Normal view
A comunicação até pode ser santa, mas não faz milagres
Uma subida de preços sem uma melhoria percetível no serviço. Uma reorganização anunciada em nome da eficiência, enquanto as equipas acumulam trabalho. Um compromisso com a sustentabilidade que não resiste às escolhas comerciais.
Em situações como estas, uma mensagem mais clara pode explicar a decisão. Mas dificilmente resolve a contradição que está na sua origem.
“Precisamos de comunicar melhor.” A frase surge depressa quando uma decisão provoca resistência. É confortável atribuir o insucesso à comunicação: permite mudar a mensagem sem questionar a escolha que lhe deu origem. Mas, muitas vezes, os públicos compreenderam perfeitamente. Simplesmente, não concordaram.
Claro que há falhas de comunicação. Há mensagens confusas, momentos mal escolhidos e explicações insuficientes. O problema começa quando se presume que toda a resistência resulta de uma falha dessas. Nesse momento, a gestão deixa de ouvir o que a reação dos públicos lhe pode ensinar.
É aqui que a comunicação se torna um teste à qualidade da gestão. Se explicar uma decisão exige omitir as suas consequências mais relevantes, essa decisão merece regressar à mesa onde foi tomada.
Isso não significa que uma boa decisão tenha de ser popular. Gerir implica fazer escolhas difíceis, distribuir recursos escassos e aceitar desacordos. Mas existe uma diferença entre enfrentar resistência com argumentos sólidos e procurar palavras capazes de disfarçar uma escolha mal fundamentada. Cabe à gestão saber distinguir as duas situações.
Para isso, é fundamental que a comunicação entre mais cedo no processo. Que possa perguntar quem será afetado, que promessa ficará comprometida e que consequências a organização está preparada para assumir. Sobretudo, que tenha espaço para dizer: esta decisão pode funcionar na folha de cálculo e falhar na relação com as pessoas de quem o negócio depende.
Quando a direção de comunicação recebe apenas decisões fechadas, a empresa desperdiça uma parte importante da sua competência: interpretar o contexto, antecipar reações e trazer para dentro da organização perspetivas que a administração pode não estar a ouvir. E responsabiliza-a por consequências que já não tem margem para alterar.
Ter a comunicação à mesa não chega se não houver espaço para discordar. Quando se espera apenas que valide o que foi decidido, a sua presença torna-se decorativa. A gestão perde assim uma oportunidade de corrigir o problema antes de o tornar público.
A pergunta para os gestores é, por isso, bastante concreta: a direção de comunicação tem poder para questionar uma decisão ou só para a apresentar?
A resposta revela o lugar que a comunicação ocupa na empresa. Revela também a disponibilidade da gestão para ser contrariada antes de ser confrontada pelo mercado.
Antes de pedir uma narrativa melhor, talvez valha a pena perguntar: o que teríamos de mudar nesta decisão para conseguirmos defendê-la publicamente?
A comunicação até pode ser santa, mas não faz milagres. E rever decisões continua a ser uma responsabilidade da gestão.
Bankinter já usou 75% da garantia pública e apela a “consenso” na crise da habitação
O Bankinter Portugal já utilizou praticamente 75% da sua quota-parte da linha garantia pública no crédito à habitação para os jovens e, perante a onda de protestos nas ruas em várias cidades na Europa, a líder máxima do banco espanhol apelou a um consenso político para que sejam implementadas “políticas de longo prazo eficazes” a combater essa crise.
“Trata-se de um problema estrutural que exige políticas a longo prazo e que, por isso, o ideal seria que houvesse um consenso entre todos os partidos”, declarou Gloria Ortiz em conferência de imprensa de apresentação dos resultados relativos aos primeiros nove meses do ano.
“É isso que eu pediria: que, no que diz respeito aos aspetos estratégicos e aos problemas estruturais que nos afetam, sejam capazes de chegar a um consenso e que possamos ter políticas de longo prazo que sejam, no final de contas, eficazes”, salientou.
