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AI Is Dead. Organoids Are Alive

26 August 2026 at 15:00

Scientists are growing miniature human brains in labs around the world. (Yep, you read that right.) For Wired, Claire L. Evans reports on the latest research in the field of organoid intelligence, or OI, where scientists are artificially growing brain organoids from tiny human samples, whether skin, blood, teeth, or even hair. As these seed-sized globs mature, they are able to send and receive electrical signals, and even learn to remember and anticipate them. In other words, this living matter is programmable. “And this is where things get truly weird,” writes Evans.

For now, these neural computers are mostly of interest to researchers who want to work with neurons without taking on the tedious wet-lab husbandry themselves. Eventually, however, the company hopes that neurons will prove themselves to be an energy-efficient, resilient substrate for more general computing applications—including some tasks currently handled by AI, like image recognition and classification.

“When you think about what you want from AI, it’s biology,” said Brett Kagan, Cortical Labs’ chief operating officer, when I reached him over Zoom. “You want it to be self-repairing as much as possible. You want it to be adaptable. You want it to be long-lived. You want it to be energy-efficient. These are all features you get for free in biology.”

Ainda sobre a inflação de alimentos no Brasil

25 August 2026 at 16:00

Começo a coluna aproveitando o gancho do meu colega Gustavo Faleiros, que gentilmente me trouxe para conversa ao falar sobre a inflação de alimentos, em sua coluna da semana passada. (Para quem ainda não leu, Gustavo traz uma excelente explicação sobre o impacto das mudanças climáticas no preço dos alimentos.) 

Trago aqui mais algumas camadas desse problema tão complexo, me baseando no relatório “A Inflação de Alimentos No Brasil: Um Fenômeno Estrutural, Específico E Sistêmico”, do economista Valter Palmieri Junior., e nas formulações dos que são, indiscutivelmente, os maiores especialistas no assunto: o Instituto Fome Zero (IFZ).

Como bem colocado pelo Gustavo, a inflação de alimentos se tornou uma preocupação em vários países, especialmente a partir da pandemia do COVID-19. Mas, aqui no Brasil, o fenômeno propriamente dito é mais antigo, e já é percebido há duas décadas. 

A inflação de alimentos acontece quando os preços de alimentos e bebidas crescem mais do que a inflação como um todo. Ou seja, quando o Índice de Preços de Alimentos e Bebidas (IPAB) cresce mais do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –pelo qual normalmente medimos a inflação no Brasil. 

E isso acontece praticamente todo ano desde 2007. De lá para cá, o preço dos alimentos subiu 1,6 vez mais do que o restante dos preços. Por isso, especialistas vêm alertando para o problema da inflação dos alimentos há bastante tempo. 

Mas, desde a pandemia, uma coisa mudou: o grupo que puxava o crescimento do IPAB até então era, sobretudo, o da alimentação fora do domicílio. Ou seja, preços de comida em bares, lanchonetes e restaurantes. Desde 2020 é o grupo de alimentos consumidos no domicílio quem cresce mais, acumulando uma alta de 65% em apenas seis anos! 

Essa mudança tem efeitos perversos. A despesa com alimentação é incontornável: todos precisam comer. É claro que existem diferenças na alimentação de pessoas com mais e menos dinheiro, mas, no limite, todos gastam com isso. É uma conta que pesa mais para quem ganha menos e precisa destinar uma parcela maior de seu orçamento para a comida. 

Dados do IBGE mostram que a alimentação representava, em 2018, 23,8% dos gastos das famílias que ganhavam até dois salários-mínimos. Já para as que ganhavam mais de 25 salários-mínimos, era apenas 11,5%. Com a escalada dos preços desde então, é bem provável que essa proporção tenha subido, com ainda mais intensidade para os mais pobres. 

Comer fora muitas vezes é um luxo, a base da alimentação da maioria dos brasileiros é de refeições preparadas em casa. Essa opção segue sendo a mais barata, mas seu custo vem crescendo com maior rapidez. 

Aqui, vale destacar: são os alimentos in natura e minimamente processados – aqueles colhidos diretos do pé ou compostos de poucos ingredientes – que recebem a maior alta de preços, o que também é grave do ponto de vista nutricional. 

O preço das frutas cresceu 2,8 vezes mais do que a inflação geral nos últimos vinte anos, e o dos legumes, 1,9 vez mais. 

Em resumo, o biscoito recheado é mais barato que a maçã. Assim, quem tem menos renda também está perdendo, aos poucos, o direito a uma alimentação saudável. 

No relatório, Palmieri Junior. destaca cinco principais fatores que explicam a inflação de alimentos. Um deles, o Gustavo trouxe: as mudanças climáticas. 

Escolho focar em outro: nosso modelo agroexportador. Em especial porque, curiosamente, defensores históricos do agronegócio decidiram ligar, neste período eleitoral, para o custo de vida dos brasileiros. 

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou, em seu discurso de lançamento da campanha, a preocupação das famílias brasileiras com os preços nas prateleiras.

Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou um vídeo em que faz compras no mercado e, com preços mentirosamente inflacionados, reclama do custo das coisas. 

No vídeo, o Nikolas acompanha uma mulher fazendo uma compra de cinco alimentos (café, ovo, feijão, leite e picanha), que soma R$255,96. Porém, o jornalista Guga Noblat foi a um supermercado de Brasília (DF) e comprou as mesmas coisas, a fim de fazer uma checagem de preços, e chegou a uma conta de R$137,36 – 86% a menos.

