Na reta final da campanha eleitoral para presidente da República, as propostas econômicas apresentadas até aqui ainda não oferecem garantias concretas de ajuste fiscal, avalia o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal. Segundo ele, falta um plano detalhado capaz de responder ao aumento do desequilíbrio nas contas públicas projetado para o início de 2027.
“Há um rombo maior do que havia antes e muitas dúvidas sobre como qualquer um dos candidatos vai lidar com esse rombo maior no início de 2027”, afirma, em entrevista ao Capital Insights – parceria entre a Broadcast e o CNN Money – desta quinta-feira (22).
Para Leal, o ponto central do debate macroeconômico segue sendo o fiscal. Ele afirma que as expectativas de inflação futura carregam um “prêmio de risco fiscal”, isto é, parte relevante do que se projeta para os preços adiante não deriva da demanda aquecida, mas da desconfiança com a trajetória das contas públicas.
Na avaliação do economista, sem esse risco fiscal, a inflação tenderia a convergir para a meta, porque o mercado confia no Banco Central. “Hoje há confiança na política monetária, e não na fiscal”, resume.
A economia brasileira também é um desafio para o próximo presidente da República, acrescenta Leal. Na entrevista, ele afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre “deve ser negativo” e não descarta um desempenho ruim também no quarto trimestre, num ambiente em que crédito mais seletivo, endividamento elevado e incertezas fiscais restringem consumo e investimento.
Ao discutir o ambiente político, Leal argumenta que a campanha do presidente Lula não conseguiu transformar a inflação mais controlada em tração eleitoral. Segundo ele, o motivo central é que a melhora de índices agregados não se converteu em sensação de alívio no bolso.
Esse quadro, diz Leal, ajuda a explicar por que o Banco Central começou a reduzir juros levando em conta não apenas o comportamento dos preços, mas também o peso do endividamento sobre a atividade.
Esse quadro, segundo ele, afeta diretamente emergentes como o Brasil, pressionando prêmios de risco e tornando mais difícil sustentar um ciclo doméstico de alívio monetário sem impacto no câmbio.
Ao olhar para os Estados Unidos, o economista projeta um cenário de turbulência política. Ele avalia que Donald Trump tenderia a judicializar o processo eleitoral e que, mesmo se vencer, enfrentará forte oposição, com possibilidade de novas crises institucionais, incluindo tentativas de impeachment.
No pano de fundo, Leal afirma que o Federal Reserve ainda pode elevar juros mais uma vez neste ano, possivelmente em dezembro – movimento que, se confirmado, apertaria as condições financeiras globais e aumentaria a pressão sobre câmbio e expectativas no Brasil, justamente num momento em que o país tenta equilibrar desaceleração econômica e fragilidade fiscal.
O Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado, em linha com as previsões no mercado, mostrou o balanço divulgado nesta quinta-feira (22) pelo banco, sem mudanças nas previsões para o ano. Na comparação trimestral, o resultado subiu 0,8%.
A carteira de crédito da instituição totalizou R$ 1,15 trilhão no final de setembro, aumento de 11,1% ano a ano e de 1,1% em relação ao final de junho, enquanto o índice de inadimplência acima de 90 dias no terceiro trimestre ficou em 4,6%, de 4,1% um ano antes e 4,3% no segundo trimestre de 2026.
O custo do crédito, representado pela PDD (despesa de provisões) expandida, cresceu 24,3% ano a ano e 6,6% na comparação trimestral, para R$ 10,6 bilhões.
O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) ficou em 15,6%, de 14,7% no mesmo intervalo do ano passado e 16,2% no segundo trimestre do ano. Desconsiderando o aumento de capital recente, o ROAE foi de 16,1%.
A SpaceX SPCX.O revelou na quinta-feira (22) que sua potencial fusão com a Tesla TSLA.O precisará da aprovação de seu investidor controlador, Elon Musk, dias depois de o homem mais rico do mundo ter dito que não pode participar das discussões dos comitês especiais.
Musk afirmou na terça-feira (20) que uma fusão de suas duas empresas, SpaceX e Tesla, seria “uma boa ideia” e que comitês especiais foram formados para discutir essa união.
Durante séculos, a matemática avançou no ritmo do pensamento humano. Alguns problemas exigiram décadas de tentativas até que alguém encontrasse uma resposta. Outros seguem sem solução.
Agora, a inteligência artificial desafia essa lógica. A OpenAI, dona do ChatGPT, revelou este mês que um modelo de IA foi submetido a 4 mil problemas matemáticos e conseguiu resolver 377 deles — incluindo questões que especialistas tentavam desvendar há anos.
A companhia divulgou os resultados num repositório no GitHub, com descobertas em áreas como teoria dos números, topologia, lógica matemática, álgebra e ciência da computação teórica. De acordo com a empresa, cada um dos 377 resultados consumiu, em média, recursos computacionais equivalentes a três horas de processamento do ChatGPT Pro.
Parte da comunidade científica reagiu mal ao anúncio. Isso por conta do que esse processo representa para a matemática — uma atividade que, historicamente, dependeu de anos de trabalho, intuição e investigação humana.
A inteligência artificial já demonstra capacidade de avançar em questões que desafiam especialistas com anos de experiência, levantando uma pergunta sobre o futuro do próprio campo de estudo: se as máquinas conseguem encontrar soluções em uma escala inigualável para os humanos, o que sobra para a matemática?
Para Fábio Tal, professor do Departamento de Matemática Aplicada do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP (Universidade de São Paulo), os resultados representam uma transformação profunda na maneira de produzir matemática. Ele acredita que, mesmo que as demonstrações ainda precisem ser revisadas, o avanço da IA não deve ser subestimado.
“A coisa é muito impactante, muito forte e vai trazer transformações muito importantes na matemática”, afirma.
A avaliação é compartilhada pelo especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias.
“O que a OpenAI divulgou aponta para um horizonte em que resolver problemas matemáticos em aberto deixa de ser trabalho humano. Isso pesa mais do que qualquer um dos resultados tomado isoladamente”, diz.
Objetivo nem sempre é a resposta
Uma das principais questões levantadas pelos especialistas é a diferença entre resolver um problema e compreender o que a resposta significa. Isso porque, na matemática, a investigação não se resume ao resultado.
É justamente esse processo que preocupa Fábio Tal. Segundo o matemático, a resolução de um problema costuma ser parte de uma investigação mais ampla, que ajuda os pesquisadores a formarem uma linha de raciocínio, encontrar ferramentas para lidar com problemas e produzir conhecimento.
“Enquanto o problema era o foco, ele não era o objetivo. E a IA está meio tratando todos os problemas como se fossem objetivos”, afirma Tal.
Para ele, a produção em grande escala pode dificultar a compreensão dos resultados. A comunidade matemática precisa não apenas verificar se as demonstrações estão corretas, mas também descobrir como elas se relacionam com o que já existe, se apresentam técnicas realmente novas e quais outras questões podem ajudar a resolver.
O volume de material produzido pela OpenAI dificulta esse trabalho. Tradicionalmente, uma demonstração matemática complexa pode levar anos para ser revisada por especialistas. Agora, os pesquisadores se deparam com centenas de resultados divulgados de uma só vez.
Na avaliação de Álvaro Machado Dias, a dificuldade de medir a importância das descobertas não é uma novidade na matemática. A diferença está na velocidade e na quantidade de material que precisa ser analisado.
