A empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam, foi presa pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (19), na Operação Backbone.
Na ação, que visava desarticular uma estrutura ligada ao Comando Vermelho, também foi preso um outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno.
Até o início desta tarde, a PF tinha cumprido 20 mandados de prisão, o que inclui um contra o próprio Marcinho VP, que já cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Em 2026, o traficante completou 30 anos de detenção.
Segundo a PF, o grupo criminoso investigado impõe o monopólio do fornecimento de internet nos conjuntos de favelas do Alemão, na Penha, e do Chapadão, que se estende aos bairros da Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe, na Zona Norte do Rio.
De acordo com as investigações, o esquema alvo da operação utiliza empresas provedoras para lavar os recursos obtidos com a atividade.
Defesa
O advogado Flávio Fernandes, que defende Márcia, disse que não teve acesso aos autos da investigação e do processo e, por isso, não podia opinar sobre a prisão.
“O que a gente sabe é que se trata de uma investigação, acredito que não seja processo, que investiga empresas que forneceriam sinais clandestinos de TV, de internet e que essas empresas repassariam valores para familiares da minha cliente”, informou à Agência Brasil, por meio de áudio no WhatsApp, ressaltando que é advogado apenas de Márcia.
Flávio Fernandes descartou o envolvimento de Márcia Nepomuceno neste esquema.
“Márcia não tem nenhum envolvimento com empresas deste tipo de atuação. As empresas com o nome da Márcia são todas legalizadas. Ela emite notas, está em dia com o fisco, com as obrigações na Receita Federal. Essas empresas aí, Márcia desconhece. Não tem envolvimento com qualquer tipo de empresa clandestina de fornecimento de sinal de internet”, afirmou ainda no áudio.
A Agência Brasil não conseguiu contato com a defesa de Lucas.
Mandados de busca
Além dos 23 mandados de prisão preventiva, havia 24 mandados de busca e apreensão também expedidos pelo STF.
Os alvos estavam na capital fluminense e nos municípios de Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé, na Baixada Fluminense; Teresópolis, na Região Serrana; e Maricá, na Região Metropolitana do Rio.
“Parte dos mandados de prisão será cumprida no sistema prisional, inclusive em unidade do Sistema Penitenciário Federal”, informou a PF.
De acordo com a corporação, também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas.
A Justiça também ordenou a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.
A PF informou que a Operação Backbone se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal.
O objetivo é “combater organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635”.
Os assistentes operacionais das escolas de Albufeira denunciaram esta segunda-feira uma crescente sobrecarga de trabalho, que dizem ter sido agravada pelo fim da contratação externa dos serviços de limpeza, situação que levou à pré-convocatória de uma semana de greve para novembro.
O protesto decorreu em frente à Câmara Municipal de Albufeira e foi promovido pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P), reunindo “cerca de uma centena e meia” de trabalhadores dos três agrupamentos escolares do concelho, segundo fonte sindical citada pela Lusa.
Daniel Martins, dirigente do sindicato, considera que a escassez de profissionais é “um problema nacional”, mas sustenta que, em Albufeira, os assistentes operacionais “andam exaustos” porque “são paus para toda a obra”, acumulando um elevado número de tarefas.
Entre as funções desempenhadas pelos trabalhadores no concelho algarvio estão o acompanhamento e a vigilância dos alunos, o apoio às refeições, os serviços de manutenção e a assistência a crianças com necessidades educativas especiais, entre outras, enumerou o sindicalista.
Sindicato alerta para sobrecarga após fim da limpeza externa
“Toda uma panóplia de situações que nem sequer integram o conjunto de funções que lhes são atribuídas e que eles fazem de bom grado, mas sem a formação devida”, sustentou o dirigente do S.TO.P.
Este problema, acrescentou, foi agravado pelo fim do contrato de prestação de serviços de limpeza nas escolas do concelho, no final de setembro, causando “uma sobrecarga extra”.
“Se as colegas já estavam sobrecarregadas de trabalho, agora ainda lhes foi atribuído mais trabalho. As limpezas, sendo função delas, tinham sido privatizadas, mas essa subcontratação terminou agora. As colegas não aguentam, muitas estão a meter baixa, outras estão a dar mais uma hora ao final do dia para pôr as coisas no mínimo exequível. Quem paga são as crianças, que não têm escolas em condições”, afirmou Daniel Martins.
Segundo o S.TO.P, a situação pode comprometer a segurança dos alunos, uma vez que os assistentes operacionais têm de dividir o tempo entre a limpeza dos espaços e a vigilância das crianças.
“Ou existem funcionários para limpar ou funcionários para vigiar, o que não podem é estar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Isso significa que a segurança está em causa”, alertou o dirigente sindical.
Trabalhadores admitem greve entre 9 e 13 de novembro
Num plenário realizado hoje, os profissionais aprovaram a entrega de um caderno reivindicativo à Câmara de Albufeira, esperando “obter respostas até final do mês de outubro”, revelou Daniel Martins.
Já está agendado um novo plenário, com marcha pelas ruas da cidade, para 04 de novembro, em que será avaliada e ratificada uma greve de uma semana, já pré-convocada para os dias 09 a 13 de novembro, “dependendo do que a câmara responder”, destacou o dirigente do S.TO.P.
Câmara anuncia novas contratações e investimento em vigilância
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina (Chega), considerou as críticas injustas e revelou que, até final deste ano letivo, a autarquia espera contratar cerca de uma centena de profissionais para as escolas.
