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Trajano murió en un pequeño puerto cilicio en el año 117: una nueva prospección busca sus huellas

En agosto del año 117, un barco con el emperador de Roma a bordo tuvo que acercarse a la costa de Cilicia porque el pasajero estaba demasiado enfermo para seguir. Se llamaba Trajano, llevaba diecinueve años gobernando el mayor imperio de su tiempo y había nacido en Itálica, junto a la actual Sevilla. Lo desembarcaron […]

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Melhor do mundo

Faltam 28 minutos pro domingo virar segunda e o vagão só esvazia na estação Guilhermina-Esperança. O ambulante me cumprimenta com a cabeça, senta e acomoda a sacola preta entre as pernas. Estico o pescoço e vejo, lá dentro, algumas cocadas.

Parece que o dia foi bom, mesmo assim quero perguntar das vendas. Daria, com muito prazer, um pouco do meu tempo, do meu sono e até parte do que tenho na carteira para saber não só das cocadas. Quero conhecer, um tiquinho que seja, este trabalhador. Quem vende cocadas até o último trem do domingo tem muito pra contar.

Dou sorte. Mesmo tendo falado o dia inteiro de suas cocadas, que são gostosas, que desfazem na boca, que são baratas, que são mineiras e que vêm direto do Vale do Jequitinhonha, ele ainda quer falar.

Ajeita o boné, pigarreia.

— Meu nome é Getúlio. Getúlio Pereira da Silva. G. P. S. Nunca me perco. Entendeu? (rimos os dois) Mas sou conhecido como Raimundo. Eu explico: Pro ambulante, o marketing é tudo. Entro no vagão e anuncio: “Chegou a melhor cocada do mundo, a cocada do Raimundo”. Eu experimentei essa publicidade porque a rima é boa e eu sempre adorei o nome Raimundo. Tem passageiro que comenta. “Olha aí o Raimundo”. Então, deixa ficar. Virei Raimundo. Quer provar uma? É de graça que hoje esvaziei a sacola três vezes.

Aceito e me delicio com a doce mistura de coco e rapadura.

— Cremosa, né?

— Maravilhosa, Raimundo. Respondo com a boca ainda cheia e uma lasca de coco entre os dentes.

— Tem uns que reclamam da confusão. A gente grita mesmo. O jogador não pede a bola? O motoboy não buzina? O feirante não zoa? Por que a gente não pode? Ninguém é obrigado a saber da vida dos outros, mas será que eles sabem que, por trás de uma cocada, tem uma criança com fome, às vezes doente? Que tem aluguel, um monte de boletos, agiota te ameaçando?

— Quantos filhos você tem?

— Três. Olha aqui no celular. Anderson, Henrique e a caçula, a Marcela.

— Eu não peço nada, eu ofereço. Quem quer, quer. Quem não quer, não quer.

— Muita gente compra?

— Compra. E sabe por quê?

— Por quê?

— Porque o produto é bom e barato. E tem mais (ele sussurra): pobre não tem medo de gastar. Ele me vê e pensa: amanhã eu posso tá desempregado, posso ter que trabalhar como camelô. Então, eu ajudo agora e, se depois eu tiver no sufoco, alguém vai dar uma força.

— Mas dizem que é barato porque é clandestino.

— Mentira. É barato porque não tem intermediário; no supermercado o preço é maior porque eles têm muito mais despesas e também querem mais lucro. Aqui é diferente, vou no depósito e pago à vista.

— Então, por que é proibido?

— Porque é fácil mexer com o pobre. Eu garanto pro senhor. Meu produto não deve nada ao do supermercado. Eu ando de metrô e de trem todo dia e pago a passagem, viu? Eu sou camelô e passageiro ao mesmo tempo e garanto: a gente não atrapalha ninguém. Sabe o que atrapalha?

— O quê?

— O atraso e a superlotação. Tem que botar mais trens para circular. Só que a empresa ou o governo não quer gastar. É simples: com o trem cheio ganham mais. Agora, com a privatização, o que já era ruim ficou pior. Os vigilantes vêm pra cima como se o camelô fosse um bandido. Eu não sou bandido, sou empreendedor.

— Você manda bem, Raimundo. Já tinha falado de marketing, publicidade, agora empreendedor.

