A Garantia Jovem só serviu para inflacionar as casas?


VTM
Coorganizada com a entidade galega “Conecta Galícia” e financiada pela Comissão Europeia, através do programa Erasmus+, a iniciativa promoveu o diálogo, a cooperação transfronteiriça e o envolvimento dos jovens na construção do futuro da região.
Os jovens abordaram questões relacionadas com a sustentabilidade, a fixação de jovens, a criação de oportunidades e o envolvimento das novas gerações nos processos de decisão.
Renato Gil, presidente da Inspira, disse à VTM que o objetivo é tentar encontrar soluções para que os jovens possam ficar na eurorregião em vez de sair dela. “Queremos que os jovens se fixem na região e tenham um papel decisivo no futuro desta eurorregião e não sejam os mais velhos a decidirem por eles”.
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© Getty Images
Os jovens do Algarve, entre os 16 e os 30 anos, podem candidatar-se a partir desta segunda-feira, 19 de outubro, à quinta edição da Academia Próxima Geração. O programa de formação em liderança cívica e política dispõe de 25 vagas para candidatos de todas as regiões do país.
As candidaturas decorrem até 9 de novembro, através do site aproximageracao.com. A formação realiza-se entre fevereiro e maio de 2027, combinando sessões semanais online com quatro fins de semana presenciais em diferentes regiões portuguesas.
Na mensagem enviada ao POSTAL, Manuel Caldeira, vice-presidente da Próxima Geração, destaca o potencial do projeto para os jovens algarvios, que considera estarem muitas vezes afastados de outros mecanismos de envolvimento cívico e democrático.
A organização procura participantes com vontade de aprender e capacidade para contribuir para as suas comunidades, valorizando o autoconhecimento e o sentido de propósito, em vez da proximidade ao poder ou de percursos políticos já consolidados.
“Não procuramos quem está mais perto do poder, mas quem tem potencial para ter impacto positivo na sua comunidade. A política faz-se também fora dos cargos eletivos”, afirma Fabiana Fernandes, presidente da Próxima Geração.
A metodologia assenta na diversidade dos participantes, na valorização de diferentes experiências profissionais, académicas e cívicas e na empatia. A academia pretende reunir jovens de vários contextos socioeconómicos e orientações ideológicas.
O programa está organizado em três blocos — Refletir, Capacitar e Mobilizar — e trabalha competências de liderança, comunicação e pensamento crítico através de missões semanais, debates com especialistas e projetos práticos.
Nas edições anteriores, participaram oradores como Marcelo Rebelo de Sousa, Carlos Guimarães Pinto, Marta Temido, David Elrich, Inês Franco Alexandre, José Maria Pimentel e Rita Saias.
Apresentada pela organização como a primeira academia multipartidária do país dedicada à participação cívica e política dos jovens, a iniciativa conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República. A quinta edição tem também o apoio da Movy.
A academia formou 100 jovens nas quatro edições realizadas desde 2022. Segundo os resultados divulgados pela organização junto dos antigos participantes, um ano depois do programa a percentagem dos que se consideram bem informados sobre política passou de 30% para 79%.
Cerca de 80% afirmam que a formação aumentou a sua motivação para atuar na política e intervir na comunidade, enquanto 95% dizem ter adquirido novas perspetivas políticas. Os indicadores traduzem as avaliações reportadas pelos próprios participantes.
Entre os antigos alunos encontram-se membros de partidos com representação na Assembleia da República, assessores parlamentares, eleitos de assembleias municipais e candidatos a câmaras municipais. Há também fundadores de associações e jovens sem filiação partidária que participam nas suas comunidades e em debates públicos.
A Próxima Geração é uma associação sem fins lucrativos e multipartidária, fundada em 2022, que integra a rede internacional Better Politics Foundation. A sua atividade centra-se na capacitação de jovens para a participação cívica e política.








