Normal view
Bukele announces a possible mass release of inmates
El Salvador’s President Nayib Bukele announced on October 13 his intention to release nearly 50% of the prisoners accused of collaborating with gangs in the country. According to the president, the measure would involve early release, albeit conditional.
“We have a plan that would benefit roughly 50% (give or take) of the prisoners in El Salvador who have collaborated with gangs … In other words, early release – meaning they are guilty but are released conditionally. Released under supervision,” Bukele told the press.
In this regard, he said that his government would evaluate the situation of each detainee to keep the country free from the structural violence that has plagued it for decades: “Considering that we come from a country where violence was part of everyday life and gangs were the real government, the real dictatorship. These people lived under that yoke, but it is not the same to be among those who enforced it as it is to simply survive that reality.”
If we take into account the figure provided by the authorities (according to which nearly 100,000 people are currently detained on various charges) this could mean the release of tens of thousands of people.
Domestic criticism of El Salvador’s mass incarceration
Before Bukele took office, El Salvador was in the throes of a severe crisis of insecurity and violence. His administration imposed a perpetual state of emergency that began in 2022 and has led to the imprisonment of thousands of Salvadorans accused of belonging to gangs (or “maras”) that controlled large swaths of the Central American country.
And while the pacification of the streets has been celebrated by a significant portion of the population, the harsh actions of the government and its police and military forces have drawn criticism from various human rights organizations, which have accused the government of excessive use of force, mistreatment of prisoners, and the unjust detention of individuals who do not belong to gangs.
Read more: CECOT: Bukele’s mega prison where “the only way out is in a coffin”
Another criticism has been leveled at the practice of mass trials, which charge and convict a large number of people at the same time. Rights groups say this has led to countless errors in the treatment of individual defendants. Added to this are allegations of arbitrary detentions, crimes against humanity, and disappearances.
International outrage at 252 Venezuelans detained in El Salvador
The prison system implemented by Bukele in El Salvador has also faced international criticism. The Central American country became a focal point of controversy when hundreds of people deported from the United States were detained in the Salvadoran prison system, which drew widespread criticism of the Bukele government.
Bukele, however, had defended the decision and reaffirmed his alliance with the Donald Trump administration and his participation in the Washington-led geopolitical and military initiative known as Shield of the Americas.
Read more: Maduro gov’t negotiates return of 252 Venezuelans detained by US in El Salvador
The news of the possible release of tens of thousands of detainees sparked even more intrigue, considering that Bukele’s announcement came immediately after his conversation with US Secretary of State Marco Rubio, in which they discussed combating “malign foreign influence.” However, it remains unclear how the two issues are linked, according to El País.
- El País - English
- Digital surveillance and control spread across Latin America under governments of all stripes
Digital surveillance and control spread across Latin America under governments of all stripes
Digital surveillance and data leaks may seem far removed from everyday life, but they are becoming increasingly common. In Venezuela, for example, authorities blocked messaging apps and social media platforms including Signal, X, TikTok and Telegram, as well as YouTube, VPN services and websites. In Nicaragua, independent media outlets had their domains blocked. In Paraguay, a leak from the electoral authorities exposed the data of nearly seven million people. And in Argentina, more than 665,000 medical records were put up for sale.
- El País - English
- Trump administration facing indictment for contempt after deporting Venezuelans to El Salvador
Trump administration facing indictment for contempt after deporting Venezuelans to El Salvador
A federal appeals court will examine Tuesday whether a federal judge can proceed with a criminal contempt investigation into the Trump administration related to the deportation of Venezuelan migrants to El Salvador in March 2025.

© GABY ORAA (EL PAÍS)
- El País - English
- Judge orders release of Salvadoran migrant wrongly accused of being an MS-13 gang member after 10 months in custody
Judge orders release of Salvadoran migrant wrongly accused of being an MS-13 gang member after 10 months in custody
There are two diametrically opposed portrayals of David Eduardo Mejía Martínez: U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) presents him as a “criminal” and a member of the notorious Mara Salvatrucha (MS-13) gang who, because he poses a danger to the community, should be deported to El Salvador. A federal judge, by contrast, describes him as an exemplary migrant: with no tattoos and no criminal record, in steady employment, and who has filed taxes since arriving in the United States in 2014. The judge also said he is the father of two children who are U.S. citizens and the main provider for his family.

