❌

Reading view

Ela se mudou para a Ásia e dedicou sua vida a comunidade “Hanyeo”, mulheres que mergulham sem equipamento de respiração para pescar frutos do mar

Youngrak-ri, uma pequena vila costeira no extremo oeste da ilha de Jeju, na Coreia do Sul, costumava ser famosa por duas coisas: solo fértil e o aparecimento ocasional de golfinhos. Mas, nos últimos anos, ficou conhecida por abrigar uma verdadeira raridade no país: uma haenyeo americana.

Haenyeo (“hae” significa mar e “nyeo” significa mulher) são mergulhadoras, historicamente originárias da Ilha de Jeju, que mergulham no oceano sem equipamento de respiração para pescar frutos do mar e sobreviver.

E, até este ano, Kylie Genter é a única estrangeira a possuir uma licença de haenyeo, de acordo com autoridades locais — obrigatória para quem deseja exercer o mergulho livre tradicional comercialmente no país.

“Não imaginava que estivesse abrindo caminho… Como estrangeira fazendo isso, especialmente por não ser cidadã coreana, é uma grande responsabilidade”, disse ela à CNN. Os mergulhos são uma façanha que a transformaram numa espécie de celebridade local.

“Nossa aldeia tem a primeira haenyeo americana, então muita gente tem vindo nos visitar para entrevistá-la!”, diz Kim Chang-sik, chefe da pesca da aldeia, entusiasmado.

Tendo vivido toda a sua vida em Youngrak-ri, uma pequena vila costeira na ilha, ele afirma que a dura realidade do presente, um povo composto em sua maioria por idosos, é uma tendência que se estende às haenyeo.

Mas a chegada de Genter, de 36 anos, despertou a esperança de que a Coreia do Sul também possa abrir o setor para mais estrangeiros e preservar seu patrimônio.

Kylie Genter é a única americana na Coreia do Sul a possuir uma licença de haenyeo.
Kylie Genter é a única americana na Coreia do Sul a possuir uma licença de haenyeo. • Jenna Lee Kim

De Nova York à Coreia do Sul

Tornar-se uma haenyeo não estava nos planos de Genter, quando ela se formou na faculdade. Apaixonada por viagens, ela estudou na Europa e decidiu que seu próximo destino seria a Ásia. Inicialmente, seu objetivo era o Japão, já que havia estudado o idioma na faculdade, mas uma vaga na Coreia do Sul, que oferecia moradia gratuita, chamou sua atenção.

Naquele mesmo ano, ela se tornou professora de inglês em Jinju, uma cidade histórica na província de Gyeongsang do Sul.

Ela percebeu enormes diferenças culturais entre sua casa nos EUA e a Coreia do Sul, mas disse que também havia semelhanças.

“Acho que os nova-iorquinos e os coreanos são parecidos no sentido de que não há muita conversa fiada, as pessoas trabalham muito e se divertem muito, e são muito gentis, mas podem ter uma aparência um tanto dura. Foi um ótimo lugar para começar na Coreia, porque meio que me obrigou a aprender coreano”, contou Genter. 

Após quatro anos, ela sentiu vontade de se mudar para outra cidade.

“Eu estava pensando em morar em Seul porque ia a shows de K-pop o tempo todo, então achei que poderia economizar dinheiro morando lá. Mas aí surgiu uma oportunidade em Jeju que era mais interessante e pagava melhor, então pensei: ‘Ok, vou tentar, Jeju parece legal, posso morar lá por um tempo’, e isso foi há 10 anos”, afirmou ela. 

Vinda do interior de Nova York, que ela descreve como “bastante rural”, Genter diz que se sentiu imediatamente conectada à ilha.

Preenchimento das vagas

As haenyeo não têm uma idade de aposentadoria definida e, muitas vezes, continuam mergulhando até os 80 e até mesmo 90 anos, conforme sua resistência física permitir.

E, enquanto as haenyeo existentes envelhecem, menos mulheres jovens estão se juntando a elas.

No ano passado, 63% das 2.371 haenyeo em atividade tinham 70 anos ou mais, e pouco mais de 1%, ou apenas 30 do total, tinham 39 anos ou menos, de acordo com o Museu Haenyeo, o que aumenta a preocupação de que essa profissão tradicional possa desaparecer.

Consequentemente, em 2024, a aldeia divulgou uma mensagem por meio de grupos informais e no “boca a boca”, dizendo que estavam à procura de jovens candidatas para se juntarem à comunidade de haenyeo.

Genter, na extrema direita, demonstrou seu comprometimento com suas colegas mergulhadoras ao comparecer todos os dias
Genter, na extrema direita, demonstrou seu comprometimento com suas colegas mergulhadoras ao comparecer todos os dias • Jenna Lee Kim

“Comecei a mergulhar em Youngrak-ri e eles precisam de outras jovens haenyeo. Alguém está interessado?”, escreveu uma mergulhadora livre em um grupo de bate-papo cujos integrantes incluíam o marido coreano de Genter, um mergulhador autônomo.

Ele se ofereceu como voluntário em nome de sua esposa, mas ela foi prontamente impedida de participar por ser estrangeira.

“Ele não pediu minha permissão primeiro; simplesmente me ofereceu como voluntária… Eu pensei: ‘Ok, não há nenhuma haenyeo americana, então posso muito bem tentar, nem que seja só para ter essa experiência’”, ela relembra.

Um mês depois, Kim cedeu na proibição de entrada de estrangeiros e pediu a Genter que comparecesse para uma entrevista.

“Ele disse: ‘Você pode começar, mas saiba que ser uma haenyeo é muito difícil. Se não for algo que você queira fazer, não se sinta mal, apenas nos diga'”, conta Genter.

“Comecei em janeiro de 2024 e mergulho aqui desde então.”

Genter tinha alguma experiência. Depois de se mudar para a ilha, ela se matriculou em uma escola de haenyeo — não com a intenção de se tornar uma, mas para aprender mais sobre as famosas mergulhadoras para um programa de inglês que ela coordenava.

A garota nova na cidade

A maioria das aldeias tem seus próprios grupos de haenyeo. E o vínculo entre elas é tão forte que se consideram família, e não colegas de trabalho. Comem, mergulham, tomam banho e relaxam juntas — e, o mais importante, zelam pela segurança umas das outras.

“Deve ser uma comunidade onde você cuida uns dos outros e liga para an polícia em caso de acidente”, diz o chefe da pesca, Kim. “Se você sair da água antes de todo mundo, não saberá se algo acontecer com os outros enquanto eles ainda estão mergulhando. É uma vida comunitária de mergulho em conjunto, não um trabalho isolado.”

“Você não pode simplesmente sair sozinho porque tem outros compromissos. Se três entraram na água, então os três precisam sair juntos.”

Quando a americana de cabelos castanhos chegou à aldeia, a presidente das haenyeo, Hong, duvidou que ela fosse ficar por lá. Inicialmente, as oito haenyeo veteranas tiveram dificuldade em pronunciar o nome estrangeiro desconhecido: Kylie. Mas ela provou seu comprometimento comparecendo todos os dias, e a presidente passou a chamá-la de “Kyla”.

Com o tempo, Genter conquistou a confiança das mergulhadoras, e elas finalmente aprenderam a pronunciar seu nome corretamente — depois de muita prática.

“Ela é ainda melhor do que nós, coreanos, e do que nós, nativos de Jeju, no mergulho – eu gosto muito dela”, diz Hong.

A presidente chega a chamar Genter de “minha filha”, um título exclusivo reservado a poucos.

“Como alguém que mora muito longe dos meus pais, é realmente ótimo ter essa experiência”, diz Genter sobre o apoio recebido.

Um mundo em transformação

A cidadania americana de Genter não era a única coisa incomum nela quando chegou à aldeia. Como graduada universitária, ela conta que algumas das haenyeo mais velhas se perguntavam por que ela seguiria essa carreira.

“Eles ficaram meio que perguntando: ‘O que ela está fazendo aqui?’”, lembra Genter.

Historicamente, as mulheres na Ilha de Jeju desempenhavam um importante papel econômico em seus lares, diferentemente do continente, onde os homens trabalhavam e a maioria das mulheres ficava em casa como donas de casa, de acordo com o Museu Haenyeo local. 

A maioria das mulheres de Jeju mergulhava e também cultivava tangerinas e vegetais — a maioria delas ainda faz as duas coisas — enquanto cuidava da família. Com rotinas tão agitadas, a educação era vista como um luxo, enquanto o mergulho era simplesmente o trabalho para o qual estavam destinados.

Quando não está mergulhando, ou durante a baixa temporada entre agosto e setembro, Genter passeia com cachorros e cuida de gatos e coelhos em um hotel para animais de estimação que administra com o marido.