Acontece que é incoerente defender a expansão desenfreada do agronegócio e depois reclamar de uma de suas consequências mais imediatas, como fazem ambos os candidatos mencionados e muitos outros. 

Explico. 

A guinada agro do Brasil levou à redução expressiva dos hectares destinados ao cultivo de alimentos básicos, que foram perdendo espaço, principalmente, para a soja, o milho e a cana de açúcar, mais vendidos no mercado externo, como mostra o gráfica abaixo. 

Infográfico sobre a inflação de alimentos no Brasil
Fonte: Palmieri Junior (2026). A inflação de alimentos no Brasil: um fenômeno estrutural, específico e sistêmico

Isso mudou bastante a dinâmica e os custos de produção agrícola no Brasil, mesmo para alimentos que são mais consumidos internamente do que exportados. O feijão, por exemplo. 

Como explica Palmieri Junior, ao privilegiar as culturas de exportação, recursos fundamentais, como terras, crédito e incentivos fiscais são deslocados para esses cultivos, o que acaba esvaziando a produção dos demais alimentos, que se tornam menos atrativos. 

Também o preço da terra sobe, porque a agricultura se torna uma zona de investimento lucrativo, o que também encarece os alimentos à mesa. 

Ainda que esse deslocamento produtivo não signifique uma escassez literal da comida no supermercado, certamente influencia sua dinâmica de preços, tanto pela falta de incentivos quanto pela redução da oferta.

O modelo agroexportador que prioriza o cultivo de commodities ao de alimentos não é o único fator para a elevação do preço da comida. Mas é um bem importante. 

E em um mundo de instabilidades internacionais, guerra e mudanças climáticas, é um dos poucos sobre os quais a política interna ainda consegue decidir. 

Talvez não possamos controlar totalmente o preço dos combustíveis e fertilizantes ou o tamanho do El-Niño – mesmo que a ação humana contribua para todos esses fatores.  

Mas a forma como produzimos comida ainda é uma escolha política nossa. 

Direcionar incentivos produtivos para alimentos –  como feijão, arroz, mandioca e batata – em vez de commodities, como a soja, retomar os estoques reguladores da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e investir na logística de transporte e armazenagem para o mercado interno são políticas públicas importantes, eficazes e, sobretudo, muito possíveis. Mas requerem vontade política. 

Por isso, fica o apelo para que a soberania alimentar seja uma bandeira – atenta, e não demagógica – também nestas eleições. 

The Soviets Drilled the Deepest Hole Ever

25 August 2026 at 16:00

For Nautilus, Charles Digges recounts a massive undertaking begun in 1970 by the Soviet Union: As part of its science program, they decided to dig into Earth. Known as the Kola Superdeep Borehole, at 40,230 feet, it was—and is—the deepest human-made hole on the planet. While the hole didn’t go as deep as they planned, the project gave geologists a new understanding of the subterranean world and the earth’s deep continental crust—a place more alive and dynamic than they ever thought possible.

Other discoveries proved just as momentous. Nearly 22,000 feet beneath the surface, drill cores contained microscopic fossils from two dozen species of plankton that had drifted through an ancient sea more than 2 billion years ago. This showed that even after billions of years of burial deep within the continental crust, unmistakable evidence of some of Earth’s earliest life had survived. Between 16,000 and 23,000 feet, the borehole encountered saline water circulating through fractures in crystalline rocks that geologists had long considered essentially dry. Rather than groundwater that had somehow seeped miles underground, the fluids appear to have originated within the crust itself. As ancient minerals were transformed by heat and pressure, they released chemically bound water, while reactions between water and iron-rich rocks generated hydrogen gas, showing that the supposedly inert continental crust was still chemically active billions of years after it had formed.

The Terms and Conditions of a Place Where I’ll Belong

25 August 2026 at 15:00

In this essay at Panorama: The Journal of Travel, Place, and Nature, writer and professor Samuel Autman reflects on tourism and privilege, especially in a time of xenophobia; traveling as a Black queer American; and the idea of not fully belonging wherever he goes. The sections in Autman’s piece are organized as terms and conditions in a legal agreement, reminding us that when we cross borders, we navigate different cultural and social scenarios, written and unwritten rules, and people who view us as foreign—no matter how at home we might feel.

I found myself asking harder questions about the young men around him, about the relationships, the patronage and the blurred line between generosity and dependency. Mark had paid for many of them to study law, medicine or business. He had even helped one man living in the United States without legal status by paying for him to attend a Spanish-language school.

None of it suggested scandal or anything obviously illegal. But parts of it no longer sat comfortably with me.

Zelensky: la mina vagante che terrorizza Londra e Bruxelles

25 August 2026 at 09:27

di Cesare Sacchetti A Kiev, nelle ultime settimane c’è stata una vera e propria tempesta politica. Il “presidente” del regime nazista ucraino, Volodymyr Zelensky, ha deciso di eseguire l’ennesimo rimpasto, il quarto da quando è iniziata la guerra russo-ucraina, dopo la rimozione del ministro della Difesa, Mykhailo Fedorov. Fedorov apparteneva a quel gruppo di uomini […]

L'articolo Zelensky: la mina vagante che terrorizza Londra e Bruxelles proviene da La Cruna dell'Ago - di Cesare Sacchetti.