© Ashlee Rezin (AP)
“Modelo Bukele” no Brasil significaria 4 milhões de brasileiros na cadeia
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A anedota foi contada pelo jornalista Carlos Dada, fundador do site El Faro, de El Salvador, durante o festival Piauí.
Ele estava em um debate na Europa explicando como funciona a política de segurança pública do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, quando foi interpelado por um empresário brasileiro, que lhe disse: “precisamos de um Bukele no Brasil”.
Dada, que conhece o Brasil e fala português, pediu mais explicações. “Qual é o problema que enfrentamos na segurança pública?” O interlocutor explicou que as favelas aqui, assim como as comunidades pobres em El Salvador, são dominadas por organizações criminosas. O jornalista respondeu: “Então é fácil resolver o problema. Basta lançar bombas nas favelas”. Surpreso, o brasileiro retrucou: “Mas não podemos fazer isso”. “E por quê?”, perguntou Dada. “Porque iríamos matar gente inocente”.
“Pronto, então você já entendeu o que é o modelo Bukele”.
Carlos Dada é meu amigo desde a fundação da Agência Pública, e é uma das pessoas que conhece mais profundamente o que significa na prática o tal “modelo Bukele” defendido por vários candidatos da direita. À frente do El Faro, primeiro site jornalístico do continente e um dos mais premiados, ele viu o número de encarceramentos do país se tornar o maior do mundo em apenas alguns anos, relativamente à população.
Hoje, 1 em cada 50 salvadorenhos estão na prisão, ou 120 mil dentre 6 milhões de cidadãos. Se transportado para o Brasil, isso significaria mais de 4 milhões de brasileiros na cadeia. Atualmente temos mais de 960 mil presos, terceira maior população carcerária do mundo.
O “modelo Bukele” é defendido por empresários como aqueles da cúpula da Fiesp que, em 31 de agosto, fez um evento com candidatos da direita, entre eles o ex-juiz Sérgio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL e o candidato a Senador por SP, Guilherme Derrite (PP) para ouvirem o ministro de Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse na ocasião: “O que precisamos como sociedade é dar o apoio que for necessário para que um novo governo possa fazer as transformações que o Brasil necessita e para que as pessoas possam sentir segurança” – reforçando sua torcida por um “novo governo”.
O que o empresariado de São Paulo não sabe é que o “sucesso” da redução imediata da criminalidade pelo governo Bukele não se deveu a um plano milagroso, mas a um acordo com os líderes das organizações criminosas mais conhecidas, como a Mara Salvatrucha. Quem descobriu detalhes destes acordos foi Carlos Dada e sua equipe.
“O acordo incluiu a libertação ilegal e em segredo de alguns chefões que já estavam presos. Implicou também o alívio de medidas em cadeias de segurança máxima. Seus parentes sim podiam visitá-los, eles tinham mais horas livres, tinham muitas saídas a hospitais onde se reuniam com seu pessoal”, explica. Do lado dos criminosos, a promessa era baixar o número de homicídios e garantir o voto a Bukele em suas comunidades.
A equipe do El Faro recebeu vazamentos de documentos mostrando como as “saidinhas” de chefões se tornaram muito mais frequentes, assim como as visitas. E eles obtiveram áudios nos quais um ministro de Bukele pessoalmente confessa ter tirado o chefão chamado Crook da cadeia e o levado em seu carro até a Guatemala. A viagem foi confirmada por um registro insuspeito: durante todo o trajeto a namorada do criminoso tirou fotos e postou no seu Instagram, tentando esconder o namorado. “Mas apareciam os braços e as tatuagens dele”, explica Dada.
A coisa ficou ainda mais escancarada, explica Dada, quando alguns destes líderes foram presos no México e extraditados para os Estados Unidos. Dada e seus colegas conseguiram comprovar que a própria justiça americana beneficiou estes criminosos – a pedido do governo Trump.
“Os criminosos estavam para ser julgados nos EUA, e alguns assinaram acordos como testemunhas protegidas e revelaram este pacto com Bukele. Dá um Fast Forward. Trump ganha a presidência nos Estados Unidos, Bukele lhe oferece a megacadeia para imigrantes e os dois viram os melhores amigos do mundo”, continua.
Logo nas primeiras levas de imigrantes venezuelanos enviados para El Salvador, os jornalistas do El Faro perceberam um detento que não era venezuelano.