Ela também compartilha suas histórias nas redes sociais e produz um podcast com um colega mergulhador para educar as pessoas sobre sua profissão incomum. 

“Eu queria corrigir alguns equívocos que as pessoas têm sobre as haenyeo. As pessoas dizem coisas como: ‘A última geração de haenyeo, as haenyeo vão desaparecer em breve!’, e eu respondo: ‘Não, as jovens haenyeo ainda estão aqui!’”, diz ela.

Coreia em SP: veja onde comer os principais pratos típicos coreanos

 

  •  

Arqueológos encontram moeda em cima de túmulo de criança romana e sugerem que objeto seria a porta de entrada para o submundo

Uma nova descoberta durante escavações arqueológicas na cidade de Stara Zagora, na Bulgária, revelou uma necrópole e vestígios de diversos objetos da época romana. Entre os tesouros, havia uma moeda e um par de brincos posicionados em cima de um túmulo infantil, o que arqueólogos sugerem ser uma oferenda para os deuses do submundo.

Os romanos costumavam colocar uma moeda em cima dos túmulos para pagar o barqueiro que transportaria suas almas para o submundo. O ritual tem origem grega, mas foi incorporado a outras culturas com o passar do tempo.

A moeda encontrada é um antoniniano do imperador Aureliano, cunhado em Sérdica, nome antifo de Sófia, atual capital da Bulgária, entre 274 e 275 d.C. A estrutura funerária também foi datada desse mesmo período, informou o Museu de História Regional de Stara Zagora em uma publicação do Facebook.

Durante a escavação, também foram descobertos vestígios e objetos de outros períodos, como do final do século II ao século IV, dos séculos IV a V, dos séculos XVII a XVIII e do final do século XIX ao século XX.

A necrópole compreende 135 estruturas funerárias de variados tipos: covas simples contendo restos cremados; covas simples cobertas com telhas; covas simples cobertas com tijolos; covas simples cobertas com lajes de pedra e covas simples sem cobertura.

Necrópole encontrada durante escavação na Bulgária
Necrópole encontrada durante escavação na Bulgária • Reprodução/Facebook/Museu de História Regional de Stara Zagora

Os arqueólogos afirmaram que dois ritos funerários eram praticados na época: quatro dos sepultamentos envolviam cremação, enquanto os demais envolviam inumação, quando os restos mortais são colocados direto na terra.

Arqueólogos encontram passagens secretas subterrâneas incas

 

  •  

De Hollywood à vida no campo, Amanda Seyfried mantém fazenda que virou refúgio para animais resgatados

Conhecida por seus papéis em “Meninas Malvadas”, “Mamma Mia!” e “A Empregada”, Amanda Seyfried, 40, encontrou longe de Hollywood uma maneira diferente de conciliar a carreira com a vida pessoal. A atriz americana mantém uma fazenda no interior de Nova York, nos Estados Unidos, que se tornou um abrigo para dezenas de animais resgatados, incluindo cavalos, cabras, galinhas e gatos.

Natural de Allentown, na Pensilvânia, Seyfried cresceu em uma região suburbana e, desde jovem, desejava ter mais espaço para conviver com animais. Em 2013, comprou uma propriedade na região montanhosa de Catskills, onde passou a construir uma rotina distante da movimentação dos grandes centros urbanos.

Com o passar dos anos, a fazenda também se tornou a residência da atriz, que divide os cuidados com os animais e a vida familiar com o marido, o ator Thomas Sadoski, e os dois filhos do casal.

Decisão de morar em uma fazenda

A decisão de viver no campo aconteceu antes de Seyfried formar sua família. Após passar períodos em grandes centros urbanos, como Los Angeles e Nova York, a atriz procurava um lugar que oferecesse mais privacidade e contato com a natureza.

Em entrevista à Forbes, a atriz explicou que a mudança para o interior de Nova York contribuiu para que ela encontrasse um equilíbrio entre os compromissos profissionais e a vida pessoal. Com isso, a propriedade passou a funcionar como um lugar para retornar após gravações, viagens e outros compromissos da carreira.

O interesse pelos animais começou antes mesmo da mudança. Seyfried já convivia com seu cachorro Finn, um pastor-australiano que a acompanhou durante a carreira. Ao adquirir a fazenda, encontrou cavalos que já viviam no local e, aos poucos, passou a acolher outras espécies.

Com o tempo, a propriedade passou por adaptações para receber os animais. Além da residência principal, construída na década de 1930, o terreno conta com celeiros e espaços destinados aos cuidados com os bichos.

Como funciona o abrigo de animais?

Além de residência, a fazenda de Amanda Seyfried funciona como uma organização sem fins lucrativos dedicada ao acolhimento de animais resgatados. Entre eles estão bichos idosos ou com problemas de saúde, que precisam de cuidados especiais.

Leia Mais:

Em janeiro de 2026, cerca de 52 animais viviam na propriedade, incluindo seis cavalos, um pônei, um burro, cabras, galinhas, patos e gatos. Parte deles chegou por meio de doações e iniciativas de proteção animal. A rotina envolve alimentação, acompanhamento da saúde dos animais e manutenção dos espaços.

A convivência com os animais também faz parte da criação de seus dois filhos. Mesmo com os compromissos profissionais, a atriz mantém o acolhimento dos bichos como parte de sua rotina fora das telas.

  •  

Nascidos de 26 semanas, gêmeos só podiam ser tocados por buracos no vidro — até o pai testar uma incubadora de ficção científica no próprio colo

O nascimento de um bebê prematuro extremo impõe uma barreira dolorosa para as famílias nas UTI (Unidades de Terapia Intensiva) neonatais: a limitação do toque físico. Quando os gêmeos Silas e Simone nasceram com apenas 26 semanas de gestação, em 7 de agosto, no Children’s Memorial Hermann Hospital, no Texas, Estados Unidos, o destino imediato foi a incubadora tradicional.

Diante do vidro protetor, os pais só podiam tocar os recém-nascidos pelas pequenas aberturas laterais do equipamento.

A mãe das crianças, a médica obstetra Tiffany Ikwuagwu, relatou a angústia de acompanhar a rotina sem poder acolher os filhos no colo. A distância forçada pela fragilidade da saúde dos bebês, no entanto, foi encurtada dez dias após o parto graças a um equipamento experimental chamado Skincubator, descrito por Tiffany como um dispositivo que até parecia “de ficção científica“.

‘Parecia ficção científica’: a estreia de um pai nos EUA

O marido de Tiffany, Dorian Ojemen, tornou-se o primeiro pai nos Estados Unidos a utilizar a tecnologia em um ensaio clínico. A experiência de segurar os filhos diretamente sobre o peito, ouvir a respiração e encará-los de perto trouxe o alívio do vínculo paternal imediato.

Dorian ressaltou que, mesmo não tendo carregado os bebês na barriga, a inovação permitiu sua participação ativa na equipe de bem-estar dos gêmeos.

O estudo pioneiro no hospital norte-americano é conduzido pela médica Jaclyn Ruggiero. Para famílias em situação de prematuridade extrema, a oportunidade de realizar o contato pele a pele de forma segura representa uma transformação na assistência psicológica e física durante a internação hospitalar.

Como funciona o ‘casulo portátil’ seguro para a UTI

Diferente das incubadoras fixas convencionais, o Skincubator funciona como uma estrutura portátil e vestível que se acomoda no colo dos pais.

O bebê é transferido temporariamente para esse casulo móvel, que reproduz rigorosamente o controle de temperatura e mantém níveis altíssimos de umidade para evitar a hipotermia, além de permitir a manutenção de todos os equipamentos de suporte à vida acoplados ao recém-nascido.

Essa arquitetura médica resolve um dos principais entraves do ambiente intensivo. A OMS, (Organização Mundial da Saúde) recomenda mais de oito horas diárias da prática conhecida como método canguru, o contato direto pele a pele, mas a complexidade técnica dos tratamentos faz com que recém-nascidos graves recebam, em média, menos de 30 minutos diários de acolhimento nos braços dos pais.

Benefícios para o bebê e cenário da tecnologia

A ampliação do tempo de contato direto traz ganhos comprovados à saúde dos prematuros, como a regulação da frequência cardíaca, a diminuição do estresse e o fortalecimento do vínculo familiar. Antes de chegar aos ensaios clínicos norte-americanos, o dispositivo já passou por utilizações em hospitais na Alemanha e em Israel.

Embora a técnica humanizada do método canguru seja amplamente consolidada no sistema de saúde pública do Brasil, o equipamento Skincubator ainda se encontra em fase experimental nos Estados Unidos e não está disponível comercialmente no mercado brasileiro.

