, arquiteto e investigador do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.
Entre as décadas de 1930 e 1960, Tavira conheceu a construção de edifícios públicos e privados que introduziram novas formas de pensar e construir a arquitetura, procurando conciliar os princípios da modernidade com as tradições locais e as características da cidade. Estas construções, por vezes discretas entre o edificado histórico, constituem testemunhos das transformações urbanas e sociais do século XX.
Ao longo do percurso, serão abordados alguns destes edifícios, procurando compreender as circunstâncias que estiveram na origem da sua construção, as necessidades a que procuraram responder e o papel que desempenharam na vida da comunidade. A visita será também uma oportunidade para refletir sobre a importância da arquitetura modernista na identidade urbana de Tavira e na construção de uma cidade diversificada e viva.
Ricardo Costa Agarez é arquiteto e investigador na área da história e teoria da produção do ambiente construído. É investigador principal no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde coordena a iniciativa Arquitectura Aqui – Comunidade, Proximidade, Ação: Equipamento de Utilização Coletiva em Portugal e Espanha 1939-1985. Entre as suas publicações destacam-se A Construção do Algarve (2023), A Habitação Apoiada em Portugal (2020) e Algarve Building (2016).
“Passeios na História de Tavira” têm como finalidade dar a conhecer o passado da cidade e do concelho, a paisagem, os monumentos e as personagens históricas, bem como sensibilizar para a necessidade de proteger e valorizar a herança patrimonial.
Os interessados em participar, no número máximo de 30 pessoas, deverão preencher, até dia 15 de outubro, o formulário de inscrição clicando aqui.
Para mais informações, contate a Divisão de Turismo, Património e Museus de Tavira pelo telefone 281 320 545 ou pelo e-mail: edu.museus@cm-tavira.pt .
O atelier de arquitetura Risco Singular, de Barcelos, foi duplamente premiado nos Loop Design Awards 2026, com a distinção do projeto House M.
Venceu nas categorias de “Design de Interiores – Residências e Moradias” (Vencedor da Categoria) e de “Arquitetura – Residências e Moradias” (Menção Vencedora), distinguindo o trabalho desenvolvido tanto na vertente arquitetónica como no desenho dos interiores.
Em comunicado enviado a O MINHO, o escritório sublinha que estas distinções “vêm reforçar o percurso da Risco Singular e o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo gabinete, assente numa abordagem integrada à arquitetura, ao design de interiores e à relação entre espaço, matéria e luz”.
A House M, situada no concelho de Barcelos, junta-se assim a um “conjunto de projetos que têm vindo a marcar o percurso do gabinete, refletindo uma prática orientada pelo rigor, pela atenção ao detalhe e pela procura de respostas singulares para cada projeto”.
Para a Risco Singular, este novo reconhecimento representa “não apenas a valorização de uma obra, mas também a afirmação de um percurso e de uma forma de fazer arquitetura que procura aliar exigência, identidade e qualidade espacial”.
O projeto da House M, concluído em 2025, é da autoria dos arquitetos Paulo Costa e Sónia Abreu.
Os Loop Design Awards, registados desde 2021 em Portugal, contam com uma equipa global composta ainda por elementos dos Estados Unidos da América e Japão.
Sinopse do projeto
Onde a luz se revela com serenidade e o terreno se abre de forma generosa, a habitação renasce como uma composição de volumes que se sucedem num movimento contínuo e intencional. A intervenção parte da preexistência, não como memória congelada, mas como ponto de partida para um conjunto que se organiza numa relação clara entre interior e exterior, entre resguardo e abertura.
O primeiro volume acolhe o quotidiano de forma contida, deixando que as aberturas moldem a luz ao longo do dia. A partir dele, a casa prolonga-se em direção ao exterior através de uma sequência de espaços que encontram na paisagem próxima o seu contraponto: áreas de estar, de convívio e de lazer que se afirmam pela sua relação direta com a piscina e com o jardim envolvente. Aqui, a vegetação, cuidadosamente escolhida, não é cenário, mas matéria que confere profundidade, filtrando a claridade e marcando a passagem entre os diferentes momentos habitados.
Esta sucessão de volumes desenha o terreno e delimita-o, formando um U que abraça um único pátio central — um espaço onde a luz, a sombra e a presença da água estruturam a vivência exterior. Não há dispersão, mas continuidade. O pátio torna-se o centro vital da composição, lugar onde a habitação se abre e respira.
Num dos volumes mais recatados, um abrigo destinado a aves de coleção introduz uma dimensão sensorial e contemplativa, revelando a relação afetiva dos moradores com o lugar.
O percurso culmina então num prisma de vidro escurecido, onde se desenvolve a piscina interior. A sua presença dialoga com a vegetação envolvente, que se prolonga no reflexo da água, dissolvendo limites. Aqui, as paredes rasgam-se rumo ao verde e a arquitetura torna-se permeável, permitindo que o exterior participe plenamente no espaço interior. A água, silenciosa, articula o conjunto, tornando-se o elo que unifica esta casa que se abre ao mundo de forma subtil, serena e profundamente pensada.













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