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Autarca promete “continuar a trabalhar” para Póvoa de Lanhoso ser cidade: “É só uma questão de tempo e circunstâncias políticas”

A Assembleia da República rejeitou a proposta de elevação da vila da Póvoa de Lanhoso a cidade, defendida por este município, presidido por Frederico Castro (PS), que respeita a decisão, mas não se resigna.

“A voz da população contou: Póvoa de Lanhoso mantém a categoria de vila. A Assembleia da República rejeitou, esta quarta-feira, 21 de outubro, o Projeto de Lei n.º 241/XVII/1.ª, que propunha a elevação da vila da Póvoa de Lanhoso à categoria de cidade”, refere em comunicado a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso (PSD), que sempre se opôs à pretensão da câmara.

Segundo a Junta, liderada por Paulo Silva (PSD), “esta decisão vai ao encontro da vontade expressa pela população na auscultação pública promovida pela Junta de Freguesia”, em maio deste ano, acrescentando ser “um sinal da força da participação cívica e do valor de uma Democracia que se constrói ouvindo as pessoas e respeitando a sua vontade”.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da Câmara disse respeitar a decisão do Parlamento, mas reiterou a convicção de que a Póvoa de Lanhoso passará a ter o estatuto de cidade, mais cedo ou mais tarde, sendo “apenas uma questão de tempo”.

Frederico Castro lembrou que a medida foi um objetivo assumido por si na última campanha eleitoral, acrescentando que esta decisão desfavorável da Assembleia da República, votada por PSD, CDS e Chega, “que se uniram” no voto negativo, não o faz resignar, mas antes “continuar a trabalhar” para que um dia Póvoa de Lanhoso seja cidade.

“Não tenho a mais pequena dúvida de que é só uma questão de tempo e de circunstâncias políticas. Póvoa de Lanhoso reúne todos os critérios para ser cidade. Não me vou resignar, vamos continuar a trabalhar, a debater o assunto, a esclarecer as pessoas e os partidos. Não vamos abrir mão nem abdicar desse objetivo”, sublinhou o autarca.

Em maio, a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso realizou uma consulta pública que culminou com 85% de votos contra a proposta de elevação a cidade, apresentada pela câmara.

A consulta pública teve a participação de 882 cidadãos, dos quais 752 (85,3%) votaram contra a elevação da Póvoa de Lanhoso a cidade, 129 a favor (14,6%), havendo um voto nulo/branco.

Na Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso estão recenseados cerca de 5.300 eleitores.

A área territorial proposta para a elevação à categoria de cidade correspondia “exclusivamente ao território da Freguesia da Póvoa de Lanhoso, circunstância que motivou a realização desta auscultação pública por parte da Junta de Freguesia, enquanto órgão representativo direto da população abrangida pelo processo”.

O processo de elevação da vila da Póvoa de Lanhoso a cidade, defendido pelo município, e que seguiu para a Assembleia da República por proposta dos deputados do PS eleitos pelo círculo de Braga, não foi consensual e gerou debate político e social no concelho, face às posições divergentes entre a câmara PS e a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso PSD.

No comunicado agora divulgado, a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso refere ainda que, “desde o primeiro momento, defendeu que uma decisão com impacto na identidade” local “devia contar com a voz de quem nela vive, de quem conhece a sua história e de quem ajuda, todos os dias, a construir o seu futuro”.

“A população participou, fez ouvir a sua voz e viu a sua vontade refletida nesta decisão. É assim que a democracia ganha sentido na vida de uma comunidade. A Póvoa de Lanhoso mantém-se vila, com a sua história, a sua identidade e o orgulho das suas gentes. Mantém também a ambição de crescer, de melhorar e de criar mais oportunidades para todos”, sublinha a Junta.

Em comunicado divulgado aquando da consulta pública, o PS da Póvoa de Lanhoso disse não reconhecer “a alegada ‘consulta pública’ promovida pela Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Amparo” (Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso) sobre a elevação da vila a cidade.

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Trás-os-Montes: Calor e seca quebram produção de castanha (mas qualidade é boa)

Produtores de castanha falam de uma antecipação da campanha e uma quebra de produção na zona da Padrela, no concelho de Valpaços, devido ao calor e à seca, mas garantem uma boa qualidade do fruto.

Pelos soutos da serra da Padrela espalham-se trabalhadores que, por estes dias, apanham a castanha, a principal fonte de rendimento deste território do distrito de Vila Real.

Artur Esteves, 62 anos, vive em Cabanas, aldeia da União de freguesias de Carrazedo de Montenegro e Curros, onde tem cerca de 80 hectares de castanheiros e de 8.000 árvores de onde prevê colher à volta de 50 a 60 toneladas de castanha.

“Este é um ano fraco, vai haver pouca castanha. A qualidade é boa e o calibre é muito melhor do que no ano passado. Este ano conto colher 50% a 60% do ano anterior”, afirmou à agência Lusa.

A apanha começou também uns dias mais cedo, como aconteceu com a grande parte das colheitas em 2026, desde a uva à azeitona.

“Já colhi 122 toneladas em 2019 e de lá para cá nunca mais lá cheguei. No ano passado colhi à volta de 100 e este ano prevejo lá para as 50, 60 toneladas, mas a gente está a começar a apanha”, apontou.

Esta ainda é, na sua opinião, uma atividade que rende, mas cada vez menos.

“Está tudo muito mais caro, a castanha mantém-se no mesmo preço ou ainda menos (…) A mão de obra é cara, os adubos também, está tudo caríssimo”, frisou, lembrando ainda que a árvore é sensível a doenças, como o cancro e a tinta, que tem secado muitos castanheiros, e que a vespa-das-galhas-do-castanheiro também tem prejudicado a atividade.

É um agricultor orgulhoso dos soutos e do fruto, ao qual se dedica desde a década de 80 com a ajuda da mulher e de dois filhos, a tempo inteiro. “É todos os dias nos castanheiros”, realçou.

Nos seus soutos estão a trabalhar 26 pessoas e espera o reforço de mais duas, entre familiares, residentes em aldeias vizinhas e uma equipa proveniente da Régua, prevendo que a apanha se estenda por 25 dias.

“Até agora tenho conseguido arranjar mão de obra, vamos ver no futuro”, afirmou.