  •  

Gato siamês se tornou autor de artigo de física atômica em 1975 – ele assinou com a pata em uma das revistas mais prestigiadas do mundo

“Meu cachorro comeu o dever de casa” e “meu gato fez xixi no meu caderno” são desculpas recorrentes em comédias para explicar por que um personagem não entregou a tarefa escolar. Mas e se, em vez de atrapalhar os estudos, um gato decidisse ir além e se tornasse o autor de um artigo científico?

Em 1975, o físico Jack Hetherington pediu para um colega revisar um artigo sobre o comportamento atômico que, posteriormente, seria publicado na revista Physical Review Letters. O colega percebeu que o texto foi escrito usando o plural “nós” e “nosso”, o que resultaria no descarte do artigo pela revista e em Hetherington tendo que reescrevê-lo novamente, substituindo essas palavras.

“Mudar o artigo para algo impessoal parecia muito difícil, e, como tudo já estava escrito e digitado, depois de pensar durante a noite, simplesmente pedi à secretária que alterasse a página de rosto para incluir o nome do gato da família, um siamês chamado Chester“, explica Hetherington em seu livro “More Random Walks in Science”.

Chester, filho de um gato chamado Willard, recebeu o pseudônimo de FDC Willard, que significa “Felis Domesticus Chester Willard.”

Na época, dez amigos do físico receberam cópias autografadas do artigo, que continham tanto a assinatura de Hetherington quanto a do gato Chester. Anos depois, em 2014, APS (Sociedade Americana de Física) anunciou que todos os artigos com autoria de gatos ficariam disponíveis gratuitamente para leitura.

DNA desafia certezas científicas sobre origem dos gatos domésticos

  •  

Ana Hickmann e Edu Guedes reformaram jardim de 50 mil m² em fazenda de 1820 para casamento – decoração exigiu 15 mil placas de grama e 400 mudas

Uma propriedade comprada por Edu Guedes e Ana Hickmann há dois anos tornou-se palco para o casamento de ambos, celebrado no início de setembro. Os apresentadores trocaram alianças em Araras, São Paulo, diante de 150 convidados.

Chamada de “Casa Gialla“, a fazenda construída em 1820 virou projeto pessoal do casal e agora é tema principal na criação de conteúdo para as redes sociais.

“Quando o Edu comprou essa fazenda, eu juro que já conseguia imaginar isso aqui tudo pronto, verdinho e perfeito”, disse a modelo. No entanto, preparar o espaço rural para um evento de luxo não foi fácil. “Foi uma loucurinha, uma corrida contra o tempo.”

Um refúgio no interior de São Paulo

O rancho dos famosos em Araras estava praticamente abandonado quando comprado, tomado por terra vermelha, poeira, barro e resquícios de área cultivada. “Uma das coisas que mais sofríamos dentro de casa era com o pó vermelho”, comentou Ana no vídeo. “Sabe aquele tipo de pozinho que, quando pega, mancha e não sai nunca mais?”

Ela conta que os 50 mil metros quadrados de jardim foram atrativos para a compra: “Olha essa paisagem, olha, que espetáculo. É linda demais!”

Leia Mais:

A apresentadora tomou a frente do projeto de paisagismo, que ganhou prioridade para receber a cerimônia de casamento. Ela conta que 6,5 mil m² já foram reformados, mas “ainda tem muito trabalho pela frente para alcançarmos o nosso sonho”.

“Olhar para tudo isso pronto e crescendo me dá um orgulho enorme”, expressou Hickmann. “Lembro do dia em que começamos, em pleno fim de semana de Copa do Mundo, quando o Edu estava em Portugal cobrindo uma corrida e não pôde participar. Eu gravava vídeos, tirava fotos e mandava para ele.”

Como foi a reforma antes do casamento de Ana e Edu

A modelo contou que o projeto começou com a intenção de resolver o problema da terra vermelha, que levantava pó por toda a propriedade. “Quando começamos a fazer a limpeza, eu disse: ‘A primeira coisa que temos que colocar aqui é grama.’ Por vários motivos: pela beleza, com certeza, e pela limpeza, já que é muito melhor para a casa e para toda a propriedade”, explicou.

Para cobrir uma grande extensão do espaço a tempo do casamento, o casal utilizou mais de 15 mil placas de grama plantadas com adubo orgânico. A fachada já estava coberta por grama do tipo Batatais, que foi mantida; o restante dos 6,5 mil m² de área verde foi coberto com grama São Carlos, pensada para o clima seco e ensolarado do município.

As plantas decorativas foram escolhidas para criar uma “cara mais orgânica, não tão marcadinha”, visando “beleza natural com cara de fazenda“. “Algumas já existiam no paisagismo e iam crescer muito bem, enquanto outras trouxemos como novidade após estudar se a região, o solo, o clima e a temperatura eram adequados”, contou Ana, citando a ajuda de uma empresa especializada.

Flores brancas e azuis foram posicionadas entre folhagens de costela-de-adão, “sem divisória entre a grama e as plantas”. “Como a casa tem um estilo clássico e tradicional, quis refletir isso nas plantas, usando buchinhos em diferentes momentos e tamanhos pelo jardim”, disse.

A apresentadora ainda elencou seus aprendizados sobre a natureza ao trabalhar na reforma do jardim. “Nos ensina que cada planta tem um tempo diferente e precisamos respeitar isso. Sou apaixonada por jardinagem e pela natureza. Aprendi que cada plantinha tem sua necessidade”, afirmou. “Não devemos ter pressa, porque a beleza do jardim acontece aos poucos.”

O vídeo ainda mostrou uma surpresa encontrada durante o processo: um ninho de beija-flor construído em meio a um arbusto na entrada da fazenda.

“Percebi um beija-flor voando por ali e descobri um pequeno ninho com um filhotinho!”, comemorou Ana. “Ele é totalmente camuflado com a estrutura da planta e é a coisa mais bonitinha; nunca tinha visto um beija-flor bebê tão de pertinho. É por isso que é tão legal trabalhar com a natureza.”

Jardim de sete camadas

Hickmann diz ter inspirado o planejamento de paisagismo da Casa Gialla em um conceito de jardim projetado para florescer o ano todo.

“Inspirei-me em uma tendência europeia que conheci através da Tamara, diretora de marketing da Veiling, que visitou a Holanda e me falou sobre os ‘jardins de sete camadas'”, detalhou. “O conceito consiste em misturar plantas de alturas variadas para que o jardim nunca pare de florescer, independentemente da estação do ano.”

A explicação da modelo recupera ideias da permacultura, um sistema de cultivo baseado em florestas frutíferas desenvolvido para restaurar áreas devastadas. As sete camadas propostas pelo horticultor Robert Hart, pioneiro dos jardins-floresta, são:

  1. Árvores de grande porte, em geral produtoras de nozes;
  2. Árvores frutíferas de pequeno porte ou anãs;
  3. Arbustos lenhosos, produtores de bagas ou frutas vermelhas;
  4. Plantas perenes, ervas medicinais e hortaliças;
  5. Plantas rasteiras que cobrem o solo e retêm umidade;
  6. Trepadeiras que escalam troncos, paredes e cercas;
  7. Plantas subterrâneas, como tubérculos.

Para preencher todas as camadas, o jardim já recebeu mais de mil mudas de diferentes espécies. “Para dimensionar o nosso trabalho: foram mais de 15 mil placas de grama, 420 mudas de lírio-da-praia, 380 mudas de Sunpatiens, 260 mudas de moréia, 14 buchinhos ornamentais grandes, 22 buchinhos pequenos, 55 mudas pequenas de viburno, 12 mudas grandes de viburno na frente da casa e 80 mudas de primavera”, listou.

Próximos passos na fazenda de Ana Hickmann

Já casados, Ana e Edu estão colocando em prática outros projetos de paisagismo. “Durante a terraplanagem, aproveitei para pedir ao meu amigo Alexandre que fizesse um buraco para o nosso futuro lago. O Edu adorou a ideia”, contou ela, “embora deva ficar para 2027.”

“A grama bem no centro da cerimônia está um pouco sofrida porque choveu muito no dia e a equipe de filmagem acabou pisando bastante”, disse Ana sobre o dia do casamento. “Mas ela vai se recuperar em algumas semanas com o sol e o tempo necessário.”

  •  

Ela usou o chat de mensagens do trabalho para combinar encontros com colega durante o expediente — e acabou demitida por justa causa

A 5ª Vara do Trabalho de Osasco-SP manteve a demissão por justa causa aplicada a uma funcionária que utilizou o Microsoft Teams corporativo para trocar mensagens de cunho pessoal e sexual com um colega de trabalho.

