❌

Normal view

ACT está a inspecionar suspensão de contrato para 100 trabalhadores da Accenture

21 October 2026 at 15:54

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) abriu um processo de inspeção à suspensão de contrato para cerca de 100 trabalhadores da consultora Accenture, na sequência de um relatório médico que concluiu que os funcionários estavam “aptos condicionais” para realizar as suas funções.

O esclarecimento foi dado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em resposta às perguntas do PCP sobre o caso que terá ocorrido no escritório de Miraflores/Algés após consultas da Medicina do Trabalho.

“Encontra-se em curso processo inspetivo para apuramento dos factos relatados e para verificação do cumprimento das normas laborais. Caso seja necessário, serão adotados os procedimentos inspetivos que se revelarem adequados e proporcionais aos factos. A ACT, no âmbito das suas atribuições e competências, continuará a acompanhar a situação”, informa o gabinete de Maria do Rosário Palma Ramalho.

Contactada pelo ECO, a Accenture garantiu que “está comprometida em atuar de forma responsável e em conformidade com a legislação laboral portuguesa” e esclareceu que “as decisões relacionadas com postos de trabalho são avaliadas caso a caso”, mas recusou fazer comentários a situações laborais individuais.

Depois da avaliação médica ter concluído que os colaboradores podiam trabalhar, embora com limitações, a Accenture terá decidido suspender os seus contratos, argumentando com o que está estabelecido no artigo 296.º do Código do Trabalho, que determina a suspensão se o trabalhador sofrer um impedimento temporário que não lhe seja imputável e que dure mais de um mês, como doença, acidente ou serviço militar.

A principal alegação, segundo os deputados comunistas, ter-se-á prendido com a ausência de funções compatíveis com as limitações ou recomendações médicas dos trabalhadores. “Acresce que a empresa terá ainda retirado, em alguns casos, acessos a plataformas e ferramentas internas, incluindo canais de contacto com os recursos humanos”, referiu o PCP, questionando o Governo sobre se vai tomar medidas para adaptar os postos de trabalho e proteger os trabalhadores com limitações de saúde relacionadas com as funções.

Encontra-se em curso processo inspetivo para apuramento dos factos relatados e para verificação do cumprimento das normas laborais. Caso seja necessário, serão adotados os procedimentos inspetivos que se revelarem adequados e proporcionais aos factos. A ACT, no âmbito das suas atribuições e competências, continuará a acompanhar a situação.

Ministério do Trabalho e da Segurança Social

O grupo parlamentar do PCP foi mais longe e mencionou que haveria trabalhadores cujos problemas de saúde poderiam estar relacionados com as condições em que o trabalho é prestado, embora tenha remetido a devida avaliação para as entidades competentes.

“Agora a empresa diz que o cliente quer terminar o projeto e que não têm mais trabalho para estas pessoas, mas é uma forma de não os despedirem, até porque não há extinção do posto de trabalho. É pressionar estas pessoas a despedirem-se, o que não lhes dá acesso ao subsídio de desemprego”, disse à revista Sábado Ricardo Mendes, dirigente do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, que está a acompanhar o caso destes trabalhadores.

Foi precisamente o CESP que trouxe este caso a público, no início de outubro, após ter tomado conhecimento do plano da Accenture de suspender contratos de cerca de 100 trabalhadores do escritório de Algés/Miraflores com um argumento que o sindicato caracteriza de “desculpa esfarrapada”.

O CESP relatou que os trabalhadores foram considerados, pela Medicina do Trabalho, “aptos condicionais”, portanto mantinham-se disponíveis para trabalhar dentro das limitações médicas definidas, e recusou aceitar que esse termo fosse tratado como “inapto” dentro da empresa, a quem acusa de “falta de interesse em encontrar soluções” para evitar a suspensão sem remuneração.

Miranda Sarmento admite “olhar para o tema das derramas estaduais” em 2028

21 October 2026 at 12:23

O ministro de Estado e das Finanças disse esta quarta-feira que o Governo terá de “olhar” em 2028 para as derramas estaduais, as taxas adicionais cobradas às empresas com mais lucros.

“A redução de IRC é bastante importante e a seguir, em 2028, teremos de olhar para o tema das derramas estaduais”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento, numa conferência dedicada ao Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), organizada pela consultora EY e pelo Jornal Económico.