O método: como a extrema direita ataca professores para engajar eleitores

24 August 2026 at 08:00

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

O ano letivo de 2024 seguia seu curso normal quando Jadir Anchieta, professor de História, começou a ouvir comentários de estudantes que diziam ter saudades de Jair Bolsonaro. Era uma aula sobre o período entreguerras, ministrada a uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual São Tarcísio, no município catarinense de São Bonifácio. O professor havia acabado de entrar na sala quando um grupo de alunos passou a fazer provocações sobre temas políticos. Foram poucos minutos, mas, para Jadir, a cena durou uma eternidade. A dinâmica parecia ensaiada. Cerca de quatro alunos o bombardearam com perguntas e cobraram um posicionamento sobre o tema. Ele sabia que aquele comportamento fugia ao perfil da turma e a direção da escola precisou mediar o conflito. O que o professor de História não sabia, contudo, era que a cena havia sido gravada pelos estudantes.

Em diferentes regiões do Brasil, o roteiro percorrido por Jadir Anchieta tem se repetido. Há um padrão em curso, segundo Rodrigo Timm, advogado do Observatório Nacional da Violência Contra Educadores (Onve). Primeiro, estabelece-se um clima de desconfiança em torno do ambiente escolar e de seus profissionais. Em seguida, os alunos são incentivados, muitas vezes pelos próprios pais, a gravar os professores em vídeo ou em áudio. Essas gravações são, então, retiradas de seu contexto original e repassadas a parlamentares da extrema direita. O material ganha espaço nas redes e se transforma em um ativo político. 

Um levantamento da Agência Pública identificou, desde as últimas eleições gerais, em 2022, até 2025, ao menos 18 parlamentares, a maioria do Partido Liberal (PL), que fizeram ataques a professores. Entre eles estão nomes como Júlia Zanatta (PL-SC), Jessé Lopes (PL-SC), Alex Brasil (PL-SC), Ana Campagnolo (PL-SC), Alan Lopes (PL-RJ) e Fernando Cordeiro (PL-SC), todos em busca de uma vaga nas eleições de outubro. A estratégia de atacar professores é, ainda, uma maneira de ascender politicamente: é o caso do vereador Fernando Cordeiro (PL) de Chapecó, no oeste catarinense, que quase triplicou a votação no município após liderar ataques contra uma docente e agora se prepara para disputar o cargo de deputado federal por Santa Catarina. Cordeiro recebe apoio da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que, em seu mandato, ficou conhecida por denunciar “professores doutrinadores”, ganhando projeção política após processar sua orientadora de mestrado.

A gravação da aula de Jadir, por exemplo, foi parar nos perfis da deputada federal Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina. O professor e a direção da escola foram surpreendidos pela exposição nas redes sociais. Dias depois, em uma nova publicação, Zanatta comemorou as providências imediatas tomadas pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também do PL. Tratava-se da abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), instaurado para apurar a conduta de Jadir por agir “de forma inadequada no exercício de suas funções”. A postagem que expôs o professor de História alcançou mais de 30 mil curtidas e foi compartilhada por outros nomes da extrema direita, como o vereador Fernando Cordeiro, do PL de Chapecó.

A repercussão do caso escalou até a Câmara dos Deputados, em Brasília. O deputado federal Gustavo Gayer, do PL de Goiás, apresentou uma moção de repúdio contra Jadir na Comissão de Educação, então presidida por Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, mas a proposta foi rejeitada por 20 votos a 13. Durante a sessão, outros parlamentares denunciaram a instrumentalização do episódio. O deputado Tarcísio Motta, (PSOL-RJ), afirmou que o caso era mais uma manifestação de uma parcela da extrema direita, em busca de ganhos eleitorais por meio da perseguição a profissionais da educação.

Apesar da moção de repúdio ter sido barrada no Congresso Nacional, as consequências estaduais seguiram seu curso. Em decorrência do PAD aberto pela Secretaria de Educação de Santa Catarina, Jadir foi afastado de suas funções em março de 2024. O afastamento foi prorrogado duas vezes até que, em agosto do mesmo ano, ele foi demitido. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) anulou o PAD apenas em maio de 2025 e determinou a readmissão do professor. Na decisão, o desembargador responsável argumentou que a “sala de aula não é um campo de polícia ideológica” e que o docente não pode estar “submetido a censores discentes, tampouco à disposição de visões idiossincráticas de bedéis mascarados como pais”.

Montagem mostra incitação à violência contra o professor Jadir Anchieta

Processos contra educadores aumentam nas eleições

No levantamento da Pública, também foram analisadas as características de 596 PADs abertos pela Secretaria de Educação de Santa Catarina e publicados no Diário Oficial entre janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024. Os dados mostram que, em ambos os anos eleitorais, a abertura de processos contra educadores como Jadir foi maior. Fernando Penna, coordenador do Onve, observa que, em períodos de disputas políticas, o número de processos contra educadores aumenta, o que evidencia que as escolas se consolidaram como espaços de embate ideológico.

A análise dos PADs também identificou indícios de punições desproporcionais, espetacularização dos casos e prolongamento indevido dos trâmites. Cerca de um terço dos processos analisados pela reportagem no período foi arquivado, seja pela inocência do servidor, seja pela inexistência do fato. Para Penna, o índice revela que muitos PADs são abertos sem materialidade, desprovidos de testemunhos efetivos ou de evidências de infração. São instaurados de forma vazia, com o propósito de intimidar.