“A partir de amanhã [terça-feira], vão entrar 20 novos assistentes operacionais. Vamos apresentar em reunião de câmara uma proposta de concurso para contratar mais 35 assistentes operacionais, além de 14 cozinheiros, e contamos ter disponíveis mais 30 em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional”, referiu.
A Câmara de Albufeira vai investir também 150 mil euros em serviços de vigilância na entrada das escolas, libertando assistentes operacionais para as suas funções, acrescentou o autarca eleito pelo Chega, lembrando que a contratação externa para a limpeza “tinha um custo de mais de 1 milhão de euros”.
“Não há nenhum município no Algarve em que os assistentes operacionais não façam limpezas. Compreendo muitas das suas queixas, acho que estes profissionais têm de ser valorizados, mas no dia a dia vão ter de cumprir o que está no seu contrato”, defendeu.
Novo bronze mundial colocou Madalena Santos, atleta do Karate Clube de Faro, entre as melhores do mundo na categoria de Kumite Cadetes Feminino +61 kg, no Campeonato do Mundo de Cadetes, Juniores e Sub-21 de Karaté, disputado entre 14 e 18 de outubro, em Bielsko-Biała, na Polónia.
A medalha reforça um ano de destaque internacional para a jovem karateca farense, que já em fevereiro se tinha sagrado campeã da Europa de Cadetes, na mesma categoria, no Campeonato da Europa realizado em Limassol, no Chipre.
Com estes dois resultados, Madalena Santos junta um título europeu a uma medalha mundial numa temporada em que se afirmou nas principais competições internacionais do seu escalão.
Do título europeu ao pódio mundial
O terceiro lugar alcançado na Polónia dá continuidade ao percurso internacional da atleta, que voltou a representar o Karate Clube de Faro numa competição de elevado nível.
Para o clube farense, o resultado confirma o trabalho desenvolvido na formação e preparação de atletas para provas internacionais, destacando também o contributo da equipa técnica e de todos os que acompanham o percurso desportivo de Madalena Santos.
A conquista assume igualmente particular significado para o karaté algarvio, ao colocar novamente uma atleta da região num pódio internacional.
Madalena Santos reforça percurso internacional
Depois do ouro europeu conquistado no Chipre e do bronze mundial agora alcançado na Polónia, Madalena Santos consolida o seu percurso entre as principais atletas jovens do karaté português na categoria de Kumite Feminino +61 kg.
O Karate Clube de Faro felicitou a atleta pela prestação no Campeonato do Mundo, considerando a medalha um resultado de destaque para o clube, para Faro e para o Algarve.
O guarda-redes João Félix continua a viver a “sensação incrível” de ter sido decisivo na passagem do Olhanense, da primeira divisão distrital do Algarve, à quarta eliminatória da Taça de Portugal, depois de defender e converter um penálti no desempate frente ao Oliveira do Hospital.
Em declarações à agência Lusa, o jogador recordou o momento vivido no domingo no Estádio José Arcanjo, em Olhão, onde a formação algarvia afastou uma equipa do Campeonato de Portugal e prolongou o percurso na ‘prova rainha’.
Depois de um empate 1-1 que se manteve após o prolongamento, o apuramento teve de ser decidido através das grandes penalidades. Ao fim de 17 tentativas, João Félix acabou por assumir o papel decisivo.
O guarda-redes travou o remate de Lucas Silva, também guarda-redes do Oliveira do Hospital, antes de assumir a cobrança seguinte e converter a grande penalidade que confirmou a qualificação do Olhanense.
Guarda-redes recorda momento decisivo
“Não me passou grande coisa pela cabeça. Foi pegar na bola, ter confiança no penálti decisivo, marcar e ajudar a equipa a ganhar”, comentou João Félix.
O momento fez lembrar o desempate entre Portugal e a Inglaterra, no Europeu de 2004, quando Ricardo, guarda-redes da seleção portuguesa, cometeu proeza semelhante.
“Nem me lembrei disso, mas, quando cheguei ao balneário, os meus colegas começaram logo a falar disso e lembrámo-nos”, recordou, entre risos.
Ao telemóvel do guarda-redes do Olhanense têm chegado desde domingo “várias mensagens” de felicitações, algumas delas de antigos colegas na formação do Benfica, como Diogo Prioste e José Melro.
“Não me sinto um herói porque foi um trabalho extraordinário da equipa para chegarmos aos penáltis. É claro que a decisão de penáltis é mais focada nos guarda-redes, mas, até chegar à minha vez, houve outros colegas meus que marcaram”, considerou o atleta da equipa algarvia.
Olhanense é a única equipa dos distritais ainda em prova
O Olhanense é a única equipa dos campeonatos distritais ainda em prova na Taça de Portugal, mas João Félix rejeita qualquer título de ‘equipa-sensação’.
“O nosso objetivo é o campeonato. Vamos tentar vencer o adversário que vier na Taça de Portugal, sabendo que vai ficando cada vez mais difícil”, frisou.
Sonho de defrontar um ‘grande’ permanece
Em relação ao sonho de jogar frente a um ‘grande’, o ‘guardião’ não esconde que tem um “impacto diferente”.
“Todos os jogadores o preferem, mas, se não acontecer, já é muito bom estarmos na quarta eliminatória da Taça de Portugal”, concluiu.
O Amendoeira Golf Resort foi distinguido pelo segundo ano consecutivo nos World Luxury Travel Awards, conquistando os prémios de Melhor Campo de Golfe do Sul da Europa e Destino de Golfe Mais Sustentável do Sul da Europa, anunciou o Grupo Rolear na sua página de Facebook.