As declarações surgem após, no ano passado, o ministro das Finanças ter admitido baixar gradualmente a derrama estadual do IRC que incide sobre empresas com lucros superiores a 1,5 milhões de euros, embora tivesse remetido a decisão para “mais tarde” e com “prudência” e “responsabilidade” para manter as contas públicas equilibradas.

Na intervenção desta manhã, no Centro Cultural de Belém, o ministro de Estado e das Finanças não apresentou mais detalhes sobre o plano do Executivo. Contudo, garantiu que o facto de a economia ter superávites e a dívida pública estar a descer “mais rápido do que o plano orçamental” coloca Portugal “numa posição bastante confortável”.

No que diz respeito à proposta de Orçamento do Estado para 2027, entregue há duas semanas no Parlamento, Joaquim Miranda Sarmento disse que “este é um Orçamento sem medidas avulsas” e “expurgado de cavaleiros orçamentais”. E destacou a redução da carga fiscal de impostos em percentagem do PIB até aos 23,8%.

“O crescimento de emprego e salários é muito significativo e faz-nos questionar se o INE não fará uma grande revisão do PIB em março do próximo ano, por este efeito e o do IVA, e também por teremos mais 800 mil pessoas do que as estatísticas oficiais”, reiterou.

Placeholder Image

"Tem havido muita propaganda de descontrolo das contas públicas, com esta manipulação relativamente da despesa total nominal. Quando olhamos para o que é fundamental na despesa, ela está perfeitamente controlada e tem crescido ao PIB nominal.”

Joaquim Miranda Sarmento

Ministro de Estado e das Finanças

Joaquim Miranda Sarmento respondeu ainda a uma “análise bastante superficial” de que constam no OE2027 mais 6,2 mil milhões de euros de despesa do que estava inscrito para este ano. Ou seja, a diferença entre o documento apresentado em outubro de 2025 e em outubro de 2026, que o ex-ministro das Finanças Mário Centeno assinalou como “desvio” numa recente entrevista ao Jornal de Notícias.

“Esta diferença é despesa de capital (investimento) e teve a ver com o PRR – porque acabou por ser executada em 2026 – e toda a recuperação das tempestades”, retorquiu o governante, dando como exemplo a isenção de TSU dos empregadores da região Centro que é registada nas contas nacionais como despesa, apesar de ser perda de receita.

Numa retrospetiva aos últimos anos de Governos da AD, Joaquim Miranda Sarmento fez referência não só aos excedentes orçamentais como à redução da dívida pública, de cerca de 93% em 2024 para 87% este ano e 84,5% em 2027.

“O investimento total público e privado estabilizou em percentagem do PIB e as exportações recuperaram. A quebra de 2025 está muito marcada por um primeiro trimestre com incerteza da política comercial da nova administração americana e das tarifas e de uma paragem significativa da refinaria de Sines”, recordou ainda.

“Sobretudo em 2025-2026 invertemos a destruição de capital público. Em 2027, mesmo com o fim do PRR, manteremos um nível de investimento público acima da depreciação do stock do capital público”, referiu sobre as previsões que constam no OE2027.

“Foi um ano bastante difícil – ainda não acabou, portanto rezemos todos para que não aconteçam mais tragédias ou eventos externos de impacto negativo – mas temos uma economia que cresce e com menos impostos e equilíbrio das contas públicas”, concluiu o ministro das Finanças.

Ó Capital, fundador da Vallis e ex-administrador da PHC criam empresa para tornar “tip-top” decisões de CEO

21 October 2026 at 07:13

That’s tip top! Foi esta expressão anglo-saxónica que inspirou a nova empresa portuguesa de consultoria e formação digital para profissionais. A sociedade de investimentos Ó Capital, liderada pela empresária Sara do Ó, o engenheiro e gestor Rogério Canhoto e o investidor Luís Palma da Graça, fundador da Vallis Capital Partners, juntaram-se para criar uma sociedade destinada a acelerar a adoção de inteligência artificial (IA) nas pequenas e médias empresas (PME).

A Tip Top arrancou no início de setembro com uma equipa composta pelos três sócios, três consultores, três formadores certificados, um CEO (Luís Fonseca) e uma COO (Ana Canhoto), mas prevê que “rapidamente” terá de recrutar, conforme avançou ao ECO o sócio cofundador Rogério Canhoto, ex-administrador da PHC Software.