Para Jadir, o arquivamento do processo não apaga os impactos da exposição. O professor conta que ficou profundamente abalado pela violência sofrida. Precisou deixar São Bonifácio, foi alvo de ameaças e viu milhares de pessoas o xingarem na internet. Eram desconhecidos, e ele não sabia se representavam um perigo real. Quase dois anos após a abertura do PAD, Jadir avalia que a ação orquestrada serviu para “faturar cliques e votos”.

A situação de Jadir, contudo, não se encerrou com a decisão judicial. Em julho de 2025, mesmo sob a vigência da Lei Federal nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares em sala de aula, o professor teve, mais uma vez, a aula gravada por alunos. O áudio foi, novamente, divulgado nas redes sociais. Entre os comentários, o deputado estadual Sargento Lima, do PL, que já havia discursado contra “professores doutrinadores” na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, afirmou que o episódio provava a importância da instalação de câmeras nas salas de aula. 

Lima já havia se envolvido em outro episódio, em fevereiro de 2023, relacionado à orientadora educacional Juliana Andozio, que foi vítima de uma sindicância acusatória, suspensa e afastada, após permitir que uma aluna trans usasse o banheiro feminino da escola. De acordo com a educadora, seis famílias queriam saber “qual banheiro a aluna trans usava” e “queriam proibir as discussões sobre gênero, orientação sexual, diversidade, questões da mulher, da democracia e do grêmio estudantil na escola”.

Juliana sofreu ataques após as “denúncias” feitas pelo vereador Bericó (PL) nas redes sociais. Seu carro foi alvo de ovos, pedras e limões. “Jogavam coisas na escola, jogaram fogos de artifício em mim, jogaram lixo na minha casa. Eu tive que ir morar três meses na casa da minha mãe porque passavam motoqueiros na frente da minha casa me xingando de coisas horrorosas”, desabafa.

O caso chegou à tribuna da Alesc quando o deputado Sargento Lima (PL) ameaçou a educadora. “Fosse minha neta, uma das minhas enteadas, meu filho, uma dessa, um suplente estaria assumindo a minha vaga aqui porque eu estaria na cadeia. Simplesmente isso”, disse o parlamentar na sessão de 15 de março de 2023. O processo que acusava Juliana de “doutrinação político/partidária” foi anulado em janeiro de 2024.

O relatório “Um estudo quantitativo da perseguição a educadoras/es no Brasil”, publicado em 2025 pelo Onve, aponta que a violência contra professores começou a se intensificar a partir de 2010. Os picos ocorreram em 2016, 2018 e 2022, anos marcados pelo impeachment de Dilma Rousseff e por duas eleições presidenciais. A pesquisa, que ouviu mais de três mil educadores nas cinco regiões do país, indica que o Sul concentra o maior número de casos, seguido pelo Sudeste. Fernando Penna observa que o dado não surpreende, uma vez que Santa Catarina, estado com maior presença de políticos de extrema direita, foi um dos que registraram o maior número de respondentes.

O coordenador do Onve projeta que, em 2026, a direita mobilizará todas as estratégias políticas que já deram retorno eleitoral para voltar ao poder. A perseguição a educadores e a incitação do pânico moral em torno da ideologia de gênero devem estar no centro dessa mobilização. A hipótese de Penna é que 2026 será um ano particularmente difícil para os profissionais da educação.

Todos os parlamentares citados foram procurados pela reportagem, mas não houve retorno até a publicação. Já a Secretaria de Educação de Santa Catarina afirmou “seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da comunidade escolar”. 

LEIA A RESPOSTA NA ÍNTEGRA

O Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Educação (SED), ressalta seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da comunidade escolar. Todos os procedimentos correcionais instaurados pela pasta seguem critérios técnicos e rigorosa análise jurídica, conforme prevê a legislação vigente.

A abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) ocorre apenas quando há indícios de eventual irregularidade funcional, sempre com garantia plena do contraditório e da ampla defesa aos servidores envolvidos. A instauração de um PAD não representa punição antecipada, mas instrumento legal de apuração.

A SED também esclarece que denúncias relacionadas à atuação em sala de aula são analisadas com responsabilidade, considerando o contexto pedagógico, a liberdade de cátedra e os deveres funcionais previstos na legislação.

Em relação às decisões judiciais, a SED respeita integralmente as determinações do Poder Judiciário e cumpre todas as decisões nos termos estabelecidos pela Justiça, mantendo permanente aperfeiçoamento dos seus fluxos e procedimentos internos.

Por fim, a Secretaria reforça que atua de forma séria, equilibrada e responsável para garantir um ambiente escolar seguro, respeitoso e alinhado aos princípios da educação pública catarinense.

Quando a perseguição é transformada em voto

A partir de uma denúncia feita pelo vereador Fernando Cordeiro, de Chapecó, a professora de Língua Portuguesa Ibriela Sevilla foi alvo de um PAD por trabalhar, em sala de aula, o livro Não Alimente a Escritora, da autora catarinense Telma Scherer. A atividade ocorreu em uma turma do primeiro ano do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Angela Lourdes Lago. Pais de alunos acionaram a direção da escola e pediram a demissão da professora, alegando que o livro continha linguagem inapropriada. A obra, que consiste em um poema de 94 páginas, já havia sido utilizada por Ibriela em 2023, na mesma escola, sem suscitar qualquer problema.

