O Bitcoin tentava assegurar uma estabilidade na tarde desta sexta-feira (23) em recuperação parcial das perdas da véspera.
A movimentação acontece apesar de uma nova alta dos preços de energia, que mantêm preocupações inflacionárias em destaque, enquanto uma melhora no interesse de investidores institucionais ajuda a manter o suporte.
Por volta das 16h01 (em Brasília), o Bitcoin subia 0,05%, a US$ 81.432,00, enquanto o Ethereum subia 1%, a US$ 2.404,56, de acordo com a plataforma Coinbase. Na semana, o Bitcoin avançou cerca de 0,30% e o Ethereum recuou 0,43%.
Para a CoinShares, o fato de o bitcoin ter se mantido acima de US$ 80 mil após a forte correção de ontem é um ponto positivo, demonstrando resiliência da principal criptomoeda “apesar de mais um episódio de volatilidade em ativos de risco”.
Ainda assim, os ganhos foram limitados pela valorização do petróleo em meio a novos ataques no Oriente Médio e ao endurecimento da postura do Irã. Para o Zaye Capital Markets, os investidores avaliam a piora das condições macroeconômicas e a crescente adoção institucional do bitcoin.
Na mesma linha, o Kudo.com avalia que os fluxos de ETFs da moeda digital sinalizam uma melhora na demanda institucional, ajudando a amortecer as perdas recentes.
Mesmo em meio aos preços elevados do petróleo, a probabilidade de uma manutenção na taxa de juros dos Estados Unidos na reunião do Fed (Federal Reserve) na próxima semana ultrapassam 90%, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.
Ainda de acordo com especialistas da CoinShares, um aumento “surpresa” na próxima semana “provavelmente seria mais disruptivo do que uma medida bem sinalizada em dezembro”. Para o último mês do ano, cerca de 80% das apostas são por uma alta das taxas, ainda segundo a FedWatch.
A Americanas avança em seu plano de vender lojas deficitárias do Natural da Terra para a rede ObaHortifruti, no acordo de R$ 69,3 milhões firmado em maio. Na quinta-feira (22) a empresa disse ter concluído a venda da sexta unidade, entre as dez previstas no contrato.
As lojas foram vendidas como parte do plano de recuperação judicial. Os valores recebidos à vista e as parcelas subsequentes estão sendo depositados em uma conta vinculada para a amortização extraordinária de debêntures da Americanas, seguindo as diretrizes do seu plano de reestruturação.
Na terça-feira, 20, a Justiça do Rio de Janeiro decretou o fim da recuperação judicial da Americanas, que já havia requerido, em março, o encerramento do processo.
A empresa teve de apelar à proteção contra credores em janeiro de 2023, com dívidas de R$ 43 bilhões, após a revelação de inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões.
De lá para cá, a varejista reduziu operações, reformulou sua atuação no e-commerce e concentrou esforços na recuperação das lojas físicas. A venda das lojas do Natural da Terra faz parte desse processo.
Já para o Oba, a estratégia de comprar lojas deficitárias apoia-se em ganho de escala e potencial de conversão. No varejo de vizinhança e hortifrúti, a localização é o ativo mais valioso e difícil de conseguir.
Muitas dessas unidades da Natural da Terra estão localizadas em bairros nobres e de alto poder aquisitivo no Estado de São Paulo, exatamente o público-alvo do Oba.
O setor de varejo alimentar passa por um forte momento de consolidação. Ao absorver dez lojas de uma vez, o Oba acelera sua expansão no mercado paulista de forma muito mais rápida do que se tivesse que prospectar terrenos, conseguir alvarás e construir dez lojas do zero.
Pela sexta loja, o Oba Hortifruti pagou à vista R$ 660,6 mil, valor que corresponde a 6,3% do total da operação.
Segundo o comunicado, deduzidos os custos de fusão e aquisição, o saldo remanescente foi depositado para a amortização extraordinária das debêntures da 22ª emissão da companhia, conforme diretrizes do seu plano de recuperação judicial.
O valor restante devido pelos ativos da sexta unidade será quitado em 24 parcelas mensais, iguais e consecutivas, corrigidas pela variação positiva do CDI, a partir da data do fechamento. O primeiro vencimento ocorrerá no dia 15 do mês subsequente.
O preço médio do frete rodoviário no mercado spot atingiu R$ 0,396 por tonelada por quilômetro no terceiro trimestre de 2026, alta de 13% na comparação com o mesmo período de 2025 (R$ 0,350).
Em relação ao segundo trimestre de 2026, no entanto, houve queda de 5,2%. Os dados são do IFP (Índice Frete.com de Preços), divulgado no relatório Frete Insights.