A decisão considerou que o uso da ferramenta ocorreu de forma frequente durante o expediente, com referências a encontros nas próprias dependências da empresa.

Confissão e uso de capturas de tela como prova

Em depoimento prestado à Justiça, a trabalhadora admitiu o relacionamento íntimo e a veracidade das capturas de tela anexadas aos autos. Segundo a juíza Cristiane Serpa Panzan, a declaração confirmou a autoria e deu força probatória aos documentos apresentados pela defesa.

A magistrada ressaltou que a infração não ocorreu pelo conteúdo da vida privada da funcionária, mas pela forma reiterada como o assunto particular foi introduzido no ambiente profissional.

Monitoramento corporativo e regras internas

A empresa comprovou no processo a existência de normas internas que disciplinam o uso dos recursos tecnológicos e preveem a supervisão dos sistemas empresariais. A sentença apontou que a fiscalização das ferramentas do sistema não configurou violação à intimidade ou privacidade, inserindo-se no exercício regular do poder diretivo empresarial.

A decisão destacou que a gravidade da conduta resultou da combinação entre:

  • Utilização de sistema corporativo durante a jornada;
  • Reiteração do comportamento ao longo de meses;
  • Referências a encontros íntimos nas instalações da companhia.

Leia Mais:

Caracterização de mau procedimento

A Justiça do Trabalho concluiu que a atitude ultrapassou o mero desvio ocasional e configurou mau procedimento e ato de indisciplina. Dessa forma, o pedido de reversão da justa causa foi negado. A ação ainda cabe recurso.

  •  

Ditado popular que diz que “a pressa é inimiga da perfeição” foi usado pela primeira vez no início do século XX por jurista baiano; relembre origem

A língua portuguesa é marcada por expressões e ditados populares utilizados em diferentes situações do cotidiano. Entre eles está o famoso “a pressa é inimiga da perfeição”, usado para definir situações em que a falta de paciência ou o excesso de velocidade podem comprometer o resultado final.

A expressão foi usada pela primeira vez no início do século XX pelo advogado, jornalista, escritor e jurista baiano Rui Barbosa, que criticou o curto espaço de tempo em que o Código Civil brasileiro era redigido. Na chamada Réplica, publicada em 1903, Barbosa escreveu negativamente sobre a redação e os erros de linguagem do documento, usando a frase como forma de “alfinetar” o governo.

Em 1907, de acordo com a Academia Brasileira de Letras, Barbosa foi escolhido como o representante brasileiro para a 2ª Conferência Internacional de Paz de Haia, na Holanda. Em seu discurso no evento, ele voltou a usar a expressão de uma forma diferente, dizendo: “a pressa é também a mãe do tumulto e do erro”.

O encontro internacional histórico teve como objetivo estabelecer a paz e a igualdade jurídica e evitar conflitos entre as nações. O papel de Barbosa foi de grande importância, o que levou a se tornar um dos “Sete Sábios de Haia”, comitê especial que visava criar um tribunal internacional de justiça.

Na vida política, Rui Barbosa também se dedicou à defesa da abolição da escravidão e ao fortalecimento do sistema federativo.Ele exerceu o cargo de ministro da Fazenda do Governo Provisório (1930 – 1934) e foi senador de 1890 a 1922, desempenhando um papel fundamental na elaboração das linhas fundamentais da Constituição Federal de 24 de fevereiro de 1891.

Museu seleciona pesquisadores da língua portuguesa em quatro continentes

  •  

Cientistas mandam robô a abismo no Atlântico e encontram ‘Patrick Estrela’ da vida real a milhares de metros de profundidade

Uma expedição científica realizada nas profundezas do Oceano Atlântico revelou uma surpreendente diversidade biológica oculta no fundo do mar. Uma equipe internacional de biólogos identificou um total de 57 novas espécies e cinco novos gêneros de seres marinhos que habitam a costa da Argentina, revelando ecossistemas ainda pouco compreendidos pela ciência.

Entre os achados que mais chamaram a atenção dos pesquisadores estava uma estrela-do-mar com formato e características físicas que lembram o personagem Patrick Estrela, do famoso desenho animado Bob Esponja. Embora o espécime em questão não se trate de uma nova espécie não catalogada, sua semelhança marcante com a atração da cultura pop virou destaque durante a análise das imagens coletadas nas profundezas.

Análises intensas em Buenos Aires

O trabalho de identificação detalhada dos exemplares exigiu duas semanas de análises intensas durante um workshop realizado na Universidade Maimónides, localizada em Buenos Aires. Os organismos haviam sido recolhidos em agosto de 2025 durante uma missão conduzida pelo Instituto Oceanográfico Schmidt, organização de pesquisa sediada nos Estados Unidos.

Para alcançar o ecossistema abissal, os cientistas utilizaram o SuBastian, um veículo operado remotamente (ROV, na sigla em inglês). A maior parte das coletas ocorreu no Cânion de Mar del Plata, uma imensa fenda submarina situada no litoral argentino, local onde a luz do sol não chega e a pressão da água é extremamente elevada.

De pepino-do-mar ‘Loki’ a novos corais abissais

O mapeamento das 57 novas espécies revelou uma expressiva variedade de invertebrados marinhos divididos em grupos específicos. A contagem final incluiu 22 equinodermos (categoria que abrange crinoides e pepinos-do-mar), 20 copépodes (um grupo de pequenos crustáceos), 14 cnidários (como corais pétreos, octocorais e penas-do-mar), além de uma nova espécie de molusco.

A expedição catalogou cinco novos gêneros distribuídos entre crustáceos, corais e pepinos-do-mar. Entre os organismos capturados em imagens pelo robô subaquático destacam-se uma pena-do-mar do gênero Pseudumbellula, um pepino-do-mar apelidado pelos cientistas de “Loki” e outro do gênero Benthothuria.

Dados acessíveis para proteger o Atlântico Sul

A descoberta reforça como os ecossistemas do oceano profundo permanecem amplamente desconhecidos e necessitam de mapeamento contínuo. Em comunicado oficial, a oceanógrafa Jyotika Virmani, diretora do Instituto Oceanográfico Schmidt, ressaltou o impacto do estudo para o conhecimento biológico mundial.

Segundo Jyotika, ao identificar essas novas espécies, os cientistas ampliaram a compreensão sobre a vida marinha no Atlântico Sul. A oceanógrafa destacou ainda que, por meio da parceria com o Censo Oceânico, todos os dados levantados na expedição serão disponibilizados de forma acessível para pesquisadores de todo o planeta.

  •  

Como transformar cascas de laranja e vinagre em um poderoso limpador multiuso caseiro após duas semanas

Um ingrediente que geralmente vai para o lixo pode virar seu aliado na cozinha. Para isso, é preciso “esquecê-lo” por duas semanas misturado a outro item bem barato que costuma estar na despensa. Depois desse período, vira um removedor para gordura e calcário bem útil para o dia a dia.

Estamos falando das cascas de laranja. Depois de chupa-las ou fazer suco, separe as cascas, lave-as em água corrente e deixe escorrer, colocando em seguida em um pote com vinagre branco, cobrindo como se fosse uma conserva. Tampe e, passadas duas semanas, coe.

Por que funciona?

A recomendação é diluir em proporções iguais na hora de usar – por exemplo, 100 ml da solução em 100 ml de água. A combinação vira um desengordurante natural: o ácido acético do vinagre ajuda a dissolver a gordura acumulada em fogões, armários e exaustores, por exemplo, além de soltar minerais encrustados, como calcário e resíduos de sabão – podendo ser aplicada também no banheiro.

As cascas de laranja deixam um “perfume” cítrico, por conta do período em conserva, ajudando a neutralizar cheiros indesejados. Além disso, o óleo essencial de limoneno presente na casca atua como repelente para insetos, podendo ser borrifado na lixeira para evitar a proliferação de moscas e mosquitos.

Onde não aplicar

Por conta do ácido presente na mistura, a aplicação em superfícies como mármore e alguns granitos, metais delicados, madeira não selada ou suscetível à umidade e superfícies eletrônicas deve ser evitado.

Veja como preparar a solução:

  •  

9 curiosidades sobre o plástico que você provavelmente não sabia

O que vem à sua cabeça quando alguém fala em plástico? Provavelmente garrafas PET, sacolas e embalagens. Mas ele também está presente em roupas, equipamentos eletrônicos, automóveis e muitos outros produtos.

Existem diferentes tipos de plástico, o que determina sua composição é a estrutura polimérica que o compõe. Os plásticos são feitos de polímeros, que são grandes moléculas formadas pela repetição de pequenas unidades químicas. Dependendo da composição, esses materiais podem ser rígidos, flexíveis, elásticos ou resistentes ao calor. É essa variedade de propriedades que permite tantas aplicações.