Ortiz deseja estabilidade nas políticas porque “as que são aplicadas num dia e no dia seguinte já não o são, não têm qualquer impacto”.
Não só Espanha, mas também em Portugal e noutros países, sobretudo a população mais jovem tem saído às ruas em protesto contra a falta de soluções para a crise da habitação.
É por isso que pediria que, no que diz respeito aos aspetos estratégicos e aos problemas estruturais que nos afetam, sejam capazes de chegar a um consenso e que possamos ter políticas de longo prazo que sejam, no final de contas, eficazes.
A CEO do Bankinter considerou que os bancos podem e estão a fazer a sua parte que é a concessão de crédito, apesar de insistir na ideia de que deve haver “um plano a longo prazo com medidas que realmente combatam os problemas estruturais existentes”.
No que toca a Portugal, onde registou um aumento de 13% dos resultados antes de impostos para 178 milhões de euros até setembro, o banco já usou praticamente 45 milhões do plafond de 60 milhões de euros que lhe foi atribuído pelo Estado português no âmbito da linha de garantia pública para os jovens, revelou o administrador financeiro Jacobo Dias.
“Está no bom caminho. Se chegássemos ao limite, certamente pediríamos mais, mas ainda não chegámos ao limite e continuamos a progredir. A verdade é que continuamos muito empenhados nestas medidas de apoio e, se fosse necessário, solicitaríamos mais, mas, por enquanto, ainda temos alguma margem”, declarou o responsável.

“Não haverá problemas com dívida pública europeia”
Gloria Ortiz comentou ainda a instabilidade nos mercados obrigacionistas que estão a deixar França sob intensa pressão com os juros a dez anos a superarem a fasquia dos 5% pela primeira vez desde 2002. A líder do Bankinter afastou uma crise como a que tivemos na Zona Euro em 2010.
“É verdade que as suas finanças públicas exigem atenção e que a situação atual, na véspera das eleições, não contribui para que as mensagens transmitidas sejam tranquilizadoras”, começou por dizer relativamente a este tema.
“Mas acho que a situação vai certamente voltar ao normal quando este período de transição terminar. E, por isso, estamos convencidos de que não haverá problemas com a dívida pública europeia, embora, logicamente, estejamos a atravessar um período de volatilidade e haja momentos em que os prémios de certos países possam aumentar”, considerou ainda.
O Bankinter registou lucros de 901 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 11% em termos homólogos.
A7: Colisão entre três veículos faz três feridos ligeiros

D Reservados Um acidente rodoviário no sentido Guimarães-Famalicão da Autoestrada 7 (A7) provocou, na manhã desta quinta-feira, três feridos ligeiros. A colisão envolveu duas viaturas ligeiras e um veículo pesado de mercadorias.
Segundo os Bombeiros Voluntários Famalicenses, as três vítimas sofreram apenas ferimentos ligeiros e foram encaminhadas para a unidade hospitalar de Famalicão para prestação de cuidados médicos.
O pedido de socorro e alerta para a ocorrência deu entrada nas autoridades por volta das 09h10.
Por: Dino Frazão
22 de outubro de 2026
————————————————–
© 2026 Os Monhacas. Todos os direitos reservados.
Este é um projeto independente de criação de conteúdos.
Se gostou do que leu e ainda não é seguidor, siga a nossa página para ver mais conteúdos!
————————————————–
O conteúdo A7: Colisão entre três veículos faz três feridos ligeiros aparece primeiro em OS MONHACAS.
Preparação para o Enem: estudar demais pode atrapalhar? Saiba como dosar
A proximidade do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode colocar os alunos em estado de alerta em relação aos estudos. A prova, que acontecerá nos dias 8 e 15 de novembro, exige muito da bagagem intelectual e do pensamento crítico de cada candidato, por isso é necessário repassar essas matérias na reta final dos estudos de forma saudável.
