“Todos os miúdos” dos EUA vão ser acionistas da SpaceX (mas Musk não diz como)
Os protestos violentos pela Europa, particularmente em França, estão a passar das ruas para os mercados financeiros. O cenário de preocupação, não só político e orçamental, mas também relativo a maior contestação social pressionou as obrigações soberanas francesas, gerou perdas nas bolsas e penalizou a moeda única europeia.
Os juros da dívida francesa a dez anos seguem assim a agravar-se e aproximam-se dos 5%, ao mesmo tempo que o spread, ou seja, o prémio de risco que os investidores pedem para deter obrigações francesas face às congéneres alemãs com a mesma maturidade, de referência para o bloco europeu, alargaram-se para 146 pontos base, o valor mais elevado desde 2012. Também o spread face à yield das obrigações italianas atingiu um novo recorde.
Mas os efeitos chegaram também ao mercado acionista e cambial. O euro cai 0,3% para 1,12 dólares, enquanto as bolsas europeias negociaram com perdas. O Stoxx 600 desvalorizou 0,9%, com o parisiense CAC-40 a registar uma queda de 1,11%. Nos últimos anos, este índice tem registado um desempenho significativamente inferior ao dos seus homólogos europeus, à medida que a instabilidade política tem vindo a aumentar. Isto mesmo apesar de apenas 15% das receitas de cotadas do índice serem geradas no mercado doméstico.
O mercado acionista francês é particularmente sensível a um alargamento do spread entre os juros da dívida francesa e alemã, devido ao peso da banca no principal índice no país. Na manhã desta sexta-feira, as duas yields, na maturidade de referência, chegaram a negociar em sentido contrário, um sinal de que os investidores podem estar a procurar maior segurança na dívida alemã. O movimento penalizou os maiores bancos do país, BNP Paribas e Société Générale, que desvalorizaram mais de 3%. Também a retalhista Carrefour perdeu quase 2%, após ter revelado que os danos causados pelos protestos geraram prejuízos de dezenas de milhões de euros.
Além do CAC-40, o efeito de contágio fez-se sentir noutras bolsas europeias, cujas cidades também viveram os seus próprios protestos. Em Frankfurt, o alemão DAX caiu 1,24%, em Madrid, o espanhol Ibex desvalorizou 1,49%, enquanto, em Milão, o italiano FTSEMIB cedeu 1,55%. A bolsa de Lisboa não ficou imune a este efeito e perdeu 0,78%, pressionada pelo grupo EDP, com as duas empresas a registarem perdas superiores a 3%.
“Embora os protestos violentos não sejam representativos da grande maioria da população, os acontecimentos do fim de semana sublinham, ainda assim, o delicado equilíbrio que o governo tem de manter entre apaziguar a população e os mercados“, explicou à Bloomberg Erik Liem, estratega do Commerzbank. Além disso, o receio dos investidores é que o atual clima de contestação social venha a ter um impacto nas contas públicas. A dívida pública francesa está em torno dos 119% do PIB e o saldo orçamental deverá terminar 2026 num défice de 5,4%.
O efeito também chegou à moeda única europeia, que chegou mesmo a negociar em mínimos de 17 meses face à libra, com a moeda britânica a ascender a 1,188 euros. O analista Francisco Pesole, do ING, escreve mesmo que os protestos em França podem impedir maiores valorizações do euro face ao dólar, neste momento.
“O equilíbrio de riscos para o par eurodólar está bastante equilibrado nesta fase. A pressão negativa continua a vir de França, embora tenha diminuído ligeiramente nos últimos tempos, enquanto o potencial de subida decorre de novas preocupações relacionadas com a IA que afetam as expectativas quanto às taxas de juro da Reserva Federal”, explicou.
No domingo, o Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a “violência desenfreada”, expressando a “raiva” e a “vergonha” da população francesa perante os atos ocorridos à margem das manifestações contra o aumento do custo de vida e as condições do ensino. Macron prometeu responsabilizar quem “tentou derrubar a República”.
O “benchmark” da dívida francesa voltou a estar sob forte pressão, no arranque da semana. Depois de um fim de semana de grande violência nas principais cidades francesas, com o clima de contestação a alastrar-se a outras cidades europeias, os investidores estiveram a desfazer-se da dívida e das ações gaulesas, com o euro a sofrer também com a crise no país.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
O clima de grande contestação em França e os receios que a extrema-direita saia vencedor das eleições do próximo ano continua a pressionar as obrigações gaulesas, atirando os juros do país para máximos de várias décadas.