A filha Alexandra Esteves, 31 anos, trabalha num hotel em Chaves e tira três semanas de férias, nesta altura, para a apanha da castanha.

“Venho ajudar os meus pais, sempre que posso venho. É um trabalho duro, mas já estamos habituados, já fazemos isto desde sempre, crescemos aqui e fomos habituados a isto”, referiu.

José Sousa, 61 anos, e Armanda Sousa, 60 anos, são de Tazém, União das Freguesias de Padrela e Tazém, e estão a fazer a apanha sozinhos.

“Este ano nem a máquina ligámos”, afirmou José Sousa, que explicou que a “produção é pouca” por causa da seca e do calor, prevendo colher “só um terço” da produção do ano passado.

A máquina é a da apanha da castanha. O produtor garantiu que a qualidade “é boa, só que é pouca”.

“Podemos fazer muito, mas se o tempo não ajudar (…) A nossa produção é muito menos”, afirmou a mulher, que explicou que os castanheiros têm ouriços, mas que há ouriços que não têm castanhas.

O calor do verão prolongou-se e choveu pouco.

“Desde 2018 para cá, a produção tem vindo sempre a mingar. A gente tem mais plantação, mas tem vindo sempre a mingar porque seca muito castanheiro com a doença da tinta, o cancro e a vespa, é tudo”, referiu Armanda Sousa.

A agricultora realçou também os custos de produção cada vez mais caros, como o combustível, os adubos, tratamentos e a mão de obra. Até agora, acrescentou, o escoamento do fruto tem estado garantido.

Começou a apanha há cerca de uma semana, 10 dias mais cedo do que no ano passado.

“A castanha era em novembro e agora já se faz metade da campanha em outubro”, sublinhou.

Junto à aldeia da Padrela, o empresário agrícola Nicolas Gonçalves, 38 anos, apanha a castanha para um produtor local.

A equipa é de cinco pessoas e vem de Murça. Aproveita o intervalo depois da vindima e antes do começo da apanha da azeitona, no seu caso a 02 de novembro, para dar uma mão à colheita da castanha.

“Este ano começou tudo mais cedo, podemos falar de vindimas, a castanha e a azeitona. A castanha no ano passado começou a 28 de outubro e, se calhar, vamos fechar ao final do mês e já não há castanha”, referiu o empreiteiro, que disse terem começado a apanha há uma semana.

Do que tem observado, antevê também uma quebra de produção de castanha e classificou a falta de mão de obra como um grande problema em Portugal.

“Não há, as pessoas não querem trabalhar (…) Na área da agricultura não falta trabalho”, frisou.

A Câmara de Valpaços alertou para a presença da vespa asiática (vespa velutina) e recomendou a cuidados redobrados durante a apanha da castanha e da azeitona.

Para segurança dos trabalhadores, aconselhou a que se verifiquem as árvores e a vegetação antes de iniciar a atividade, a um especial cuidado durante a varejadura, a poda e a utilização de máquinas agrícolas e ao contacto com as entidades competentes.

É na serra da Padrela que se situa a maior mancha de castanha judia da Europa e são 18 as localidades do concelho que fazem parte da DOP “Castanha da Padrela”.

A Feira da Castanha Judia – Castmonte 2026 realiza-se de 06 a 08 de novembro.

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Feira com mais de 500 anos está de volta a Vila Verde

As centenárias Feiras Novas da Vila de Pico de Regalados, em Vila Verde, estão de volta entre sexta-feira e domingo.

O Largo da Feira volta a ser ponto de encontro para três dias de “celebração das tradições, dos costumes e da identidade local”.

Com mais de 500 anos de história, o certame teve na sua génese a feira franca e as trocas de gado. Segundo a autarquia, séculos depois, “mantém viva essa essência, preservando atividades tradicionais que continuam a marcar a identidade da comunidade, a par de um programa diversificado que atrai anualmente milhares de visitantes à freguesia”.

O programa arranca na sexta-feira, às 21:00, com a abertura oficial e a atuação dos Rusgas.

Feira com mais de 500 anos está de volta a Vila Verde
Imagem: DR

No sábado, a tradição assume especial destaque com a Feira Franca, o Concurso de Gado e a Corrida de Cavalos, manifestações que evocam a forte ligação do território à atividade agrícola e pecuária. À noite, a animação prossegue com um espetáculo equestre, cantares ao desafio e música popular portuguesa, com Daniel Sousa e Valter S. Martinho.

No domingo, a programação começa com um passeio de BTT pelas Terras de Regalados, seguindo-se a Missa das Colheitas. Durante a tarde, o Festival Folclórico reúne o Rancho Infantil e Juvenil de Pico de Regalados e o Rancho das Tradições, num momento dedicado à música, à dança e à preservação da cultura popular.

Integradas na programação “Na Rota das Colheitas 2026”, promovida pelo Município de Vila Verde, as Feiras Novas são organizadas pela ACRDSS Pico de Regalados, em colaboração com a União das Freguesias de Pico de Regalados, Gondiães e Mós.

A iniciativa reforça a “valorização das tradições, dos produtos e dos saberes locais, contribuindo para manter viva a memória coletiva e para dinamizar o território através de uma programação que cruza património, ruralidade, cultura popular e convívio entre gerações”.

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Câmara de Braga vandalizada com pichagem: “Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça”

O edifício da Câmara Municipal de Braga ‘acordou’, esta quinta-feira, com uma pichagem na sua fachada com uma frase alusiva à luta pelo direito à habitação: “Sem casas não há futuro”.

O autarca João Rodrigues partilhou uma fotografia do vandalismo para condenar o ato: “Concordo com a frase, mas condeno em absoluto a forma escolhida para a escrever”.

“Conheço bem a dimensão do problema da habitação, compreendo a indignação de quem não consegue pagar uma casa e sei quanto trabalho temos pela frente. Mas isso não pode servir de desculpa para tudo”, refere.

Contudo, o presidente da Câmara alerta para a escalada no tom dos protestos. “Já se ouvem apelos descarados a que se reproduzam em Portugal os confrontos e os episódios de violência que temos visto em França. Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça. E preocupa-me o silêncio de quem receia condená-los, não vá parecer que está contra o direito à habitação”, lê-se numa publicação nas redes sociais.