“Tenho-me especializado muito na IA, não na competência tecnológica, mas em como é que pode dinamizar os negócios, seja porque reduz custos e aumenta receitas, seja porque tomamos decisões mais bem informadas. E, nas várias interações que vou tendo, descobri que a maior parte dos gestores sente algumas dificuldades, porque não foram treinados para esta nova realidade”, afirma Rogério Canhoto.

O objetivo é guiar as empresas na aplicação de IA e apoiar a tomada de decisão por parte de CEO, CFO (Chief Financial Officer) e outros executivos. Ou seja, dar-lhes a entender para que pode servir a IA no seu caso específico, por onde é que devem começar, que ferramentas devem comprar para resolver os problemas que têm, definir prioridades, fazer uma lista de fornecedores da tecnologia e avaliar a adoção. No fundo, tentar colocar as organizações no “topo do topo”.

A Tip Top trabalha com Copilot da Microsoft, o Claude da Anthropic e ChatGPT da OpenAI. “Não implementamos tecnicamente as soluções de IA. Não vendemos soluções de IA”, ressalva Rogério Canhoto, que conta com mais de 25 anos de experiência nas áreas de tecnologia, media e telecomunicações e é coordenador executivo do programa avançado em IA para Gestão do ISCTE Executive Education.

É urgente que os gestores à frente das empresas percebam não só o potencial da IA, mas como é que podem transportar esse potencial para o seu negócio. Temos um conjunto de indicadores que medem se o que eles estão a fazer está efetivamente a ter resultados para perceber se devem abandonar aquela iniciativa e irem para outra.

Rogério Canhoto

Sócio da Tip Top

Simultaneamente, a participada da Ó Capital irá prestar serviços de formação personalizada, que inclui ensinar as PME portuguesas a fazerem agentes autónomos. “Não estamos a falar das Altices e EDP’s, que são empresas com outros recursos, mas as que estão abaixo dessas, a faturar volumes de negócios já simpáticos e cujos gestores percebem que a IA pode ter impacto direto nas suas soluções. Empresas com colaboradores que já estão a utilizar IA, mas não de forma organizada”, sintetiza Rogério Canhoto.

Neste momento, os setores com os quais estão a trabalhar são serviços, saúde, banca e seguros, transportes e logística e retalho e as áreas em que recebem mais pedidos são comercial (vendas), recursos humanos e gestão (C-Level e B-Level). “Os administradores das empresas que estão a sentir a empresa a utilizar, mas não sabem orientar as suas equipas na utilização, e depois os diretores, que têm de ser os primeiros a suportarem-se nestas tecnologias e a conhecerem o que é possível fazer. Costumo dizer que damos a formação de manhã e à tarde eles já podem usá-la em casos práticos”, refere o sócio cofundador da Tip Top.

Tip Top “em conversações” para expandir para Espanha

Apesar de ter menos de dois meses de operação, a Tip Top encontra-se “em conversações” para uma potencial parceria no país vizinho.

“Já temos contactos para fazer parcerias e levarmos este conceito para Espanha. Já fazia parte do nosso plano de crescimento expandir para outros países na Europa, mas a lógica era consolidar em Portugal ao longo do próximo ano. Não sei se manteremos esse calendário assim certinho, porque Espanha é já ali ao lado. No mundo da IA, o ritmo que as coisas acontecem é alucinante”, conta Rogério Canhoto.

Como exemplo de escalabilidade do negócio, enumera o caso de uma empresa (B2B) que recorre à IA na área comercial para automatizar a criação de propostas. Segundo o partner da Tip Top, antes disso, o processo, dependendo da complexidade, demorava entre quatro a seis horas a ficar totalmente e agora é possível obter uma proposta para enviar ao cliente em cinco minutos e depois o gestor comercial passa apenas mais 15-20 minutos a verificar se algo não está correto ou é preciso adaptar.

Rogério Canhoto contabiliza que há empresas em que os ganhos de produtividade chegam aos 80%: “O CEO de uma empresa que faz campanhas de email marketing, para cerca de três mil clientes, dizia-me que se poupasse uma hora por dia à equipa comercial, já tinha recuperado muito do investimento. Já poupou seis a sete horas por semana”.

❌