No trimestre, a quantidade de fretes publicados na plataforma Frete.com ficou 18% abaixo do registrado um ano antes – quando o indicador alcançou o maior nível da série analisada – e 19% acima do volume do trimestre imediatamente anterior.
Segundo o relatório, a alta anual de 13% ocorre sobre uma base de comparação em que o IFP estava no ponto mais baixo da série recente no terceiro trimestre de 2025. Os preços subiram no fim de 2025 e permaneceram elevados ao longo de 2026.
Entre os fatores associados a esse movimento, o estudo cita o encarecimento do diesel S-10 (cerca de 15% na comparação anual) e a estabilidade da relação de fretes por motorista, mesmo com a redução do volume publicado.
Ao longo do trimestre, o ritmo de aumento ante 2025 desacelerou: a variação passou de 17% em julho para 12% em agosto e 10% em setembro. Na leitura mensal, o IFP foi de R$ 0,403/t/km em julho, caiu 3,0% em agosto para R$ 0,391/t/km e avançou 0,8% em setembro para R$ 0,394/t/km.
O preço médio do diesel chegou a R$ 7,01 por litro no terceiro trimestre de 2026, ante R$ 6,09 no mesmo período de 2025 (+15,1%), variação acima da do frete (+13,1%).
Já frente ao segundo trimestre de 2026, o diesel ficou praticamente estável (-0,6%) enquanto o frete recuou 5,2%, movimento que, segundo o relatório, indica compressão das margens operacionais de transportadores autônomos.
O agronegócio respondeu por 47,3% dos fretes publicados no trimestre, com queda de 27,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e alta de 31,1% ante o segundo trimestre de 2026.
O relatório atribui a retração anual principalmente ao encerramento da janela de escoamento da soja e à região Sul, enquanto a recuperação trimestral foi associada ao avanço de fretes de milho (+165,3%) e fertilizantes (+108,2%), apesar da queda de soja (-40,0%) na mesma comparação trimestral.
Na distribuição regional, todas as regiões tiveram queda anual no volume publicado, com recuos de 36% no Sul e 33% no Norte. O Sudeste registrou redução de 4,4%, mas ampliou sua participação no total monitorado de 37% para 43%.
Entre os estados, São Paulo, Minas Gerais e Goiás concentraram 51% dos fretes publicados, com participações de 21,83%, 18,13% e 11,04%, respectivamente.
Por perfil de veículo, todas as carrocerias tiveram reajustes positivos na comparação anual. A categoria Caçamba liderou a alta (+21,5%, a R$ 0,322/ton/km), seguida pelo Graneleiro (+15,2%, a R$ 0,349/ton/km).
Frente ao trimestre anterior, as maiores quedas foram observadas nas categorias Baú (-7,3%, R$ 0,612/ton/km) e Sider (-7,6%, R$ 0,512/ton/km).
O indicador de Carga por Caminhão apontou Minas Gerais como o Estado de maior intensidade de demanda no terceiro trimestre, com 5,58 solicitações por motorista, seguido por São Paulo (5,06) e Goiás (4,84).
Na análise por corredores, a rota Unaí (MG) – Araguari (MG) registrou a maior densidade, com 9,16 solicitações por veículo.
O relatório afirma que a leitura apenas por médias estaduais pode levar a erros de precificação e cita que, apesar de São Paulo ter média agregada elevada, rotas de saída do polo paulista com destino ao Nordeste operam com maior oferta de veículos e tarifas em acomodação.
O Frete Insights informa que analisa contratações pontuais do mercado spot em operações de carga cheia (FTL) para todos os tipos de caminhões.
Os valores correspondem aos preços publicados para motoristas autônomos e incluem pedágio, seguro e taxas operacionais, abrangendo cargas a granel e gerais e excluindo cargas especiais.
O ouro encerrou em queda nesta sexta-feira (23) recuando durante a sessão abaixo do patamar de US$ 4 mil, à medida que a alta dos preços do petróleo alimenta preocupações com a inflação, além da busca por liquidez em meio à recente queda das bolsas de tecnologia.
Na Comex, divisão de metais da Nymex (bolsa de Nova York), o ouro para dezembro encerrou em queda de 1,30%, a US$ 4.007,9 por onça-troy, recuando 4,14% na semana.
O ouro recuou à faixa de US$ 3.989,1 na mínima da sessão desta sexta. Já a prata para dezembro recuou 1,92%, a US$ 53,949 por onça-troy, perdendo 5,9% na semana.