“Você se lembra daquele famoso vídeo em que o avião desce, recebem em San Salvador os venezuelanos, cortam o cabelo deles, e os levam algemados? Todos nós vimos esse vídeo no mundo todo, mas nós vimos uma coisa a mais: entre esses venezuelanos vinha um sujeito que não era venezuelano, que conhecemos pelas tatuagens. Era um dos doze capturados da Mara Salvatrucha”.
Ao analisar os documentos, descobriram que o procurador-geral da Justiça, o que equivale a nosso Ministro da Justiça, pediu ao juiz federal para suspender as acusações contra o criminoso, argumentando interesses de política exterior.
“É incrível o que aconteceu, Natalia!”
Por conta destas revelações, Dada e os jornalistas do El Faro passaram a ser perseguidos pelo governo Bukele. Primeiro foi espionagem: invadiram os celulares de todos com o software israelense Pegasus, enviaram drones às suas casas, mantiveram agentes de inteligência na porta das suas casas. Depois vieram as ameaças anônimas, ameaças de morte, ameaças de carro-bomba. Depois Bukele os acusou em cadeia nacional de lavagem de dinheiro. Fizeram auditorias por evasão de impostos. Depois, começaram a embargar propriedades dos sócios. Em um determinado momento, eles foram avisados que não deveriam retornar ao país. Seriam presos.
Hoje, toda a redação está fora do país. E no total, 50 jornalistas já deixaram El Salvador.
Tudo isso é fruto do “modelo Bukele”, que decretou um estado de exceção que já foi renovado mais de cinquenta vezes, dando poder total ao presidente sobre todas as forças de segurança. Através dele, qualquer policial tem o direito de prender qualquer pessoa sem nenhuma ordem judicial, e esta pessoa vai imediatamente para uma das prisões do país.
Não existe mais direito à defesa.
“Se Bukele controla o Poder Legislativo, o Poder Judiciário, o Poder Executivo, a Procuradoria-Geral da República, a Procuradoria de Direitos Humanos, a Polícia e o Exército, e os controla por cima da lei, na prática é Bukele quem decide quem é criminoso e quem não é criminoso”, resume Dada.
Ao longo de mais de uma hora de conversa, Dada me explicou outros aspectos do tal “modelo Bukele” que são de embrulhar o estômago, como a morte de mais de 400 pessoas por tortura nas prisões – morreram por espancamento – e as audiências de custódia, que agora são realizadas de forma massiva, com 100 ou 200 presos sendo avaliados de uma só vez por um juiz.
Há histórias apavorantes. Um homem foi preso apenas porque ficou nervoso quando abordado pela polícia; em uma cidadezinha, uma cooperativa de taxistas foi denunciada pela cooperativa rival. Foi todo mundo encarcerado como se fossem criminosos.
Por tudo isso, Dada ficou muito surpreso com o evento da Fiesp, que fez questão de assistir por inteiro pelo YouTube. Ele, que é admirador do Brasil e acompanha de perto nossa política, disse que “me pareceu muito preocupante que depois que um ministro faz uma apresentação na qual não mostra o modelo Bukele, mas o que eles querem vender”, o discurso tenha sido tão aplaudido.
“É uma face construída por uma eficiente equipe de propaganda que é o que chamam de ‘modelo Bukele’. E o ministro apresentou seu modelo Bukele em termos bíblicos, como uma luta entre o bem e o mal, literalmente disse: entre os seres de luz e as criaturas da escuridão”.
Dada estranhou os aplausos efusivos de uma plateia qualificada como aquela. “O que eu creio que isso deveria fazer é deixar todo mundo de orelha em pé”.

- El País - English
- Held in hotels or detained for a year after being deported to Africa: ‘This is called human trafficking’
Held in hotels or detained for a year after being deported to Africa: ‘This is called human trafficking’
Among so many faces, Roberto Mosquera remembered one in particular the day he arrived in Eswatini, a small country tucked away in southern Africa. He kept seeing that face over the following 14 months, which passed slowly and unbearably in the compressed world between the white and gray walls of the maximum-security cell at Matsapha prison. The man is serious, tall, dark-skinned and wears round glasses. His name is Jabulani Kunene and he is the prison official in charge. For more than a year, Mosquera has asked him the same question every time he passes by: “How long are you going to keep me locked up here?” Kunene has always given him the same answer: “I don’t know, Roberto, I don’t know.”

© Eduardo Ramón Trejo