Muitos estudantes podem se privar do sono para tentar compensar, em poucas semanas, tudo o que não foi estudado ao longo do ano, algo que pode ser prejudicial para o bem-estar e a saúde mental de cada um. Essa manobra pode transformar o que era estratégia em agonia.
De acordo com Gabrieli Ribeiro, coordenadora psicossocial do Elite Rede de Ensino, à CNN Brasil, o excesso de estudos nas semanas que antecedem o Enem pode surtir um efeito contrário ao esperado: na tentativa de aprender mais, o estudante começa a comprometer as condições mentais que permitem o aprendizado.
“Quando o descanso é substituído por mais horas de estudo, o sono fica prejudicado e a rotina perde espaço para a cobrança, podendo surgir dificuldade de concentração, falhas na memória, irritabilidade, ansiedade e a sensação de que nunca se sabe o suficiente”, explica.
Segundo a profissional, o desgaste emocional faz com que o aluno passe a interpretar as horas de sono como tempo perdido, aumentando a sensação de despreparo. Dormir é essencial para que o cérebro consolide as informações e se recupere do esforço feito durante as horas de estudo.
“Na reta final, estudar melhor é mais importante do que simplesmente estudar mais. O descanso não é uma recompensa para quem terminou tudo, porque nessa fase sempre haverá algo a revisar, mas é parte da própria preparação”, afirma Ribeiro.
A psicóloga afirma que a tentativa de compensar o que não foi estudado durante o ano nas semanas anteriores ao Enem aumenta sintomas da ansiedade. É possível, no entanto, diminuir o clima de urgência fazendo trocas inteligentes. Em vez de tentar aprender todo o conteúdo que ficou para trás, você pode:
- priorizar assuntos mais relevantes;
- revisar conhecimentos já trabalhados;
- resolver questões;
- compreender os próprios erros;
- e preservar a energia mental.
“Existe uma diferença importante entre intensificar o estudo e entrar em desespero para recuperar o tempo. A reta final não é o momento de tentar reconstruir toda a preparação, mas de transformar o conhecimento disponível em desempenho. O estudante não precisa chegar à prova sabendo tudo; precisa chegar em condições de acessar, com clareza, aquilo que sabe”, sugere a profissional.
Investir no lazer e descanso
Outro ponto importante é incluir momentos de lazer em meio a todo esse desgaste mental. Para Gabrieli Ribeiro, descansar e se divertir é necessário.
O estudante que abre mão do lazer por achar que está perdendo tempo pode enfrentar um estado de privação muito prejudicial para a saúde.
Além do lazer, é importante reservar momentos para conversar com amigos, praticar atividades físicas, assistir algo que gosta ou simplesmente descansar sem sentimento de culpa.
“Uma preparação eficiente não é aquela que ocupa cada minuto do dia, mas aquela que permite chegar à prova com conhecimento, energia e estabilidade emocional. Afinal, o estudante não precisa suspender a própria vida para se preparar para uma prova que faz parte dela”, explica a psicóloga.
Como diminuir os sintomas de ansiedade e evitar a autossabotagem antes do Enem?
Antes de testar os próprios conhecimentos no exame, é importante o candidato entender que o medo não pode conduzir suas escolhas. Para evitar a autossabotagem, é fundamental deslocar o foco do resultado, que não está inteiramente sob seu controle, para aquilo que pode ser feito no presente, como manter uma rotina realista de estudos, respeitar o descanso, cuidar do sono e reconhecer os próprios avanços, mesmo que pequenos.
Pensamentos de “não sei o suficiente” ou “vou fracassar” são expressões da ansiedade que não são verdades absolutas. O estudante que se vê nesse ciclo pode fazer exercícios de respiração para tentar retomar a consciência e desenvolver a autoconfiança que foi deixada de lado pelas inseguranças.