E acrescenta: “Os moderados (a esmagadora maioria das pessoas) não têm de pedir desculpa pelo facto de o serem, nem de apresentar provas de sensibilidade social para defender princípios elementares. A moderação não é tibieza nem falta de coragem. Muito pelo contrário. E pintar uma parede não é o mesmo que ameaçar ou agredir. Mas não precisamos de esperar pelo pior para dizer onde estão os limites”.

Como O MINHO tem noticiado, para além de Porto e Lisboa, Braga também tem sido palco de protestos em defesa da habitação e por melhores condições de vida. No próximo sábado, realiza-se nova assembleia popular, na Praça da República, a partir das 15:00.

Além desta proposta, as cerca de duas centenas de pessoas presentes na Praça da República votaram, em assembleia popular, ontem, também favoravelmente a realização de uma acampada em Braga, mas sem definirem uma data, a promoção de uma sessão pública sobre a nova lei das rendas, o contacto com moradores locais e o apoio a uma greve geral ibérica.

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Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês

A WWF Portugal já realizou intervenções em cerca de 46 hectares (ha) de floresta e habitats afetados por incêndios no Parque Nacional da Peneda-Gerês, através do programa “D-Evolução”, foi hoje divulgado.

Através da gestão seletiva de vegetação e do apoio à regeneração natural, já foram plantadas mais de 1.700 árvores e arbustos autóctones, como carvalhos-alvarinhos (Quercus robur), bétulas (Betula celtibérica), azevinhos (Ilex aquifolium) e pinheiros-silvestres (Pinus sylvestris).

Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês
Foto: WWF Portugal

De acordo com a ONG, esta recuperação em mosaico florestal devolve “zonas vitais de abrigo e alimentação” ao corço e “fortalece a estabilidade” do habitat do emblemático lobo-ibérico (Canis lupus signatus). 

Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês
Foto: WWF Portugal

Já a sul, na Serra do Caldeirão, o restauro, que irá iniciar-se nas próximas semanas, foca-se na paisagem mediterrânica e na recuperação de linhas de água e montados em 46,7 ha, dos quais 19 ha já têm financiamento garantido. Os trabalhos incluem a erradicação de canaviais e acácias, a sementeira direta de 10 hectares de pastagens biodiversas e a plantação de mais de 3.100 árvores e arbustos nativos, com grande destaque para o medronheiro (Arbutus unedo) e o sobreiro (Quercus suber). Estas ações previnem a degradação dos solos e reduzem o risco de incêndio, reforçando as condições de habitat para espécies como o lince-ibérico (Lynx pardinus) e a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata).

A intervenção pioneira que está em curso nas águas do Estuário do Tejo, na Trafaria, focada na proteção das populações locais de cavalos-marinhos, está a ser desenvolvida pela WWF Portugal em colaboração com o parceiro técnico-científico MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, e com o envolvimento da comunidade e entidades locais. Partindo da observação científica que os cavalos-marinhos utilizavam estes resíduos depositados no rio como pontos de fixação e abrigo, devido à escassez de habitats naturais, foram instalados nove abrigos subaquáticos desenvolvidos a partir do reaproveitamento de carrinhos de compras em fim de vida, aos quais se retiraram todos os plásticos e componentes potencialmente perigosos. Estima-se que as atividades em curso tenham impacto numa área de cerca de 16 ha. O objetivo é que estas estruturas possam vir a oferecer refúgio imediato às duas espécies residentes – o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) e o cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus) – enquanto se consolida um esforço conjunto e de longo prazo entre entidades públicas, comunidade científica, empresas e sociedade civil para a recuperação plena do seu ecossistema.  

“Há um ano, lançámos esta iniciativa sabendo que restaurar a natureza é uma das decisões mais inteligentes que podemos tomar enquanto sociedade. Dados da Comissão Europeia demonstram que cada euro investido na recuperação da natureza gera um retorno estimado entre oito e 38 euros, sublinhando que a estabilidade dos serviços de ecossistema é crucial para reduzir despesas futuras e garantir a sustentabilidade de setores estratégicos. Não estamos a falar apenas de proteger espécies ou recuperar habitats. Estamos a falar de devolver equilíbrio aos sistemas que nos garantem água, alimentos, segurança, saúde e qualidade de vida”, afirma Ângela Morgado, diretora-executiva da WWF Portugal.

“Ao longo destes 12 meses, o D-Evolução juntou proprietários que disponibilizaram terrenos para o restauro, autarquias, entidades gestoras do território, parceiros científicos, cidadãos, empresas, organizações e comunidades locais que decidiram fazer parte da solução. Esta é a prova de que existe uma vontade real de devolver natureza a Portugal”, reforça Ângela Morgado. 

Este arranque foi possível graças à rápida mobilização de parceiros, empresas e cidadãos, que em apenas um ano asseguraram perto de 482 mil euros para o arranque das intervenções.

Sendo a “D-Evolução” uma iniciativa estruturante com um horizonte temporal até 2030, a WWF Portugal encara os cerca de 1,25 milhões de euros necessários para completar este plano como uma “oportunidade extraordinária de investimento contínuo no capital natural do país”. A organização apela ao alargamento desta rede de apoio para levar a recuperação ecológica “ainda mais longe”. 

“Conseguir mobilizar quase meio milhão de euros no primeiro ano demonstra a força deste movimento, mas o seu verdadeiro valor vai muito além do financiamento. Este é apenas o início de um caminho que se estende até 2030. Para devolvermos à natureza o que foi perdido à escala de que o país necessita, precisamos de mobilizar mais investimento, mais parceiros e mais cidadãos. E precisamos, sobretudo, de fazer do restauro da natureza uma prioridade nacional. A WWF Portugal, juntamente com muitos outros parceiros, está a ajudar a demonstrar o que é possível fazer e a acelerar a implementação de soluções no terreno. Mas a responsabilidade de liderar esta transformação cabe ao Estado, através de um Plano Nacional de Restauro ambicioso e com o investimento adequado para recuperar os ecossistemas de que dependem as pessoas e a economia”, conclui Ângela Morgado.

As empresas e cidadãos interessados em apoiar o financiamento das intervenções no Parque Nacional da Peneda-Gerês, Serra do Caldeirão e Estuário do Tejo podem conhecer em detalhe o trabalho em curso e fazer a sua contribuição (aqui).