“O que se tornou diferente foi a proporção entre o conteúdo que entra e o número de gente capaz de julgar: uma comunidade dimensionada para absorver um gotejamento de provas recebeu, num único dia, um volume que levaria anos para digerir”, diz.
O especialista ressalta que a dimensão do avanço não significa que todos os resultados tenham a mesma importância científica. A OpenAI poderia selecionar problemas que a tecnologia tem maior chance de apresentar resultados expressivos, e esses problemas nem sempre correspondem às prioridades da comunidade matemática.
Nesse caso, o desafio é transformar a produção da IA em conhecimento que possa ser compreendido, debatido e aproveitado por pesquisadores humanos. Sem esse esforço, a resolução da IA pode até estar certa, mas seu impacto na ciência seguirá limitado.
Quem verifica as respostas da IA?
Antes de incorporar os resultados ao conhecimento matemático, os pesquisadores precisam verificar se as demonstrações estão corretas.
Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é o Lean, que verifica resultados e a lógica por trás da resolução. Ela ajuda a conferir a consistência de uma demonstração, mas não substitui a avaliação científica.
Fábio Tal explica que a revisão tradicional depende de especialistas capazes de acompanhar os argumentos apresentados em um artigo, identificar falhas e verificar se cada etapa está devidamente justificada.
O matemático diz que a comunidade já começou a examinar os resultados produzidos pela IA, mas ainda não há uma avaliação definitiva. Inclusive, erros já apareceram e devem continuar aparecendo nessa correção.
A própria divulgação da OpenAI reconhece que alguns resultados ainda podem apresentar problemas. A empresa afirma que pretende corrigir eventuais falhas e financiar workshops, conferências e programas voltados à compreensão das descobertas produzidas pela IA.
Isso não elimina a dimensão do avanço. Para Tal, mesmo depois das correções, o conjunto poderá representar um volume de descobertas superior ao que pesquisadores humanos conseguiriam produzir no mesmo período.
“Eles [empresas de IA] estão fazendo coisas que a gente não estava conseguindo fazer antes com a IA. Eu acho que vai mudar muito como é feito matemática ou como se entende o fazer matemática”, defende.
Machado também destaca que a verificação formal não encerra o trabalho dos matemáticos. É necessário compreender o que cada resultado acrescenta à área, quais conhecimentos anteriores foram utilizados e quais novas perguntas podem surgir a partir das demonstrações.
IA coloca formação dos matemáticos em xeque
Se a inteligência artificial agora consegue resolver em pouco tempo problemas que antes eram desafios para pesquisadores em formação, uma das consequências mais imediatas pode aparecer nas universidades.
Fábio Tal chama a atenção para o papel do erro no aprendizado da matemática. Durante um mestrado ou doutorado, um estudante recebe um problema, testa caminhos, identifica falhas e constrói as habilidades necessárias para conduzir pesquisas mais complexas.
“Você aprendia muito em matemática errando. O jeito de se aprender em matemática não é só acertando, é você tentar, errar e descobrir porque deu errado. E faz isso tantas vezes até a hora que você consegue entender porque a coisa funciona de certo jeito e consegue chegar no próximo lugar”, afirma.
Nesse processo, o estudante desenvolve ferramentas próprias e uma intuição que poderá utilizar em pesquisas futuras. A possibilidade de recorrer a um modelo capaz de encontrar imediatamente uma solução muda as condições desse aprendizado.
“Algo precisa ser feito para pegar esse tipo de produção [por parte da IA] e transformar em conhecimento, e não só resolução de problemas”, diz Tal.
A questão não é apenas se os alunos poderão usar inteligência artificial, mas como aprenderão a trabalhar com ela sem abrir mão da capacidade de compreender e defender os resultados que apresentam como seus.
Para o matemático, a responsabilidade do pesquisador permanece mesmo quando uma demonstração é produzida com auxílio de uma máquina. Quem assina um artigo precisa entender o que está sendo afirmado e ser capaz de sustentar seus argumentos.
Álvaro Machado Dias amplia o problema para a própria estrutura da profissão. Se a resolução de problemas se tornar uma atividade automatizada, a formação de novos matemáticos poderá perder parte de sua justificativa tradicional.
“O problema é que não será preciso gente o suficiente nesses espaços para justificar a formação na área”, afirma.
IA é criativa?
Até que ponto os resultados representam descobertas originais da inteligência artificial ou apenas uma combinação de conhecimentos já produzidos por matemáticos humanos?
Para Fábio Tal, a matemática sempre avançou a partir da combinação de ideias anteriores. Uma descoberta raramente surge do nada: pesquisadores utilizam conceitos, técnicas e demonstrações desenvolvidos por outras pessoas para construir novos resultados.
A diferença da IA, segundo ele, está na capacidade dos modelos de reunir conhecimentos de áreas distintas em uma velocidade que não seria possível para um pesquisador individual.
Já para Machado, a criatividade da máquina tem uma característica diferente da humana. Em vez de depender da própria intuição, os sistemas podem rodar diversas combinações em paralelo até encontrar uma que funcione.
Para ele, a máquina testa alternativas que um matemático dificilmente conseguiria explorar individualmente. A descoberta pode surgir de uma combinação bem-sucedida, sem que exista um pesquisador humano.
Quem escolhe os problemas que merecem ser resolvidos?
Mesmo com o avanço dos modelos, Fábio Tal identifica atividades que continuarão sendo importantes para os pesquisadores: verificar as demonstrações, traduzir os resultados para outros humanos e, principalmente, escolher quais perguntas merecem ser investigadas.
No entanto, ele evita estabelecer uma fronteira definitiva entre as capacidades humanas e as da inteligência artificial, justamente pelo ritmo de avanço da IA.
Para Álvaro Machado, a escolha das perguntas também revela uma assimetria entre empresas de inteligência artificial e pesquisadores independentes.
Semanas antes da resolução dos 377 problemas matemáticos, a OpenAI já havia revelado que sua IA resolveu a equação de Navier-Stokes, considerado o “Problema do milênio”. Segundo o especialista, a desenvolvedora decidiu concentrar esforços no problema depois de saber que dois matemáticos estavam próximos de um avanço.
A OpenAI negou ter acessado os dados produzidos pelos pesquisadores.
O que sobra para a matemática?
A possibilidade de automatizar parte da pesquisa matemática coloca a comunidade diante de um dilema. De um lado, há o potencial de ampliar as fronteiras do conhecimento e chegar a resultados que levariam anos para serem encontrados por humanos. De outro, existe o risco de que a velocidade da produção ultrapasse a capacidade de compreender as descobertas e de formar novos pesquisadores.
Para Fábio Tal, tentar impedir o uso da tecnologia não parece ser uma solução. O desafio é encontrar maneiras responsáveis de incorporá-la ao trabalho científico, preservando a capacidade de entender os resultados e desenvolver novas perguntas.
O matemático também reconhece que o objetivo da área não pode ser simplesmente garantir que humanos continuem sendo melhores do que as máquinas em resolver problemas. Ele avalia que, se a inteligência artificial permitir descobrir mais sobre o mundo, abrir mão desses avanços apenas para preservar o processo tradicional de pesquisa pode significar deixar de produzir conhecimento.