A taxa das obrigações a 10 anos voltaram a superar a fasquia dos 4,9%, o valor mais elevado desde 2002, com as yields gaulesas a registarem a maior subida diária (13 pontos base) desde finais de setembro. Além disso, o spread da dívida francesa face às alemãs bunds voltou a saltar para máximos de duas semanas, enquanto o diferencial para as obrigações italianas atingiu um novo recorde.
A crise social e política que França atravessa continua a pressionar o sentimento dos investidores, que temem que o país não consiga aprovar um Orçamento do Estado para controlar as contas públicas. O clima de violência que se vive no país há várias semanas e que tem vindo a escalar está a deteriorar a confiança de investidores e empresários, a poucos meses das eleições presidenciais.
“O facto de isto acontecer após um fim de semana de protestos mostra que as esperanças de reforma estão em suspenso”, defende Hank Calenti, estratega global de mercados da SMBC, referindo-se aos esforços para reduzir os défices e reformar o sistema de pensões.
“França enfrenta atualmente uma crise social, uma crise migratória, uma crise energética, uma crise económica e uma crise orçamental, destaca Louis-Vincent Gave, da Gavekal Research. Os protestos relacionados com os aumentos do custo de vida estão a alastrar-se para outros países.
A evolução da situação francesa e a capacidade — ou incapacidade — do Eliseu aprovar um orçamento para controlar as finanças do país será determinante para o desempenho dos juros do país.
A proposta inclui medidas no valor de 43 mil milhões de euros para reduzir o défice, mas os analistas receiam que alcançar um compromisso afigura-se difícil num Parlamento profundamente dividido e poderá tornar-se ainda mais complicado com as eleições presidenciais a apenas seis meses de distância.
“Embora os protestos violentos não sejam representativos da vasta maioria da população, os acontecimentos do fim de semana vêm, ainda assim, sublinhar o delicado equilíbrio que o Governo tem de encontrar entre satisfazer as exigências da população e tranquilizar os mercados”, afirmou Erik Liem, estratega do Commerzbank. “O agravamento dos protestos contra o elevado custo de vida está a aprofundar a divisão entre os extremos da esquerda e da direita, o que poderá deixar as discussões sobre o Orçamento num impasse“, defende. Uma situação que tenderá a continuar a pressionar as obrigações gaulesas.
Os problemas orçamentais de França são, por si só, suficientemente difíceis de resolver, mas a tarefa torna-se ainda mais complicada com a aproximação das eleições presidenciais e a existência de um Parlamento sem maioria, onde a construção de consensos se tem revelado frequentemente uma missão impossível.
Apesar da descida de impostos, como o IRC, a agência de notação financeira Fitch mostra-se satisfeita com a manutenção da trajetória de redução da dívida pública, que tem servido de principal justificação para as consequentes melhorias do rating de Portugal. Esta conclusão é de uma análise da agência, publicada na sexta-feira, à proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
“A rápida redução da dívida pública continua a ser um ponto importante, embora o rácio da dívida de Portugal se mantenha elevado em comparação com outros países com notação semelhante. As projeções do OE2027, segundo as quais a dívida deverá diminuir três pontos percentuais em termos homólogos, para 84,5% do PIB em 2027, estão, de forma geral, alinhadas com as nossas últimas previsões”, destaca a Fitch.
No entanto, as projeções para o saldo diferem entre o Ministério das Finanças e a agência de notação financeira. Ao passo que o Governo antecipa um ligeiro excedente de 0,1% do PIB no próximo ano, a Fitch continua a antecipar um défice de 0,3%. No entanto, explicam, esta estimativa “é compatível com uma maior redução da dívida, desde que se mantenham excedentes primários suficientemente elevados“.
O desempenho orçamental de Portugal tem excedido repetidamente as expectativas iniciais nos últimos anos, o que confere alguma confiança na execução orçamental, embora a meta de excedente de 0,1% fixada pelo governo deixe pouca margem para um crescimento mais fraco, um desempenho da receita inferior ao previsto ou medidas adicionais sem cobertura financeira.