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Este monumento nacional em Trás-os-Montes vai entrar em obras para ser atração turística

O Castelo e Vila Amuralhada de Carrazeda de Ansiães vão ser intervencionados, para melhorias de acessibilidade, restauro, atração turística e inovação digital, adiantou, hoje, o presidente do município.

João Gonçalves explicou, à Lusa, que vão ser feitas intervenções nas estruturas arqueológicas da Vila Amuralhada de Ansiães e será melhorada a acessibilidade ao Castelo. Vai ainda ser intervencionada a igreja São Salvador, que está dentro das muralhas, com o intuito de preservação do edifício, e será também melhorada a acessibilidade à igreja São João Batista, já fora das muralhas.

“Vai permitir, com certeza, aumentar o número de visitantes, mas, mais do que isso, também vai-nos permitir que pessoas que (…) neste momento têm dificuldade ou estão mesmo impedidas de lá ir, que possam fazê-lo e isso também, para nós tem um grande valor, tornarmos possível a acessibilidade a qualquer pessoa”, sublinhou.

As obras tiveram o aval do Instituto do Património Cultural, uma vez que o Castelo e a Vila Amuralhada é um monumento nacional.

O autarca João Gonçalves avançou também, à Lusa, que espera lançar a empreitada ainda este ano e que durante o tempo em que as obras decorrerem serão encontradas alternativas para tornar acessível a visitação dos espaços.

O objetivo é “afirmar o Castelo e Vila Amuralhada de Ansiães como um destino de referência para o turismo cultural e patrimonial”, promovendo a sua integração na rota “Castelos e Fortalezas a Norte”.

Além das empreitadas, o município revelou ainda que o local passará a ter recursos digitais, como um “reconstituição virtual em 3D, visitas virtuais a 360 graus, uma maquete tátil e conteúdos acessíveis em Língua Gestual Portuguesa, audioguias e recursos de audiodescrição”.

O projeto de valorização e conservação do Castelo e Vila Amuralhada de Ansiães tem o custo de cerca de 600 mil euros, 55% financiados por Fundos Europeus.

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Professora da UMinho é a primeira portuguesa a presidir a prestigiada sociedade científica internacional

A professora Rosa Vasconcelos, provedora do Estudante da Universidade do Minho, será a primeira portuguesa a presidir à IEEE Education Society, uma das principais sociedades científicas internacionais nas áreas da educação em engenharia e tecnologia, foi hoje divulgado.

A docente pertence à direção (‘board’) desta entidade desde 2015, foi vice-presidente a partir de 2022 e agora torna-se ‘president-elect’ para o biénio 2027-2028, assumindo em 2029-2030 a liderança de uma comunidade global de académicos, investigadores e profissionais dedicados à excelência neste âmbito.

“Assumo o novo desafio com enorme honra e uma responsabilidade acrescida, esperando contribuir para uma sociedade mais inclusiva, próxima e participativa, e para se desenvolverem soluções inovadoras face aos desafios atuais da educação e formação em engenharia e tecnologia”, diz Rosa Vasconcelos, que irá suceder no cargo a Diane Rover (Iowa State University, EUA), citada em comunicado enviado pela UMinho.

De acordo com a mesma instituição, a sua eleição valoriza as “quatro décadas que tem dedicado a áreas como educação em engenharia, qualidade, inovação pedagógica, ética, integridade académica, defesa dos direitos dos estudantes, responsabilidade social e cooperação internacional”.

Por outro lado, esta distinção é também um reconhecimento a nível global da qualidade do ensino superior e da investigação desenvolvida em Portugal, acrescenta a responsável.

Rosa Vasconcelos será a quarta mulher e a quarta pessoa europeia a presidir à IEEE Education Society, num universo de 39 presidentes ao longo de sete décadas de história. Esta sociedade faz parte do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), o maior organismo profissional mundial dedicado ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade.

Rosa Maria de Castro Fernandes Vasconcelos fez a licenciatura e o doutoramento em Engenharia Têxtil pela UMinho, onde leciona desde 1984. Nesta academia, é provedora do estudante, professora associada do Departamento de Engenharia Têxtil e investigadora do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil, tendo já presidido o Conselho de Cursos de Engenharia e o Conselho Pedagógico da Escola de Engenharia. Além disso, presidiu a Rede Portuguesa de Provedores do Estudante até setembro de 2026 e é coordenadora da Rede Ibero-Americana de Defensorias Universitárias, que reúne 83 instituições de 11 países.

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Hoje há Braga-Gent com estreia de Franclim Carvalho

O SC Braga recebe hoje o Gent, pelas 20:00, na segunda jornada da fase de liga da Liga Conferência de futebol, no jogo de estreia do treinador Franclim Carvalho e em que procura amealhar os primeiros pontos.

O novo treinador sucedeu ao espanhol Carlos Vicens após a derrota caseira na segunda-feira com o Gil Vicente (2-1), em jogo em atraso da segunda jornada da Liga portuguesa, que manteve os ‘arsenalistas’ na oitava posição, com 11 pontos, a 13 do líder FC Porto.

Após a derrota fora frente ao Copenhaga, por 3-0, o SC Braga procura somar os primeiros pontos na prova frente ao líder do campeonato belga, que na ronda inaugural da Liga Conferência venceu em casa por 1-0 o Aarhus, da Dinamarca.

O Gent segue na 13.ª posição da tabela classificativa da terceira prova da UEFA, integrando o grupo dos clubes com três pontos, enquanto o SC Braga ocupa o 35.º e penúltimo lugar, entre os 14 emblemas que não pontuaram na primeira ronda.

Os oito primeiros classificados da fase de liga apuram-se diretamente para os oitavos de final, enquanto as equipas classificadas entre os nono e 24.º postos vão disputar um play-off de acesso à próxima fase, com as restantes a serem eliminadas.

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Livro conta 260 anos de história dos Sapadores de Braga

A Câmara de Braga apresentou, esta quarta-feira, o livro dedicado aos 260 anos de história do Batalhão Sapadores Bombeiros de Braga.