Numa publicação dedicada aos galardões, o grupo considera que se tratam de “Duas distinções europeias que reforçam o compromisso do Grupo Rolear com a excelência e a sustentabilidade.”
O Grupo Rolear destaca que “O Amendoeira Golf Resort, foi distinguido pelo segundo ano consecutivo nos World Luxury Travel Awards: como Melhor Campo de Golfe do Sul da Europa e Destino de Golfe Mais Sustentável do Sul da Europa.”
Grupo destaca investimento em eficiência e preservação ambiental
Na mesma publicação, o Grupo Rolear associa os prémios à estratégia seguida nas diferentes áreas em que atua. “Estes prémios refletem a visão que o Grupo Rolear promove em todas as suas áreas de atividade: aliar qualidade, inovação e sustentabilidade, criando valor para clientes, parceiros e comunidade.”
O Amendoeira Golf Resort integra o Grupo Rolear desde 2023. Desde então, segundo a empresa, têm sido desenvolvidas medidas relacionadas com eficiência energética, utilização dos recursos e proteção ambiental.
“Desde a integração do Amendoeira Golf Resort no Grupo Rolear, em 2023, temos reforçado a aposta na eficiência energética, na gestão responsável dos recursos e na preservação ambiental, sem comprometer a excelência da experiência proporcionada aos visitantes”, refere o Grupo Rolear.
Localizado em Alcantarilha, no concelho de Silves, e em atividade desde 2008, o Amendoeira Golf Resort integra golfe, alojamento, desporto, natureza e experiências para famílias.
A oferta inclui os campos Faldo Course, O’Connor Jnr. Course, Academy Course e Parreira Afonso Course, bem como diferentes tipologias de alojamento e um Sports Center com atividades para várias idades.
Entre el paseo de la Castellana y la calle de José Ortega y Gasset, hay un árbol viario que roza los 200 años. Se trata del un olmo plantado, según los expertos, en 1830. El Ayuntamiento ha elegido este lugar para presentar este lunes la Guía Verde de Madrid, una publicación que recorre los 36 parques y espacios emblemáticos de la capital para reivindicar su patrimonio verde. Dentro de las páginas, los madrileños pueden conocer más sobre El Retiro y la Dehesa de la Villa, o las seis iniciativas que se encuentran actualmente en ejecución, como Parque Castellana o la Gran Vía del Sureste.
A través de planos, fotografías y ejemplos prácticos, la publicación muestra la diversidad de la infraestructura verde madrileña, desde parques históricos, jardines y bosques urbanos hasta cubiertas y fachadas vegetales, refugios climáticos y huertos urbanos. "Nos hemos propuesto invitar a la gente a conocer, a descubrir y a valorar el patrimonio natural que tiene Madrid. Sus condiciones naturales siempre han sido muy difíciles y lo que podemos ver en estos espacios es una adaptación inteligente de cómo Madrid ha ido creciendo", ha destacado el director General de Gestión del Agua y Zonas Verdes, Francisco Muñoz.
La guía se ha elaborado con la colaboración de especialistas y entidades dedicadas al estudio del patrimonio verde, entre ellas la Red Mundial de la Infraestructura Verde, la Universidad Politécnica de Madrid, la Real Academia de la Ingeniería, Crea Madrid Nuevo Norte y Madrid Calle 30. Los 2.000 ejemplares se distribuirán por las juntas municipales de distrito, asociaciones vecinales y centros escolares. "Es una medida positiva para acercar a los más jóvenes", ha recalcado el delegado de Urbanismo, Medio Ambiente y Movilidad, Borja Carabante. Además, la edición bilingüe, en español e inglés, permitirá dar a conocer este patrimonio fuera de España y facilitar su difusión entre las delegaciones internacionales que visitan Madrid, así como entre los turistas a través de las oficinas de información turística.
El olmo de Castellana, testigo de la historia
El olmo bicentenario, situado en el paseo de la Castellana, ha sido testigo de la evolución de la ciudad y de su tradición de paseos arbolados. Con unos 18 metros de altura, un perímetro de tronco de 3,8 metros y una copa de aproximadamente 14 metros de diámetro, este ejemplar está protegido como árbol singular por el Plan General de Ordenación Urbana de Madrid de 1997. Se trata del árbol vivo viario más antiguo de la capital y su presencia permite acercarse a la historia de una especie que durante siglos ocupó un lugar destacado en las plazas, caminos y paseos de numerosas localidades españolas.
Este ejemplar ha desempeñado un papel importante en la capital: sus amplias copas proporcionan sombra y confort, mientras que su presencia en plazas y espacios públicos ha favorecido las reuniones vecinales y la convivencia. En 1849, el Diccionario geográfico-estadístico de España y sus posesiones de ultramar, de Pascual Madoz, contabilizaba 13.341 olmos en el viario de la ciudad, lo que representaba el 37,1% del arbolado de calle de aquella época. La expansión de la grafiosis, una enfermedad de origen asiático que causó la muerte de más de un millón de olmos en España, redujo drásticamente la presencia de esta especie en el paisaje urbano. Sin embargo, los trabajos de investigación y mejora genética han abierto nuevas posibilidades para su recuperación.
"El 10% de los árboles en el viario público son olmos y lo que queremos es rendir también homenaje y tributo a quienes han mantenido esta ciudad como una referencia, a los jardineros y a los técnicos municipales que han ido construyendo cada vez una ciudad más verde y más sostenible para que sea más amigable para todos los madrileños", ha recalcado Carabante después de inaugurar una placa honorífica.
