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Mina em Montalegre como projeto estratégico da UE é “uma conquista” para Portugal

9 October 2026 at 12:16

A seleção da mina de tungsténio da Borralha, prevista para Montalegre, como projeto estratégico da União Europeia é “uma conquista” e uma oportunidade de “grande importância” para Portugal, afirmou hoje à agência Lusa a empresa Minerália.

“Somos o único projeto português incluído nesta nova seleção de 46 projetos, o que reforça a relevância dos nossos recursos minerais para a segurança do abastecimento europeu”, afirmou hoje à agência Lusa a empresa Minerália – Minas, Geotecnia e Construções, que quer explorar tungsténio (volfrâmio) na Borralha, no concelho de Montalegre, distrito de Vila Real.

Este Projeto da Mina da Borralha foi selecionado pela Comissão Europeia como um dos 46 novos projetos estratégicos para reforçar o abastecimento da União Europeia (UE) em matérias-primas críticas, anunciou hoje a instituição.

“Para reforçar as cadeias de abastecimento da UE e diversificar as fontes de matérias-primas críticas, a Comissão Europeia anunciou hoje a seleção de 46 novos projetos estratégicos em 16 Estados-membros”, divulgou o executivo comunitário.

A mina da Borralha obteve em janeiro um parecer favorável condicionado, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e a concessão está a cargo da Minerália.

A empresa quer explorar tungsténio e propõe uma exploração subterrânea, numa área mineira que esteve ativa até à década de 80 do século passado.

“O tungsténio é essencial para ferramentas industriais, componentes aeroespaciais, semicondutores e aplicações de defesa. Garantir fontes de abastecimento seguras e diversificadas é, por isso, uma questão de competitividade industrial, mas também de segurança económica e estratégica para a Europa e para os países da NATO”, realçou a Minerália.

A empresa considerou que “Portugal pode assumir um papel mais relevante como fornecedor de uma matéria-prima de que os seus parceiros europeus e transatlânticos necessitam”.

“A nossa tradição mineira, o conhecimento técnico e os projetos em desenvolvimento dão-nos uma base concreta para contribuir para cadeias de abastecimento mais resilientes, incluindo as que sustentam as indústrias de defesa dos países aliados”, acrescentou.

A empresa disse que a sua “ambição passa também por criar mais valor em Portugal”.

“Estamos a estudar a possibilidade de desenvolver capacidade de refinação e transformação de tungsténio no país, articulada com os projetos da Borralha e de Vila Verde. Esta visão poderá permitir atrair indústria e tecnologia, criar emprego qualificado e gerar exportações de maior valor acrescentado, com benefícios duradouros para o interior”, realçou.

Sublinhando que tem a “oportunidade de transformar uma vantagem geológica numa vantagem industrial e estratégica para Portugal”.

“O reconhecimento europeu da Borralha reforça essa oportunidade e deve servir de impulso para uma articulação próxima entre empresas, instituições, comunidade científica e parceiros industriais”, salientou.

Neste momento, explicou que prosseguem os procedimentos de licenciamento e que se pretende que “a importância estratégica da Borralha se traduza em desenvolvimento responsável e em benefícios concretos para o território e para o país”.

Ao nível da UE, os 16 projetos selecionados estão entre 102 candidaturas recebidas e vão permitir “reforçar a competitividade, aumentar a resiliência e reduzir a dependência de um único fornecedor”, de acordo com Bruxelas.

Os projetos escolhidos abrangem 15 das 17 matérias-primas estratégicas identificadas no Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, incluindo o lítio, o níquel, o cobalto, o manganês, a grafite, o magnésio, o tungsténio e as terras raras.

Na primeira lista de projetos estratégicos ao abrigo do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, anunciada em 25 de março de 2025, Portugal teve quatro projetos selecionados, três ligados ao lítio e um ao cobre.

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Julgamento de ex-autarcas de Montalegre já tem sessões agendadas até março

8 October 2026 at 18:57

O julgamento do ex-presidente e vice-presidente da Câmara de Montalegre Orlando Alves e David Teixeira, que está a decorrer em Murça, já tem sessões agendadas até 19 de março, disse hoje fonte judicial.

O ex-presidente Orlando Alves e o ex-vice-presidente David Teixeira, eleitos pelo PS, começaram a ser julgados a 17 de abril no Tribunal de Murça, pelo coletivo de juízes da comarca de Vila Real, depois de terem sido detidos em outubro de 2022 pela Polícia Judiciária (PJ), no âmbito da operação Alquimia, tendo posteriormente renunciado ao cargo.