Em comunicado, a autarquia refere que a obra “Mais de dois séculos de vida e coragem” recupera episódios, documentos e testemunhos que marcaram a evolução da instituição desde as suas origens até à atualidade.

Da autoria de António Maranhão Peixoto e Ricardo Fernandes, o livro reúne momentos fundamentais do percurso dos Bombeiros Sapadores, dando a conhecer os protagonistas que, ao longo de várias gerações, “assumiram a missão de proteger a população e acompanharam a transformação do concelho”.

Livro conta 260 anos de história dos Sapadores de Braga
Foto: CM Braga

Na sessão, o vice-presidente da Câmara de Braga, Altino Bessa, destacou a importância desta publicação para a preservação da memória coletiva e para o reconhecimento do contributo dos bombeiros ao longo dos séculos.

Sublinhou ainda o trabalho de investigação desenvolvido pelo comandante Nuno Osório e pelos autores, bem como o estudo coordenado por Francisco Mendes, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, que fundamentou a revisão da data de fundação histórica do corpo de bombeiros para 22 de maio de 1766.

Esta data coloca os Bombeiros Sapadores de Braga entre os primeiros corpos de bombeiros criados em Portugal, assinalando este ano 260 anos de história.

Na mesma nota enviada à imprensa, Altino Bessa salientou ainda a importância de honrar o passado e preparar o futuro, destacando o reforço dos efetivos, o investimento superior a três milhões de euros em equipamentos, viaturas e formação, e a crescente capacidade de resposta dos Bombeiros Sapadores perante novos desafios de proteção e socorro.

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Habitação: Braga vota e decide realizar nova assembleia popular no sábado

A assembleia popular que decorreu hoje à noite em Braga em defesa da habitação e por melhores condições de vida votou e decidiu realizar nova assembleia popular no centro da cidade no sábado, a partir das 15:00.

Além desta proposta, as cerca de duas centenas de pessoas presentes na Praça da República, votaram também favoravelmente a realização de uma acampada em Braga, mas sem definirem uma data, a promoção de uma sessão pública sobre a nova lei das rendas, o contacto com moradores locais e o apoio a uma greve geral ibérica.

Quanto à assembleia popular agendada para sábado, prevista realizar-se entre as 15:00 e as 00:00, os promotores pretendem que tenha momentos musicais, culturais, além de comida.

A assembleia popular de hoje, que decorreu sob o olhar de vários agentes da PSP, começou pelas 19:00 e terminou cerca das 20:15, com os presentes a cantarem o tema Grândola Vila Morena, símbolo do 25 de Abril.

Durante mais de uma hora, várias pessoas intervieram para falarem sobre diversos assuntos, nomeadamente para censurar a “ação de repressão” da PSP nas acampadas do Porto e de Lisboa, e a nova lei do arrendamento, que os manifestantes pediram que seja eliminada.

Pelo meio, foram ouvidos cânticos e palavras de ordem contra o Governo e o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O ambiente esteve sempre calmo e, após cada intervenção, os presentes batiam palmas ou gritavam frases como “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e “o povo unido jamais será vencido”.

No chão, em frente à concentração, estiveram sempre colocados dois panos com as inscrições “não dá mais para viver assim” e “egoísmo é negar um teto, exigir um é um direito”.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

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Homem morre atacado por vespas velutinas durante limpeza de terreno na Galiza

Um homem de 56 anos morreu, esta quarta-feira, após ter sido picado por vespas numa zona florestal no concelho de Larouco, província de Ourense, na Galiza.

De acordo com o jornal local La Región, o trabalhador estaria a realizar limpeza de mato quando foi surpreendido por um ninho destes insetos, que entraram para a sua máscara de proteção. Foi bastante picado na cara e garganta.

A vítima, natural de O Porriño e a residir em Manzaneda, estava integrada num programa de formação profissional para desempregados.

Foram os colegas a dar o alerta para as autoridades, mas o óbito acabou por ser declarado no local.

O jornal El País acrescenta que o homem foi atacado por vespas velutinas.

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De Viana do Castelo até à Turquia. David já pedalou 2.500 km e está em Itália

David Mendes, presidente da associação Viana Ciclável, já pedalou 2.500 quilómetros na sua viagem entre a ‘capital’ do Alto Minho e Antália, na Turquia, onde vai participar na 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, a COP31.

O ciclista está a cerca de metade do percurso que iniciou em 05 de outubro e, até agora, atravessou quatro países: Portugal, Espanha, França e agora Itália.

De bicicleta, sem apoio motorizado e sem equipa de suporte, para trás já ficaram o Gerês, os Pirinéus e os Alpes, segundo destaca a associação, em comunicado enviado hoje às redações.

De Viana do Castelo até à Turquia. David já pedalou 2.500 km e está em Itália
David Mendes no Col de l’Échelle, nos Alpes franceses, no trajeto em direção a Itália. Foto: Viana Ciclável

 “Encontrei-me com ciclistas locais e foi muito positivo trocar experiências e pedalar com eles”, conta.

Após atravessar todo o sul de França constatou que “quase todas as cidades de França têm uma rede de ciclovias bem desenvolvida”.

“E isso observa-se no uso que as pessoas dão à bicicleta, é muito normal todo o tipo de pessoas usarem a bicicleta incluindo idosos, crianças, transporte de crianças, etc. Ou seja, a bicicleta é um meio de transporte natural para o dia a dia e é aí que nós queremos chegar em Portugal”, acrescenta.

A expedição homenageia ainda as vítimas de violência rodoviária contra ciclistas – entre elas Fátima Linhares, morta aos 38 anos em Barcelos, Finlay Tarley, de 19 anos, morto em Ponte de Lima, Rafael Rijo, de 33, e Pedro Sobral, de 51 anos – cujas memórias, nas palavras da Viana Ciclável, “não podem continuar a ser apenas um registo estatístico de sinistralidade rodoviária”.

David Mendes partiu em representação da Viana Ciclável, em parceria com a COP Bike Ride (uma estafeta ciclística que deverá mobilizar cerca de 10 mil participantes), a International Degrowth Network, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta e a Câmara Municipal de Viana do Castelo. A viagem representa 4.700 quilómetros, 37 mil metros de desnível acumulado, 11 países e duas travessias de ferry.