Técnica tradicional de construção em taipa está a ser experimentada no Algarve em novas soluções de mobiliário urbano, através de um projeto que já colocou um banco no Jardim da Alameda, em Faro, e prevê instalar outras peças na Ilha da Culatra e em Querença.
A experiência foi apresentada a 15 de outubro, no Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), em Faro, durante a sessão técnica “Taipa no Mobiliário Urbano: inovação sustentável para o espaço público”, promovida no âmbito do projeto “Matéria Adentro”.
Desenvolvido pela Perto Arquitetura e pela A Engenharia da Taipa, o protótipo consiste num banco de jardim construído com recurso a esta técnica tradicional. A instalação no Jardim da Alameda contou, desde o início, com o acolhimento do Município de Faro.
O projeto prevê ainda a colocação de outro protótipo na Ilha da Culatra e de um candeeiro no Jardim Manuel Viegas Guerreiro, em Querença.
Materiais tradicionais ganham novas aplicações
A sessão contou com um enquadramento científico de Alfredo Braga, do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, que apresentou informação sobre a técnica, o desempenho e a durabilidade das construções em taipa no sul do país.
O encontro abordou também o progressivo desaparecimento do património construído com esta técnica e a possibilidade de lhe atribuir novas utilizações, nomeadamente no espaço público.
Além da taipa, foram discutidas aplicações de outros materiais endógenos do Algarve, como a cana e a ostra, procurando desenvolver soluções com menor impacto ambiental para os setores do design, arquitetura e construção.
A adoção destas propostas pelas autarquias esteve igualmente em debate numa mesa-redonda moderada por Catarina Cruz, com representantes do Município de Aljezur, Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Ordem dos Arquitetos e equipa do projeto “Matéria Adentro”.
Entre os principais desafios identificados estiveram a durabilidade e manutenção das peças, regulamentação, licenciamento, contratação pública e capacidade de produção.
Projeto aposta na economia circular e nos recursos do Algarve
O debate destacou ainda a importância de preservar e transmitir às novas gerações os conhecimentos ligados aos materiais e técnicas tradicionais, envolvendo escolas, instituições de ensino superior, arquitetos, designers, municípios e profissionais da construção.
Foi igualmente abordada a reutilização de terras provenientes de construções anteriores e de resíduos de construção e demolição como forma de integrar princípios de economia circular. Foram ainda referidas oportunidades de financiamento através do Programa Regional Algarve 2030.
O projeto “Matéria Adentro” termina a 22 de outubro, com uma sessão marcada para as 14:30 no auditório da CCDR Algarve, em Faro, destinada à apresentação dos resultados e à reflexão sobre novas utilizações dos materiais endógenos.
Integrada no “Programa de Desenvolvimento de Novos Produtos baseados em Materiais Endógenos Inspirados na Dieta Mediterrânica”, a iniciativa pretende estimular a criação de produtos a partir de recursos locais e associar os saberes tradicionais à inovação.
O trabalho incluiu residências criativas com artesãos, empresas, designers, arquitetos e investigadores, nas quais foram desenvolvidas experiências com cana, casca de ostra, barro e taipa, procurando aplicações no design, arquitetura e construção sustentável.
Clubes e associações de Albufeira vão beneficiar de um reforço de cerca de 15% no investimento municipal destinado à formação desportiva, após a assinatura dos contratos-programa que formalizam os apoios à atividade das coletividades do concelho.
Os contratos foram assinados na sexta-feira, 16 de outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa iniciativa dirigida sobretudo ao trabalho desenvolvido pelos clubes junto das crianças e dos jovens.
A autarquia mantém, através destes instrumentos, o apoio à atividade das coletividades e ao acompanhamento dos atletas ao longo da época, abrangendo modalidades que vão do futebol ao surf, passando pela patinagem, basquetebol e artes marciais.
Município reconhece necessidades ao nível dos equipamentos
O município destaca o papel desempenhado por dirigentes, treinadores e colaboradores na organização dos treinos, acompanhamento das competições e aproximação dos mais jovens à prática desportiva.
A autarquia considera ainda que a participação nos clubes contribui não apenas para a aprendizagem das diferentes modalidades, mas também para experiências de cooperação, respeito e superação entre crianças e jovens.
“Nós vamos continuar a apostar na formação desportiva”, afirmou Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, durante a sessão.
O autarca reconheceu também as necessidades manifestadas pelas coletividades ao nível dos equipamentos e dos espaços destinados aos treinos, indicando que o município procurará encontrar respostas dentro dos recursos disponíveis.
Novo regulamento deverá entrar em vigor no próximo ano
A Câmara de Albufeira está igualmente a preparar um regulamento de apoio ao associativismo desportivo, que o executivo pretende concluir e aplicar no início do próximo ano.
O objetivo passa por estabelecer critérios mais claros, permitindo aos clubes conhecer a metodologia utilizada na avaliação e atribuição dos apoios municipais e procurando reforçar a equidade e a transparência do processo.
Han fimado una carta de intenciones para estudiar una posible puja conjunta en la futura asignación de espectro para Servicios Móviles por Satélite en Europa
Europa mira al espacio ante el riesgo de seguridad de los cables submarinos y el poder de Elon Musk con Starlink
Cuatro grandes operadores de telecomunicaciones europeos, entre ellos Telefónica, van a pujar por el concurso de satélites europeos que buscar competir con el sistema Starlink de Elon Musk.