A diferença no saldo orçamental para o próximo ano assenta sobretudo nas perspetivas de crescimento do PIB. O Executivo português aponta para uma aceleração para 2,3% este ano e um abrandamento para 2,1% no próximo, ao passo que a Fitch antecipa 2,1% em 2026 e 1,9% em 2027. Para a agência, o fator decisivo do crescimento económico nos patamares definidos pelo ministro das Finanças será o investimento privado. Ou seja, até que ponto “o investimento privado vai conseguir compensar a queda do investimento público, tendo em conta as condições de financiamento mais restritivas”.
A Fitch reconhece ainda o agravamento dos juros da dívida soberana, mas explicam que “o aumento limitado do spread face às Bunds alemãs sugere que este movimento reflete, sobretudo, uma reavaliação generalizada das obrigações, ao invés de uma deterioração significativa do sentimento em relação a Portugal“. No entanto, tal não impede que o custo com juros seja um dos fatores de pressão da despesa a médio-prazo, juntamente com os custos com a saúde e pensões devido ao envelhecimento da população e com a defesa.
Sobre este último ponto, a agência detalha que Portugal se comprometeu a aumentar as despesas com a defesa para 3,5% do PIB até 2035 (face aos 2,15% anteriormente previstos para 2027), com um máximo de 1,5% em investimentos mais amplos relacionados com a segurança. “Estas pressões poderão tornar mais difícil a manutenção de orçamentos globalmente equilibrados, embora as nossas previsões de redução da dívida pública se baseiem num forte compromisso político com a prudência orçamental”, acrescentam.
A agência faz ainda uma avaliação do presente em ano, em que as receitas acima do esperado criaram algum espaço orçamental que permitiu acomodar a descida do IRS, de 400 milhões de euros, e o bónus das pensões. No próximo ano, o efeito da descida do IRC para 19% é estimado em 300 milhões de euros em 2027, apesar de o governo projetar uma queda de apenas 99 milhões na receita arrecadada com este imposto, com a expectativa de que o crescimento económico compense esta redução.
A nível político, a Fitch espera que o Parlamento aprove a proposta, tal como já indiciou o Partido Socialista, apesar de abrir a porta a “alterações durante o processo de aprovação“, e está confiante quanto à execução. “O desempenho orçamental de Portugal tem excedido repetidamente as expectativas iniciais nos últimos anos, o que confere alguma confiança na execução orçamental, embora a meta de excedente de 0,1% fixada pelo governo deixe pouca margem para um crescimento mais fraco, um desempenho da receita inferior ao previsto ou medidas adicionais sem cobertura financeira”, referem.
A EDP Renováveis (EDPR) anunciou esta segunda-feira que assinou um contrato “de longo prazo” para vender energia renovável a “uma empresa global de tecnologia”, cuja identidade não foi revelada. O Power Purchase Agreement (PPA) surge numa altura em que estas empresas estão envolvidas numa corrida à supremacia na inteligência artificial (IA), tecnologia muito intensiva em energia.
A informação foi revelada esta segunda-feira pelo grupo, através de um comunicado divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Em causa está o fornecimento da eletricidade gerada por um projeto solar de 250 MWac (megawatts em corrente alternada), equivalente a 351 MWdc (megawatts em corrente contínua) situado no estado de Arkansas, nos EUA, explica a EDPR. O valor do contrato também não foi publicado.
“Este acordo reforça a posição estratégica da EDPR como líder no desenvolvimento de energias renováveis nos EUA, evidenciando a solidez do seu pipeline e a capacidade de estabelecer parcerias de longo prazo com grandes empresas tecnológicas, fornecendo energia limpa para apoiar a expansão da infraestrutura digital nos EUA”, assume a empresa de origem portuguesa.
Não é a primeira vez que a EDPR estabelece acordos deste tipo com empresas tecnológicas nos EUA. Entre as empresas com quem mantém contratos de venda de energia elétrica está a Meta, dona do Instagram, e a Google. “Desde julho de 2025, a EDPR contratou 1,7 GW [gigawatts]de capacidade solar e BEES [Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias] nos EUA, com entrega esperada de energia para 2026-28”, contabiliza a empresa esta segunda-feira.
Este novo contrato surge pouco mais de um mês depois de o CEO da EDPR e da EDP, Miguel Stilwell, ter assumido, num evento interno, que a IA e a construção de centros de dados são “uma oportunidade não apenas para as empresas de IA, mas também para a EDP, para criar valor para a empresa”. “Em termos de infraestrutura, não há IA sem centros de dados e não há centros de dados sem eletricidade. E nós somos uma empresa de eletricidade”, afirmou.
