O banco central da Coreia do Sul (BoK, na sigla em inglês) manteve os juros básicos inalterados em 3% ao ano, em decisão divulgada nesta quinta-feira (horário local).
Os formuladores de políticas estão observando para ver se esses ganhos se espalham para a demanda doméstica e alimentam a inflação, fortalecendo o argumento para novos aumentos de taxas.
As exportações sul-coreanas aceleraram em setembro, ultrapassando $ 120 bilhões pela primeira vez, à medida que os embarques de semicondutores mais que triplicaram em relação ao ano anterior, atingindo um recorde.
O país abriga os fabricantes de chips de memória Samsung Electronics e SK Hynix.
A inflação geral diminuiu para 2,9% no mês passado, enquanto a inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, caiu para 2,8%. Ambas permaneceram acima da meta de 2% do BoK.
Os formuladores de políticas do BC coreano esperam que o sólido crescimento econômico e a inflação acima da meta persistam. Eles também estão monitorando se as tensões no Oriente Médio aumentam as pressões de custo.
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quarta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, bem como com os de França no prazo mais longo.
Às 08:20 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,950%, contra 3,938% na quarta-feira.
Os juros a cinco anos também subiam, para 3,515%, contra 3,502%.
Os juros a dois anos avançavam para 3,211%, contra 3,196% na véspera.
Os juros da dívida francesa subiam para 5,046%, um máximo desde julho de 2002, contra 5,012% na véspera.
Em sentido contrário, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, desciam, para 3,400%, contra 3,417%, bem como os dos Estados Unidos, que cediam para 5,078%, contra 5,121%.
O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava a subir, para 164,7 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.
Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:20:
2 anos…5 anos…10 anos
Portugal
22/10…….3,211…3,515…..3,950
21/10…….3,196…3,502…..3,938
Espanha
22/10…….3,234…3,587…..4,084
21/10…….3,228…3,571…..4,076
Grécia
22/10…….3,332…3,878…..4,440
21/10…….3,320…3,846…..4,410
Itália
22/10…….3,613….4,082…..4,613
21/10…….3,574….4,043…..4,576
Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a terça-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, bem como com os de França no prazo mais longo.
Às 08:40 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,904%, contra 3,884% na terça-feira.
Os juros a cinco anos também subiam, para 3,465%, contra 3,450%.
Os juros a dois anos avançavam para 3,174%, contra 3,153% na véspera.
Os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, mantinham-se em 3,399%, enquanto os de França subiam, para 4,962%, contra 4,929%.
O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava a subir, para 156,8 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.
No mesmo sentido, os juros da dívida dos Estados Unidos a 10 anos subiam, para 5,112%, contra 5,111% na véspera.
Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:40:
2 anos…5 anos…10 anos
Portugal
21/10…….3,174…3,465…..3,904
20/10…….3,153…3,450…..3,884
Espanha
21/10…….3,209…3,535…..4,044
20/10…….3,200…3,520…..4,027
Grécia
21/10…….3,290…3,813…..4,376
20/10…….3,262…3,784…..4,350
Itália
21/10…….3,533….4,007…..4,553
20/10…….3,501….3,973…..4,518
Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.
O mercado está se aquecendo para uma nova temporada de balanços. Porém, as expectativas para os resultados das companhias domésticas no terceiro trimestre não parecem tão calorosas.
Segundo analistas ouvidos pelo CNN Money, os dados devem vir majoritariamente negativos, em um cenário de desaceleração econômica mais rápida que o esperado, pressionada pelos juros e os níveis recordes de inadimplência das famílias brasileiras.
“Os sinais de perda de ritmo da economia devem impactar os balanços. Além do IBC-Br, tivemos dados de vendas no varejo e de indústria consideravelmente abaixo do esperado, o que tende a se refletir nos números reportados”, pondera Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP.