Para complementar, viver em um ambiente familiar pacífico contribui como uma fonte de segurança emocional para uma pessoa que já vive em um período marcado por cobranças, expectativas e incertezas.
“A família pode contribuir de forma muito significativa ao demonstrar interesse pelo bem-estar do jovem, respeitar seus momentos de descanso, reconhecer sua dedicação e transmitir confiança sem minimizar seus medos”, declara Ribeiro.
Ela segue: “O estudante precisa sentir que sua família torce pelo seu resultado, mas que seu valor não depende dele. Quando existe essa segurança, o Enem deixa de ocupar o lugar de uma ameaça à própria identidade e passa a ser compreendido como uma etapa importante da vida, mas não como uma definição de todo o seu futuro”.
Entender se cumpriu cronograma de estudos
Para Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, a melhor forma para passar pelas semanas que antecedem o Enem é apostar em pausa e relaxamento, principalmente para quem conseguiu cumprir com o cronograma de estudos. O profissional sugere aos alunos que façam algumas releituras e revisões curtas e pontuais.
Em relação a quem ainda precisa aprender mais assuntos, o ideal é apostar nos simulados e refazer provas em que o desempenho não foi tão bom. “O acúmulo de cansaço e nervosismo pode, de fato, implicar em mais erros. Para isso, vale muito o treinamento”, comenta.
“Mortinho para que haja tijolos a partir montras”: o que Luís Neves quer é caos?
Índia lança medidas anuais de combate à poluição atmosférica

© RAJAT GUPTA/EPA
- O Minho
- Câmara de Braga vandalizada com pichagem: “Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça”
Câmara de Braga vandalizada com pichagem: “Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça”
O edifício da Câmara Municipal de Braga ‘acordou’, esta quinta-feira, com uma pichagem na sua fachada com uma frase alusiva à luta pelo direito à habitação: “Sem casas não há futuro”.
O autarca João Rodrigues partilhou uma fotografia do vandalismo para condenar o ato: “Concordo com a frase, mas condeno em absoluto a forma escolhida para a escrever”.
“Conheço bem a dimensão do problema da habitação, compreendo a indignação de quem não consegue pagar uma casa e sei quanto trabalho temos pela frente. Mas isso não pode servir de desculpa para tudo”, refere.
Contudo, o presidente da Câmara alerta para a escalada no tom dos protestos. “Já se ouvem apelos descarados a que se reproduzam em Portugal os confrontos e os episódios de violência que temos visto em França. Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça. E preocupa-me o silêncio de quem receia condená-los, não vá parecer que está contra o direito à habitação”, lê-se numa publicação nas redes sociais.
E acrescenta: “Os moderados (a esmagadora maioria das pessoas) não têm de pedir desculpa pelo facto de o serem, nem de apresentar provas de sensibilidade social para defender princípios elementares. A moderação não é tibieza nem falta de coragem. Muito pelo contrário. E pintar uma parede não é o mesmo que ameaçar ou agredir. Mas não precisamos de esperar pelo pior para dizer onde estão os limites”.
Como O MINHO tem noticiado, para além de Porto e Lisboa, Braga também tem sido palco de protestos em defesa da habitação e por melhores condições de vida. No próximo sábado, realiza-se nova assembleia popular, na Praça da República, a partir das 15:00.
O conteúdo Câmara de Braga vandalizada com pichagem: “Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça” aparece primeiro em O MINHO.
O cancro da mama não avisa
VTM
É precisamente por isso que o rastreio é tão importante: procura alterações numa fase em que ainda não há sintomas, quando as opções de tratamento são, em geral, mais simples e eficazes.
Em Portugal, o cancro da mama é o tumor maligno mais frequente nas mulheres. Todos os anos são diagnosticados cerca de 9.000 novos casos e mais de 2.000 mulheres morrem da doença. Estes números lembram-nos que não basta confiar na ausência de sintomas.