O PAD aberto contra Ibriela em 2024 foi arquivado quase um ano depois, quando a comissão responsável concluiu pela inocência da docente. Durante o trâmite do processo, a professora foi exposta nas redes sociais e nas câmaras legislativas municipais e estaduais. Desde o episódio, Ibriela tem acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Montagem mostra incitação à violência contra a professora Ibriela Sevilla

O vereador Fernando Cordeiro, então em pré-campanha para a reeleição, publicou, em março de 2024, uma crítica à conduta da professora em suas redes sociais. Três dias depois, o caso chegou à deputada estadual Ana Campagnolo, do PL, que repercutiu o assunto na tribuna da Assembleia Legislativa.

Para Fernando Penna, a dinâmica indica uma atuação em rede entre os parlamentares. “Quando um vereador faz a denúncia e uma deputada estadual a divulga, há uma articulação clara. A deputada serve como plataforma, enviando a mensagem de que outros vereadores que fizerem o mesmo também ganharão projeção. Um parlamentar reforça o outro, construindo, assim, um empreendimento político”, diz.

Em 2020, Fernando Cordeiro foi eleito com 1.422 votos, a 14ª maior votação em Chapecó. Em 2024, ele quase triplicou seu eleitorado e tornou-se o vereador mais votado do município. Para o coordenador do Onve, o crescimento expressivo da votação após a perseguição a uma professora exemplifica como esse tipo de violência tem sido convertido em capital político.

Montagem mostra incitação à violência contra a professora Marlene de Fáveri

A própria deputada Ana Campagnolo, que auxiliou Cordeiro na exposição do caso, ganhou projeção política após um conflito com sua orientadora de mestrado, a historiadora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina. O episódio foi exposto publicamente durante a campanha eleitoral de 2018, quando Campagnolo foi eleita deputada estadual com mais de 34 mil votos. Até então, ela nunca havia concorrido a cargos políticos e atuava como professora de História em escolas de Chapecó. Após denunciar “professores doutrinadores” em seu primeiro mandato, Campagnolo reelegeu-se em 2022 como a deputada mais votada da história do parlamento catarinense, com 196.571 votos.

Procurado, Fernando Cordeiro alegou que “o objetivo foi representar os pais e alunos que me procuraram solicitando ajuda, representando-os nas instâncias legais e competentes, relatando material apresentado pela referida professora”.

LEIA A RESPOSTA NA ÍNTEGRA

Um padrão repetido pelo Brasil

Os casos de Jadir, Ibriela e Marlene não são exceção. O roteiro de perseguição e violência se repete esporadicamente em outras regiões do país. Em Magé, no Rio de Janeiro, a professora de Artes Daniela Abreu enfrentou uma situação semelhante. Ela trabalhava há 17 anos no Colégio Estadual Professor Alfredo Balthazar da Silveira e nunca tinha registrado problemas com os alunos. A escola sempre foi reconhecida por sua atuação combativa, com grande adesão do corpo docente ao sindicato. Em contrapartida, grupos locais pressionavam pela militarização da instituição.

Nesse contexto de tensão, em 2022, Daniela passou a ter conflitos com estudantes que faziam declarações racistas em sala de aula. No início do ano, um aluno a agrediu verbalmente e a ameaçou fisicamente. O estopim da violência, no entanto, ocorreu em setembro daquele ano, quando um casal de alunos abordou a professora na sala dos docentes e pediu materiais da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Daniela recusou o pedido, mas, diante da insistência dos estudantes, cedeu um adesivo e pediu que o aluno o guardasse. Ela não sabia que a interação estava sendo filmada.

Quinze minutos depois, policiais militares e fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entraram na escola. Segundo relatos de funcionários, a abordagem ocorreu sem mandado. Vídeos da entrada dos policiais e da entrega do adesivo eleitoral circularam nas redes sociais. Daniela foi acusada de ser doutrinadora, e as imagens simulavam uma prisão que, de fato, nunca ocorreu.

A professora relata que passou por instantes de terror e se sentiu minúscula em meio à barbárie. Ao longo de 2022, ela havia sido gravada em outras aulas sem o seu conhecimento. Mais tarde, compreendeu a intencionalidade daquelas filmagens, que foram utilizadas na sindicância instaurada contra ela.

Montagem mostra incitação à violência contra a professora Daniela Abreu

A perseguição ganhou contornos institucionais em 2023, quando o deputado estadual Alan Lopes, do PL, passou a atacar publicamente a professora. Eleito presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em abril de 2023, o parlamentar foi ao colégio de Daniela para gravar um vídeo no qual afirma ter “desmascarado a maior doutrinadora ideológica do Estado”. Lopes reuniu filmagens clandestinas feitas nas aulas de Daniela e declarou que o período de denúncias engavetadas por doutrinação em sala de aula havia acabado no Rio.

Um levantamento publicado pelo Onve em 2024 revela que, em quatro anos, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro abriu 1.320 sindicâncias contra professores. O número representa a média de uma sindicância por dia entre 2020 e 2024. O estudo aponta que agentes públicos têm manipulado o instrumento da sindicância para criminalizar, isolar e silenciar educadores. O pico de aberturas de sindicâncias ocorreu em 2022, ano eleitoral, com quase 500 procedimentos instaurados.

Após a publicação do vídeo pelo deputado Alan Lopes, Daniela foi alvo de uma sindicância e, quatro meses depois, de um PAD. Ela foi acusada de realizar campanha eleitoral na escola, fazer apologia às drogas e enaltecer a vereadora Marielle Franco, assassinada. Segundo o processo, a professora teria descumprido os deveres previstos no Estatuto dos Funcionários Públicos e os preceitos éticos do Código de Ética Profissional do Servidor.