— Estudei um pouco. Empreendedor, eu ouvi essa no tempo que tinha passeata, sindicato. Durante um protesto, um cara subiu no caminhão e disse bem assim: Camelô é empreendedor e empreendedor é quem faz o Brasil crescer, nunca esqueci.

— Já tomaram sua mercadoria?

— Já, mas não desanimo. Toda profissão tem risco e eu adoro esse meu trabalho. Só que as autoridades não dão valor. Eles podiam cadastrar a gente.

— Como seria?

— Um número certo de ambulantes em cada trem, todo mundo com crachá, uniforme. Trabalho organizado.

Última estação. Getúlio levanta e me olha.

— Ué, não vai descer?

— Vou voltar. Vim até aqui para te ouvir.

A porta fecha e a gente acena um pro outro.

A voz feminina se impõe.

— Diamante Negro na promoção: é 3 por 5, que eu não brinco.

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Roma abandonó el limes germano hacia el 260, pero alguien siguió usando el lugar: descubren un pueblo romano con un templo de Marte bajo un bosque en Alemania

A pocos centímetros del suelo del bosque, en las estribaciones orientales del Taunus, queda una parte de la frontera romana que apenas se había mirado. El fuerte de la Kapersburg, cerca de Rosbach vor der Höhe (Hesse, Alemania), es uno de los mejor conservados del limes germano, pero la investigación se había centrado en la […]

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The Work

“Who wouldn’t decide to be their most expansive and radiant self?” Ah, but would you pursue that self through a sheet of tempered glass? In this literal tour de force, Katherine Cusumano shadows wrestlers navigating the independent promoters of the Pacific Northwest, granting sensational access to the lives and ambitions behind elaborate personas you’ve never heard of and will almost certainly search YouTube for. Cusumano is note-perfect on the details, taking obvious delight in the gimmicks of each wrestler’s beloved character and relishing the complexity of the choreography, rehearsed in elaborate code. (“Clothesline, crossbody in the corner, clothesline, Superman, Superman, I’m fired up, whoop, sliced bread, Ricky catches, oh shit, real fast.”) Spectacle abounds, but Cusumano rises above it, way up on the turnbuckle, with a heartening consideration of how we understand our own stories, and what we devote to realizing them.

I found myself drawn to this world, to its freakish feats of acrobatics, to its relentless and obsessive blurring of the boundary between reality and story, and, more than anything, to the supreme, sometimes monastic devotion of its competitors. I had been trying for ages to understand competition, ambition, the scaffolding that holds up good-bad, win-lose, and wrestling confounded these binaries. I started talking to Drexl, an old-timer with one foot out the door of his career, who eventually referred me to Amira, an emerging wrestler with an already impressive résumé, and I thought that was so like wrestling, to proffer such perfect narrative symmetry. They agreed—more readily than I’d expected, given how fiercely professional wrestlers have historically protected the secrets of their work—to let me follow them around. Which is how I ended up behind the curtain.

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Encuentran un gran taller de cerámica de la Galia romana que funcionó durante tres siglos junto a una calzada y documenta todo el proceso de fabricación

Cuando se abre una zanja para un canal de 106 kilómetros, lo normal es encontrarse con restos sueltos, un tramo de camino o una granja aislada. En Sermaize, un pueblo de la región francesa de Hauts-de-France, los arqueólogos del Instituto Nacional de Investigaciones Arqueológicas Preventivas (Inrap) se han topado con algo bastante menos habitual, un […]

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Aparece una Venus de plomo en una aldea de veteranos romanos oculta en un bosque junto a Budapest

Un detector de metales ha sacado a la luz una pequeña estatuilla de plomo de Venus Púdica en un bosque de los montes de Buda, al noroeste de Budapest. Es la primera pieza de carácter religioso que se documenta en la aldea romana de Pilisszentiván–Hárs erdő, un asentamiento rural de la provincia de Panonia que […]

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Loulé acolhe IX Encontro de História

O Cineteatro Louletano recebe, nos dias 2 e 3 de outubro, o IX Encontro de História de Loulé.

O encontro reúne investigadores, académicos e a comunidade local para debater o passado, a identidade e o património do concelho, através de uma perspetiva científica e multidisciplinar.