 

 1. Uma garrafa PET pode se transformar na roupa que você veste

Uma garrafa PET encaminhada a reciclagem pode virar matéria prima para uma nova garrafa ou até mesmo fibra para a fabricação de roupas. Segundo a organização internacional Textile Exchange, 97% do poliéster reciclado produzido em 2025 teve origem em garrafas plásticas, e não em resíduos têxteis.

O poliéster é encontrado em camisetas esportivas, calças de academia e jaquetas. Sua resistência, secagem rápida e menor tendência a amassar explicam a presença da fibra nessas peças.

Em 2025, o poliéster respondeu por 59% da produção mundial de fibras, cerca de 82,5 milhões de toneladas. O algodão ficou em segundo lugar, com 18%.

 

 2. Até seu tênis de couro pode ter plástico

Mesmo quando a parte externa é feita de couro, um tênis pode conter diferentes tipos de plástico no solado, na palmilha e na entressola.

Em muitos modelos de corrida, por exemplo, a espuma responsável pelo amortecimento é produzida com EVA ou poliuretano, materiais poliméricos sintéticos que absorvem parte do impacto durante a caminhada ou a corrida.

Outros polímeros são empregados no solado, para resistir ao desgaste provocado pelo contato com o chão, e em partes internas que precisam oferecer flexibilidade e sustentação.

 

 3. Mais de um terço do peso de alguns celulares é plástico

Um estudo realizado com 23 smartphones identificou que os plásticos representavam, em média, 37% da massa dos aparelhos analisados. O percentual variava entre os modelos.

Boa parte desse plástico fica escondida dentro do celular. Os polímeros estão presentes em componentes como:

  • Cabos e fios internos: isolamento elétrico.
  • Placas de circuito: estrutura e isolamento.
  • Câmeras: peças com propriedades ópticas.
  • Alto-falantes e microfones: membranas e componentes flexíveis.
  • Adesivos e vedações: fixação e proteção.

O uso do plástico em equipamentos elétricos e eletrônicos é muito anterior aos smartphones. No início do século XX, surgiu a baquelite, um dos primeiros plásticos totalmente sintéticos produzidos em escala industrial. Resistente ao calor e capaz de isolar a eletricidade, o material foi empregado na fabricação de rádios, telefones e outros aparelhos.

 

 4. O plástico salvou tartarugas, já que o casco do animal era utilizado na produção de pentes e armação de óculos

Durante séculos, o casco da tartaruga-de-pente foi utilizado na fabricação de pentes, armações de óculos e acessórios de cabelo. Valorizado pela aparência, resistência e facilidade de moldagem, o material era obtido por meio da captura desses animais.

No século XIX, surgiu o celuloide, um dos primeiros tipos de plástico, que permitiu reproduzir a aparência do casco sem utilizar matéria-prima animal. Segundo o Cooper Hewitt, museu de design ligado ao Smithsonian, em Nova York, acessórios feitos com celuloide já imitavam o casco de tartaruga na década de 1880.

Ainda assim, a exploração das tartarugas continuou no século XX. Só para se ter ideia, entre 1950 e 1992, o Japão importou mais de 310 toneladas de casco, volume associado à captura estimada de cerca de 1,3 milhão de animais.

 

 5. O plástico ajuda a proteger você de choques elétricos

Em muitos cabos elétricos, o metal que conduz a corrente é revestido por uma camada de plástico. Como o plástico é isolante elétrico, essa proteção reduz o risco de choques e curtos-circuitos, desde que esteja íntegra e seja adequada à instalação.

O plástico também está presente em tomadas, interruptores e conectores. Nesses componentes, além de impedir o contato direto com partes energizadas, os materiais utilizados precisam resistir ao calor e às condições de funcionamento dos equipamentos.

 

 6. Você provavelmente dorme sobre um tipo de plástico

Colchões já foram preenchidos com penas, lã, algodão, crina de cavalo e fibras vegetais. No século XX, as espumas sintéticas começaram a ganhar espaço na fabricação desses produtos.

Uma delas é a espuma de poliuretano, um tipo de plástico que pode apresentar diferentes níveis de maciez, elasticidade e firmeza, dependendo de sua composição.

Atualmente, o poliuretano é encontrado não apenas em colchões, mas também em travesseiros, sofás e outros estofados.

 

 7. O plástico pode ajudar a reduzir o consumo de combustível

Painéis, para-choques, revestimentos internos e outras peças dos automóveis podem ser fabricados com plástico. Em determinadas aplicações, esses materiais substituem componentes mais pesados, reduzindo o peso total do veículo e a energia necessária para movimentá-lo.

Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, uma redução de 10% no peso de um automóvel pode melhorar a economia de combustível entre 6% e 8%. O benefício não é exclusivo do plástico, já que outros materiais leves também são utilizados pela indústria automobilística.

A substituição, porém, depende das exigências de resistência e segurança de cada peça.

 

 8. O plástico é indispensável na segurança hospitalar

Seringas descartáveis estão entre as aplicações mais conhecidas do plástico na medicina, mas o material também é utilizado em tubos, bolsas para soluções intravenosas, sistemas de infusão e embalagens de instrumentos médicos.

Bolsas e tubos precisam ser flexíveis e resistentes para permitir a administração de líquidos e medicamentos. Já determinadas embalagens plásticas protegem instrumentos e dispositivos esterilizados contra a contaminação até o momento do uso.

 

 9. O plástico também ajuda a evitar o desperdício de alimentos

Uma embalagem plástica pode prolongar a conservação dos alimentos ao protegê-los contra umidade, oxigênio, luz, contaminação e danos físicos, dependendo de sua composição.

Leite, carnes, frutas e biscoitos, por exemplo, exigem condições diferentes de armazenamento. Até as embalagens cartonadas de longa vida, como as utilizadas em caixas de leite, contêm camadas de plástico que ajudam a impedir a passagem de umidade e a proteger o conteúdo. Elas combinam papel-cartão, polietileno e, em muitos modelos, alumínio.

Uma pesquisa realizada em março de 2025 pelo instituto Nexus para o Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), com 2.009 entrevistados, mostrou que 87% dos brasileiros ouvidos concordaram que as embalagens plásticas contribuem para preservar a qualidade dos produtos e evitar o desperdício de alimentos.

 

E depois do uso, para onde vai todo esse plástico?

Após o uso, os resíduos plásticos podem ter diferentes destinos, como a reciclagem e a disposição em aterros sanitários licenciados, que são estruturas projetadas para recebê-los de forma controlada, com medidas para reduzir os riscos de contaminação do solo e da água. A reciclagem, por sua vez, permite reaproveitar materiais e reduzir a necessidade de novas matérias-primas, embora sua viabilidade dependa do tipo de plástico, da coleta, da triagem e das tecnologias de processamento disponíveis.

O maior problema está no descarte inadequado, quando esses resíduos acabam em ruas, rios, solos e oceanos, podendo causar impactos ambientais. Em uma pesquisa realizada em março de 2025 pela Nexus para o Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), 93% dos entrevistados concordaram que embalagens plásticas descartadas incorretamente causam impactos negativos ao meio ambiente. Ao mesmo tempo, 61% consideraram impossível evitar essas embalagens no dia a dia.

Por isso, ampliar a conscientização sobre o consumo e o descarte correto é fundamental. Reduzir o consumo desnecessário, reutilizar produtos sempre que possível, separar os resíduos e encaminhá-los para a coleta seletiva são atitudes que contribuem para o melhor aproveitamento dos materiais e para a redução dos impactos ambientais.

“A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”.
  •  

Caça aos pinguins e naufrágio na Patagônia: cientistas encontraram embarcação de 1873 em local famoso por destruir navios

Em 1873, o marinheiro argentino Luis Piedra Buena e sua tripulação partiram a bordo do navio Espora rumo ao perigoso Estreito de Le Maire, próximo à Patagônia, com o objetivo de caçar pinguins para extrair gordura e produzir óleo. 

Durante a travessia por essa região conhecida por destruir embarcações, o navio acabou naufragando nas proximidades da Ilha dos Estados. Os marinheiros se tornaram náufragos em um local remoto, onde construíram um acampamento improvisado na encosta de um morro e utilizaram destroços da própria embarcação para montar um pequeno barco a vela, conseguindo posteriormente escapar e chegar até o Chile.

Vestígios achados na Baía de Franklin

Recentemente, arqueólogos que exploravam a Baía de Franklin encontraram as estruturas de madeira de um navio do século 19, acompanhadas por ruínas de um acampamento de sobrevivência. Entre os itens desenterrados pela equipe de pesquisa estão vigas de madeira reaproveitadas, um prisma de convés e objetos pessoais como garrafas de vidro, botões, contas e ferramentas manuais. A descoberta foi publicada no periódico científico Antiquity e divulgada pelo portal IFLScience.