“Essa desaceleração econômica, combinada ao reflexo dos juros ainda elevados, gera um impacto mais forte sobretudo sobre as companhias com alto custo no serviço da dívida. Isso deve trazer um impacto negativo, de modo que não esperamos uma temporada de resultados muito forte”, pontua Figueredo, ressaltando que o efeito de um ciclo de corte de juros demora a aparecer nas contas das empresas.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a XP espera um “leve viés de baixa” por parte das companhias, e contém as expectativas por acreditar na possibilidade de “algumas surpresas negativas”, indica o estrategista da casa.
“Aqui vai começar a aparecer nos balanços bancários também essa piora da economia em termos de população endividada e com dificuldade de honrar suas dívidas, tanto na pessoa física quanto na jurídica. Por isso, é difícil falar que você vai ter uma grande empresa se destacando”, observa Cruz.
Assim, os investidores devem acompanhar com lupa, sobretudo, o impacto desses fatores no desempenho das companhias.
“A gente já teve as prévias das construtoras que foram ruins, inclusive com aumento de distratos, que era algo que a gente não acompanhava há algum tempo. A gente tem uma expectativa, talvez, de um aumento de inadimplência nas empresas dos bancos, no setor financeiro, e talvez nas varejistas que têm essa parte financeira”, aponta o CIO da Sincra.
“As empresas até melhoravam operacionalmente, mas a despesa financeira era alta e isso diminuía o lucro. E o que a gente tem visto já no segundo trimestre – e com certeza nos próximos – é que agora, provavelmente, vem o lucro começando a encolher com o resultado operacional um pouco mais fraco, porque as empresas estão limitando seus projetos há um belo tempo.”
Na ponta negativa, João Daronco, analista da Suno Research, avalia que os bancos devem concentrar boa parte das atenções, em continuidade do movimento de inadimplência crescente visto no segundo trimestre.
Mas há setores que podem servir como um contrapeso positivo na balança do mercado. Nesse sentido, a atenção recai sobre as empresas de commodities e energia.
“Isso se explica pelos efeitos do conflito geopolítico, pelo petróleo elevado no mercado internacional e pelos ganhos operacionais não apenas das produtoras, mas também das distribuidoras de combustíveis, como Vibra e Ultrapar”, indica Raphael Figueredo.
A manutenção dos preços do petróleo tipo Brent – que serve como referência internacional nas negociações do mercado – em patamares acima de US$ 100 deve favorecer, além das petroleiras, as empresas de gás natural, ressalta Caio Borges, analista da Eleven Financial.
A lógica é simples, com a matéria-prima mais cara, essas empresas tendem a “garantir uma geração de caixa muito forte”, explica Daronco, da Suno.
Contudo, alertas também são levantados sobre os fiéis da balança. “Por outro lado, o diesel acompanhou o movimento da commodity com alta mais acentuada, por causa dos ataques ucranianos a refinarias russas, o que deve pressionar as margens das exportadoras nos outros setores”, afirma Borges.
Também com foco nos exportadores, Daronco chama atenção para a depreciação do dólar, que tende a reduzir o caixa de quem vende para o exterior.
IA segue impulsionando EUA
Se a situação no Brasil inspira cautela, as expectativas com empresas listadas nos EUA se mostram mais otimistas. O bom humor, apontam os analistas, vem ancorado na euforia com a IA e o setor financeiro.
“Você tem todas as empresas em volta da inteligência artificial indo super bem, inclusive os bancos estrangeiros, com recordes de emissões de dívida, muito IPO pelo mundo, muita empresa bancária para fazer essa conexão com investimentos”, reforça o CIO da Sincra.
A expectativa para a safra de balanços do terceiro trimestre é de um crescimento de aproximadamente 10% nas receitas e de 25% a 30% nos lucros das empresas do S&P 500, segundo a Avenue.
Lá fora, quem trabalha com petróleo e energia também deve se sair bem. Mas o holofote deve seguir brilhando sobre as companhias de tecnologia – em especial as que lidam com inteligência artificial -, avalia William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
“Os setores de tecnologia e serviços de comunicação devem ser os principais responsáveis pelo crescimento dos lucros do índice”, destacando que o conjunto abrange empresas ligadas ao universo tecnológico, como Nvidia e Meta.