Desde 2025, o programa organizado de rastreio do Serviço Nacional de Saúde abrange mulheres sem sinais ou sintomas, entre os 45 e os 74 anos, através de mamografia realizada de dois em dois anos. Entre 1990 e 2024, foram feitas mais de seis milhões de mamografias no âmbito do programa, tendo sido identificadas cerca de 36.000 mulheres com alterações suspeitas, encaminhadas para avaliação médica.
Uma imagem suspeita não significa necessariamente cancro. Significa que é preciso esclarecer o achado com outros exames ou, quando indicado, uma biópsia. O objetivo é não deixar passar uma doença potencialmente curável numa fase inicial. O diagnóstico precoce pode permitir tratamentos menos agressivos, cirurgias mais conservadoras e maior probabilidade de cura.
O rastreio destina-se a mulheres sem sintomas. Um nódulo novo, retração da pele ou do mamilo, alteração persistente do contorno da mama ou saída de sangue pelo mamilo deve motivar observação médica, sem esperar pela próxima convocatória.
Há ainda situações que exigem um plano individual: história familiar importante, mutações como BRCA1 ou BRCA2, radioterapia prévia no tórax ou mamas densas. Nestes casos, a idade de início e os exames adequados podem ser diferentes. A densidade mamária pode dificultar a deteção de algumas lesões e deve ser discutida com o médico.
A prevenção começa também no quotidiano: manter um peso saudável, praticar atividade física, moderar o consumo de álcool e não fumar. Estas medidas não eliminam o risco, mas ajudam a reduzi-lo.
Participar no rastreio é um gesto simples de cuidado individual e coletivo. Uma mamografia pode não mudar o dia de hoje – mas pode mudar decisivamente o futuro.
The post O cancro da mama não avisa appeared first on A Voz de Trás-os-Montes.
Albufeira reforça o número de funcionários nas escolas
O Município de Albufeira anuncia ter iniciado o reforço das equipas escolares com a integração faseada de 20 assistentes operacionais até ao final do mês.
O conteúdo Albufeira reforça o número de funcionários nas escolas aparece primeiro em Algarve Marafado.
Rita Matias deixa o desafio: sala de amamentação na Assembleia da República
- O Jornal Económico
- Vítor Bento considera necessário que o sistema político “desloque a atenção” para a crise na habitação rapidamente
Vítor Bento considera necessário que o sistema político “desloque a atenção” para a crise na habitação rapidamente
O presidente da Associação de Bancos Portugueses (APB), Vítor Bento, referiu, na sua rede social linkedIn, que não há soluções no “curto prazo” para o problema vivido no setor da habitação, apenas “remendos”. O banqueiro considera necessário olhar para os números para entender esta situação.
| 2009-2015 | 2016-2025 | |
| Aumento das dormidas diárias (turismo) | 40 | 85 |
| Aumento da população residente | -194 | 1055 |
| Fogos licenciados para habitação | 104 | 274 |
Fonte: LinkedIn de Vítor Bento. Dados em milhares.
Na opinião do economista, aquando da abertura das portas à imigração, não houve uma preocupação com as implicações logísticas que esta abertura acarretava, como a habitação, saúde e educação. “As consequências estão à vista nesses três setores”, escreveu na rede social, salientando que “não há soluções de curto prazo, só remendos, pelo que a correspondente insatisfação social pode continuar”.
Segundo Vítor Bento, o necessário para colmatar esta crise é “que o sistema político desloque a atenção, do seu umbigo para estes três problemas, tão cedo quanto possível, para encurtar o prazo das soluções eficazes”.
Professores de Matemática dos cinco PALOP visitam Loulé
A visita, apoiada pela Câmara de Loulé, deu a conhecer o património e a cultura local, no âmbito de um encontro internacional na Universidade do Algarve (UAlg).
O conteúdo Professores de Matemática dos cinco PALOP visitam Loulé aparece primeiro em Barlavento.