Na avaliação da Spartan Capital, os metais preciosos estão sofrendo pressão tanto dos desdobramentos geopolíticos como também da queda recente do Nasdaq. “Primeiro, os investidores estão levantando dinheiro; segundo, a Rússia está vendendo reservas de ouro, já que a guerra continua a devastar sua economia”, afirma.
Em meio ao aumento de tensões no Oriente Médio, a alta nos preços do petróleo impulsiona as preocupações inflacionárias e pressiona o ouro, segundo o MUFG, mesmo que o Fed (Federal Reserve) pareça confiante em manter as taxas de juros inalteradas na reunião de política monetária da próxima semana.
Para o Saxo Bank, a movimentação de preços recente aponta para um cenário em que as “vendas especulativas de curto prazo estão superando a demanda de investidores de longo prazo”.
Para uma recuperação sustentada é preciso uma estabilização dos valores de energia, demanda contínua de bancos centrais e investidores em ETFs e “evidências de que a recente onda de liquidação de posições compradas chegou ao fim”.
A Kering afirmou, em balanço divulgado na quinta-feira (22) que suas vendas foram impactadas por um mercado de luxo desafiador no trimestre mais recente, enquanto o grupo parisiense busca recuperar o ritmo de suas marcas.
A dona de Gucci, Bottega Veneta e outras grifes de alto padrão registrou queda de 1% na receita, em base comparável e a câmbio constante, no terceiro trimestre. A receita somou 3,345 bilhões de euros, de modo geral em linha com as estimativas do consenso.
As vendas no principal negócio do grupo, de moda e artigos de couro, recuaram 3%, enquanto as da Gucci, principal marca da companhia, caíram 6%.
A empresa disse que a recuperação da Gucci está se consolidando gradualmente, mas analistas da Bernstein avaliaram que o recuo foi pior do que o esperado, com desempenho negativo nas lojas operadas diretamente.
A Kering está entre as empresas mais afetadas pela queda na demanda por bens de luxo, especialmente entre os chamados consumidores de luxo de entrada e compradores chineses.
A companhia tem forte exposição a esses segmentos, pressionados por dificuldades econômicas e por uma redução dos gastos com itens de alto valor.
Além do cenário setorial adverso, a Kering busca revitalizar suas casas com mudanças nas equipes de gestão e criação em marcas como Gucci e Alexander McQueen.
“Destravar todo o potencial do grupo exige, entre outros fatores, recuperar o impulso da Gucci e executar o plano de ação na China”, disse o diretor-presidente Luca de Meo.
“Sabemos que temos muito trabalho a fazer na China”, afirmou a diretora financeira, Armelle Poulou, em teleconferência de resultados, destacando que o desempenho no país foi um dos principais entraves do trimestre.
Os números da Kering vêm após outras empresas do setor alertarem para vendas fracas na China, um mercado-chave.
O setor esperava que uma melhora no país reforçasse a recuperação depois de um período prolongado de demanda fraca, mas consumidores chineses seguem gastando menos em meio ao cenário econômico desfavorável.
Poulou disse que o desempenho do terceiro trimestre ainda não reflete onde a empresa quer chegar e que o impacto da transformação em curso ainda não aparece plenamente na receita. Ela acrescentou que as tendências de outubro foram semelhantes às do terceiro trimestre na maioria das regiões.
As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta sexta-feira (23) pressionadas por balanços corporativos e pelo avanço do petróleo, em meio ao temor de nova escalada das tensões no Oriente Médio.
Indicadores mistos de atividade, a crise política na França e preocupações com investimentos em inteligência artificial (IA) também pesaram no sentimento dos investidores.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,32%, a 10.690,36 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,86%, a 25.152,31 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,36%, a 7.782,82 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,36%, a 48.558,86 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,23%, a 18.957,30 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,07%, a 9.244,62 pontos. As cotações são preliminares.
O PMI (índice de gerentes de compras, na sigla em inglês) composto da zona do euro caiu a 51,9 em outubro, menor nível em quatro meses. Para a Capital Economics, o dado ainda aponta crescimento resiliente, embora a energia mais cara pressione a indústria.
Já o ING vê a França como principal foco de fraqueza na região, após o PMI francês recuar a 48,4, nível que indica contração.
Em Paris, a Kering tombou 16%, após a dona da Gucci registrar queda nas vendas da marca no terceiro trimestre. A Safran recuou 10,3%, apesar de divulgar crescimento de quase 15% na receita e manter suas projeções anuais.
Em Estocolmo, a Volvo Car despencou 23,6%, após reportar retração de quase 50% nas vendas na China e ampliar seu plano de cortes de empregos. Em Frankfurt, SAP (-0,5%) e Mercedes-Benz (-1,6%) foram pressionadas, enquanto, em Londres, a Rolls-Royce caiu 7,2%.