Nesse período, Daniela ficou extremamente fragilizada. Ela conta que grupos organizavam reuniões e a chamavam de “Marielle de Magé”, não como um elogio, mas como um alvo. Diziam que não precisavam mais matá-la, pois já haviam conseguido quebrá-la por dentro.

Em setembro de 2025, o PAD foi arquivado. Assim como no caso de Jadir Anchieta, o arquivamento não apagou as violências sofridas. Daniela foi alvo de ameaças e precisou deixar a cidade para evitar uma tragédia. Desenvolveu crises de ansiedade, falta de ar e depressão. Pensou em abandonar a sala de aula e teve medo de morrer. Foi, segundo ela, o momento mais difícil de sua vida.

Infográfico mostra dados de censura em sala de aula

Os resultados dessa violência

Quase dois anos após a gravação que resultou na abertura de seu Processo Administrativo Disciplinar, Jadir Anchieta continua a ministrar aulas de História. Diante de novas turmas, ele continua abordando temas como o nazifascismo, as crises democráticas e os conflitos políticos do século 20. A diferença, agora, é que a sensação de estar sendo gravado nunca o abandona. Hoje, ele pensa duas ou três vezes antes de falar, o que torna a rotina exaustiva.

Para os pesquisadores do Onve, o método de alguns políticos da extrema direita produz um efeito que vai além dos episódios individuais: cria um ambiente de insegurança e medo, levando os educadores à autocensura. 

Em um contexto de polarização política e com a aproximação de novas eleições, especialistas alertam que o uso de estratégias de perseguição contra educadores tende a se intensificar. As explicações sobre crises democráticas, questões de gênero ou temáticas religiosas continuam no quadro negro. Mas agora, entre os cadernos e os livros, paira sempre a possibilidade de um celular gravando em silêncio.

‘We’ll Bomb the Sh*t Out of Them’: Trump and the War on Morality

20 August 2026 at 01:00
Consider this hypothetical: Two apartment buildings share a single parking lot. Management from both Building A and Building B are engaged in negotiations over how the parking lot will be organized, painted, maintained, and paid for. Across the street is a restaurant. The restaurant’s customers primarily come from Building A, and internal studies have shown […]

Ivoire–diaspora : le pari d’une nouvelle diplomatie de l’investissement

19 August 2026 at 11:49

Et si la diaspora ivoirienne devenait l’un des nouveaux relais de la stratégie économique nationale ? C’est l’ambition qui se dessine derrière l’initiative « Les Femmes pour le PND 2026-2030 », portée par Maître Ayssata Coulibaly-Diabi. Le 23 août à New York, investisseurs, entrepreneures et professionnelles ivoiriennes des États-Unis et du Canada sont appelés à […]

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G.P.S. and the Lost Art of Getting Lost

17 August 2026 at 12:00

For The New Yorker, Shayla Love writes about how GPS—a military technology turned daily necessity, and the subject of Katherine Dunn’s new book, Little Blue Dot: How GPS Shaped the Modern World—has changed the way we move through the world. To test her own skills, Love navigates from North Brooklyn to a park in Queens with a paper map, then sets off on an orienteering course without the trusty little blue dot, where she discovers how rusty her sense of direction really is.

Surprisingly, I still felt an urge to pull out my phone and look at my dot, to confirm what my surroundings were showing me. I started to feel that the true value of orienteering was more akin to that of reading a long book, or baking from scratch, or attending a long classical-music concert. I wasn’t necessarily tapping into my inner homing pigeon. I was practicing more general skills that get rusty when I over-rely on technology: paying attention, being patient, accepting uncertainty. We made our way to No. 7, on a “prominent tree, east side.” We didn’t find No. 6—a small blow to the ego—but my confidence soared when we found five, four, and three. The desire to check my dot faded to a low simmer.

Ban on Chinese robots leaves U.S. startups stranded

17 August 2026 at 11:00
The U.S. government is forcing a rapid onshoring of robotics through a sweeping ban on foreign-made robots, even before an American supply chain exists, putting at risk the very robotics...

© Getty Images/Rest of World

Three Unitree G1 humanoid robots are pictured at robotics company Unitree's first retail store in Beijing.

L’aliénation spirituelle des Africains – Par AMA MAZAMA

17 August 2026 at 02:57

@afro_spirit01 l’aliénation spirituelle des noirs par AMA MAZAMA #malembo_kama #mwanamboka01 #amamazama #eveilspirituel #cultureafricaine #spiritualité #spirituality #pourtoi #fyp #viral ♬ son original – AFRO_SPIRIT

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Renaissance africaine : décoloniser l’histoire et l’image du divin

17 August 2026 at 00:41

Les réactions de certaines personnes noires qui critiquent ceux qui dénoncent les systèmes de domination hérités de l’histoire donnent le sentiment que la mémoire de la traite négrière, de l’esclavage et de la colonisation demeure encore largement méconnue. Cette situation empêche de débattre convenablement des séquelles laissées par les tragédies vécues par les Noirs. Lorsque […]

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« Nakou Asa » : Zoanet Comes revisite son hymne contre le racisme anti-Noirs

15 August 2026 at 19:13

Avec le remix de « Nakou Aza », le reggaeman Zoanet Comes insuffle une nouvelle énergie à l’un de ses titres engagés. À travers cette nouvelle version, l’artiste installé en France depuis plusieurs années poursuit son combat contre le racisme anti-Noirs et pour la dignité des personnes victimes de discriminations liées à leur couleur de […]

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Authoritarians will target effective legal organizing, Minnesota defendant warns

13 August 2026 at 17:45
Cameron Kennedy poses for a photo near his home in Minneapolis, Minnesota on June 18, 2026. Photo by Bridget Bennett for The Washington Post via Getty Images

This article was originally published by Truthout on Aug. 12, 2026. It is shared here under a  Creative Commons (CC BY-NC-ND 4.0) license.