Esta iniciativa baseia-se nos princípios da COP Bike Ride e pretende demonstrar, de forma prática e simbólica, que a mobilidade eficiente e de baixo impacto ambiental é possível se repensarmos os sistemas de transporte.

O ciclista leva consigo uma carta de compromisso da Câmara de Viana do Castelo para alavancar o ciclismo na proteção do clima.

Em comunicado divulgado no dia da partida, a Câmara de Viana do Castelo referiu que “está profundamente comprometida em alavancar o ciclismo como uma ferramenta estratégica na proteção do clima e na melhoria contínua da qualidade de vida de todos os munícipes e cidadãos da nossa região”.

Carta de compromisso do Município de Viana do Castelo

  1. Rede Ciclável Estrutural (Meta 2030)
    – Concluir uma rede estrutural básica de ciclovias até 2030;
    – Priorizar a conectividade intermunicipal e multimodal para deslocações diárias;
    – Se a base já estiver estabelecida, torne-a ambiciosa!
  2. Acalmia e Redução do Tráfego Automóvel
    – Reduzir o tráfego de automóveis, limitando a velocidade e o volume.
  3. Planos Estratégicos Dedicados
    – Elaborar planos específicos até 2030, abrangendo todas as alavancas possíveis para o desenvolvimento da utilização de bicicletas;
    – Garantir financiamento adequado e dedicado;
    – Desenvolver revisões de implementação que incluam as associações e coletivos de utilizadores de bicicletas.
  4. Zonas Exclusivas Pedonais e Cicláveis
    – Aumentar significativamente as áreas exclusivas para bicicletas e caminhadas até 2030;
    – Focar a implementação perto de escolas, centros de transporte público, comércio local e áreas verdes.
  5. Estacionamento e Armazenamento Alargado
    – Generalizar a capacidade adequada de armazenamento de bicicletas até 2030;
    – Cobrir centros de transporte, áreas comerciais, escolas, escritórios e residências;
    – Incluir obrigatoriamente espaço para bicicletas de carga.
  6. Eventos de Massa e Infraestrutura Comunitária
    – Desenvolver um horário e um local para o ciclismo e a utilização de bicicletas;
    – Criar um evento anual de ciclismo e/ou utilização de bicicletas em massa, para todas as idades, promovendo a participação de um público amplo;
    – Implementar uma “casa da bicicleta” para consertar, treinar, reunir e hospedar.
  7. Capacitação, Treino e Literacia Financeira
    – Treinar e informar: capacitar, especialmente menores de 12 anos e mulheres, para uma utilização de bicicletas mais eficiente e empoderadora;
    – Promover os benefícios financeiros do meio de transporte.
  8. Estímulo ao Setor Económico do Ciclismo
    – Desenvolver o setor económico associado (serviços, manufatura, leasing, partilha…);
    – Implementar esta expansão por meio de incentivos e subsídios fiscais específicos.
  9. Logística Urbana e Entregas de “Última Milha”
    – Desenvolver a logística de bicicletas de carga para entregas na “última milha”;
    – Nota de fundamentação: Um estudo recente mostra que 42% das entregas em vans utilitárias poderiam ser feitas com bicicletas de carga.
  10. Indicadores e Monitorização Regular
    – Implementar e divulgar regularmente indicadores para medir e monitorizar o progresso;
    – Avaliar métricas de satisfação, acidentes, tamanho da rede dedicada e integração intermodal.

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Braga: Duas centenas em assembleia popular para ouvir preocupações e discutir soluções para crise na habitação

A assembleia popular que decorre em Braga em defesa da habitação e por melhores condições de vida junta hoje cerca de duas centenas de pessoas, para ouvir preocupações, discutir soluções, reivindicar, apresentar e votar propostas de ação.

Desde as 19:00, hora a que arrancou a assembleia popular, na Praça da República, no centro da cidade, já discursaram mais de uma dezena de presentes, que abordaram vários temas, nomeadamente a “ação terrível de repressão” da PSP nas acampadas do Porto e de Lisboa, e a nova lei do arrendamento, que os manifestantes pedem que seja eliminada.

O ambiente tem estado calmo, e após cada intervenção, os presentes batem palmas ou gritam frases como “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e “o povo unido jamais será vencido”, perante o olhar de alguns elementos da PSP.

No chão, em frente à concentração, estão colocados dois panos com as inscrições “não dá mais para viver assim” e “egoísmo é negar um teto, exigir um é um direito”.

Braga: Duas centenas em assembleia popular para ouvir preocupações e discutir soluções para crise na habitação
Foto cedida a O MINHO

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

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Trás-os-Montes: Bombeiros com formação especializada para socorrer pessoas com autismo

Os bombeiros de Izeda, no concelho de Bragança, receberam formação para saber como comunicar e intervir quando têm de socorrer uma pessoa com autismo, estando dotados de recursos e materiais especializados.

A corporação faz agora parte do projeto “KIT VIA AZUL”, que consiste na disponibilização de uma aplicação móvel que “permitirá aos socorristas conhecer o perfil sensorial e as necessidades específicas” da vítima com Perturbação do Espetro do Autismo, uma “plataforma WEB com histórias sociais, pictogramas, vídeos que demonstram os procedimentos pré-hospitalares de forma a dar previsibilidade”, guia de boas práticas, formação especializada e ainda “sistemas de comunicação aumentativa, objetos de regulação sensorial”.

“Este projeto tem como objetivo dotar os corpos de bombeiros de recursos, materiais e formação especializada que facilitem a comunicação, a compreensão das necessidades sensoriais e comportamentais e a intervenção adequada em situações de emergência pré-hospitalar, contribuindo para a redução da ansiedade, do risco e do sofrimento das pessoas autistas e das suas famílias”, lê-se num comunicado enviado à Lusa.

O projeto conta com o apoio da Câmara Municipal de Bragança, do INEM e do Centro Hospitalar Alto Douro e Trás-os-Montes.

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Parquímetros de Esposende entram em funcionamento na segunda-feira

Os parquímetros de Esposende vão entrar em funcionamento na segunda-feira, com 140 lugares, foi hoje anunciado pela autarquia.

Em comunicado, a Câmara refere que o novo sistema tem como objetivo “facilitar o estacionamento junto ao comércio e aos serviços e permitir que mais pessoas possam utilizar os lugares mais centrais da cidade”.