Deutsche Telekom, Orange, Telefónica y Vodafone han comunicado este lunes que “han firmado una carta de intenciones para estudiar una posible puja conjunta en la futura asignación de espectro para Servicios Móviles por Satélite (MSS, por sus siglas en inglés) en Europa”.
Se trata, explican, de la “iniciativa respalda el objetivo de la Comisión Europea de reforzar la soberanía, la seguridad y la resiliencia de Europa en infraestructuras críticas de conectividad”. “Garantizará una gobernanza europea responsable de infraestructuras espaciales clave”, añaden a través de un comunicado.
Las compañías inciden, a través de un comunicado, que tienen previsto ofrecer “a todos los operadores de redes móviles un acceso abierto y no discriminatorio para prestar servicios Direct-to-Device (D2D, conexión directa al dispositivo) a sus clientes”. “Estos servicios se ofrecerían a través de un modelo diseñado para fomentar la competencia, reducir la fragmentación del mercado y ampliar la oferta para los consumidores en toda Europa”.
“Al combinar el amplio alcance comercial de los operadores, sus capacidades de red y su experiencia operativa, la iniciativa podría acelerar el despliegue en el mercado, permitir un uso eficiente del espectro y facilitar la integración fluida de la conectividad por satélite en las redes móviles existentes”, argumentan.
Una iniciativa europea
Además, Deutsche Telekom, Orange, Telefónica y Vodafone recalcan que su “iniciativa conjunta” “tiene una ambición clara: responder a la demanda de los clientes de una cobertura universal en zonas con servicio insuficiente, reforzar la resiliencia de las redes públicas, proteger las comunicaciones críticas y apoyar el desarrollo de una constelación europea”.
Se viste así como proyecto impulsado por operadores europeos que “prevén desplegar en Europa infraestructura terrestre clave, así como funciones críticas de coordinación y supervisión, sin invertir directamente en una constelación de satélites. Esta la aportará un socio satelital aún por seleccionar”. “La alianza entre la iniciativa liderada por los operadores móviles y el operador de satélites combinaría la gobernanza europea y el acceso al mercado con una tecnología satelital probada y experiencia en despliegue”.
Por último, matizan que la publicada este lunes es una “carta de intenciones para estudiar una posible puja conjunta por el espectro MSS”, pero “no sustituye a las alianzas satelitales ya existentes”.
El acuerdo abarca ámbitos como los modelos funcionales, los agentes de IA, las capacidades para prevenir el fraude o tecnologías avanzadas de simulación, como un gemelo digital bancario
Qué es BPCE, el banco francés que ha entrado en Sabadell para evitar otra OPA como la del BBVA
Banco Santander ha llegado a un acuerdo con el gigante Nvida para acelerar el despliegue de la IA en todo el banco. La entidad presidida por Ana Botín explica a la Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV) que ha llegado a un acuerdo de tres años con la multinacional estadounidense.
Este pacto, del que no da detalles sobre su coste, “abarca ámbitos como los modelos funcionales, los agentes de IA, las capacidades para prevenir el fraude y el blanqueo de capitales, la toma decisiones en tiempo real y tecnologías avanzadas de simulación, como un gemelo digital bancario”, enumera el banco a la CNMV.
Este no es el primer paso entre el banco español y el gigante norteamericano. Asegura que ya ha trabajado, a través de Santander AI Lab, en el desarrollo de “nuevas capacidades para evaluar modelos y agentes de IA destinados a aplicaciones bancarias que permiten determinar qué modelo es el más adecuado y eficiente para cada tarea”.
“Santander está evolucionando el uso de la IA de los grandes modelos generales a modelos más pequeños y especializados para tareas bancarias concretas”, explica a la CNMV. “En casos de uso experimentales, esta forma de trabajar ha llegado a reducir el coste de ejecución de unos 5 euros por interacción a unos 0,03 euros manteniendo buenos resultados”.
Por ejemplo, asegura que está “ajustando modelos para tareas concretas con Nvidia NeMo Customizer”. “Las pruebas comparativas en atención al cliente han demostrado que los modelos más pequeños y especializados dan buenos resultados en tareas bancarias concretas. Además, Santander ha desarrollado inteligencia especializada para procesos 'de core' bancario sobre Nvidia Kumo, una familia de modelos fundacionales de pesos abiertos para datos estructurados que permite a las empresas convertir rápidamente esos datos en la información predictiva necesaria para prestar servicios que usan agentes”, explica.
Reducción de costes a gran escala
Además, el banco cántabro asegura que su IA Lab “está incorporando estas capacidades a la infraestructura tecnológica de Santander mediante Nvidia DynamoTriton, la tecnología que ha hecho posible la reducción de costes”. Y “desarrolla Model Arena, para diseñar, simular, evaluar y supervisar agentes bancarios,y trabaja para mejorar su resultado y someter la IA conversacional a pruebas de esfuerzo en entornos controlados”.
“El objetivo es contar con un proceso riguroso que evalúe y perfeccione las nuevas tecnologías de IA antes de desplegarlas en todo el grupo”, matiza.
“A partir de estos avances, Santander da el paso desde modelos de pesos abiertos hacia modelos especializados y agentes bancarios sujetos a mecanismos de gobernanza para mejorar el control, reforzar la seguridad y reducir los costes a gran escala”, reconoce Santander. “La colaboración ya da resultados: en un caso de uso experimental de atención al cliente, Santander mejoró la calidad de las conversaciones y redujo los costes en más de un 50% gracias a un modelo de IA más eficiente”, concluye.
