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Ibovespa sobe de olho em novas pesquisas às vésperas da eleição; dólar cai

A bolsa paulista sobe nesta sexta-feira (22), com investidores ajustando as últimas posições antes do resultado da eleição presidencial do país no domingo.

Enquanto o mercado reforça suas apostas antes do pleito, o Bradesco tinha destaque negativo na sessão após ter lucro em linha com as expectativas no 3º tri, mas apresentar piora em dados de inadimplência.

Às 10h23 (de Brasília), o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, tinha variação positiva de 0,21%, a 204.542,42 pontos. O contrato futuro do índice com vencimento mais curto, em 16 de dezembro, subia 0,96%.

O dólar, por sua vez, iniciou a sexta-feira (23) com variações modestas ante o real após nova pesquisa do Datafolha apontar empate numérico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência.

No exterior, a moeda americana subia ante boa parte das demais divisas.

Às 9h50, o dólar à vista avançava 0,07%, perto da estabilidade, a R$ 5,0477 na venda.

O dólar à vista encerrou a sessão de quinta-feira (22) com alta de 0,22%, aos R$ 5,0384.

*Com informações da Reuters 

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Petróleo renova máxima de cinco meses diante de escalada no Oriente Médio

Os preços do petróleo estendem as altas da véspera nesta sexta-feira (23), com nova escalada do conflito no Oriente Médio impactanto diretamente os barris.

Pela manhã, os contratos futuros do petróleo Brent – commodity de referência mundial – avançavam US$ 1,40, ou 1,2%, para US$ 114,57 por barril (às 8h38 de Brasília), após atingirem mais cedo US$ 115, o maior nível desde 4 de maio.

Os barris do WTI (West Texas Intermediate) subiam US$ 1,48, ou 1,5%, para US$ 100,95 por barril.

O Brent caminha para registrar a terceira alta semanal consecutiva, de 4,2%, enquanto o WTI deve encerrar a semana com queda de 0,5%.

No dia anterior, o Brent fechou em alta de 4%, a US$ 113,17 por barril, maior valor de fechamento também desde 4 de maio.

A Saudi Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita, orientou seus funcionários a se retirarem da sede da empresa em Dhahran e a trabalharem remotamente na quinta-feira, à medida que as tensões se intensificam na região.

A ordem chega após duas pessoas morrerem em um ataque a um aeroporto nas proximidades e marca a primeira vez que a Aramco solicita a retirada de sua sede desde o início do conflito envolvendo o Irã.

“O mercado continua preocupado com uma possível escalada que, no pior cenário, poderia provocar novas interrupções no fornecimento”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS.

Os confrontos entre os houthis e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, se intensificaram desde que os houthis, alinhados ao Irã, avançaram em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, um importante gargalo para o transporte marítimo na entrada do Mar Vermelho.

“Se os ataques persistirem e atrasarem as entregas, os preços elevados terão uma sustentação mais sólida”, afirmou Linh Tran, analista da XS.com.

Em meio aos ataques no Oriente Médio, o primeiro carregamento de diesel russo com destino aos Estados Unidos desde um acordo inesperado entre Moscou e o presidente norte-americano, Donald Trump, está a bordo de um navio-tanque que segue para Nova York, segundo dados de rastreamento marítimo divulgados nesta sexta-feira.

Trump anunciou o acordo neste mês como parte de seus esforços para reduzir a disparada dos preços do diesel antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o próximo mês.

*Com informações da Reuters

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Bolsas da Ásia sobem, mas petróleo e temores com IA limitam ganhos

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira (23), recuperando-se de perdas registradas mais cedo, mas preocupações persistentes com investimentos em inteligência artificial e a alta do petróleo limitaram os ganhos.

O índice sul-coreano Kospi subiu 0,30% em Seul, para 5.550,30 pontos, após chegar a recuar para perto de 5.300 pontos, o menor nível em mais de seis meses. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,69%, para 23.093,37 pontos. Já em Tóquio, o Nikkei caiu 0,34%, para 62.693,16 pontos.

Na China continental, o pregão foi positivo, com alta de 0,89% do Xangai Composto, para 3.690,48 pontos, e de 2,44% do Shenzhen Composto, para 2.212,99 pontos. Em Taiwan, o mercado não operou devido a feriado.