A tarifa fixa-se em 75 cêntimos por hora, com permanência máxima de duas horas. Nos dias úteis, o pagamento estará em vigor das 09:00 às 18:00, e aos sábados, das 09:00 às 13:00.

O sistema abrange três zonas do centro da cidade e continuarão gratuitos mais de 1.100 lugares de estacionamento.

A medida pretende “promover a rotatividade, facilitar o acesso às lojas, à restauração e aos serviços e contribuir para um centro urbano mais dinâmico e acessível”, segundo a autarquia.

Esta é uma intervenção enquadrada numa candidatura aprovada em 2024, financiada pelo PRR, na aquisição dos equipamentos.

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Comarca de Braga avança com “projeto pioneiro” para uso de cães nos tribunais

A Comarca de Braga celebrou um “protocolo pioneiro” com uma associação animal, “dando início a um projeto inovador em Portugal” para a utilização de cães de apoio junto de menores e de outros intervenientes vulneráveis em ambiente judicial.

Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a Comarca de Braga diz ter celebrado, na segunda-feira, um protocolo de utilização de cães com a Associação Santuário Animal Vida Boa – Proteção e Preservação dos Animais e Natureza para, em regime experimental, utilizar cães de apoio em contexto judicial.

Comarca de Braga avança com “projeto pioneiro” para uso de cães nos tribunais
Foto: Tribunal Judicial da Comarca de Braga

“A iniciativa tem como objetivo promover o bem-estar emocional das crianças que participam nas audiências judiciais ou enquanto aguardam nas salas de espera, contribuindo para a redução dos seus níveis de ansiedade, bem como para uma maior capacidade de concentração e comunicação”, explica a Comarca de Braga.

Citada no comunicado, a presidente do Tribunal Judicial da Comarca de Braga destaca “o caráter inovador da iniciativa no país e a sua importância na promoção de uma justiça mais humanizada”.

Filipa Afonso Aguiar manifesta “confiança no sucesso do projeto e nos benefícios que o mesmo proporcionará a todos os intervenientes processuais, em especial às crianças”.

O comunicado refere ainda que a utilização de cães de apoio em contexto judicial tem vindo a ser adotada em países como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e em alguns países europeus, “existindo evidência científica dos seus benefícios”.

“Em Portugal, existem experiências bem-sucedidas na utilização de cães em ambiente hospitalar e prisional, destacando-se o trabalho desenvolvido pela associação Cães pelas Pessoas, com experiência na área dos Serviços Assistidos com Animais, bem como pelo Santuário Animal Vida Boa, que desenvolve igualmente projetos neste âmbito, nomeadamente junto de populações em situação de vulnerabilidade”, indica a Comarca de Braga.

A nota acrescenta que ambas as associações “desenvolvem projetos em parceria, mantendo uma colaboração que permite articular experiências, conhecimentos e competências complementares, o que constitui uma mais-valia para a implementação e boa execução do protocolo, contribuindo para a qualidade, segurança e eficácia dos serviços previstos”.

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Viana do Castelo vai criar Prémio Iúri Leitão para apoiar jovens atletas

A Câmara de Viana do Castelo vai criar o Prémio Iúri Leitão, para apoiar jovens atletas para a alta competição, foi hoje anunciado.

O anúncio foi feito durante a receção do presidente da Câmara, Luís Nobre, ao atleta que acaba de se sagrar Campeão do Mundo de Omnium pela segunda vez.

O atleta natural de Santa Marta de Portuzelo, que já tem um “palmarés assinalável” no ciclismo, conquistou do título de Campeão do Mundo de Omnium, pela segunda vez, nos Campeonatos do Mundo de Ciclismo de Pista de 2026, realizados em Xangai, na China. 

Em comunicado, a autarquia refere que o ciclista se mostrou visivelmente satisfeito com esta conquista e destacou a importância deste resultado, reafirmando a sua ambição de continuar a trabalhar com foco e determinação, tendo como objetivo participar em mais dois Jogos Olímpicos.

Já o autarca Luís Nobre felicitou o atleta pelo feito alcançado, enaltecendo a sua segurança, confiança e determinação, qualidades que considera um exemplo inspirador para os jovens, bem como o percurso de excelência e os inúmeros títulos conquistados ao longo da sua carreira. 

Na sua intervenção, Luís Nobre anunciou que vai ser apresentado o “Prémio Iuri Leitão” para distinguir e permitir o apoio a jovens atletas promissores para a alta competição. 

Os princípios de atribuição deste prémio serão definidos no próximo Conselho Municipal de Desporto, que decorre na próxima segunda-feira.

De lembrar que, em 2026, o ciclista vianense se sagrou também Campeão da Europa de Omnium, nos Campeonatos que decorreram em Konya, na Turquia, garantindo o primeiro título europeu da história da Seleção Nacional em disciplinas olímpicas de pista na categoria de elites. 

O palmarés do atleta integra também vitórias de grande importância, desde logo a de Campeão Olímpico. O atleta de Santa Marta de Portuzelo arrecadou também já duas dezenas de medalhas na carreira, entre Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus, num “percurso único” no desporto nacional, segundo a autarquia.

Tricampeão europeu de scratch, olímpico de madison e mundial de omnium, Iúri Leitão começou a carreira aos 6 anos de idade na Tensai – Santa Marta. Em 2009, conquistou a sua primeira vitória no escalão infantis numa corrida em Porriño, Espanha, levando as cores da equipa de Santa Marta ao mais alto lugar do pódio.  

“Iúri Gabriel Dantas Leitão, Cidadão de Honra de Viana do Castelo, fez novamente história na modalidade e, quer pelo seu percurso, quer pela mais recente conquista, a Câmara Municipal aprova um voto de louvor, a endereçar ao atleta e também à Federação Portuguesa de Ciclismo”, conclui a Câmara.

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Carlos Vicens recorda Braga “com gratidão” e destaca “futebol reconhecível, com identidade própria”

O treinador Carlos Vicens disse hoje recordar “com gratidão” o percurso no SC Braga, cujo comando técnico deixou na terça-feira, destacando o “futebol reconhecível e com identidade própria” patenteado na época passada.

