O Exército de Terracota foi criado com uma mãozinha de mulheres e jovens

Uma nova descoberta durante escavações arqueológicas na cidade de Stara Zagora, na Bulgária, revelou uma necrópole e vestígios de diversos objetos da época romana. Entre os tesouros, havia uma moeda e um par de brincos posicionados em cima de um túmulo infantil, o que arqueólogos sugerem ser uma oferenda para os deuses do submundo.
Os romanos costumavam colocar uma moeda em cima dos túmulos para pagar o barqueiro que transportaria suas almas para o submundo. O ritual tem origem grega, mas foi incorporado a outras culturas com o passar do tempo.
A moeda encontrada é um antoniniano do imperador Aureliano, cunhado em Sérdica, nome antifo de Sófia, atual capital da Bulgária, entre 274 e 275 d.C. A estrutura funerária também foi datada desse mesmo período, informou o Museu de História Regional de Stara Zagora em uma publicação do Facebook.
Durante a escavação, também foram descobertos vestígios e objetos de outros períodos, como do final do século II ao século IV, dos séculos IV a V, dos séculos XVII a XVIII e do final do século XIX ao século XX.
A necrópole compreende 135 estruturas funerárias de variados tipos: covas simples contendo restos cremados; covas simples cobertas com telhas; covas simples cobertas com tijolos; covas simples cobertas com lajes de pedra e covas simples sem cobertura.

Os arqueólogos afirmaram que dois ritos funerários eram praticados na época: quatro dos sepultamentos envolviam cremação, enquanto os demais envolviam inumação, quando os restos mortais são colocados direto na terra.

A mesma caverna que presenteou a ciência com evidências de um grupo de hominídeos totalmente inédito em 2008, agora é local de descoberta de uma espécie bovina extinta até então desconhecida.
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Estocolmo investigou pequenos fragmentos de ossos desconhecidos em escavação da caverna Denisova, nas montanhas de Altai na Sibéria. Uma análise dos restos mortais não encontrou correspondência em nenhuma outra espécie, viva ou extinta; agora, o animal misterioso ganhou o nome de “Yak X”.
Para dar um nome à nova espécie e oficializar a descoberta, serão necessárias evidências além do código genético.
Segundo o pesquisador Alexandre Gilardet, a equipe não participou diretamente da exploração da caverna, mas teve acesso a “centenas” de fragmentos encontrados neste e em outros três sítios arqueológicos próximos. Ele disse à revista New Scientist que o material continha material genético de 20 indivíduos da espécie inédita, com idades entre 250 mil e 27 mil anos.
Detalhes das características destes animais ainda serão reconstruídos. Por enquanto, os paleontólogos conseguem afirmar que se trata de um parente do iaque moderno – herbívoro de pelo longo natural da Ásia, domesticado pelos humanos para montaria, leite e couro.
O bovino desconhecido teria sido contemporâneo ao mamute-lanoso, ao bisão-da-estepe e ao auroque, o ancestral selvagem extinto do gado doméstico atual.
A pesquisa foi publicada no Current Biology com destaque para a evolução da análise de DNA antigo, graças à biotecnologia. “Não é comum reconhecer, especialmente uma espécie de mamífero de grande porte, por fragmentos pequenos, não identificáveis”, disse à Reuters o geneticista Love Dalén, autor da publicação.
Em 2008, um fragmento de dedo descoberto na caverna Denisova deu o pontapé inicial da pesquisa dos Denisovanos, grupo de hominídeos precursor do Homo sapiens e parente dos Neandertais. Ainda não é possível dizer com certeza se os humanos já conviveram com esta nova espécie de iaque pré-histórico; Dalén sugere, no entanto, que os denisovanos poderiam tê-lo visto como animal de caça.
*Publicado por Juliana Santos.






No Dia do Piauí, celebrado nesta segunda-feira (19), o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibe, às 23h30, uma produção da TV Antares que revela a história e as belezas do Parque Nacional Serra da Capivara. Em meio a paredões que guardam as marcas do tempo, as pinturas rupestres resistem há milhares de anos e revelam vestígios da presença dos primeiros habitantes do continente americano.

