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Flávio pede que Lula seja investigado por uísque recebido de Vorcaro

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (23) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja investigado por ter supostamente recebido um uísque do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo petição encaminhada ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), mensagens encontradas no celular do banqueiro e divulgadas pela revista Veja indicam que a bebida entregue a Lula era uma garrafa rara de Macallan 1945, avaliada em mais de R$ 500 mil.

Flávio argumenta que o suposto presente não pode ser tratado como uma simples cortesia, uma vez que teria sido dado por um empresário com negócios e interesses pendentes no governo federal e no Banco Central. Para o senador, o valor da bebida pode caracterizar uma vantagem indevida.

“Não se trata, portanto, de gesto de afeto entre conhecidos. Trata-se de vantagem de expressivo valor econômico, ofertada ao Chefe do Poder Executivo por particular com interesses diretos perante a Administração Pública Federal, circunstância que, por si só, reforça a necessidade de instauração de Inquérito Originário para a sua completa apuração”, diz.

Com base nas mensagens que, segundo ele, indicam que Lula teria agradecido pelo presente, Flávio defende que a PGR (Procuradoria-Geral da República) investigue se houve favorecimento ou troca de influência envolvendo o banco.

Conforme já mostrou a CNN, o advogado Walfrido Warde, que integrava a defesa de Daniel Vorcaro, aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal como articulador de uma tentativa de aproximação do ex-banqueiro com o governo do presidente Lula. 

Em mensagens de WhatsApp, o advogado expõe a construção de uma interlocução para que Lula recebesse Vorcaro. Em um dos trechos, Warde cita que o presidente ficou grato por um uísque dado pelo ex-banqueiro.

Ao ser questionado sobre o presente, Lula afirmou em entrevista à imprensa: “Se me deu uísque, já bebi. Eu ganho muita coisa, lembrança, sabe? Não sei me deu, mas se deu já bebi, pode ficar certo”, afirmou Lula.

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PGR dá parecer contra pedido de acesso a registro de Vorcaro no Senado

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou nesta quinta-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contrário ao pedido de acesso a eventuais registros de entrada e saída da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Senado. 

A manifestação foi incluída no mandado de segurança no qual o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) pede que a Corte obrigue o Senado a fornecer eventuais registros de entrada e saída de Viviane, Vorcaro e outros citados.

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Segundo o parlamentar, os pedidos de acesso aos dados foram negados pela Casa por envolver "informações de caráter pessoal". 

Além de Viviane e Vorcaro, o vereador quer acesso a eventuais registros de entrada do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas dependências da Casa.

No parecer, o procurador disse que o pedido de acesso deve ser rejeitado porque a jurisprudência do Supremo define que não cabe mandado de segurança, protocolado em nome próprio, para defender direitos coletivos. 

“O impetrante não logrou comprovar violação de direito subjetivo líquido e certo, o que, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, afasta sua legitimidade ativa e, por conseguinte, o cabimento do mandado de segurança”, afirmou Gonet.

O caso é relatado pelo ministro Luiz Fux. Não há data prevista para decisão.

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Metrópoles acusa Estadão de ocultar relação com Vorcaro e omitir fatos

O Metrópoles publicou duas reportagens nesta quinta-feira (22/10) em que acusa o Estadão de não admitir os fatos sobre a relação do jornal com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo o portal, o jornal paulista usa as mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) quando lhe parece conveniente, mas desqualifica as mesmas conversas quando é citado.

Mensagens trocadas entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro, seu sócio em operações de mídia, revelam como era a relação do grupo com o Estadão. Em um dos diálogos, Carneiro tranquiliza Vorcaro: no “Estadão estamos em casa, temos crédito lá”. A conversa ocorreu em 15 de maio de 2024, após uma repórter procurar um executivo do banco. Vorcaro escreveu a Carneiro: “Nos precisamos aumentar patrocínio folha e estadao”.

Em outro trecho, no dia 21 de maio, Carneiro afirma que quem estaria no comando do Estadão seria o empresário Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Cosan. Vorcaro lamenta não ter participado do negócio: “Agora já foi. Oportunidade ímpar. De blindar lá”. Carneiro responde: “Não tem o que entrar. Ele fez tudo sozinho. Tá há 6 meses montando isso para mascarar mas é tudo Ometo”.

O Metrópoles acusa o Estadão de usar as mensagens de Vorcaro de forma conveniente e de desqualificar as conversas do mesmo Vorcaro quando citado. Segundo o portal, o jornal afirmou que as declarações de Carneiro sobre “estar em casa” e “ter créditos” seriam apenas uma tentativa do empresário de demonstrar uma influência que não tinha. O Metrópoles rebate: “Se o Estadão considera mentirosas as afirmações feitas por Flávio Carneiro sobre a relação entre o veículo, Daniel Vorcaro e Rubens Ometto, o jornal vai processar Flávio Carneiro?”.

O Metrópoles também aponta que o Estadão escondeu por dois anos as identidades dos empresários e banqueiros que participaram do socorro financeiro ao grupo, que acumulava dívida de R$ 159 milhões. Os nomes só se tornaram públicos a partir de reportagem do Metrópoles. A operação de debêntures foi realizada em março de 2024 (R$ 45 milhões) e maio de 2024 (R$ 97,5 milhões), transformando bancos e grandes empresários — como Ometto — em credores do jornal. Em troca, os novos investidores ganharam assentos no conselho de administração e passaram a ter influência editorial no veículo, que ganhou a alcunha de “Jornal dos Banqueiros”.

O portal classifica a resposta do Estadão como um “ataque mentiroso” e afirma que tudo o que publica é comprovado pelos prints das conversas do telefone de Daniel Vorcaro. “Ao demandar respostas ao jornal paulista, o Metrópoles cumpre seu dever de bom jornalismo, qual seja, ouvir o outro lado antes de publicar qualquer matéria”. O Metrópoles também rebate a acusação de que praticaria “intimidação editorial”: “Se todos os que se sentirem atingidos pelas matérias considerarem o exercício de jornalismo como método de intimidação, isso poria fim ao mais importante trabalho da imprensa: apurar, checar, comprovar e publicar notícias que desagradam aos personagens retratados”.

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