A dificuldade em ter casa é um dos maiores travões à natalidade
O número médio de filhos por mulher em Portugal é superior ao registado no pico da crise financeira, mas permanece longe do limiar de substituição de gerações, e a Administração Pública identifica a habitação como um entrave decisivo.
A taxa de fecundidade subiu de 1,21 em 2013 para cerca de 1,52 em 2025, ficando assim abaixo dos 2,1 necessários para travar o declínio demográfico, e o relatório “Portugal em Perspetiva”, elaborado pela Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (REPLAN) e publicado há poucos dias, destaca o custo e a escassez de espaço como bloqueios que travam quem quer constituir família.
Para enquadrar este cenário, o documento recorre ao estudo “State of World Population 2025”, do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), que conclui que “a atual crise da fertilidade resulta sobretudo da incapacidade de muitas pessoas concretizarem as suas preferências reprodutivas, devido a fatores económicos, sociais e institucionais, e não apenas da diminuição das taxas de natalidade”.
O custo da habitação, a insegurança económica, a dificuldade de conciliação entre vida profissional e familiar e a desigual distribuição das responsabilidades de cuidado podem limitar a concretização dos projetos familiares.
Aplicada a Portugal, a análise da REPLAN é taxativa ao sublinhar que “a habitação, pelo custo e pela disponibilidade de espaço, constitui uma barreira relevante, em particular para os jovens adultos que procuram autonomizar-se e constituir família”.
A dimensão deste obstáculo reflete-se na idade de emancipação apurada pelo Eurostat, que aponta para que os jovens portugueses estejam a abandonar a casa dos pais, em média, aos 28,8 anos, contra 26,3 anos na União Europeia, além de que entre os 15 e os 29 anos, 21,4% vivem em habitações sobrelotadas, proporção que compara com 12,7% no conjunto da população residente.
O impacto económico faz-se sentir também no adiamento da maternidade, com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a dar nota de que a idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho foi de 30,7 anos em 2025, mais 0,5 anos do que em 2015.
A REPLAN ressalva que a habitação não atua de forma isolada, mas em conjunto com outras fragilidades do mercado de trabalho e do modelo social, salientando que “o custo da habitação, a insegurança económica, a dificuldade de conciliação entre vida profissional e familiar e a desigual distribuição das responsabilidades de cuidado podem limitar a concretização dos projetos familiares”.
No plano da oferta física de casas, o desfasamento entre o licenciamento e a conclusão de fogos permanece expressivo, tornando-se assim num elemento de pressão para a o forte agravamento do nível de acessibilidade à habitação em Portugal ao longo dos últimos anos.
De acordo com dado do INE foram licenciados 48.844 fogos em 2025 (o valor mais elevado desde 2011), mas só 30.425 ficaram concluídos, enquanto o Banco de Portugal estima que faltem cerca de 300 mil casas no país, segundo o governador, Álvaro Santos Pereira.
Entre as respostas estratégicas, a REPLAN preconiza “políticas que reforcem a segurança económica e a estabilidade dos jovens adultos, reduzam a precariedade laboral e os constrangimentos no acesso à habitação”, reconhecendo que a gratuitidade das creches é um avanço que ainda enfrenta o desafio de assegurar oferta suficiente e acesso em todo o território nacional.
Entre uma oferta de habitação que tarda em chegar e uma emancipação que se arrasta até perto dos 30 anos, os custos de acesso a um teto tornaram-se o filtro material dos projetos de parentalidade em Portugal. A evolução demográfica futura dependerá do ritmo a que o parque habitacional conseguir responder à procura e libertar os jovens adultos de um compasso de espera imposto pelo mercado imobiliário.
A Geração do Mandar Vir

Habitação: as casas não aparecem por decreto

Comer à noite aumenta até 30% o risco de doença hepática
Os mais privilegiados são macaquinhos de imitação das tendas

Número de professores está reduzindo no Brasil: como reverter situação?