Ações ligadas à IA seguem voláteis, com receios de que o custo mais alto de financiamento prejudique investimentos em data centers e chips. Ontem, o Nasdaq recuou 2,6% em Nova York, após balanços da Meta e da Tesla reforçarem esse sentimento.

O avanço do petróleo, sustentado por tensões no Oriente Médio, também restringiu o apetite por risco. No fim da madrugada, o WTI avançava 0,50%, para US$ 100 o barril.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou praticamente estável, com alta marginal de 0,02% do S&P/ASX 200, para 8.795,20 pontos.

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G5 ao Capital Insights: Há dúvida sobre como governo eleito tratará fiscal

Na reta final da campanha eleitoral para presidente da República, as propostas econômicas apresentadas até aqui ainda não oferecem garantias concretas de ajuste fiscal, avalia o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal. Segundo ele, falta um plano detalhado capaz de responder ao aumento do desequilíbrio nas contas públicas projetado para o início de 2027.

“Há um rombo maior do que havia antes e muitas dúvidas sobre como qualquer um dos candidatos vai lidar com esse rombo maior no início de 2027”, afirma, em entrevista ao Capital Insights – parceria entre a Broadcast e o CNN Money – desta quinta-feira (22).

Ele lembra que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, aumentou despesas, o que deve pressionar o Orçamento do ano que vem, enquanto promessas do adversário, Flávio Bolsonaro, como a de cortar R$ 200 bilhões em gastos, foram recebidas com desconfiança.

Para Leal, o ponto central do debate macroeconômico segue sendo o fiscal. Ele afirma que as expectativas de inflação futura carregam um “prêmio de risco fiscal”, isto é, parte relevante do que se projeta para os preços adiante não deriva da demanda aquecida, mas da desconfiança com a trajetória das contas públicas.

Na avaliação do economista, sem esse risco fiscal, a inflação tenderia a convergir para a meta, porque o mercado confia no Banco Central. “Hoje há confiança na política monetária, e não na fiscal”, resume.

A economia brasileira também é um desafio para o próximo presidente da República, acrescenta Leal. Na entrevista, ele afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre “deve ser negativo” e não descarta um desempenho ruim também no quarto trimestre, num ambiente em que crédito mais seletivo, endividamento elevado e incertezas fiscais restringem consumo e investimento.

Ao discutir o ambiente político, Leal argumenta que a campanha do presidente Lula não conseguiu transformar a inflação mais controlada em tração eleitoral. Segundo ele, o motivo central é que a melhora de índices agregados não se converteu em sensação de alívio no bolso.

O endividamento das famílias, na leitura do economista, segue como o principal limitador: a renda não acompanhou o crescimento das dívidas, o que mantém a percepção de aperto, mesmo quando a inflação corrente desacelera.

Esse quadro, diz Leal, ajuda a explicar por que o Banco Central começou a reduzir juros levando em conta não apenas o comportamento dos preços, mas também o peso do endividamento sobre a atividade.

A queda dos juros, porém, não resolve automaticamente o problema do crédito. Para o economista, os bancos tendem a ser mais seletivos na concessão, depois de um período em que modalidades caras, como o cartão de crédito, ganharam protagonismo e contribuíram para o aumento do risco e da inadimplência.

No exterior, Leal vê um cenário ainda dominado por inflação resiliente e juros em alta, o que reduz a disposição global por risco e aumenta a competição por capital com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Esse quadro, segundo ele, afeta diretamente emergentes como o Brasil, pressionando prêmios de risco e tornando mais difícil sustentar um ciclo doméstico de alívio monetário sem impacto no câmbio.

Ao olhar para os Estados Unidos, o economista projeta um cenário de turbulência política. Ele avalia que Donald Trump tenderia a judicializar o processo eleitoral e que, mesmo se vencer, enfrentará forte oposição, com possibilidade de novas crises institucionais, incluindo tentativas de impeachment.

No pano de fundo, Leal afirma que o Federal Reserve ainda pode elevar juros mais uma vez neste ano, possivelmente em dezembro – movimento que, se confirmado, apertaria as condições financeiras globais e aumentaria a pressão sobre câmbio e expectativas no Brasil, justamente num momento em que o país tenta equilibrar desaceleração econômica e fragilidade fiscal.

Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

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