A sessão de abertura está marcada para a manhã de sexta-feira, dia 2, às 9h30, seguindo-se a conferência inaugural proferida pelo prestigiado professor universitário, arqueólo e historiador, José d’Encarnação, sob o tema “Inscrições para a História de Loulé”.

Ao longo dos dois dias, o programa organiza-se em sete painéis temáticos que abordarão a evolução histórica do concelho sob diversos ângulos. No primeiro dia, o primeiro debate irá focar-se sobre “Arqueologia e Património”, apresentando os resultados preliminares das escavações nas obras do Centro Histórico de Loulé (2ª fase) e os vestígios arqueológicos pré-históricos da Praia do Forte Novo, em Quarteira. Seguem-se os painéis sobre o “Ensino e o Património Arquivístico”, “Sociedade e Minorias” (com enfoque na comunidade judaica em Loulé nos finais do século XV) e “Homens e Guerra”. O dia encerrará com o lançamento do Caderno do Arquivo nº 21, agendado para as 17h00.

No sábado, dia 3 de outubro, os trabalhos recomeçam às 9h00, com painéis dedicados à “Arquitetura Civil e Religiosa”, à “Estigmatização Social e Divergências”, encerrando com “Personalidades – Vida e Obra”, onde será prestada homenagem a figuras marcantes para a cultura local e nacional, como José da Costa Mealha, Maria Aliete Galhoz e Joaquim Romero Magalhães.

A tarde de sábado será reservada a visitas culturais pelo património do concelho, a partir das 14h30, e ao lançamento oficial das “Atas do VIII Encontro de História de Loulé”, programado para as 16h30, imediatamente antes da sessão de encerramento.

O IX Encontro de História de Loulé é uma organização da Câmara Municipal de Loulé e do Arquivo Municipal Joaquim Romero Magalhães, contando com o apoio científico e institucional da Universidade do Algarve (UAlg), do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património, da Universidade de Coimbra, e do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, da Universidade de Évora.

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Musa, la esclava romana que fue la primera mujer en gobernar el imperio Parto, pudo ser una espía de Augusto

Son varios los nombres de monarcas persas que nos resultan más o menos familiares: Ciro, Darío, Cambises, Jerjes, Artajerjes, Cosroes… Con sus respectivos ordinales, corresponden a dinastías y épocas diversas, pero todos tienen en común una cosa: el género masculino. Y es que, a lo largo de la Historia, únicamente tres mujeres se sentaron en […]

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Hallan en Bulgaria la posible mansión del general que vigilaba a una legión romana en nombre del emperador

En una fortaleza legionaria romana casi nadie tenía baño propio. Había termas para toda la legión y, en la práctica, solo el legado, el jefe supremo del cuerpo, podía permitirse unas privadas de cierto tamaño. Lo explica el arqueólogo Piotr Dyczek, y viene a cuento porque su equipo acaba de sacar a la luz en […]

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Descubren en Albania una villa romana con mosaicos del siglo IV junto al último río salvaje de Europa

El hallazgo se ha producido en Qesarat, una pequeña población de la Albania meridional, en la zona de Tepelenë, muy cerca del Parque Nacional del Río Salvaje Vjosa —el primer espacio protegido de Europa dedicado a un río que corre libre, sin una sola presa, desde las montañas griegas del Pindo hasta el mar Adriático—. […]

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Unas termas romanas fueron reconvertidas en fábrica de vino y aceite de oliva en la antigua Antioquía del Crago

Un equipo de investigadores ha publicado el hallazgo de una instalación de procesamiento agrícola construida dentro del llamado Baño Pequeño de Antioquía del Crago (Antioquia ad Cragum), en la región histórica de Cilicia Áspera, en la actual Turquía. El estudio, firmado por Emlyn Dodd (Universidad de Adelaida), Leticia R. Rodriguez (Universidad de Houston) y otros […]

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Descubren en el oasis de Dajla en Egipto una tumba de una familia romana con forma de pirámide y un poema griego dentro

El Ministerio de Turismo y Antigüedades egipcio ha anunciado el hallazgo de una tumba de época romana con una arquitectura que, según el propio Consejo Supremo de Antigüedades, no tiene paralelo exacto en el resto de la necrópolis donde apareció. Se encuentra en Bir El-Shaghala, un yacimiento del oasis de Dajla, a unos 750 kilómetros […]

