Vereador da Câmara de Barcelos vai a julgamento no caso Tutti Frutti
O vereador da Câmara de Barcelos, Carlos Eduardo Reis, e os ex-presidentes das juntas de Freguesia da Estrela e de Santo António, em Lisboa, vão a julgamento por crimes de corrupção e prevaricação no âmbito do processo Tutti Frutti, decidiu hoje o tribunal de instrução.
Dos 59 arguidos acusados pelo Ministério Público, 56 seguem para julgamento. Entre eles está o ex-deputado do PSD Carlos Eduardo Reis, eleito este ano líder da distrital de Braga do PSD, por 21 crimes, nomeadamente corrupção ativa, prevaricação, tráfico de influência, branqueamento e abuso de poder.
Há três arguidos que não seguem para julgamento: Ângelo Pereira, ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa pelo PSD, Inês Drummond, antiga vereadora do município de Lisboa pelo PS, e Ivone Gonçalves, militante do PSD de Loures.
Segundo a decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, entre os 56 arguidos que seguem para julgamento estão o ex-presidente da Junta de Freguesia da Estrela Luís Newton, o ex-presidente da Junta de Freguesia de Santo António Vasco Morgado e o antigo deputado na Assembleia da República pelo PSD Sérgio Azevedo.
Durante a leitura da decisão, a juíza Cláudia Pina explicou que em relação a Ângelo Pereira, acusado de recebimento de vantagem devido a uma deslocação à China, “não se indicia que a viagem tenha representado uma vantagem real” para si.
Sobre Inês Drummond, o tribunal entendeu que “admite-se como possível que a arguida tenha agido de boa-fé” em relação à adjudicação de contratos, desconhecendo que Sérgio Azevedo poderia retirar daí benefícios.
O tribunal de instrução entendeu ainda não estar suficientemente provado que as faturas emitidas por Ivone Gonçalves constituem crime. “Não é possível ter certezas e, por isso, ‘in dubio pro reo’”, disse a juíza.
À saída do tribunal, em declarações aos jornalistas, o advogado Pedro Barosa, que representa o social-democrata Vasco Morgado, que vai a julgamento acusado de 27 crimes, nomeadamente de corrupção passiva, prevaricação e branqueamento, ressalvou que “prognósticos só no final do jogo”, afirmando que “é em tribunal que vale tudo e é aí que a prova é feita e que a verdade é apurada”.
“Com processos desta natureza, com grande impacto na opinião pública, e sobretudo mediatizados, a maioria dos juízes – não todos – não tem coragem para analisar criticamente o processo”, expôs Pedro Barosa, lembrando que a investigação do processo Tutti Frutti começou em 2016, porém os arguidos só foram notificados em 2025 para apresentarem a sua defesa em “cerca de um mês”.
Em representação de Inês Drummond, ex-autarca socialista que renunciou ao mandato de vereadora na Câmara de Lisboa após ser acusada de quatro crimes de prevaricação, a advogada Catarina Veiga Ribeiro considerou que a decisão de a sua constituinte não ir a julgamento “é a justiça a funcionar”.
“Naturalmente que estou felicíssima pela doutora Inês Drummond e por ter sido reposta a realidade, porque me parece que o que aconteceu não tinha sentido e, como hoje aqui saiu, não tem”, defendeu a advogada, enaltecendo o trabalho da ex-presidente da Junta de Freguesia de Benfica “em prol do interesse público”.
Em causa estão alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD, através de avenças e contratos públicos.
A acusação do Ministério Público foi deduzida em 2025 contra 60 arguidos, contando-se neste momento 59 acusados, uma vez que Fernando Braamcamp, antigo presidente da Junta de Freguesia do Areeiro e acusado de 39 crimes de corrupção passiva, morreu em abril deste ano.
O Ministério Público chegou a investigar Fernando Medina, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas este não foi acusado, uma vez não ter sido possível deduzir que Fernando Medina tivesse atuado “com o propósito inequívoco” de beneficiar outros arguidos.
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