O desafio, então, se torna adaptar instituições, métodos de pesquisa e formação profissional à nova realidade.
A Justiça Federal negou uma liminar da OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo) que pedia a interrupção das atividades jurídicas ofertadas pela Enter, empresa de inteligência artificial voltada para advogados. A decisão faz parte de uma ação civil pública movida pela Ordem contra a companhia de IA, citando a prática de “advocacia sem advogado”.
A OAB SP acionou a Justiça no início deste mês. Entre os pedidos, estavam a preservação de provas relativas ao funcionamento do sistema da Enter, a suspensão de publicidades que apresentem o produto como um substituto ao advogado e restrições a novas contratações.
A Ordem também pediu a imposição de uma supervisão humana “efetiva, verificável e auditável por advogados” em todas as etapas, transparência e o impedimento de que o serviço seja ofertado para profissionais não advogados.
Na decisão de quarta-feira (21), a juíza federal Raquel Fernandez Perrini negou a suspensão da publicidade e a proibição de novas contratações por parte da Enter.
A Justiça aceitou apenas um dos pedidos: o de que a empresa deve preservar documentos e registros de toda a sua operação desde 1º de janeiro de 2024. Isso inclui contratos com clientes e escritórios, versões de modelos e manuais da empresa, e fluxos de remuneração e preços por acesso.
A entidade afirma que os elementos apresentados pela OAB SP revelam “controvérsia plausível” sobre a extensão dos serviços da Enter e que o risco de alteração ou descarte dos registros justifica a preservação imediata.
Entenda o embate entre OAB SP e Enter
A Enter usa inteligência artificial para apoiar advogados e escritórios de advocacia. A empresa afirma que seus agentes de IA produzem a primeira versão de cada etapa de um processo judicial antes que o profissional intervenha no caso.
Os serviços são ofertados tanto a escritórios de advocacia quanto aos clientes finais. O portfólio inclui Bradesco, Mercado Livre, Nubank e LATAM.
Para a OAB SP, a atividade da Enter configura o que a entidade chama de “advocacia sem advogado”, o que motivou o pedido de liminar no início de outubro. A instituição
“A Ordem de São Paulo entende que, diante da escala da operação e do grau de automação empregado, é necessário assegurar que o advogado responsável tenha condições efetivas de analisar, revisar e validar o conteúdo pelo qual responde pessoal e disciplinarmente”, escreveu a Ordem.
A instituição ainda afirmou, à época, que não é contra a tecnologia, mas contra a “advocacia sem advogado“.
“A inteligência artificial pode ampliar produtividade, capacidade de análise e eficiência do trabalho jurídico, porém, deve preservar uma premissa essencial: a decisão jurídica e a responsabilidade profissional precisam permanecer efetivamente sob controle do advogado”, afirmou em comunicado.
Após a decisão da Justiça de aceitar apenas uma das três liminares, a OAB SP escreveu em comunicado que a ação não pede o fechamento da Enter nem a proibição de ferramentas de IA, mas de salvaguardas que garantam a independência do advogado e a identificação de quem responde por cada etapa do processo. Outras liminares ainda serão analisadas.
A Enter diz que já havia se oferecido voluntariamente a preservar os documentos e que vai colaborar com a determinação da Justiça.
A empresa também revelou que demonstrou que todo o conteúdo de sua plataforma passa pelos processos de auditoria, revisão e edição humana, e que a decisão final é sempre do advogado habilitado.
“A Enter recebe a decisão com serenidade e confiança em sua operação. A empresa cumprirá integralmente a determinação de preservação, apresentará sua defesa no momento processual oportuno e segue aberta ao diálogo institucional com a OAB/SP”, escreveu.
A MBRF informou nesta quinta-feira (22) que foi formalizado o termo de arbitragem envolvendo uma disputa societária relacionada à incorporação de ações da BRF pela Marfrig, concluída em setembro de 2025. O procedimento, instaurado por dois fundos de investimento, tem valor total de R$ 60 milhões para fins de cálculo das taxas de administração da CAM (Câmara de Arbitragem do Mercado).
Os requerentes são o Nova Almeida Fundo de Investimento Financeiro Multimercado e o Latache IV Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado, que estimaram a disputa em R$ 10 milhões. Já a MBRF e a BRF, que figuram como requeridas no processo, apresentaram pedido contraposto de R$ 50 milhões.
Segundo comunicado divulgado ao mercado, o termo de arbitragem foi disponibilizado pela CAM em 13 de outubro de 2026. A demanda havia sido recebida pelas companhias em 14 de outubro de 2025 e questiona a operação aprovada em assembleias gerais extraordinárias realizadas em 5 de agosto daquele ano, com fechamento em 22 de setembro.
Os fundos eram acionistas da BRF e passaram a deter ações da Marfrig após a operação. Eles alegam que o processo teria sido conduzido sob suposto conflito de interesses, sem independência efetiva dos comitês especiais e dos assessores financeiros envolvidos na negociação.
Também questionam a relação de troca de 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, que consideram desfavorável aos acionistas minoritários da companhia, além de apontarem suposto tratamento desigual entre investidores.
Os requerentes pedem a anulação das deliberações das assembleias que aprovaram a operação e o desfazimento dos atos relacionados à sua conclusão.
Também solicitam que as companhias sejam condenadas a reparar os prejuízos alegados, cujo valor deverá ser definido em uma etapa posterior, além de reembolsar as despesas do procedimento arbitral e os honorários envolvidos.
A MBRF e a BRF defendem a regularidade da operação e sustentam que os fundos abusaram de seus direitos como acionistas e do direito de recorrer à arbitragem. As companhias pedem que as solicitações sejam julgadas improcedentes e requerem que os investidores sejam condenados, solidariamente, a indenizá-las por danos materiais e morais, em valores a serem apurados durante o processo. Também solicitam o pagamento integral dos custos da arbitragem pelos requerentes.
A operação foi negociada por comitês especiais constituídos conforme o Parecer de Orientação nº 35 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e contemplou a distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas que permanecessem nas companhias.
Como último andamento relevante, o tribunal arbitral emitiu a Ordem Processual nº 1, que estabeleceu o calendário do procedimento. Não há acordo celebrado entre as partes sobre a demanda.
A MBRF informou que manterá os acionistas e o mercado atualizados sobre os próximos desdobramentos da arbitragem.
A Abrace Energia (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) comemorou os resultados do primeiro leilão de gás da União, realizado nesta quinta-feira (22).
Para a associação, o certame representa um “marco histórico” para o setor de gás natural no Brasil.
“Pela primeira vez, o gás que cabe à União nos contratos de partilha de produção do pré-sal é comercializado diretamente ao mercado por meio de um certame público, aberto e competitivo. Mais importante do que o resultado desta primeira rodada é a própria realização do leilão, conduzida de forma célere”, afirmou em nota.
Ao todo, o leilão realizou a venda de toda a oferta a 23 empresas. Foram arrematados os 110 lotes disponíveis, equivalentes a 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027. O ágio médio foi de 35%.
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Entre as compradoras estão Braskem, Vale, CSN, Gerdau, Yara Brasil, Dexco, entre outros grupos. Organizado pela PPSA (Pré-Sal Petróleo), o certame destinou volumes a cinco grupos da indústria de base, em uma iniciativa voltada a ampliar a concorrência e reduzir o custo do combustível para o setor produtivo.