Durante años, los arcos del Acueducto de Amaniel fueron refugio de personas sin hogar en el distrito de Tetuán. Ahora, no queda rastro de los colchones. En su lugar, hay varias jardineras. Una escena similar se repite en el parque Agustín Rodríguez Sahagún, donde las obras y la maquinaria han sustituido a los objetos personales de quienes vivían allí. La Junta Municipal desmanteló estos espacios antes del verano, pero los vecinos han notado un desplazamiento de los sin techo por otras calles.
"Es un problema que no se resuelve. No me extraña que se vayan a otras partes", comenta Irene, una vecina que hace deporte muy cerca del lugar. La Asociación Vecinal Cuatro Caminos-Tetuán considera que la mayoría de los sin techo se han dispersado por el distrito tras el desalojo de los asentamientos en la avenida Pablo Iglesias y el parque Agustín Rodríguez Sahagún. "He notado que hay menos personas que duermen en la calle desde que quitaron las chabolas", reconoce Julieta, una joven de 25 años que vive cerca de Paseo de la Dirección.
Por ejemplo, entre losarbustos del parque de Ofelia Nieto, una persona ha encontrado un refugio. Dentro, hay enseres, almohadas y bolsas, a escasos metros de viviendas residenciales y del centro deportivo El Quijote. También, por las calles Bravo Murillo y San Germán, una mujer descansa sobre un cartón, con sus maletas a un lado, mientras a su alrededor pasean los vecinos. "Da escalofríos ver una imagen así. Ahora duermen en muchos sitios, a veces pocos días, y se trasladan a bancos o huecos de las edificaciones. Si los recursos del Consistorio fueran una salida al sinhogarismo, una buena parte saldría de las calles", señala el presidente de la asociación vecinal, Antonio Granero.
"Tengo compañeros que duermen aquí y trabajan"
Pese al desalojo del Acueducto de Amaniel,varios sin techo todavía vivenen una zona verde cercana al frontón de la avenida Pablo Iglesias. Uno de ellos es Condi, un hombre de 56 años de Guinea Ecuatorial. "Hemos encontrado un lugar cómodo para dormir, aunque por las noches cualquiera viene, mira entre tus cosas y te puede robar", relata el varón. Llegó a España hace 20 años y ha trabajado en almacenes, distribución de periódicos y en el campo. Cuando se quedó sin empleo, dejó de poder pagar el piso en el que vivía y en 2025 terminó en la calle. "No se puede vivir ya en Madrid, antes no era así. Tengo compañeros que duermen aquí y tienen trabajo. Uno de ellos es vigilante de obra", sostiene.
Una situación similar atraviesa Kwaku, natural de Ghana. Lleva 25 años en Madrid y ha trabajado plantando árboles y colocando adoquines en las calles. Sin embargo, ha encadenado empleos sin haber podido regularizar sus papeles. Asegura que quiere trabajar, pero hasta que no tenga la documentación en regla, tiene pocas opciones. "Mis padres murieron hace años en África. Yo quiero aportar aquí. Ojalá que Dios nos saque de la calle", remarca. Se ha desplazado por varios rincones de Tetuán y de la capital, pero prefiere descansar en este parque. "No quiero ir a Lavapiés, hay mucha gente agresiva", añade.
Sin embargo, la permanencia del sinhogarismo por esta zona también genera malestar entre algunos vecinos, que advierten que esta situación provoca "suciedad y ruido". Emilio, un vecino del barrio de Bellas Vistas, asegura que los servicios sociales ofrecen alternativas, pero que algunos “no lo aceptan por querer libertad". "Es una zona de tránsito, muchos van de un lado a otro. Hay presencia policial porque ha habido quejas vecinales por la falta de higiene. Es una pena", lamenta.
Colas del hambre en Ventilla
A raíz de esta expansión, muchas personas han llegado a pernoctar por los portales del barrio de Ventilla, especialmente por la presencia de un comedor social de la Orden de Malta. El presidente de la Asociación Vecinal Ventilla-Almenara, Luis Arriba, explica que hace años conviven con esta situación, pero que en las últimas semanas han notado "un mal ambiente". "Los del parque Sahagún se han quedado. Los colchones los dejan en un solar sin uso y hacen sus necesidades para no perder su turno de fila. Huele peor y cada vez hay más peleas. Es un efecto llamada", advierte.
Isabel, de 62 años, es una de las personas que espera llevarse algún alimento al estómago de esta instalación. Se quedó en la calle en agosto después de que su casero le pidiera que abandonara la vivienda. Aunque pernocta por el intercambiador de Plaza Castilla, siempre se acerca a este espacio. Lleva semanas sin poder ducharse. Cuenta que una noche, unas personas orinaron muy cerca de donde descansaba. "Hay mucho egoísmo, pero por suerte no me ha pasado nada. Yo solo espero que me ayuden los servicios sociales. Tengo documentos y aún puedo trabajar", asevera.
En lo que llevamos de año, un total de 912 asentamientos de personas sin hogar en espacios públicos de la capital se han desalojado, según informó la vicealcaldesa y delegada de Emergencias y Seguridad, Inma Sanz, en la comisión del ramo. Para hacer frente a esta situación, el Consistorio trabaja en aumentar las plazas de su red de atención, hasta alcanzar las 1.400. Además, a finales de 2026, está prevista la apertura del nuevo centro de acogida en El Cañaveral, en el distrito de Vicálvaro, que estará especializada en la atención de aquellas personas que llevan menos de seis meses en la calle.