The U.S. government is attempting to use conspiracy charges to imprison organizers, just as it did in its war against the Black Panther Party, New Left, and other 1960s and ‘70s radicals through its counterintelligence program, COINTELPRO. Through this method, the Trump regime shares the goal of the Nixon administration of disrupting and attempting to destroy domestic opposition to its authoritarian agenda.

Two weeks after the September 2025 murder of right-wing activist Charlie Kirk, Donald Trump issued the National Security Presidential Memorandum 7 (NSPM-7), entitled “Countering Domestic Terrorism and Organized Political Violence.” The memorandum created a category of “domestic terrorist” that, while lacking legal authority, broadly includes anyone who believes in things deemed as constituting “anti-Americanism, anti-capitalism, and anti-Christianity; support for the overthrow of the United States Government; extremism on migration, race, and gender; and hostility towards those who hold traditional American views on family, religion, and morality.” NSPM-7 openly calls for “investigative” tactics designed to “disrupt” and “dismantle” political movements and organizations.

Following the recent use of conspiracy charges to successfully convict people in both the Prairieland case in Texas and the Spokane 3 case in Washington, 15 community members in the Twin Cities were indicted on June 16 for resisting the Trump administration’s December 2025 immigration crackdown dubbed “Operation Metro Surge.” According to the indictment, all defendants are identified as “members and associates of … Direct Action Minnesota (‘DAMN’),” which helped organize Minnesota’s resistance. That organization is now defunct in light of the arrests and revelations about government infiltration.

The primary charge against these 15 community members is that each of them “did knowingly conspire, with other persons known and unknown … to prevent by force, intimidation, and threats officers and employees of the United States Department of Homeland Security from discharging the duties of their officers.” Those accused of “conspiracy” are alleged to have done such routine organizing activities as moderating meetings, engaging in fundraising, posting on social media, and communicating on the secure texting app Signal. Some are also accused of participating in an anarchist speaking tour, called “Breaking the ICE: Lessons from the Resistance in Minnesota,” which followed the collapse of the government’s campaign against the people of Minnesota.

Though the mainstream media headlines touted an “Antifa conspiracy,” anarchists are mentioned more in the 94-page indictment, with references to anarchism on 17 pages. While there are many local anti-fascist groups, and exponentially more people who identify as anti-fascist, the way the government is using “Antifa” to signify a single organization is simply false. People with a wide variety of beliefs and political commitments consider themselves anti-fascist. Anarchists historically have fought fascists as far back as the 1936 Spanish Revolution, prior to World War II, as they believe in the possibility of a cooperative world that is diametrically opposite the one that fascists envision. In painting the defendants as members of antifa and as anarchists, the government is attempting to both scare the public and to marginalize and isolate the accused. The U.S. has a long history of targeting anarchists, going back to repression against immigrant anarchist labor organizers in 1880s Chicago, when four outspoken anarchists were hanged for organizing for the eight-hour workday.

Anarchists traditionally oppose all forms of hierarchy, exploitation, and domination, while both advocating and practicing democratic decision-making. Anarchists pose an intersectionally informed opposition to the contemporary cultural, political, and economic organization of society, while offering an alternative vision of a just, cooperative, and free society.

In the interview that follows, organizer Cameron Kennedy, one of the so-called “Minnesota 15” defendants, discusses his thoughts on anarchism, the role it played in organizing opposition to Operation Metro Surge, and how other communities can organize resistance.

The interview that follows has been lightly edited for clarity.

Paul Messersmith-Glavin: What does anarchism mean to you?

Cameron Kennedy: I think anarchism is deeply misunderstood by most. To me, it’s an egalitarian blueprint for resisting oppression and building a better world that democratizes every aspect of society. That democratizes our communities and workplaces and gives each of us agency and responsibility; where resources are distributed evenly and fairly and not hoarded by the billionaire class.

This wasn’t just a movement without leaders — this was a movement where everyone became a leader.

Maybe more importantly to me personally, it’s a code of conduct that guides my actions and my thinking: to always treat others with respect and grace, to always question and adapt to my surroundings, to educate and work to better myself, to engage with my neighborhood and community, to recognize oppression in all its forms and have the courage to confront it in any capacity I can, as we struggle for a just society.

What aspects of the Twin Cities’ response to Operation Metro Surge, starting late in 2025 until earlier this year, resonate most with anarchist practices and principles?

I think the resistance we saw here in the Twin Cities is deeply and directly influenced by anarchism. There is a strong anarchist and labor history in the Twin Cities that goes back more than 100 years. Anarchists have been deeply involved in movements here, especially since the 2008 Republican National Convention, and in the many uprisings against police brutality, like those around the police murders of Jamar Clark, Philando Castile, George Floyd, and too many others. I think this involvement played a role in introducing the wider population to anarchists’ organizing.