Todos os lotes foram negociados na primeira rodada, em disputas separadas por segmento industrial. Os grupos químico e petroquímico e de siderurgia, metalurgia e mineração concentraram 670 mil metros cúbicos diários, cerca de 61% do volume vendido.
Para o presidente da Abrace Energia, Paulo Pedrosa, com o leilão a PPSA escreve uma nova página na história do gás natural brasileiro.
“Mais do que os números desta primeira rodada, o que celebramos é termos tirado o leilão do papel em tempo recorde, com segurança e transparência. Mostramos que é possível transformar o gás da União em mais competitividade para a indústria brasileira”, comemorou.
O setor vidreiro registrou o maior adicional mínimo entre as ofertas vencedoras, de US$ 4 por milhão de BTU. Na outra ponta, as propostas vencedoras para fertilizantes nitrogenados partiram de US$ 1,82 por milhão de BTU.
Esses valores representam o componente adicional definido na disputa. Para formar o preço dos contratos, será considerado também o equivalente a 115% da média das cotações de referência do Henry Hub, indicador americano para o gás natural, no mês anterior ao fornecimento. O cálculo será feito mensalmente, com conversão em reais conforme a regra cambial do edital.
O custo do combustível entregue às fábricas incorporará ainda tributos, transporte e distribuição. Cada contrato considerará o adicional da respectiva oferta vencedora.
O setor ceramista teve oito compradoras: Biancogres Cerâmica, Cerâmica Formigres, Cerâmica Villagres, Delta Indústria Cerâmica, Dexco, Incepa Revestimentos Cerâmicos, Mohawk Revestimentos Cocal do Sul e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos.
O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, no Rio de Janeiro. A contratação da logística a partir desse ponto até as instalações industriais caberá aos compradores, diretamente ou por meio de uma comercializadora habilitada.
A situação fiscal da França está no centro das tensões que levaram às recentes manifestações no país. Com a dívida pública projetada para se aproximar de 122% do PIB, segundo estimativas oficiais, o governo enfrenta pressão para reduzir despesas, o que tem provocado forte insatisfação popular.
O cenário também reacende comparações com a Grécia, cuja crise da dívida abalou a União Europeia entre 2009 e 2015. Em entrevista ao CNN Money, o economista e ex-diretor do Brasil no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Márcio Sette, analisou os riscos de agravamento da crise fiscal francesa e os possíveis impactos para a economia global e o Brasil.
Segundo o especialista, o governo francês está preso em uma “grande armadilha”, marcada pela deterioração simultânea do cenário político e econômico. Sette destacou que medidas de austeridade, como o aumento da idade mínima para aposentadoria, a redução de benefícios, a demissão de funcionários públicos e os cortes salariais, são “totalmente impopulares” e ampliam os conflitos com a população.
A proximidade das eleições previstas para abril de 2027 também dificulta as negociações, uma vez que os partidos de oposição têm menos incentivos para firmar acordos com o governo.
O crescimento da economia francesa ficou em torno de 1% no ano passado, abaixo da média europeia. Para Sette, o desempenho é “bastante fraco e insuficiente para fazer frente ao crescimento da dívida pública”.
Ao mesmo tempo, a elevação dos juros exigidos pelos investidores para comprar títulos públicos franceses aumenta o custo de financiamento do Estado e reduz o espaço para estimular a economia.
“O governo está de mãos atadas e as principais resoluções virão a partir de abril do ano que vem, ou seja, após as eleições”, afirmou o economista.
Risco ao grau de investimento
Sette também alertou que a deterioração das contas públicas pode comprometer a classificação de risco da França. Segundo ele, a redução de impostos promovida pelo país nos últimos anos contribuiu para agravar a situação fiscal e aumentar a exposição do governo.
Ao comparar a França com países como Bélgica, Alemanha, Holanda e Luxemburgo, que possuem classificação de risco AAA, o economista avaliou que o país pode perder posições caso a crise se prolongue.
Os títulos públicos franceses apresentam níveis de remuneração elevados, refletindo o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores. A ampliação do diferencial de juros entre os papéis franceses e alemães também sinaliza uma piora na percepção de risco da economia francesa.
Embora considere improvável um calote no curtíssimo prazo, Sette ressaltou que os investidores estão mais cautelosos e exigem juros maiores para financiar o governo francês.
Questionado sobre a possibilidade de a crise se espalhar para outros países, incluindo o Brasil, Sette avaliou que o risco de contágio não é imediato, mas permanece no horizonte.
Ele lembrou que, durante a crise dos chamados PIGs — Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha — e a crise da dívida soberana europeia de 2011, os países afetados passaram por ajustes fiscais graduais que contribuíram para melhorar suas condições financeiras.
“Hoje, Grécia e Itália têm uma posição fiscal pior do que a da França, mas eles melhoraram muito e continuam aplicando o seu programa de austeridade”, observou.
Para o Brasil, o principal risco seria uma elevação do custo de capital no mercado internacional, tornando o crédito mais caro. Na avaliação do economista, porém, isso não afastaria diretamente os investimentos no país neste momento.
Sette acrescentou que uma eventual crise de liquidez global poderia restringir o crédito destinado às operações de exportação e afetar o comércio internacional de forma mais ampla. Ainda assim, ressaltou que o problema permanece concentrado na França.
Para o economista, os possíveis efeitos sobre o Brasil dependerão também da capacidade do país de demonstrar solidez econômica e fiscal nos próximos anos.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
O Bitcoin recuou na tarde desta quinta-feira (22) em linha com a aversão ao risco observada também nos mercados tradicionais em meio a preocupações com a sustentabilidade dos gastos com a inteligência artificial.
Por volta das 16h07 (em Brasília), o Bitcoin recuava 3,44%, a US$ 81.390,01, enquanto o Ethereum caía 3,28%, a US$ 2.411,17, de acordo com a plataforma Coinbase.
O Bitcoin devolveu os ganhos registrados ontem, quando se aproximou da faixa de US$ 85 mil.
Diante da queda forte também nos índices acionários americanos, após os resultados trimestrais da Meta e da Tesla divulgados ontem, o FxPro destaca que, como a movimentação foi desencadeada por fatores externos, “os próximos desdobramentos também podem ser determinados por acontecimentos externos”.
Com as vendas das ações de tecnologia derrubando também o bitcoin, a Nexo Dispatch afirma que a perspectiva para a criptomoeda depende de os fluxos de entrada em ETFs ligados ao BTC se manterem firmes caso as ações continuem caindo.
A retomada da alta dos preços do petróleo, em meio aos desdobramentos no Oriente Médio, também contribui para o cenário, renovando os temores inflacionários. À espera do encontro do Fed (Federal Reserve) na próxima semana, o mercado acompanhou os dados sobre o mercado de trabalho melhores que o esperado.
A movimentação do Ethereum, sem conseguir ultrapassar a faixa de US$ 2.500, acende um alerta, já que a moeda “frequentemente” serve como um indicador antecipado da demanda em relação ao bitcoin e ao mercado como um todo, ainda segundo o FxPro.
O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou a sessão com valorização de 0,62% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 12,53 por bushel. O avanço foi impulsionado pelo forte crescimento das vendas externas dos Estados Unidos, com destaque para a demanda chinesa.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou vendas de 2,84 milhões de toneladas de soja na semana, ante 574,9 mil toneladas no levantamento anterior. A China respondeu por aproximadamente 77% do volume, sinalizando uma retomada das compras do principal importador mundial da oleaginosa.