Cautela científica na identificação dos restos

Apesar de a localização e os artefatos resgatados indicarem fortemente que o achado pertence à expedição de Piedra Buena e seus marinheiros, os pesquisadores mantêm a cautela e continuam realizando testes para confirmar oficialmente a identidade do navio. Os dados coletados sugerem que os náufragos desmontaram partes do navio original para fabricar a pequena embarcação que permitiu sua fuga da ilha deserta.

  •  

Gêmeos siameses construíram legado no esporte radical e superaram a medicina ao viverem 3 vezes mais que o previsto

Os gêmeos siameses José Luis e José Armando Cevallos Herrera, conhecidos como “os gêmeos do Equador”, morreram na última semana, aos 27 anos. Desafiando as expectativas dos médicos, que acreditavam que a dupla não conseguiria chegar até os 10 anos, eles construíram um legado de superação, mostrando a rotina nas redes sociais e passando a mensagem de que a deficiência não impede ninguém de ser feliz.

Os dois nasceram no dia 8 de setembro de 1999, na província de Guayas. Durante a gravidez, a mãe dos gêmeos esperava apenas um bebê, e todos ficaram surpresos quando descobriram que se tratava de duas crianças unidas pelo tórax e pela pélvis.

Durante a infância, José Luis e José Armando sofreram bullying por conta de sua condição física, que os impedia de andar. Eles precisavam se arrastar para se locomover, posteriormente usando um carrinho com rodas, semelhante a um skate. Nos vídeos publicados no Instagram, os gêmeos aparecem em cima do instrumento em diversos registros.

Leia Mais:

A possibilidade de se separarem sempre existiu, com um elevado risco de apenas um sobreviver. No entanto, a cirurgia nunca aconteceu, pois eles sentiam um laço que os unia para além do físico. Em um documentário do Discovery Channel, José Luis afirmou que “se nascêssemos de novo, seríamos gêmeos siameses.”

Em abril desse ano, os dois desembarcaram na Colômbia para um tratamento para melhorar o movimento das pernas e realizar o sonho de caminhar. Segundo a família e a mídia local, as mortes ocorreram na última quinta-feira (15), após uma parada cardíaca.

Segundo a Revista Vistazo, do Equador, José Armando relatou fortes dores na perna e no abdômen. A equipe médica administrou analgésicos, mas, nesse momento, José Luis sofreu uma parada cardíaca, da qual conseguiram reanimá-lo.

José Armando viu a cena em estado de choque. Duas horas depois, ele sofreu um ataque cardíaco e, em seguida, o coração do irmão também parou.

No Instagram, a família publicou um comunicado oficial sobre a morte.

Atriz vencedora do Oscar diz que irmãos a “mantiveram humilde” após vitória

 

  •  

Kitnets para alugar: quanto custa construir 4 unidades e como economizar na obra? Entenda

O investimento para construir 4 kitnets com banheiro e cozinha individuais pode variar entre R$ 350 mil e R$ 600 mil no padrão médio de mercado para modelos de 30 m². Em projetos otimizados de 20 m² construídos com execução direta, o custo total pode iniciar em aproximadamente R$ 200 mil, cerca de R$ 50 mil por unidade.

O valor final do empreendimento é impactado diretamente pela metragem quadrada, pelo equilíbrio entre instalações hidráulicas e elétricas e pela precificação do aluguel para definir o tempo de retorno sobre o capital.

Metragem e ganho de escala no orçamento

A definição da metragem quadrada é a variável de maior peso no custo inicial de construção. Unidades compactas entre 20 m² e 30 m² oferecem a relação mais eficiente entre aproveitamento de espaço e valor investido.

Construir 4 kitnets de forma simultânea permite obter economia de escala de até 20% no custo total. Essa redução ocorre devido à padronização da planta, compras em lote e compartilhamento de estruturas, como fundações e paredes divisórias. A ampliação da área para 40 m² ou 45 m² faz elevar os custos de alvenaria e acabamento sem proporcionar um aumento proporcional no valor arrecadado com a locação.

Instalações hidráulicas e elétricas: divisão de custos

A distribuição financeira das instalações deve considerar paridade entre etapas técnicas. Em projetos de 60 m², o custo de instalação hidráulica fica em torno de R$ 8 mil, enquanto a instalação elétrica cerca de R$ 6,5 mil.

Para otimizar esses gastos no projeto de 4 unidades, a prática recomendada consiste em alinhar os banheiros e cozinhas em paredes contíguas. Essa disposição centraliza as prumadas de água, esgoto e os conduítes elétricos, reduzindo a metragem de tubulações e o tempo de execução da mão de obra.

Como reaver o investimento?

O valor do aluguel de uma kitnet depende da localização geográfica, do padrão dos acabamentos e do modelo de gestão – locação tradicional ou por temporada.

A opção por construir múltiplas unidades de menor porte diminui o risco de vacância, garantindo receita contínua mesmo quando uma das unidades está desocupada.

Além disso, a inclusão de mobília funcional ou itens essenciais amplia o valor percebido do imóvel, permitindo cobranças mais competitivas no mercado.

Regularização e planejamento prévio

A previsibilidade financeira da obra depende do detalhamento de etapas como fundação, alvenaria, cobertura, instalações e revestimentos.

A aprovação do projeto arquitetônico na prefeitura local e a emissão do alvará de construção são exigências legais que evitam paralisações, multas e atrasos na entrega dos imóveis para locação.

  •  

Homem instalou câmera que grava áudio e vídeo do vizinho, mas depois descobriu que ação é ilegal e tem prejuízo com indenização para pagar

Um sul-matogrossense de Paranaíba foi condenado a pagar R$ 3 mil de indenização a uma vizinha e a alterar a posição de suas câmeras de segurança que havia instalado em casa. O caso foi julgado na 1ª Vara Cível de Paranaíba e a condenação foi mantida mesmo após apelo do réu.

O cenário que foi parar na Justiça no começo de 2026 também se repete em várias outras vizinhanças pelo Brasil à medida que sistemas de vigilância doméstica ganham popularidade.

O dono das câmeras alegou que precisava da aparelhagem de segurança para proteger seus filhos enquanto estava fora de casa.

Já a vizinha, que entrou com a ação na Justiça, disse que as câmeras mostravam seu próprio quintal e áreas internas. Ela alegou ter tido sua privacidade violada e citou a sensação de estar sendo vigiada.

Se você deseja instalar câmeras na área externa de casa, é possível proteger-se de um processo semelhante. E, caso sinta sua própria privacidade invadida pelos aparelhos de um vizinho, especialistas ditam o caminho para ir atrás dos seus direitos.

Para onde posso apontar a câmera de segurança externa?

Ter acesso a imagens de sua própria casa para proteger a família e os bens materiais é compreensível e não fere a lei. É possível ter múltiplas câmeras na área externa da casa e, inclusive, direcionadas para a rua, sem abrir espaço para problemas judiciais.

O limite importante é a privacidade dos vizinhos: se a câmera capta vídeo ou áudio de uma parte considerável da fachada ou do interior de outra casa, e se poderia ser movida para minimizar a invasão sem comprometer a segurança.

“Se a câmera [de um vizinho] por acaso pega um pedaço da sua casa, de forma inevitável por causa do ângulo da rua, até aí pode ser tolerado”, diz a advogada Andreza Almeida, especialista em direito processual civil pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). “Se a câmera está direcionada claramente para dentro do seu espaço, a situação muda completamente.”

A calçada e a rua, por serem áreas públicas, podem ser monitoradas pela câmera de segurança sem configurar invasão de privacidade.

A dica dos especialistas é apontar a câmera para a fachada da própria casa e buscar ângulos que não permitam visualizações explícitas dos portões, janelas, quintais e varandas dos vizinhos.

O que fazer se sinto que estou sendo filmado por meu vizinho?

“Ninguém é obrigado a viver sendo filmado dentro da própria casa”, afirma o advogado imobiliário José Carlos Machado. Ele cita múltiplas possibilidades de ação para o morador que está tendo sua casa gravada por câmeras alheias.

Conversa amigável

Se você não deseja ajuizar o problema antes de tentar uma solução amigável, tente expor sua preocupação ao vizinho responsável pelas câmeras e propor uma solução conjunta. Pergunte se é possível encontrar um ângulo que minimize a exposição da sua casa sem perder de vista a rua ou a casa protegida. Priorize meios de comunicação escrita, como mensagem, carta ou e-mail, para guardar provas da negociação.