![]()
“A China dá início à semana na segunda-feira e prevê-se que o crescimento da produção industrial aumente para 5,3% em setembro, face aos 5,2% anteriormente, e que o crescimento das vendas a retalho passou de 0,4% para 0,5%”, sinalizou Stefan Rondorf, estrategista sénior de investimento na Allianz Global Investors.
Quanto ao PIB do terceiro trimestre, a média das projeções dos 50 economistas consultados pela Reuters aponta para um crescimento de 4,4%, uma ligeira aceleração face aos 4,3% do segundo trimestre. A forte procura global por semicondutores, tecnologias limpas e outros produtos manufaturados tem mantido a economia chinesa em movimento, mesmo com a procura interna a permanecer irregular e os custos mais elevados da energia a fazerem-se sentir. As exportações têm-se mantido estáveis, apesar do delicado equilíbrio comercial da China com os EUA e a UE.
Leitura relacionada:
China Q3 growth set to pick up on stimulus, keeping 2026 goal within reach (Reuters, em inglês)

A época de resultados em Wall Street continua e, segundo dados da LSEG, prevê-se agora que os lucros das empresas do índice S&P 500 tenham registado um aumento homólogo de 30,7% no terceiro trimestre, acima dos 30,6% previstos na semana anterior.
A Netflix apresenta resultados depois de na semana passada ter sido noticiado que a empresa está a despedir 6% da sua força de trabalho, ou seja, cerca de mil funcionários, na sua maior onda de despedimentos desde 2022, de acordo com um memorando interno a que a Reuters teve acesso, numa altura em que a pioneira do streaming enfrenta forte concorrência por parte de rivais tradicionais e do YouTube na conquista de espetadores.
Em julho, as ações da Netflix tombaram mais de 10% depois de ter previsto mais um trimestre de crescimento mais lento das receitas e ter revisto em baixa os dados relativos à audiência, alimentando receios de que o crescimento, superior ao da indústria, possa ter atingido o pico.
Leitura relacionada:
Netflix to cut 1000 jobs as growth concerns mount (FT, acesso pago, em inglês)

Numa altura em que se aguarda mais um aumento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu até ao final do ano e em que crescem as manifestações pelo direito à habitação, o INE apresenta os dados de quanto custou o crédito para casa em setembro.
Em agosto, a taxa de juro implícita no crédito à habitação subiu para 3,162%, mais 2,7 pontos base do que em julho, tratando-se do quarto mês consecutivo de subida. Nos contratos celebrados nos três meses anteriores (entre maio e julho), a taxa manteve-se em 2,910%, o mesmo valor apurado em julho.
Leitura relacionada:
Taxa de juro no crédito à habitação sobe pelo quarto mês seguido para 3,162%
Portugal teve o maior aumento do preço das casas na UE no segundo trimestre
Se nos EUA prevê-se um crescimento dos lucros de perto de 30 % em relação ao ano anterior, na Europa é de cerca 21%. “Fora do contexto de recuperação económica após uma recessão, estes são valores excecionalmente elevados“, realçou Stefan Rondorf, da Allianz GI.
Em Portugal, é a Navigator que dá o tiro de partida aos resultados das cotadas do índice PSI. No O último conjunto de resultados da produtora de pasta e papel não foi, no entanto, de boa memória, pois a empresa encerrou o primeiro semestre do ano com um resultado líquido de 49,1 milhões de euros, o que representa uma quebra de 42,3% face aos 85 milhões reportados no período homólogo de 2025.
Numa primeira metade do ano marcada por tempestades em Portugal e pela guerra no Médio Oriente, as contas da papeleira portuguesa foram afetadas pela “escalada dos custos de matérias-primas, energia e logística”. Um novo programa de corte de custos variáveis vai ajudar empresa a compensar metade do agravamento dos preços, este ano, e vai ter impacto positivo anual de 28 milhões a partir de 2027.
Leitura relacionada:
Strategists See European Stocks Posting a Bumper Earnings Season (Bloomberg, acesso pago, em inglês)
Escalada dos preços devido à guerra encolhe lucros da Navigator
A poupança nos certificados do Estado tem continuado a aumentar, com as famílias a manterem um forte interesse em Certificados de Aforro, num momento em que juros continuam a subir, acompanhando a Euribor.