O órgão também confirmou uma nova venda de 202 mil toneladas de soja americana para a China, referente a uma negociação realizada fora do período abrangido pelo relatório semanal.
A consultoria Royal Rural destacou que a valorização ocorre após três sessões consecutivas de queda dos preços em Chicago. Apesar do suporte da demanda externa, o avanço da colheita nos Estados Unidos continua limitando a recuperação. Até o momento do levantamento, 64% da área cultivada havia sido colhida, aumentando a disponibilidade de grãos no mercado.
Ainda de acordo com a Royal Rural, as compras chinesas ajudam a compensar a pressão da oferta americana. A continuidade do ritmo de vendas nas próximas semanas, porém, será determinante para avaliar a sustentação dos preços e a possibilidade de uma recuperação mais consistente na bolsa.
Milho
Mesmo com o aumento das vendas externas americanas, os preços do milho encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago. O contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,59%, cotado a US$ 4,60 por bushel.
De acordo com a Granar, a perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos continuou limitando os preços. O USDA estima a produção do país em 407,28 milhões de toneladas, o que representaria a segunda maior safra da história americana.
Os números de exportação, por outro lado, superaram as expectativas do mercado. Entre 9 e 15 de outubro, as vendas de milho americano da safra 2026/27 totalizaram 1,527 milhão de toneladas, ante 1,122 milhão de toneladas na semana anterior. O resultado também ficou acima do intervalo projetado pelos comerciantes, de 800 mil a 1,5 milhão de toneladas.
Segundo o USDA, as vendas líquidas cresceram 36% em relação à semana anterior e 87% na comparação com a média das últimas quatro semanas. O México liderou as compras no período, com 477,7 mil toneladas.
Apesar da melhora no desempenho semanal, o acumulado da temporada permanece inferior ao do ano passado. Até 15 de outubro, os Estados Unidos haviam comercializado 22,19 milhões de toneladas de milho, volume 33,88% menor que as 33,56 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.
Trigo
A perspectiva de uma safra robusta na Argentina aumentou a pressão sobre o mercado internacional de trigo. Em Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,56%, cotado a US$ 6,24 por bushel.
Segundo a Granar, os fundos de investimento ampliaram as vendas diante dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar das negociações, o comércio agrícola na região permanece restrito, e os confrontos recentes reforçam as incertezas sobre a normalização dos fluxos de grãos no Mar Negro.
A oferta do Hemisfério Sul também está no radar dos investidores, com a proximidade da colheita e as perspectivas favoráveis para a produção argentina. Em sua primeira estimativa oficial para a temporada 2026/27, a BCR (Bolsa de Comércio de Rosário) projetou uma safra de 23,8 milhões de toneladas, acima dos 21 milhões de toneladas previstos preliminarmente em setembro.
Se confirmada, a produção será a segunda maior da série histórica, atrás apenas do recorde de 28,5 milhões de toneladas registrado na safra 2025/26. A estimativa considera uma área plantada de 6,95 milhões de hectares e produtividade média de 35,3 quintais por hectare, abaixo dos 7,1 milhões de hectares e dos 42 quintais por hectare registrados na temporada anterior.
A projeção da Bolsa de Comercio de Rosario também supera a estimativa do USDA, que calcula a produção argentina de trigo em 21,5 milhões de toneladas em 2026/27.
As cotações futuras do cacau recuaram para a mínima de duas semanas na sessão desta quinta-feira (22) na Bolsa de Nova York. O vencimento para dezembro finalizou o dia com queda de 4,47%, cotado em US$ 5.582 por tonelada.
De acordo com as informações do Barchart, os preços do cacau estão em forte queda hoje devido ao aumento dos estoques de cacau nas bolsas internacionais e às vendas técnicas.
Os estoques de cacau têm aumentado constantemente desde o início do ano, atingindo um pico de 3.635.354 sacas na última sessão, o maior nível em 2,5 anos.
Ainda segundo o Barchart, os preços do cacau estão sendo sustentados pela redução das remessas na Costa do Marfim. Dados do governo marfinense mostraram que os produtores entregaram 78.212 toneladas de cacau aos portos nesta temporada de comercialização, uma queda de 41% em relação às 133.209 toneladas entregues no mesmo período do ano passado.
Açúcar
O contrato futuro do açúcar para entrega em março encerrou o pregão com queda de 1,56% na Bolsa de Nova York, cotado a 20,13 centavos de dólar por libra-peso. A commodity atingiu a menor cotação em duas semanas, pressionada pela liquidação de posições compradas por investidores após alcançar a máxima do contrato na quarta-feira passada.
Segundo a Barchart, o posicionamento dos fundos de investimento também contribuiu para o movimento de baixa. A concentração de posições compradas aumenta a pressão sobre as cotações em momentos de realização de lucros.
Na segunda-feira, o governo do indiano determinou que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a fabricação de açúcar, ampliando a oferta do produto no mercado.
No Brasil, a previsão de tempo quente e seco nesta semana no Centro-Sul, principal região produtora de açúcar, também contribui para o viés negativo. As condições climáticas podem acelerar a colheita da cana-de-açúcar e favorecer a retomada da moagem nas usinas, aumentando a disponibilidade de açúcar.
Café
Os estoques de café arábica registraram um ganho nesta semana e isso influenciou para o pregão encerrar em queda na Bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em dezembro teve queda de 1,55% e encerrou o dia negociado em U$S 3,11 por libra-peso.
A análise do Barchart apontou que os estoques tiveram um ganho de 4.847 sacas na sessão anterior, o que totaliza em torno de 239.748 mil sacas.
“O aumento nos estoques na última sessão foi consistente com os relatos do início da semana de que quase 280 mil sacas de café arábica aguardavam classificação na bolsa internacional, o maior volume em mais de um mês”, informou.
Suco de Laranja
Na Bolsa de Nova York, o preço futuro do suco de laranja para janeiro finalizou o dia com desvalorização de 1,96% e precificado em US$ 1,42 por libra-peso.
Algodão
O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda, cotado a 80,79 centavos de dólar por libra-peso.
Na Bolsa Intercontinental, os preços da fibra recuaram nesta quarta-feira, interrompendo a sequência de três sessões de ganhos. O mercado acompanhou o comportamento do dólar americano e o interesse dos investidores, enquanto o avanço da colheita nos Estados Unidos contribuiu para manter a cautela entre os operadores.
As atenções também se voltaram para o próximo relatório de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e para a reunião do Fed (Federal Reserve), prevista para a próxima semana. As incertezas em torno desses eventos limitaram a disposição dos agentes para assumir posições no mercado.
O ouro fechou em queda robusta nesta quinta-feira (22) batendo as mínimas em três meses, diante de uma alta nos preços do petróleo, que mantém as expectativas por taxas de juros dos Estados Unidos elevadas por mais tempo. A prata também recuou fortemente, batendo o menor patamar desde 2025.
Na Comex, divisão de metais da Nymex (bolsa de Nova York), o ouro para dezembro encerrou em queda de 2,16%, a US$ 4.060,4 por onça-troy. A prata para dezembro recuou 4,7%, a US$ 55,007 por onça-troy.