Aviso formal

Caso não haja cooperação, outra estratégia é buscar apoio jurídico para enviar uma notificação extrajudicial. Este documento não dá início a nenhum processo, mas alerta o destinatário de que providências poderão ser tomadas se um acordo não for firmado entre as partes.

Registrar o ocorrido

O terceiro passo é registrar um Boletim de Ocorrência relatando perturbação da tranquilidade e invasão de privacidade. Para comprovar sua queixa, é possível tirar fotos da câmera, a posição e o ângulo relativo à sua casa. Tente também gravar o possível ponto de vista da câmera do vizinho para comprovar que as áreas privadas estão, de fato, no campo de visão.

Ajuizamento

Com as provas em mãos — as tratativas por escrito, a notificação extrajudicial, as imagens do sistema de segurança e um B.O. — o que resta é acionar a Defensoria Pública ou um advogado particular para dar seguimento ao caso.

Entre as ações possíveis estão uma Ação de Obrigação de Fazer, que poderia determinar a retirada ou o reposicionamento das câmeras, e uma Ação Indenizatória por violação de privacidade e outros danos.

  •  

O que acontece quando você coloca bicarbonato de sódio e água morna nos pés? Entenda para que serve a combinação

Quando chega do trabalho ou estudo, você olha para os pés e os liberta dos calçados que os deixaram abafados, dando de cara com rachaduras e odores desagradáveis. Uma solução que precisa de apenas dois ingredientes e 15 minutos disponíveis promete fazer milagres.

Quando os pés entram em contato com água morna e bicarbonato de sódio, a pele endurecida e o cansaço são aliviados, pois a mistura atua em amolecer as camadas superficiais e ásperas da epiderme e neutraliza os compostos ácidos que as bactérias produziram por conta da transpiração excessiva dentro do calçado.

Como preparar o escalda-pés

Uma bacia que caibam seus pés, água morna, três colheres de sopa de bicarbonato de sódio e uma toalha é tudo o que você precisa. Após esquentar a água, coloque seus pés na bacia e despeje o líquido suficiente para cobri-los, adicionando duas colheres do bicarbonato. Use um dos pés para massagear o outro, passando-o por cima e pelas laterais – inclusive os calcanhares.

Com as mãos, massageie o calcanhar com o polegar, sem tirar os pés da bacia. Jogue mais uma colher de bicarbonato e esfregue cada unha com as mãos por cima e nas pontas – combatendo fungos que possam estar atingindo-as.

Por fim, massageie a sola dos pés com movimentos circulares e seque muito bem com a toalha, inclusive entre os dedos. Não é necessário enxaguar.

O procedimento pode ser feito todos os dias, preferencialmente antes de dormir, ou pelo menos duas vezes por semana, para que surta efeito.

Por que funciona?

Diluído, o bicarbonato altera o pH local, facilitando a remoção de células mortas na região dos pés e espantando a chance de mau cheiro na região, mantendo a higiene.

A recomendação é que o procedimento não ultrapasse 20 minutos. A pele então está pronta para receber hidratação, caso queira adicionar esse cuidado. Se os pés estão com feridas abertas, cortes, bolhas ou dermatites, o ideal é procurar orientação médica, evitando reações indesejadas.

Veja como preparar o escalda-pés com água morna e bicarbonato de sódio

Pés gelados: Entenda como a ciência explica

 

  •  

Mistério da “Cachoeira de Sangue” esconde vida marinha ancestral na Antártida

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou a presença de vida marinha ancestral em funcionamento nas águas avermelhadas e hipersalinas de Blood Falls (Cataratas de Sangue), localizadas no Glaciar Taylor, na Antártida. O estudo, baseado na análise de material genético (RNA) coletado no local, confirmou que micro-eucariotas marinhos — incluindo diatomáceas e dinoflagelados — continuam metabolicamente ativos e realizando fotossíntese, mesmo estando fisicamente isolados do oceano moderno há milênios.

A descoberta oferece evidências moleculares diretas de como ecossistemas marinhos do passado conseguiram persistir aprisionados sob espessas camadas de gelo após antigas mudanças no clima polar.

A origem das águas vermelhas no Glaciar Taylor

As chamadas Cataratas de Sangue são formadas pelo derramamento esporádico de uma salmoura subglacial rica em ferro e sal, aprisionada sob o Glaciar Taylor, nos Vales Secos de McMurdo.

Pesquisas biogeoquímicas indicam que essa água salgada se originou quando antigas incursões do oceano inundaram o vale durante períodos interglaciais mais quentes. À medida que a geleira avançou, a água do mar ficou confinada em um reservatório subterrâneo sem contato direto com a atmosfera.

Até então, a ciência conhecia apenas bactérias adaptadas a esse ambiente anóxico e escuro. No entanto, a nova análise comprovou que organismos mais complexos, pertencentes a linhagens marinhas de microalgas, também habitam o sistema e mantêm atividades metabólicas essenciais.

Análise de RNA confirma atividade metabólica e fotossíntese

Para verificar se os organismos encontrados no gelo avermelhado eram residentes ativos ou apenas resíduos fósseis transportados pelo vento, os cientistas utilizaram sequenciamento genético e metatranscritômica. As amostras revelaram a presença de RNA funcional de diatomáceas (como os gêneros Fragilariopsis e Chaetoceros) e dinoflagelados (Gymnodiniaceae).

Os dados indicaram a ativação de rotas metabólicas ligadas à fotossíntese, respiração celular, transporte de íons e reparo de DNA. Segundo a pesquisa, esses micro-organismos acionam mecanismos de osmoadaptação e tolerância a estresse salino quando a salmoura emerge e interage com a luz solar e a água de derretimento da superfície.

Em períodos desfavoráveis, as células conseguem entrar em estados de dormência ou encistamento, preservando sua viabilidade no gelo por longos intervalos.

Isolamento geográfico e divergência genética

O mapeamento de redes mostrou divergências genéticas entre as populações de Blood Falls e as espécies que povoam atualmente o Sound de McMurdo, a região oceânica mais próxima.

Essa variação genômica reforça que essas comunidades não foram trazidas recentemente pelo vento, mas descendem de populações oceânicas isoladas no local há milhares de anos.

Testemunhas biológicas do clima do passado

A constatação de que organismos marinhos fotossintetizantes conseguem sobreviver em salmouras subglaciais expande a compreensão sobre os limites da vida em ambientes extremos. Além disso, estabelece o Glaciar Taylor como um refúgio biológico relictual, onde assinaturas vivas de eras geológicas passadas permanecem preservadas.

Os resultados fornecem um modelo para investigar a capacidade de adaptação de ecossistemas polares diante de futuras variações climáticas e auxiliam na busca por biossinaturas em corpos celestes congelados.

  •  

A China declarou guerra aos pardais batendo panelas — e acabou abrindo caminho para uma praga devastadora de gafanhotos

Em 1958, durante o governo de Mao Zedong, a China implementou uma campanha para erradicar a população de pardais no país, sob a premissa de que as aves consumiam grãos e prejudicavam a produção agrícola.

A medida, contudo, reduziu o controle natural de insetos nas lavouras e causou a proliferação de pragas que afetaram as colheitas.

A Campanha das Quatro Pragas e os métodos de extermínio

A ofensiva contra as aves integrou a chamada Campanha das Quatro Pragas, diretriz que visava também a eliminação de ratos, moscas e mosquitos para alterar as condições sanitárias e expandir a oferta de alimentos.

Para atingir o objetivo, moradores de áreas urbanas e rurais foram mobilizados para bater panelas, frigideiras e tambores. O barulho contínuo impedia o pouso dos pássaros, provocando a morte das aves por exaustão. As ações incluíram ainda a destruição de ninhos e a aplicação de venenos.

Desequilíbrio ecológico e proliferação de gafanhotos

A estratégia governamental desconsiderou que os pardais se alimentavam de insetos prejudiciais às plantações, sobretudo no período de reprodução. Sem a presença dos predadores, houve expansão populacional de gafanhotos, que intensificaram os danos às safras.

A queda na produção agrícola coincidiu com a Grande Fome Chinesa, ocorrida entre 1959 e 1961 durante o programa Grande Salto Adiante. O período de escassez decorreu de fatores múltiplos, como políticas de produção e eventos climáticos adversos, mas a eliminação das aves contribuiu para o agravamento da situação.

Impactos mensurados nas safras de arroz e trigo

Um estudo publicado em 2025 por pesquisadores ligados à Universidade de Chicago e ao National Bureau of Economic Research (NBER) analisou estatísticas históricas de produção e mortalidade do período.

Os dados apontam que regiões com maior adequação geográfica à presença de pardais registraram reduções adicionais de 5,3% na produção de arroz e de 8,7% na de trigo, em comparação com locais de menor ocorrência da espécie.