O Banco de Portugal divulga os dados de setembro, depois de no mês anterior os Certificados de Aforro terem captado 753 milhões de euros , elevando para 44,6 mil milhões o valor investido pelas famílias nestes produtos. No entanto, em sentido contrário, os Certificados do Tesouro registaram mais um mês negativo em agosto, elevando para 1,3 mil milhões o volume de saídas registadas nos primeiros oito meses do ano.
Leitura relacionada:
Certificados de Aforro captam mais de 750 milhões em agosto e batem novo recorde
Certificados de Aforro voltam a pagar taxa máxima em outubro

“Os PMI deverão ser os dados económicos mais importantes da semana“, identificou Stefan Rondorf, da Allianz GI. Na Zona Euro, “A questão fundamental é saber se os preços da energia persistentemente elevados ou a incerteza política em França e na Alemanha terão pesado sobre o clima empresarial, que tem vindo a melhorar nos últimos meses, ou se outros motores de crescimento poderão compensar esta situação.
Os Purchasing Managers’ Indices, ou Índices dos Gestores de Compras, são publicados mensalmente em relação a mais de 40 economias. Os dados são obtidos através de sondagens a executivos séniores do setor privado, com questões sobre o PIB, inflação, exportações, utilização de capacidade, emprego e inventários. Os painéis são escolhidos por setor para produzir, entre outros, índices sobre os setores da manufatura, serviços, construção ou o setor privado como um todo. Os índices variam entre 0 e 100, com uma leitura acima de 50 a indicar um aumento geral em comparação com o mês anterior e abaixo de 50 uma diminuição geral.
Na estimativa rápida para outubro, os analistas do Lloyds Bank prevêem para a Zona Euro que “o impacto das condições financeiras mais restritivas e do recente novo aumento dos preços globais da energia se reflitam numa queda do PMI composto preliminar de outubro para 52,8, face ao valor de 53,1 registado em setembro”. Para o PMI composto dos EUA esperam “que se mantenha em linha com um crescimento forte, embora com uma moderação em relação ao
máximo de cinco anos de 58,4 registado em setembro”.
Leitura relacionada:
Eurozone growth hits highest since April 2023 according to flash PMI (S&P Global, em inglês)
Sob intensa pressão no mercado secundário, a dívida soberana francesa enfrenta novo teste, desta vez à notação financeira. A Moody’s deverá atualizar a sua notação Aa3 e atualmente a perspetiva é negativa, o que significa que é mais provável que a próxima decisão seja um rebaixamento dessa classificação.
A agência alertou no início de outubro que as perspetivas de a França aprovar o seu orçamento para 2027 são altamente incertas, uma vez que se aproximam as eleições presidenciais e a provável fragmentação política que se seguirá não facilitará a consolidação orçamental.
Leitura relacionada:
Mercados vão continuar a “estrangular” França até às eleições de abril e nem o BCE poderá vir ajudar
O gasóleo deverá subir cinco cêntimos e a gasolina descer 1,5 cêntimos na próxima segunda-feira, tendo em conta o ajustamento no apoio temporário e extraordinário do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), de acordo os dados avançados pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec), ao ECO. Assim, quando for abastecer deverá pagar 2,198 euros por litro de diesel e 2,095 euros por litro de gasolina simples 95.
Tendo em conta que o mercado antecipava um comportamento díspar dos dois combustíveis, o Governo aumentou o desconto sobre o gasóleo em 0,56 cêntimos e sobre a gasolina desceu em 0,61 cêntimos.
Na portaria, publicada esta sexta-feira em Diário da República, o Governo explica que a partir de segunda-feira passam a vigorar descontos para o gasóleo rodoviário e gasolina que são de “102,11 euros e de 71,90 euros por mil litros, respetivamente”. Esta semana, o apoio em vigor era de 96,47 euros para o gasóleo e de 78,04 euros para a gasolina por cada mil litros.
Esta decisão resulta da “perspetiva de que na próxima semana se irá registar uma subida do preço do gasóleo rodoviário e uma descida do preço da gasolina sem chumbo”. O gasóleo, o combustível mais usado em Portugal, de acordo com os dados do Automóvel Club de Portugal (ACP), iria subir 4,5 cêntimos e a gasolina descer 1,5 cêntimos. Mas fonte do mercado avançou ao ECO uma previsão ligeiramente diferente: uma subida de 3,5 cêntimos para o diesel e uma descida de três cêntimos para a gasolina.
Até ao final do ano, sempre que os combustíveis subam mais de dez cêntimos face aos preços registados na semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz, o Governo descerá o ISP no valor equivalente à subida do IVA em virtude do aumento dos preços. O prolongamento do apoio até final do ano foi aprovado, a semana passada, pelo Parlamento.