Leia também: Olhão recebe alunos de Espanha e Alemanha em projeto Erasmus dedicado às lendas europeias


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VTM
“São poucos os jovens que fazem da agricultura a sua única fonte de rendimento”, disse Diana Alves, jovem agricultora na aldeia de Ala, concelho de Macedo de Cavaleiros.
Cresceu na agricultura, com os pais e avós, e recentemente submeteu um projeto jovem para plantação de olival, para aumentar a exploração que já existe.
No entanto, é também professora de Filosofia, outra área que admite não ser fácil, a da docência, mas que, ainda assim, “é mais estável do que a carreira de agricultura”, que é “muito instável” e que torna “muito complicado ser-se agricultor a tempo inteiro”.
“Tenho um projeto de olival. Ora um olival para começar a dar rendimento só a partir dos cinco anos, ora eu tenho de estar cinco anos a injetar dinheiro, aliás, a investir no olival e só a partir daí consigo tirar algum furto. Imagine o que é cinco anos a investir e ter retorno zero. Portanto, é muito complicado. Mesmo assim, a partir dos cinco ou 10 anos o retorno financeiro não é assim tão elevado que seja possível manter uma casa, manter uma família, apenas com esse rendimento”, lamentou.
Para André Bragada, no concelho de Bragança, a situação não é muito diferente. Tem exploração de animais, como porcos e cabras, e ainda produção de castanha e azeite, mas também é agente imobiliário.
“Eu tenho a sorte e posso dizer que sou um agricultor ou semi-agricultor graças às terras, ao trator que me foi deixado, às alfaias que me foram deixadas”, explicou, dizendo que sem esta herança familiar nunca conseguiria ser agricultor nos dias de hoje.
Para o jovem, “hoje em dia só é agricultor ou quem já estava muito enraizado nisto ou quem é teimoso e gosta muito”.
“Eu sei que hoje em dia estou na agricultura por teimosia”, afirmou.
André Bragada já tentou viver só desta atividade, mas faltou “incentivo”, porque num “ano mau” de produção não é possível “aguentar”.
“Agora, neste momento, está muito difícil viver só disto e acho que os jovens não se vão agarrar a algo que não lhe permite ter uma vida estável”, sublinhou.
Por isso, no seu entender, os incentivos dados pelo Governo “deviam ser trabalhados de outra maneira”.
“Eu gosto muito da forma que se trabalha na Espanha. (…) Lá são pagos à produção e não como aqui, que se fala muito dos subsídios e assim. Acho que mesmo logo da base da escola devia ser outro tipo de incentivo”, vincou.
A contribuir para a baixa rentabilidade do setor está o aumento do preço dos combustíveis, que faz disparar o custo de produção, a tipologia de agricultura na região transmontana, ou seja, o minifúndio, que não permite competir com produções em grande escala, e ainda as alterações climáticas, segundo apontaram.
“Estamos em outubro e estão cerca de 30 graus. Portanto, o facto de não termos estruturas e infraestruturas para colmatar estas alterações climáticas também não ajuda (…) aqui na minha região não temos sequer acesso ao regadio (…) nós sabemos que plantações que têm regadio têm um nível de produção muito mais elevado, porque a planta nunca fica tão em stress como é puramente de sequeiro”, afirmou Diana Alves.
Estas alterações climáticas são também evidentes em pequenas plantações, por exemplo de cereal, para alimentar os animais.
“Semeio abóboras para poder dar às porcas e tive uma baixa muito grande. Fiz a sementeira, foi um ano também fraco de sementeira. Castanha foi um ano igual. Azeite, o ano passado, basicamente nem cheguei a bater as oliveiras porque não me compensava o que tinha de pagar, fosse jeira ou fosse máquina, não me compensava, ia ser literalmente trabalhar para aquecer”, contou André Bragada.
Em explorações de grandes dimensões, como a do jovem agricultor Miguel Reis, no concelho de Macedo de Cavaleiros, as alterações climáticas tentam combater-se com investimentos no regadio, mas que, segundo revelou, são muito elevados e “assustam”.