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Hay pocos escritores, y creadores en general, que merezcan tanto el adjetivo “original” como él: Georges Perec (París, 1936-Ivry-sur-Seine, 1982), autor de novelas, ensayos, teatro, poemas, guiones y artículos, además de miembro del grupo de experimentación literaria Oulipo. Fue un literato todoterreno, único y prolífico. Se le suele denominar un autor “de culto”, pero lo cierto es que su obra se ha leído en amplitud y hasta ha creado escuela. Al menos, con algunos de sus títulos. Entre ellos, Lugares, por el que su traductor Pablo Martín Sánchez acaba de ser galardonado con el Premio Nacional a la Mejor Traducción.
Dentro de la fértil trayectoria de Perec, el año 1978 supuso un hito al ver la luz dos de sus libros más emblemáticos: por un lado, la monumental La vida instrucciones de uso (Premio Médicis), considerada por muchos su obra maestra, una indagación en la memoria con una estructura organizada en torno a un edificio parisino y las historias de sus inquilinos a lo largo de más de un siglo; por el otro, la breve Me acuerdo, un texto de apariencia simple que muchos han imitado, aunque no siempre con la misma gracia.
Ese Me acuerdo ha vuelto este año a las librerías de la mano de Impedimenta, con una nueva edición y traducción de Eduardo Berti, autor de la casa y 'oulipiano' como Perec. Su contenido es de sobra conocido: una enumeración de recuerdos, de lo más trivial a lo profundo, expuestos en frases sencillas y sin voluntad de conformar un relato con ellos. Recuerda a personas, noticias, modas, lugares, obras, medios de transporte y anécdotas variopintas. Todo parte de lo íntimo, de las vivencias de su infancia y juventud, pero, como sin querer, conforma la radiografía de una generación, de un mundo perdido.
El texto tiene más elaboración detrás de lo que su presentación puede dar a entender: el autor le dedicó varios años, durante los que trabajaba como bibliotecario y, por lo tanto, tenía acceso a documentos que fueron su particular magdalena de Proust y despertaron esa sucesión de recuerdos. Los fue apuntando al tiempo que avanzaba en su ya citada obra magna, que por aquel entonces le ocupaba la mayor parte del tiempo.
La memoria y cómo fijamos (o no) los recuerdos
Leída hoy, Me acuerdo aporta algo más que el conocimiento de una época y un lugar determinados, o que el descubrimiento de un método narrativo singular. En general, provoca una reflexión en torno a la memoria y el modo en el que fijamos (o no) los recuerdos, en un momento en el que todo parece almacenarse (que no es sinónimo de recordar) en una nube. La nube es el espacio de Internet donde se guardan archivos y datos, pero también ese agregado de partículas que impide ver con claridad, que nos “emborrona” la vista; y ahora no nos faltan estímulos que actúan como niebla tóxica.
Sin embargo, no basta con comparar el presente hiperconectado del siglo XXI con la sociedad analógica en la que vivió Perec para entender las claves de su proyecto. De entrada, hay que tener en cuenta que toda su obra, desde sus comienzos, está marcada por la memoria de la Segunda Guerra Mundial: sus padres, polacos judíos emigrados a Francia en los años veinte, murieron durante la contienda. Perec creció con sus tíos, y no olvidó, aunque tampoco se dejó llevar por la desesperanza.
Ya se ha dicho: en sus recuerdos cabe lo grave, pero también lo ligero, lo anecdótico. Porque la vida es así, en la vida hay de todo. Lo recopilado, además, ha pasado por un filtro: frente a la acumulación a la que se tiende hoy, Perec selecciona 480 recuerdos, que pueden parecer muchos al ver la cifra, pero, comparados con el scroll infinito y la cadena de enlaces de la red, constituyen una cantidad cerrada e incluso manejable.
El eclecticismo de su selección funciona como un juego: el propósito no es narrar una autobiografía a la antigua usanza, centrándose en los hechos relevantes, sino plantear algo distinto, una travesura con cierto fondo (no en vano algunos elementos son eso mismo, juegos: “444, Me acuerdo del yoyó”). El tipo de detalles que a menudo se pasa por alto en las memorias tradicionales, por tacharse de trivial o superfluo. No obstante, estas curiosidades desencadenan a su vez el reconocimiento de los lectores, cómplices del autor en su aventura por los meandros del pasado.
Un pasado que se reconstruye sin nostalgia, porque, como analiza Eduardo Berti en el prólogo, “lo que Perec propone con Me acuerdo es arrancarnos del intimismo narcisista y del goce autárquico. Me acuerdo no dice que ‘antes era mejor’, dice que antes era antes, y la lista restablece el orden en el desorden”. A Perec, como a los de su generación, no se le hubiera ocurrido idealizar el pasado, por mucho que fuera el universo de su niñez. Y, también como los de su generación, estaba curtido en el compromiso con la memoria histórica, con las víctimas; es decir, con el otro, con los derrotados de la guerra, con los expulsados de la sociedad, con los seres marginales como él mismo fue alguna vez.
El precio de tenerlo todo al alcance
¿Y qué nos dice todo esto hoy? Tenemos tan al alcance la herramienta de “guardar” que almacenamos fotografías, artículos, canciones y notas varias por doquier. La lista —o las listas— de tareas, compras, deseos, propósitos se vuelven interminables. No es culpa del individuo: el ritmo de productividad del tardocapitalismo, tanto en bienes materiales como en contenidos digitales, hace imposible su asimilación. La experiencia se vuelve superficial, fragmentada y dispersa; saltamos de una página a otra, leemos los titulares, escuchamos un audio acelerado, añadimos libros por leer, opinamos sin saber.