Desde a semana de 2 a 6 de março, o gasóleo regista um aumento acumulado de 51,8 cêntimos e a gasolina de 40,7 cêntimos, sem ter em conta as previsões para a próxima semana.
Os contratos futuros do Brent, que servem de referência para o mercado europeu, para entrega em dezembro, fecharam esta sexta-feira com uma subida de 3,65%, para os 109,79 dólares, o valor mais elevado desde 19 de maio. Mas o barril chegou a atingir os 110 dólares por barril, na sexta, pela primeira vez desde maio, devido aos receios de que a escalada das tensões no Médio Oriente possa restringir ainda mais a oferta.
“Relatos israelitas sugerem que o Irão poderá estar a preparar um ataque preventivo, na sequência de movimentos militares invulgares detetados pelos serviços de informação ocidentais. Embora não confirmados, estes desenvolvimentos reforçam a nossa opinião de que os riscos persistentes de escalada continuarão a sustentar os preços do petróleo bruto”, sublinhou a consultora Energy Aspects, numa nota aos investidores, citada pela Reuters.
A tensão crescente na região tem alimentado os receios de escassez da oferta. A Agência Internacional de Energia concordou em avançar com a libertação dos restantes 100 milhões de barris de petróleo no âmbito de uma intervenção coordenada lançada em março, na sequência de esforços de pressão por parte de responsáveis norte-americanos. Mas, dados revelam que as reservas de crude dos EUA diminuíram 8,6 milhões de barris na semana passada, registando a maior queda desde fevereiro, o que veio adicionar mais pressão no mercado.
O índice de referência europeu, o Stoxx 600, agrega as 600 maiores cotadas do bloco em termos de capitalização bolsista. Regista um saldo positivo superior a 8% desde o início do ano e chegou, em agosto, a alcançar máximos históricos, acima dos 660 pontos. Empresas portuguesas como a EDP, Galp, Jerónimo Martins e BCP fazem parte deste benchmark.
Numa semana de elevada volatilidade para as bolsas mundiais, devido aos receios em torno dos elevados gastos das empresas de inteligência artificial (IA), o Velho Continente conseguiu escapar a essas perdas e teve quatro sessões positivas e apenas uma ligeiramente negativa na terça-feira. Acumulou, assim, um ganho semanal de 2,09%, o maior desde julho e terminou a sessão desta sexta-feira em máximos de mais de um mês nos 644,74 pontos.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Se o menor peso das tecnológicas é por vezes visto como uma falha do principal índice europeu, outras vezes também pode ser uma bênção. Foi o caso desta semana volátil, marcada por um sell-off de grandes tecnológicas, devido a preocupações com a concorrência chinesa e os elevados níveis de endividamento das empresas para desenvolver infraestruturas de IA.
Esta sexta-feira, os investidores voltaram a entrar em empresas mais sensíveis às taxas de juro, após um abrandamento das yields das obrigações soberanas um pouco por todo o mundo.
Ainda a dar algum alívio aos investidores estiveram declarações de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) que manifestou esta sexta-feira otimismo quanto à solidez da economia dos EUA e surpresa com a forma como as economias globais têm conseguido “aguentar-se” no meio dos recentes choques geopolíticos, apesar da política monetária mais restritiva adotada para combater a inflação.
No entanto, em consonância com o seu estilo desde que assumiu o cargo de presidente do Fed em maio, não deu qualquer indicação sobre se considera se serão necessários mais aumentos das taxas de juro, nem quando. Os mercados interpretaram a ausência de uma postura restritiva como uma boa notícia, com a probabilidade de uma subida das taxas de juro no encontro de outubro, que se realiza nos dias 28 e 29, a descer de 30% para 15%.
Os investidores estão a acreditar na nova época de resultados do terceiro trimestre para levar o índice a novos patamares, com o Stoxx 600 a conseguir passar ao lado do cenário mais negativo nas restantes bolsas mundiais, onde o peso da tecnologia é maior. Para já essas duas características têm sido suficientes para os mais recentes ganhos.
A expectativa é que os lucros das empresas do Stoxx 600 aumentem 20,7% no terceiro trimestre face ao registado no ano anterior. “Uma época de resultados muito positiva vai, sem dúvida, impulsionar o otimismo dos investidores. Poderá levar os mercados de volta a alguns dos máximos que temos visto recentemente“, acredita Michael Field, estratega da Morningstar.