O termo “apagão de professores” tem sido cada vez mais usado. Principalmente após o último Dia dos Professores na última quinta-feira (15), quando foi divulgada uma projeção do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de SP) de que o Brasil pode enfrentar um déficit de até 235 mil professores na educação básica até 2040.
Outros estudos recentes reforçam essa preocupação. O Anuário Brasileiro de Educação Básica 2026, divulgado em setembro, apontou uma redução na participação dos estudantes com melhores desempenhos no Enem entre os ingressantes em cursos de Licenciatura.
Em 2020, 22,7% dos novos estudantes desses cursos estavam entre os 20% com maiores notas no exame. O percentual caiu para 14% em 2023, o menor índice da série iniciada em 2018, e chegou a 14,7% em 2024.
Leia Mais:
Professores da rede pública estão deixando a profissão
De acordo com a pesquisa Panorama da Educação, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada no final de setembro, 10,3% dos professores plenamente qualificados do ensino fundamental e médio deixaram a profissão (por aposentadoria ou pedido de demissão) em 2022, em comparação com a média da OCDE de 6,4% em 2024/25. Uma pista sobre esse temido apagão.
Mas, de acordo com as fontes entrevistadas pela CNN Brasil, é preciso levar alguns pontos em consideração. O primeiro é a composição da força docente no país: “O Brasil tem uma força de trabalho majoritariamente mais velha. As licenciaturas tendem a atrair pessoas mais velhas, que não saíram imediatamente do ensino médio e foram para o ensino superior, ou que estão em transição de carreira, que optaram por seguir uma carreira de licenciatura depois de ter tentado em outras etapas”, explica Bárbara Born, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação.
“É preciso considerar, porém, que o indicador reúne diferentes motivos de saída, como aposentadorias, pedidos de demissão e mudanças de função, e não significa necessariamente o abandono definitivo da docência”, reforça Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil.
No entanto, Gisele Pinheiro, diretora do Singularidades e especialista em formação de professores, considera que o número é preocupante. “Quando levamos em consideração quem desistiu dessa carreira, que não foi um ciclo natural de aposentadoria, nós ainda temos um cenário de que o Brasil fica ainda posicionado de uma maneira muito relevante, ainda é o quarto colocado dentro desse ranking de maior desistência da carreira profissional, que ele nos coloca como um alerta, principalmente quando levamos em consideração que essa reposição”, considera a especialista.
Qualidade dos professores em formação também preocupa
Em 2025, apenas 20,2% dos concluintes dos cursos de licenciatura avaliados atingiram o nível adequado no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Outros 42,2% ficaram abaixo do nível básico.
A diferença é maior quando considerada a modalidade de ensino. Entre os estudantes de licenciaturas na modalidade a distância, 53,1% ficaram abaixo do nível básico no exame, percentual que foi de 26,1% entre os alunos de cursos presenciais.
“Há todo um trabalho que deve ser feito no fomento à carreira docente e à própria permanência de quem escolhe essa carreira, para que a gente não possa ter impactos na aprendizagem”, considera Pinheiro. E esse cuidado deve vir também do professor. “Já que eles estão envolvidos com algo que é de altíssima responsabilidade, que é formar outros, cuidar da educação de crianças e de jovens”, pondera.
Profissão de professor não é atrativa

O ponto de atenção grave é que os professores não estão satisfeitos com suas condições de trabalho. Analisando a felicidade dos docentes com seus trabalhos no Panorama da Educação da OCDE, apenas 22,3% estão bem com seus salários (contra 38,7% da média mundial). Mais professores se sentem satisfeitos com as condições gerais de trabalho: 44,3%, contra 68,4% da média mundial.
Os brasileiros também acreditam que é preciso valorizar mais os educadores. Na pesquisa nacional “O que a população pensa sobre a educação – 2026”, realizada pelo Instituto Ideia e encomendada pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação, 53% dos brasileiros querem salários maiores para professores, e esse era o tópico apontado como prioridade número um para os próximos governos estaduais e federal.