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Descubren la ciudad romana de Claudivium junto al Danubio en Austria, con un anfiteatro para 8.000 personas

En los años setenta, el pequeño núcleo de Stein, en la Baja Austria, estuvo a punto de convertirse en el emplazamiento de la segunda central nuclear del país. El proyecto se abandonó y el lugar quedó como una franja más de tierra de labor junto al Danubio. Medio siglo después, esos mismos campos han revelado […]

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Encuentran en la antigua Segisamo una cocina de hace dos mil años y descubren que los romanos también improvisaban con lo que tenían a mano

Diez años excavando el mismo rincón de Burgos suelen dar para encontrar de todo, pero pocas veces algo tan cotidiano como una cocina. Eso es justo lo que ha aparecido este verano bajo el solar de La Era, en Sasamón, una localidad de apenas un millar de habitantes situada a 30 kilómetros al oeste de […]

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Docenti universitari: concorso nazionale, ma inserimento locale

Una riforma approvata a luglio rende il sistema di reclutamento dei docenti universitari più nazionale. Ma per promuovere l’apertura all’esterno degli atenei, bisogna affrontare anche il tema dell’inserimento del nuovo arrivato nell’organizzazione locale.

L'articolo Docenti universitari: concorso nazionale, ma inserimento locale proviene da Lavoce.info.

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Descubren en Suiza una fábrica de metal romana del siglo II casi tan grande como una villa

Iban a construir un edificio de viviendas en Ligornetto, un pequeño núcleo del cantón de Ticino pegado a la frontera con Italia, y se han encontrado con una fábrica romana de casi dos mil años. El Servicio de Arqueología de la Oficina de Bienes Culturales del cantón lleva desde junio excavando el solar de la […]

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Todos los caminos no llevaban a Roma: descubren que la ciudad que de verdad vertebraba las carreteras del Imperio era Bizancio

El refrán es tan viejo como conocido: todos los caminos llevan a Roma. Los autores del estudio, liderados por Adam Pažout, investigador de la Universitat Autònoma de Barcelona, acaban de comprobar con datos que la frase no se sostiene del todo. Según el análisis, ciudades como Antioquía, Ancira (la actual Ankara), Bizancio o Corinto ocupaban […]

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Aparece un cadáver romano enterrado boca abajo con frascos de perfume cerca del lugar donde se cree que nació el emperador Diocleciano en Croacia

El cuerpo lleva casi dos mil años bocabajo. Cuando los arqueólogos llegaron a la tumba 162, en las afueras de la actual Solin, en Croacia, no tardaron en darse cuenta de que algo no encajaba con el resto del cementerio: el difunto no había sido colocado boca arriba, como marcaba la costumbre romana, sino sobre […]

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El pigmento de los faraones que un romano escondió dentro del yeso de su villa: un hallazgo cambia lo que sabíamos del comercio del azul en la Antigüedad

El azul egipcio nació en Egipto antes del año 3100 a.C. y se considera el primer pigmento fabricado por el ser humano. Para obtenerlo, los artesanos calentaban a altas temperaturas una mezcla de sílice, cal, compuestos de cobre y sales alcalinas hasta lograr que cristalizara un compuesto de color azul intenso, el silicato de cobre […]

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O sequestro da cueca vermelha

Acredito que a vida adulta te coloca algumas provações inusitadas, como descobrir que detergente virou bebida de maluco negacionista e que o papel higiênico não se desenrola sozinho — a não ser quando seu gato faz picadinho dele numa madrugada qualquer. 

Existem outras, claro, tão banais, como ir à lavanderia. Eu estou nessa prática há pouco tempo e percebi como esse ecossistema úmido é repleto de armadilhas sociológicas. 

A lavanderia é um lugar onde a intimidade alheia se expõe, rodopiando a mil rotações por minuto, atrás de um vidro embaçado. Foi numa dessas incursões, armado com um cesto de roupas sujas e a ingenuidade de um novato, que o destino me pregou uma peça.

Recolhi minhas roupas da secadora e dobrei tudo com a pressa de quem quer voltar ao sofá. Ao organizar as gavetas, notei uma intrusa. Uma cueca vermelha. Não um vermelho discreto. Era um vermelho vibrante, quase radioativo, um vermelho que gritava “eu não tenho medo de desbotar na lavagem”.