Esa sensación de tenerlo todo al alcance se vuelve en nuestra contra; en la práctica, es tan apabullante que obnubila, paraliza. No, no nos convertiremos en el superhéroe que es capaz de abarcarlo todo, en el artista que crea la obra total. En esa renuncia, leer Me acuerdo puede ser una válvula de esperanza. Porque recuerda el poder de lo acotado: mejor apuntar 480 (o diez, o mil) que mirar de reojo el infinito de la nube. También recuerda el atractivo de la heterogeneidad: no todo tiene que ser lo más elevado; no todos los libros tienen que ser La vida instrucciones de uso.
Y, claro, es asimismo una invitación a la risa, a tomarse menos en serio a uno mismo; listar recuerdos no tiene por qué ser un ejercicio de nostalgia funesta, esa nostalgia que hoy trata de despertar fantasmas peligrosos. Tampoco es un mero diario personal, una mirada al ombligo: los nombres, las películas y todo lo demás que se recopila se eleva a conciencia de la vivencia particular para enfatizar los vínculos que nos unen, que dan sostén a cada sociedad, cada cultura, cada época.
Hoy, cuando cada vez hay más gente que recupera costumbres analógicas, como escribir cartas, llevar un diario personal o utilizar un teléfono sin conexión a Internet, este libro de Perec puede tomarse como inspiración: no fue su obra cumbre, pero ha permanecido, ha inspirado, sigue siendo simpática. Y todo comenzó como unas frases que el autor iba apuntando en ratos sueltos. Hay algo claro: mejor tomar notas —escuchar una canción, ver una película, leer un libro, responder un correo— y asumir las limitaciones humanas que dejar el abismo para un mañana en el que no, no seremos mejores. En cambio, en ese mañana agradeceremos haber dejado algo hecho, fijado en algo más sólido que una nube; aunque solo sean unas frases escritas de nuestro puño y letra, en un cuaderno.
O domingo foi marcado por atos em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Brasil, com milhares de pessoas reunidas em cerca de 500 cidades, entre elas Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza. A estimativa é da coordenação de campanha do partido.
Na capital federal, a mobilização tomou conta da Esplanada dos Ministérios pela manhã e permaneceu nas ruas ao longo do dia. No Rio, à tarde, um ato musical reuniu milhares de pessoas na orla de Copacabana. O evento foi convocado pelo cantor Caetano Veloso e teve a participação de artistas como Djavan, Duda Beat, Marina Sena, entre outros.
Caetano lembrou que foi preso na ditadura militar com Gilberto Gil e outros músicos. "Vários artistas sofreram. Nós estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa e resistir contra as ameaças à democracia", disse.
Ato pela reeleição de Lula na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Ato pela Democracia na orla de Copacabana - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O cantor Djavan destacou que também é preciso defender a soberania brasileira contra ingerências externas.
Para a atriz Leticia Sabatella, é preciso lutar e proteger os direitos conquistados. "De um lado a gente tem um candidato de uma família que exalta torturadores, são saudosos da ditadura e não têm um programa de Estado para o Brasil. Do outro lado, a gente tem um programa de governo que a gente já viu ser implantado com políticas sociais muito importantes."
A cantora Duda Beat disse que estava bonito de ver a multidão na orla de Copacabana. "Isso aqui é a resposta que a gente vai dar. O povo unido consegue tudo. Viva a democracia!"
Ato pela Democracia na orla de Copacabana - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O diretor de Comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE), Alejandro Guerrero, disse que veio do Rio Grande do Sul para participar do ato porque o país vive um momento de encruzilhada histórica.
"Existem dois rumos de projeto que neste segundo turno ficam evidenciados. Um projeto que representa a democracia, a defesa da soberania nacional. Do outro lado, o entreguismo, o fascismo e a entrega das nossas riquezas para os Estados Unidos. Esse é o momento para a gente reafirmar a luta em defesa do Brasil da soberania e da democracia", afirmou o estudante.
Candelária
Na parte da manhã, um ato de estudantes e trabalhadores também reuniu milhares de pessoas na Praça da Candelária, no centro do Rio, em apoio à democracia e a Lula.
Manifestação em apoio à reeleição do presidente Lula na Candelária - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O casal Bráulio Martins, de 33 anos, e Laura Guimarães, de 27 anos, compareceu à manifestação acompanhado do filho Ícaro, de 5 anos. Laura estava com um adereço de mochila maluca com vários adesivos dos programas sociais do governo Lula.
"A partir de 2018, comecei a me envolver e pesquisar, e a praticar minha cidadania e descobrir as lutas que eu ia me envolver. Eu passei muito sufoco depois que minha mãe morreu em 2021. Fui beneficiária do Bolsa Família por um tempo, o que me ajudou muito a cuidar do meu filho e a empreender", disse Laura, esteticista e dona de uma clínica na área.
"Quero que meu filho tenha uma vida que eu não tive. Quero que ele cresça seguro e entendendo quais são os lados, ele como uma criança de uma família que sempre lutou muito", completou.
Acompanhada das amigas, a estudante de artes visuais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Andressa da Paz, de 24 anos, contou que, no governo de Jair Bolsonaro, a universidade pública foi sucateada, não tinha papel higiênico, faltava luz, não tinha nem ventilador. A faculdade fica na Ilha do Fundão, na Ilha do Governador. "Estou esperançosa de que dia 25 de outubro, Lula vai ganhar", afirmou Andressa.
* Matéria atualizada para complementação de informações