Para Slemenson, só aumentar a remuneração não é suficiente. “Para reverter esse cenário, é preciso tratar a valorização dos professores como uma prioridade das políticas educacionais. Isso significa combinar remuneração adequada, planos de carreira atrativos e melhores condições de trabalho nas escolas”, explica.
Ela esclarece que é preciso adotar uma série de políticas de valorização, incluindo o fortalecimento da gestão escolar, a formação continuada e o apoio aos profissionais, desde o começo da carreira. “Valorizar os professores é também uma condição essencial para melhorar a aprendizagem e enfrentar as desigualdades educacionais no Brasil”, propõe.
Born reforça como é preciso olhar para o salário de forma mais geral. “Hoje, o salário do professor em média corresponde a 84% do salário de pessoas com ensino superior. Além disso, é importante lembrar que, em muitas redes, a composição salarial dos professores é feita de uma série de bonificações e aditivos que não são salário efetivamente, né? Então, acho que isso gera também uma insegurança dos professores com relação aos seus ganhos e uma potencial insatisfação”, reflete a especialista.
Além disso, o salário do docente varia conforme a composição de sua jornada a cada ano. “O que significa que você não consegue se projetar financeiramente para os anos que vêm”, reforça.
Fora isso, as condições gerais de trabalho são importantes. Um estudo recente feito pelo Instituto DataFolha a pedido da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação mostrou que, para os estudantes de escolas públicas, um dos principais problemas percebidos no cotidiano escolar são estudantes indisciplinados e que atrapalham as aulas.
Bárbara nos lembra de que, quando falamos em indisciplina, não estamos falando apenas em falta de atenção à aula. “Muitas vezes está ligada a comportamentos violentos e agressivos, não só entre os estudantes, mas contra os professores”, reforça.
Como reverter esse quadro?
Para Slemenson, a escassez não pode ser resolvida com apenas uma ação. “As frentes que a OCDE destaca são carreira e remuneração atrativas, formação inicial conectada à prática, acompanhamento no início da carreira, apoio em sala e menos burocracia”, resume.
Porém, ela destaca que enfrentamos um desafio adicional no Brasil, que é a citada fragmentação da jornada, em que os professores trabalham em múltiplas escolas. “Atuar em uma única escola, sobretudo em tempo integral, favorece a relação de confiança com os estudantes, a integração com a equipe pedagógica e a participação na vida escolar, além de criar melhores condições para o planejamento e a colaboração entre professores”, explica.
Pinheiro reforça a importância do acompanhamento da carreira do docente. “Uma vez que ele se formou professor, ele está nas escolas com todo esse cenário de diversidade, que ele também possa ter acompanhamento, suporte e esse compromisso com a formação continuada dele, que é cíclico, e esse monitoramento, esse apoio, fará a diferença para nosso cenário brasileiro”, descreve.
Born reforça como o cenário docente brasileiro é diversificado. Por um lado, na Educação Básica, há a formação à distância dos professores, que não parece suficiente. “80% dos professores de pedagogia estão sendo formados em cursos de educação à distância, que são cursos que têm problemas intrínsecos muito sérios, de qualidade, de oferta de saberes minimamente relevantes para a formação desses indivíduos”, considera.
Já no ensino de Exatas e Ciências da Natureza, em que não há uma atratividade para a Licenciatura, já que essas pessoas podem conseguir empregos na indústria, ou no terceiro setor. Então como atrair tantos perfis diferentes?
“A gente precisa transformar como esse professor está dentro da sala de aula, melhorar as condições de atuação do professor que está hoje na sala de aula, para que os jovens olhem para eles e queiram ser como eles. Nenhum jovem que está vendo o seu professor adoecido, insatisfeito ou deprimido vai querer ser como ele”, considera Bárbara.
Brasil é o 4º país com professores mais insatisfeitos com salário, diz OCDE
Homem com 103 anos trabalha como barman