A pesquisa estima que os impactos decorrentes da campanha tenham contribuído para cerca de 2 milhões de mortes adicionais durante a crise alimentar.

Leia Mais:

Revisão da diretriz em 1960

Em resposta às consequências ambientais e agrícolas observadas no campo, o governo chinês retirou os pardais da lista de eliminação em 1960. A ave foi substituída pelos percevejos na campanha nacional.

O episódio é registrado na história ambiental como exemplo dos impactos causados pela intervenção em ecossistemas sem a consideração do papel biológico desempenhado pelas espécies.

  •  

Por que o peso varia tanto ao longo do dia? Entenda o que altera os números na balança e saiba quando realmente você deve se pesar

Uma balança à disposição pode ser uma tentação para quem está com obsessão em perder peso. Mas conferir os quilos várias vezes ao dia é um erro que precisa ser evitado – afinal, vários fatores fazem com que o peso corporal sofra muitas variações o tempo todo.

Para se ter uma ideia, o número que o ponteiro (ou o painel digital) aponta pode mudar por diversos motivos. “O peso pode oscilar naturalmente de um dia para o outro. Uma pequena elevação não significa, necessariamente, ganho de gordura ou que a pessoa fez algo errado. A retenção de líquidos, o consumo de sal, a hidratação, o funcionamento do intestino e até a quantidade de alimentos e líquidos presentes no organismo podem influenciar o resultado”, diz a nutricionista Fernanda Lopes, da Six Clinic, plataforma de telessaúde voltada para obesidade e sobrepeso. Em entrevista à CNN Brasil, ela explica tudo o que é preciso levar em conta e a frequência que as pessoas devem se pesar.

Observe-se

O primeiro passo é observar se a mudança de peso foi pontual ou se está acontecendo de forma persistente. Na avaliação nutricional, hábitos alimentares, ingestão de água, funcionamento do intestino, o uso de medicamentos, mudanças recentes na rotina, sinais como inchaço, cansaço, palpitações e mudanças no apetite são considerados.

Alimentos e bebidas interferem no resultado até que a digestão e a eliminação sejam concluídas. Logo após o exercício físico, a balança pode mostrar uma redução provocada principalmente pela água eliminada no suor. Treinos mais intensos, por outro lado, podem elevar o resultado no dia seguinte, pois a recuperação muscular envolve o direcionamento de líquidos aos tecidos trabalhados.

“O número da balança não conta toda a história sobre a saúde de uma pessoa. Duas pessoas podem ter o mesmo peso e apresentar diferenças na quantidade de gordura, massa muscular e na distribuição dessa gordura pelo corpo. Além disso, é possível haver mudanças positivas nos hábitos alimentares, na disposição física e na composição corporal mesmo quando o peso muda pouco”, adianta.

Investigando as causas

A partir desse primeiro contato, pode ser marcada uma avaliação médica para pedir exames específicos, e o tratamento depende da causa identificada, variando de pessoa para pessoa. Caso não tenha tempo de se deslocar com frequência a consultas com nutricionistas, consultas por telemedicina são uma opção para acompanhar mudanças, receber orientações e investigar resultados.

exame tireóide
Tireóide pode influenciar na perda ou ganho de peso, e deve ser investigada • NoSystem images/Getty Images

Fernanda diz que inchaço abdominal não significa necessariamente ganho de gordura e que retirar glúten ou lactose da alimentação não provoca emagrecimento automaticamente.  Problemas na tireoide, intolerância a glúten ou lactose, por exemplo, também afetam os números, assim como o ciclo menstrual para mulheres.

“O hipertireoidismo pode favorecer a perda de peso. Já no hipotireoidismo, por exemplo, pode ocorrer aumento de peso, geralmente modesto e parcialmente relacionado à retenção de líquidos. Intolerância à lactose pode provocar gases, distensão abdominal e diarreia. A doença celíaca, uma condição autoimune desencadeada pelo glúten, pode prejudicar a absorção de nutrientes e contribuir para a perda em alguns casos”, esclarece a nutricionista.

Quando se pesar?

A profissional lembra que é importante considerar o impacto emocional da pesagem. “Se se pesar com frequência provoca ansiedade, culpa ou preocupação excessiva com o corpo, é melhor reduzir a frequência ou realizar esse acompanhamento do peso somente com o auxílio de um profissional.

Pesar-se semanalmente pode ser uma estratégia útil para acompanhar a evolução do peso. Já a pesagem diária é aconselhada quando é necessário identificar tendências ao longo do tempo de acompanhamento.

O objetivo é utilizar o peso como uma ferramenta para acompanhar a saúde, e não como motivo de cobrança“. E existe um melhor horário para subir na balança?

“Para comparar os resultados com mais segurança, uma boa opção é pesar-se pela manhã, depois de ir ao banheiro e antes de comer ou beber água. O ideal é utilizar sempre a mesma balança, colocada sobre um piso firme e plano, e usar roupas leves ou semelhantes nas diferentes medições. Mesmo seguindo todos esses cuidados, é normal que o peso varie. Isso acontece porque nosso corpo passa por mudanças naturais ao longo do dia. Por isso, em vez de se preocupar com um número isolado, vale observar a tendência ao longo das semanas e interpretar os resultados dentro do contexto de cada pessoa”, indica Fernanda.

Exame mais completo

Enquanto a balança mostra apenas o peso, o exame de bioimpedância, que pode ser repetido a cada dois ou três meses, dá um panorama mais completo da composição corporal, mostrando como água, gordura e massa (músculos, ossos e tecidos) estão distribuídos. Esse intervalo, no entanto, não é uma regra universal, dependendo dos objetivos e necessidades de cada pessoa.

“É importante não interpretar cada oscilação como um sinal de fracasso. O corpo não funciona como uma conta exata, e pequenas variações fazem parte do seu funcionamento normal. O acompanhamento nutricional ajuda a entender essas mudanças e a avaliar a evolução de forma individualizada, sem depender exclusivamente da balança”, finaliza.

  •  

Quando mentir deixa de ser algo ocasional? Entenda os sinais de que a mentira pode ter se tornado um padrão

Mentir para escapar de uma situação constrangedora, esconder um erro ou evitar um conflito é um comportamento que pode aparecer em diferentes momentos da vida. O alerta surge quando inventar ou distorcer histórias se torna recorrente, atravessa diferentes situações e começa a provocar consequências nos relacionamentos, no trabalho ou na rotina.

É nesse contexto que costuma aparecer o termo mitomania, associado à mentira patológica e à chamada pseudologia fantástica. O fenômeno, porém, não deve ser confundido simplesmente com alguém que mente muito. A frequência é apenas um dos aspectos que precisam ser considerados.

Em que momento a mentira começa a acender um alerta?

Não existe um número de mentiras capaz de determinar que alguém apresenta um comportamento patológico. O que chama atenção é a formação de um padrão persistente e os prejuízos provocados por ele.

Uma revisão sistemática publicada em 2026, que analisou casos de pseudologia fantástica descritos na literatura científica, mostrou que o fenômeno pode aparecer de formas diferentes. Entre as motivações relatadas estavam busca por atenção e autovalorização, mas os pesquisadores destacaram a diversidade dos casos analisados.

Na prática, alguns comportamentos podem chamar atenção quando aparecem repetidamente:

  • histórias que ganham novos detalhes ou se tornam cada vez mais elaboradas;
  • contradições frequentes entre versões de um mesmo acontecimento;
  • invenções envolvendo aspectos relevantes da vida, como trabalho, formação, relacionamentos ou saúde;
  • mentiras mantidas mesmo quando não existe uma vantagem evidente;
  • continuidade do comportamento apesar de consequências como perda de confiança, conflitos ou problemas profissionais.

Nenhum desses sinais, sozinho, permite afirmar que uma pessoa apresenta mitomania.

O que fazer quando mentir vira um padrão?

Perceber que alguém próximo mente de forma recorrente pode provocar desconfiança e levar a confrontos constantes. Quando esse comportamento começa a afetar relações, trabalho ou outras áreas da vida, porém, a situação pode exigir mais do que simplesmente tentar desmentir cada história.

A avaliação profissional pode ajudar a compreender o que está por trás desse comportamento e se existem outros fatores associados. Por isso, mais do que tentar identificar a mitomania por conta própria, é importante observar a persistência das mentiras e os prejuízos que elas provocam.

Assim, a diferença entre uma mentira ocasional e um comportamento que merece atenção não está em um episódio isolado. É a repetição, somada aos impactos na vida cotidiana e nas relações, que pode indicar a necessidade de olhar para o problema com mais cuidado.

  •  
❌