O mega julgamento envolve 59 arguidos (40 singulares e 19 empresas) e vários crimes, com diferente participação pelos envolvidos, como prevaricação, participação económica em negócio, falsificação de documentos, corrupção ativa e passiva, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, branqueamento e, ainda, crimes de fraude na obtenção de subsídio ou subvenção.

Depois das férias judiciais, o julgamento foi retomado em setembro e, segundo disse hoje uma fonte judicial, as sessões, que decorrem semanalmente às quintas e sextas-feiras, estão agendadas até 19 de março de 2027, o que não quer dizer que termine nessa altura.

Hoje, acabou de ser ouvida uma das testemunhas de acusação, um antigo presidente da Câmara de Montalegre e ex-vereador eleito pelo PSD, José Carvalho de Moura, que assumiu ter sido um dos denunciantes do processo e apontou o dedo a “fracionamento de obras para evitar concursos públicos” e ainda “concursos públicos viciados”.

Questionada pelos advogados de defesa sobre a obra numa estrada na serra do Larouco, a testemunha afirmou que esta intervenção “foi fracionada em três partes para evitar o concurso público”, mas sem concretizar factos concretos que suportassem a acusação, referindo ainda que não foi ao terreno verificar porque da sua casa se vê a estrada.

Sobre David Teixeira, Carvalho de Moura escreveu, num artigo de jornal, que “encheu os bolsos” à “custa do cargo que ocupava”, e confrontado com esta acusação disse que “se calhar foi uma forma de expressão um bocadinho excessiva”, mas que queria “mostrar que houve corrupção”.

Também a propósito do ex-vice-presidente, a testemunha afirmou que era sócio de uma empresa e, perante documentos oficiais onde não constava o seu nome, reconheceu que não foi confirmar com a conservatória, repetindo expressões como “toda a gente sabe que ele está por trás”.

À saída do tribunal, Ricardo Sá Fernandes, advogado do ex-vice-presidente, considerou que o depoimento desta testemunha “do ponto de vista probatório, não tem grande interesse”, apontando para “um combate político” de Carvalho de Moura com os acusados que já “vem de trás”.

“Houve coisas que o senhor disse no quadro do combate político, mas nós aqui estamos a fazer uma avaliação de provas sobre factos concretos e, sobre isso, ele não trouxe nada de relevante”, referiu.

Sá Fernandes explicou ainda que pediu a extração de certidões a propósito das afirmações de duas testemunhas, na semana passada, que relataram um alegado condicionamento nos seus depoimentos, durante as inquirições, “que são suscetíveis de poder integrar crimes de abuso de poder por parte das pessoas que os ouviram”.

Alegadamente, segundo o advogado, os documentos sobre os depoimentos que lhes foram apresentados para assinar “não correspondiam àquilo que tinham dito” e “isso tem que ser apurado”.

Os ex-autarcas são acusados, pelo MP, do favorecimento de amigos e familiares em centenas de concursos públicos, do recurso sistemático ao ajuste direto ou ao ajuste simplificado, à divisão artificial dos trabalhos ou serviços e fracionamento da despesa, num esquema que a acusação suspeita que se tenha prolongado de 2014 a 2022.

A tese do MP é que terão acordado um plano, que envolvia ainda o ex-chefe de divisão de Obras Públicas, também, detido na altura, violando as regras legais da contratação pública, da concorrência, da imparcialidade e da transparência.

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Dani Sordo estreia-se no ralicross em Montalegre

8 October 2026 at 17:06

VTM

O espanhol Dani Sordo, um dos nomes de referência do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), vai estrear-se oficialmente no ralicross durante a RallyX Global Final, que decorre de 23 a 25 de outubro, no Circuito Internacional de Montalegre.

Com três vitórias no WRC e uma carreira de mais de duas décadas ao mais alto nível, Dani Sordo chega a Montalegre para enfrentar um novo desafio, ao volante de um FC1 Hypercar, um veículo 100% elétrico com 1.100 cv de potência, capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 1,4 segundos.

“Estrear-me no ralicross em Montalegre torna tudo ainda mais especial, pois é uma pista que conheço bem e que normalmente atrai milhares de adeptos espanhóis e portugueses”, destacou o piloto espanhol.

A competição reúne alguns dos melhores pilotos europeus e norte-americanos, que vão disputar os títulos da “Final dos Campeões” em oito categorias, num programa que contempla cerca de 55 corridas ao longo do fim de semana. Entre os momentos mais aguardados está a realização, no sábado, 24 de outubro, da primeira prova noturna da história do Circuito Internacional de Montalegre, com corridas disputadas sob iluminação artificial.

O evento internacional promete atrair milhares de adeptos ao concelho e reforçar a projeção de Montalegre como território de referência no panorama mundial do ralicross.

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