Ministro culpa Anacom por decisão que “esmagou” telecomunicações e “impediu investimentos”
O ministro das Infraestruturas lamenta que tenha havido decisões da Autoridade Nacional para as Comunicações (Anacom) que, na sua opinião, comprometeram o investimento das operadoras de telecomunicações e a qualidade do serviço prestado. Em entrevista ao semanário Expresso, Miguel Pinto Luz culpa o regulador por ter permitido criar mais um player no mercado.
“A Europa liderou a revolução do 4G e já não liderou a revolução do 5G. Não o conseguiu porque os Estados Unidos têm três ou quatro operadoras e a Europa tem mais de nove. O problema coloca-se na conclusão do 5G e no 6G. Achamos que, tal como outros países da Europa fizeram, devíamos maximizar a renovação do espectro para dar previsibilidade a quem investe, já que é um mercado que está profundamente pulverizado”, começou por dizer Miguel Pinto Luz.
“Aqui culpo a decisão da Anacom de criar um novo operador que esmagou ainda mais as margens de todo o setor e impediu os de fazer novos investimentos. Tanto no apagão como nas intempéries, o desinvestimento estava lá”, afirmou o governante, em declarações ao jornal do grupo Impresa, quando questionado sobre o lançamento de renovação das licenças e a capacidade de investimento das empresas.
“A posição do Governo é clara: convidar a Anacom a desenhar um plano para ampliar e dar previsibilidade e perenidade das licenças de espectro e, em contrapartida, pedir investimento. A Anacom não tem bem esta leitura”, diz Miguel Pinto Luz, esclarecendo que a posição do regulador “está melhor e mais próxima” da dos operadores.
Quem tem algumas dúvidas é o CEO da Vodafone Portugal, Luís Lopes, que na semana passada advertiu que a regulação em Portugal “está a empurrar o setor para um caminho muito complicado”, referindo-se ao processo em curso para a renovação dos direitos de utilização das licenças necessárias para a prestação de serviços móveis.