“Há etapas na vida que merecerão sempre ser recordadas com gratidão e a minha passagem pelo SC Braga é uma delas. Levo a satisfação de ter dado tudo e o privilégio de ter formado parte de algo tão especial”, escreveu nas suas redes sociais.

O treinador espanhol de 43 anos, que chegou a Braga na época passada, foi demitido na terça-feira após a derrota, a terceira seguida, com o Gil Vicente, em casa (2-1), na véspera, em jogo em atraso da segunda jornada da I Liga.

Vicens recordou o “início complicado” na época passada, mas frisou a reação que a equipa teve então.

“Soubemos reagir e terminar em quarto lugar na I Liga, alcançar a final da Taça da Liga e disputar umas meias-finais europeias [da Liga Europa], levando o nome do SC Braga com orgulho por todo o continente com um futebol reconhecível e com identidade própria”, disse.

Lembrou ainda as “noites como as de Leiria frente ao Benfica [na meia-final da Taça da Liga, vitória por 3-1], de Sevilha frente ao Betis [vitória por 4-2 na segunda mão dos quartos-de-final da Liga Europa] ou a de Braga frente ao Friburgo [vitória por 2-1 na primeira mão das ‘meias’]: estarão sempre na minha memória”.

O antigo adjunto de Pep Guardiola nos ingleses do Manchester City deixou uma “menção especial aos jogadores: um grupo humano extraordinário, de grande coração”, agradecendo ainda ao presidente, António Salvador, e à direção, bem como a todos os profissionais dos diferentes departamentos.

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Manifestação anti-Vox na Galiza acaba com carga policial e vários feridos

Uma manifestação hoje na Corunha, Galiza, norte de Espanha, contra o partido de extrema-direita Vox acabou com cargas policiais e distúrbios, com várias pessoas feridas e pelo menos um detido, segundo os jornalistas que estavam no local.

Os distúrbios e as cargas policiais ocorreram no final de uma iniciativa do presidente do Vox, Santiago Abascal, dentro da pré-campanha para as eleições legislativas espanholas de 29 de novembro, na praça María Pita, no centro da Corunha.

Salvaje represión policial contra los estudiantes antifascistas que protestábamos contra los discursos de odio de la extrema derecha.

Los fachas con porra y placa protegiendo a los fascistas de Vox y golpeando a jóvenes un día más. Vergonzoso. pic.twitter.com/xiXHvKbPKZ

— Sindicato de Estudiantes (@SindicaEstudian) October 21, 2026

Segundo os meios de comunicação social espanhóis, a iniciativa mobilizou cerca de 300 apoiantes do Vox, que ouviram uma declaração de Abascal, mas também cerca de mil pessoas que foram até à mesma praça para se manifestar contra o partido com gritos como “a Galiza será o túmulo do fascismo”.

A praça foi dividida desde o início da manhã por uma barreira policial formada por elementos das forças de segurança e 12 furgonetas, que impediram que os dois grupos se aproximassem.

Foi no final da intervenção de Abascal que começaram os distúrbios que acabaram com cargas policiais sobre o grupo que se manifestava contra o Vox, depois do lançamento de objetos, como cadeiras, em direção à barreira da polícia.

Os meios de comunicação social no local relatam que pelo menos uma pessoa foi detida e que vários manifestantes ficaram feridos, assim como uma jornalista que foi levada para um hospital.

Não há, até agora, um balanço ou informações por parte das autoridades.

🇪🇸 ¡Gran recibimiento a @Santi_ABASCAL en la Plaza de María Pita!

Cientos de patriotas se han reunido esta mañana en el corazón de La Coruña para escuchar a nuestro presidente.

¡GRACIAS, GALICIA!
¡GRACIAS, ESPAÑA! pic.twitter.com/DuPqJw4nOf

— VOX 🇪🇸 (@vox_es) October 21, 2026

A concentração anti-Vox foi convocada por várias associações, sobretudo de estudantes, assim como juventudes partidárias de formações de esquerda.

O presidente do Vox disse, ainda antes dos distúrbios e das cargas policiais, que a presença daqueles manifestantes não lhe dava “nenhum medo” e que quando o Governo mudar em Espanha (atualmente está nas mãos da esquerda) “não será possível perseguir os cidadãos e ir às praças impedir que as pessoas se expressem em liberdade”.

Abascal reconheceu, por outro lado, que o Vox tem “uma espinha cravada na Galiza”, onde o partido não tem deputados. É a única região de Espanha com um parlamento autonómico sem qualquer representante da extrema-direita.

Espanha vai ter eleições legislativas nacionais antecipadas em 29 de novembro e Abascal garantiu hoje que o partido tem sondagens internas que dizem que poderá este ano eleger um deputado pela Corunha.

O Vox é atualmente o terceiro maior partido no parlamento espanhol, onde tem 33 deputados.

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Já saiu de Viana a primeira máquina gigante que garante energia aos centros de dados

A primeira unidade de EPOD, máquinas de grandes dimensões (que não são baterias) que permitem que a energia nunca seja interrompida em ‘data centers’ (centros de dados) já saiu da Nordic Epod, fábrica que começou a laborar no último verão em Viana do Castelo.

Situada entre as freguesias de Darque e Vila Nova de Anha, a Nordic Epod dedica-se à construção de grandes equipamentos de receção, transformação, distribuição e estabilização de energia destinada a centros de dados.

Para o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, esta é uma boa notícia para a empresa e para Viana do Castelo, pelo que felicitou a equipa que trabalha nesta nova unidade fabril do concelho.

Como O MINHO noticiou, esta unidade fabril única em Portugal possibilita a construção, em Viana do Castelo, de grandes máquinas (que não são baterias) que permitem que, nos ‘data centers’, a energia nunca seja interrompida.

Na fábrica de Viana do Castelo serão produzidas cerca de 450 EPOD (Electrical Power Optimization Devices) por ano, num volume de negócios de 650 milhões de euros anuais, tendo 90% da produção como destino a exportação, focada, numa primeira fase, na Europa e Médio Oriente.

Com encomendas asseguradas até junho de 2027, irá alargar a laboração no próximo ano, prevendo criar cerca de 500 postos de trabalho.

A empresa é resultado de um projeto de investimento de cerca de 50 milhões de euros do CTS Group e da Eaton.

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