Eu não tenho cuecas vermelhas. Minhas gavetas são um monótono degradê de cinza, preto e azul-marinho, o uniforme padrão da melancolia masculina urbana. Aquela peça rubra era um alienígena no meu guarda-roupa. Fiquei imaginando quem seria o dono e o que aquela cueca teria vivido. 

Pensei em levar de volta. “Amanhã eu desço e deixo no balcão”, prometi. Mas o amanhã não chegou. A cueca vermelha ficou ali, no cesto de roupa suja, me encarando com toda a sua ousadia escarlate toda vez que eu me aproximava. 

Semanas se passaram e a cueca foi soterrada por outras peças. Chegou o dia de lavar roupa novamente. No piloto automático, peguei tudo no cesto, desci, lavei, sequei, subi. Quando fui guardar… lá estava ela. Eu a havia lavado de novo. Avisei a Alexa para anotar o recado e me lembrar no dia seguinte. “Devolver a cueca”.

Por um momento, eu não só a tinha sequestrado, como também a mantinha num regime bizarro de cativeiro com pensão completa. Ela tinha dono e não era eu. Senti um misto de culpa e absurdo. E, por algum motivo besta, tinha nojinho dela. 

Decidi que daria um fim naquilo. Um assassinato de algodão. Mas hesitei. Vai que o cara é apegado? A cueca já tinha ganhado status de entidade na minha casa. 

Na vez seguinte em que desci à lavanderia, a maldita estava na minha sacola, pronta para ser devolvida. Enquanto a máquina girava, sentei-me e abri um livro, tentando fingir que não carregava a roupa íntima de um estranho no bolso. Fiquei sem jeito de colocar a danada na bancada porque havia mais gente. 

Não é qualquer gente, é dessas que puxam assunto na lavanderia. Elas existem. Foi quando um rapaz deu início ao papo. Falamos do tempo, do síndico, da inflação do sabão. Amenidades. A conversa fluiu para o futebol. Ele suspirou pesado e, com a naturalidade de quem confessa um pecado, soltou:

— Pra piorar, perdi minha cueca da sorte aqui faz um mês. Sou flamenguista. Tinha uma cueca vermelha que eu só usava no dia de clássico. Sumiu na secadora. Sem ela, o Mengão perdeu o último jogo. 

Eu, são-paulino desde o berço, congelei. A mão, que instintivamente tinha ido ao bolso, parou no meio do caminho. O tecido vermelho pareceu queimar meus dedos. 

Olhei para o rapaz. Ele tinha um olhar triste, de quem acreditava que o time dependia daquela peça íntima. Pensei no meu Tricolor lutando no campeonato e nas minhas próprias mandingas de torcedor. Pensei no Flamengo. Pensei na cueca vermelha, limpinha, amaciada com lavanda, refém no meu bolso esquerdo.

Fiz o que qualquer homem ético e apaixonado por futebol faria naquela situação.

Fiquei em absoluto silêncio.

— Puxa, cara… que chato — lamentei, com a voz embargada por uma solidariedade falsa. — A máquina sempre come alguma coisa — consolei.

Ele assentiu, resignado. Recolheu suas roupas e saiu com sua sacola, levando consigo a esperança do seu time. E eu fiquei ali, com a cueca no bolso. Já sozinho, a depositei no balcão, olhando para os lados, e resolvi escrever um bilhete de improviso.

— Pertence a um flamenguista. Favor respeitar. Ele voltará.

Voltei para o apartamento satisfeito. Tirei as roupas da sacola, dobrei com cuidado e guardei. Para minha surpresa, e revolta, agora havia uma meia. Apenas o pé direito, daquelas estampadas com capivaras usando óculos escuros.

— “Não é possível”, pensei. 

Levantei a meia contra a luz para observar melhor a capivara com seus óculos de lacração tug life. Se o Flamengo perdeu o jogo por causa da cueca, o que será que estava em jogo com aquela meia de capivara? Pelo sim, pelo não, passei a calçar a meia para ver os jogos do São Paulo. Passado um tempo, a conclusão: se o universo estava tentando me dar uma vantagem, definitivamente não funcionou.

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