As Jornadas Europeias do Património, este ano dedicadas ao tema “Reviver, resistir, reinventar”, decorrem de 18 a 27 de setembro próximos e serão assinaladas na Fortaleza de Sagres com diversas iniciativas, das quais destacamos o Cineconcerto “Almadrava”. Integram igualmente uma ação de limpeza costeira a realizar na manhã de 19 de setembro, entre as 10h e as 12h, assinalando o Dia Internacional da Limpeza Costeira que todos os anos se realiza no terceiro sábado de setembro, bem como os “Concertos ao Entardecer”, nas tardes de 20 e de 27 de setembro, pelas 18h, animados respetivamente por Serena Kaos e Gorjão e realizados em parceria com a Associação Ar Quente.
A 20 de setembro, pelas 20 horas, a Fortaleza de Sagres acolhe uma apresentação única do Cineconcerto ALMADRAVA, uma criação original da Cinemalua Associação Cultural, que beneficiou do apoio da CCDR Algarve. Cruzando cinema documental, criação contemporânea e interpretação musical ao vivo, constitui uma homenagem a uma das mais emblemáticas atividades ligadas ao mar e à identidade do Algarve: as almadravas, tradicionais armações de pesca de atum outrora distribuídas por vários pontos do litoral algarvio, incluindo a costa junto a Sagres.
O programa integra a exibição de dois documentários históricos do Arquivo RTP, realizados por Hélder Mendes em 1968 e 1969: A Almadrava e O Copejo. Estas obras constituem importantes testemunhos audiovisuais sobre a organização da pesca do atum no Algarve, registando saberes, técnicas e modos de vida que marcaram durante séculos a relação das populações costeiras com o oceano.
Para dialogar com estes documentos históricos, João Marco realizou novas filmagens que ampliam a leitura contemporânea deste legado marítimo. Sobre estas imagens inéditas, o compositor e intérprete Arsénio Martins criou quatro obras originais: Almadrava; O Labirinto das Águas; A Flutuação das Âncoras; O Equilíbrio das Espécies. A sessão contará com interpretação ao vivo do ARSÉNIO MARTINS ENSEMBLE, formado por: Arsénio Martins (Piano), Paulo Lopes (Saxofones e Flauta), Daniela Pinhel (Oboé), Daniela Vieira (Fagote) e Bárbara Santos (Violoncelo).
A apresentação deste espetáculo na Fortaleza de Sagres reveste-se de um forte significado simbólico. Local de referência na história marítima portuguesa, a Fortaleza afirma-se como espaço privilegiado para refletir sobre a ligação ancestral entre o homem e o mar, acolhendo uma proposta artística que valoriza e reinterpreta uma herança cultural profundamente enraizada na paisagem e na identidade do território algarvio, preservando legados, saberes e memórias marítimas.