Mas apesar desse otimismo generalizado, o analista espera uma “verdadeira dicotomia” entre as várias cotadas europeias, uma vez que as empresas mais expostas aos preços da energia e ao sentimento do consumidor podem sair mais penalizadas. Este cenário contrasta com o das tecnológicas e do setor da energia.
Se os mercados conseguirem encadear algumas notícias positivas, as ações europeias poderão inverter a tendência e subir até ao final do ano; no entanto, uma época de resultados negativos ou comentários pessimistas por parte dos bancos centrais poderão consolidar o segundo lugar em relação ao mercado acionista norte-americano em 2026.
As taxas Euribor, que servem de base para o cálculo da prestação da casa, subiram esta sexta-feira a três e a seis meses e desceu a 12 meses em relação a quinta.
Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.
Em junho, o BCE tinha subido, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da Zona Euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) alterou o alerta que tinha emitido a 31 de dezembro de 2024 sobre Gonçalo Sousa Pereira, conhecido nas redes sociais como “James Pereira”, e acrescentou-lhe novas redes sociais e sites.
A decisão do Conselho de Administração, tomada na reunião de 8 de outubro e divulgada esta sexta-feira, volta a pôr o supervisor do mercado de capitais a apontar um finfluencer (influenciador financeiro) que, segundo o supervisor, não tem habilitação para atuar no mercado português.
No comunicado com as principais deliberações dessa reunião, a CMVM explica que a decisão surge “na sequência da análise de denúncias relativas a exercício não autorizado de publicidade e de prospeção dirigidas à celebração de contratos de intermediação financeira envolvendo instrumentos financeiros”.
A CMVM alerta os investidores que Gonçalo Sousa Pereira “não está habilitado junto da CMVM para o exercício de qualquer atividade de intermediação financeira em Portugal”.
“A alteração de alerta emitido em 31 de dezembro de 2024, adicionando novas redes sociais e sítios da internet com divulgação de informação indevida”, e também “a resposta aos denunciantes”, lê-se no comunicado do supervisor.
O alerta da CMVM, refere que Gonçalo Sousa Pereira “não está habilitado junto da CMVM para o exercício de qualquer atividade de intermediação financeira em Portugal” e visa os sites jamestradinggroup.com e jamestrading.net, assim como os perfis de “James Pereira” no Instagram, Telegram, TikTok, LinkedIn, Facebook e YouTube, e esclarecia que o visado não pode fazer publicidade nem prospeção de clientes para contratos de intermediação financeira.
Ao longo das contas que detém nas várias redes sociais, James Pereira promove esquemas de enriquecimento rápido através do forex, o mercado cambial, enquanto exibe uma vida de luxo para atrair investidores incautos.
Estes são padrões comuns identificados pelos reguladores nestes casos: ostentação de riqueza, linguagem técnica e promessas de lucros certos. Perante uma proposta com essas características, o investidor deve confirmar a habilitação de quem a faz antes de investir.
A CMVM recomenda que os investidores confirmem, antes de entregar dinheiro a seja quem for, se a entidade está autorizada a prestar serviços de investimento em Portugal. Essa verificação faz-se na lista de entidades autorizadas no Portal do Investidor.
É também conveniente consultar a listagem de alertas dirigidos aos investidores e ao público, divulgados pela CMVM e por outras autoridades congéneres, por forma a confirmar que a entidade ou a pessoa não está a atuar de forma indevida.
Quem tenha tido contacto comercial com pessoas que se apresentem como representantes das entidades visadas pode contactar a CMVM através da linha gratuita 800 205 339 ou do email cmvm@cmvm.pt.
Os combustíveis vão voltar a ter um comportamento diferenciado na próxima semana. O gasóleo, o combustível mais usado em Portugal, deverá subir 4,5 cêntimos e a gasolina descer 1,5 cêntimos, de acordo com os dados do Automóvel Club de Portugal (ACP). Já fonte do mercado avançou ao ECO com uma previsão ligeiramente diferente: uma subida de 3,5 cêntimos para o diesel e uma descida de três cêntimos para a gasolina.