O metal dourado operou em queda durante toda a sessão, atingindo o nível mais baixo desde julho, enquanto o barril do petróleo avançava.
Para a Capital.com, uma queda abaixo da faixa de US$ 4 mil sinalizaria que o mercado parou de precificar o alívio das taxas de juros americanas e começou a apostar em inflação persistente, rendimentos elevados e um dólar mais forte – o que seria um “cenário difícil para o ouro”.
Nesta quinta, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou uma queda no número de pedidos de auxílio-desemprego, indicando um mercado de trabalho sólido, segundo o HFE.
Ainda assim, a probabilidade de manutenção dos juros na reunião da próxima semana do Fed (Federal Reserve) é de 95%, segundo a ferramenta Fed Watch, do CME Group.
O Swissquote afirma que, para investidores no longo prazo, é interessante acumular posições no metal precioso à medida que os preços caem, levando em conta que a “inflação estruturalmente mais alta, a persistente incerteza geopolítica e a diversificação do setor público se afastando do dólar, sustentam as perspectivas de médio a longo prazo”.
Em meio ao cenário, a prata recuou ao menor nível desde novembro de 2025. Para o Zaye Capital Markets, o metal prateado sofre mais que o ouro e enfrenta pressão adicional pois “suas aplicações industriais expõem os preços à menor atividade manufatureira e à desaceleração da demanda econômica”.
O calendário de IPO (ofertas públicas iniciais de ações) do setor de tecnologia, que antes era bastante robusto, agora se resume apenas à Anthropic.
A companhia de inteligência artificial está seguindo em frente para realizar seu IPO em meados de novembro, após prever a divulgação do prospecto da operação no final deste mês, segundo fontes a par do assunto, que alertam que o plano e as datas estão sujeitos a alterações.
O IPO da Anthropic testará se sua posição no centro do próspero setor de IA, que alguns investidores acreditam ser digna de uma avaliação potencial de US$ 1,5 trilhão, será capaz de superar um ambiente de mercado que normalmente levaria banqueiros e advogados especializados em transações a aconselhar um adiamento.
O mercado espera que a Anthropic comece a negociar suas ações para investidores em potencial durante a semana de 9 de novembro, disse uma das fontes.
Outras empresas dos setores de infraestrutura de inteligência artificial e centrais de processamento de dados adiaram suas aberturas de capital, enfrentando um aumento nas taxas de juros que ajudou a alimentar uma onda de vendas maciças de ações e títulos de dívida de operadores de IA, como a CoreWeave, além de questionamentos mais amplos sobre a sustentabilidade dos gastos com a tecnologia.
Esse contraste ressalta o apelo da Anthropic aos investidores, mesmo com as preocupações sobre a concorrência de modelos de código aberto e a segurança da IA pesando sobre o setor.
A Anthropic se recusou a comentar.
Avaliação sob pressão
A retração do setor de IA segue uma série de adiamentos e cancelamentos de IPOs desde setembro, à medida que a volatilidade do mercado e o aumento das taxas de juros tornaram mais difícil para as empresas garantirem preços atraentes.
A Switch, operadora de data centers, e a Nscale, provedora de infraestrutura de IA, adiaram seus planos de IPO para o final deste ano, disseram fontes a par do assunto, embora tenham enfatizado que os planos permanecem em aberto e sujeitos a alterações.
A SB Energy, apoiada pela SoftBank, também adiou sua abertura de capital, conforme noticiado anteriormente pela Reuters.
A NScale se recusou a comentar. A Switch não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A Elice, startup sul-coreana de chips de IA, foi uma das últimas a arquivar seus planos de abertura de capital da noite para o dia. A AirTrunk REIT, apoiada pela Blackstone, e a Firmus, apoiada pela Nvidia, também retiraram ou suspenderam suas ofertas, segundo reportagem da Reuters.
O recente IPO da Oura aumentou a cautela entre os emissores em potencial.
A oferta atraiu pouca participação de investidores que operam apenas com posições compradas, disse uma fonte a par do assunto, levantando preocupações sobre o tamanho da demanda por parte de investidores institucionais, que normalmente fornecem uma base estável de acionistas para empresas recém-listadas.
Sites governamentais em toda a Europa ficaram fora do ar na quarta-feira (21) enquanto operadores corriam para corrigir duas vulnerabilidades críticas no PHP, uma das linguagens de programação mais utilizadas na web.
Serviços governamentais no Brasil também foram suspensos preventimente para a correção das falhas.
A linguagem de programação é responsável por cerca de 70% dos sites no mundo. Segundo cientistas que participaram da descoberta, a vulnerabilidade estava presente no software da empresa há anos, de forma oculta.
O que é PHP?
PHP é uma linguagem de programação que executa sites. Ela funciona nos bastidores: quando um usuário carrega uma página, o servidor que executa o PHP monta o conteúdo e envia a página finalizada para o navegador.
É gratuito, de código aberto e mantido por voluntários. Os proprietários do site raramente interagem diretamente com ele.
De acordo com a W3Techs, empresa que monitora tecnologias web, o PHP é a linguagem utilizada em quase 70% de todos os sites cuja linguagem de programação pode ser identificada. Ele funciona, por exemplo, no WordPress, que alimenta cerca de 40% de todos os sites, como blogs, páginas de pequenas empresas, portais governamentais, lojas online e sites de notícias.
Quais são os riscos das falhas?
As duas vulnerabilidades identificadas receberam uma classificação de 9,2 em 10 na escala de gravidade CVSS v4.0, um sistema de pontuação padrão do setor.
O CERT-EU, a equipe de resposta a incidentes de segurança cibernética da União Europeia, afirmou que essa classificação indica execução remota de código não autenticada, o que significa que um invasor pode executar comandos em um servidor vulnerável, pela internet, sem senha ou conta.
Uma única falha no PHP abre a mesma porta em milhões de servidores simultaneamente. Quem explora essa falha controla o site.
O provedor de hospedagem web GoDaddy disse que isso poderia significar roubo de dados, páginas adulteradas ou comprometimento total do sistema.
A maioria dos sites pequenos geralmente é administrada por proprietários sem equipe de segurança, frequentemente em hospedagens compartilhadas onde não gerenciam o servidor e podem não saber quem atualiza o PHP.
O Wordfence, um plugin de segurança para sites WordPress, alertou que as atualizações automáticas não incluirão essa correção. A recomendação do CERT-EU é tirar os sites afetados do ar em vez de deixá-los expostos.
Como a falha foi encontrada?
Pesquisadores da empresa de segurança Calif, em colaboração com a OpenAI, relataram a primeira falha no PHP em 11 de agosto. Ela foi encontrada usando o modelo GPT-5.6 Sol da OpenAI.
A Wiz, empresa de segurança pertencente ao Google, também investigou o problema e descobriu as falhas de forma independente. A organização relatou uma segunda detecção em 24 de agosto, também usando modelos de IA.
A Wiz afirmou que as descobertas “estão entre as vulnerabilidades mais graves já encontradas no PHP e, possivelmente, na história do software”. Segundo a empresa, as falhas subjacentes estavam presentes há décadas, mas provar que eram exploráveis exigia uma série de etapas “no limite do que pesquisadores humanos poderiam realizar na prática”.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar “monitorando e coordenando com agências federais e os principais laboratórios de inteligência artificial para agilizar a divulgação da correção”. A descoberta foi apresentada como prova de que a “superinteligência” americana fortalece a segurança nacional.