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o parque tem cerca de 129 mil hectares, área equivalente a quase 80 mil campos de futebol, e mais de mil sítios arqueológicos catalogados. No local, ciência, natureza e cultura conduzem os visitantes a um capítulo da história marcado por pinturas rupestres, formações geológicas e sítios arqueológicos. As pinturas preservadas no parque têm idades que variam de cerca de 12 mil a 3,5 mil anos, revelando registros da presença humana ao longo do tempo.
Em sua primeira visita à Serra da Capivara, o dentista Rodrigo Camazan se encantou com os vestígios do passado.
“A gente gosta de viajar e conhecer a história dos lugares, a gente já viajou em outros lugares, outros sítios arqueológicos, e a gente sempre procura entender e compreender como isso tudo pode estar interligado lá atrás”, conta.
Muito da preservação da Serra da Capivara se deve à arqueóloga Niède Guidon, que, por mais de cinco décadas, pesquisou e protegeu esse patrimônio. Ela morreu em junho de 2025, mas deixou um legado que continua sendo preservado por pessoas como Gisele Felice, amiga e parceira de trabalho da pesquisadora.
“Eu aprendi muito sobre arqueologia com a Niède e aprendi muito sobre arqueologia com os técnicos, as pessoas da região que sempre escavaram com ela e com todos os outros pesquisadores que passaram por aqui. Niède sempre foi muito generosa em relação a repassar o conhecimento e dar oportunidades”, afirma Gisele.
O Parque Nacional Serra da Capivara abrange vários municípios, entre eles São Raimundo Nonato e Coronel José Dias. A região também oferece atrações aos visitantes, como o Museu do Homem Americano, que preserva peças encontradas em pesquisas arqueológicas, fósseis, esqueletos e réplicas de povos antigos que viveram na região. Recursos audiovisuais e projeções ampliam a experiência dos turistas.
Já em Coronel José Dias fica o Museu da Natureza, que conta com elementos interativos capazes de simular até um voo panorâmico sobre as formações rochosas do parque.
A aposentada Luciana Moreira descreve a experiência no museu.
“Eu achei fantástico, eu realmente me senti sobrevoando de asa delta e ver todos os ambientes que a gente visitou, eu me senti muito emocionada”, relata.
Além da riqueza histórica, os turistas que visitam a região podem desfrutar de um espetáculo cultural que reúne música, dança, teatro, circo e artes visuais em meio às paisagens da Caatinga.
Em sua sétima edição, a Ópera da Serra da Capivara apresentou neste ano o espetáculo Cleópatra Rainha Caatingueira, que uniu referências do Egito Antigo à paisagem sertaneja. Luzes e projeções gráficas transformam a noite e criam uma atmosfera que envolve o público em um grande palco a céu aberto.
“O corpo do Brasil está aqui na América, mas a nossa alma, nossa história, nossa cultura, ela começa pela África também”, explica a organizadora do espetáculo, Sádia Castro.
Ela lembra que as pesquisas de Niède Guidon também apontam a África como origem dos primeiros habitantes das Américas e explica que essa relação inspirou a escolha do tema do espetáculo.
“A gente tentou contar essa história por uma mulher, uma mulher grande, poderosa, que renasce, morre e renasce aqui no sertão”, completa.
Durante quatro noites, cerca de 50 artistas de vários estados brasileiros, entre músicos, cantores e bailarinos, encantaram o público na Serra da Capivara.
Entre os espectadores estava a cirurgiã-dentista Rose Braga, que nunca havia assistido a uma ópera.
“Eu estou simplesmente encantada. Enquanto eu assistia, eu falava para meu esposo que não perco mais nenhum ano. Foi um espetáculo lindo”, afirma.
Para o empresário Bernando Boljean, a combinação de músicas compostas especialmente para a ópera, cenário natural, história e efeitos visuais tornou a experiência ainda mais especial.
“Eu já fui em muitos espetáculos fora do Brasil, mas igual a esse, eu nunca fui. Isso aqui é um negócio para a gente se orgulhar, toca o coração, em todo sentido. Me emocionei várias vezes. Nunca senti tanto orgulho de ser brasileiro e de vir aqui, porque a gente tem mania de prestigiar a cultura lá de fora. Essa cultura aqui, ela tem que ser vista pelo Brasil e pelo mundo”, conclui.