The resistance to Metro Surge was entirely decentralized, meaning there were no leaders and everything was organized on a hyperlocal scale by average working people, connected through apps like Signal and WhatsApp, giving everyone the ability to coordinate in unison at a macro scale. Mutual aid, long associated with anarchism, became a practice that every neighborhood committed to — for instance, to get food and rent money to our immigrant neighbors who were too under threat to leave their houses.

The raids and indictments woke the Twin Cities up again.

The rapid-response loops and Whipple Watch were designed to observe and report all ICE [Immigration and Customs Enforcement] activity through this decentralized network, in which nearly 100,000 people participated at the height. [Whipple Watch is a counter-surveillance project comprised of locals using their constitutional right to observe law enforcement, specifically at the Bishop Henry Whipple Federal Building, where most ICE operations are based.] This gave us the ability to respond to ICE raids in as little as three to five minutes almost anywhere in the Twin Cities. This wasn’t just a movement without leaders — this was a movement where everyone became a leader, and that’s exactly what anarchism is. That self-agency, the air-tight community communication, confrontational nature, and adaptability are why our resistance was so successful against Operation Metro Surge.

How have the indictments of the 15 of you been received by the wider community, namely the 100,000+ people that turned out in subzero temperatures to resist ICE?

My co-defendant Cal said it best: “Homeland Security really kicked the hornets’ nest with this one.” The movement against ICE had burned out post-Metro Surge, after the state of Minnesota moved toward a strategy of local law enforcement cooperating with ICE to arrest immigrants on low-level offenses, turning folks over to ICE at county jails. This allowed ICE to quietly and more effectively carry out its work without the constant flashy confrontations of Metro Surge. The raids and indictments woke the Twin Cities up again. Hundreds have rallied at our court dates and the community is mobilizing for another wave of repression. Bluntly, the raids enraged the Twin Cities back into action.

For myself, I’ve received nothing but support here. My neighbors have offered to help my partner and I any way they can, donating money and food. People recognize me on the street and thank me for the work I’m alleged to have done. It’s very clear that the government’s claim that we are “a danger to our own community” is a load of horseshit and just about anyone in the Twin Cities will tell you as much.

Do you have any advice for how organizers can best use the Signal app for secure communication? What are the best protocols for using that app to organize securely and effectively?

The number one rule is: “Always assume there is a fed in the chat and don’t say anything you don’t want read back to you in court.” I firmly believe mass-oriented organizing is crucial, but in that type of approach, it is impossible to avoid infiltration from the state. I don’t think there is any point in vetting large rapid-response groups, but I don’t think we should then throw the baby out with the bathwater and abandon mass organizing just because of that. Smaller groups doing mutual aid in the Twin Cities, who were being directly targeted by ICE for supporting their neighbors with grocery runs and rent money, restricted their chats to small groups on a need-to-know basis with trusted individuals. There is no bulletproof way to do this work though. Right now, the State Department is using rapid-response chats that nearly 100,000 people were in as evidence of “conspiracy.” Under an authoritarian state, resisting means taking necessary risks to protect our community and even very legal methods will be targeted if they are effective.

Also in rapid-response chats, it’s really important to use the SALUTE method of reporting ICE activity. SALUTE stands for size, activity, location, uniform, time, equipment. So, for example, that might look like utilizing your constitutionally protected right to observe ICE in your neighborhood and reporting to your local rapid-response group something like: “It’s 8:17 am. There are six ICE officers armed with assault rifles, less-lethal weapons, and riot gear. At 38th and Chicago, that are currently detaining one person. No one else on scene.” By giving accurate and precise information, we avoid the rumor mill and unneeded panic that further confuses and spreads fear in the community.

What lessons have you learned from the successful resistance to the ICE surge that you can pass on to other communities that may be targeted in the future?

I think this decentralized hyperlocal organizing is key, as is being confrontational and taking risks (if you can). Protests still serve a purpose, but it’s clear our politicians aren’t listening and they aren’t protecting us; in fact, they are using local police to attack our community and protect ICE despite what they may say in speeches. This is why it’s up to us to take personal responsibility to protect our communities and not show fear when we confront the state that is murdering our neighbors in the streets.

The government’s claim that we are “a danger to our own community” is a load of horseshit and just about anyone in the Twin Cities will tell you as much.

Activating every element of society — from neighborhoods, workplaces, places of worship and even hobby groups — and then combining them in an informal alliance working together to resist ICE is also essential. Combining unions, activist groups, and rapid-response networks is what lead to the first successful general strike in the U.S. in generations. Those connections built a foundation for society to resist effectively together.

Final note: I want people to study what we did in Minneapolis with a critical lens, then apply and adapt it to where you are. The Twin Cites won the battle of Metro Surge while losing more than 1,700 people to deportations and two people to state-sanctioned street executions. The larger war ICE is waging against communities across the country is still raging and intensifying, and in the last few weeks, we have seen record amounts of families being ripped apart.

I firmly believe that solidarity with each other, including groups you might normally never work with, is key: organizing at a micro level with agency, like anarchists, instead of under the control of a large organization, taking orders from leadership like our dysfunctional political system has indoctrinated us to do. And having the courage to confront the brutality of ICE in a way that effectively protects our immigrant neighbors and isn’t merely performative.

Take responsibility, take risks, take care of each other, and never rely on the very state that is ripping our communities apart and murdering our people to solve the problem that both political parties created. Together, we will march arm-in-arm through the ruins that capitalism has brought on itself into a far better world of our own making.

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