O “índice do medo”, que mede a expectativa de volatilidade do mercado brasileiro, voltou a bater recorde nesta quinta-feira (22), às vésperas da decisão do segundo turno e com pesquisas mostrando empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por volta de 15h15, o S&P/B3 Ibovespa VIX subia mais de 7%, aos 45,42 pontos. Na véspera, o índice saltou 8%, fechando aos 42,42 pontos.
O indicador engatou uma sequência de recordes nas últimas sessões, em meio à expectativa dos mercados de uma disputa mais acirrada pelo Palácio do Planalto a partir de 2027.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostrou Flávio com 45% das intenções de votos nos segundo turno, contra 44% de Lula. Com margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo, o cenário mostra empate técnico entre os concorrentes.
O cenário considera somente os votos válidos, ou seja, descartados brancos e nulos, assim como no critério adotado pelo TSE. O resultado configura um empate técnico na margem de erro, que é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O mercado também aguarda por nova pesquisa do Datafolha, que será publicada após o fechamento do pregão.
A disparada do “índice do medo” reflete o clima negativo do mercado doméstico na sessão.
Calculado a partir das Opções sobre o Ibovespa B3, o VIX Brasil mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias.
Na prática, funciona como um termômetro da percepção de risco do mercado – por isso, também é chamado de “índice do medo” – e costuma ser acompanhado por investidores, gestores e analistas em momentos de maior incerteza, sobretudo para estratégias de proteção de carteira e gestão de risco.
As ações da Meta Platforms caíam mais de 5% nesta quinta-feira, com investidores contrabalançando os benefícios do negócio de agentes de IA (inteligência artificial), que cresce rapidamente, com os custos crescentes para financiar a ambiciosa expansão da companhia nessa área.
Até o fechamento de quarta-feira, o papel acumulava alta superior a 5% no ano. Se a queda dos primeiros negócios for mantida, a Meta poderá perder cerca de US$85 bilhões em valor de mercado.
A reação negativa ocorre apesar de a Meta ter divulgado na véspera uma receita trimestral acima do esperado, projetado vendas para o quarto trimestre acima das estimativas de Wall Street e destacado a rápida adoção de seu novo aplicativo de agente de IA, o Muse.
O balanço foi divulgado poucas horas depois de um juiz do Novo México determinar que a empresa pague uma multa de US$ 5 bilhões em um caso relacionado à privacidade de dados envolvendo a Cambridge Analytica. A Meta informou que pretende recorrer da decisão.
A controladora do Instagram está gastando pesadamente para sustentar seus planos de IA, com uma previsão de investimentos (capex) anuais entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões.
A empresa também reportou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no terceiro trimestre, ante fluxo de caixa livre positivo um ano antes.
O analista Benjamin Black, do Deutsche Bank, afirmou que os investimentos da Meta em IA estão gerando melhor desempenho publicitário e maior engajamento, criando uma visão cada vez mais favorável para a ação, à medida que investidores passam a enxergar a infraestrutura computacional como um ativo gerador de receita, e não apenas como um centro de custos.
A Meta também anunciou planos para criar uma nova classe de ações Classe C sem direito a voto, dando à empresa maior flexibilidade para aquisições e remuneração de funcionários, ao mesmo tempo em que preserva o controle decisório do presidente-executivo, Mark Zuckerberg.
Pelo menos 13 corretoras elevaram seus preços-alvo para a ação após os resultados, segundo dados compilados pela LSEG.
As preocupações com a dimensão dos investimentos da Meta em IA também chegaram ao mercado de crédito, onde o custo para segurar a dívida da empresa contra inadimplência avançou para um nível recorde.
Uma falha de segurança na linguagem de programação PHP, utilizada por boa parte da internet global, derrubou sites e plataformas digitais na quarta-feira (21). O problema também atingiu o Brasil, provocando interrupção nos serviços digitais do governo.
A linguagem PHP alimenta cerca de 70% dos sites em todo o mundo, incluindo o publicador e gerenciador de sites WordPress.
A falha de segurança afetou plataformas globalmente, em países como Inglaterra, Irlanda, França e Holanda.
No Brasil, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confirmou que emitiu um alerta para todas as unidades de tecnologia do governo federal, por meio do Ctir.Gov (Centro de Prevenção, Tratamento e Respostas a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal).
A orientação foi retirar temporariamente do ar todos os sistemas desenvolvidos em PHP, desabilitando qualquer tipo de acesso externo.
Um dos impactados foi o SEI (Sistema Eletrônico de Informações), sistema federal para produção e gestão de documentos e processos administrativos eletrônicos. Segundo o Ministério, o SEI foi tirado do ar preventivamente. Demandas urgentes relacionadas a documentos devem ser tramitadas pelo GOV.BR ou por e-mail.
A Fundação PHP, organização responsável pela linguagem de programação, implementou na quarta-feira uma correção para os bugs. A fundação recomentou que os operadores de sites que usam o sistema passem pela atualização imediatamente.
Após a interrupção dos serviços, o Ministério orientou pela atualização dos sistemas PHP para a versão corrigida.
À CNN Brasil, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) informou que retirou o SEI do ar na quarta-feira, entre 12h15 e 22h05 (horário de Brasília), para a correção. A agência explicou que a medida foi “estritamente preventiva e alinhada a recomendações internacionais”, e que não houve registros de invasão.
Depois da correção, a Anatel reestabeleceu o SEI da Anatel, que opera normalmente.
O Ministério também confirmou que o GOV.BR não foi afetado e que ainda avalia a dimensão da falha.
“As equipes de segurança cibernética do Governo Federal estão avaliando os efeitos da correção em todos os sistemas afetados e trabalhando para garantir a atualização e a disponibilidade de todos os sistemas”.
Falha atingiu sites no mundo todo
Após a identificação da falha, operadoras de plataformas digitais ao redor do mundo tiveram que correr para atualizar seus sistemas.
A ministra do governo do Reino Unido, Elizabeth Lloyd, afirmou nesta quinta-feira, na Câmara dos Lordes, que quase três dezenas de serviços do governo britânico ficaram indisponíveis e quatro ficaram “parcialmente indisponíveis” durante as atualizações.
O site de notícias irlandês The Journal, o segundo mais popular do país, ficou fora do ar. Na Europa, sites governamentais da França, Dinamarca, Finlândia e Holanda, incluindo o da agência holandesa de segurança cibernética, foram temporariamente desativados durante as correções.
Autoridades de mais países alertaram para a situação.
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos e a agência europeia de cibersegurança aconselharam as empresas a tomarem medidas imediatas para corrigir as falhas.
O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, afirmou que seu gabinete estava “monitorando de perto a situação em torno das vulnerabilidades do PHP”.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que as empresas devem considerar a suspensão de serviços, se necessário, para reduzir sua exposição. A companhia aérea japonesa ANA, a operadora ferroviária JR West e o maior banco do país, o MUFG, estiveram entre as companhias que relataram a suspensão temporária de algumas páginas da web e serviços.
IA ajudou a identificar falha no PHP
As falhas na linguagem de programação foram descobertas por equipes da OpenAI, da empresa de cibersegurança Wiz (que pertence ao Google) e da empresa de cibersegurança Calif.