Estas tendências ainda podem sofrer alterações para ter em conta o fecho das cotações do Brent esta sexta-feira e o comportamento do mercado cambial. Mas, para saber quanto vai pagar na bomba segunda-feira quando for abastecer, é necessário esperar pela publicação de uma nova portaria com o desconto temporário e extraordinário do ISP a vigorar na próxima semana e que o Executivo optou por não reforçar mas apenas prolongar até dezembro. Mas com esta previsão os preços permanecerão acima dos dois euros por litro (2,193 no caso do gasóleo e 2,095 na gasolina).
Mantém-se em vigor o limiar de subida nos dez cêntimos, para apoiar os combustíveis, a contar a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então o gasóleo regista um aumento acumulado de 51,8 cêntimos e a gasolina de 40,7 cêntimos, sem ter em conta as previsões para a próxima semana.
Esta semana, inicialmente, a expectativa era de que os preços do diesel iriam descer um cêntimo e os da gasolina subir cinco cêntimos por litro. Mas, com a atualização do apoio do Governo, as cotações finais da matéria-prima e o comportamento do mercado cambial, afinal, o gasóleo desceu 0,7 cêntimos e a gasolina subiu 2,9 cêntimos.
Os contratos futuros do Brent, que servem de referência para o mercado europeu, estão esta sexta-feira a descer 0,80% para os 105,08 dólares por barril mas o petróleo prepara-se para registar um ganho semanal de 0,49%, tendo em conta as crescentes preocupações com a oferta no Médio Oriente.
O Comando Central dos EUA confirmou que um navio porta-contentores com bandeira de Singapura, que naufragou no Estreito de Ormuz no início desta semana, foi atingido por um projétil iraniano, o que aumentou a incerteza quanto à recuperação dos fluxos físicos de petróleo e impulsionou as tarifas dos petroleiros para máximos históricos. As crescentes tensões entre a Arábia Saudita e as forças houthis, apoiadas pelo Irão, no Iémen, agravaram ainda mais os riscos de abastecimento.
A Agência Internacional de Energia concordou em avançar com a libertação dos restantes 100 milhões de barris de petróleo no âmbito de uma intervenção coordenada lançada em março, na sequência de esforços de pressão por parte de responsáveis norte-americanos. Por outro lado, dados revelam que as reservas de crude dos EUA diminuíram 8,6 milhões de barris na semana passada, registando a maior queda desde fevereiro.
O Brent esteve esta semana a cotar abaixo do WTI, porque os custos de transporte mais baixos do crude norte-americano impulsionaram a procura pelos barris americanos.
A empresa de químicos espanhola Ercros, que foi comprada pela Bondalti, convocou uma Assembleia Geral (AG) de acionistas extraordinária para alterar os estatutos e adequá-los à saída da bolsa, após a aquisição por parte da subsidiária do grupo José de Mello.
A saída da bolsa foi uma das condições do negócio luso-espanhol de forma a permitir “maior flexibilidade na execução das prioridades estratégicas”, mas requer mudanças estatutárias. Num comunicado enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMV), a Ercros informou que a AG vai realizar-se no dia 17 de novembro às 15h00 (hora de Madrid).
A ordem de trabalhos inclui ainda a votação da revogação do regulamento da AG e da política de remunerações dos administradores, além da definição do montante máximo da remuneração dos administradores e da delegação de poderes para formalizar e registar as deliberações.
“De acordo com o disposto nos estatutos sociais e no regulamento da AG de acionistas, os acionistas que representem pelo menos 3% do capital social podem apresentar propostas fundamentadas de acordo sobre matérias já incluídas ou a incluir na ordem de trabalhos da AG extraordinária”, lê-se no documento publicado pela CNMV.
Após ter comprado mais de 77% do capital da gigante industrial catalã, a Bondalti passou a deter 85,85% da Ercros, em meados de setembro, no âmbito da OPA de exclusão de bolsa de Madrid, com os titulares de 8,62% do capital a aceitarem a oferta de 3,505 euros. A química portuguesa tinha avançado com uma oferta sobre os 22,77% do capital que ainda não controlava. “A oferta foi aceite por acionistas titulares de 7.882.035 ações da Ercros, representativas de 8,62% do capital social e de 37,86% dos direitos de voto a que a operação se dirigia efetivamente”, informou a empresa com sede no Lagoas Park.
Foi em março deste ano, dois anos depois do anúncio da operação, que a Bondalti concluiu a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Ercros. Em causa está uma oferta de 3,505 euros lançada em 2024 pela química portuguesa sobre 100% do capital da companhia de Barcelona, num resultado que superou o mínimo de aceitação fixado em 50% do capital.