“Todo este investimento que está por trás só apenas da captação de água (…) é perto 15 mil euros por cada captação. Se estou a dizer que temos 13 furos ou 13 captações de água estamos aqui a falar de um valor muito próximo a 200 mil euros”, adiantou.
A sua família tem 70 hectares de amendoal, soutos e olival. Embora se dedique maioritariamente à agricultura é também presidente de junta da sua aldeia, Corujas, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
O jovem agricultor, de 30 anos, reconhece que as alterações climáticas e a falta de infraestruturas de regadio são um dos grandes desafios da agricultura em Trás-os-Montes, mas também o emparcelamento de terrenos e a dificuldade de ter explorações de maiores dimensões.
“São regiões que há muitas parcelas, ou seja, os terrenos estão muito divididos e é muito difícil encontrarmos dois hectares, três hectares, quatro hectares para podermos fazer emparcelamentos. Falo nesse sentido para poder justificar investimentos. (…) Uma pessoa que se queira instalar, jovem agricultor, vai ter de começar do zero, preparar os solos, colocar novas plantações. Com a diferença do clima, cada vez mais quente, é necessário recorrer a sistemas de rega, portanto, se estamos a falar em investimentos (…) uma grande fatia de dinheiro [é para] começar do zero, mais somar a isso em cada parcela um sistema de regadio (…) torna-se um valor tão dispendioso por hectare ou por parcela que dificilmente vai ter retorno”, apontou.
Miguel Reis considera ainda que as pessoas mais idosas oferecem alguma resistência e veem como “tabu” vender ou alugar terrenos, o que cria mais um entrave.
Criticou ainda as “isenções fiscais” de que beneficiam os agricultores reformado que, além de receberem a sua pensão, têm ainda benefícios por manterem uma exploração agrícola.
“Um idoso que produz castanha pode produzir até um certo valor castanha e terá isenções fiscais de segurança social, etc., e outro tipo de impostos, enquanto um jovem terá de ser sempre sobrecarregado com esses impostos, ou seja, de certa parte um jovem agricultor já começa mais penalizado”, criticou.
Para discutir os desafios dos jovens na agricultura, na sexta-feira, em Macedo de Cavaleiros, vai acontecer o I Encontro de Jovens Agricultores de Trás-os-Montes, com empresários, investigadores e entidades gestoras.
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O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou conteúdo com jovens nesta quarta-feira (14/10). A gravação faz parte da movimentação da campanha nesta etapa da disputa eleitoral.
Na gravação, Lula aparece com óculos inusitados. O acessório chamou a atenção nas redes sociais e integra a estratégia de aproximação com o público jovem.
O presidente também fez o gesto de hang loose, mesmo sem um dedo mindinho. A cena repercutiu entre internautas e apoiadores.
Em busca de uma virada no segundo turno, a campanha do petista aposta em conteúdo para redes sociais. A gravação foi publicada pelo perfil @brasilcomlula.
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© Tiago Petinga/LUSA

© ANA MARTINGO/OBSERVADOR

No próximo dia 8 de agosto de 2026, sábado, pelas 16h00, terá lugar, na FNAC Algarve Shopping, a apresentação do livro «Política Explicada aos Mais Novos», da autoria de João Carlos Martins Durão.
Dirigida especialmente às crianças, aos jovens, às famílias e à comunidade educativa, esta obra procura explicar, de forma simples e acessível, conceitos relacionados com a política, a democracia, as instituições, as eleições e a participação cívica.
O livro pretende contribuir para o aumento da literacia política entre as gerações mais jovens, despertando a sua curiosidade e ajudando-as a compreender que a política faz parte do seu quotidiano e do futuro da sociedade.
A apresentação será também um momento de conversa e reflexão sobre a importância de aproximar os mais novos da democracia e de os incentivar a tornarem-se cidadãos informados, responsáveis e participativos.