Os bugs, chamados PHP2Shell, poderiam permitir que invasores acessassem sites e lessem a memória contida neles, incluindo informações confidenciais e senhas. Segundo a Reuters, uma empresa de computação em nuvem identificou milhões de tentativas de invasão utilizando a falha.
À CNN Internacional, a Nigel Green, CEO da empresa de consultoria financeira deVere Group, avaliou o impacto: “Com o PHP por trás de uma parcela tão vasta da web, a exposição poderia alcançar praticamente todos os lugares onde as pessoas gastam dinheiro online”,
“Plataformas de reservas, marketplaces, serviços de assinatura, sites de venda de ingressos, aplicativos de entrega e portais de serviços públicos podem estar armazenando dados de cartão em sistemas construídos com o mesmo tipo de código”, acrescentou.
Pesquisadores da Wiz, em uma publicação de blog na quarta-feira, descreveram o PHP como uma “espinha dorsal da web”. Para os especialistas, a IA teve papel crucial na descoberta e na correção de vulnerabilidades “que permaneceram ocultas no código-fonte do PHP por mais de uma década”.
As bolsas da Europa fecharam em queda nesta quinta-feira (22) enquanto investidores mantêm as preocupações com o ritmo e o retorno dos investimentos em IA (Inteligência Artificial ). As negociações também foram pressionadas pela nova alta dos preços do petróleo diante do recrudescimento das tensões no Oriente Médio.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,26%, a 10.725,03 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,04%, a 25.379,49 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,39%, a 7.811,26 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB recuou 2,54%, a 48.383,66 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,84%, a 18.968,50 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 1,46%, a 9.237,82 pontos. As cotações são preliminares.
A nova instabilidade no setor de tecnologia, desencadeada pela redução da meta de capex da Tesla para 2026, pesou sobre o sentimento do mercado.
Para a Quilter Cheviot, o problema dos resultados é que as expectativas estão bastante elevadas para o trimestre, o que torna o ambiente “desafiador”, pois, para que as ações tenham um bom desempenho, “é preciso superar as projeções de forma extraordinária”.
Além dos temores relacionados à IA, preocupações geopolíticas pressionaram uma liquidação nos índices. O Irã atingiu sete petroleiros no Estreito de Ormuz, enquanto os houthis do Iêmen executaram quatro operação militares contra alvos da Arábia Saudita. As ofensivas deram suporte aos preços do petróleo.
Entre outros destaques acionários, o grupo francês de artigos de luxo Hermès tombou 4,9% após balanço, e o Barclays cedeu quase 2% após registrar lucro e receita abaixo do esperado.
Na teleconferência para comentar o resultado, o Barclays informou ainda que está cortando 5.000 postos de trabalho para reduzir custos, à medida que adota a inteligência artificial em larga escala em todo o banco.
O Spotify previu nesta quinta-feira (22) um lucro no quarto trimestre acima das estimativas de Wall Street, já que a empresa sueca de streaming de música aposta em seus recursos baseados em IA para impulsionar o crescimento do número de usuários na importante temporada de festas de fim de ano.
Os investidores têm acompanhado de perto a lucratividade da empresa, no momento em que ela investe em IA para melhorar a descoberta de músicas e o engajamento, a fim de atrair mais usuários e se defender de rivais emergentes da geração musical, como Suno e Udio.
O Spotify espera um lucro operacional de 820 milhões de euros (US$ 920,53 milhões), em comparação com a estimativa média dos analistas de 813,4 milhões de euros, de acordo com dados compilados pela LSEG.
Os recursos da empresa baseados em IA incluem o AI DJ, que seleciona mixagens musicais personalizadas com comentários falados, e playlists baseadas em requisições do usuário que permitem aos usuários descrever um estado de espírito ou preferência musical para gerar seleções sob medida.
“Construímos um negócio sólido que continua a crescer exponencialmente; investimos quando vemos um caminho para o crescimento, nossos custos estão se moderando e há mais espaço para avançar”, disse o co-CEO Alex Norstrom em um comunicado.
No terceiro trimestre, o lucro operacional do Spotify, de 672 milhões de euros, ficou em linha com a estimativa média dos analistas compilada pela Visible Alpha, de 671,8 milhões de euros.
A empresa registrou receita de 4,97 bilhões de euros nos três meses encerrados em 30 de setembro, em comparação com uma estimativa compilada pela LSEG de 4,98 bilhões de euros. O lucro por ação foi de 2,48 euros, contra estimativas de 2,80 euros.
A previsão da Spotify de 818 milhões de usuários ativos mensais para o quarto trimestre ficou ligeiramente abaixo das estimativas da Visible Alpha, de 819 milhões, enquanto sua projeção de um aumento de cerca de 10 milhões de assinantes premium, para 316 milhões, ficou acima das expectativas de 314,7 milhões.
Seus usuários ativos mensais cresceram 1% em relação ao trimestre anterior no terceiro trimestre, atingindo 788 milhões.
No início desta semana, o Spotify anunciou um acordo de licenciamento com a distribuidora musical Believe para sua futura ferramenta paga destinada a covers e remixes criados por fãs com inteligência artificial.
A empresa também assinou acordos de licenciamento com a Universal Music Group, Merlin e Kobalt para a ferramenta.
O primeiro leilão de gás natural da União, realizado nesta quinta-feira (22), em São Paulo, terminou com a venda de toda a oferta a 23 empresas. Foram arrematados os 110 lotes disponíveis, equivalentes a 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027. O ágio médio foi de 35%.
Entre as compradoras estão Braskem, Vale, CSN, Gerdau, Yara Brasil, Dexco, entre outros grupos. Organizado pela PPSA (Pré-Sal Petróleo), o certame destinou volumes a cinco grupos da indústria de base, em uma iniciativa voltada a ampliar a concorrência e reduzir o custo do combustível para o setor produtivo.
Todos os lotes foram negociados na primeira rodada, em disputas separadas por segmento industrial. Os grupos químico e petroquímico e de siderurgia, metalurgia e mineração concentraram 670 mil metros cúbicos diários, cerca de 61% do volume vendido.
O setor vidreiro registrou o maior adicional mínimo entre as ofertas vencedoras, de US$ 4 por milhão de BTU. Na outra ponta, as propostas vencedoras para fertilizantes nitrogenados partiram de US$ 1,82 por milhão de BTU.
Esses valores representam o componente adicional definido na disputa. Para formar o preço dos contratos, será considerado também o equivalente a 115% da média das cotações de referência do Henry Hub, indicador americano para o gás natural, no mês anterior ao fornecimento. O cálculo será feito mensalmente, com conversão em reais conforme a regra cambial do edital.
O custo do combustível entregue às fábricas incorporará ainda tributos, transporte e distribuição. Cada contrato considerará o adicional da respectiva oferta vencedora.
A distribuição dos volumes e os menores adicionais vencedores ficaram assim:
O setor ceramista teve oito compradoras: Biancogres Cerâmica, Cerâmica Formigres, Cerâmica Villagres, Delta Indústria Cerâmica, Dexco, Incepa Revestimentos Cerâmicos, Mohawk Revestimentos Cocal do Sul e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos.
O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, no Rio de Janeiro. A contratação da logística a partir desse ponto até as instalações industriais caberá aos compradores, diretamente ou por meio de uma comercializadora habilitada.