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Juros da dívida sobem a dois anos e descem a cinco e 10 anos

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois anos e desciam a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, enquanto os da Alemanha e França também recuavam no prazo mais longo.

Às 08:35 em Lisboa, os juros a 10 anos baixavam para 3,904%, contra 3,906% na quinta-feira.

Os juros a cinco anos também cediam, para 3,468%, contra 3,472%.

Em sentido contrário, os juros a dois anos avançavam, para 3,156%, contra 3,153% na véspera.

Os juros da Grécia e de Itália subiam em todos os prazos, enquanto os de Espanha recuavam no prazo mais curto e avançavam nos dois prazos mais longos.

Os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, desciam, para 3,311%, contra 3,332%, bem como os da dívida francesa, para 5,058%, contra 5,073% na véspera, um máximo desde julho de 2002.

O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava a subir, para cerca de 174 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.

Já os juros dos Estados Unidos subiam para 4,969%, contra 4,955% na quinta-feira.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:35:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

23/10…….3,156…3,468…..3,904

22/10…….3,153…3,472…..3,906

Espanha

23/10…….3,199…3,545…..4,048

22/10…….3,202…3,548…..4,045

Grécia

23/10…….3,284…3,844…..4,401

22/10…….3,206…3,837…..4,398

Itália

23/10…….3,565….4,055…..4,581

22/10…….3,564….4,051…..4,575

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

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G5 ao Capital Insights: Há dúvida sobre como governo eleito tratará fiscal

Na reta final da campanha eleitoral para presidente da República, as propostas econômicas apresentadas até aqui ainda não oferecem garantias concretas de ajuste fiscal, avalia o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal. Segundo ele, falta um plano detalhado capaz de responder ao aumento do desequilíbrio nas contas públicas projetado para o início de 2027.

“Há um rombo maior do que havia antes e muitas dúvidas sobre como qualquer um dos candidatos vai lidar com esse rombo maior no início de 2027”, afirma, em entrevista ao Capital Insights – parceria entre a Broadcast e o CNN Money – desta quinta-feira (22).

Ele lembra que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, aumentou despesas, o que deve pressionar o Orçamento do ano que vem, enquanto promessas do adversário, Flávio Bolsonaro, como a de cortar R$ 200 bilhões em gastos, foram recebidas com desconfiança.

Para Leal, o ponto central do debate macroeconômico segue sendo o fiscal. Ele afirma que as expectativas de inflação futura carregam um “prêmio de risco fiscal”, isto é, parte relevante do que se projeta para os preços adiante não deriva da demanda aquecida, mas da desconfiança com a trajetória das contas públicas.

Na avaliação do economista, sem esse risco fiscal, a inflação tenderia a convergir para a meta, porque o mercado confia no Banco Central. “Hoje há confiança na política monetária, e não na fiscal”, resume.

A economia brasileira também é um desafio para o próximo presidente da República, acrescenta Leal. Na entrevista, ele afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre “deve ser negativo” e não descarta um desempenho ruim também no quarto trimestre, num ambiente em que crédito mais seletivo, endividamento elevado e incertezas fiscais restringem consumo e investimento.

Ao discutir o ambiente político, Leal argumenta que a campanha do presidente Lula não conseguiu transformar a inflação mais controlada em tração eleitoral. Segundo ele, o motivo central é que a melhora de índices agregados não se converteu em sensação de alívio no bolso.

O endividamento das famílias, na leitura do economista, segue como o principal limitador: a renda não acompanhou o crescimento das dívidas, o que mantém a percepção de aperto, mesmo quando a inflação corrente desacelera.

Esse quadro, diz Leal, ajuda a explicar por que o Banco Central começou a reduzir juros levando em conta não apenas o comportamento dos preços, mas também o peso do endividamento sobre a atividade.

A queda dos juros, porém, não resolve automaticamente o problema do crédito. Para o economista, os bancos tendem a ser mais seletivos na concessão, depois de um período em que modalidades caras, como o cartão de crédito, ganharam protagonismo e contribuíram para o aumento do risco e da inadimplência.

No exterior, Leal vê um cenário ainda dominado por inflação resiliente e juros em alta, o que reduz a disposição global por risco e aumenta a competição por capital com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Esse quadro, segundo ele, afeta diretamente emergentes como o Brasil, pressionando prêmios de risco e tornando mais difícil sustentar um ciclo doméstico de alívio monetário sem impacto no câmbio.

Ao olhar para os Estados Unidos, o economista projeta um cenário de turbulência política. Ele avalia que Donald Trump tenderia a judicializar o processo eleitoral e que, mesmo se vencer, enfrentará forte oposição, com possibilidade de novas crises institucionais, incluindo tentativas de impeachment.

No pano de fundo, Leal afirma que o Federal Reserve ainda pode elevar juros mais uma vez neste ano, possivelmente em dezembro – movimento que, se confirmado, apertaria as condições financeiras globais e aumentaria a pressão sobre câmbio e expectativas no Brasil, justamente num momento em que o país tenta equilibrar desaceleração econômica e fragilidade fiscal.

Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

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