No setor de semicondutores, ASML (-1,1%), ASM International (-2,3%) e Infineon (-2,8%) cederam. O subíndice tech no Stoxx 600 caiu 0,9%
Na contramão, petroleiras se beneficiaram do Brent acima de US$ 110 por barril. Eni subiu 6,1% em Milão, enquanto Repsol avançou 4,7% em Madri e Galp ganhou 3,6% em Lisboa, ajudando a sustentar os índices.
A Electrolux registrou lucro operacional de 607 milhões de coroas suecas (US$ 61,2 milhões) no terceiro trimestre, uma queda em relação aos 890 milhões de coroas registrados no mesmo período do ano anterior.
O resultado, no entanto, superou a estimativa dos analistas, que era de 542 milhões de coroas, segundo o consenso de mercado compilado pela própria empresa.
A fabricante sueca de eletrodomésticos, no entanto, passou a registrar prejuízo líquido no terceiro trimestre e piorou sua projeção de lucro para o ano, citando custos mais altos de matérias-primas e tarifas.
A empresa reportou prejuízo líquido de 340 milhões de coroas no terceiro trimestre. Um ano antes, havia registrado lucro líquido de 192 milhões de coroas.
As vendas cresceram 3,5% em termos orgânicos, para 33,92 bilhões de coroas, enquanto as expectativas dos analistas compiladas pela empresa apontavam 33,49 bilhões de coroas.
A American Express teve lucro líquido de US$ 3,71 bilhões no terceiro trimestre de 2026, acima dos US$ 2,9 bilhões apurados no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (23).
O lucro diluído por ação foi de US$ 5,42, também acima dos US$ 4,14 registrados em igual período de 2025 e do esperado por analistas da FactSet, de US$ 4,50.
A receita antes de despesas com juros da Amex, como a empresa também é conhecida, teve expansão anual de 9% no terceiro trimestre de 2026, a US$ 20,1 bilhões, em linha com o consenso da FactSet.
As despesas consolidadas cresceram 9%, para US$ 14,5 bilhões, puxadas principalmente pela alta dos custos variáveis de engajamento de clientes, refletindo o maior volume de gastos dos portadores de cartão e a renovação do modelo do U.S. Platinum Card.
Esses fatores foram parcialmente compensados por menores despesas operacionais.
A administradora de cartões de crédito informou também que agora projeta lucro por ação entre US$ 18,30 e US$ 18,60 no ano, acima da estimativa anterior, de US$ 17,30 a US$ 17,90.
A empresa espera ainda lucro por ação ajustado entre US$ 17,60 e US$ 17,90, cálculo que exclui o ganho com a venda de sua participação no Global Business Travel Group e já considera as despesas de reestruturação.
Às 8h28 (de Brasília), a ação da Amex caía 1,9% no pré-mercado em Nova York.
O CMN (Conselho Monetário Nacional) e o BC (Banco Central) aprovaram, em reunião realizada na quinta-feira (22), aperfeiçoamentos nas regras de contratos de parceria e na utilização do Open Finance por clientes pessoas jurídicas.
O modelo regulado pelo BC permite o compartilhamento seguro de dados, histórico financeiro e serviços entre diferentes instituições bancárias, fintechs e cooperativas.
Segundo o BC, as alterações têm como objetivo dar maior clareza ao alcance desse regime, reduzir divergências de interpretação entre os participantes e fortalecer as responsabilidades relacionadas à segurança, à privacidade e à governança dos dados compartilhados.
“As medidas também ampliam a transparência para os clientes e proporcionam maior previsibilidade às regras aplicáveis às instituições participantes”, informou o BC.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira (23), recuperando-se de perdas registradas mais cedo, mas preocupações persistentes com investimentos em inteligência artificial e a alta do petróleo limitaram os ganhos.
O índice sul-coreano Kospi subiu 0,30% em Seul, para 5.550,30 pontos, após chegar a recuar para perto de 5.300 pontos, o menor nível em mais de seis meses. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,69%, para 23.093,37 pontos. Já em Tóquio, o Nikkei caiu 0,34%, para 62.693,16 pontos.
Na China continental, o pregão foi positivo, com alta de 0,89% do Xangai Composto, para 3.690,48 pontos, e de 2,44% do Shenzhen Composto, para 2.212,99 pontos. Em Taiwan, o mercado não operou devido a feriado.
O avanço do petróleo, sustentado por tensões no Oriente Médio, também restringiu o apetite por risco. No fim da madrugada, o WTI avançava 0,50%, para US$ 100 o barril.