“Para essas empresas, a expectativa de crescimento dos lucros é significativamente maior. Dessa forma, os setores de energia e tecnologia, considerando esse universo tecnológico mais amplo, devem impulsionar os resultados agregados do índice”, conclui Castro Alves, indicando que é o setor tech quem deve ditar o rumo das bolsas nas próximas semanas.
Para ficar de olho, o estrategista-chefe da Avenue aponta três fatores:
Retorno dos investimentos em inteligência artificial;
Preservação das margens de lucro;
Perspectivas de crescimento para os próximos trimestres.
Perspectivas para os próximos resultados
Juros, cenário geopolítico e capacidade de investimento das empresas em IA devem ficar no radar do mercado para os próximos meses – e ano.
De um lado, há quem avalia que o último trimestre de 2026 “vai ser uma repetição praticamente” do terceiro, como Gustavo Cruz. Por outra perspectiva, João Daronco acredita que “devemos começar a ver uma melhora”.
“No quarto trimestre, as expectativas mudam de lugar. Vejo muito potencial e tenho maior apreço pelas empresas de varejo, principalmente o alimentício, porque começa a aparecer o efeito do fim das bets no Brasil”, indica o analista da Suno.
“Isso deve fazer sobrar mais dinheiro para a população, que tende a consumir mais, e o setor de alimentos pode se beneficiar”, pontua, ressaltando o potencial de papéis como Assaí e Grupo Mateus.
Cruz destaca que a evolução das incertezas no Oriente Médio vai ditar se os preços do petróleo normalizam ou não. Olhando para cá, as incertezas giram em torno da conclusão das eleições neste domingo (25), cujo resultado deve direcionar o comportamento da curva de juros futuros.
“Pensando no próximo período e nas expectativas do mercado para 2027, o processo eleitoral terá um grande impacto. Esse reflexo surge primeiro na curva de juros para, em seguida, atingir a percepção da assimetria de preços e, posteriormente, os fundamentos das empresas”, avalia Raphael Figueredo, da XP.
Ainda assim, a melhora das condições de aperto depende da evolução de outros fatores macroeconômicos – além do compromisso fiscal do eventual presidente eleito.
“É preciso compreender que o efeito da queda de juros é gradual e exige melhores condições financeiras gerais — não apenas o alívio nas taxas, mas um ambiente com inflação controlada, previsibilidade e atividade econômica estável. Esses são os fatores decisivos para criar um ambiente mais favorável aos balanços corporativos, permitindo que 2027 caminhe para um ritmo mais consistente de recuperação de mercado e melhora nos preços dos ativos.”
Para as empresas de IA gringas, um dos principais pontos de atenção em 2027 será a capacidade das companhias continuarem o movimento de investimentos e crescimento do universo de inteligência artificial, que tem sido bastante relevante para determinar a expansão dos lucros do S&P 500, pontua William Castro Alves.
As expectativas de crescimento de lucros estão “particularmente elevadas” para o setor, segundo o estrategista-chefe da Avenue, de modo que será importante “avaliar a temperatura do universo de inteligência artificial, especialmente para entender se os investimentos continuam elevados e se as empresas pretendem ampliar ou reduzir esses aportes”.
“No caso das big techs, o principal ponto será entender como os investimentos em infraestrutura, capacidade de processamento e computação em nuvem estão se convertendo em receitas e retornos financeiros”, pontua Castro Alves.
“Agora, será fundamental observar se esse otimismo permanece para o quarto trimestre ou se as companhias já começam a identificar sinais de desaceleração”, conclui.
Passos quer salvar a direita aliando-se a André Ventura. Já algumas figuras políticas ainda estão a tentar perceber porque é que a subida dos juros faz cair o fundo das pensões.