Na Oceania, a bolsa australiana ficou praticamente estável, com alta marginal de 0,02% do S&P/ASX 200, para 8.795,20 pontos.
Na reta final da campanha eleitoral para presidente da República, as propostas econômicas apresentadas até aqui ainda não oferecem garantias concretas de ajuste fiscal, avalia o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal. Segundo ele, falta um plano detalhado capaz de responder ao aumento do desequilíbrio nas contas públicas projetado para o início de 2027.
“Há um rombo maior do que havia antes e muitas dúvidas sobre como qualquer um dos candidatos vai lidar com esse rombo maior no início de 2027”, afirma, em entrevista ao Capital Insights – parceria entre a Broadcast e o CNN Money – desta quinta-feira (22).
Para Leal, o ponto central do debate macroeconômico segue sendo o fiscal. Ele afirma que as expectativas de inflação futura carregam um “prêmio de risco fiscal”, isto é, parte relevante do que se projeta para os preços adiante não deriva da demanda aquecida, mas da desconfiança com a trajetória das contas públicas.
Na avaliação do economista, sem esse risco fiscal, a inflação tenderia a convergir para a meta, porque o mercado confia no Banco Central. “Hoje há confiança na política monetária, e não na fiscal”, resume.
A economia brasileira também é um desafio para o próximo presidente da República, acrescenta Leal. Na entrevista, ele afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre “deve ser negativo” e não descarta um desempenho ruim também no quarto trimestre, num ambiente em que crédito mais seletivo, endividamento elevado e incertezas fiscais restringem consumo e investimento.
Ao discutir o ambiente político, Leal argumenta que a campanha do presidente Lula não conseguiu transformar a inflação mais controlada em tração eleitoral. Segundo ele, o motivo central é que a melhora de índices agregados não se converteu em sensação de alívio no bolso.
Esse quadro, diz Leal, ajuda a explicar por que o Banco Central começou a reduzir juros levando em conta não apenas o comportamento dos preços, mas também o peso do endividamento sobre a atividade.
Esse quadro, segundo ele, afeta diretamente emergentes como o Brasil, pressionando prêmios de risco e tornando mais difícil sustentar um ciclo doméstico de alívio monetário sem impacto no câmbio.
Ao olhar para os Estados Unidos, o economista projeta um cenário de turbulência política. Ele avalia que Donald Trump tenderia a judicializar o processo eleitoral e que, mesmo se vencer, enfrentará forte oposição, com possibilidade de novas crises institucionais, incluindo tentativas de impeachment.
No pano de fundo, Leal afirma que o Federal Reserve ainda pode elevar juros mais uma vez neste ano, possivelmente em dezembro – movimento que, se confirmado, apertaria as condições financeiras globais e aumentaria a pressão sobre câmbio e expectativas no Brasil, justamente num momento em que o país tenta equilibrar desaceleração econômica e fragilidade fiscal.
A diretoria colegiada da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) defendeu nesta quinta-feira (22) o parecer emitido pela AGU (Advocacia-Geral da União) que firmou entendimento de que os diretores-gerais das agências reguladoras só poderiam ser substituídos interinamente, após o término de seus mandatos, por outro membro do colegiado.
Com o parecer da AGU, um dos diretores da Agência poderá ser nomeado como diretor(a)-geral, caso ainda não tenha sido aprovada a nomeação do nome titular.
O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Lucas Rocha Furtado, solicitou a apuração da competência da AGU no tema da substituição dos diretores-gerais das agências reguladoras.
“A AGU também coloca recomendações de preenchimento, pensando em instabilidade institucional, legitimidade das decisões. Acho que é bastante pertinente atribuir à própria agência reguladora a prerrogativa de, no seu regimento interno, estabelecer regra que seja aderente ao funcionamento de cada um. Me parece que a AGU acertou nesta iniciativa”, afirmou o diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, durante abertura de sessão da diretoria colegiada da autarquia.
Ele afirmou que o entendimento da AGU permite que as agências definam, por decisão colegiada, os critérios para a substituição de seus dirigentes, respeitando as particularidades de cada autarquia.
Segundo ele, o parecer corrige uma interpretação anterior que previa o preenchimento da ausência do diretor-geral por um superintendente incluído na lista de substituição, procedimento que, na avaliação do dirigente, poderia gerar dificuldades na condução institucional da agência.
A diretoria também ressaltou que a orientação da AGU não deve ser interpretada como uma imposição de regras às autarquias, mas como uma recomendação para que cada agência avalie internamente os critérios mais adequados, com foco no fortalecimento da governança e na adoção de procedimentos objetivos.